Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Guiné Equatorial - Aborda a vigilância epidemiológica e a resposta a emergências de saúde com as entidades da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Ocorreu numa reunião que o Ministério da Saúde da Guiné Equatorial realizou com o Ministério da Saúde do Brasil e a Fundação Oswaldo Cruz


No âmbito da cooperação para o fortalecimento da rede de emergências de saúde pública da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Guiné Equatorial trocou experiências com o Ministério da Saúde do Brasil e a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) sobre capacidades em vigilância epidemiológica, preparação e resposta a emergências de saúde.

O Ministério da Saúde e Infraestrutura Sanitária da Guiné Equatorial, por meio da Direção-Geral de Saúde Pública, aproveitou a ocasião para apresentar aos presentes a organização do sistema nacional de vigilância e resposta, incluindo o trabalho do Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COES) e as experiências adquiridas durante as emergências da COVID-19 e do vírus de Marburg.

As discussões se concentraram no avanço das visitas técnicas aos serviços de saúde pública, na troca de protocolos e documentos regulatórios, na realização de reuniões virtuais entre os países da CPLP e no desenvolvimento de programas de treino em epidemiologia e resposta a surtos.

Com esta reunião, a República da Guiné Equatorial foi informada sobre a linha de trabalho da FIOCRUZ em pesquisa, formação e cooperação internacional.

Esta sessão de trabalho representa uma oportunidade para reforçar ainda mais as capacidades nacionais de preparação e resposta a emergências de saúde através da troca de conhecimentos e da cooperação técnica entre as instituições de saúde dos países da CPLP. Feliciano Ava - Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea” 


domingo, 2 de julho de 2023

Brasil - Fiocruz assina parceria com universidade angolana

O Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e a Universidade Agostinho Neto (UAN), em Luanda (Angola), assinaram um memorando de entendimento para futuras parcerias em ensino e pesquisa entre as instituições.


Segundo a Agência Fiocruz, no estreitamento de laços com instituições africanas, a parceria tem como objetivo a colaboração mútua nas seguintes áreas: doenças tropicais negligenciadas, com destaque para malária e tuberculose; doenças transmissíveis; arboviroses; resistência antimicrobiana (AMR); HIV; clima e saúde; saúde materna, infantil e reprodutiva; entre outras. A vigência do memorando de entendimento assinado entre as instituições é de cinco anos.

Participaram da assinatura, realizada em formato virtual em 22/6, a diretora do IOC/Fiocruz, Tânia Araújo-Jorge, e os vice-diretores Luciana Garzoni (Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação) e Ademir Martins (Ensino, Informação e Comunicação). A coordenadora da Cooperação Institucional do Instituto, Anna Cristina Calçada Carvalho, estava presente na reitora da Universidade Agostinho Neto durante a solenidade.

Pelo lado angolano, participaram o reitor da UAN, Pedro Magalhães; os professores da Faculdade de Medicina da Universidade, Maria Fernanda Dias Afonso Monteiro e Joaquim Van Dunem, e o cônsul-Geral de Angola no Rio de Janeiro, Mateus de Sá Miranda.

“Faz parte da política de cooperação institucional reforçar as parcerias técnico-científicas com países do hemisfério sul, sobretudo os de língua portuguesa. O foco do IOC está em contribuir para a formação de recursos humanos nesses lugares. Nós podemos ajudá-los a enfrentar problemas de saúde pública ligados, especialmente, a doenças transmissíveis”, comentou Anna Cristina.

A coordenadora destacou, também, que todos os Programas de Pós-graduação Stricto sensu do Instituto estão envolvidos na parceria. “A Fiocruz e o IOC têm longa história de colaboração com Angola e Moçambique. Em acordos anteriores firmados para a formação de recursos humanos, mais de cinquenta pessoas foram tituladas mestres ou doutores”, pontuou, adiantando que o próximo passo consiste em elaborar, junto à UAN, um plano de trabalho para dar seguimento à parceria.

“Temos agendada para agosto uma reunião com representantes da universidade angolana para tratar do assunto”, completou. In “Mundo Lusíada” - Brasil


segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Internacional - Equipa luso-brasileira desenvolve produtos inovadores para controlo do mosquito que transmite doenças como Dengue e Febre Amarela

Uma equipa multidisciplinar de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), com a participação da Universidade Federal da Bahia e da Fundação Oswaldo Cruz, no Brasil, desenvolveu um conjunto de produtos inovadores de origem natural, seguros e de baixo impacto ecológico, para controlar a proliferação das espécies de mosquito responsáveis pela transmissão de doenças como Dengue, Zika, Chikungunya, febre amarela e febre do Nilo Ocidental.

Os produtos desenvolvidos – distribuídos por duas gamas, uma para eliminar as larvas em água e outra para ser utilizada em armadilhas de captura de insetos – têm na sua base óleos naturais extraídos de plantas nativas do Brasil e da Ásia, combinados com polímeros biodegradáveis, e recorrem a técnicas e solventes “verdes” e de baixo impacto ambiental. Têm ainda a particularidade de permitirem a libertação controlada dos princípios ativos de forma eficiente.

As formulações desenvolvidas pelos cientistas da UC e do Brasil distinguem-se por serem «biodegradáveis, sem propriedades tóxicas ou perigosas para humanos, animais e meio ambiente, e foram pensadas para serem usadas, de uma forma generalizada, no controlo de mosquitos do género Aedes (Aedes aegypti, Aedes albopictus e Aedes japonicus), insetos vetores de doenças como a Dengue, Zika, febre Chikungunya, febre amarela e febre do Nilo Ocidental», destaca Hermínio Sousa, investigador do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF) da UC e coordenador do projeto.

Os testes já realizados em laboratório revelaram que estes produtos são uma alternativa eficaz aos larvicidas e inseticidas sintéticos. «De facto, as formulações já desenvolvidas demonstraram ser eficientes em termos das suas atividades larvicidas para o A. aegypti, seguras e de baixo impacto ecológico. Foram ainda desenvolvidas estratégias que permitiram obter produtos e formulações que podem manter a sua eficiência por períodos bastante longos de tempo», descreve o também docente do Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC).


No entanto, apesar de os testes terem apresentado resultados francamente promissores, para estes produtos chegarem ao mercado ainda são necessários mais estudos. «No caso das larvas, é necessário, por exemplo, otimizar a dose, isto é, verificar se é possível obter a mesma eficácia com uma dose menor. Atualmente, estamos a desenvolver mais estudos para verificar a eficiência e a segurança das formulações em termos das atividades atrativas para os mosquitos da espécie A. aegypti, para a sua captura em armadilhas», explica Hermínio Sousa.

No contexto das alterações climáticas, estes mosquitos podem disseminar-se e estabelecer-se em todo o mundo, de forma muito rápida. «Inevitavelmente, a grande circulação de pessoas e de bens por todo o mundo, decorrentes dos processos de globalização, bem como as alterações climáticas esperadas para os próximos anos, terão grandes efeitos na disseminação e propagação destas espécies para regiões onde ainda não estão estabelecidas e, consequentemente, das doenças por elas transmitidas», previne o investigador e docente da FCTUC.

Considerando que a Dengue, Zika, Chikungunya, febre amarela e febre do Nilo Ocidental «constituem um problema muito grave de saúde pública em vários países do mundo, com especial ênfase na Ásia, Oceânia, África e América do Sul/Central, incluindo o Brasil», Hermínio Sousa sublinha que é urgente «desenvolver múltiplos meios para o controlo eficiente e seguro destes insetos nos meios rurais e urbanos, tanto nas regiões tropicais como nas regiões subtropicais e de clima temperado, e particularmente nos países ibero-americanos e mediterrânicos, como Portugal».

O passo seguinte da investigação, adianta o coordenador do projeto, será explorar novas abordagens e desenvolver novos estudos, de modo a «expandir o conhecimento já adquirido, quer no combate aos outros dois insetos vetores (A. albopictus e A. japonicus) associados a estas doenças, quer no uso de outros compostos naturais com atividade biológica para o seu controlo e de novas formulações e produtos que possam ser comercializados e utilizados pela população em geral».

Este projeto, designado “Formulações inovadoras de base natural para o controle do Aedes aegypti nas regiões ibero-americanas”, envolve ainda a participação de outros investigadores do CIEPQPF-UC (Mara Braga, Marisa Gaspar, Ana Dias e Carla Maleita) e foi realizado ao longo dos últimos quatro anos no âmbito de uma cooperação bilateral entre Portugal e o Brasil, tendo sido financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Ministério da Educação do Brasil). Universidade de Coimbra - Portugal




quarta-feira, 11 de março de 2020

Brasil - Planos de saúde terão de cobrir exames para novo coronavírus

Os planos de saúde terão de cobrir os exames para avaliar a infecção do novo coronavírus (Covid-19). A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluirá o procedimento no rol dos obrigatórios para custeio pelas operadoras.

A informação foi adiantada em entrevista coletiva do Ministério da Saúde. No início da noite, a ANS divulgou nota confirmando a decisão em caráter extraordinário.

A diretoria do órgão optou pela medida em reunião realizada hoje, com representantes de planos de saúde e de entidades representativas do setor de saúde suplementar. A agência informou que ainda está disciplinando quais serão os tipos de teste, os protocolos e o prazo para as operadoras se adequarem à determinação.

Ainda de acordo com a ANS, o tratamento para a doença já é garantido aos pacientes com casos confirmados de infecção. Mas a cobertura depende da segmentação dos planos do paciente.

Kits para diagnóstico do coronavírus

No início de março, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) começou a distribuir kits para o diagnóstico do Covid-19 para laboratórios do Rio de Janeiro. A princípio o exame só era realizado em três estados – São Paulo, Pará e Goiás. Os laboratórios das regiões Norte (Amazonas, Pará e Roraima), Nordeste (Bahia, Ceará, Pernambuco e Sergipe), Sudeste (Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais), Centro-Oeste (Distrito Federal e Mato Grosso do Sul) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) receberão os kits e serão capacitados até o fim do mês.

Os kits foram desenvolvidos no Brasil pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP). Já a capacitação será conduzida pelo Laboratório de Vírus Respiratório e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

A Fiocruz tem capacidade de produzir de 25 mil a 30 mil testes por semana, e o ritmo deve atender à demanda estabelecida pelo Ministério da Saúde.

Além de testes para coronavírus, a Fiocruz vai entregar aos laboratórios kits para identificar os vírus Influenza A e B, o que contribui para o diagnóstico diferencial, quando a confirmação de um vírus descarta a suspeita de outro. Jonas Valente com Vinícius Lisboa – Brasil in “Agência Brasil”

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Brasil - Dois milhões de bebês lusófonos salvos por tecnologia brasileira de Bancos de Leite Humano




Os responsáveis brasileiros pela rede de Bancos de Leite Humano estimam que a tecnologia terá salvo cerca de dois milhões de bebés e aposta agora é no apoio aos países lusófonos.

Detentor da maior rede de bancos de leite humano (BLH) do mundo, o Brasil, que conta com 34 anos de experiência no setor, instalou na semana passada, no estado do Rio de Janeiro, a Coordenação Técnica da rede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que funcionará na Secretaria Executiva da Rede Brasileira de Leite Humano, na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Esta nova coordenação técnica dedicada à CPLP, será responsável por dar assessoria técnica aos países lusófonos, programas de treino presencial, cursos e ensino à distância, trocas de experiências, e apoio à construção de projetos.

Além do país sul-americano, também Portugal, Cabo Verde, Moçambique e, desde a passada segunda-feira, Angola, beneficiam da tecnologia brasileira.

Segundo dados contabilizados desde 2009 até ao corrente ano, foram beneficiados pelos bancos de leite 1 927 564 recém-nascidos no Brasil, 890 em Portugal, 4079 em Cabo Verde, e 78 em Moçambique. Angola, por ter inaugurado esta semana o seu primeiro banco de leite humano, ainda não apresenta números.

Em relação ao volume de leite doado nos quatro países, o valor ultrapassa os dois milhões de litros.

O coordenador da Rede Global de Bancos de Leite Humano, João Aprígio Guerra de Almeida, contou como a expansão do projeto começou, e revelou que o intuito é alargar a tecnologia brasileira a outros Estados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“O Brasil começou a receber um conjunto de pedidos de vários países, para que compartilhássemos essa boa prática brasileira com os países irmãos. Obviamente, começamos pela América do Sul, mas a procura foi crescendo e sentimos a necessidade de criar o primeiro fórum sobre o tema, que ocorreu em 2005”, destacou o coordenador.

“Para nossa surpresa, os resultados foram crescendo de uma forma muito rápida. Em 2007, num importante fórum de cooperação, que inclusive nos une, a Portugal e ao Brasil, pediram-nos que encaminhássemos o projeto para uma cooperação multilateral, onde todos os países, de forma irmã, pudessem discutir a experiência”, disse à Lusa João Aprígio.

Em 2008, começa então o programa ibero-americano de BLH, sediado na Fiocruz do Rio de Janeiro.

“Portugal começa a colaborar formalmente no projeto, e surgem aí os pedidos vindos de África, cuja primeira demanda veio de Cabo Verde, onde começamos no Hospital Agostinho Neto, em Praia, e, em seguida, Moçambique, que foi um projeto que demorou mais tempo, tendo sido inaugurado apenas no ano passado”, indicou o especialista brasileiro.

Na prática, o Brasil transfere os princípios que fundamentam a sua tecnologia de bancos de leite, e ajuda os países a adaptá-los à sua realidade local.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou o Banco de Leite Humano uma das iniciativas que mais contribuiu para a redução da mortalidade infantil na década de 90 em todo o mundo e conferiu à Rede Brasileira, o Prêmio Sasakawa de Saúde, em 2001.

Questionado se no futuro próximo outros países da CPLP serão abrangidos por esta tecnologia, João Aprígio revelou que, no próximo ano, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe sediarão eventos sobre o tema “leite humano como salvaguarda da vida”.

“Teremos na Guiné-Bissau e em São Tomé e Príncipe workshops sobre como as ações de BLH podem colaborar com os países no âmbito da agenda 2030, e como podem contribuir para o sistema de saúde neonatal desses países”, indicou.

A partilha da tecnologia de bancos de leite humano com países lusófonos faz parte da agenda do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, por intermédio da agência brasileira de cooperação (ABC), do Ministério da Saúde, e da Fiocruz.

No momento, o Brasil lidera largamente o posto de país como maior número de BLH, com 224, enquanto que Portugal, Cabo Verde, Moçambique e Angola têm apenas um banco cada, segundo a Fiocruz.

“Este é o resultado de muito tempo de trabalho, de investimento, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação. (…) As nossas metas são reduzir a mortalidade infantil, com ênfase na componente neonatal, assim como na diminuição da incidência de doenças crônicas não transmissíveis”, concluiu o especialista.

Os BLH são responsáveis pela promoção do aleitamento materno e execução das atividades de recolha, processamento e controlo de qualidade do leite produzido nos primeiros dias após o parto (colostro), leite de transição e leite humano maduro, para posterior distribuição sob prescrição médica ou nutricionista. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”