O Chefe de Direitos Humanos apela a governos europeus para travarem a escalada de violência na sequência de protestos estudantis. O alerta surge após vários dias de confrontos entre manifestantes e forças de segurança no continente
O
alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk,
condenou a violência das manifestações que se alastram por vários países
europeus. O representante revelou estar preocupado com o uso excessivo da força
por parte das autoridades.
Portugal
é um dos países que nas últimas semanas verifica protestos de milhares de
jovens contestando o aumento do custo de vida, a crise habitacional e a
deterioração dos serviços públicos. Os atos também têm lugar em ruas e praças
de França, Espanha, Itália, Grécia e Albânia.
ONU preocupada com os
protestos
As
respostas policiais aos protestos preocupam as Nações Unidas. Em comunicado,
Volker Turk apelou aos governos dos cinco países para que travem a escalada de
violência que acompanha estas manifestações.
O
representante sublinhou que os jovens têm o direito de se manifestar
pacificamente e de fazer ouvir a sua voz e que os Estados devem facilitar o
exercício desse direito.
O seu
alerta surge após vários dias de confrontos entre manifestantes e forças de
segurança, episódios marcados, por vezes, por roubo, incêndios e centenas de
detenções.
Acampamentos marcam
manifestações em Portugal
Em
Portugal, a crise habitacional concentra o descontentamento dos estudantes. Na
passada quinta-feira, forças policiais mobilizadas para desmantelar os
acampamentos na Praça D. João I, no Porto, investiram contra dezenas de
manifestantes, deixando vários feridos.
Na
madrugada de terça-feira, as autoridades desmantelaram outros acampamentos
montados em praças das cidades de Lisboa e do Porto. Os protestos organizados
contra o aumento das rendas nas duas maiores cidades do país já se alastraram
por vários distritos de Portugal continental.
Pelo
menos 55 ativistas foram detidos por alegada resistência no acampamento pelo
direito à habitação na capital. Os manifestantes compareceram esta quarta-feira
em tribunal para o primeiro interrogatório.
Movimento estudantil com
origem em França
As
manifestações no continente tiveram início em França, ainda no mês de setembro,
contra a falta de recursos no sistema de ensino. No decorrer das semanas, a
subida dos preços e os cortes nos serviços públicos passaram a integrar as
palavras de ordem dos manifestantes franceses.
No
sábado, as manifestações degeneraram em várias cidades. Em Paris e Marselha,
vários estabelecimentos comerciais foram saqueados e edifícios danificados.
Mais de 2,4 mil pessoas foram detidas, avançam as agências.
Na
Bélgica, grupos de estudantes do ensino secundário juntaram-se a um protesto
mais vasto contra as medidas de austeridade do Governo Federal. As
manifestações em Bruxelas e Liège resultaram em cerca de 200 detidos, entre os
quais havia pelo menos 25 menores de idade.
Em
Itália, sobretudo em Milão, os protestos contra o custo de vida e as
dificuldades económicas também degeneraram em confrontos.
Na
Albânia, onde os protestos são dirigidos contra o Governo de Edi Rama, os
estudantes denunciam a corrupção, as condições do ensino e a falta de
perspetivas económicas.
Ainda
esta quarta-feira, milhares de estudantes e professores saíram às ruas na
Grécia, exigindo maior financiamento estatal para a educação.
Resposta das autoridades deve
ser proporcional
Volker
Turk lamenta os atos daqueles que aproveitam as manifestações para cometer atos
de violência e vandalismo contra bens públicos e privados, sublinhando que os
autores devem ser individualmente responsabilizados.
O alto
comissário também manifestou a sua preocupação com os relatos sobre o uso
desnecessário e excessivo da força contra os manifestantes, incluindo crianças.
Turk
lembra que toda a intervenção policial deve ser “legal, necessária e
proporcional” e que as vítimas devem ter a possibilidade de obter reparação,
devendo os responsáveis ser responsabilizados.
Tal
como o direito de manifestação não protege os autores dos danos cometidos, a
violência cometida por alguns manifestantes não pode justificar uma repressão
indiscriminada, enfatiza o alto comissário. ONU News – Nações Unidas
