Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Venezuela – Portugueses continuam a precisar de ajuda para recuperar dos sismos

A organização venezuelana Dividendo Voluntário para a Comunidade (DVC) alertou que, dois meses após o duplo sismo de 24 de agosto, persistem as dificuldades da comunidade lusa em La Guaira, que precisa de ser acompanhada


«Agradecemos e valorizamos o trabalho da comunidade portuguesa que tem estado presente, mas sobretudo por ser muito trabalhadora e, além disso, porque tem trabalhado em união com os venezuelanos. Essa comunidade precisa hoje de apoio, ajuda, mas, acima de tudo, que a acompanhemos no processo de recuperação», disse o presidente da DVC à Lusa.

Ramón Ostos, que também é diretor da KPMG na Venezuela, referiu que a comunidade em La Guaira, o estado mais afetado pelos sismos, se prepara para a reconstrução, que “tem de consistir em construir melhor” do que havia antes dos sismos.

“Esse é o desafio: o conceito de resiliência é como superar de maneira positiva uma situação tão trágica como aquela que vivemos. E, a comunidade portuguesa tem estado presente, sempre atenta à forma de como recuperar-se, mas, acima de tudo, olhando o futuro com otimismo, apesar da tragédia», disse.

Ramón Ostos vincou ainda que «o país tem de continuar em frente”, tal como a comunidade, e que graças a esta “o crescimento vai acontecer» em La Guaira, mas também em toda a zona de Carayaca e El Junquito, onde existe uma grande comunidade portuguesa, sobretudo no setor agrícola.

“Trata-se de os acompanharmos nesse processo de recuperação, mas com uma visão otimista do que vamos recuperar e de que temos de fazer um trabalho conjunto», disse.

«Que nunca nos esqueçamos das nossas comunidades. E refiro-me a todas as comunidades e a todos os venezuelanos, bem como a toda a comunidade portuguesa, espanhola e italiana que vive no estado de La Guaira. (…) Por mais que a tragédia tenha deixado de ser notícia, as situações e a tragédia continuam lá, e devemos continuar a pensar nelas e estar atentos à forma como podemos continuar a apoiar e a ajudar», disse.

«É o melhor momento para trabalhar nessa coesão social de que sempre falámos e pensámos no nosso país», frisou Ostos, salientando a importância de “um país unido».

A DVC foi criada em 1958 pelo setor empresarial, centrada em apoiar a partilha do crescimento económico com as comunidades locais.

Nas décadas de 1970 e 1980, a DVC construiu mais de 280 escolas rurais na Venezuela, e hoje mantém programas de nutrição na primeira infância e criação de meios de subsistência, além da Aliança Prateada, para pessoas com mais de 55 anos, que promove a partilha de conhecimento, adiantou Ostos.

Em La Guaira, disse, a primeira fase da atenção consistiu na criação de centros de recolha, onde receberam mais de 104 toneladas de bens, 95% dos quais foram entregues em acampamentos temporários e à Caritas Venezuela, e depois em centros de distribuição, estando a fazer um recenseamento para identificar, em colaboração com as organizações Fé e Alegria e da Associação Venezuelana para a Educação Católica (AVEC), escolas seguras e que possam abrir em setembro, para iniciar o próximo ano escolar, disse.

«O censo inicial de que dispomos aponta para mais de 24 mil crianças e o que pretendemos, com as doações que recebemos do setor empresarial, é que possam regressar às aulas o mais rapidamente possível», disse.

O duplo sismo de 24 de agosto causou danos graves em infraestruturas, feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela -Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.

Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6509 pessoas faleceram e 226.696 pessoas foram assistidas nos hospitais depois dos sismos.

Entre os mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.

Pelo menos 190 edifícios desabaram e as autoridades inspecionaram 60.785 habitações, das quais 11.001 foram consideradas de “alto risco” e cerca de 25.240 casas estão inabitáveis, tendo já sido removidas 600.790 toneladas de escombros. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


 

sábado, 11 de julho de 2026

Venezuela - Mais de 17 mil pessoas estão em 80 acampamentos temporários

Diretor da Organização Pan-Americana de Saúde, Opas, fala da situação no país devastado por terremotos no final de junho, a agência procura mobilizar US$ 24 milhões para resposta imediata, deste total, já foram recebidos US$ 9 milhões


Mais de duas semanas após os dois terremotos que atingiram a Venezuela, o número de mortos já passa de 3,8 mil, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, Opas.

O diretor da agência, Jarbas Barbosa, falou com a ONU News sobre a situação em campo. Estima-se que mais de 712 mil pessoas viviam em municípios expostos à maior intensidade sísmica. Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a região norte da Venezuela.

Ampliação do atendimento aos feridos

O chefe da Opas contou à ONU News como está a ser o trabalho da agência no país:

“A nossa equipa foi reforçada para que o governo da Venezuela consiga responder a esta situação tão grave. Estamos a trabalhar em várias áreas, tanto coordenando o envio das equipas internacionais de emergência, que já chegaram à Venezuela, algumas com capacidade de fazer cirurgias, de atender emergências, ou seja, ampliando rapidamente a capacidade de atender aos feridos”.

De acordo com o diretor, também estão a ser mobilizados recursos para que as mais de 17 mil pessoas que estão em quase 80 acampamentos temporários possam ter acesso a vacinas, comida segura, água potável e saneamento.

Segundo ele, estas medidas são fundamentais para prevenir ou identificar rapidamente surtos de doença respiratórias ou diarreicas, que são frequentes nessa região.

Um apelo à solidariedade

A estratégia de resposta da Opas concentra-se em atender às necessidades imediatas de saúde e, ao mesmo tempo, apoiar a recuperação inicial do sistema de saúde durante os primeiros seis meses da emergência. A estratégia é viabilizada por meio de um apelo de financiamento feito pela agência.

“Lançamos um apelo para mobilizar US$ 24 milhões para essa resposta imediata. Já recebemos quase US$ 9 milhões de dólares desses 24 e seguimos incentivando a solidariedade internacional e a boa coordenação entre todas as organizações das Nações Unidas para que possamos apoiar conjuntamente e de forma bem coordenada a resposta adequada a esta situação tão dramática que temos na Venezuela”.

Segundo agências de notícias, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, FMI, Kristalina Georgieva, conversou esta semana com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. O objetivo é fazer com que o país possa aceder a parte dos seus ativos retidos pela organização internacional para responder à crise causada pelos terremotos. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 1 de julho de 2026

Venezuela - 4 em 10 deslocados por terremotos estão nas ruas ou espaços públicos

Fome, disseminação de doenças e falta de abrigo adequado são algumas das ameaças após os tremores do último dia 24. Os serviços de saúde e necrotérios estão em estado de colapso, a ONU intensifica apoio às vítimas e serviços de resgate


As operações de busca e resgate continuaram na Venezuela nesta terça-feira, enquanto milhares de sobreviventes do terremoto tentam encontrar abrigo após terem perdido as suas casas.

Na segunda-feira, as autoridades venezuelanas confirmaram 1719 mortes, pelo menos 5034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter.

Comida em falta

Seis dias após os sismos, "a escassez de alimentos é generalizada" em La Guaira, o estado mais afetado, segundo a agência da ONU para refugiados, Acnur.

A porta-voz da entidade, Carlotta Wolf, afirmou nesta terça-feira que “os serviços básicos entraram em colapso e a conectividade foi amplamente interrompida”.

Ela ressaltou que as tensões dentro das comunidades estão a aumentar devido à dificuldade de acesso à assistência.

Abrigos abaixo do padrão

Uma avaliação rápida das necessidades realizada pelo Acnur nos estados de La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Aragua e Carabobo mostrou que metade dos entrevistados estava abrigada com vizinhos ou parentes após o desastre.

Além disso, quase quatro em cada 10 estão a viver nas ruas e espaços públicos, e outros em igrejas, escolas ou instalações improvisadas.

Carlotta Wolf alertou que “esses abrigos improvisados ​​não atendem aos padrões mínimos de proteção”, em termos de privacidade, espaços seguros e níveis básicos de higiene e conforto.

A porta-voz do Acnur também expressou preocupação com a presença de crianças desacompanhadas e separadas das famílias.

Caos no sistema de saúde

Já o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, Christian Lindmeier, disse que “os serviços de saúde estão sob extrema pressão neste momento”.

Segundo ele, o aumento nos casos de trauma ultrapassa a capacidade das instalações de saúde.

No sábado, a OMS analisou dados de 21 unidades de saúde em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón, concluindo que três estão "em estado crítico", seis apresentam danos estruturais ou estão parcialmente funcionais e as restantes "permanecem operacionais sob grande pressão".

Lindmeier alertou para a “prestação de serviços caótica” e fluxos de pacientes, marcados por superlotação, crescentes atrasos cirúrgicos, falha nas medidas de biossegurança e equipa severamente estressada.

O porta-voz da OMS também destacou "lacunas críticas" na prestação de cuidados de saúde, incluindo o colapso dos serviços forenses e de necrotérios, bem como o registo inadequado de vítimas e de pessoas desaparecidas.

Doenças podem espalhar-se

A OMS afirma ainda que há um risco de surtos de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria, coqueluche, além de febre amarela e outras doenças transmitidas por vetores e pela água, incluindo dengue, chikungunya, zika, oropouche e malária.

Lindmeier explicou que muitos dos deslocados estão sob alto risco, devido à baixa cobertura vacinal antes do terremoto e ao acesso limitado às vacinas atualmente.

Ele adicionou que vários profissionais de saúde em La Guaira continuam desaparecidos, incluindo os responsáveis ​​por cuidados maternos na região, o que criou uma lacuna crítica na assistência obstétrica.

A resposta da ONU em números

  • Libertou US$ 15 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências
  • Estabeleceu três centros de atendimento em La Guaira para famílias que perderam as suas casas
  • O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, está a coordenar a mobilização de 27 países e mais de 40 equipas de busca e salvamento
  • O Programa Mundial de Alimentos, WFP, tem mais de 3 mil toneladas de alimentos em stock no país, quantidade suficiente para alimentar cerca de 10 mil famílias por dois meses.
  • A Unicef mobilizou pessoal e suprimentos adicionais para atender cerca de 650 mil pessoas, incluindo 234 mil crianças. Para viabilizar uma resposta imediata, alocou US$ 1,5 milhão dos seus recursos internos e US$ 1 milhão do Fundo Temático Humanitário Global
  • A Organização Internacional para as Migrações, OIM, está se preparando para distribuir os seus suprimentos nas áreas de maior necessidade
  • A Organização Mundial da Saúde, OMS, por meio da Organização Pan-Americana da saúde, Opas, já avaliou as condições de sete unidades de saúde, determinando necessidades de medicamentos, oxigénio, combustível e outros consumíveis essenciais. Além disso, está a mobilizar equipas médicas especializadas. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Ano 2026 começou muito mal - Crans Montana, Venezuela e Irão

O ano de 2026 começou mal na Suíça, piorou logo depois na Venezuela e continua tenso no Irão. A sequência pode ser ainda mais terrível - uma invasão da Groenlândia, desta vez sem o pretexto do narcotráfico.

O ato de pirataria do presidente Trump ao sequestrar, em Caracas, o presidente venezuelano Nicolás Maduro, rompe o equilíbrio mundial e instaura a lei da selva. Foi essa a principal reação da imprensa internacional. O desrespeito à soberania venezuelana, garantido pelo poderio militar dos EUA, fragiliza o respeito e o equilíbrio entre os países e instaura o domínio da força.

Isso não é nenhuma novidade, a maneira como Trump vem agindo lembra a progressão da Alemanha nazi de Hitler. Não se pode também esquecer que invasão e ataques já ocorreram e continuam na Ucrânia pela Rússia. E a prometida invasão da Groenlândia lembra as ameaças da China de se apossar de Taiwan.

Neste momento, ao se buscar uma visão na qual se consiga distinguir quem são os melhores e os piores podem surgir algumas dificuldades. Trump é um imperialista interessado em se apossar de um país e torná-lo um protetorado para ter acesso ao petróleo, mas Maduro não deixa de ser um ditador, tanto que o Brasil não reconheceu sua vitória nas eleições. Em todo o caso, se os donos do mundo são ditadores, que talvez cheguem a um acordo de paz repartindo entre si países e suas riquezas, a ONU deixará de ter qualquer utilidade.

O terceiro fator, que tumultuou e tumultua este começo do ano, é o Irão, vivendo um clima de revolta da população, capaz de derrubar a ditadura teocrática islâmica e o aiatola Khamenei. E aqui, novamente, a confusão: é a esquerda quem apoia o ditador islâmico.

Mas vamos retornar ao primeiro tema do ano - a tragédia do incêndio no subsolo do bar-discoteca Le Constellation, onde tanta insegurança e negligência nos fariam pensar, se fosse no Brasil, em corrupção.

Talvez nunca tenha havido uma passagem de ano tão trabalhosa e tão dolorosa para os jornalistas suíços e europeus, na madrugada do réveillon, no dramático incêndio no bar-discoteca Le Constellation, na luxuosa estação de esqui de Crans Montana.

As chamas e a fumaça, ainda na primeira hora e meia de 2026, acabaram com os festejos e a alegria próprios da passagem do ano. Os socorros foram rápidos, mas não puderam evitar 40 mortes e 119 pessoas gravemente queimadas, a maioria jovens e, entre os mortos, a metade era de menores.

Coube também aos jornalistas de diversas nacionalidades denunciarem a responsabilidade das autoridades locais, de funcionários encarregados do contrôle das instalações de casas de diversão e do casal proprietário pelas irregularidades existentes no Le Constellation, causadoras do incêndio e pelas dificuldades para sair rapidamente do local.

Ninguém poderia ter imaginado ser possível tal tragédia na Suíça, onde existe uma real e constante preocupação com a segurança da população. Muito menos numa estação de esqui e num bar-discoteca de luxo.

Entretanto, as negligências cometidas em matéria de segurança levantam suspeitas de que a falta de controles ou de controles malfeitos teriam sido voluntários. As investigações necessárias deverão mostrar porque o estabelecimento funcionava sem as garantias normalmente exigidas. Numa entrevista à televisão lo suíça, o embaixador italiano Gian Lorenzo Cornado denunciou não haver sequer extintor ou mangueira de incêndio, nem saída de emergência utilizável no bar Le Constellation. O incêndio começou com velas de faíscas nas garrafas de champagne, cujas chamas chegaram ao teto protegido com material inflamável amortecedor de som.

Nem numa boate de periferia no Brasil existe uma tal insegurança e irresponsabilidade. A saída de emergência estava fechada para evitar que frequentadores do bar saíssem sem pagar. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Venezuela - Camões homenageado em encontro de escritores lusófonos

O V Encontro Virtual de Escritores Lusófonos realiza-se na Venezuela até segunda-feira, reunindo cinco figuras literárias lusófonas, e assinalar o quinto centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões.

“Queremos mostrar mais uma vez ao público venezuelano que a lusofonia não é apenas uma questão portuguesa, é um elo muito importante que une Portugal a um conjunto de países e territórios que partilham a sua língua”, explica o coordenador do Ensino da Língua Portuguesa na Venezuela num comunicado divulgado em Caracas.

Rainer Sousa salienta que “tanto se fala português num elegante café de Lisboa como nas profundezas da selva amazónica, como nas vastas savanas africanas ou nas movimentadas ruas de Macau, no sul da China”.

“A mesma língua pode exprimir realidades e ‘mundos’ diferentes, possibilitando aos escritores darem-se a conhecer na Venezuela, um país de língua espanhola”, refere.

O encontro encerra a agenda cultural de 2024 e proporciona ao público, segundo os organizadores, a oportunidade de participar em conversas e entrevistas com figuras literárias de relevo, reunindo não só a comunidade luso-venezuelana, mas também 13 mil alunos de português em mais de 50 instituições de ensino locais.

É organizado pela Coordenação do Ensino de Português na Venezuela e conta com o apoio da Embaixada de Portugal em Caracas, do Camões Instituto da Cooperação e da Língua, do Festival Literário Flipoços, no Brasil, do Hotel Montaña Suites e do jornal Correio da Venezuela.

Dias recheados

Depois da abertura, na quinta-feira, com uma homenagem ao poeta feita pela intervenção de Hélio Alves, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, actual director do Centro de Estudos Comparatistas e destacado investigador das literaturas europeias do Renascimento e do início da Modernidade, sendo “uma das maiores autoridades em Portugal no estudo e investigação da obra de Camões”.

Hoje terá lugar um diálogo com a psicanalista, professora e escritora brasileira Samantha Buglione. A convidada do encontro de amanhã será a escritora portuguesa Cristina Drios e o escritor angolano João Melo, membro fundador da União dos Escritores Angolanos e da Academia Angolana de Letras e Ciências Sociais, será o escritor convidado do domingo, dia 29.

Na segunda-feira é a vez de Vera Duarte, escritora cabo-verdiana, licenciada em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa e uma referência literária no seu país.

As palestras e entrevistas com cada escritor vão ser transmitidas nas datas indicadas, pelas 18h de Caracas, através dos canais de YouTube da Coordenação para o Ensino do Português na Venezuela (Cepe Vzla) e do semanário de expressão portuguesa Correio da Venezuela, bem como através das contas de Facebook e Instagram destas organizações.

O Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, segundo o coordenador do Ensino de Língua Portuguesa, surgiu durante a pandemia da covid-19, mantendo-se no seu formato virtual para que pessoas de diferentes partes do mundo possam conhecer novos escritores lusófonos e, por sua vez, divulgar o que está a ser feito pela língua portuguesa na Venezuela. In “Hoje Macau” - Macau


terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Venezuela - “Há cada vez mais portugueses carenciados”, afirma organização Heróis do Mar

O presidente da organização Heróis do Mar alertou que há cada vez mais portugueses carenciados na Venezuela, um país onde as pessoas têm vergonha que se saiba que são pobres



“Cada dia mais se justifica a solidariedade, porque cada dia há mais carenciados, inclusive na nossa comunidade, que muita gente desconhece, porque existe muita vergonha escondida (…) nós ajudamos as famílias todos os meses, mas cada dia há mais pessoas a bater-nos à porta”, disse à agência Lusa Simão Rocha, em Tanaguarenas, no estado de La Guaira, 45 quilómetros a norte de Caracas.

Heróis do Mar é um grupo composto por duas centenas de portugueses que desde há 20 anos realiza almoços para reunir fundos para ajudar a comunidade portuguesa carenciada.

Simão Rocha explicou que cada membro do grupo pode apresentar algum caso de carenciados que conheça e todos ajudam, acrescentando que “é lamentável porque cada dia há mais necessidade” na comunidade portuguesa.

“Começámos há 20 anos, numa carpintaria em Mariche (leste de Caracas). Inicialmente não tínhamos a pretensão de ser um grupo de beneficência, mas a circunstância do país obrigou-nos a estarmos atentos às pessoas da nossa comunidade que necessitam de nós”, disse.

Explicou ainda que começaram por cozinhar à sexta-feira à tarde e que o lema inicial era “à volta de uma mesa, à boa maneira portuguesa, cultivar a amizade”.

“É importante o lema de à volta de uma mesa, à boa maneira portuguesa, porque sem a mesa não existe ajuda e porque mantemos a comunidade unida e solidária com os carenciados”, frisou.

Apesar de o grupo ser composto por 200 pessoas, participam em média, em cada almoço, entre 70 e 80 membros, não havendo nenhuma obrigação de participar.

“Quem puder participa. É um grupo muito generoso. Somos uma equipa de trabalho. Todos trabalhamos pela mesma causa. Estou orgulhosíssimo dos Heróis do Mar”, disse.

Simão Rocha explicou ainda que ao longo dos 20 anos dos Heróis do Mar aprendeu “a conviver com as diferenças dos outros de uma maneira impressionante”, a conviver, a respeitar, porque há “várias gerações pessoas de 22 a 92 anos no grupo”.

Os almoços realizam-se uma vez ao mês e há ainda os convívios familiares e o grupo está aberto a novos colaboradores.

Na Venezuela reside uma importante comunidade portuguesa, que ronda as 600.000 pessoas.

No entanto, a própria comunidade estima ser mais de 1,5 milhões, incluindo os lusodescendentes sem nacionalidade portuguesa.

A crise política, económica e social, obrigou mais de 7,7 milhões de pessoas a abandonarem a Venezuela nos últimos anos à procura de melhores condições de vida, a maioria para países da região. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Venezuela - Parlamento cria grupos de amizade com Portugal e Guiné-Bissau

A Assembleia Nacional da Venezuela anunciou a criação de grupos parlamentares de amizade com seis países, incluindo Portugal e Guiné-Bissau. O parlamento venezuelano estabeleceu grupos de ligação ao Egipto, Senegal, Jordânia e Cazaquistão, todos presididos por deputados do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), no poder, indicou em comunicado.

Os grupos vão trabalhar para fortalecer e consolidar as relações “diplomáticas e cooperativas” com aquelas nações, referiu a Assembleia. O parlamento já estabeleceu grupos de amizade com Nepal, Quirguistão, Iraque, Bahrein, Azerbaijão, Laos, Líbano, Timor-Leste, Quénia, Gâmbia, Malásia e a União Africana.

A Venezuela, país que conta com uma expressiva comunidade de portugueses e de lusodescendentes, realizou eleições presidenciais a 28 de julho, com o Conselho Nacional Eleitoral a atribuir a vitória ao atual Presidente do país, Nicólas Maduro, com pouco mais de 51% dos votos, enquanto a oposição afirma que o seu candidato, o antigo diplomata Edmundo González Urrutia, obteve quase 70% dos votos.

A oposição venezuelana e muitos países denunciaram uma fraude eleitoral e exigiram que sejam apresentadas as atas de votação para uma verificação independente.

Os resultados eleitorais têm sido contestados nas ruas, com manifestações reprimidas pelas forças de segurança, com o registo, segundo as autoridades, de mais de 2400 detenções, 27 mortos e 192 feridos.

O regime de Caracas disse estar em curso um golpe de Estado, mantendo nas ruas milhares de polícias e militares para controlar os manifestantes, e pediu à população que, de maneira anónima e através da aplicação VenAPP, denuncie quem promove os protestos.

A organização não-governamental venezuelana Foro Penal (FP) indicou que 1953 pessoas estão detidas por motivos políticos na Venezuela, o maior número registado no século XXI. Entre os detidos, 1711 são homens, 242 mulheres, 69 adolescentes, incluindo 1792 civis e 161 militares, acrescentou. In “Ponto Final” - Macau



terça-feira, 29 de outubro de 2024

Venezuela - Editora quer ver livros em português no mercado do país

Fundada há 14 anos, a Araca Editores quer ver livros em português no mercado da Venezuela, estando disponível para colaborar nesse sentido com as autoridades portuguesas, disse uma dirigente da empresa à Lusa


“Araca põe à disposição da representação diplomática de Portugal todos os seus recursos, a nossa equipa editorial e de distribuição para que, em cooperação, possamos materializar publicações em português ou bilingues [em português e castelhano], que seriam de interesse para nós [venezuelanos] e também para a comunidade portuguesa”, disse a gestora de edições.

Felgris Araca falava na segunda-feira, à margem da 21.ª Feira Internacional do Livro da Universidade de Carabobo, que durante cinco dias assinalou, com diversos atos culturais, o quinto centenário do nascimento do poeta português Luís Vaz de Camões, na cidade venezuelana de Valência, estado de Carabobo (170 quilómetros a oeste de Caracas).

“Desde há dois anos que tenho visto que as representações diplomáticas europeias, nomeadamente a francesa, italiana e a alemã, mais ativas na vida cultural venezuelana, mas percebo que Portugal é um pouco mais conservador e convido-os a que sejam mais ativos, a que nos mostrem os benefícios do seu país, da sua cultura”, disse.

Felgris Araca explicou que, quando os venezuelanos pensam em aprender português, pensam no Brasil, porque está mais perto.

“Eu, por exemplo, estou a estudar português e descobri que o idioma que se fala no Brasil é diferente do que falam em Portugal, em entonação, em cor, em modismos, em música (…) seria interessante poder disponibilizar o arco-íris cultural luso para poder conhecê-lo”, disse.

Felgris Araca explicou ainda que procurou, sem sucesso, textos em idioma português nas principais livrarias da capital, Caracas.

“Fiz uma busca de textos para exercitar a minha leitura e a prática do idioma e não consegui nada nas livrarias. Tive de comprar textos através da Internet, em formato digital, quando prefiro ler em formato impresso”, explicou, precisando que foi através da Internet que conseguiu encontrar “uma academia de português brasileiro” há um ano.

Segundo Rainer Sousa, coordenador do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua na Venezuela, atualmente mais de 11 mil estudantes estão a aprender a língua portuguesa em dezenas de instituições educativas venezuelanas e inclusive no sistema educativo oficial local.

“De sublinhar a aposta que o Camões faz no ensino do português aqui na Venezuela, enviando todos os anos algumas toneladas de manuais que depois são distribuídos pelas escolas ou instituições que adotaram o português tanto a nível curricular como extracurricular. São manuais didáticos para jovens e dicionários que oferecemos às escolas que depois põe à disposição dos estudantes”, disse. In “Sapo Mag” – Portugal com “Lusa”


quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Venezuela - Fraude ou golpe? As redes sociais explicam

Quem não tem acompanhado o governo de Nicolás Maduro na Venezuela ou quem ignora ou confunde países e tendências políticas na América Latina pode ter dificuldade para fazer um juízo de valor: houve fraude nas eleições ou há uma tentativa de golpe pela extrema-direita?

Num momento desses, pode-se testar a validade e utilidade das redes sociais, porém, há o risco da pessoa ser enganada, ser convencida por uma inverdade, ou ficar totalmente desorientada, diante de "influenciadores" de orientações políticas opostas. Sem se falar nos canais especializados em criar falsas informações ou deturpar notícias verdadeiras, as conhecidas fake-news.

É possível se fazer um teste e conseguir obter um resultado correto e próximo da verdade? Não custa tentar, pois entender as eleições venezuelanas é uma oportunidade rara que nos oferecem as redes sociais. Vamos dar uma volta entre algumas delas, na busca de uma orientação segura para chegar a uma conclusão segura.

Mas é sempre bom lembrar haver maus perdedores. Donald Trump ao perder na tentativa de reeleição para Joe Biden espalhou a história de ter sido roubado e de ter havido fraude nas urnas e nas apurações. Acusação talvez possível de ser levada a sério, pois os EUA usam ainda o sistema de voto impresso e o envio do voto por correspondência.

Essa explicação de fraude nas urnas e nas apurações foi também utilizada pelo ex-presidente Bolsonaro ao perder a reeleição. Com uma ligeira diferença, Bolsonaro falava em fraudes nas urnas eletrônicas antes mesmo das eleições, gerando uma certa desconfiança quanto às suas intenções e deixando a suspeita de pretender recorrer ao argumento das fraudes, no caso de perder a reeleição. Tanto Trump como Bolsonaro são políticos da extrema-direita.

Mas vamos saber o que circula nas redes sociais e imprensa, em busca de uma boa orientação.

Começamos com o canal Opera Mundi, de Caracas, onde está o jornalista Breno Altman, que se refere ao comunicado do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela anunciando a vitória de Maduro. Ele explica ser digital o voto com identificação biométrica do votante mas com uma comprovação impressa - ou seja, depois de votar, o eleitor recebe um recibo confirmando ter votado, e esse recibo é colocado numa urna. Na chamada auditagem das urnas, existe a ata das urnas e a contagem dos recibos de votações, que devem ser iguais.

Breno conta ter havido tentativas de hackers, da Macedônia, tentando interferir na votação. As atas auditadas têm o prazo de 72 horas para serem autenticadas ou três dias. Em síntese tudo está em ordem, segundo Breno, é a direita e a extrema-direita que colocam em dúvida a validade do resultado das eleições.

No seu relato, Breno Altman citou o Centro Carter como o responsável pela criação do sistema eleitoral venezuelano, um dos mais confiáveis do mundo. Ora, o canal MyNews, de esquerda, conseguiu uma declaração oficial do Centro Carter criticando os resultados das eleições. De acordo com Sylvia Colombo, correspondente do MYNews, o Centro Carter funciona como uma ONG sem vínculos políticos. Ela também fala de restrições às atividades de jornalistas na Venezuela, razão pela qual preferiu não ir à Venezuela nas eleições.

Trechos da declaração oficial do Centro Carter circulam pela Internet e fazem sérias críticas às eleições, do tipo “O processo eleitoral da Venezuela não atendeu aos padrões internacionais de integridade eleitoral em nenhuma de suas etapas”.

O canal Meteoro, de esquerda, adota uma posição de cautela, reproduzindo entrevista da TV LCI, no qual se fala da campanha da oposição para descredibilizar Nicolás Maduro. Mas critica a ex-candidata Maria Corina, ultra liberal, que está chamando o exército para intervir no país.

O canal petista Brasil 247 sentiu a divisão criada dentro da esquerda por ter apoiado a reeleição do presidente Maduro, decisão reforçada com a declaração da dirigente petista Gleisi Hoffmann, com a posição do PT favorável ao presidente Maduro. Para o Brasil 247, a Venezuela é um posto avançado da luta contra o imperialismo americano. O canal critica a demora do Brasil em reconhecer a vitória de Maduro, mas a declaração neutra do presidente Lula vem sendo criticada por muita gente de esquerda como o jornalista Ricardo Kotscho, tanto no UOL como numa entrevista para o MyNews.

De uma maneira geral, a imprensa critica Maduro. O jornal Le Monde publica no seu sítio um vídeo no qual responde à pergunta - por que é contestada a vitória de Maduro? O canal UOL foi unânime nas críticas ao presidente Maduro.

Essas opiniões diferenciadas sobre as eleições na Venezuela ajudaram a formar uma opinião? Maduro é também criticado por permanecer muito tempo no poder. Com esse terceiro mandato ficará 17 anos na presidência. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI

 

domingo, 26 de maio de 2024

Venezuela - Luso-venezuelana quer exportar cacau para Portugal

Investigadora e produtora de cacau, a luso-venezuelana Anakarina Silva quer levar a sua marca, Catacacao, da Venezuela para o mercado europeu, a começar por Portugal, onde tem raízes e confessou à Lusa ter “um coraçãozinho português”


“O cacau venezuelano é muito apreciado na Europa. É conhecido como um dos melhores cacaus do mundo e é utilizado para melhorar ou realçar os sabores, porque produzimos cacau de sabor fino”, disse, avançando que a sua marca, Catacacao, foi fundada em 2017 e que vai apostar agora no mercado europeu.

“Queremos exportar para a Europa, e Portugal é o primeiro país onde queremos estar, e a partir daí fazer a distribuição. Temos um produto de qualidade para exportação e os manuais de procedimentos já estão prontos”, disse, sublinhando que tem raízes, família e “um coraçãozinho português”

Anakarina Silva explicou que, além da matéria-prima, podem ser exportados subprodutos como a manteiga de cacau, cacau em pó, pasta de cacau, licor de cacau e cacau a 100%.

“Em Portugal há ‘chocolatiers’ muitos bons e refinados, dos melhores da Europa, que podem usar a nossa matéria-prima para formular os melhores chocolates”, frisou.

Produtora e investigadora, Anakarina alertou que as alterações climáticas estão a afetar, em baixa, a produção de cacau na Venezuela, país onde a produção média ronda as 26 000 toneladas anuais, das quais mais de 50% são exportadas para a Europa e o Japão.

“As alterações climáticas e a seca têm afetado muitíssimo a produção. O cacau tem subido de preço porque há pouca oferta, porque a produção caiu muito devido ao clima, a seca tem sido muito longa”, disse.

Chef internacional, Anakarina Silva explicou que os produtores estão à espera das chuvas que tornam as árvores bonitas, verdejantes e que contentam os cacaueiros, mas há preocupação, porque, depois do fenómeno El Niño, que produziu longa seca, esperam La Niña, que pode gerar intensas chuvas e inundações, que afetam também a produção.

“Sinto que os cacaueiros vão ficar stressados com tanta seca e chuvas prolongadas”, frisou.

Anakarina explicou que, se um cacaueiro não tiver um sistema de irrigação, dará frutos para colheita duas vezes por ano, em dezembro e junho, quando pode dar cacau durante todo o ano.

Apesar de a Venezuela ser um país produtor de cacau, “sempre disseram que talvez não crescesse em Caracas por causa do clima e da altitude”, mas, em Los Campitos, onde produz o chocolate Catacacao, ela própria tem mais de 100 árvores de cacau, de diferentes origens e regiões do país.

“Fazemos todo o processo, desde a árvore e a semente. Torramos, debulhamos, descascamos, cuidando cada processo até chegar à barra de chocolate. O nome de Catacacao vem de catar, que significa saborear (…) Fazemos chocolates desde a semente, desde a origem. Não misturamos cacau, trabalhamos com cacau de origem.”, afirmou.

Anakarina explicou ainda que “cada cacau tem um sabor diferente” e que está a fazer um viveiro, um “banco genético”, que depois poderá ser usado nas distintas regiões do país.

“A genética do cacau venezuelano é realmente muito valiosa. Temos uma grande variedade de cacau crioulo”, disse, precisando que cada região do país tem tradições associadas.

“Em quase todos os lugares, quando estendem o cacau para o secar ao sol, cantam canções da região. São práticas ancestrais que não mudam, que são diferentes e isso é mágico. É por isso que eu digo que quando se come um chocolate de uma região, está-se a saborear as tradições desse lugar”, disse.

Anakarina Silva lamentou que nem todos os chocolateiros tenham a possibilidade de conhecer o campo onde nasceu o cacaueiro, o produtor, a rastreabilidade que identifica a origem de cada chocolate. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”



domingo, 31 de março de 2024

Venezuela – Réplica do Santuário de Fátima e comunidade portuguesa recebem elogios

O Governo das ilhas Canárias elogiou o empenho da comunidade portuguesa em promover a confissão mariana na Venezuela, através da construção de uma réplica do Santuário de Fátima, que parece ser pequeno para as muitas pessoas que o procuram


“Parece-me que está a ficar pequeno. Estar aqui é renascer na fé e foi isso o que senti hoje. Chegou um momento em que me apeteceu chorar [de emoção e fé] e há muitos anos que não sentia isso. Estar aqui é estar nas mãos de Deus e de Nossa Senhora de Fátima”, disse a delegada do Governo de Canárias para a Venezuela.

Isabel Jara, que é também presidente do Conselho de Residentes Espanhóis (CRE) na Venezuela falava à agência Lusa em Carrizal (26 quilómetros a sul de Caracas), durante uma visita ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, uma obra construída pela comunidade portuguesa local, inaugurada em outubro de 2022.

“É a primeira vez que visito o Santuário e estou realmente encantada, maravilhada. Passei uma manhã que me elevou o espírito e estou muito grata pelo convite”, frisou.

Por outro lado, explicou que, segundo dados do Consulado de Espanha em Caracas, na Venezuela existem atualmente 167 mil espanhóis, uma comunidade que era de mais de 200 000, mas que nos últimos anos diminuiu devido à emigração, ao “regresso ao seu país, sobretudo às ilhas Canárias”.

“Represento o Governo das Ilhas Canárias na Venezuela, fui nomeada [oelo Presidente] Fernando Clavijo, mas também sou o presidente do CRE que está presente em 63 países”, disse, precisando que atualmente “a emigração abrandou e que o país [Venezuela] tem estado numa espécie de ressurgimento”.

Por outro lado, elogiou a união, quer de portugueses, quer de espanhóis, sublinhando que esse é o caminho.

“A emigração é algo que deve estar sempre unida, porque emigrar não é fácil. Estar aqui e poder unir-se é bom. Se os seres humanos soubessem o que significa a união e estar juntos, seríamos mais felizes”, frisou.

De visita ao Santuário esteve também a professora da Universidade de Carabobo (170 quilómetros a oeste de Caracas) e também conselheira das Comunidades Portuguesas na Venezuela, Maria Fátima de Pontes, que continua impressionada como “a majestosidade” do Santuário.

“Estive cá depois da tragédia de Tejerías [de outubro de 2022, em que 54 pessoas morreram num aluimento de terras, entre os quais três portugueses], e fiquei marcada pelo santuário. Vim refugiar-me depois daquela desgraça e encontrei esta majestade, uma majestade de trabalho […] que não é uma simples obra arquitetónica”, construída durante 15 anos pela comunidade portuguesa de San António de Los Teques e Caracas.

Explicou ainda que, como conselheira local das Comunidades Portuguesas, tem tido conversações com a delegação do Governo de Canárias, que têm vários programas para atenção cidadã, que acredita poderem ser propostos ao Governo português, para aplicar em benefício dos portugueses radicados na Venezuela. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Brasil - Acnur afirma que o País pode ser “campeão global” no acolhimento de refugiados

O Brasil já acolhe 710 mil pessoas deslocadas à força de países afetados por crises como Venezuela, Haiti, Afeganistão, Síria e Ucrânia. O aumento de conflitos e violações de direitos humanos podem aumentar ainda mais os deslocamentos no mundo


Em 2023, o mundo atingiu o número recorde de 114 milhões de pessoas deslocadas à força, das quais 710 mil vivem no Brasil.

Segundo o representante no país do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Davide Torzilli, o retrato desta população é composto por cerca de 560 mil venezuelanos, 87 mil haitianos, 9 mil afegãos, além de pessoas de diversas outras nacionalidades.

Crises distantes

“O Brasil historicamente tem tido uma política de asilo, de proteção internacional muito aberta. Então o Brasil historicamente tem recebido refugiados de várias partes do mundo, também de crises que são muito distantes, muito longe do Brasil. Através do visto humanitário que mencionei, o Brasil recebeu milhares de refugiados da Síria, do Afeganistão, assim como também está recebendo refugiados da Ucrânia”.

Diariamente chegam da Venezuela uma média de 400 a 450 pessoas no Brasil. Segundo Davide, esse fluxo voltou a crescer depois de uma pausa pela pandemia e as pessoas que chegam “tem um perfil mais vulnerável e estão colocando uma pressão importante na resposta humanitária no norte do país.”

O especialista afirmou que o Acnur também está a olhar com muita preocupação a situação no Haiti, devido a violência de gangues e violações de direitos humanos que podem resultar num fluxo desta população para o Brasil no futuro.

Boas práticas no Brasil

Para Torzilli, a legislação brasileira pode ser considerada “generosa” e “avançada” por permitir uma ampla oferta de serviços e oportunidade de trabalho para refugiados e solicitantes de asilo.

“O Brasil tem muitas boas práticas, mas segue com esse compromisso de fortalecer a proteção internacional. E o Brasil vai ser um campeão, seguramente a nível regional, mas também a nível global”.

O representante do Acnur elogiou os avanços em 2023 da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apátrida e a inclusão de populações refugiadas e migrantes na Política Nacional de Saúde. No entanto, ele destacou que o “grande desafio é implementar as políticas”.

Aumento do deslocamento forçado no mundo

“A experiência da crise da Venezuela e da chegada de venezuelanos no Brasil mostrou que o Brasil precisava de um mecanismo mais previsível de resposta e de integração à pessoa refugiada para fluxo futuro dessas pessoas. O Brasil precisava de estar preparado num contexto global, onde vemos um aumento de conflitos, de situações de violência, de violações de direitos humanos, em que o deslocamento forçado da pessoa está se a tornar algo muito comum.  O Brasil reconheceu que precisava de uma política a nível federal para dar uma resposta”.

Sobre as estratégias de acolhimento e integração, o representante do Acnur destacou a metodologia da “proteção comunitária”, que encoraja o envolvimento dos refugiados na procura de soluções e na construção de políticas públicas nas comunidades onde passam a viver.

Segundo ele, essa tem sido uma abordagem importante para a integração de mais de 10 mil refugiados indígenas venezuelanos, que alcançaram maior autonomia por meio da participação em associações e conselhos indígenas nos locais de acolhimento.

Campanha anti-xenofobia

Sobre a ameaça do discurso de ódio, Davide mencionou que o Acnur pretende lançar em 2024 uma campanha anti-xenofobia para criar um ambiente de proteção e respeito pelos refugiados.

A ideia é destacar como os refugiados podem ser “agentes da mudança e do desenvolvimento”, compartilhando os seus conhecimentos e valores.

O especialista ressaltou ainda o trabalho com crianças por meio da “mala dos saberes deslocados”, um conjunto de 15 obras literárias infantis de autores de vários países que roda pelo Brasil sensibilizando este público sobre o tema do deslocamento forçado. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Moçambique – O escritor Dany Wambire participa no IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos que se realiza na Venezuela

O escritor e editor Dany Wambire vai participar, sexta-feira, no IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, realizado na Venezuela. A iniciativa integra as comemorações do centenário do nascimento do poeta Eugénio de Andrade.

Desde ontem até sábado, decorre o IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, na Cidade de Caracas, capital da Venezuela. Conforme esclarece a organização, o encontro está “integrado nas comemorações do centenário do nascimento do poeta português Eugénio de Andrade e reúne escritores de diferentes nacionalidades, que escrevem sobre realidades e temas diversos, todos utilizando o português como língua comum.

Entre os autores convidados ao IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, de Itália, Portugal, Macau, Moçambique e Brasil, faz parte Dany Wambire. Para o escritor e editor, “O IV encontro Virtual de Escritores Lusófonos na Venezuela é uma oportunidade para quebrar fronteiras à busca deste espaço comum, que é a língua portuguesa, ingrediente com o qual temos estado a confeccionar a nossa literatura. O número de falantes da língua portuguesa tem estado a crescer imenso no mundo, ampliando-se por via disso o campo de circulação da literatura”.

Durante a sua participação no evento venezuelano, o autor de A mulher sobressalente falará do lugar da literatura na sua trajectória e da possibilidade que a arte literária lhe dá de converter em coisas comuns uma data de fenómenos estranhos ou incompreensíveis. “Falarei, ainda, do crescimento que a literatura está a registar, com o surgimento de novas editoras e de novas vozes literárias, que chegam ao mercado já como uma certeza. Por fim, falarei do contributo que outras línguas nacionais têm dado à língua portuguesa, para o seu enriquecimento”, sublinhou Dany Wambire.

No IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos, Dany Wambire vai intervir às zero horas de Maputo de sexta-feira, num painel com Ana Cristina Silva (Portugal), Frederico Bertolazzi (Itália), Luiz Eduardo de Carvalho (Brasil) e Shee Vá (Macau).

O IV Encontro Virtual de Escritores Lusófonos será inaugurado pelo professor italiano Federico Bertolazzi, professor de literatura portuguesa na Universidade de Roma “Tor Vergata” e especialista na obra de Eugénio de Andrade, e conta com o apoio da Embaixada de Portugal em Caracas, do Instituto Camões, da Coordenação para o Ensino do Português na Venezuela, do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços), do Correio da Venezuela e dos Centros de Língua Portuguesa de Maracay y de Caracas. José dos Remédios – Moçambique in “O País”


segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Portugal - Concerto B-Me - Orquestra Juvenil Geração


A 23 de julho de 2023, a Orquestra Juvenil Geração realizou um concerto no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, celebrando a riqueza da diversidade cultural. Integrando uma parceria com o Sistema Chipre e o Sistema Grécia, no contexto do projecto B-Me co-financiado pela Creative Europe (União Europeia), estiveram em palco nove composições em estreia mundial, da autoria conjunta de compositores nacionais e músicos de origem migrante ou refugiados.

Na segunda parte do concerto, pode-se ainda assistir a outras obras do repertório da Orquestra Juvenil Geração. Na direção de orquestra tivemos os maestros Sandra Martins, Jorge Camacho, Jesús Olivetti e Juan Maggiorani. Orquestra Geração Sistema Portugal

 

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Venezuela - Presidente do Centro Português de Caracas quer preservar legado luso-venezuelano

O reeleito presidente do Centro Português de Caracas (CPC) pediu aos luso-venezuelanos para apostarem no fortalecimento, na ampliação e projeção do clube, sem esquecer o respeito pelos costumes e pelas tradições lusitanas


Paulo de Sousa falava, no domingo à noite, durante a cerimónia de tomada de posse dos membros eleitos que vão gerir os destinos do clube nos próximos 12 meses.

Esta reeleição “representa uma grande responsabilidade, a de continuar o legado de manter o prestígio, a qualidade humana, a excelência e a oportunidade de fazer a minha parte para promover novas iniciativas, de inovar e renovar, sem esquecer e respeitando costumes e tradições”, disse.

O responsável sublinhou que esse compromisso tem por base fortalecimento, ampliação e projeção.

“O fortalecimento refere-se à consolidação do que já temos, a uma melhoria da nossa gestão, à manutenção das nossas infraestruturas, do nosso serviço e dos nossos recursos, a ampliação se refere a aumentar o que oferecemos, a criar mais espaços, mais programas, mais eventos e mais benefícios. E a ampliação também se refere a difundir o que fazemos e a estar sempre presente e ao lado de todos os nossos associados”, disse.

Por todas estas razões, disse, é preciso “cooperação e apoio”: “não se trata de um projeto pessoal, mas de um projeto coletivo. Não é apenas uma tarefa para o presidente ou para o conselho de administração, mas para todos nós”.

“É por isso que vos convido a se envolverem, a contribuírem, a juntarem-se a nós, a participarem, porque com as vossas opiniões, experiência, talento e entusiasmo será mais fácil e mais rápido alcançar o sucesso que todos desejamos para este grande grupo”, frisou.

Na presença de mais de duas dezenas de associados do CPC, antigos presidentes, representantes das autoridades diplomáticas e consulares, Paulo de Sousa lembrou que é filho de madeirenses, membro do clube há mais de 20 anos e na direção há nove anos.

“Desde que entrei nesta casa senti-me acolhido, integrado e valorizado. Aqui encontrei um espaço único de convivência, aprendizagem, diversão e solidariedade”, frisou.

Fundado há 65 anos, o Centro Português de Caracas, é tido localmente como uma referência luso-venezuelana.

Paulo de Sousa foi eleito pela primeira vez como presidente do Centro Português de Caracas em finais do ano passado para o período 2022-2023. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo