Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Macau - Recepção de “Junho, Mês de Portugal” volta a decorrer na Escola Portuguesa

Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação do Governo português, estará em Macau para as comemorações do 10 de Junho. Nesse dia, a recepção à comunidade lusa residente no território será este ano realizada nas instalações da Escola Portuguesa. A EPM foi escolhida por ser “um símbolo máximo do ensino e da promoção da língua e da cultura portuguesas”, disse Alexandre Leitão na apresentação do programa do “Junho, Mês de Portugal”. A edição deste ano contará com 37 actividades


O Estado português volta a estar este ano representado nas celebrações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Macau. Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação, foi a figura escolhida pelo Governo para se deslocar ao território, depois de em 2025 as celebrações não terem contado com qualquer representante vindo de Lisboa.

Recorde-se que a deslocação do então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a Macau para as cerimónias do 10 de Junho do ano passado, foi cancelada devido à situação política interna do país.

As comemorações serão assinaladas, como é habitual, com o hastear da bandeira, nos Jardins do Consulado, na manhã de 10 de Junho, seguindo-se a tradicional romagem à Gruta de Camões. O Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, revelou que a recepção à comunidade portuguesa, que nos últimos anos tem sido realizada na Residência Oficial da Bela Vista, terá desta feita por palco as instalações da Escola Portuguesa (EPM), ao final da tarde do mesmo dia 10, repetindo-se o que aconteceu em 2023.

A EPM foi escolhida “por ser um símbolo máximo do ensino e da promoção da língua e da cultura portuguesas, e porque é uma instituição que materializa esta ideia de fusão entre povos e de plataforma”, salientou o Cônsul, referindo que em vários países onde existem escolas portuguesas, estas são normalmente o local onde se faz o dia de celebração de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. “Tem tudo a ver, é o presente, o passado e naturalmente o futuro, e o futuro está na escola”, enfatizou.

A Residência Oficial, no entanto, não fica fora das celebrações, uma vez que abrirá portas na tarde do dia 25 de Junho, no âmbito de um programa que permite a observação de obras de vários artistas, que decoram algumas salas da Residência Consular. “Queremos abrir o mais possível o Bela Vista às comunidades, não só portuguesas, mas todas as comunidades que devem conhecer aquele património magnífico”, frisou Alexandre Leitão.

O Cônsul-Geral proferiu estas declarações no decorrer da apresentação do programa de mais uma edição do evento “Junho, Mês de Portugal”.

Através de representantes das principais entidades que organizam o certame, nomeadamente a Casa de Portugal, Instituto Português do Oriente (IPOR), Fundação Oriente (FO), Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e o próprio Consulado, foram detalhadas as diversas actividades que vão decorrer oficialmente entre amanhã, com uma primeira exposição, da responsabilidade da SOMOS – Associação de Comunicação de Língua Portuguesa, e 3 de Julho.

No programa, “que ainda não está fechado”, segundo referiu Patrícia Quaresma, directora do IPOR, estão incluídos 37 eventos, entre exposições, workshops, espectáculos performativos e na área da literatura, concertos e conferências, para além da quarta edição do “Roteiro Gastronómico: Comer e Beber à Portuguesa”.

Neste caso, a iniciativa conta com 35 estabelecimentos participantes, o que é um número recorde. “Pretendemos também consolidar o maior número de visitantes, de participações dos restaurantes, e que no ano passado alcançou já 2000, representando um crescimento de 300% face à segunda edição”, sublinhou Bernardo Pinho, delegado da AICEP em Macau.

“Mais uma vez estes estabelecimentos aderentes representam aquela que é a diversidade da gastronomia de pratos típicos portugueses em Macau, nomeadamente não só os restaurantes das concessionárias do jogo, mas também de estabelecimentos de rua, bares, cafés, padarias e take-away”, disse.

Durante o mês de Junho, cada um destes espaços de restauração promoverá uma oferta específica, com desconto de 10%. O BNU volta a ser parceiro nesta festa gastronómica, oferecendo uma viagem a Portugal após sorteio dos clientes do banco que consumirem nos estabelecimentos aderentes.

O evento destinado à promoção da comida portuguesa, que abarca também iniciativas do Clube Militar e do Hotel Sofitel, assume um papel importante no conjunto de actividades, conforme foi destacado por Alexandre Leitão. “O crescimento deste programa excedeu as nossas expectativas e a gastronomia é extraordinariamente importante quando se faz a acção cultural e projecção do que se chama o softpower de um país, cuja própria imagem assenta muito na capacidade que os chefes têm em traduzir no prato muita da cultura”, observou.

Concertos, espectáculos para crianças e exposições

O “Junho, Mês de Portugal” apresenta ainda concertos diversificados, alguns dos quais para crianças na Casa Garden, e uma actuação de jazz no Roadshow, com um quarteto de saxofone.

Em termos de espectáculos performativos, a Casa de Portugal irá apresentar já neste fim-de-semana um evento dedicado às crianças, nomeadamente bebés acompanhados pelos pais, em quatro sessões. “Será um espectáculo de cariz sensorial, em que os pequeninos têm oportunidade de experienciar texturas e sons, porque ainda não têm idade para palavras”, vincou Amélia António.

Para a presidente da associação de matriz lusa, estes eventos virados para os mais pequenos têm posto “muito em evidência” a crise de natalidade em Macau. “De ano para ano, nós sentimos pelas actividades que organizamos para esses sectores etários, que vemos mirrar, definhar, o universo dessa faixa etária, que é de facto uma coisa extremamente preocupante”, disse a dirigente.

Além de uma exposição dedicada a Camilo Pessanha, acompanhada pela leitura de poesia e música interpretadas por dois artistas que virão de Portugal, e uma outra mostra sobre a calçada à portuguesa, na Casa de Vidro, o Fado à Janela, no edifício-sede, será outra das apostas da Casa, que fechará a sua participação com um concerto de Afonso Cabral, no Teatro D. Pedro V. O evento incluirá ainda o Arraial de Santo António, nas instalações da EPM, a 13 e 14 de Junho.

Um recital lírico, no Teatro D. Pedro V, no dia 6, é uma das novidades do programa, tendo a particularidade de ser uma proposta de uma cooperativa de ópera de câmara de Hong Kong e com a produção de uma empresa local. Michel Reis, um dos promotores, afirmou que o objectivo é apresentar uma perspectiva de música composta para voz, com vários compositores. “Vamos ter algumas obras de autores do Brasil e a colaboração do Concurso Internacional de Canto – Cascais Ópera, que tem projectado cantores de todo o mundo e também portugueses, como Sílvia Sequeira, que vai estar em Macau juntamente com uma soprano, um barítono e uma pianista francesa, todos de Hong Kong”, destacou.

A Casa Garden receberá algumas actividades, uma das quais uma exposição, em conjunto com o IPOR, de Eduardo Leal, fotógrafo documental português, que “revela um trabalho sobre a condição humana e sobre como vivem outras pessoas noutros lugares”, referiu Catarina Cottinelli, delegada da Fundação Oriente.

O Instituto Internacional de Macau colabora também no programa de eventos, recebendo exposições e conferências, uma das quais gira em torno da missão empresarial a Macau de entidades da Região Autónoma da Madeira. A outra, intitulada “Raízes e rumo: construir o presente e fortalecer o futuro”, a 13 de Junho, é uma iniciativa do Conselho das Comunidades Portuguesas do Círculo da China. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional da Ásia e Oceânia do Conselho das Comunidades Portuguesas, explicou que os debates se focarão na renovação geracional, com a participação de vários jovens talentos.

Além disso, o evento dedicado a Portugal durante o próximo mês inclui outras exposições, como a “Ilha dos Amores”, organizada pelo Círculo dos Amigos da Cultura no Albergue da Santa Casa da Misericórdia, “O Estúdio de Alexandre Marreiros – Dez Anos de Desenho e Pintura” na Fundação Rui Cunha, e mostra de trabalhos de Raquel Gralheiro, na Amagao.

No que diz respeito ao convite a artistas do exterior, o cônsul-geral de Portugal em Macau admitiu que seja agora mais difícil, devido aos custos acrescidos das viagens, em consequência da crise no estreito de Ormuz. A situação teve “impacto directo na organização deste programa cultural”, lamentou o diplomata. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


domingo, 28 de maio de 2023

Galiza - Comemorações pelo Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

O Centro Cultural Camões em Vigo organiza as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas na Galiza


A celebração terá início no dia 8 de junho, às 20h30, no Pub Momo de Santiago de Compostela, onde o fadista Jorge Gomes brindará o público presente com um concerto. A entrada é gratuita.

No dia a seguir, sexta-feira 9 de junho, as comemorações terão início às 18h00 com a divulgação dos vencedores da edição de 2023 do concurso de fotografia Portugal numa imagem. Portugal numa palavra.

Mais tarde, às 18h30, terá lugar a inauguração da exposição Naturezas, da artista portuguesa Sofia Brito, uma exposição de obras realizadas através da técnica manual de recorte papercut que estará patente no nosso centro cultural até dia 31 de julho.

Para terminar, às 20h30, decorrerá o concerto do fadista português Jorge Gomes no mesmo Centro Camões na cidade de Vigo.

Ainda, o centro cultural lança a terceira edição do concurso de fotografia Portugal numa imagem. Portugal numa palavra. As pessoas interessadas poderão participar até ao dia 1 de junho, preenchendo o formulário de inscrição e enviando a fotografia e o texto para o seguinte e-mail: cursosplecamoesvigo@gmail.com As três melhores fotografias receberão como prémio coleções de livros. Regulamento e formulário de Inscrição aqui. Centro Camões em Vigo in “Portal Galego da Língua” - Galiza


sábado, 26 de junho de 2021

Brasil – Estado do Espírito Santo deve aprovar o 10 de Junho no calendário oficial


Em breve, o governo do Espírito Santo deve aprovar a comemoração do 10 de Junho como Dia de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas oficialmente no calendário do estado.

Segundo a Associação dos Portugueses do Espírito Santo, o projeto de Lei vai dar entrada na Assembleia Legislativa para ser aprovado.

“Já ficou certo” disse ao Mundo Lusíada, o Presidente da APES, Alexandre Mendes, que nesta manhã de sexta-feira (25) foi um dos recebidos para uma reunião na Casa Oficial do Governo do ES.

A Primeira Dama, Virginia Casagrande, recebeu também o Cônsul Honorário de Portugal no ES, Amós Alves de Souza, o Comandante Geral dos Bombeiros do Estado, Cel Cerqueira, além dos Secretários de Estado de Turismo e Cultura, Lenise Loureiro e Fabrício Noronha respectivamente.

Paulo Baraona, Presidente da Câmara de Negócios Portugueses no ES, esteve ausente por motivo de agenda com o Governador, mas acompanha o processo.

Em pauta estiveram assuntos como decretar oficialmente no Estado a data de 10 de Junho, comemorando o Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas no Espírito Santo, e também a criação do Monumento dedicado à imigração portuguesa no Estado.

Mendes, agradeceu mais uma vez todo apoio do Governo do Estado e sua equipe para que “o nome de Portugal e sua cultura cresça e se desenvolva”.

O presidente da APES também agradeceu apoio do Deputado da Assembleia da República portuguesa, Paulo Porto e aos Presidentes do Conselho das Comunidades Portuguesas no Rio de Janeiro e América Latina, Flávio Martins e Antonio Davi respectivamente.

A reunião terminou com um café da manhã acompanhado pelo famoso Pastel de Belém. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

sábado, 12 de junho de 2021

Venezuela - Portugueses perdem importância e representatividade

O presidente da Universidade Metropolitana de Caracas, uma das mais prestigiadas da Venezuela, instou os portugueses a recuperarem a quota de comércio e de poder que já tiveram num país que considera continuar a ser de oportunidades

“Eu não tenho visto, ultimamente, nenhum lusodescendente na Federação de Câmaras de Comércio, na Câmara Venezuelana da Indústria de Alimentos e no Conselho Nacional de Comércio e Serviços. Todos os [seus] representantes são descendentes de espanhóis e italianos”, disse Luís Miguel da Gama.

O luso-venezuelano falava, na noite de quinta-feira, durante as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorreram no Centro Português em Caracas, clube que celebrou também o 63.º aniversário da sua fundação.

“Onde estamos? O que estamos fazendo? Porquê, se tínhamos essa quota de comércio e de poder não estamos aí? Isto é para refletir”, enfatizou.

O presidente da Universidade Metropolitana de Caracas, que foi convidado especial da cerimónia, sublinhou: “Devemos sentir-nos orgulhosos de ser portugueses e onde estivermos representamos Portugal”.

“Onde há um português esse espaço cresce (se multiplica), geramos família, progresso, tecnologia, trabalho, princípios e valores. Há que dizer isso aos nossos filhos. Geramos puras coisas boas, não há gente como a gente”, afirmou.

Quanto à Venezuela, explicou, que “a situação é complexa” : “Não podemos tapar o sol com um dedo. O mar está picado (agitado), bem picado e é complexo cambiar o mar”.

“Mas vocês sabem, melhor do que eu, que os portugueses foram os melhores navegadores. Podemos mudar esse mar, essa embarcação. Podemos decidir a que velocidade vamos, onde vamos, com que clima e ambiente. Então não há desculpas”, acrescentou.

Luís Miguel da Gama precisou que a nível “macro a situação é complexa, [mas] no micro há oportunidades”.

“Todos os dias vai sair gente a chorar às ruas e outros que riem. Têm que escolher a qual equipa vão subir para continuar. Um pensamento positivo sempre vai ajudar. Temos que recuperar esse espírito aventureiro de onde viemos”, explicou.

Por outro lado, fez “um especial reconhecimento pelo trabalho da embaixada e do consulado”, ao embaixador de Portugal em Caracas, Carlos de Sousa Amaro, e ao cônsul-geral Licínio Bingre do Amaral.

“A verdade é que no marco das relações bilaterais têm estado bem presentes e defendido os interesses da comunidade. Muito obrigado, senhor, embaixador Amaro. Muito obrigado, senhor, cônsul Licínio, pelo que fazem pela Venezuela”, frisou.

Durante a sua declaração, Luís Miguel da Gama citou como exemplo de orgulho os prémios Nobel Egas Moniz e José Saramago, Henrique, o Navegante, Luís de Camões, o marquês de Pombal, Fernando Pessoa e Amália Rodrigues.

No desporto recordou Cristiano Ronaldo, Figo e Eusébio, e no plano religioso Nossa Senhora de Fátima, “que sempre” cuida e a quem rezou para que tudo lhe corresse bem na sua intervenção.

Filho de madeirenses, Luís Miguel da Gama, 57 anos, nasceu em Caracas. É atualmente presidente do conselho superior da Universidade Metropolitana, instituição a que também preside.

É também presidente executivo da rede de supermercados Gama (propriedade da família). Entre 1984 e 1985 foi analista de crédito do Banco de Venezuela e entre 1985 e 1989 foi gerente do Banco do Orinoco para a Região Capital.

Gama é graduado em Ciências Administrativas pela Universidade Metropolitana, com especialização em ‘Banking & Finance’, na mesma instituição. Fez ainda estudos sobre ECR (resposta eficaz ao consumidor) no Instituto de Tecnologia de Estudos Superiores de Monterrey, México. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 11 de junho de 2021

Macau - Ser poeta (e patriota) é ser mais alto

O dia é de Camões, mas o início do poema “Ser Poeta” de Florbela Espanca cai que nem uma luva nas cerimónias do 10 de Junho que tiveram lugar no território na manhã de ontem. O habitual hastear da bandeira portuguesa e a romagem à gruta de Camões fizeram-se com a pompa e circunstância possível em tempos incertos de pandemia


Nem mais segundo, nem menos segundo. Às 9h da manhã de ontem, quem passava em frente ao Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, situado no centro da cidade, podia ouvir alto e bom som “A Portuguesa” a ser tocada pela banda do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), enquanto dois elementos do Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau içavam as bandeiras portuguesa e da União Europeia. Ontem, para quem não sabe, foi Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Foram, certamente, algumas dezenas de pessoas aquelas que por ali estiveram presentes e ainda mais uns quantos curiosos que passavam e ficaram a assistir. A cerimónia durou um abrir e fechar de olhos, mas foi o tempo suficiente para que todos ali presentes, em uníssono, cantassem “A Portuguesa” de pulmão aberto. Ontem, sentiu-se patriotismo no número 45 da Rua Pedro Nolasco da Silva, que apenas abriu portas para a ocasião, ontem local encerrado, por ser feriado em Portugal.

Por esta altura o calor já se fazia sentir forte no território. Facilmente, as pessoas se queixavam da temperatura e do suor incomodativo tão cedo. “Já terminou a cerimónia?”, questionou uma senhora que chegou atrasada. “Sim, começou mesmo às nove horas, respondeu outra. “Nem parecem portugueses”, voltou a falar a primeira. E por ali ficou a conversa.

Entre beijinhos e abraços, muitas foram as conversas de circunstância. Ainda assim, o tempo não se podia perder. Pelas 10h, outra cerimónia, desta vez no Jardim Luís de Camões com a tradicional romagem à gruta do poeta.


Depois de um ano de interregno

“Este Camões, esteve ou não esteve em Macau?”, perguntou um homem para outro. “Que importa isso agora. Hoje é dia de Portugal”, respondeu o outro. Num dos principais e mais antigos jardins do território, agora mais restrito devido ao surto de Covid-19 que surgiu na vizinha província de Guangdong, começaram a chegar algumas das caras que haviam estado no edifício do antigo Hospital de São Rafael, hoje o único imóvel propriedade do Estado português em Macau, depois da transferência de administração no final de 1999.

Todas (ou quase todas) as instituições de matriz portuguesa do território se fizeram representar no momento simbólico de homenagear o expoente máximo da literatura portuguesa. Depois de no ano passado a cerimónia ter sido suspensa, ontem os tradicionais arranjos florais estavam montados à boca da gruta, cada um de sua forma, cada um de sua cor. Portugueses, africanos, macaenses, chineses e até anglo-saxónicos. Foram muitos os que, de uma forma ou de outra, não quiseram perder pitada do momento.

Depois de declamado um poema de Camões a diversas vozes dos alunos da Escola Portuguesa de Macau – a escolha recaiu no soneto “Quem diz que Amor é falso ou enganoso” –, o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves, foi cicerone na breve deslocação à gruta de Camões, onde foi erguido um busto de homenagem ao poeta d’ Os Lusíadas. Uma breve reverência foi o que se viu por parte do diplomata, secundado por dois elementos dos escuteiros.


Em surdina, alguém comentava as escolhas de Fernando Santos para o Europeu de futebol que de avizinha. Portugal defende o título conquistado em França, em 2016, num grupo considerado de “morte”. Morte, leram bem. “Não temos quaisquer hipóteses”, dizia um indivíduo macaense para um outro português. “Não sejas maluco. Tens de ser mais patriota”, respondeu o interlocutor. E a conversa ficou por ali, pois o dia era solene demais para se estar a falar de coisas mundanas.

A fila de espera na romagem, apesar do bom dia de sol, era curta se comparada com outros anos. A pandemia de Covid-19, aliada ao possível e generalizado desinteresse da comunidade portuguesa do território, explicam a rapidez com que aconteceu a homenagem. Chegou-se, viu-se e, depois de dois ou três dedos de conversa, venceu-se.

Tempo ainda para Rita Santos, conselheira das Comunidades Portuguesas e presidente do Conselho Regional dos Conselheiros das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, cantar, de cor, um canto d’Os Lusíadas, depois do desafio de Paulo Cunha Alves. Não falou, não declamou. Cantou literalmente uma das partes da obra máxima da literatura portuguesa, quiçá lusófona.

Como acabou, assim terminou. Cerca de trinta minutos foram suficientes para pontuar uma cerimónia que, em tempos considerados normais, duraria mais de uma hora. Houve quem ficasse pelo jardim a trocar mais um ou dois dedos de conversa, enquanto, ali ao lado, algumas mulheres praticavam, com leques vermelhos, harmoniosas manobras estilosas de tai chi chuan. O calor, esse, começava a atingir laivos de obscenidade.


Amizade secular

Para o início da noite, estava reservada a recepção à comunidade portuguesa na residência oficial do cônsul-geral de Portugal instalada no antigo Hotel Bela Vista. Sem os habituais comes e bebes, petiscos e iguarias do “nosso” Portugal, o evento acabou por ser mais sisudo e desprovido daquele calor humano, mas ainda com muito calor atmosférico.

Na troca de discursos, o cônsul-geral de Portugal, Paulo Cunha Alves, lembrou o importante papel da comunidade portuguesa em Macau e agradeceu ao Governo de Macau e ao Governo da República Popular da China pela amizade secular.

Ladeado por alguns dos altos cargos da RAEM, incluindo os representantes do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na Região Administrativa Especial, o Chefe do Executivo da RAEM lembrou, que com a ajuda da China, Macau tem vindo a lutar com galhardia contra a pandemia de Covid-19 e “os portugueses e macaenses têm tido um papel muito importante”. Ho Iat Seng destacou ainda as “fortes relações de Macau e da China com Portugal e com os portugueses”, dando os parabéns a todos aqueles que, com o seu trabalho, têm ajudado no progresso do território. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”










quinta-feira, 10 de junho de 2021

Lusofonia - Países lusófonos destacam cooperação com Portugal nas mensagens alusivas ao 10 Junho


O Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, saudou Portugal pelo seu dia nacional, enaltecendo, numa mensagem enviada ao homólogo português, o nível das relações bilaterais e da parceria estratégica de Cabo Verde com uma “grande nação amiga”.

Na mensagem enviada a Marcelo Rebelo de Sousa por ocasião do 10 de junho, divulgada pela Presidência da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca expressa o “apreço coletivo dos cabo-verdianos pela excelência das relações” entre os “dois países e povos”, unidos “por um percurso histórico, cultural e de amizade, bem como de partilha de valores e interesses comuns”.

Sublinhando a importância da data “para todos os falantes de língua portuguesa”, o chefe de Estado cabo-verdiano e presidente em exercício da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) aponta o objetivo de, em conjunto, “fortalecer os laços de amizade e de solidariedade”.

“Bem como os de cooperação, tanto a nível bilateral – consubstanciados hoje numa profícua Parceria Estratégica – como a nível multilateral, designadamente no quadro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP, para benefício mútuo dos nossos países e povos”, lê-se na mensagem.

Angola

O Presidente de Angola, João Lourenço, destacou hoje o percurso “notável” de Portugal, que o tornou uma referência ao nível da tecnologia, ciência e turismo, e congratulou-se com a “vitalidade crescente” entre os dois países.

“Gostaria de destacar, nesta data histórica para a vossa Nação, o percurso notável do povo português, que tem conseguido, com o seu engenho, fazer de Portugal uma referência ao nível global em aspetos relevantes da tecnologia, da ciência e também como um destino acolhedor para vários povos do mundo que se cruzam no vosso território e desfrutam da diversificada oferta cultural”, refere o Presidente angolano.

A mensagem de João Lourenço dirigida ao Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, a propósito das comemorações, destaca ainda que a oferta cultural de Portugal expressa através da língua portuguesa une os países “e dinamiza a concretização dos objetivos comuns no quadro da CPLP”.

“Satisfaz-me constatar que as relações entre os nossos dois países se processam com uma vitalidade crescente em benefício do contínuo aprofundamento da cooperação bilateral”, refere.

Guiné-Bissau

O Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, disse em mensagem alusiva à celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que quer Portugal como parceiro “singular e privilegiado” em todas as áreas da cooperação.

“Quero aproveitar esta solene ocasião para assegurar a Vossa Excelência a firme determinação das novas autoridades da Guiné-Bissau em estreitar e aprofundar cada vez mais os laços que nos unem à Pátria de Camões, elegendo Portugal como parceiro singular e privilegiado em todos os domínios da cooperação, com o objetivo da construção de um futuro de prosperidade partilhada e da criação de um mundo mais justo, seguro e melhor para todos”, salienta Umaro Sissoco Embalo na mensagem enviada a Marcelo rebelo de Sousa.

O chefe de Estado guineense destaca também que “Portugal e a Guiné-Bissau iniciaram recentemente um auspicioso caminho de recuperação de décadas perdidas com vista à reconstrução de uma relação histórica, inabalável e pejada de futuro”.

Marcelo Rebelo de Sousa realizou em maio uma visita oficial à Guiné-Bissau, a primeira feita por um chefe de Estado português em 30 anos, depois de Umaro Sissoco Embaló ter feito uma a Portugal, em outubro, de 2020.

EUA

Além dos países lusófonos, a presidência dos Estados Unidos também felicitou hoje Portugal pela comemoração do seu dia nacional e destacou a liderança portuguesa na resposta à crise climática durante a presidência do Conselho da União Europeia (EU).

“[A Presidência Portuguesa ajudou] a reduzir as emissões de carbono em pelo menos 55% até 2030, de acordo com a nova Lei do Clima da UE, e acolheu reuniões de alto nível sobre questões sociais e da Índia durante a sua Presidência”, traz mensagem do secretário de Estado Antony J. Blinken para assinalar o Dia de Portugal.

O governante destacou também que os dois países mantêm “uma relação profunda e duradoura, iniciada quando Portugal reconheceu os Estados Unidos em 1791”.

“Desde então, a nossa relação tem-se tornado cada vez mais forte e passa a incluir a cooperação num vasto leque de ameaças e desafios globais”, salientou.

O secretário de Estado norte-americano salientou também que através da NATO, das Nações Unidas e organizações regionais os dois países têm trabalhado “para promover a democracia, a cooperação em defesa, o comércio livre e justo e o Estado de Direito”.

“Como amigo de longa data, os Estados Unidos expressam os seus votos mais calorosos ao povo português, ao celebrar este dia tão especial”, concluiu a nota. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

China - Gastronomia macaense e teatro em Patuá incluídos na lista de património cultural imaterial Nacional

A China anunciou que incluiu na Lista de Património Cultural Imaterial Nacional três itens de Macau: a Gastronomia Macaense, o Teatro em Patuá e as Crenças e Costumes de Tou Tei.

“É um dia de regozijo para a cultura macaense. É um dia especial, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, mas também para o patuá e para a gastronomia macaense”, reagiu em declarações à Lusa o director do grupo teatral Dóci Papiaçam di Macau e presidente da Associação dos Macaenses, Miguel de Senna Fernandes.

Miguel da Senna Fernandes destacou que, para além do valor simbólico e do reconhecimento do trabalho local, a inclusão na lista nacional é importante ao nível da preservação e protecção do património.

“Não é uma mera medalha de honra, ganha-se um estatuto com significado para as autoridades de Macau, que podem dar meios para que o património seja preservado”, sendo que, no caso do teatro, “assegurar uma sede é uma das prioridades”, salientou.

Outro património agora incluído na lista nacional chinesa é a Gastronomia Macaense, que se baseia no método de confecção dos alimentos da culinária portuguesa, integrando ingredientes e métodos culinários do continente africano e do subcontinente indiano, bem como da Malásia e, claro, locais.

“Através da combinação dos méritos da culinária de cada região, a gastronomia local desenvolveu-se de forma única, aperfeiçoando-se ao longo dos séculos, tornando-se um subproduto histórico da cultura da navegação portuguesa”, descrevem as autoridades de Macau.

Já o Teatro em Patuá, traz a palco “comédias que ridicularizam e criticam os problemas sociais predominantes”, dando ‘voz’ ao dialeto macaense (patuá), um crioulo português influenciado sobretudo pelas línguas cantonense, espanhola, inglesa e malaia.

Hoje, está em extinção, com especialistas a explicarem que este sistema linguístico criado pelos imigrantes lusos em Macau ao longo dos últimos quatrocentos anos foi desaparecendo devido à obrigação de aprendizagem do português nas escolas, imposta pela administração portuguesa.

Finalmente, a lista nacional chinesa integra agora as Crenças e Costumes de Tou Tei.

“Macau possui cerca de 10 templos e mais de 140 altares dedicados a Tou Tei, bem como tabuletas individuais na entrada de muitas residências e lojas. (…) Em cada ano lunar, o segundo dia do segundo mês marca a celebração do festival de Tou Tei, comummente conhecido como ‘Tau Nga’, durante o qual muitos dos templos locais dedicados a Tou Tei organizam grandes eventos festivos, incluindo rezas, danças do leão, óperas chinesas para divindades, e banquetes” tratando-se de “uma importante festividade religiosa para a comunidade chinesa em Macau”, segundo as autoridades. In “Hoje Macau” - Macau

 

Macau - Arraial de Santo António, só aqui

Para assinalar a abertura da exposição alusiva ao Santo António, que vai inaugurar este sábado na Casa Garden, a Casa de Portugal vai realizar um arraial de Santo António, que contará com música, petiscos e animação. Ao Jornal Tribuna de Macau, Amélia António disse que este poderá ser um “momento apelativo” e sublinhou que a mostra de trabalhos que vai estar patente é “muito interessante


É já este sábado, dia 12, pelas 18:00, junto à Casa Garden, que se realiza o Arraial de Santo António, que se insere nas comemorações de “Junho – Mês de Portugal” e promete “animação”. Com bifanas, música, arraial e Santos Populares – é assim que a Casa de Portugal vai assinalar a abertura da exposição alusiva ao Santo António que mostra várias peças desenvolvidas pelos alunos e professores dos vários ateliers da Escola de Artes e Ofícios.

“O público pode esperar uma exposição muito interessante. Desafiámos o pessoal das várias oficinas a fazer uma peça ligada ao Santo António e há imagens de Santo António de todos os tipos: em cerâmica, pintados, em azulejo, em esmalte. Consoante as diferentes artes dos diferentes ateliers, há peças muito diferentes, em materiais muito distintos”, afirmou a presidente da Casa de Portugal, Amélia António, ao Jornal Tribuna de Macau. “Além de haver peças muito bonitas, isto dá uma exposição muito variada e original. É algo que não estamos habituados a ver”, acrescentou.

Os objectos sobre o Santo António vão estar expostos entre 12 de Junho e 11 de Julho nas instalações da Casa Garden. Amélia António não soube precisar quantas peças farão parte da mostra, mas apontou que “são bastantes”, até porque houve quem fizesse mais do que uma.

Após a inauguração da exposição, haverá um concerto de música portuguesa, pela Banda da Casa de Portugal, pelas 19:00. O resto do serão fica a cargo de um DJ que vai passar música popular a partir das 20:30.

Relativamente aos “comes e bebes”, Amélia António disse que os pormenores sobre a logística ainda estão a ser alinhavados. “Vamos ter maneira de as pessoas terem acesso à comida devidamente acautelada, por causa de todas as restrições. Mas não é propriamente um banquete, podem comer qualquer coisinha, beber uma cerveja, um copo de vinho, um sumo. É só para dar um certo tom de festa popular, para as pessoas estarem juntas, ouvirem música, brincarem, conversarem e conviverem”, apontou. A entrada é gratuita e, segundo a nota, “alguma comida também”.

Questionada sobre as expectativas em termos de adesão, Amélia António disse não fazer previsões. “Acho que depois deste tempo todo aqui, sem a gente poder fazer muita coisa, ter um momento destes é apelativo, mas nunca sabemos como é que as pessoas reagem. Sobretudo, o estado do tempo penso que pode influenciar muito a decisão das pessoas. É tudo muito incerto. Estamos sempre a fazer coisas no escuro, mas felizmente tem corrido bem. As exposições [no âmbito do Mês de Portugal] têm corrido muito bem até agora”, defendeu.

Comunidade celebra hoje Dia de Portugal

As comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas iniciaram-se hoje, pelas 09:00, com o habitual Hastear da Bandeira, no jardim do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, com a participação do grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau e da Banda do Corpo de Polícia de Segurança Pública. Segue-se a “Romagem à Gruta de Camões” às 10:00, com um grupo mais restrito de participantes, devido à situação epidémica. Na parte da tarde, terá lugar a recepção oficial, na Residência Consular, pelas 18:00, com a presença do Chefe do Executivo, Ho Iat Seng. “A recepção seguirá o formato das autoridades locais e das autoridades chinesas, portanto, será uma recepção formal, constituída por discursos oficiais e pela entoação dos hinos português e chinês”, sublinhou Paulo Cunha Alves na apresentação do programa em Maio. Para terminar o dia, haverá um concerto, na Casa Garden, pelas 20:00, intitulado “Um Homem na Cidade – Concerto de Homenagem a Carlos do Carmo”, contando com a participação dos artistas Tomás Ramos de Deus, Miguel Andrade, Ivan Pineda, Luís Bento e Paulo Pereira, elementos da Banda da Casa de Portugal. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 9 de junho de 2021

UCCLA - Presente nas cerimónias comemorativas do Dia de Portugal em Olivença


A Câmara Municipal de Olivença, que se associou à UCCLA, vai comemorar o Dia das Comunidades Portuguesas e Camões - dia 10 de junho - numa sessão oficial com conferências culturais e educacionais sobre a lusofonia, na Casa da Cultura, que terá início às 10h30 de Portugal e às 11h30 de Espanha.

A sessão comemorativa será inaugurada pelo presidente da Câmara Municipal de Olivença, Manuel J. González Andrade, seguindo-se a intervenção do Secretário-geral da UCCLA, Vitor Ramalho.

As comemorações - que serão apresentadas por Eduardo Naharro-Macías Machado, professor da Aula de Lengua e Cultura Portuguesa da Universidade Popular de Olivença - contarão com as seguintes intervenções:

- Escritor e político português Manuel Alegre;

- Secretária da Cultura do Departamento de Cultura, Desporto e Turismo da Junta de Extremadura, Miriam García Cabezas;

- Secretária de Educação e Cultura de Porto Seguro (Brasil), Dilza Reiss Saigg;

- Primeiro Vice-Presidente do Conselho Provincial de Badajoz, Ricardo Cabezas Martín;

- Vereador da Câmara Municipal de Belmonte, Amândio Melo;

Decorrerão, paralelamente, iniciativas culturais que serão conduzidas por duas apresentações denominadas 'O Humanismo de Cabral' do escritor João Morgado e a de 'Frei Henrique e Olivença - Além-Mar' de Eduardo Naharro-Macías Machado.

Neste dia, que também comemora a morte do ilustre escritor Luís Vaz de Camões em 1580, a cidade reúne povos das duas margens do Guadiana e da lusofonia em torno de várias atividades culturais para celebrar um passado comum, um presente de convivência e um futuro de oportunidades.

As celebrações podem ser acompanhadas ao vivo através da página do Facebook da Câmara Municipal de Olivença através da ligação:

https://m.facebook.com/excmoayuntamientodeolivenza/


 

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Macau - Técnicas da produção do azulejo português em mostra no pavilhão do Lou Lim Ioc

A Casa de Portugal está a organizar um programa com várias actividades para a população, nomeadamente exposições, cinema, concertos, entre outros, no âmbito da celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Hoje vai decorrer no pavilhão Chun Chou Tong, do Jardim de Lou lim Ioc, a abertura de uma exposição didáctica do azulejo português, onde serão exibidos vários trabalhos da arte da azulejaria. O propósito da mostra será de dar a conhecer as principais técnicas e expressões estéticas do azulejo

Por via das comemorações do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a Casa de Portugal em Macau (CPM) vai organizar várias exposições, uma de azulejo intitulada “Mostra Didática do Azulejo Português”, e outra de aguarelas denominada “Macau em Aguarelas”. Na semana passada houve também a inauguração da exposição de joalharia designada “Novo Mundo”, que estará patente até dia 27 de Junho.

Hoje, às 18:30, no pavilhão do Jardim do Lou Lim Ioc, vai ser a grande abertura da “Mostra Didáctica do Azulejo Português”, que estará exposta até dia 20 de Junho. A exposição de azulejos será, tal como o nome implica, uma mostra de técnicas de azulejaria, não estando nenhum artista em particular a expor os seus trabalhos.

O curador do evento, o mestre de cerâmica das oficinas da Casa de Portugal em Macau José Matos, falou ao Ponto Final acerca da exposição. “A exposição não vai ser acerca de trabalhos de alguém em especial, mas sim de trabalhos feitos na oficina da escola de cerâmica da CPM, com o principal objectivo ser dar a conhecer um pouco dos vários tipos de técnicas de azulejaria que se faziam em Portugal”, começou por explicar. “Desde os mais antigos azulejos, que herdámos dos hispano-mouriscos que tinham técnicas que vinham do tempo dos árabes que passaram para a Península Ibérica e depois foram exploradas em Espanha e Portugal, e depois passa pelo azul e branco que vem da China”, prosseguiu.

O professor de cerâmica reitera que o que pretende fazer é fundamentalmente mostrar as diferentes técnicas utilizadas. “Vamos mostrar a técnica majolica ou os painéis que temos aqui, juntamente com alguns maiores que foram realizados na escola. Principalmente, quero expor os designs de azul e branco que é o que se conhece mais”, nota.

Como existem várias outras técnicas, o professor explica que vai apresentar cada uma com uma pequena explicação de como é que elas se fazem. “Vamos ter uma pequena banca montada com o processo de manufactura. Vamos ter cada uma das técnicas abordadas, daí o uso do termo ‘didáctico’ no nome do evento porque vamos mostrar o processo de fabrico de cada técnica. E à parte disso vamos ter alguns trabalhos postos de cursos que fizemos este ano. Vamos ter também duas pessoas a trabalhar ao vivo, que são duas alunas da escola, que vêm fazer um trabalho ao vivo de pintura de azulejo, no fim de semana”, acrescentou.

Em relação ao nível dos trabalhos expostos, o professor responde que alguns dos trabalhos são mesmo de mestres pintores. Porém, enfatiza que o propósito da exposição não é promover trabalhos de ninguém. “Pedimos e convidámos certas pessoas com o intuito de mostrar a técnica que usaram. Não é de maneira nenhuma uma exposição de autores, até porque o catálogo não está feito com identificação de autores, mas sim pela identificação de técnicas, e é um catálogo também didáctico que explica sucintamente como é que cada uma das técnicas é feita”, refere José Matos.

“Alguns dos trabalhos foram feitos durante estes últimos dois meses e meio do último curso que fizemos de ‘Figuras de Convites’ compostas”, assinala. Figuras de Convites “são as figuras nos azulejos, de tamanho real, que costumamos ver às entradas dos palácios e jardins portugueses e que convidavam a entrar os soldados nos tempos de antigamente. É tal e qual a imagem que está no nosso cartaz de divulgação. A partir desse tema foi proposto aos alunos fazerem algumas abordagens, e esse resultado também está aqui na exposição”, acrescenta.

Os azulejos que continuamos a admirar já existem há séculos, e uma das suas características principais e mais valiosas é realmente a sua durabilidade. São relíquias onde continuam a ser fixados os momentos históricos, de lazer, os momentos culturais, e duram vários séculos. Ao contrário do papel, estes podem estar sujeitos a más condições climáticas, que normalmente duram para sempre.

Em relação ao estado da indústria, o professor que se encontra a trabalhar em Macau há menos de dois anos refere: “A produção artesanal em Portugal, na parte mais tradicional de pintura e de forma mais manual de fazer, continua a ser feita, como em Espanha e outros países. Mas é claro que o azulejo evoluiu com uma transformação mais industrializada e com processos mais industrializados. O azulejo como processo decorativo, material de revestimento de um projecto arquitetónico nunca deixou de existir e duvido que alguma vez desapareça. Há uns séculos, obviamente que era difícil imprimir um motivo azulejo num vinil, e claro que nessa altura seria muito mais valorizado e era bem mais difícil o acesso a essa arte do que é hoje. Neste momento, o que prevalece é que em Portugal continua a haver muita gente a pintar e existem muitos e bons pintores de azulejos”, sublinha.

“A pintura tradicional portuguesa é reconhecida como, talvez a melhor, a nível de pintura, do mundo, e sem dúvida que se continua a reconhecer Portugal como um importante produtor de azulejo tradicional pintado a mão”, concluiu.

A exposição vai incluir demonstrações ao vivo de pintura de azulejos e uma zona reservada à divulgação e venda de peças de cerâmica. Joana Chantre – Macau in “Ponto Final”

Joanachantre.pontofinal@gmail.com


domingo, 6 de junho de 2021

Galiza - Comemorações do Dia de Portugal entre os dias 10 e 12 de junho em Vigo


O Centro Cultural do Camões, I.P. em Vigo organiza as Comemorações do dia 10 de junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas na Galiza, oferecendo várias atividades que terão lugar nos dias 10 e 12 de junho.

No dia 10 de junho, às 15h00, serão revelados nas nossas redes sociais os resultados do Concurso de Fotografia “Portugal numa imagem. Portugal numa palavra”. Uma iniciativa que decorreu entre os dias 10 e 31 de maio e que desafiou o pessoal da Galiza a partilharem a fotografia que melhor representa Portugal.

No dia 10 de junho, às 19h30, no Centro Cultural Português do Camões, I.P. em Vigo, o grupo de teatro amador “Eu.Experimento” dará o seu contributo para as Comemorações do Dia de Portugal  com a apresentação da sua nova criação: “Fado Transporte”.

Sinopse

No demorado balanço de um futuro que não havia, Fado Transporte pondera uma distopia pós-tecnológica em forma de ensaio cénico. Por motivo dramatúrgico, uma velha normalidade portuguesa de permanente validez: o fado é o transporte, o transporte é o fado.  E a Máquina que ensina devagar, simbolismo tardio e lei suprema – voz, com que voz – no coração da novíssima liturgia.

Duração aproximada: 40 minutos.

A entrada é livre, mas está sujeita a reserva prévia através do formulário de inscrição disponível clicando aqui.

No dia 12 de junho, às 19h00, no Museu de Arte Contemporânea de Vigo (MARCO), apresentara-se uma retrospetiva dos melhores filmes do “Festival de Vídeo Arte FUSO – Lisboa 2020”, que contará também com a participação à distância de Rachel Korman, a coordenadora do festival e de alguns dos realizadores.

A entrada é livre, mas está sujeita a reserva prévia através do formulário de inscrição disponível clicando aqui.

“O Festival Fuso é uma organização DUPLACENA- Horta Seca, financiado pelas seguintes entidades: Governo Português Dgartes Egeac Fundação EDP/MAAT.” In “Portal galego da Língua” - Galiza


 

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Jornadas do Dia de Portugal juntam comunidades e diáspora numa “união intercultural”

Entre os dias 8 e 14 de Junho, as comunidades portuguesas na diáspora estão juntas nas Jornadas do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. No Facebook, são partilhados vídeos de entrevistas, mesas-redondas e debates sobre a lusofonia e sobre os portugueses espalhados pelo mundo. Segundo Celina Santos, organizadora da iniciativa, o objectivo passa por “dar voz a temáticas importantes e criar uma rede”



Começaram na segunda-feira, as Jornadas do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas. A partir de Macau, são organizadas sessões de debate, entrevistas e mostras de arte dos países lusófonos e da lusofonia, que são diariamente partilhados no Facebook. Celina Santos, professora universitária em Macau, está a organizar as jornadas e, ao Ponto Final, indicou que o objectivo é criar uma “união intercultural” e uma rede entre as diferentes comunidades.

O primeiro dia destas jornadas, 8 de Junho, foi dedicado a Macau. Sob o tema da “identidade de Macau”, foi partilhada no Facebook uma sessão de mesa-redonda que teve como moderador Paulo Rego, director-geral do jornal Plataforma, e em que participaram Carlos Morais José, director do jornal Hoje Macau, José Sales Marques, presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, e Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses. Nesse dia, também Arlinda Frota e António Duarte Mil-Homens apresentaram os seus trabalhos no âmbito da literatura, pintura e fotografia.

Terça-feira foi a vez de Timor-Leste. Foi realizada uma mesa-redonda com jornalistas e professores daquele país. Ontem, dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas, Celina Santos entrevistou Luís Faro Ramos, presidente do Instituto Camões. Além disso, foi também partilhada no Facebook uma mensagem de Paulo Cunha-Alves, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, e ainda um outro vídeo com uma mensagem de Berta Nunes, secretária de Estado das Comunidades Portuguesas.

Hoje é o dia dedicado aos países africanos de língua oficial portuguesa, que contará com um debate entre João Paulo Pinto Có, antropólogo guineense, Yanira Tiny, jurista de São Tomé e Príncipe, e Tomassina Paulo, activista angolana. O tema do debate é: “Os desafios dos PALOP – a contribuição dos jovens para o desenvolvimento; a diversidade cultural e a formação”.

A Associação Cultural Batucada Radical, do Brasil, vai apresentar os seus trabalhos no dia 12. No dia seguinte, será realizada uma mesa-redonda sobre o ensino da língua portuguesa em Goa, Damão e Diu, e o dia 14 de Junho é dedicado à diáspora e serão partilhados testemunhos de falantes de português nos seus países de acolhimento.

Segundo a informação disponibilizada pela organização, a finalidade da iniciativa é “promover a interacção voluntária e voluntariosa entre pessoas em prol de uma união capaz de suprimir qualquer tipo de barreiras”. Outro dos objectivos passa por promover a língua e a cultura portuguesas e contribuir para o conceito de lusofonia. “O objectivo é dar voz a temáticas importantes e criar uma rede”, completou Celina Santos, frisando que “o objectivo é o da união intercultural”. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

andrevinagre.pontofinal@gmail.com

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Macau - Exposição de desenho “Dias de Portugal, Desenhos de Sul a Norte”, de Adalberto Tenreiro

Arranca hoje o programa oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, com a exposição de desenho “Dias de Portugal, Desenhos de Sul a Norte”, de Adalberto Tenreiro. Segundo Diana Soeiro, coordenadora da Casa de Portugal, vai ser uma exposição “num formato arrojado” que visa dar a conhecer ao público o talento artístico do arquitecto nascido em São Tomé e Príncipe.



“Dias de Portugal, Desenhos de Sul a Norte”, da autoria de Adalberto Tenreiro, vai abrir hoje, na chancelaria do Consulado-Geral de Portugal, as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Em exibição vão estar vários desenhos de monumentos e paisagens de Portugal num “formato arrojado” que procura sair um pouco do modelo tradicional de exposições, segundo explicou ao Ponto Final Diana Soeiro.

“É uma exposição com um formato diferente, que foi idealizado pelo próprio Adalberto. É uma exposição arrojada em que os trabalhos são apresentados em estruturas concebidas pelo próprio arquitecto. Não vai ser aquela exposição de a pessoa chegar e ver um quadro. Tem uma estrutura arrojada, está original”, referiu a coordenadora da Casa de Portugal (CPM).



Diana Soeiro explicou ainda que a escolha de Adalberto Tenreiro para o programa de “Junho – Mês de Portugal”, que decorre entre 4 e 28 de Junho, deveu-se à qualidade do trabalho do arquitecto nascido em São Tomé e Príncipe, que muitas vezes passa despercebida do público. “Reconhecemos o seu talento e quisemos dar a conhecer ao público de Macau o trabalho que o Adalberto realiza. Nem toda a gente tem esse privilégio, muitas vezes ele envia-nos coisas e quisemos dar a possibilidade ao público de conhecer o trabalho dele e confirmarem o seu talento”, acrescentou a coordenadora da CPM.

A exposição vai inaugurar hoje na chancelaria do Consulado-Geral de Portugal, permanecendo em exibição até 10 de Julho. Devido à situação pandémica que se vive actualmente, os visitantes terão que utilizar máscara e medir a temperatura corporal à entrada. “Ainda assim, com estas restrições todas, acho que vamos ter casa cheia. Não temos limite [de pessoas], mas se sentirmos que a sala está muito cheia vamos ter que impor algum limite. Achamos que isso não vai acontecer, mas estamos preparados”, concluiu Diana Soeiro.



O programa das comemorações do Dia de Portugal prossegue amanhã com uma mostra de cinema, na Cinemateca Paixão, com a exibição de “Tristeza e Alegria na Vida das Girafas”, da autoria de Tiago Guedes. No sábado, para além da exibição de mais filmes e documentários, haverá um espectáculo de marionetas apresentado por Elisa Vilaça intitulado “O Arraial”. Pedro Santos - Macau in “Ponto Final”

pedrosantos.pontofinal@gmail.com