Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 28 de julho de 2024

Timor-Leste - Irmã portuguesa ajuda população num “país de escassez”

A Irmã Cristina Macrino, uma enfermeira em missão em Bobonaro, Timor-Leste, faz um retrato deste país católico de língua oficial portuguesa que o Papa vai visitar em Setembro. Um país marcado pelo subdesenvolvimento, onde a água potável é escassa, a alimentação pobre, as estradas más e onde há problemas ao nível da saúde. No meio de tudo isto, receber o Papa, diz a religiosa, “é uma forma de abençoar e de dar esperança ao povo”


“Foi uma notícia praticamente histórica”, diz a Irmã Cristina Macrino, da congregação das Reparadoras de Nossa Senhora de Fátima, sobre o anúncio de que o Papa Francisco vai visitar Timor-Leste no início de Setembro deste ano no contexto de um périplo asiático que o levará também a Singapura, Papua Nova-Guiné e Indonésia.

Timor-Leste é, nesta viagem, o país mais católico que o Santo Padre vai encontrar. Mais católico e, a par da Papua Nova-Guiné, também um dos mais pobres do mundo. A Irmã Macrino, uma enfermeira em missão em Bobonaro, é uma das responsáveis, desde 2012, por um centro social que apoia todos os dias cerca de 350 crianças com alimentação e actividades lúdicas, além de trabalhar numa clínica que presta apoio à população local – cerca de 6 mil pessoas – mas também a todos os que vivem nas aldeias mais remotas.

“A aldeia onde estamos chama-se Memo, o bairro chama-se Pipgala, que significa cabrito assado na língua materna, e é de facto uma alegria vivermos aqui em missão.” Uma alegria que agora ganha um novo alento com a visita anunciada do Santo Padre para os dias 6 a 9 de Setembro. “Já começou a preparação para essa visita”, esclarece a irmã, acrescentando que todos estão “numa grande ansiedade para viver este acontecimento de forma intensa, marcante, e com muita alegria”, e na expectativa das “muitas bênçãos que vamos receber com toda a certeza”. Para a Irmã Cristina, receber o Papa significa também, e principalmente, “dar esperança ao povo”.

Mas que país vai o Papa Francisco encontrar nesta viagem? Que retrato se pode fazer de Timor-Leste? “Este é um país que está em desenvolvimento, um país humanamente rico na fé católica, um país rico na beleza natural, um povo acolhedor, tranquilo, capaz de dar uma alegria também ao Papa porque será muito bem recebido, com muito amor e muita alegria”, diz a irmã portuguesa, acrescentando que Timor-Leste é ainda um país subdesenvolvido e isso é visível em vários sectores. “A água potável, por exemplo, é escassa apesar de haver ribeiras e rios. A saúde é uma preocupação para o povo e para o Governo. A saúde é fraca porque a nutrição também é muito fraca. As pessoas têm poucos meios financeiros, passam dificuldades, o clima também não ajuda, faz muito calor e, portanto, torna-se difícil. Outro grande problema é com os acessos para que as pessoas possam circular no país. Com as estradas ainda muito danificadas é difícil fazer grandes percursos e isso é de facto um grande problema para Timor-Leste em termos de desenvolvimento”, afirma a religiosa.

A questão da alimentação é outro dos problemas que a irmã acentua, talvez pela sua sensibilidade como enfermeira e pelo seu contacto diário com as populações. E fala mesmo em fome. “Ainda existe muita fome em Timor. As famílias passam muito mal em termos de alimentação. A base da alimentação é de facto o arroz, a hortaliça e pouco mais. Por isso existe ainda muita tuberculose aqui em Timor-Leste e muita gastroenterite nas crianças e por isso ainda morrem muitas crianças com diarreias e vómitos. É um problema que estamos todos a tentar resolver, mas está longe, está muito longe de se alcançar uma solução, uma resolução para este problema da fome e das necessidades nutricionais em Timor-Leste”, explica Cristina Macrino.

A visita do Papa Francisco poderá ser um elemento catalisador para o desenvolvimento do país, para a resolução de alguns destes problemas crónicos identificados pela religiosa portuguesa. “É necessário trabalhar com esperança, trabalhar com amor, e trabalhar com essa certeza de que, todos juntos, podemos fazer um mundo melhor, todos juntos podemos fazer um Timor mais feliz, mais digno em cada casa, em cada família, em cada distrito, em cada aldeia, em cada município, em geral”, diz a irmã. Se a visita do Santo Padre está a ser encarada com muita expectativa e até alguma ansiedade, como é que Cristina Macrino vê a possibilidade de, ela própria, poder encontrar-se pessoalmente com Francisco? Que lhe diria? “Não sei. Seria uma emoção muito grande se chegasse perto do Papa, é verdade. Para Timor-Leste, pediria oração, que rezasse pelo povo de Timor, para que nunca perca a sua fé, nunca perca a esperança, nunca perca a vontade de continuar a lutar por si, pela vida, por um país com mais capacidade para dar futuro ao futuro povo de Timor. Não poderia pedir mais nada, não é? Tenho confiança de que, ao olhar o Papa olhos nos olhos, ele iria escutar o meu pedido de oração e penso que [isso] só por si já seria uma bênção para o povo e pelo menos para a nossa missão e para o nosso povo, a quem servimos no dia-a-dia”, diz a Irmã Cristina Macrino.

Timor-Leste é um país profundamente católico. Foi colónia portuguesa até 1975, tendo sido invadido e ocupado então pela Indonésia – após uma declaração fugaz de independência –, o que motivou uma longa luta de guerrilha até que ganhou a sua autodeterminação em 1999, sob o patrocínio das Nações Unidas. Durante a ocupação indonésia, a população local foi duramente reprimida e muitos sacerdotes e religiosas arriscaram a vida para defender os cidadãos dos abusos militares. A declaração de independência aconteceu a 20 de Maio de 2002, tornando-se então no primeiro estado soberano deste século. Esta será a segunda visita papal ao território, depois da de João Paulo II, em 1989. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Timor-Leste - Governo avalia ordem pública após confrontos entre grupos de artes marciais

O Governo de Timor-Leste esteve reunido, em Conselho de Ministros, para avaliar medidas para repor a ordem pública no país, depois de registados confrontos entre grupos rivais de artes marciais no distrito de Bobonaro


“O Conselho de Ministros reuniu com agenda única só para ver como resolver a situação de Bobonaro. Todos nós sabemos que não é só em Bobonaro, mas que já aconteceu em vários sítios. O Conselho de Ministro está preocupado com a situação”, afirmou à Lusa o secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Dias Ximenes.

Os confrontos foram registados na quinta e sexta-feira entre duas aldeias no município de Bobonaro, envolvendo dois grupos rivais de artes marciais, e que provocaram sete feridos e a destruição de várias casas.

O secretário de Estado da Comunicação Social disse também que no encontro participaram o comissário-geral da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), Henrique da Costa, e o diretor-geral do Serviço Nacional de Inteligência (SNI), Longuinhos Monteiro, para informarem sobre a situação em Timor-Leste, “em geral e em especial” em Bobonaro. “Ainda não deliberamos nada. Vamos voltar a reunir-nos para discutir o assunto”, acrescentou o secretário de Estado da Comunicação Social.

O Conselho de Ministros deliberou, em comunicado, que está a “proceder à recolha de todas as informações necessárias junto de todas as entidades relevantes, com vista à tomada de decisão a curto prazo relativamente às medidas a serem adotadas para a reposição da ordem púbica”.

Num relatório divulgado, em Julho, a Fundação Mahein – Monitorização e Advocacia do Setor de Segurança admite existirem “preocupações válidas relativamente à atividade” dos grupos de artes rituais e marciais e à “sua contribuição para a violência, desordem e instabilidade”, mas salienta que “muitos dos riscos associados” aqueles grupos não são isolados, nem iniciados pelos próprios. “Por exemplo, a violência comunitária é uma ocorrência frequente em Timor-Leste e muitas vezes não envolve os grupos de artes marciais e rituais”, refere o documento.

Segundo a Fundação Mahein, muitos incidentes denominados de violência dos grupos de artes marciais têm início em disputas entre indivíduos, que aumentam quando outros membros dos grupos se juntam para defender os seus companheiros. “Da mesma forma, durante períodos de instabilidade política e crise, os grupos de artes marciais participaram na violência e contribuíram para a agitação, mas não foram nem os principais instigadores, nem os únicos participantes”, salienta o relatório.

Para a Fundação Mahein, a “instabilidade política em Timor-Leste pós-independência tem sido impulsionada por um conjunto complexo de fatores, particularmente histórias de conflito armados, competição entre elites, instituições fracas e falhas no processo de construção do Estado”.

O relatório analisa igualmente que o discurso público sobre os grupos de artes marciais pode contribuir “inadvertidamente” para a sua popularidade entre os jovens e aumentar a violência, bem como a possibilidade de serem manipulados “por parte de elites que desejam provocar tensões sociais para fins políticos”. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Timor-Leste - Escolas junto à fronteira com a Indonésia são uma preocupação devido à pandemia

Díli – As 28 escolas dos postos administrativos de Balibó, Lolotoe e Maliana são o foco da Direção de Educação do Município de Bobonaro do Ministério da Educação, Juventude e Desporto (MEJD).

O enfoque deve-se ao facto de estes estabelecimentos de ensino ficarem situados mais perto das áreas fronteiriças, a cerca de cinco quilómetros da Indonésia.

As informações foram dadas aos jornalistas na quarta-feira (27/01) pelo Diretor da Educação do Município de Bobonaro, Alcino Barreto João, em Vila Verde.

“Neste momento, o nosso foco são estas 28 escolas. O MEJD concedeu já a todos os nossos estabelecimentos de ensino, incluindo estes, os artigos sanitários para a prevenção da covid-19, como máscaras e sabonetes”, afirmou.

Alcino Barreto recordou ainda que as atividades letivas nas escolas desta zona tinham iniciado, a 18 de janeiro, garantindo também o cumprimento dos requisitos sanitários impostos pelo Ministério da Saúde por parte de todos os estabelecimentos de ensino da zona.

“Como é sabido, o Município de Bobonaro é um dos que faz diretamente fronteira com a Indonésia, principalmente com a zona onde os casos de covid-19 estão cada vez mais presentes. Por isso, vamos manter e garantir todas as regras sanitárias nas escolas”, assegurou.

Segundo o responsável, o Município de Bobonaro dispõe de 218 estabelecimentos de ensino, desde a educação pré-escolar ao ensino secundário, e mais de 35 mil estudantes. In “Timor-Post” – Timor-Leste