Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Brasil - Nova tentativa de Golpe, desta vez por deputados

A aprovação pela Câmara dos Deputados de uma drástica diminuição da pena de prisão do ex-presidente golpista Jair Bolsonaro teve repercussão internacional e foi interpretada como uma nova manobra golpista da extrema-direita brasileira. Ao mesmo tempo, deprecia o valor da democracia brasileira pela rapidez com que o Legislativo procura anular, numa única sessão tumultuada, todo o longo processo contra o ex-presidente, envolvendo também generais e demais golpistas, inclusive depredadores do 8 de janeiro de 2023.

Apenas alguns dias depois da condenação e prisão de Bolsonaro, essa tentativa de diminuição da pena do ex-presidente golpista e dos demais condenados, teria também por objetivo criar um caos político no Brasil e relançar um putsch, um golpe, como qualificou o jornal francês Liberation, ao comentar a agitada sessão e votação da madrugada da quarta-feira, na Câmara dos Deputados.

Mas existiria outro objetivo velado: pagar o preço exigido por Flávio Bolsonaro para retirar sua candidatura, ou seja, na impossibilidade de uma anistia total ao seu pai, uma pena reduzida de dois anos e quatro meses convertida em prisão domiciliar. Menos que isso, no caso de uma vitória do candidato preferido pela direita, Tarcísio, que libertaria Bolsonaro no mesmo dia de sua posse.

A presença ativa na votação do deputado Sóstenes Cavalcanti, chefe da bancada evangélica, demonstra o envolvimento dos deputados evangélicos na manobra da dosimetria, numa nova trama golpista, resultante dessa espúria união de política e religião contra a democracia. Foi essa mesma união calculada em 30% dos votos que levou Bolsonaro, convertido no Messias, à presidência.

Num mundo em que a extrema-direita vai se apossando do poder em numerosos países, os deputados golpistas devem estar esperando apoio exterior, no caso do Senado pautar e aprovar a redução das penas ainda neste mês de dezembro, e provocar agitação no país, em pleno ano eleitoral, diante de um veto governamental de Lula e de uma declaração de inconstitucionalidade pelo STF.

Haverá mobilização popular como ocorreu contra a tentativa de blindagem judiciária dos deputados e senadores? Ou desta vez serão os evangélicos bolsonaristas que irão novamente às ruas? De qualquer forma, a imagem do Brasil sofre com a manobra do presidente da Câmara, Hugo Motta, propondo uma pacificação, mas sabendo estar envenenando o clima político brasileiro, considerado fraco e já nas mãos dos bolsonaristas e das lideranças evangélicas de extrema-direita.

Hugo Motta vai deixar marcado seu nome por favorecer a bancada golpista, por aceitar a existência de deputados golpistas fora do Brasil, custando meio milhão de reais por mês ao país, e por aceitar fazer parte do atual conchavo golpista institucional, com o objetivo de abalar a democracia. A sequência desse caos programado depende agora do senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado.

Uma consequente confusão e um caos institucional no Brasil com eleição apertada de Lula poderão dar novos argumentos ao deputado traidor Eduardo Bolsonaro, em favor de uma intervenção no Brasil, junto ao norte-americano Donald Trump.

Esta quarta-feira, 10 de dezembro, vergonhosa, e o nome do irresponsável Hugo Motta já estão gravados, nesta nova tentativa de golpe. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Brasil - Jair já foi ou já era

Não houve o milagre esperado por tantos evangélicos, apesar de tantas orações, ainda diante dos quartéis - Jair Bolsonaro está preso e não fará mais comícios monstros e nem motociatas. O verde-amarelo trajado por seus seguidores entrou em recesso e só voltará a ser usado nos mundiais de futebol, enquanto as bandeiras voltarão aos seus mastros, depois de usadas indevidamente durante alguns anos.


Flopou a última manifestação convocada por Flávio com o objetivo de permitir a fuga do pai Bolsonaro, pois Jair já tivera sua prisão domiciliar anulada, depois de tentar abrir a tornozeleira com um maçarico. Terminou quase em comédia a carreira política de quem prometia resistir e só ser preso morto. Foi cômica sua explicação de ter forçado a tornozeleira sob influência de barbitúricos, lembrando as antigas desculpas de bêbedos nas delegacias.

Rei morto rei posto, equivale a presidente preso é carta fora do baralho. Uma parte da mídia comenta o alvoroço da matilha de lobos para pegar um pedaço da força eleitoral do "imorrível" e não deixá-la só com a família, também dividida entre madrasta e filhos de Bolsonaro.

Bolsonaro, embora inelegível, acreditava num milagre pelo qual ainda poderia se candidatar e voltar a ser presidente, tomando Trump como exemplo. Por isso, não nomeou seu sucessor, nem filho, nem Michelle e nem Tarcísio. Quem lhe teria soprado no ouvido a possibilidade de tal milagre, ao qual se agarrou com tanta fé? Teria sido Silas Malafaia, o fiel divulgador da teologia do domínio, importada dos Estados Unidos, onde até agora parece funcionar com Trump, o escolhido de Deus?

Sem um sucessor escolhido antes de ser preso, o bolsonarismo poderá se esfacelar, talvez permitindo à direita abandonar a mistura político-religiosa construída pela extrema-direita, uma das hipóteses de Reinaldo Azevedo que, durante anos, combateu Bolsonaro de sua trincheira no Uol.

O fim do mito Bolsonaro permitiu aos influenciadores de talento, como Álvaro Borba, unir críticas com inteligência. Borba começa seu vídeo no canal Arvro com o rosto de uma mulher chorando desesperada e clamando que sua profecia (na verdade sua praga) contra Lula tinha caído sobre Bolsonaro. Motivo para Arvro falar da deturpação da mensagem evangélica por Bolsonaro e seus seguidores, se referindo à crente que começa a perder a fé em Deus "está difícil de ser crente", mas ainda acredita no Jair.

No Uol, o comentarista Josias de Souza, abordou o aspecto político, o que representa para o Brasil a prisão do ex-presidente, cujo processo representa o ponto mais próximo que o Brasil já chegou da sua plenitude democrática.

Também excelente a análise da carreira do militar e do político Bolsonaro, no canal Youtube do jornalista Bob Fernandes, contando como o ex-presidente defendia mesmo na tevê a tortura, a guerra civil, a morte de umas 30 mil pessoas começando pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sem que nada lhe acontecesse. Bob Fernandes enumera todos os crimes defendidos por Bolsonaro que, finalmente, serão punidos com a tentativa de golpe de Estado. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.
 

sábado, 7 de dezembro de 2019

Brasil - Menção Especial do Júri da 15ª edição do Festival Internacional Mobile Filme para a curta metragem de David Murad sobre alterações climáticas

O filme com a duração de um minuto e realizado através de um telefone móvel foi o único filme brasileiro a concurso à 15ª edição do Festival Internacional Mobile Filme ACT NOW, uma iniciativa que conta com o apoio das Nações Unidas e do YouTube



Criado em 2005 o festival rege-se por um único princípio; um telefone móvel, um minuto, um filme. Permite que qualquer pessoa, independente da sua condição económica, concorra, exprimindo a sua sensibilidade sobre o tema a concurso, utilizando uma tecnologia idêntica para todos os concorrentes. Sendo totalmente digital, consegue chegar a um público, o mais lato possível, através de um telefone móvel, computador, televisão ou mesmo uma sala de cinema.

Este ano a organização recebeu cerca de 900 inscrições de 91 países e seleccionou 50 filmes de 24 países que estiveram a escrutínio do público entre os dias 17 e 30 de Novembro.

Segundo a organização, a curta metragem de David Murad “comoveu profundamente o júri, que decidiu dar a menção honrosa” e ao mesmo tempo “mostrar o seu apoio ao cinema brasileiro e aos seus criadores.” Para o júri, as histórias apresentadas a concurso “representam abordagens e realidades diferentes, que lidam com o desperdício, a falta de água, o desmatamento, o activismo jovem, a questão climática e a população excessiva” e os trabalhos “provocam, levantam questões e aumentam a consciência sobre a necessidade de actuar agora contra a alteração climática.” 

A curta metragem de David Murad, fala sobre o ataque que a Amazônia tem sofrido nos últimos anos com a conivência do poder político brasileiro. “O tema deste ano do festival é agir contra as mudanças climáticas e a primeira coisa a se fazer com relação a esta questão é parar de negá-la. Boa parte dos políticos em todo o mundo, inclusive no Brasil, insistem no erro básico que é negar, e dizer que não existe mudança climática e não existe aquecimento global, que a Amazônia não está sendo mais queimada do que antes sempre foi. Essa negação está acontecendo de maneira muito forte no Brasil, inclusive. O filme é sobre isso: como negar fatos pode ser prejudicial para o futuro” afirmou David Murad.

O autor da curta metragem baseou-se no discurso do presidente brasileiro Jair Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU que afirmou, defendendo as suas políticas para o meio ambiente, que “a Amazônia permanece praticamente intocável”.

O Grande Prémio Internacional foi atribuído à curta metragem “Wallet” da iraniana Fatima Nofely, que recebeu € 20 mil para produzir um novo filme. O júri declarou que a obra segurou a sua atenção “com a beleza e força de sua história.” A realizadora leva os espectadores “para um mundo não muito distante, onde a água se tornou uma moeda de troca”.  Wallet” será exibido no próximo ano como suporte à exibição do filme de longa metragem a estrear “Walking on Water”, de Bonne Pioche. Baía da Lusofonia