Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Brasil - Calor extremo ameaça agricultura e segurança alimentar

O aumento do calor extremo está a redefinir a agricultura no Brasil, com impactos crescentes na produção e na segurança alimentar, segundo um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)


No documento, elaborado em conjunto com a Organização Meteorológica Mundial, afirma-se que "o calor extremo está a tornar-se uma das ameaças mais graves para a agricultura a nível global", afetando culturas, pecuária, pescas e florestas de forma simultânea.

No caso brasileiro, o relatório inclui um estudo específico sobre a onda de calor de 2024 e 2025, destacando efeitos combinados de temperaturas elevadas e seca sobre vastas áreas agrícolas.

Segundo o relatório, estes fenómenos estão ligados às alterações climáticas - ampliadas por um forte El Niño - e tendem a tornar-se mais frequentes e intensos nas próximas décadas.

A FAO sublinha que o calor extremo "atua como um multiplicador de risco", agravando impactos já existentes sobre a produção alimentar, com quebras de colheitas e redução da produção nacional, inclusive na pecuária, o que pressiona a inflação de alimentos.

Em relação à soja, alimento que o Brasil mais exporta, a FAO observou que a produção foi duramente atingida, pois as temperaturas "excederam o limite crítico de 30°C" em mais de 60% dos dias durante a sua estação de crescimento.

Devido ao "stresse térmico implacável", a estimativa oficial para a colheita brasileira de soja foi reduzida em quase 10%, resultando em milhões de toneladas de alimentos perdidos.

O calor extremo também favoreceu a proliferação de pragas, como a "mosca-branca e fungos", que atacaram plantações de batata, feijão e cana-de-açúcar em várias áreas produtoras no estado de São Paulo.

A pecuária também foi amplamente afetada, com efeitos registados em praticamente todo o território brasileiro.

A pecuária leiteira também sofreu um "impacto significativo na saúde e produtividade" das vacas, especialmente no Sudeste brasileiro, segundo o documento.

Vacas sob forte stresse por calor, acrescenta-se no relatório, produzem menos leite e podem gerar descendentes com "desempenho reduzido", o que representa uma perda económica irreversível para o produtor rural.

Segundo a mesma fonte, em 2024 registou-se o "maior número de focos de incêndio e de área queimada" desde 2010, sendo que os picos mais evidentes foram no Centro-Oeste do Brasil atingindo os biomas da Amazónia, Pantanal e Cerrado.

"Os incêndios florestais devastaram uma área equivalente ao tamanho de Itália e causaram grave poluição atmosférica por micropartículas", sublinhou.

Sem a alteração climática induzida pela atividade humana, destaca-se no estudo, fenómenos devastadores como os incêndios no Pantanal em 2024 teriam sido "10.000 por cento menos frequentes" no território brasileiro.

Sobre a Amazónia, a FAO alerta que a combinação de calor extremo, seca e degradação ambiental pode reduzir a resiliência da floresta, aumentar o risco de incêndios e afetar o papel da floresta na regulação do clima global.

No relatório estima-se que cerca de 7% da floresta seja destruída para cada grau de aumento na temperatura global acima do limite de 1,5 °C.

Se o crescimento da floresta tornar-se negativo, aponta-se no estudo, a região corre o risco crítico de transitar para uma fonte líquida de emissões, acelerando o aquecimento global.

No relatório, chama-se a atenção para o mecanismo de retroalimentação, gerado pela perda de cobertura florestal e pela exposição do solo, o que provoca aquecimento da região.

Segundo a FAO, "em áreas da Amazónia, este ciclo de retroalimentação com solos expostos pode aumentar os efeitos locais do aquecimento em mais de 300%", agravando o impacto climático. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”


quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Timor-Leste - Aldeia dá exemplo de restauração da segurança alimentar

Local abalado por escassez de água, desmatamento, erosão e deslizamentos está a recuperar a sua capacidade produtiva por meio de um novo sistema de irrigação e técnicas agroflorestais introduzidos pelo PNUD, os resultados incluem redução da subnutrição em aproximadamente 12%, beneficiando mais de 119 crianças


As terras férteis da aldeia Bahadatu em Timor-Leste sofreram um duplo impacto nas últimas décadas: a escassez de água causada pela alteração climática e os deslizamentos de terra como efeito de práticas agrícolas que assolaram a mata.

Ambos os eventos abalaram as fontes de irrigação, fazendo com que o local historicamente abundante mergulhasse na pobreza. Os campos que antes eram viçosos e verdes tornaram-se estéreis e muitas colheitas falharam. Os rendimentos das famílias diminuíram quase 40%.

Envolvimento da comunidade

A aldeia, localizada no suco (distrito) de Fatulia, ganhou uma nova vida com um projeto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, que aliou a reconstrução do sistema de irrigação com técnicas agroflorestais nas encostas para proteger a fonte de água dos impactos de deslizamentos.

Ao visitar o local, a ONU News percebeu que a principal razão para o sucesso desta restauração não foram os 415 metros de alvenaria do canal de irrigação nem os 1,5 mil metros quadrados de paisagem recuperada. Foi o envolvimento da comunidade que plantou novas árvores e maneja a irrigação todos os dias com as próprias mãos.

Eles contam com brilho nos olhos sobre as técnicas de plantio que aplicaram e mostram com empolgação o caminho que a água percorre quando é aberta a comporta construída para regular a irrigação dos campos de cultivo.

De acordo com o chefe do Suco Fatulia, Angelino Moisés Pereira, antigamente a comunidade só conseguia plantar arroz uma vez por ano, hoje, eles semeiam duas vezes.


Melhoria da segurança alimentar

Segundo o PNUD, houve um aumento entre 10 e 15% no rendimento das culturas, resultando num volume adicional de 300 a 450 quilos de arroz por hectare. Isso melhorou diretamente a segurança alimentar de 918 moradores e reduziu a subnutrição em aproximadamente 12%, beneficiando mais de 119 crianças.

O projeto, apoiado pelo Fundo Verde do Clima e iniciado em maio de 2023, já garantiu o plantio de 14.665 árvores, incluindo 1334 espécies frutíferas. Com isso, a comunidade irá beneficiar no futuro de uma variedade maior de alimentos.

O agricultor Américo Ximenes Pereira relatou o seu envolvimento dizendo que plantou até agora com sucesso 1,8 mil árvores polivalentes, incluindo rambutan, mogno e laranjeiras.

Disse estar otimista de que dentro de cinco anos estas árvores produzirão uma “colheita substancial”, permitindo-o “vender os frutos no mercado e, assim, melhorar a situação económica” da sua família.

Empoderamento económico das mulheres

O agricultor Câncio Pereira dos Reis, disse que com a orientação recebida da ONG Raebia, parceira do PNUD, todos aprenderam como plantar de forma eficaz para garantir a sobrevivência das árvores.

Sobre o sistema de irrigação, ressaltou que todos partilham a responsabilidade garantindo que cada campo de arroz receba a quantidade adequada de água.

A chefe da aldeia Bahadatu, Edviges da Costa Gusmão,  disse que as mulheres estão plenamente envolvidas em diversas tarefas físicas, tais como plantar árvores, cultivar campos de arroz e estabelecer viveiros de peixes e criadouros.

Segundo ela “estas atividades não só capacitam as mulheres, mas também lhes proporcionam incentivos económicos”.

Necessidade de reabilitação das estradas

No entanto, a líder da aldeia disse que o grande desafio agora é a estrada que conecta os campos com os mercados. As más condições significam que durante a estação chuvosa, não é possível transitar pelo caminho.

Edviges pediu que o PNUD e o governo continuem os esforços de reabilitação para garantir que a comunidade possa “aceder à estrada à medida que a estação das chuvas se aproxima”.

Mateus Soares Maia, representante da ONG Raebia explicou que o governo participou da inauguração deste canal de irrigação e se comprometeu a inaugurar outro em breve na região. O Ministério da Agricultura também forneceu três tratores manuais para os agricultores da aldeia Bahadatu.

O chefe do suco, Angelino Moisés Pereira, disse que até ao final deste ano, com as duas fontes a operar, será possível abastecer de água toda a comunidade do posto administrativo de Venilale.

Culinária Local

Ele comentou que um benefício positivo do envolvimento comunitário é o aumento do conhecimento entre os membros sobre técnicas eficazes de plantação. Isto fez com que um maior número de indivíduos participasse ativamente no cultivo dos campos de arroz.

Esse alimento é preparado de diversas maneiras em Timor-Leste, sendo uma das mais tradicionais a katupa, um bolinho de arroz cozido em leite de coco, temperado com açafrão, alho e sal e enrolado em uma folha de coqueiro ou bambu.

A aldeia Bahadatu, localizada em uma das muitas encostas montanhosas do país, enfrenta dificuldades de acesso, problemas de infraestrutura e pobreza. Mas nada disso diminui a força de vontade da sua gente, que sonha em melhorar de vida por meio da agricultura, nem a hospitalidade com os visitantes, que são recebidos com uma grande variedade de pratos locais como a katupa.

A intervenção do PNUD para melhorar e proteger a irrigação dos campos de cultivo e introduzir árvores frutíferas é, portanto, uma forma de alimentar os sonhos e a identidade de um dos locais mais remotos, de um dos países mais longínquo do mundo. Felipe de Carvalho – Timor-Leste ONU News




terça-feira, 6 de agosto de 2024

Moçambique - Efeitos do El Niño comprometem época agrícola

Para mitigar os efeitos do El Niño duas províncias terão reforço de sistemas alimentares adaptados às alterações climáticas, cerca de 17 mil crianças do ensino primário terão acesso a refeições e centenas de agricultores vão beneficiar do apoio


A principal época agrícola de 2023/2024 foi afetada pela seca induzida pelo fenómeno climático El Niño em Moçambique. No período entre dezembro passado e fevereiro de 2024 foi observada seca durante 30 dias consecutivos.

Uma avaliação feita em parceria entre o governo e a Organização para a Alimentação e Agricultura, FAO, indica que a produção agrícola perdida é de pouco mais de 720 mil toneladas. Trata-se de cerca de 19% da produção global referente a mais de 3,8 milhões de toneladas.

Sistemas alimentares adaptados às alterações climáticas

Como parte da resposta ao El Niño em Moçambique, o Programa Mundial de Alimentação, PMA, recebeu do governo da Noruega, uma contribuição de U$D 3,3 milhões.

A agência disse que a doação deverá reforçar os sistemas alimentares adaptados às alterações climáticas e expansão dos programas de alimentação escolar nas províncias de Inhambane e Gaza, no sul de Moçambique.

A agência afirma que o apoio é oportuno uma vez que vai permitir a continuidade do projeto de alimentação escolar nas províncias afetadas pelo El Niño.

“Essa continuidade vem num momento crucial em que ambas províncias estão afetadas pelo fenómeno El Niño. E as familiais muitas vezes tendem a recorrer às estratégias de retirar as crianças das escolas, de deslocamento para conseguir contornar as dificuldades. Então, por meio da alimentação escolar, nós asseguramos que as crianças permaneçam na escola e deem continuidade à sua educação também tendo acesso uma melhor nutrição”.

Manter as crianças nas escolas

Para a agência das Nações Unidas, a alimentação escolar é uma ferramenta para manter as crianças nas escolas e bem nutridas.

O PMA em coordenação com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano atende atualmente 54 escolas nas províncias de Gaza e Inhambane.

A chefe de Programas Escolares na agência fala da estimativa de abrangência do programa de alimentação escolar nas províncias afetadas pelo El Niño.

“Cerca de 17 mil crianças serão beneficiadas por esta assistência em Gaza nos distritos de Chigubo, Massagena, Massingir e Manjacaze e, na província de Inhambane, em Govuro, Mabote e Panda. Metade destes beneficiários são raparigas e que também serão benificiários de um pacote de atividades de género. Então, nós capacitamos professores dos serviços distritais de educação para realizar ações de sensibilização de género nas escolas.”

Treino para os pequenos agricultores

O projeto também pretende melhorar a segurança alimentar e nutricional dos pequenos agricultores e das famílias no distrito de Massangena na província de Gaza assim como apoiar o acesso equitativo ao ensino básico.

A especialista de Agricultura e Alterações Climáticas no PMA Moçambique, Margarida Simbine, cita os benefícios do projeto.

“Em termos de famílias, refiro a pequenos agricultores que vão beneficiar diretamente, estamos a falar de cerca 547 agricultores que estão filiados a 14 associações. Estas associações compõem uma média de 20 a 25 membros cada uma, então falando das 547 famílias, está-se a falar que o projeto vai beneficiar cerca de 2,7 mil indivíduos.”

Para além da facilitação de acesso a produtos agrícolas melhorados para aumento de produção, o treino para os pequenos agricultores e boas práticas nutricionais são alguns dos suportes que o PMA disponibiliza aos agricultores.

Melhorar a segurança alimentar e nutricional

“Então, pretendemos apoiar também com sistemas de conservação com recurso à energia solar e ao sistema de frio que vão facilitar a conservação desses alimentos para que se garanta a disponibilidade por mais tempo, mas também pequenas técnicas de processamento e de uma forma geral nos propusemos uma abordagem que promove o bem-estar das famílias. Neste caso a segurança alimentar, a nutrição, mas também que promova ecossistemas saudáveis, estamos a falar aqui destas práticas de agricultura de conservação que não são danosas ao meio ambiente.”

De acordo com o PMA, um dos desafios é melhorar a segurança alimentar e nutricional dos pequenos agricultores e das suas famílias em seis distritos das províncias de Gaza e Inhambane.

O apoio ao acesso equitativo ao ensino básico e aos programas de alimentação escolar em áreas, onde o acesso a educação é fraco devido à insegurança alimentar, também faz parte dos planos da agência.

O PMA apoia ações de salvamento em emergências e presta auxílio alimentar em favor da paz, estabilidade e prosperidade em contextos de recuperação de conflitos, desastres e impacto das alterações climáticas. Ouri Pota – Moçambique ONU News


sábado, 10 de fevereiro de 2024

Angola debate ação em favor da segurança alimentar e nutricional

O governo e agências parceiras discutiram medidas para o alcance das metas globais sobre segurança alimentar e nutricional. As Nações Unidas integram parceiros de cooperação que pretendem melhorar a nutrição infantil e promover o desenvolvimento do capital humano


A situação de segurança alimentar e nutricional em Angola reuniu autoridades do país e parceiros tendo como foco o processo de transformação desde a produção ao consumo. Até esta quinta-feira, a interação em Luanda incluiu agências da ONU.

Em 2021, a colaboração entre os participantes avaliou essas questões e definiu prioridades para o fortalecimento dos sistemas alimentares nacionais. A medida deu sequência à Cimeira das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares.

Fortalecimento dos sistemas alimentares

Falando no Workshop para Revisão e Atualização da Segunda Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Ensan II, o secretário de Estado das Florestas de Angola, André de Jesus Moda, pediu que a atuação na área continue sendo conjunta.

“As partes interessadas ao processo já estavam coincidentes da necessidade de atuar a todos os níveis e com a máxima urgência, de forma coerente e sustentável, para o alcance dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nos diálogos que foram realizados em quatro regiões.”

Participaram no evento entidades como Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, IFAD, e o Programa Mundial de Alimentação, PMA.

Futuro mais sustentável e inclusivo

O representante da Agência das Nações Unidas para Infância, Unicef, em Angola, Antero de Pina, falou a jornalistas sobre o benefício do intercâmbio entre instituições priorizando o cuidado de crianças desde a idade pré-escolar.

“É um esforço que tem sido feito de forma integrada. Não é só o Ministério da Agricultura e Florestas, mas também os da Saúde, da Educação e da Indústria e Comércio, que estão aqui a participar. E ainda o Ministério das Pescas. É um esforço conjunto para que as políticas e as estratégias nacionais coincidam em tudo para melhorar a situação nutricional do país, e em especial das crianças, que são as mais afetadas. Uma criança afetada por mal nutrição tem mais propensão para ter mais doenças e falecer se não dermos uma atenção particular a esta situação de mal nutrição. Essa é a preocupação que o Unicef tem: evitar que as crianças sofram dos impactos de mal nutrição”.

Alavancar a economia e o desenvolvimento

Tal como em 2021, o evento desta semana reavaliou a implementação dos resultados do processo de transformação dos sistemas alimentares e contribuições para que sejam alcançadas as metas globais.

A cooperação entre Angola e as Nações Unidas enfatiza medidas para que o país enfrente os desafios relacionados aos sistemas alimentares promovendo “um futuro mais sustentável e inclusivo para todos”, tal como prevê a Agenda 2030.

Com o Ensan II e os seus mecanismos, a meta é promover o desenvolvimento do capital humano que “a longo prazo geram retorno produtivo e consequentemente contribui para o alavancar da economia e desenvolvimento”. ONU News – Nações Unidas com “ONU Angola”   


terça-feira, 15 de agosto de 2023

Guiné-Bissau - Apoio alimentar da ONU chegou a mais de 179 mil em julho

Uma campanha do Programa Mundial de Alimentos, PMA, e o Governo da Guiné-Bissau distribui sementes, hortícolas e fertilizantes até ao final de agosto. A ação faz parte do Projeto de Apoio de Emergência à Segurança Alimentar, Pausa.

A meta do Projeto é alcançar mais de 47 mil produtores em situação vulnerável em Bissau e nas oito regiões administrativas do país.


Cereais e legumes

Pelo menos 44 mil potenciais beneficiários já foram identificados pela parceria envolvendo a agência da ONU e cinco organizações não governamentais no terreno.

Desde finais de julho, cerca de 2,5 mil comunidades receberam sementes de produtos como amendoim, feijão e milho. Os beneficiários têm direito entre 15 a 20 kg de uma das variedades e 12 a 35 quilogramas de fertilizante.    

A alta dos preços de alimentos e combustíveis influenciaram a piora da segurança alimentar e nutricional como efeito da Covid-19 e da crise na Ucrânia. O Projeto prevê alargar o acesso a alimentos para famílias vulneráveis.

Desnutrição aguda

O PMA indica que cerca de 96 mil pessoas enfrentam níveis agudos de insegurança alimentar no país. Em média, 28% das crianças dos seis aos 59 meses são debilitadas e 5% das de 6 aos 29 meses acabam perdendo a vida. A Guiné-Bissau é tida como importadora líquida de alimentos

Segundo o estudo, Nutrient Gap realizado pela agência em 2022, mais de dois terços da população não conseguem pagar uma dieta nutritiva saudável de US$ 4 diários para uma família de sete membros.

Horticultoras das regiões de Quinara e Gabu beneficiaram de poços de água, da compra de materiais e medição de perímetros de produção. Mulheres participaram em oficinas de planeamento comunitário sobre empoderamento.

Ações de resposta

Como parte de prevenção e tratamento da desnutrição aguda moderada, 9,3 milhões de toneladas de cereal enriquecido foram colocadas à disposição de 36 centros de saúde em maio. Mais de 520 beneficiários foram alcançados.

O PMA distribuiu arroz adquirido localmente para abastecer 852 cantinas escolares, atingindo perto de 179 mil crianças. Pelo menos 70 técnicos receberam treinamento em gestão integrada de desnutrição aguda, moderada-a-grave e prevenção de desnutrição crónica em Cacheu, Oio, Quinara Tombali.

Ainda no âmbito das atividades nutricionais, nove toneladas métricas de alimentos misturados fortificados foram entregues para ajudar 700 pessoas, 51% das quais são mulheres afetadas por um grande incêndio que atingiu o setor de Canhabaque em fevereiro.

O Projeto de Apoio a Segurança Alimentar coordenado pelo PMA tem duração de um ano. O financiamento é feito pelo Banco Africano de Desenvolvimento com US$ 6,6 milhões.

A distribuição envolve ONG parceiras lideradas por um Comité de Seguimento do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. ONU News – Nações Unidas

 

terça-feira, 11 de julho de 2023

Moçambique - Recebe reforço para a área da segurança alimentar e nutrição

O Governo de Moçambique e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, IFAD, assinaram dois acordos de subvenção no valor US$ 4,2 milhões. O financiamento será canalizado por meio de dois projetos de desenvolvimento apoiados pelo IFAD também conhecido como Fida.


Noruega e agricultoras

A iniciativa visa alargar a resiliência das comunidades rurais por meio de maior segurança alimentar, melhor nutrição e aumento de rendimento.

O reforço surge numa época em que a ministra do Desenvolvimento Internacional da Noruega Anne Beathe Tvinnereim, visitou e conversou com agricultores inseridos em projetos apoiados pela agência da ONU.

Na vila da Moamba, sul de Moçambique, ela conheceu Aida Simbine, uma das agricultoras que faz parte de uma associação local formada por 125 pequenos produtores, a maioria mulheres. Ela disse que os agricultores partilharam histórias de resiliência e perseverança como resultado das secas e consequências provocadas pelo ciclone Freddy.

Cadeias de valor e famílias

Anne Beathe citou ainda a necessidade do apoio aos pequenos agricultores e o investimento em cadeias de valor, para aumentar a segurança alimentar nos países africanos e proporcionar melhores rendimentos às famílias.

Aida Simbine é apoiada pelo projeto Procava, que providencia água bombeada do rio, Incomáti para irrigar as suas culturas no seu espaço de cultivo, feijão, batata, pimenta e cebola.

Recentemente o ciclone Freddy destruiu cerca de 66 mil hectares de terras agrícolas o que impacta negativamente a segurança alimentar do país. Os agricultores perdem cerca de 30% das suas colheitas devido aos estragos pós-colheita o que resulta numa produtividade baixa.

Diversificação de dietas

Para Sara Mbago-Bhunu, directora regional do Fida para a África Oriental e Austral, o desafio da agência é abordar impacto da fragilidade para construir sistemas alimentares resilientes. A agência está a promover ativamente a produção e diversificação das dietas, bem como o aumento do rendimento e do emprego.

O setor agrícola em Moçambique emprega 70% da população, no entanto, os pequenos produtores são responsáveis pelo fornecimento de 94% dos alimentos consumidos em Moçambique.

Para além do financiamento, apoio técnico e infraestrutura, o IFAD fornece competências necessárias aos agricultores com vista a encontrar soluções face aos desafios das alterações climáticas.

Peixes e alimentação infantil

A desnutrição em Moçambique é também uma preocupação para o governo da Noruega. No país, 38% das crianças sofrem de desnutrição crónica.

Uma das soluções para o combater aos índices de desnutrição é a inclusão de peixes na alimentação infantil. Para efeito o Fida vai apoiar o setor de aquicultura para capacitando os piscicultores, fornecendo assistência técnica aos produtores de rações e conectando mulheres e jovens produtores aos mercados.

A iniciativa contará com financiamento da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento, Norad.

Desde 1983, o Fida investiu mais de US$ 386,47 milhões em 15 programas e projetos de desenvolvimento rural em Moçambique, no valor total de quase US$ 581 milhões.

As intervenções beneficiaram diretamente a 2 391 789 domicílios rurais. Ouri Pota – Moçambique ONU News


segunda-feira, 1 de maio de 2023

Venezuela - Portuguesa lidera programa da ONU que garante alimentação a meio milhão de crianças

A portuguesa Laura Melo chegou à Venezuela há cerca de um ano e hoje representa no país o Programa Alimentar Mundial (PAM), uma agência da ONU que garante alimentação a 450 mil crianças carenciadas

“Como PAM aqui na Venezuela, continuamos essencialmente a trabalhar e a apoiar crianças através da alimentação escolar. Estamos a trabalhar em oito estados do país, apoiando cerca de 450000 pessoas mensalmente, essencialmente crianças, mas também professores e todo o pessoal que está nas escolas onde trabalhamos”, disse à agência Lusa.

Laura Melo lembrou que o PAM é uma agência da ONU que promove a segurança alimentar e a nutrição das pessoas mais pobres e vulneráveis, em cerca de 120 países, com milhões de beneficiários “porque, lamentavelmente, do ponto de vista da fome no mundo, a situação está a piorar”.

“Em abril de 2021, o PAM assinou um acordo com o Governo da Venezuela para começar a trabalhar e dar apoio, do ponto de vista de segurança alimentar e nutrição no país”, disse, precisando que já tinham estado no país, há muito tempo.

Três meses depois, em julho, começaram as atividades locais, com a distribuição de comida em escolas até à pré-primária do estado de Falcón, a crianças dos 6 meses aos 6 anos de idade, e em “escolas especiais”, a pessoas com deficiências.

“Os programas de alimentação e as atividades de apoio nas escolas existem numa diversidade de países na América Latina (…) apoiamos precisamente para complementar muitas vezes os esforços inclusive do próprio país, para alimentar e ajudar as pessoas mais vulneráveis a terem uma dieta nutritiva. Essencialmente para que as crianças possam ter um desenvolvimento saudável e possam cumprir com o seu potencial”, frisou.

Laura Melo explicou que gosta muito do que faz e que tem “muito orgulho” em trabalhar para o PAM, organização com a qual trabalha “há mais de 20 anos”.

“Estou apaixonada pela Venezuela. É um país maravilhoso, com gente maravilhosa, com um potencial incrível. E o nosso trabalho é essencialmente apoiar esse potencial, que todas essas oportunidades que há no país possam chegar ao seu máximo”, disse.

A responsável frisou ainda que a Venezuela “é um país com uma enorme diversidade geográfica, com uma capacidade e um talento humano absolutamente fantástico”.

“O desejo de avançar, de conseguir coisas para o seu país é uma coisa extraordinária e dá-nos muito orgulho de poder apoiar a Venezuela”, acrescentou.

Por outro lado, explicou que o PAM é uma agência financiada de forma absolutamente voluntária, que conta com países doadores, com uma componente importante do setor privado e outro tipo de organizações.

“Mas, o grande peso vem dos países doadores que estão sempre a financiar onde estão as maiores necessidades e, lamentavelmente, atualmente há muitas crises, muita competição por recursos (…) A crise da pandemia afetou muitíssimo quase todos os países do mundo e afetou também a situação alimentar desses países”, lembrou.

Segundo Laura Melo, “também o conflito na Ucrânia está a afetar muitíssimo a produção de alimentos e de fertilizantes praticamente todos os países do mundo: onde há produção agrícola, há um aumento de preços e isso traduz-se num aumento de preços dos alimentos para o consumidor e as populações, afetando a capacidade de compra de alimentos diversificados e de garantir uma dieta diversificada, fundamental para uma boa nutrição”.

Esta portuguesa estudou em Portugal e fez um mestrado em Londres onde trabalhou como jornalista. “Depois o jornalismo levou-me a estas coisas do mundo humanitário (..) e a determinada altura, entrei para o PAM, há mais de 20 anos”, contou.

“Comecei a trabalhar em África e na última década na América Latina. Já trabalhei no Panamá, em Cuba, Guatemala e agora Venezuela”, onde, disse, há também “uma comunidade portuguesa muito extensa”.

“É sempre um prazer chegar a um país e ver que Portugal está bem representado (…) ver que os portugueses deixaram um contributo muito importante neste país. Ser portuguesa é sempre uma mais-valia. Somos um país bem visto no mundo em geral. Somos um país com muitíssimas boas relações com todos os países do mundo”, disse.

Laura Melo está também, “como portuguesa, muito orgulhosa de poder representar a capacidade e o talento que os portugueses têm e que podem levar para o mundo”.

“Como portuguesa, tenho realmente muito orgulho de fazer parte da ONU, de poder ser identificada como uma representação de Portugal nas Nações Unidas”, disse.

Sobre a comunidade luso-venezuelana, congratulou-se por ser “muito unida, muito representativa” e que “trabalha muitíssimo para promover” os seus membros. “Muitos têm já uma história bastante longa aqui e sentem-se muito identificados também como venezuelanos”, mas também como portugueses”, acrescentou.

Laura Melo espera que um dia o trabalho que faz de “contribuir para pôr fim à fome no mundo (…) não seja necessário”.

“Espero que um dia não haja necessidade de haver no mundo pessoas que lutam contra a fome, que não haja necessidade de nos enfrentarmos com as necessidades de tantas comunidades e tantas famílias. Espero que um dia não haja fome no mundo”, concluiu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 29 de março de 2023

Internacional – “Torne o feijão sexy”, o feijão é bom para si e ótimo para o planeta

Saiba por que deve comer mais feijão


A humilde leguminosa já é um alimento básico nas refeições em todo o mundo.

Mas uma coligação de grupos ambientalistas afirma que duplicar o consumo de feijão pode ajudar a proteger o planeta e a enfrentar a crise do custo de vida.

A iniciativa 'Beans is How' - coordenada pelo Centro de Advocacia dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS2) - foi lançada no ano passado.

Ela promove os alimentos como uma “solução única” para os desafios climáticos, de saúde e económicos do planeta.

“Todo mundo está preocupado neste momento – como podemos fazer refeições nutritivas para as nossas famílias quando o dinheiro não chega? Como podemos ajudar a enfrentar a crise climática?” disse Paul Newnham, Diretor Executivo do SDG2 Advocacy Hub.

"Como podemos fazer algo sobre os 3 mil milhões de pessoas neste planeta que estão desnutridas?"

O feijão poderia ajudar-nos a salvar o planeta?

A produção global de alimentos é responsável por um terço de todos os gases de aquecimento do planeta emitidos pela atividade humana.

Mas nem todos os alimentos são criados iguais. A carne responde por 60% do total de gás relacionado a alimentos, com um único quilo de carne bovina criamos 70 kg de emissões.

A criação de gado também é um grande fator de desflorestação, particularmente em ecossistemas vulneráveis ​​como a floresta amazónica.

O feijão liberta 90% menos gases de efeito estufa do que algumas proteínas animais. Eles também melhoram a saúde do solo, introduzindo nitrogénio no solo e reduzindo a necessidade de fertilizantes.

No entanto, em média, apenas 21g de leguminosas são consumidas por pessoa por dia, em comparação com 112g de carne.

Inverter este desequilíbrio poderia reduzir o stress no planeta, insistem os ativistas do Beans.


“Adoro feijão - faço feijão, planto feijão, como feijão. Nunca conheci um feijão de que não gostasse. Eles são pequenas pérolas de grandeza e têm o potencial de melhorar a vida das pessoas em todo o mundo”, disse Sam Kass, ex-Chef da Casa Branca e Conselheiro Sénior de Políticas de Nutrição.

“Se nos concentrarmos coletivamente neste produto que sabemos ser bom para nós, podemos realmente fazer a diferença. Para fazer isso, vamos precisar da ajuda de todos - vamos precisar de chefs para colocar mais feijões nos seus cardápios e torná-los atraentes”, acrescentou.

O feijão pode ajudar-nos a derrotar a fome?

43 milhões de pessoas em 38 países em todo o mundo correm o risco de cair na fome ou numa grave crise de fome, o que significa que o menor choque nos sistemas alimentares pode privá-los de sustento.

Mas o feijão é uma alternativa barata e rica em proteínas. O feijão seco custa em média apenas $ 1,00 (€ 0,96) por 500 gramas.

Novas variedades de feijão também estão a ser lançadas a todo o tempo. Nos últimos anos, os criadores de feijão da Pan-Africa Bean Research Alliance (PABRA) desenvolveram mais de 500 novas variedades, aumentando o valor nutricional da humilde leguminosa.

Quase um quinto da população de Ruanda come agora feijão enriquecido com ferro, que fornece 80% das necessidades de ferro das crianças pequenas e mulheres não grávidas

“Feijões, legumes, leguminosas e ervilhas existem em milhares de variedades. O feijão é uma cultura excelente para os agricultores cultivarem e é rico em proteínas e ferro”, disse a Dra. Agnes Kalibata, presidente da AGRA, ex-enviada especial para a Cúpula dos Sistemas Alimentares da ONU e defensora do feijão.

“O feijão é bom para si – toda a vez que come feijão, você está a ajudar uma família a ter um rendimento sustentável e uma nutrição melhor e está a ajudar a regenerar os solos. Esta é uma enorme colheita em todos os sentidos”, disse ela.

A campanha Beans Is How está a reunir um Conselho Consultivo especializado em Ciência e Inovação em Bean para determinar como a meta de duplicar o consumo pode ser medida e alcançada. Charlotte Elton – Reino Unido in “Euronews.green”




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Portugal - Investigação conclui que o consumo de pescada pode ter efeitos adversos para a saúde devido a valores elevados de mercúrio

Serão os níveis de mercúrio presentes nos produtos da pesca adequados para garantir baixo risco para as populações que consomem muito peixe? Um novo estudo liderado por cientistas do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) revela que os valores de mercúrio mais elevados foram determinados em espécies carnívoras (que se alimentam de animais mais pequenos), como a pescada, podendo ter efeitos adversos para a saúde humana devido à concentração de mercúrio.


Tendo em conta as porções diárias recomendadas na Roda dos Alimentos que definem uma alimentação completa e equilibrada, o estudo “Are mercury levels in fishery products appropriate to ensure low risk to high fish-consumption populations?” determinou a frequência semanal com que a população residente em Portugal pode consumir bacalhau, pescada e polvo cozido, bem como carapau e sardinha grelhados, de forma a prevenir efeitos adversos para a saúde, uma vez que algumas espécies marinhas podem conter elevadas concentrações de metilmercúrio.

O metilmercúrio, explica Elsa Teresa Rodrigues, coordenadora do estudo e investigadora do DCV e do Centre for Functional Ecology (CFE) é «uma forma química do mercúrio com potencial de bioacumulação nos tecidos biológicos e com elevada neurotoxicidade, tendo-se verificado neste estudo que a pescada (com mais de 1kg) cozida e consumida mais do que uma vez por semana, e carapau (de 35-40 cm) grelhado e consumido mais do que cinco vezes por semana, ultrapassa o valor de metilmercúrio aceite como seguro e estabelecido pela Agência Europeia para a Segurança Alimentar. Já bacalhau e polvo cozidos, assim como sardinha grelhada, quando adquiridos e cozinhados nas condições testadas, podem ser consumidos sem restrições», revela.

Para chegar a estes resultados, a equipa da FCTUC adquiriu os produtos frescos no mercado, à exceção do bacalhau da Noruega (salgado e seco), e simulou os métodos culinários tradicionais em laboratório. «A deteção e quantificação do mercúrio total e do metilmercúrio presente nas amostras cruas e cozinhadas foi feita por espectrometria de absorção atómica com combustão direta da amostra», descreve Elsa Teresa Rodrigues.

De acordo com os cientistas do DCV, «verificou-se que os tratamentos culinários testados resultaram sempre num aumento da concentração de mercúrio; e que em todas as situações testadas (amostras cruas e cozinhadas, mercúrio total e metilmercúrio), os níveis mais elevados foram determinados na pescada e no carapau».

«Além do conhecimento científico produzido, com este estudo contribuímos para um regime alimentar seguro e saudável da população residente em Portugal, uma vez que respondemos a um dos desafios societais associados ao setor alimentar: ajudar a escolha informada dos consumidores», conclui a equipa.

Desta investigação, financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), além do DCV, fazem ainda parte da equipa cientistas da Universidade de Aveiro. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Portugal - Estudo avalia o nível de mercúrio presente no peixe e marisco que o organismo consegue digerir

Um estudo publicado na revista “Marine Pollution Bulletin” aponta a necessidade da criação de uma metodologia universal para estimar a bioacessibilidade do mercúrio (Hg), um metal pesado tóxico, em alimentos presentes na dieta mediterrânica, mais especificamente em espécies de peixe e marisco, e destaca a importância da integração de medidas de bioacessibilidade nas normas de segurança alimentar.

A bioacessibilidade traduz-se no que o organismo humano pode absorver a partir dos alimentos que ingerimos e é um instrumento particularmente relevante para determinar quais os valores máximos de contaminantes que podem ser consumidos ao longo da vida sem risco para a saúde. Em concentrações muito baixas, o mercúrio não representa perigo para a saúde humana, mas a sua acumulação a longo prazo pode ter efeitos prejudiciais.

Este estudo, liderado por Filipe Costa, do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), avaliou a fração de mercúrio bioacessível em peixes e mariscos presentes na dieta mediterrânica, designadamente peixe-espada-preto, atum, espadarte, tubarão azul, salmão e tainha; mexilhão e amêijoa.

A escolha das espécies foi baseada nos principais peixes e mariscos consumidos no sul da Europa e incluiu espécies capturadas no oceano (peixe-espada-preto, atum, espadarte e tubarão azul), espécies de aquacultura (salmão e mexilhões) e espécies estuarinas (tainha e amêijoas). Para avaliar o nível de bioacessibilidade das espécies em estudo, a equipa, que integra também Pedro Coelho e Cláudia Mieiro, da Universidade de Aveiro (UA), recorreu a três formas distintas de extração in vitro, que «simulam em laboratório o efeito da saliva, suco gástrico e da bílis durante o processo de digestão», explica Filipe Costa, referindo que, no caso do peixe-espada-preto, foram ainda utilizados três diferentes métodos de confeção: cozer, fritar e grelhar, para avaliar o impacto dos processos culinários na bioacessibilidade do mercúrio.

O estudo conclui que a estimativa da bioacessibilidade do mercúrio no peixe e marisco depende do método aplicado, já que cada método de extração apresentou resultados diferentes, o que, para o investigador da FCTUC, «salienta a falta de uma metodologia universal para estimar a bioacessibilidade do mercúrio (Hg) nessas matrizes. As frações de Hg bioacessíveis variavam entre 10% e quase 90% do mercúrio total (T-Hg) e aumentaram nas espécies consideradas predadoras (espadarte, tubarão azul e atum). Entre os três métodos de extração testados, o Método Unificado de Bioacessibilidade (UBM) forneceu a estimativa mais elevada de bioacessibilidade de Hg para os consumidores».

No que respeita aos métodos de confeção utilizados, «todos eles reduziram consideravelmente a fração de Hg bioacessível», ou seja, observou-se uma «diminuição no teor deste contaminante», avança Filipe Costa, esclarecendo que, de uma forma geral, os resultados do estudo indicam que o «Hg bioacessível encontrado nestas espécies de peixe e marisco, especialmente após a confeção, está muito abaixo dos níveis estabelecidos pela legislação atual de avaliação de risco de segurança. Estes resultados destacam a importância da integração de medidas de bioacessibilidade na legislação de segurança alimentar».

A legislação de segurança alimentar atual apenas considera a concentração total de contaminantes em peixes e mariscos, não tendo em conta a bioacessibilidade contaminante durante o processo de digestão nem o efeito dos modos de confeção na solubilização digestiva do contaminante. Universidade de Coimbra - Portugal


sábado, 4 de setembro de 2021

São Tomé e Príncipe - Banco Africano de Desenvolvimento financia aquisição de camião para garantir assistência alimentar às crianças

São Tomé – O Projecto de Reabilitação de Infraestruturas de Apoio a Segurança Alimentar (PRIASA II) apetrecha o Programa Nacional de Saúde e Alimentação Escolar (PNASE) com um meio de transporte de mercadorias avaliado em mais de 100 mil Euros.

O camião que visa potenciar o projecto PNASE, no intuito de garantir o transporte de produtos para confecção de alimento escolar foi financiado em 119 mil Euros.

O financiamento foi viabilizado pelo Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD) do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

A cerimónia de entrega deste equipamento à ministra da Educação e Ensino Superior, Julieta Rodrigues, aconteceu na passada quinta-feira, na cidade de São Tomé, onde a mesma agradeceu, mais uma vez a parceria de “excelência” com o BAD.

A propósito, a governante referiu que o Governo do qual faz parte está preocupado com alimentação escolar, que, na sua óptica afigura-se como importante no plano psíquico para potenciar várias valências às crianças do País em idade escolar.

“O Governo está preocupado com a saúde psíquica dos alunos, e, obviamente acautelando o rendimento escolar, para o qual alimentação escolar assume a importância capital nesse aspecto”, realçou a governante.

Por sua vez, Carlos Pascoal, que representou o ministro da Agricultura realçou a comparticipação deste Ministério na aquisição do veículo, sublinhando que “o camião visa transportar produtos agrícolas para as escolas, porque entendemos que se afigura indispensável esse meio de transporte”.

Pontuou, igualmente, que o propósito do Governo “é garantir a segurança alimentar para as crianças, a luz de infraestruturação na perspectiva de durabilidade do projecto”.

Na óptica, de Ayara Trigueiros, Directora do PRIASA II, o objectivo central de aquisição do transporte visa viabilizar a “distribuição de produtos agrícolas em diferentes escolas em lugares mais recônditos de São Tomé e Príncipe de modo que todas as crianças são-tomenses tenham acesso à alimentação escolar”. Manuel Dênde – São Tomé e Príncipe in “STP-Press”

 

sexta-feira, 2 de julho de 2021

FAO - Apela para maior disponibilidade de alimentos em África

São Tomé e Príncipe é o único país de língua portuguesa que deve alcançar 80% das cinco metas nutricionais da Organização Mundial da Saúde, OMS. Um terço das crianças da região subsaariana tem problemas de crescimento e 75% dos africanos não têm o suficiente para pagar por uma dieta saudável com frutas, proteínas, vegetais e animais


O número de crianças afetadas pelo atraso de crescimento continua em alta na África Subsaariana. 

A região concentra 91% de crianças sofrendo de nanismo. No continente, 57,5 milhões de menores enfrentam o problema. A região africana é a única do globo com tendência de alta.

Lusófonos 

Dentre os países de língua portuguesa, São Tomé e Príncipe está entre três nações a caminho de atingir quatro das cinco metas nutricionais da Assembleia Mundial da Saúde.  Com uma prevalência de desnutrição de 12%, o país tem a mais baixa taxa entre os lusófonos africanos.

O Panorama sobre Segurança Alimentar e Nutrição em África cita um programa de fortificação de alimentos com pó de micronutrientes múltiplos que cobre todas as crianças são-tomenses abaixo dos cinco anos.

No período entre 2017 e 2019, Angola teve uma taxa de desnutrição de 18,6%, seguida de Cabo Verde com 18,5% e Moçambique com 32,6%.

Já a Guiné-Bissau não apresenta dados no estudo, mas consta entre os países que sofrem pela influência de insegurança, da desaceleração económica e de choques climáticos que inter-relacionados aumentaram a prevalência da desnutrição. 

O país deve atingir as metas de combate ao excesso de peso e amamentação exclusiva.

Dependência

Angola está entre 12 nações africanas em vias de cumprir a meta de combate ao baixo peso para a altura.

Cabo Verde aparece entre os mais afetados com a queda abrupta nas viagens por causa da pandemia, pela forte dependência do turismo. O país tem uma prevalência de carência de vitamina A abaixo de 10%, que afasta o problema como uma ameaça à saúde pública.

Já em Moçambique, impactos climáticos e desacelerações económicas causaram a alta prevalência de subnutrição. O país tem 1,7 milhão de pessoas sofrendo de insegurança alimentar aguda devido a fatores como chuvas fracas, dois ciclones, aumento dos preços dos alimentos básicos e infestação generalizada pela lagarta-do-cartucho-do-milho.

O estudo envolveu especialistas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, da Comissão Económica da ONU para a África, ECA, e da Comissão da União Africana.

Dieta

O Panorama sobre Segurança Alimentar e Nutrição em África destaca que quase três quartos da população regional não podem pagar o suficiente para uma dieta saudável com frutas, proteínas, vegetais e animais.

O documento revela que mais da metade não tem acesso a uma alimentação adequada que forneça uma mistura de carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais essenciais para a manutenção de saúde básica.

Mesmo uma dieta que forneça um mínimo de energia suficiente está fora do alcance de mais de 10% da população da região.

Custos

O Panorama sobre Segurança Alimentar e Nutrição em África recomenda uma transformação dos sistemas agroalimentares regionais promovendo dietas saudáveis mais acessíveis.

Os habitantes do continente enfrentam custos alimentares mais elevados do que em outras regiões com um nível de desenvolvimento similar e a alimentos básicos como cereais e raízes com amido. Algumas razões para a situação são sistémicas.

O relatório realça que embora a prevalência da baixa estatura esteja diminuindo, ela cai muito lentamente. Apesar do progresso, quase um terço das crianças na África Subsaariana ainda enfrentam dificuldades para crescer. ONU News – Nações Unidas