Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 12 de junho de 2025

Macau - Enaltecido “inegável contributo” dos portugueses para a RAEM

É “inegável” o “contributo” dos portugueses para o desenvolvimento da RAEM – palavras do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, por ocasião das comemorações locais do 10 de Junho. O papel da comunidade tem sido “importante” em “múltiplos aspectos”, vincou o líder da RAEM, na recepção oficial. Já o Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, defendeu que “nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau” como o português, pedindo que a comunidade seja estimada


A música “Avião de Papel”, pela voz dos “Portugalitos”, o coro da Casa de Portugal, abriu a recepção oficial do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, – lado a lado com o Cônsul-Geral, Alexandre Leitão, o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, assistiu ao momento musical de sorriso no rosto. Mais tarde, enalteceu o “inegável contributo” da comunidade para o desenvolvimento da RAEM, renovou as promessas de “abertura ao exterior” e garantiu que o Governo irá manter “inalterados” por “um longo tempo” o sistema capitalista e a “maneira de viver”. Já o embaixador português falou num “propósito comum” de crescimento, diversificação de economias e internacionalização, e defendeu que “nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau” como o português.

Depois, ouviram-se os hinos da República Popular da China e de Portugal, mas não sem antes serem lançados ao ar aviões de papel, pelas crianças que cantavam na varanda do edifício da Bela Vista. Foi então altura de “Marcha dos Voluntários” e “A Portuguesa”. Vários elementos da comunidade portuguesa e macaense marcaram presença no local, além de titulares de altos cargos, como o Comissário dos Negócios Estrangeiros da RPC em Macau, Liu Xianfa, o director-geral do Departamento de Publicidade e Cultura do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM, Wan Sucheng, e o Secretário para a Administração e Justiça, André Cheong.

“Nestes últimos 25 anos em que Macau conheceu mudanças profundas, o contributo das comunidades portuguesas tem sido importante para o desenvolvimento saudável, em múltiplos aspectos, desta Região”, vincou Sam Hou Fai, durante o seu discurso. Aproveitou ainda a ocasião para agradecer “todo o apoio, esforço e cooperação” que a comunidade portuguesa tem prestado ao trabalho do Governo da RAEM, “bem como o inegável contributo que tem vindo a dar para o desenvolvimento económico e social de Macau”.

Sam Hou Fai garantiu depois que o Governo da RAEM continuará, “com o forte apoio do Governo Central”, a implementar o princípio “um país, dois sistemas” de uma forma que descreve como “abrangente, precisa e inabalável”, bem como a “cumprir a Lei Básica”. Nesse sentido, assegurou que irá manter “inalterados, por um longo tempo, o sistema capitalista e a respectiva maneira de viver, o estatuto de porto franco internacional e de zona aduaneira autónoma da RAEM e o sistema de direito europeu continental”.

No discurso que proferiu, afirmou que as autoridades continuarão a “defender as características multiculturais de Macau e a promover o desenvolvimento em todas as vertentes”, procurando assegurar e melhorar continuamente o bem-estar de todos os residentes de Macau, “incluindo as comunidades portuguesas”.

Dizendo que “os fortes e profundos laços históricos entre Portugal e Macau” já são conhecidos, encontrando-se reflectidos no Dia de Portugal, Sam Hou Fai sublinhou que se celebra também o maior poeta português, “que viveu uns anos em Macau e fez parte dos primeiros momentos deste encontro histórico de dois povos”. “Nunca é demais recordar que é por conta deste encontro centenário de culturas, nesta ‘janela para o exterior’ da China, que surge a ‘singularidade’ de Macau enquanto ‘único local do mundo que tem como línguas oficiais o português e o chinês’”, prosseguiu, citando o Presidente chinês, Xi Jinping.

Para Sam Hou Fai, a “cooperação amistosa” e “as boas relações” entre a China e Portugal “revelam um modelo exemplar de colaboração e intercâmbio entre dois países, prevalecendo sempre o respeito e consideração pelas suas diferenças sociais e culturais”. Também assinalou o reforço da cooperação entre a RAEM e Portugal nos domínios da economia e do comércio, da inovação científica e tecnológica, dos recursos humanos, dos cuidados médicos e de saúde, da educação e da cultura. E disse estar convicto de que, no futuro, serão “aprofundados, tirando-se bom proveito das características únicas de Macau”.

Aproveitando novamente as palavras do líder chinês sobre Macau como “lugar onde as culturas chinesas e ocidental se encontram”, devendo Macau “promover o intercâmbio internacional entre as pessoas”, o Chefe do Executivo reiterou o “empenho e compromisso” do Governo da RAEM na “concentração de esforços para a construção de uma plataforma de abertura ao exterior de nível mais elevado, no reforço da abertura bilateral com a Lusofonia e na promoção de uma cooperação abrangente de benefícios mútuos, que enriqueça e alargue ainda mais o papel e as funções de Macau enquanto plataforma sino-lusófona”.

“Nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau”

Por sua vez, Alexandre Leitão, também se fez valer das palavras do Presidente da RPC, que em Dezembro, ao recordar que Macau é o único local do mundo onde o chinês e português são línguas oficiais, “reforçou a esperança numa difusão alargada e no uso generalizado do português na Administração e na sociedade da RAEM” que, prosseguiu o Cônsul-Geral, “seriam inegavelmente vantajosos para a ‘plataforma importante para a promoção da cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa’”.

Assegurando que as empresas portuguesas estão preparadas para aproveitar uma “postura mais aberta e inclusiva para intensificar os laços internacionais e aumentar a projecção e a atractividade globais e o renome de Macau como metrópole internacional”, palavras que citou novamente, o embaixador acrescentou que “todos, na RAEM, estão conscientes do contributo das empresas e dos trabalhadores portugueses para o crescimento e a qualidade dos serviços da economia” do território.

Alexandre Leitão disse ainda ao Chefe do Executivo que “pode contar com a comunidade portuguesa para participar activamente no ambicioso desígnio de diversificação económica da RAEM” e pediu-lhe que estime a comunidade: “Compreendemos bem e partilhamos o desejo de abertura. Peço-lhe que acredite, senhor Chefe do Executivo, que nenhum povo será tão dedicado e leal a Macau como o nosso. Peço-lhe, por conseguinte, que estime os portugueses, todos os de Macau e os que vêm de fora, para contribuir para um futuro de prosperidade partilhada e a realização dos grandes projectos da RAEM”.

Recordou igualmente que, ao longo de séculos, os portugueses de Macau e os que aqui foram chegando “criaram laços afectivos indeléveis a este pequeno canto da grande China”. “Um pequeno canto que se fez grande, com o contributo da comunidade portuguesa que, como em qualquer parte do mundo, é trabalhadora, ordeira, dedicada à terra onde vive e desejosa de criar condições para que os seus filhos aqui possam viver”.

Apontando que está prevista a deslocação do líder da RAEM a Portugal, o Cônsul mencionou também a intenção de, como já foi dito, realizar em breve uma Comissão Mista. Já em relação aos serviços consulares, agradeceu o trabalho da equipa, “constituída quase na íntegra por macaenses”. Depois de ultrapassados os desafios pós-pandemia no Consulado, agora é tempo de “dedicar mais tempo a outros domínios”, como “o aprofundamento das relações diplomáticas, económicas e culturais de Portugal com as RAE de Macau e Hong Kong”.

Lembrando que o Chefe tem defendido a aceleração da abertura e da diversificação da economia, Alexandre Leitão acrescentou que “Portugal tem o mesmo desígnio”, pelo que há “um propósito comum”: crescer, diversificar as economias, internacionalizando-as, para “benefício dos nossos povos”.

Na ocasião, houve ainda um outro momento musical, pela Banda da Casa de Portugal, além dos habituais petiscos, numa celebração que se estendeu até às 20h30. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 6 de junho de 2025

UCCLA - Olivença celebra o 10 de Junho com inauguração do busto de Camões

No âmbito das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a cidade de Olivença prepara-se para uma celebração especial este 10 de junho. A data, que homenageia o poeta Luís Vaz de Camões e a língua portuguesa, será marcada pela inauguração de um busto em sua honra, oferecido pela UCCLA, simbolizando a forte ligação cultural entre Portugal e a comunidade oliventina.


A cerimónia ocorrerá na Rua Lope de Vega, um espaço emblemático da cidade, e contará com a presença de autoridades locais, representantes da UCCLA e membros da comunidade. O busto, esculpido em bronze e da autoria de Diogo Munõz, foi concebido para refletir a importância de Camões como exponente máximo da literatura portuguesa e da lusofonia.

O início das festividades está marcado para as 12 horas, na Praça da Constituição, com a intervenção do Alcalde de Olivença, Manuel González Andrade, e do Secretário-Geral da UCCLA, Luís Álvaro Campos Ferreira.

O programa inclui, também, a leitura de “Os Lusíadas” por alunos dos Centros Educativos de Olivença, uma degustação de petiscos portugueses e uma visita guiada à exposição “Camões - Pilar de Identidade Cultural”.

A finalizar as comemorações, terá lugar, pelas 21h30, na Praça de Espanha - Terreiro de Chão Salgado, a atuação musical de Princezito, de Cabo Verde, e de Rhodália Silvestre, de Moçambique.

Esta iniciativa, que assinala também os 40 anos da UCCLA, reforça o compromisso de Olivença em preservar e promover a herança cultural portuguesa, estreitando laços com as comunidades lusófonas e celebrando a riqueza da língua e da literatura que unem os povos.

As comemorações do 10 de Junho em Olivença representam um momento significativo de união e celebração da língua portuguesa, reafirmando o compromisso da cidade com a preservação e promoção da sua rica herança cultural.



Princezito

Carlos Alberto Sousa Mendes, de nome artístico Princezito, nasceu em Cabo Verde, quatro anos antes da independência, na ilha de Santiago, vila do Tarrafal - Monte Iria, zona onde a lendária cantadeira de Finason - Bibinha Kabral -viveu os últimos anos de vida, senhora de quem Princezito cobiçou a arte de cantar.

Estudou na escola da vila onde nasceu, desde muito cedo despertou a admiração dos professores e dos colegas, pela originalidade na escrita e declamação dos seus próprios poemas, arte que aprendera em casa com os irmãos mais velhos.

Durante os oito anos que viveu em Cuba, Princezito absorveu a grande diversidade cultural daquele país, dos ritmos e cantos afro cubanos passando pela música popular e contemporânea.

Foi o preceptor do projeto “AYAN”, registo discográfico que evidenciou a nova tendência do estilo Batuku e projetou a chamada geração Pantera. Uma produção que contou com a participação de Tcheka, Vadu, Djingo e do próprio Princezito que trouxe à terra uma réplica de “Lua”, a composição de sua autoria que tem vindo a marcar o sentido e a alma dos muitos que a escutam. Registada por Mayra (CD) e Lura (DVD).

Rhodália Silvestre

Filha de pais moçambicanos, nascida em Mbabane, na Swazilândia, em 1986. Desde muito cedo Rhodália mostrou talento para a música, não fosse o seu pai o Maestro Faustino António Chirute, um dos poucos africanos formados em regência de orquestras na ex-URSS e mentor do Majescoral - Maputo Jazz Espiritual Coral. Embora o progenitor tenha sido um dos principais influenciadores da sua carreira musical, nos fins de semana, o seu exercício musical balançava entre harmonias e ritmos que iam desde a música clássica, ao R&B, ao jazz, ao reggae, notando-se uma enorme influência dos ritmos africanos que, conjugados com afro-jazz, influenciaram a sua notável criatividade, através das suas composições musicais e sentido das suas letras.

Rhodália é por isso uma cantautora moçambicana, vencedora de vários prémios, destacando-se o prémio revelação Ngoma Moçambique 2017, a melhor voz de Moçambique no Ngoma Moçambique 2018, de novo a melhor voz no Ngoma Moçambique em 2022 e ainda o prémio Vibratoques da Vodacom. De referir que Rhodália Silvestre foi finalista na edição de 2025 do programa “Got Talent Portugal”.

Esta voz poderosa lançou o seu álbum de originais, Wansati, com 12 temas, editado em 24 de julho de 2020 pela produtora Modigi, com a colaboração do consagrado baixista moçambicano Sacre que, tal como ela, foi integrante do agrupamento moçambicano Banda Azul, sensação dos anos 2000 que tinha Rhodália (2006), como vocalista principal.

Possuidora de uma personalidade forte que se impõe com naturalidade, além de ser uma grande cantora, possui também outras capacidades em que, mais uma vez, sobressai a sua resiliência de grande lutadora. Canta em inglês, português, Zulu, Xhosa, Shangane, Swati e Chichewa, comunicando fluentemente nestas línguas.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Portugal - Comemoração ’10 de Junho’ deve ser em comunidades mais longínquas como as da Ásia-Pacífico

O Presidente português admitiu que o próximo 10 de Junho venha a ser celebrado junto de comunidades emigrantes portuguesas mais longínquas como as da Ásia-Pacífico, na Austrália, em Macau ou em Goa.



Na semana passada, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa assinalou a celebração, que no seu entender decorreu “de uma forma original”, do 25.º aniversário da transferência de administração de Macau de Portugal para a República Popular China.

“E, portanto, não se estranhará que um destes dias, num 10 de junho, nas celebrações fora do território físico português, se pense em comunidades tão mais longe, e que normalmente não são tão acessíveis como têm sido europeias, africanas, norte-americanas ou latino-americanas, como sejam as da Ásia-Pacífico”, disse.

Segundo o chefe de Estado, isso poderá acontecer junto de comunidades portuguesas da Ásia-Pacífico que “sejam mais longe ainda como a Austrália, ou sejam mais próximas como a China ou como a Índia, e nelas, naturalmente, Macau e Goa”.

O próximo 10 de Junho, em 2025, será o último que Marcelo Rebelo de Sousa irá celebrar enquanto Presidente da República, num modelo de duplas comemorações, em Portugal e junto de comunidades portuguesas no estrangeiro, que lançou no primeiro ano de mandato, em articulação com o então primeiro-ministro, António Costa.

Em 2016 o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas foi celebrado entre Lisboa e Paris, em 2017 entre o Porto e o Brasil, em 2018 entre os Açores e os Estados Unidos da América e em 2019 entre Portalegre e Cabo Verde.

Em 2020, devido à pandemia de covid-19, realizou-se apenas uma cerimónia no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, e em 2021 também só houve comemorações em território nacional, na Madeira.

Em 2022 as comemorações foram em Braga e no Reino Unido, e em 2023 no Peso da Régua, distrito de Vila Real, e na África do Sul, pela última vez com António Costa como primeiro-ministro.

Em 2024, já com Luís Montenegro na chefia do Governo, o 10 de Junho foi celebrado em três concelhos de Leiria afetados pelos incêndios de 2017 – Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera – e em Coimbra, e na Suíça. In “Mundo Lusíada” - Brasil 


segunda-feira, 24 de junho de 2024

Macau - Livro e exposição reúnem 34 anos de cartazes de Victor Marreiros

As preocupações da comunidade portuguesa, de Portugal e do mundo dominam os cartazes alusivos ao 10 de Junho em Macau, há mais de 30 anos criados por Victor Hugo Marreiros


Este ano, a Casa de Portugal em Macau, para quem todos os anos o artista cria o cartaz do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, decidiu reunir e apresentar os trabalhos de Victor Marreiros em livro e numa exposição, integrados na programação de Junho – Mês de Portugal no território.

Sempre com o tema do 10 de Junho como pano de fundo, a composição foi evoluindo ao longo dos anos, do mar e da cruz de Cristo para as preocupações da comunidade, as de Portugal e do mundo, disse à Lusa.

“As cores também falam e o mar, para mim, é a terceira cor portuguesa, para além do verde e o vermelho, porque sem o mar eu não existia e talvez a maior parte dos portugueses não estariam em Macau. Por isso, eu relaciono sempre o mar com a portugalidade. É a nossa existência do povo português”, considerou.

O primeiro cartaz data de 1990, ainda Victor Marreiros era funcionário do Instituto Cultural de Macau e os temas iniciais eram “mais o mar, mais a cruz de Cristo” e depois o poeta Luís Vaz de Camões.

“Eu também achei que devia fazer um intercalar para não aparecer sempre o Camões. Ninguém me pediu, mas eu comecei a fazer, às vezes era o Camões, outras a comunidade portuguesa”, contou.

“Com o decorrer dos anos, a liberdade que eu ganhei, a experiência que eu ganhei e também tornei-me mais sensível, cada vez tinha mais o Victor no cartaz, sempre respeitando os cartazes, sempre respeitando os temas… e assim surge a covid-19, a guerra da Ucrânia, ou as preocupações do residente de Macau, nomeadamente, o acréscimo das câmaras [de segurança] e a proibição do cigarro, que tocava a mim directamente. Tudo isso aparece no cartaz, consoante as oportunidades”, acrescentou.

Sobre os temas relacionados com Portugal e o mundo, Victor Marreiros lembra o papel da RTP Internacional, que o acompanha nas horas nocturnas de trabalho. “No ano passado, confesso que o tema [do cartaz] era só os acontecimentos em Portugal. Porque como português, mesmo longe, sentia-me agredido, porque as notícias que vinham pelo telejornal eram demais. Então, tomei a liberdade de pegar num caderno, quando ouvia o telejornal e apontar os temas que iriam ser um dos quadradinhos dos meus cartazes”, explicou, numa referência às várias polémicas no país.

“Foi um ano de escrever o que acontecia em Portugal, ou com os portugueses. É assim que começam as ‘variedades’ dos meus cartazes. Alguns, faço numa noite, outros ao longo do ano”, mas sempre a respeitar o tema, os clientes, os objectivos e as características funcionais do cartaz.

Manifestando-se grato “por ter a oportunidade de continuar a fazer” estas composições, o artista sublinhou que a inspiração pode surgir de “uma conversa, da preocupação dos residentes [de Macau] e alguns acontecimentos” e “desaguar num papel A4 ou numa tela”, nos cartazes ou em outros trabalhos que cria.

“Isto é uma pequena parte da minha vida profissional, gráfica, mas uma parte muito importante”, destacou, citando vários trabalhos, como tantos outros cartazes ou livros, tantos que muitas vezes tem que pedir à companheira, Grace, para confirmar se aqueles trabalhos são seus. “Porque eu não me lembro”, adianta.

Victor Marreiros define a sua profissão como designer, mas a forma de vida que escolheu “é de artista”.

Sem nunca ter feito uma exposição individual em Portugal, Victor Marreiros conta várias participações em diferentes colectivas, como no Japão, em 1999, ou em Taiwan, no ano passado. Esta é a quarta vez que expõe na Casa Garden da Fundação Oriente em Macau.

“A vida é doce para comigo, muito obrigado”, concluiu.

O livro “Victor Hugo Marreiros 10.6” foi lançado no sábado e a exposição está patente até 22 de Julho. Elsa Jacinto – Agência Lusa in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 12 de junho de 2024

Portugal - O ato de partilha mais generoso de Camões foi o da Língua – comissária das comemorações dos 500 anos

O ato de partilha “mais generoso” na busca de Camões foi “a Língua portuguesa”, que o poeta aperfeiçoou, afirmou neste 10 Junho a comissária das comemorações do 500.º aniversário do nascimento do autor d’”Os Lusíadas”


“Talvez o ato de partilha mais generoso dessa busca de Luís de Camões e do Portugal do seu tempo tenha sido a Língua portuguesa, a Língua que o poeta modelou e aperfeiçoou em versos de rara fineza”, afirmou Rita Marnoto, a comissária da estrutura de missão responsável pelas comemorações do quinto centenário do nascimento de Luís de Camões.

A também professora catedrática da Universidade de Coimbra discursava na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, na cerimónia de arranque das comemorações do quinto centenário do nascimento de Camões, iniciativa que integra o programa oficial do 10 de Junho.

Perante uma plateia onde estavam o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, José Aguiar-Branco, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, Rita Marnoto realçou a projeção da obra de Camões, quer no tempo quer no espaço, colocando o poeta no “patamar dos clássicos”, dos grandes autores “capazes de surpreender o seu próprio tempo e de continuar a questionar e a inquietar, ao caso, cinco séculos de história, até hoje”.

No seu discurso, a catedrática destacou também a forma como o Oceano Atlântico passou a ser navegado, ao longo de cinco séculos, “através da língua portuguesa”, através de viagens de poetas, nomeadamente de Camões.

No entanto, Rita Marnoto, não esqueceu que essas viagens de “experiência conhecimento” naquele oceano, foram também “viagens trágicas de negreiros, de tráfico humano e de corso, de deportação e de sofrimento”.

“Viagens de ‘morabeza’ [regionalismo do crioulo cabo-verdiano associado a amabilidade] e de saudade, em que a chegada nunca corta as amarras da partida”, acrescentou.

Na sua intervenção, a comissária realçou ainda a forma como Camões era um “ser insatisfeito”, que indagava pelos “meandros da intimidade, entre sonhos e desilusões” e que se destacava por refletir sobre o confronto “entre opostos ou a errância”.

Rita Marnoto notou também a forma como o poeta contamina a tradição literária, seja quando põe “uma mulher, Vénus” a achar a frota de Vasco da Gama, no final da sua viagem, ou quando põe em causa a ideia de beleza, tradicionalmente assente numa mulher “loura e com pele clara”.

“Os cabelos escuros de Bárbora e a sua pretidão são inconciliáveis com o padrão literário”, referiu a especialista, considerando que, o fascínio de Camões é tal, que o leva a “operar uma inversão do ideal de beleza”.

“Os seus cabelos pretos são tão belos, que há que rever a opinião que dá primazia aos louros, e a cor da sua pele faz com que seja a neve a querer mudar de cor”, notou.

Antes da comissária, discursou o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão que salientou a ligação que o poeta terá tido com a cidade, que é “uma forte candidata a ser reconhecida como lugar de formação do maior poeta de língua portuguesa”.

Na sua intervenção, Amílcar Falcão considerou que “a pátria de Camões não era tanto o Portugal real, mas o Portugal sonhado”.

“O Portugal tornado mundo na ilha dos amores. Nessa ilha sem tempo e sem lugar, onde apenas conseguem chegar os que superam os medos e se superam a si próprios”, vincou.

Também o reitor da Universidade de Coimbra destacou a “causa da língua portuguesa” como uma das causas que o poeta serviu, sublinhando que uma das grandes tónicas da obra de Camões foi “a busca do conhecimento, e a certeza de que essa será sempre uma busca inacabada”.

Comemorações

As comemorações do V centenário do nascimento de Luís de Camões arrancam oficialmente neste dia 10, dia em que se assinala também o aniversário da sua morte, estando prevista uma programação que se estenderá até 10 de junho de 2026.

Do programa das comemorações, comissariado pela professora, investigadora e especialista na obra de Luís de Camões Rita Marnoto, fazem parte espetáculos para teatro e cinema, iniciativas de comunicação através das redes digitais, programas para televisão e exposições.

Estão também previstas publicações especiais, um concurso escolar para professores e alunos, bem como ações de formação, segundo a programação apresentada pelo Ministério da Cultura na passada quarta-feira.

Entre as iniciativas para teatro e cinema, contam-se a representação da comédia “Filodemo”, em parceria com o Teatro Nacional D. Maria II, a elaboração de um breve filme de animação sobre a vida de Camões para os primeiros ciclos do ensino básico, e contratação de peças sobre o mesmo tema para apresentar em escolas.

Está prevista igualmente a realização de um ciclo de debates na Cinemateca Portuguesa sobre Camões, que terão por base os encontros da Biblioteca Nacional de Portugal e a colaboração com o Instituto do Cinema e do Audiovisual.

No âmbito da televisão, serão estabelecidas parcerias para leitura regular de poemas de Camões, será criado um programa em parceria com a RTP2 sobre o poeta e um documentário sobre a iconografia camoniana.

Será organizada uma grande exposição na Biblioteca Nacional de Portugal, intitulada “Revisitar Camões”, e exposições bibliográficas, uma itinerante para as escolas do 2.º e 3.º ciclos dos ensinos básico e secundário, e outra em parceria com o Instituto Camões, que percorrerá Goa, Macau, a Ilha de Moçambique e outros pontos do mundo onde se ensina a língua portuguesa.

No que respeita a publicações, há um plano especial de edições que inclui a reedição de livros e a publicação de inéditos, pela Biblioteca Nacional de Portugal, em parceria com a Imprensa Nacional Casa da Moeda.

As redes digitais vão desempenhar também um papel importante nestas celebrações, com a criação de uma plataforma de informação e acesso a conteúdos camonianos, a elaboração de um audiolivro de “Os Lusíadas” e da “Lírica de Camões” para distribuir pela rede escolar, em ficheiro de acesso livre, e a produção de uma série de 12 ‘podcasts’ sobre Camões, tendo cada episódio um convidado diferente. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


terça-feira, 11 de junho de 2024

Macau – Assinalado o Dia de Portugal com votos de amizade entre os povos

Ontem foi o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. O 10 de Junho foi assinalado também em Macau com a tradicional romagem à Gruta de Camões. Alexandre Leitão, cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, fez votos de amizade entre o povo português e o de Macau e da República Popular da China



Comemorou-se ontem o 10 de Junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Em Macau, cantou-se “A Portuguesa” e seguiu-se a habitual romagem à Gruta de Camões. Em representação do Governo de Portugal, esteve em Macau a ministra portuguesa da Justiça, Rita Alarcão Júdice.

Na ocasião, Alexandre Leitão destacou a importância do Dia de Portugal, descrevendo-o como “o dia maior da vida diplomática”. Citado pela TDM Rádio Macau, o cônsul-geral português afirmou: “É o dia do nosso país, é o dia que evoca o nosso poeta maior, é o dia que evoca as comunidades portuguesas que estão em toda a parte e aqui em Macau estão com particular relevo, são mais de 150 mil. É um dia incontornável e sempre uma grande honra”. Alexandre Leitão apontou a “novos rumos” de “entendimento, parceria e amizade com o povo de Macau e da República Popular da China”. À margem das celebrações, Alexandre Leitão disse ainda que devem ser aproveitadas as potencialidades da cooperação entre Portugal e Hong Kong.

Também à Rádio Macau, a ministra portuguesa descreveu a sua presença em Macau para assinalar o 10 de Junho como “um grande privilégio”. Este “é um dia extraordinário para Portugal, para as comunidades portuguesas, para a língua portuguesa que aqui em Macau também tem a sua presença, e para o poeta que faz 500 anos e que também por aqui passou”. “É uma grande honra para mim poder estar a participar nestes festejos em Macau”, sublinhou.

A romagem à gruta contou com a presença de dirigentes de associações de matriz portuguesa. Amélia António, presidente da Casa de Portugal, aproveitou a oportunidade para pedir mais atenção do Governo de Lisboa às questões relacionadas com a área da Justiça em Macau, após não ter sido renovada a licença do juiz português Carlos Carvalho. Uma decisão “desastrosa”, afirmou Amélia António à emissora.

“Penso que Portugal às vezes anda distraído. Esta recusa da renovação de um dos magistrados é desastrosa. Primeiro, porque faz muita falta. Segundo, porque é um sinal muito negativo dado ao Governo local. São coisas que em Portugal não se avalia, coisas que são de rotina lá, aqui não são de rotina”, afirmou a presidente da Casa de Portugal à TDM.

Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses e da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM), também esteve presente e afirmou que a RAEM devia “facilitar a residência dos portugueses”, o que “seria um grande gesto das autoridades”.

Cooperação com Portugal “é um modelo exemplar”, diz o chefe do executivo

Ontem, ao fim da tarde, o Chefe do Executivo discursou na recepção na Residência Consular, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas. Na ocasião, Ho Iat Seng apresentou as suas “saudações festivas e sinceros cumprimentos ao povo português, aos portugueses que vivem em Macau e à comunidade macaense”.

No discurso, o Chefe do Executivo descreveu a relação entre a China e Portugal como “um modelo exemplar de cooperação e intercâmbio entre dois países que têm diferente sistema social, contexto histórico e dimensão territorial”.

Ho lembrou ainda os “laços profundos” entre Macau e Portugal: “A cooperação e o intercâmbio entre as duas partes nos domínios da economia e do comércio, da inovação científica e tecnológica, dos recursos humanos, dos cuidados médicos e de saúde, da educação e da cultura têm sido continuamente reforçados”.

O Chefe do Executivo recordou também que, em Abril deste ano, realizou-se em Macau a VI Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, “demonstrando os resultados frutíferos do aprofundamento da cooperação económica e comercial e dos intercâmbios humanísticos e culturais entre a China e os países de Língua Portuguesa”.

“Macau, o elo de ligação e a ponte das relações sino-portuguesas, irá potenciar ainda mais a sua função de Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países da Língua Portuguesa”, afirmou, acrescentando que a RAEM irá aproveitar “a oportunidade proporcionada pela iniciativa Uma Faixa, Uma Rota para continuar a fomentar uma colaboração frutífera tripartida com Portugal e o interior da China, visando o progresso e o desenvolvimento compartilhados”.

Ho Iat Seng assinalou também que “o desenvolvimento da RAEM tem sido concretizado de forma saudável nos seus múltiplos aspectos, a diversificação das indústrias começou a produzir efeitos, a integração entre Macau e Hengqin e a construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau foram aceleradas de forma constante, dando início a uma nova conjuntura de recuperação económica”, acrescentando que “estas realizações são inseparáveis dos esforços incessantes das comunidades portuguesas de Macau, e comprovaram a sua tenacidade, a dedicação e o profissionalismo”.

No discurso, o Chefe do Executivo aproveitou para agradecer às comunidades portuguesas pelo seu “apoio e cooperação no trabalho do Governo da RAEM, bem como o seu contributo para a promoção do desenvolvimento económico e social de Macau”.

“Faço votos para que a amizade entre a China e Portugal, e entre os seus povos, perdure para sempre! E que, juntos e de mãos dadas, criemos um futuro risonho!”, concluiu o Chefe do Executivo.

Portugueses sem convite obrigados a esperar mais de uma hora à porta da Residência Consular

Dezenas de portugueses que queriam participar na recepção do 10 de Junho na Residência Consular foram obrigados a esperar mais de uma hora à porta até que terminassem os discursos oficiais e que o Chefe do Executivo deixasse o local. Inicialmente tinha sido indicado que as portas da Residência Oficial da Bela Vista abriam às 18h30 e que a entrada era livre para os portadores de cartão do cidadão ou bilhete de identidade da República Portuguesa. O que acabou por se verificar foi que os portugueses sem convite foram barrados pelos seguranças. Segundo relatos ouvidos pelo Ponto Final, a situação originou várias críticas por parte dos portugueses que queriam estar presentes, descrevendo a situação como “ridícula” e “humilhante”. Pelas 19h30, já muitos dos cidadãos tinha abandonado o local, mas ainda restavam cerca de três dezenas que continuavam à espera para entrar. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


sábado, 19 de junho de 2021

Brasil – Capital do Maranhão, São Luís, passa a ter Semana de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas


A capital do Maranhão, São Luís vai passar a ter oficialmente a “Semana de Portugal, de Camões, e das Comunidades Portuguesas”.

A Lei Municipal 6902/2021, originária do projeto de lei de autoria do Vereador Dr Gutemberg, foi sancionada pelo Prefeito Eduardo Braide, que é também luso-descendente, na última semana.

De acordo com o Conselho da Comunidade Luso Brasileira do Maranhão, foi incluído no calendário municipal a Semana de Portugal, Camões, e das Comunidades Portuguesas, a ser comemorado na semana do 10 Junho.

“A semana de que se trata a presente lei tem como objetivo homenagear e dar reconhecimento à contribuição de todos os imigrantes portugueses que se estabeleceram na cidade de São Luís, e seus dependentes, por sua participação na formação e desenvolvimento da cidade” informa o documento em que o prefeito sanciona a referida lei do município.

O poder executivo fica autorizado a promover os eventos alusivos a data, como seminários, palestras, feira cultural, envolvendo a Secretaria da Educação e Cultura.

No último dia 10, o prefeito Braide participou da entrega de requalificação da Praça Portugal. “Todos os presentes agradeceram o prefeito Eduardo Braide, pelo apoio e pela realização do projeto que visa homenagear a comunidade portuguesa, que tanto já fez e faz pelo nosso povo” divulgou o vereador Gutemberg. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

sábado, 12 de junho de 2021

Venezuela - Portugueses perdem importância e representatividade

O presidente da Universidade Metropolitana de Caracas, uma das mais prestigiadas da Venezuela, instou os portugueses a recuperarem a quota de comércio e de poder que já tiveram num país que considera continuar a ser de oportunidades

“Eu não tenho visto, ultimamente, nenhum lusodescendente na Federação de Câmaras de Comércio, na Câmara Venezuelana da Indústria de Alimentos e no Conselho Nacional de Comércio e Serviços. Todos os [seus] representantes são descendentes de espanhóis e italianos”, disse Luís Miguel da Gama.

O luso-venezuelano falava, na noite de quinta-feira, durante as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorreram no Centro Português em Caracas, clube que celebrou também o 63.º aniversário da sua fundação.

“Onde estamos? O que estamos fazendo? Porquê, se tínhamos essa quota de comércio e de poder não estamos aí? Isto é para refletir”, enfatizou.

O presidente da Universidade Metropolitana de Caracas, que foi convidado especial da cerimónia, sublinhou: “Devemos sentir-nos orgulhosos de ser portugueses e onde estivermos representamos Portugal”.

“Onde há um português esse espaço cresce (se multiplica), geramos família, progresso, tecnologia, trabalho, princípios e valores. Há que dizer isso aos nossos filhos. Geramos puras coisas boas, não há gente como a gente”, afirmou.

Quanto à Venezuela, explicou, que “a situação é complexa” : “Não podemos tapar o sol com um dedo. O mar está picado (agitado), bem picado e é complexo cambiar o mar”.

“Mas vocês sabem, melhor do que eu, que os portugueses foram os melhores navegadores. Podemos mudar esse mar, essa embarcação. Podemos decidir a que velocidade vamos, onde vamos, com que clima e ambiente. Então não há desculpas”, acrescentou.

Luís Miguel da Gama precisou que a nível “macro a situação é complexa, [mas] no micro há oportunidades”.

“Todos os dias vai sair gente a chorar às ruas e outros que riem. Têm que escolher a qual equipa vão subir para continuar. Um pensamento positivo sempre vai ajudar. Temos que recuperar esse espírito aventureiro de onde viemos”, explicou.

Por outro lado, fez “um especial reconhecimento pelo trabalho da embaixada e do consulado”, ao embaixador de Portugal em Caracas, Carlos de Sousa Amaro, e ao cônsul-geral Licínio Bingre do Amaral.

“A verdade é que no marco das relações bilaterais têm estado bem presentes e defendido os interesses da comunidade. Muito obrigado, senhor, embaixador Amaro. Muito obrigado, senhor, cônsul Licínio, pelo que fazem pela Venezuela”, frisou.

Durante a sua declaração, Luís Miguel da Gama citou como exemplo de orgulho os prémios Nobel Egas Moniz e José Saramago, Henrique, o Navegante, Luís de Camões, o marquês de Pombal, Fernando Pessoa e Amália Rodrigues.

No desporto recordou Cristiano Ronaldo, Figo e Eusébio, e no plano religioso Nossa Senhora de Fátima, “que sempre” cuida e a quem rezou para que tudo lhe corresse bem na sua intervenção.

Filho de madeirenses, Luís Miguel da Gama, 57 anos, nasceu em Caracas. É atualmente presidente do conselho superior da Universidade Metropolitana, instituição a que também preside.

É também presidente executivo da rede de supermercados Gama (propriedade da família). Entre 1984 e 1985 foi analista de crédito do Banco de Venezuela e entre 1985 e 1989 foi gerente do Banco do Orinoco para a Região Capital.

Gama é graduado em Ciências Administrativas pela Universidade Metropolitana, com especialização em ‘Banking & Finance’, na mesma instituição. Fez ainda estudos sobre ECR (resposta eficaz ao consumidor) no Instituto de Tecnologia de Estudos Superiores de Monterrey, México. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


sexta-feira, 11 de junho de 2021

Macau - Ser poeta (e patriota) é ser mais alto

O dia é de Camões, mas o início do poema “Ser Poeta” de Florbela Espanca cai que nem uma luva nas cerimónias do 10 de Junho que tiveram lugar no território na manhã de ontem. O habitual hastear da bandeira portuguesa e a romagem à gruta de Camões fizeram-se com a pompa e circunstância possível em tempos incertos de pandemia


Nem mais segundo, nem menos segundo. Às 9h da manhã de ontem, quem passava em frente ao Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, situado no centro da cidade, podia ouvir alto e bom som “A Portuguesa” a ser tocada pela banda do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), enquanto dois elementos do Grupo de Escuteiros Lusófonos de Macau içavam as bandeiras portuguesa e da União Europeia. Ontem, para quem não sabe, foi Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Foram, certamente, algumas dezenas de pessoas aquelas que por ali estiveram presentes e ainda mais uns quantos curiosos que passavam e ficaram a assistir. A cerimónia durou um abrir e fechar de olhos, mas foi o tempo suficiente para que todos ali presentes, em uníssono, cantassem “A Portuguesa” de pulmão aberto. Ontem, sentiu-se patriotismo no número 45 da Rua Pedro Nolasco da Silva, que apenas abriu portas para a ocasião, ontem local encerrado, por ser feriado em Portugal.

Por esta altura o calor já se fazia sentir forte no território. Facilmente, as pessoas se queixavam da temperatura e do suor incomodativo tão cedo. “Já terminou a cerimónia?”, questionou uma senhora que chegou atrasada. “Sim, começou mesmo às nove horas, respondeu outra. “Nem parecem portugueses”, voltou a falar a primeira. E por ali ficou a conversa.

Entre beijinhos e abraços, muitas foram as conversas de circunstância. Ainda assim, o tempo não se podia perder. Pelas 10h, outra cerimónia, desta vez no Jardim Luís de Camões com a tradicional romagem à gruta do poeta.


Depois de um ano de interregno

“Este Camões, esteve ou não esteve em Macau?”, perguntou um homem para outro. “Que importa isso agora. Hoje é dia de Portugal”, respondeu o outro. Num dos principais e mais antigos jardins do território, agora mais restrito devido ao surto de Covid-19 que surgiu na vizinha província de Guangdong, começaram a chegar algumas das caras que haviam estado no edifício do antigo Hospital de São Rafael, hoje o único imóvel propriedade do Estado português em Macau, depois da transferência de administração no final de 1999.

Todas (ou quase todas) as instituições de matriz portuguesa do território se fizeram representar no momento simbólico de homenagear o expoente máximo da literatura portuguesa. Depois de no ano passado a cerimónia ter sido suspensa, ontem os tradicionais arranjos florais estavam montados à boca da gruta, cada um de sua forma, cada um de sua cor. Portugueses, africanos, macaenses, chineses e até anglo-saxónicos. Foram muitos os que, de uma forma ou de outra, não quiseram perder pitada do momento.

Depois de declamado um poema de Camões a diversas vozes dos alunos da Escola Portuguesa de Macau – a escolha recaiu no soneto “Quem diz que Amor é falso ou enganoso” –, o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Paulo Cunha Alves, foi cicerone na breve deslocação à gruta de Camões, onde foi erguido um busto de homenagem ao poeta d’ Os Lusíadas. Uma breve reverência foi o que se viu por parte do diplomata, secundado por dois elementos dos escuteiros.


Em surdina, alguém comentava as escolhas de Fernando Santos para o Europeu de futebol que de avizinha. Portugal defende o título conquistado em França, em 2016, num grupo considerado de “morte”. Morte, leram bem. “Não temos quaisquer hipóteses”, dizia um indivíduo macaense para um outro português. “Não sejas maluco. Tens de ser mais patriota”, respondeu o interlocutor. E a conversa ficou por ali, pois o dia era solene demais para se estar a falar de coisas mundanas.

A fila de espera na romagem, apesar do bom dia de sol, era curta se comparada com outros anos. A pandemia de Covid-19, aliada ao possível e generalizado desinteresse da comunidade portuguesa do território, explicam a rapidez com que aconteceu a homenagem. Chegou-se, viu-se e, depois de dois ou três dedos de conversa, venceu-se.

Tempo ainda para Rita Santos, conselheira das Comunidades Portuguesas e presidente do Conselho Regional dos Conselheiros das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, cantar, de cor, um canto d’Os Lusíadas, depois do desafio de Paulo Cunha Alves. Não falou, não declamou. Cantou literalmente uma das partes da obra máxima da literatura portuguesa, quiçá lusófona.

Como acabou, assim terminou. Cerca de trinta minutos foram suficientes para pontuar uma cerimónia que, em tempos considerados normais, duraria mais de uma hora. Houve quem ficasse pelo jardim a trocar mais um ou dois dedos de conversa, enquanto, ali ao lado, algumas mulheres praticavam, com leques vermelhos, harmoniosas manobras estilosas de tai chi chuan. O calor, esse, começava a atingir laivos de obscenidade.


Amizade secular

Para o início da noite, estava reservada a recepção à comunidade portuguesa na residência oficial do cônsul-geral de Portugal instalada no antigo Hotel Bela Vista. Sem os habituais comes e bebes, petiscos e iguarias do “nosso” Portugal, o evento acabou por ser mais sisudo e desprovido daquele calor humano, mas ainda com muito calor atmosférico.

Na troca de discursos, o cônsul-geral de Portugal, Paulo Cunha Alves, lembrou o importante papel da comunidade portuguesa em Macau e agradeceu ao Governo de Macau e ao Governo da República Popular da China pela amizade secular.

Ladeado por alguns dos altos cargos da RAEM, incluindo os representantes do Gabinete de Ligação do Governo Popular Central na Região Administrativa Especial, o Chefe do Executivo da RAEM lembrou, que com a ajuda da China, Macau tem vindo a lutar com galhardia contra a pandemia de Covid-19 e “os portugueses e macaenses têm tido um papel muito importante”. Ho Iat Seng destacou ainda as “fortes relações de Macau e da China com Portugal e com os portugueses”, dando os parabéns a todos aqueles que, com o seu trabalho, têm ajudado no progresso do território. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”










quinta-feira, 10 de junho de 2021

Lusofonia - Países lusófonos destacam cooperação com Portugal nas mensagens alusivas ao 10 Junho


O Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, saudou Portugal pelo seu dia nacional, enaltecendo, numa mensagem enviada ao homólogo português, o nível das relações bilaterais e da parceria estratégica de Cabo Verde com uma “grande nação amiga”.

Na mensagem enviada a Marcelo Rebelo de Sousa por ocasião do 10 de junho, divulgada pela Presidência da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca expressa o “apreço coletivo dos cabo-verdianos pela excelência das relações” entre os “dois países e povos”, unidos “por um percurso histórico, cultural e de amizade, bem como de partilha de valores e interesses comuns”.

Sublinhando a importância da data “para todos os falantes de língua portuguesa”, o chefe de Estado cabo-verdiano e presidente em exercício da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) aponta o objetivo de, em conjunto, “fortalecer os laços de amizade e de solidariedade”.

“Bem como os de cooperação, tanto a nível bilateral – consubstanciados hoje numa profícua Parceria Estratégica – como a nível multilateral, designadamente no quadro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP, para benefício mútuo dos nossos países e povos”, lê-se na mensagem.

Angola

O Presidente de Angola, João Lourenço, destacou hoje o percurso “notável” de Portugal, que o tornou uma referência ao nível da tecnologia, ciência e turismo, e congratulou-se com a “vitalidade crescente” entre os dois países.

“Gostaria de destacar, nesta data histórica para a vossa Nação, o percurso notável do povo português, que tem conseguido, com o seu engenho, fazer de Portugal uma referência ao nível global em aspetos relevantes da tecnologia, da ciência e também como um destino acolhedor para vários povos do mundo que se cruzam no vosso território e desfrutam da diversificada oferta cultural”, refere o Presidente angolano.

A mensagem de João Lourenço dirigida ao Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, a propósito das comemorações, destaca ainda que a oferta cultural de Portugal expressa através da língua portuguesa une os países “e dinamiza a concretização dos objetivos comuns no quadro da CPLP”.

“Satisfaz-me constatar que as relações entre os nossos dois países se processam com uma vitalidade crescente em benefício do contínuo aprofundamento da cooperação bilateral”, refere.

Guiné-Bissau

O Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, disse em mensagem alusiva à celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que quer Portugal como parceiro “singular e privilegiado” em todas as áreas da cooperação.

“Quero aproveitar esta solene ocasião para assegurar a Vossa Excelência a firme determinação das novas autoridades da Guiné-Bissau em estreitar e aprofundar cada vez mais os laços que nos unem à Pátria de Camões, elegendo Portugal como parceiro singular e privilegiado em todos os domínios da cooperação, com o objetivo da construção de um futuro de prosperidade partilhada e da criação de um mundo mais justo, seguro e melhor para todos”, salienta Umaro Sissoco Embalo na mensagem enviada a Marcelo rebelo de Sousa.

O chefe de Estado guineense destaca também que “Portugal e a Guiné-Bissau iniciaram recentemente um auspicioso caminho de recuperação de décadas perdidas com vista à reconstrução de uma relação histórica, inabalável e pejada de futuro”.

Marcelo Rebelo de Sousa realizou em maio uma visita oficial à Guiné-Bissau, a primeira feita por um chefe de Estado português em 30 anos, depois de Umaro Sissoco Embaló ter feito uma a Portugal, em outubro, de 2020.

EUA

Além dos países lusófonos, a presidência dos Estados Unidos também felicitou hoje Portugal pela comemoração do seu dia nacional e destacou a liderança portuguesa na resposta à crise climática durante a presidência do Conselho da União Europeia (EU).

“[A Presidência Portuguesa ajudou] a reduzir as emissões de carbono em pelo menos 55% até 2030, de acordo com a nova Lei do Clima da UE, e acolheu reuniões de alto nível sobre questões sociais e da Índia durante a sua Presidência”, traz mensagem do secretário de Estado Antony J. Blinken para assinalar o Dia de Portugal.

O governante destacou também que os dois países mantêm “uma relação profunda e duradoura, iniciada quando Portugal reconheceu os Estados Unidos em 1791”.

“Desde então, a nossa relação tem-se tornado cada vez mais forte e passa a incluir a cooperação num vasto leque de ameaças e desafios globais”, salientou.

O secretário de Estado norte-americano salientou também que através da NATO, das Nações Unidas e organizações regionais os dois países têm trabalhado “para promover a democracia, a cooperação em defesa, o comércio livre e justo e o Estado de Direito”.

“Como amigo de longa data, os Estados Unidos expressam os seus votos mais calorosos ao povo português, ao celebrar este dia tão especial”, concluiu a nota. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

quarta-feira, 9 de junho de 2021

UCCLA - Presente nas cerimónias comemorativas do Dia de Portugal em Olivença


A Câmara Municipal de Olivença, que se associou à UCCLA, vai comemorar o Dia das Comunidades Portuguesas e Camões - dia 10 de junho - numa sessão oficial com conferências culturais e educacionais sobre a lusofonia, na Casa da Cultura, que terá início às 10h30 de Portugal e às 11h30 de Espanha.

A sessão comemorativa será inaugurada pelo presidente da Câmara Municipal de Olivença, Manuel J. González Andrade, seguindo-se a intervenção do Secretário-geral da UCCLA, Vitor Ramalho.

As comemorações - que serão apresentadas por Eduardo Naharro-Macías Machado, professor da Aula de Lengua e Cultura Portuguesa da Universidade Popular de Olivença - contarão com as seguintes intervenções:

- Escritor e político português Manuel Alegre;

- Secretária da Cultura do Departamento de Cultura, Desporto e Turismo da Junta de Extremadura, Miriam García Cabezas;

- Secretária de Educação e Cultura de Porto Seguro (Brasil), Dilza Reiss Saigg;

- Primeiro Vice-Presidente do Conselho Provincial de Badajoz, Ricardo Cabezas Martín;

- Vereador da Câmara Municipal de Belmonte, Amândio Melo;

Decorrerão, paralelamente, iniciativas culturais que serão conduzidas por duas apresentações denominadas 'O Humanismo de Cabral' do escritor João Morgado e a de 'Frei Henrique e Olivença - Além-Mar' de Eduardo Naharro-Macías Machado.

Neste dia, que também comemora a morte do ilustre escritor Luís Vaz de Camões em 1580, a cidade reúne povos das duas margens do Guadiana e da lusofonia em torno de várias atividades culturais para celebrar um passado comum, um presente de convivência e um futuro de oportunidades.

As celebrações podem ser acompanhadas ao vivo através da página do Facebook da Câmara Municipal de Olivença através da ligação:

https://m.facebook.com/excmoayuntamientodeolivenza/


 

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Macau - Técnicas da produção do azulejo português em mostra no pavilhão do Lou Lim Ioc

A Casa de Portugal está a organizar um programa com várias actividades para a população, nomeadamente exposições, cinema, concertos, entre outros, no âmbito da celebração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Hoje vai decorrer no pavilhão Chun Chou Tong, do Jardim de Lou lim Ioc, a abertura de uma exposição didáctica do azulejo português, onde serão exibidos vários trabalhos da arte da azulejaria. O propósito da mostra será de dar a conhecer as principais técnicas e expressões estéticas do azulejo

Por via das comemorações do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a Casa de Portugal em Macau (CPM) vai organizar várias exposições, uma de azulejo intitulada “Mostra Didática do Azulejo Português”, e outra de aguarelas denominada “Macau em Aguarelas”. Na semana passada houve também a inauguração da exposição de joalharia designada “Novo Mundo”, que estará patente até dia 27 de Junho.

Hoje, às 18:30, no pavilhão do Jardim do Lou Lim Ioc, vai ser a grande abertura da “Mostra Didáctica do Azulejo Português”, que estará exposta até dia 20 de Junho. A exposição de azulejos será, tal como o nome implica, uma mostra de técnicas de azulejaria, não estando nenhum artista em particular a expor os seus trabalhos.

O curador do evento, o mestre de cerâmica das oficinas da Casa de Portugal em Macau José Matos, falou ao Ponto Final acerca da exposição. “A exposição não vai ser acerca de trabalhos de alguém em especial, mas sim de trabalhos feitos na oficina da escola de cerâmica da CPM, com o principal objectivo ser dar a conhecer um pouco dos vários tipos de técnicas de azulejaria que se faziam em Portugal”, começou por explicar. “Desde os mais antigos azulejos, que herdámos dos hispano-mouriscos que tinham técnicas que vinham do tempo dos árabes que passaram para a Península Ibérica e depois foram exploradas em Espanha e Portugal, e depois passa pelo azul e branco que vem da China”, prosseguiu.

O professor de cerâmica reitera que o que pretende fazer é fundamentalmente mostrar as diferentes técnicas utilizadas. “Vamos mostrar a técnica majolica ou os painéis que temos aqui, juntamente com alguns maiores que foram realizados na escola. Principalmente, quero expor os designs de azul e branco que é o que se conhece mais”, nota.

Como existem várias outras técnicas, o professor explica que vai apresentar cada uma com uma pequena explicação de como é que elas se fazem. “Vamos ter uma pequena banca montada com o processo de manufactura. Vamos ter cada uma das técnicas abordadas, daí o uso do termo ‘didáctico’ no nome do evento porque vamos mostrar o processo de fabrico de cada técnica. E à parte disso vamos ter alguns trabalhos postos de cursos que fizemos este ano. Vamos ter também duas pessoas a trabalhar ao vivo, que são duas alunas da escola, que vêm fazer um trabalho ao vivo de pintura de azulejo, no fim de semana”, acrescentou.

Em relação ao nível dos trabalhos expostos, o professor responde que alguns dos trabalhos são mesmo de mestres pintores. Porém, enfatiza que o propósito da exposição não é promover trabalhos de ninguém. “Pedimos e convidámos certas pessoas com o intuito de mostrar a técnica que usaram. Não é de maneira nenhuma uma exposição de autores, até porque o catálogo não está feito com identificação de autores, mas sim pela identificação de técnicas, e é um catálogo também didáctico que explica sucintamente como é que cada uma das técnicas é feita”, refere José Matos.

“Alguns dos trabalhos foram feitos durante estes últimos dois meses e meio do último curso que fizemos de ‘Figuras de Convites’ compostas”, assinala. Figuras de Convites “são as figuras nos azulejos, de tamanho real, que costumamos ver às entradas dos palácios e jardins portugueses e que convidavam a entrar os soldados nos tempos de antigamente. É tal e qual a imagem que está no nosso cartaz de divulgação. A partir desse tema foi proposto aos alunos fazerem algumas abordagens, e esse resultado também está aqui na exposição”, acrescenta.

Os azulejos que continuamos a admirar já existem há séculos, e uma das suas características principais e mais valiosas é realmente a sua durabilidade. São relíquias onde continuam a ser fixados os momentos históricos, de lazer, os momentos culturais, e duram vários séculos. Ao contrário do papel, estes podem estar sujeitos a más condições climáticas, que normalmente duram para sempre.

Em relação ao estado da indústria, o professor que se encontra a trabalhar em Macau há menos de dois anos refere: “A produção artesanal em Portugal, na parte mais tradicional de pintura e de forma mais manual de fazer, continua a ser feita, como em Espanha e outros países. Mas é claro que o azulejo evoluiu com uma transformação mais industrializada e com processos mais industrializados. O azulejo como processo decorativo, material de revestimento de um projecto arquitetónico nunca deixou de existir e duvido que alguma vez desapareça. Há uns séculos, obviamente que era difícil imprimir um motivo azulejo num vinil, e claro que nessa altura seria muito mais valorizado e era bem mais difícil o acesso a essa arte do que é hoje. Neste momento, o que prevalece é que em Portugal continua a haver muita gente a pintar e existem muitos e bons pintores de azulejos”, sublinha.

“A pintura tradicional portuguesa é reconhecida como, talvez a melhor, a nível de pintura, do mundo, e sem dúvida que se continua a reconhecer Portugal como um importante produtor de azulejo tradicional pintado a mão”, concluiu.

A exposição vai incluir demonstrações ao vivo de pintura de azulejos e uma zona reservada à divulgação e venda de peças de cerâmica. Joana Chantre – Macau in “Ponto Final”

Joanachantre.pontofinal@gmail.com