Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Angola - Aposta em iniciativa para transformar setor agrícola

AgriConnect Angola visa impulsionar produtividade, segurança alimentar, emprego e crescimento nas zonas rurais angolanas, o apoio foca-se nos corredores do Lobito e de Malanje


O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, IFAD, lançou, em parceria com as autoridades angolanas e o Grupo Banco Mundial, a iniciativa AgriConnect Angola, um plano inovador que visa a transformação dos sistemas agroalimentares do país africano.

A iniciativa vem reforçar os ecossistemas agrícolas, ao fortalecer as organizações de agricultores, melhorar as ligações aos mercados, expandir o acesso ao financiamento e às soluções digitais e promover uma maior participação do setor privado nas redes dos sistemas alimentares.

Desenvolvimento rural inclusivo

Em Angola, o AgriConnect irá apoiar o desenvolvimento agrícola nos Corredores do Lobito e de Malanje. Ao incentivar as parcerias entre instituições e o setor privado, o programa procura libertar o potencial agrícola do país e acelerar o desenvolvimento rural inclusivo.

Para o diretor do IFAD em Angola, Custódio Mucavele, a iniciativa representa uma oportunidade única de transformação dos meios de subsistência rurais, ao permitir o acesso a mercados, financiamento e infraestruturas produtivas por parte dos pequenos agricultores.

O responsável acrescenta ainda que o programa procura “garantir que as mulheres, os homens e os jovens de zonas rurais possam participar e beneficiar de uma economia agrícola mais produtiva, resiliente e inclusiva”.

Parceria para o desenvolvimento rural

Enquanto parceiro de longa data do desenvolvimento rural de Angola, o IFAD conta com décadas de experiência no apoio aos pequenos agricultores, no reforço das cadeias de valor e na melhoria do acesso aos mercados e aos serviços financeiros.

A agência prevê que estes investimentos aumentem a produtividade, reforcem a segurança alimentar, criem oportunidades de emprego e estimulem o crescimento económico nas zonas rurais.

Lançada em outubro de 2025, a iniciativa AgriConnect é concebida para ajudar 300 milhões de pequenos agricultores em todo o mundo a passar de uma produção de subsistência para uma produção excedentária. ONU News – Nações Unidas


sábado, 10 de fevereiro de 2024

Angola debate ação em favor da segurança alimentar e nutricional

O governo e agências parceiras discutiram medidas para o alcance das metas globais sobre segurança alimentar e nutricional. As Nações Unidas integram parceiros de cooperação que pretendem melhorar a nutrição infantil e promover o desenvolvimento do capital humano


A situação de segurança alimentar e nutricional em Angola reuniu autoridades do país e parceiros tendo como foco o processo de transformação desde a produção ao consumo. Até esta quinta-feira, a interação em Luanda incluiu agências da ONU.

Em 2021, a colaboração entre os participantes avaliou essas questões e definiu prioridades para o fortalecimento dos sistemas alimentares nacionais. A medida deu sequência à Cimeira das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares.

Fortalecimento dos sistemas alimentares

Falando no Workshop para Revisão e Atualização da Segunda Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Ensan II, o secretário de Estado das Florestas de Angola, André de Jesus Moda, pediu que a atuação na área continue sendo conjunta.

“As partes interessadas ao processo já estavam coincidentes da necessidade de atuar a todos os níveis e com a máxima urgência, de forma coerente e sustentável, para o alcance dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nos diálogos que foram realizados em quatro regiões.”

Participaram no evento entidades como Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, IFAD, e o Programa Mundial de Alimentação, PMA.

Futuro mais sustentável e inclusivo

O representante da Agência das Nações Unidas para Infância, Unicef, em Angola, Antero de Pina, falou a jornalistas sobre o benefício do intercâmbio entre instituições priorizando o cuidado de crianças desde a idade pré-escolar.

“É um esforço que tem sido feito de forma integrada. Não é só o Ministério da Agricultura e Florestas, mas também os da Saúde, da Educação e da Indústria e Comércio, que estão aqui a participar. E ainda o Ministério das Pescas. É um esforço conjunto para que as políticas e as estratégias nacionais coincidam em tudo para melhorar a situação nutricional do país, e em especial das crianças, que são as mais afetadas. Uma criança afetada por mal nutrição tem mais propensão para ter mais doenças e falecer se não dermos uma atenção particular a esta situação de mal nutrição. Essa é a preocupação que o Unicef tem: evitar que as crianças sofram dos impactos de mal nutrição”.

Alavancar a economia e o desenvolvimento

Tal como em 2021, o evento desta semana reavaliou a implementação dos resultados do processo de transformação dos sistemas alimentares e contribuições para que sejam alcançadas as metas globais.

A cooperação entre Angola e as Nações Unidas enfatiza medidas para que o país enfrente os desafios relacionados aos sistemas alimentares promovendo “um futuro mais sustentável e inclusivo para todos”, tal como prevê a Agenda 2030.

Com o Ensan II e os seus mecanismos, a meta é promover o desenvolvimento do capital humano que “a longo prazo geram retorno produtivo e consequentemente contribui para o alavancar da economia e desenvolvimento”. ONU News – Nações Unidas com “ONU Angola”   


terça-feira, 11 de julho de 2023

Moçambique - Recebe reforço para a área da segurança alimentar e nutrição

O Governo de Moçambique e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, IFAD, assinaram dois acordos de subvenção no valor US$ 4,2 milhões. O financiamento será canalizado por meio de dois projetos de desenvolvimento apoiados pelo IFAD também conhecido como Fida.


Noruega e agricultoras

A iniciativa visa alargar a resiliência das comunidades rurais por meio de maior segurança alimentar, melhor nutrição e aumento de rendimento.

O reforço surge numa época em que a ministra do Desenvolvimento Internacional da Noruega Anne Beathe Tvinnereim, visitou e conversou com agricultores inseridos em projetos apoiados pela agência da ONU.

Na vila da Moamba, sul de Moçambique, ela conheceu Aida Simbine, uma das agricultoras que faz parte de uma associação local formada por 125 pequenos produtores, a maioria mulheres. Ela disse que os agricultores partilharam histórias de resiliência e perseverança como resultado das secas e consequências provocadas pelo ciclone Freddy.

Cadeias de valor e famílias

Anne Beathe citou ainda a necessidade do apoio aos pequenos agricultores e o investimento em cadeias de valor, para aumentar a segurança alimentar nos países africanos e proporcionar melhores rendimentos às famílias.

Aida Simbine é apoiada pelo projeto Procava, que providencia água bombeada do rio, Incomáti para irrigar as suas culturas no seu espaço de cultivo, feijão, batata, pimenta e cebola.

Recentemente o ciclone Freddy destruiu cerca de 66 mil hectares de terras agrícolas o que impacta negativamente a segurança alimentar do país. Os agricultores perdem cerca de 30% das suas colheitas devido aos estragos pós-colheita o que resulta numa produtividade baixa.

Diversificação de dietas

Para Sara Mbago-Bhunu, directora regional do Fida para a África Oriental e Austral, o desafio da agência é abordar impacto da fragilidade para construir sistemas alimentares resilientes. A agência está a promover ativamente a produção e diversificação das dietas, bem como o aumento do rendimento e do emprego.

O setor agrícola em Moçambique emprega 70% da população, no entanto, os pequenos produtores são responsáveis pelo fornecimento de 94% dos alimentos consumidos em Moçambique.

Para além do financiamento, apoio técnico e infraestrutura, o IFAD fornece competências necessárias aos agricultores com vista a encontrar soluções face aos desafios das alterações climáticas.

Peixes e alimentação infantil

A desnutrição em Moçambique é também uma preocupação para o governo da Noruega. No país, 38% das crianças sofrem de desnutrição crónica.

Uma das soluções para o combater aos índices de desnutrição é a inclusão de peixes na alimentação infantil. Para efeito o Fida vai apoiar o setor de aquicultura para capacitando os piscicultores, fornecendo assistência técnica aos produtores de rações e conectando mulheres e jovens produtores aos mercados.

A iniciativa contará com financiamento da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento, Norad.

Desde 1983, o Fida investiu mais de US$ 386,47 milhões em 15 programas e projetos de desenvolvimento rural em Moçambique, no valor total de quase US$ 581 milhões.

As intervenções beneficiaram diretamente a 2 391 789 domicílios rurais. Ouri Pota – Moçambique ONU News


quarta-feira, 18 de maio de 2022

Brasil - Projeto da ONU procura preservar a floresta amazónica no Maranhão

O estado brasileiro com maiores índices de pobreza e insegurança alimentar recebe investimento para dar apoio a comunidades tradicionais e pequenos produtores. O projeto deve cobrir aproximadamente 72% da floresta amazónica do estado sob ameaça de desmatamento e degradação


O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU, IFAD, e o Governo do Maranhão, no nordeste do Brasil, assinaram um acordo de financiamento para a implementação do Projeto de Gestão Sustentável da Amazónia.

Segundo o IFAD, o projeto abordará a degradação ambiental arraigada da floresta amazónica no estado brasileiro com os maiores índices de pobreza e insegurança alimentar.

Comunidades e pequenos agricultores

O diretor do IFAD no Brasil, Claus Reiner, afirma que no Maranhão, assim como em outras partes do Brasil, pobreza, insegurança alimentar e degradação ambiental estão profundamente interligadas.

Ele explica que a iniciativa procura fornecer aos pequenos agricultores e comunidades tradicionais ferramentas que permitam melhorar a sua situação socioeconómica sem ter que recorrer ao esgotamento dos seus recursos naturais.

Para o representante do IFAD, desenvolvimento e bem-estar a longo prazo só são possíveis por meio do uso sustentável da natureza.

Agricultores familiares, povos indígenas e outras comunidades tradicionais da floresta amazónica maranhense estão entre as populações mais pobres do Brasil.

Segundo dados divulgados pelo fundo, o estado do Maranhão tem a maior proporção de pessoas vivendo na pobreza no Brasil, chegando a 53%. Outros 20% estão em extrema pobreza.

Além disso, é o estado com o índice de insegurança alimentar mais crítico, afetando cerca de 60% dos domicílios.

Semiárido nordestino

O projeto será a primeira intervenção de desenvolvimento rural financiada pelo IFAD no Brasil que vai além do semiárido nordestino, conhecido como sertão.

No entanto, basear-se-á na experiência do fundo em agroflorestas de pequena escala e investimentos em infraestrutura de acesso à água nessa área.

A área do projeto compreende três regiões do Estado do Maranhão: Amazonas, Gurupí e Pindaré, e abrange as terras indígenas de Arariboia, chegando a 58755 km² e incluindo 37 municípios.

O alcance do projeto deve cobrir aproximadamente 72% da floresta amazónica do estado que, de acordo com o IFAD, é uma região que está sob constante ameaça de desmatamento e degradação por extração ilegal de madeira e exploração para agricultura em grande escala.

Como resultado, a iniciativa deve reduzir as emissões de gases de efeito estufa em aproximadamente 6 milhões de toneladas de CO2.

Financiamento

O custo total do projeto é de US$ 37 milhões, dos quais o IFAD contribuirá com uma doação de US$ 17 milhões, fornecida pelo Governo da Alemanha por meio do Programa de Adaptação Aprimorada para Agricultura de Pequenos Produtores.

O Governo do Maranhão contribuirá com R$ 16 milhões, e os beneficiários farão contribuições em espécie de R$ 4 milhões.

O projeto tem como alvo as populações mais pobres e vulneráveis da Amazónia brasileira e deve beneficiar aproximadamente 80 mil pessoas em zonas rurais, das quais pelo menos 50% são mulheres e 25% são jovens.

Quase 15% pertencem a comunidades indígenas e outras comunidades tradicionais, como quilombolas e catadores de coco babaçu.

O IFAD explica que o projeto aplicará uma estratégia integrada que engloba quatro elementos: manejo florestal sustentável, produção e comercialização de produtos florestais não-madeireiros, investir em infraestrutura básica de água e melhorar as capacidades das famílias e das autoridades estaduais em garantir o acesso das populações rurais à proteção social pública e aos programas de melhoria da produção. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Nações Unidas - Agência da ONU apoia Moçambique em resiliência às alterações climáticas

O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola das Nações Unidas, IFAD, participará em dois projetos que visam ajudar os produtores locais. Em 2019, Moçambique foi severamente afetado pelos ciclones Idai e Kenneth, que destruíram milhares de hectares de plantações na região central e no norte do país



Em Moçambique, 70% da população vive em zonas rurais e estão expostas a alterações climáticas. De acordo com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola das Nações Unidas, IFAD, o país é o terceiro Estado mais afetado em África.

A agência lembra que os efeitos das alterações climáticas no setor agrário foram evidentes em 2019, quando Moçambique foi severamente afetado por dois ciclones, Idai e Kenneth, que destruíram milhares de hectares de cultivo na região central e no norte do país.

Resiliência

Para aumentar a segurança alimentar e resiliência às alterações climáticas de pelo menos 902,5 mil produtores rurais de Moçambique, o IFAD anunciou nesta segunda-feira que apoiará o Programa do Desenvolvimento Inclusivo de Cadeias de Valor, Procava. 

A iniciativa de US$ 72,5 milhões visa melhorar as condições de vida dos produtores rurais. De acordo com a agência, pelo menos metade dos beneficiados serão mulheres e 30% jovens.



O financiamento inclui um empréstimo no valor de US$ 8,4 milhões e uma doação do IFAD de US$ 33,6 milhões. Em contrapartida, o governo de Moçambique contribuirá com U$ 4,9 milhões e outros US$ 5,6 milhões serão fornecidos através da contribuição dos beneficiários e outros parceiros de desenvolvimento.

Foco

O programa focará inicialmente nas áreas de produção da horticultura, de bovinos e caprinos, de frangos, de leguminosas e da mandioca. De acordo com o IFAD, todos estes setores são considerados vulneráveis às alterações climáticas.

A iniciativa investirá igualmente em infraestruturas de irrigação e em tecnologias que permitam um aproveitamento eficiente das plantações. Uma das metas é também aumentar o acesso dos pequenos produtores aos mercados e torná-los mais competitivos.

O Procava será implementado em 75 distritos, abrangendo todas as províncias durante um período de 10 anos.

Aquacultura

O IFAD também anunciou um financiamento num outro projeto que procura reduzir a pobreza ao aumentar a produção e rendimento de mais de 88 mil aquacultores de pequena escala.



A agência observa que as condições climáticas de Moçambique são favoráveis para o desenvolvimento do setor. O país é rico em espécies de peixes que podem ser produzidos localmente e assim, contribuir para a melhoria dos níveis nutricionais.

Desafio

No entanto, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola diz que o desenvolvimento da aquacultura em Moçambique tem sido um desafio, devido à falta de produtos como rações e serviços financeiros acessíveis.

O Projeto de Desenvolvimento da Aquacultura de Pequena Escala, Propape, disponibilizará US$ 49 milhões para transformar o setor da aquacultura no país. A meta é incluir principalmente mulheres, jovens e desempregados.

A iniciativa também procura reduzir através de práticas sustentáveis a vulnerabilidade dos beneficiados aos efeitos das alterações climáticas.

O objetivo é promover o uso de uma série de tecnologias de produção pesqueira como tanques de produção de peixes, uso de energia solar e sistemas de energia eólica. ONU News – Nações Unidas