Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Portugal – Distrito de Viseu estreia projeto cultural com jovens de São Tomé e Príncipe

A Associação Bionaural Nodar estreia no final do ano letivo um espetáculo com jovens de São Tomé e Príncipe, estudantes em Vouzela e Castro Daire, que se juntaram para dar vida a um trabalho da autoria de Rui Catalão


Um desconhecido na nossa terra” dá nome a um espetáculo protagonizado por jovens oriundos de São Tomé e Príncipe que se vai estrear no final do ano letivo, mas terá em janeiro “duas apresentações teste ao público” nos cineteatros de Vouzela e de Castro Daire, disse à agência Lusa o presidente da Binaural Nodar, Luís Costa.

Aquele dirigente associativo contou que “são jovens que não se conhecem, que estudam nas escolas profissionais” de Vouzela e no polo de Castro Daire da escola profissional Mariana Seixas, com sede em Viseu.

“Têm-se encontrado em vários momentos para trabalharem as ações propostas por si, desde teatro a música, dança ou gastronomia, o que entenderem para partilharem a sua cultura num só espetáculo” orientado pelo dramaturgo Rui Catalão.

Segundo Luís Costa, o projeto “promove a aproximação desses jovens que estão em lugares próximos a cerca de 30 quilómetros, mas distantes, porque não se conhecem e, ao mesmo tempo, dão a conhecer às comunidades locais a sua realidade e cultura”.

“Muitos destes jovens já não regressam ao país de origem. Há mais de uma década que a experiência nos diz que ficam a trabalhar neste território e por isso é um exemplo de imigração diferente do que tem sido muito falado agora”, revelou.

Estas duas escolas, “desde há vários anos, têm um conjunto de alunos oriundos de São Tomé e Príncipe bastante significativo, no âmbito de protocolos que existem entre os governos dos dois países”.

Luís Costa indicou que são jovens a partir dos 16 anos de idade que frequentam cursos profissionais “nas mais diversas áreas, desde a metalomecânica, eletricidade, mecânica, saúde ou estética”.

“E, normalmente, as escolas assumem-nos como alunos modelo, com características muito próprias. São muito unidos, muito respeitadores, estudam muito, são dedicados e este projeto também nasceu com a necessidade que sentimos de evidenciar estes valores que estes miúdos têm, mesmo longe das suas famílias”, destacou.

E são jovens “que têm a sua cultura, os seus anseios e as suas memórias” e, juntamente com Rui Catalão, “numa série de sessões, trabalham todos estes aspetos e valores para traduzirem num espetáculo”.

A associação portuguesa Binaural Nodar, da região Viseu Dão Lafões, “é muito ligada à tradição”, mas também “muito atentos às novas dinâmicas sociais que os territórios vão tendo, inclusive, no contexto europeu”, integrando o projeto Rede Tramontana que envolve sete países: Portugal, Espanha, França, Itália, Polónia, Roménia e Albânia.

Este responsável lembrou que Rui Catalão é um dramaturgo que tem trabalhado, há mais de 10 anos, com comunidades lusodescendentes, mais especificamente originárias de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Luís Costa defendeu à agência Lusa que “seria perfeito trabalhar com Rui Catalão ao longo de um ano letivo”, tendo em conta o trabalho do dramaturgo em Vale da Amoreira (concelho da Moita) e com a comunidade do Barreiro, municípios do distrito de Setúbal, onde fundou um grupo de teatro.

“Em vez de nos cingirmos a um ateliê ou oficina achámos que seria mais interessante um trabalho ao longo de um ano letivo com estes alunos que não se conheciam e vão estando, de forma alternada, com Rui Catalão”, realçou.

Este espetáculo é uma coprodução da Binaural Nodar com a Irreal, em parceria com as duas escolas profissionais e respetivas câmaras municipais, Vouzela e Castro Daire, no distrito de Viseu. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


Brasil - Festa de fim de ano do Rio de Janeiro entra para o Guinness

A cidade brasileira do Rio de Janeiro recebeu esta terça-feira do Guinness World Records o título que a certifica como organizadora da maior festa de fim de ano do mundo


“Não há lugar no mundo que faça festas em espaço público com a constância que faz o Rio e com tanta gente”, disse o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, numa cerimónia realizada no principal palco montado na famosa praia de Copacabana para a festa de ‘Réveillon’ de quarta-feira.

A placa comemorativa foi entregue por Camila Borenstein, representante do Guinness e membro do júri da organização que edita o famoso Guinness Book dos Recordes Mundiais.

Segundo Borenstein, o título certifica que, a 31 de Dezembro do ano passado, um recorde de 2,5 milhões de pessoas saudaram a chegada de 2025 na festa organizada na praia de Copacabana.

O número não tem em conta o total de pessoas que participam nas diferentes festas públicas de despedida do ano organizadas pelo Rio de Janeiro nas suas praias e parques (13 este ano), que se estima terem chegado a cinco milhões no ano passado.

Agora, para a passagem de 2025 para 2026, a emblemática praia de Copacabana  prepara-se para acolher mais de dois milhões de pessoas com um espetáculo de pirotecnia e com 1200 ‘drones’, num ‘show’ em homenagem à cidade brasileira.

A prefeitura do Rio de Janeiro promete fazer “história”: “19 balsas distribuídas ao longo da orla, quase o dobro do número utilizado em 2024, e 12 minutos de espetáculo pirotécnico no céu, o maior já realizado no Rio de Janeiro”.

O espetáculo contará, na passagem de 31 de dezembro de 2025 para 1 de janeiro de 2026, com 1200 ‘drones’, em homenagem à cidade, com imagens sincronizadas aos fogos de artifício e acompanhada de uma trilha sonora especial, do DJ Alok.

A programação conta ainda com música, arte e cultura em 13 palcos espalhados por toda a cidade. Vão atuar ao longo da orla artistas como Gilberto Gil e Ney Matogrosso, no Palco Rio, em frente ao Copacabana Palace. Para além disso, atuarão ainda artistas como Belo, Alcione, João Gomes e Iza.

Além de Copacabana, a tradicional queima de fogos será realizada em outros pontos do Rio de Janeiro: “no Flamengo (em três balsas, com 10 minutos de duração), na Igreja da Penha (oito minutos), no Parque Oeste (seis minutos) e no Parque Realengo (seis minutos). E não é só isso. A festa contará ainda com outros 10 palcos: Parque Realengo, Sepetiba, Pedra de Guaratiba, Parque Oeste, Penha, Madureira, Piscinão de Ramos, Flamengo, Ilha do Governador e Paquetá”, detalhou a prefeitura da ‘cidade maravilhosa’. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Coreia do Sul - Catarina Sobral premiada em concurso de livro ilustrado

A ilustradora portuguesa Catarina Sobral foi uma das vencedoras do Nami Concours 2026, o concurso internacional de livro ilustrado promovido na ilha de Nami, na Coreia do Sul, anunciou a organização. A artista recebeu o prémio “Purple Island”, um dos quatro atribuídos, pelo trabalho visual do livro “As pessoas são esquisitas”, da autoria de Victor D. O. Santos

© Bruno Colaço

O Nami Concours distingue autores de todo o mundo pelo trabalho visual em álbum ilustrado e foi atribuído pela primeira vez em 2013, no âmbito do Nambook Festival, um festival internacional, bienal, dedicado à ilustração e aos livros para crianças.

As pessoas são esquisitas, editado em Portugal pela Orfeu Negro, apresenta um olhar sobre o mundo e as idiossincrasias dos humanos, a partir da perspetiva de uma criança, admirada pelos modos de vestir e de agir das outras pessoas.

O livro, com direitos vendidos para vários idiomas, incluindo coreano, também foi selecionado pela Biblioteca Internacional da Juventude como uma das melhores obras de literatura para crianças e jovens de 2025.

Esta é a segunda vez que a ilustradora natural de Coimbra recebe um prémio no Nami Concours, depois de ter vencido em 2017 o “Green Island” com o livro A sereia e os gigantes.

Em edições anteriores, esta competição internacional já reconheceu igualmente o trabalho de André Letria (2019) e Yara Kono (2017). Na edição do Nami Concours 2026, o Grande Prémio foi atribuído à autora belga Astrid Verplancke.

Catarina Sobral é uma mais premiadas autoras portuguesas de livro ilustrado, com cerca de duas dezenas de obras publicadas em Portugal e noutros países, como Achimpa, Vazio, Impossível e Toi Toi Toi. Em 2014, venceu o prémio internacional de ilustração da Feira do Livro Infantil de Bolonha (Itália) com o livro O meu avô, e em 2024 venceu o Prémio Nacional de Ilustração pelo livro Fantasmas, Bananas e Avestruzes.

Nascida em Coimbra em 1985, Catarina Sobral também tem produzido espetáculos de teatro para a infância e filmes de animação.

O Nambook Festival e o Nami Concours acontecem na ilha de Nami, surgida com a construção de uma barragem na década de 1940, é considerada um ponto turístico da Coreia do Sul, com espaços verdes e equipamentos pensados sobretudo para os mais novos.

Portugal foi o país convidado do Nambook Festival em 2021, quando celebrou 60 anos de relações diplomáticas com a Coreia do Sul. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Novo prémio anual da Fundação Jorge Álvares homenageia a amizade entre Portugal e China

A Fundação Jorge Álvares anunciou a criação do “Prémio Fundação Jorge Álvares – General Vasco Rocha Vieira – Amizade Portugal-China”, uma distinção anual no valor de 25 mil euros. O prémio, que homenageia o último Governador de Macau, visa incentivar estudos e acções que fortaleçam a relação entre Portugal, China e Macau, alternando anualmente entre reconhecer instituições e trabalhos de investigação


A Fundação Jorge Álvares instituiu um novo prémio anual com o objectivo de promover a amizade e o conhecimento entre Portugal, a República Popular da China e Macau. Intitulado “Prémio Fundação Jorge Álvares – General Vasco Rocha Vieira – Amizade Portugal-China”, a distinção, no valor de 25 mil euros, presta homenagem ao General Vasco Rocha Vieira, último Governador de Macau, que foi também fundador e curador da própria fundação.

O prémio terá duas categorias que se alternarão em anos consecutivos. Em anos pares, a partir de 2026, será atribuído na categoria “Instituições”, aberta a qualquer entidade, nacional ou estrangeira, que tenha desenvolvido acções relevantes para aprofundar o relacionamento entre as comunidades portuguesa, chinesa e de Macau. Estas acções podem abranger áreas como cultura, língua (incluindo o patuá), ciência, educação e filantropia.

Em anos ímpares, a partir de 2027, o prémio será concedido na categoria “Trabalhos de Investigação”. Esta vertente é aberta a qualquer pessoa, sem restrições académicas ou de nacionalidade, e recompensa a qualidade de estudos escritos sobre um tema específico, dentro do âmbito das relações luso-chinesas, com particular enfoque em Macau.

Para proporcionar tempo de preparação aos potenciais candidatos, a organização divulgou antecipadamente o tema da primeira edição da categoria de investigação, que será atribuída em 2027. Sob o título “Da assinatura da Declaração Conjunta à transferência da Administração Portuguesa de Macau”. Este tema centra-se no período histórico entre o acordo sino-português de 1987 e a transição de soberania em 1999.

As candidaturas para a primeira edição do prémio, na categoria de “Instituições” para o ano de 2026, já têm calendário definido. O período de submissão decorrerá de 1 de Janeiro a 30 de Junho de 2026, através de um formulário online disponível no website oficial do prémio. A decisão do júri está prevista para Outubro de 2026, com a cerimónia de entrega agendada para Dezembro do mesmo ano.

De acordo com o regulamento, disponível online, não serão admitidas candidaturas de trabalhos ou iniciativas que tenham sido patrocinadas pela Fundação Jorge Álvares, ou de acções institucionais concluídas há mais de dois anos no momento do anúncio de cada edição. Membros dos órgãos sociais da fundação ou das suas instituições parceiras também não podem concorrer na categoria de “Trabalhos de Investigação”.

A Fundação Jorge Álvares, instituída em Lisboa em 1999 e reconhecida como pessoa colectiva de utilidade pública, sem fins lucrativos, tem como objetivo fundamental, no enquadramento da Declaração Conjunta Luso-Chinesa, promover a cooperação entre Portugal e a Região Administrativa Especial de Macau. A sua actividade desenvolve-se nas áreas cultural, educativa, científica, artística e social, com particular enfoque em apoiar o estudo e a divulgação de Macau e em fomentar um melhor conhecimento da sua realidade e projeção futura, mantendo uma relação privilegiada com o Centro Científico e Cultural de Macau. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


Guiné Equatorial e Estados Unidos discutem pirataria no Golfo da Guiné

Nguema Obiang Mangue e o Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca também discutiram a cooperação bilateral e outros desafios comuns


O vice-presidente da República, Nguema Obiang Mangue, manteve uma conversa telefónica com o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Stephen M., focada no combate à pirataria marítima no Golfo da Guiné.

Durante o diálogo, ambas as partes avaliaram o estado da cooperação bilateral entre a Guiné Equatorial e os Estados Unidos, com especial atenção a setores como a migração ilegal e a energia.

O vice-presidente expressou a preocupação da Guiné Equatorial com a persistência da pirataria marítima e o seu impacto no comércio regional, observando que essa questão será uma das prioridades do país em 2026.

A conversa também permitiu uma revisão do cumprimento dos acordos existentes e uma análise das perspectivas de fortalecimento da cooperação entre os dois países. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


China - Sector financeiro de Macau foi a Cantão e Foshan para promover investimento nos Países de Língua Portuguesa

Visitas a empresas sediadas em Cantão e Foshan e sessões promocionais com foco nas operações práticas do negócio nos mercados dos países de expressão portuguesa (PLP), preencheram o programa da recente deslocação de uma delegação de representantes de instituições financeiras de Macau àquelas cidades da Grande Baía. As acções coordenadas pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) visaram promover oportunidades de negócios e investimento para as empresas que desejam expandir-se para os mercados dos PLP.


No primeiro de dois dias, teve lugar em Foshan a sessão de promoção “Aproveitar as Oportunidades de Cooperação Sino-Lusófona, Expandir o Comércio e Investimento da Estratégia do Oceano Azul”, co-organizada pelo IPIM e pela Associação de Importação e Exportação do Distrito de Shunde. Instituições financeiras de Macau e Foshan abordaram questões de operações práticas, como a liquidação comercial nos PLP e a mitigação dos riscos de câmbio, “proporcionando explicações profissionais e contando com a participação de mais de 130 representantes de associações comerciais da região”, segundo o IPIM.

Na ocasião, Sam Lei, vogal do Conselho Administrativo do organismo, frisou que a RAEM está empenhada em reforçar o papel de “elo de ligação infalível” entre a China e os PLP.

Os representantes das empresas participantes “reagiram de forma entusiástica”, sublinha o IPIM, referindo que uma mostrou interesse em aproveitar a plataforma de Macau para explorar ainda mais o potencial de desenvolvimento no Brasil e em Portugal. O objectivo é utilizar os serviços financeiros oferecidos pelas instituições de Macau, abrangendo o financiamento transfronteiriço, facilitação de liquidação e soluções de gestão de riscos adaptadas aos PLP.

Antes e depois da sessão de promoção, a delegação visitou quatro empresas de referência do sector de Cantão e Foshan com “expressas intenções” de desenvolvimento nos mercados dos PLP, em áreas-chave como manufactura de ponta, ‘big health’, medicina tradicional chinesa, comércio de consumo intensivo e engenharia de transportes ferroviários, apresentando em detalhe os serviços e suporte que Macau pode oferecer para a ligação ao mercado sino-lusófono. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


Internacional - Série do português Vasco Mendonça sobre ópera contemporânea vai estrear no canal francês Mezzo

A série televisiva documental sobre ópera contemporânea Opera. Now, escrita e realizada pelo compositor Vasco Mendonça, estreia-se no próximo dia 05 de janeiro, na RTP2, que a coproduziu com o canal francês Mezzo e a plataforma de ‘streaming’ Medici.tv.

Em declarações à Lusa, o compositor Vasco Mendonça disse que esta série “é apresentada num tom confessional, de partilha pessoal, uma espécie de carta de amor à ópera”, género ao qual se refere como “maior” ao cruzar diferentes artes, da literatura às artes plásticas, passando pela dança e a música.

“A ópera mudou literalmente a minha vida como compositor. Esta série nasce do desejo de devolver essa experiência: abrir um espaço de escuta, abrandar o tempo e convidar novos públicos a entrar numa forma de arte que fala dos momentos mais extremos da condição humana”, disse.

A série estreia-se em janeiro na RTP2 e será exibida “até ao final do primeiro trimestre de 2026”, na Medici.tv e no Mezzo.

A série conta com a participação de compositores como Gyorgy Kurtag e Kajia Saariaho, que morreu em 2023, dos escritores Sofi Oksanen e Martin Crimp, dos encenadores Simon Stone, que tem marcado os principais palcos mundiais de ópera, de Salzburgo ao Met, em Nova Iorque, e Pierre Audi, que morreu no passado mês de maio, tendo dirigido a Ópera Nacional Neerlandesa durante mais de 30 anos, e das sopranos Barbara Hannigan e Julia Bullock, que se contam entre as principais cantoras da atualidade.

O compositor disse à Lusa que, para esta série, teve “o prazer de falar” com amigos e colegas criadores que admira. A série, afirmou Vasco Mendonça, demonstra “como a ópera está sintonizada com o nosso tempo”.

“Nestes tempos de voragem, de profunda crise social, a ópera, que se move mais lentamente, permite-nos abrandar, dar um passo atrás, e ajuda-nos a refletir com outra profundidade sobre o presente”.

Foram escolhidas oito óperas, uma por cada episódio, e o sexto aborda três óperas, todas selecionadas com base num critério que implicou o gosto pessoal, ter sido estreada no século XXI, tendo também em conta “o impacto e a aclamação que tiveram junto do público e da crítica internacional”.

As óperas selecionadas nos episódios um a cinco são: “Into the Little Hill”, de George Benjamin, “Innocence”, de Kaija Saariaho, “Fin de Partie”, de György Kurtág, “Alice in Wonderland”, de Unsuk Chin, e “The Snow Queen”, de Hans Abrahamsen.

No sexto episódio são abordadas as óperas “Ophelia”, “Upload” e “Denis & Katya”, respetivamente de Sarah Nemtsov, Michel van der Aa e Philip Venables.

A série propõe “um olhar de dentro” para os bastidores e o processo criativo, “observando de perto os dilemas, decisões e tensões que moldam cada obra”, num “tom descontraído e acessível”, apresentando a ópera como “um espaço vibrante de criação, debate e imaginação”, disse o autor e realizador de Opera. Now.

Vasco Mendonça adiantou que nesta produção, também apresentada por si, procura, “com humor e clareza”, aproximar o universo operático do público em geral, ou seja, “desmistificar o conceito da ópera como elitista e exclusiva”.

Para Vasco Mendonça, a ópera é a manifestação de uma pulsão primordial da natureza humana, que é “contar histórias através do canto, no momento em que a fala deixa de ser suficiente”.

O canto, disse o compositor, liga-se a “situações extremas” como a morte – os lamentos -, o êxtase, a luta, a guerra, o trabalho.

Na atualidade contemporânea, a ópera pode abordar temas do quotidiano como a identidade, a crise climática, os conflitos políticos, a intimidade, a própria tecnologia.

Vasco Mendonça, como compositor, tem feito parte dos programas de grupos como Asko|Schoenberg Ensemble, Nieuw Ensemble, Axiom Ensemble, Remix Ensemble, International Contemporary Ensemble, Sinfónica de São Paulo, orquestras Gulbenkian, Sinfónica Casa da Música e Drumming Grupo de Percussão.

O compositor tem recebido encomendas, para obras inéditas, de festivais como o d’Aix-en-Provence, Aldeburgh Music, Verbier Festival, Musica Nova Helsinki, Musica Strasbourg, November Music, Gaudeamus Music Week e Morelia Music Festival, e de instituições como Mousonturm Frankfurt, Casa da Música e Fundação Gulbenkian.

Vasco Mendonça foi aluno de George Benjamin, foi distinguido com o Prémio de Composição Lopes-Graça e a bolsa Mentor & Protégé (com Kaija Saariaho), entre outros, e foi compositor em residência da Casa da Música, em 2024.

Os seus próximos projetos incluem encomendas para a Dutch National Opera, a Bergen Symphony Orchestra, o Asko|Schoenberg Ensemble e a Queen Elizabeth Music Competition.

Opera. Now tem argumento e realização de Vasco Mendonça, produção de Catarina Mourão e Catarina Alves Costa, direção de fotografia de João Pedro Plácido e Marc Rovira, direção de som de Armanda Carvalho e Michael O’Donoghue, montagem de Pedro Mateus Duarte e Vasco Mendonça, efeitos especiais e animação de Beatriz Bagulho.

Com apoio financeiro do Instituto do Cinema e do Audiovisual, Opera. Now é uma coprodução RTP, Mezzo e medici.TV, tendo a britânica Proudfoot, como produtora associada. In “LusoJornal” – França com “Lusa”


segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Macau - Festival sino-lusófono atraiu mais de 61 mil participantes

O Instituto Cultural (IC) fez um balanço do 7.º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que se articulou com a Festa da Lusofonia para realizar sete programas culturais entre Outubro e Dezembro. Este festival sino-lusófono contou com um total de 780 artistas e atraiu mais de 61 mil participantes


O 7.º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que se articulou com o Festival da Lusofonia, trouxe a Macau 780 artistas e intérpretes nacionais e estrangeiros, cerca de 80 espectáculos e actividades paralelas e atraiu mais de 61 mil participantes, indicou o Instituto Cultural (IC) num balanço feito ontem.

Nos espectáculos, foram utilizados espaços históricos e culturais e locais comunitários de Macau, de forma a “exibir uma esplêndida mescla de diferentes culturas regionais em edifícios de património cultural repletos de charme humanístico, áreas públicas comunitárias, teatros profissionais e outros locais”.

O IC lembra que o Festival da Lusofonia deu destaque, ao longo de dois fins-de-semana consecutivos, à promoção da cultura angolana, apresentando a sua gastronomia típica e retratos. Tiveram ainda lugar actuações por grupos artísticos provenientes de dez países e regiões de língua portuguesa, bem como de mais de 40 artistas lusófonos locais.

No âmbito deste festival, foi também realizado o evento “GEG Espectáculos de Música e Dança Tradicional na Comunidade” durante duas semanas consecutivas em vários bairros de Macau e também no Galaxy pela Escola da Música da Universidade Politécnica Normal de Guangdong, bem como oito grupos provenientes dos países e regiões de língua portuguesa, nomeadamente Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Timor-Leste, Brasil, Moçambique, Guiné Equatorial e Goa, Damão e Diu.

Dedicada ao tema “Mundo de Contos de Fadas”, a “Exposição de Livros Ilustrados em Chinês e Português” disponibilizou mais de 800 livros no Auditório do Carmo durante dez dias consecutivos. Foram realizadas sessões de apresentação de livros, teatro de marionetas, pintura facial e vários workshops interactivos.

Foi realizado também o 7.º Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que teve como tema “Transcendendo Fronteiras” e que apresentou uma selecção de cerca de 30 filmes da Ásia Oriental e das regiões de língua portuguesa.

Esta edição do Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa apresentou também o “Concerto de Vanessa da Mata com a Orquestra Chinesa de Macau” e a “Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, que está a decorrer ainda na Galeria de Exposições e na Casa da Nostalgia das Casas da Taipa, com 28 peças/conjuntos de obras de arte contemporânea, incluindo pintura, escultura, vídeo e instalação, oferecendo um banquete visual em diversos suportes e guiando o público numa viagem de autorreflexão e exploração espiritual. A exposição está patente até 1 de Março do próximo ano.

Além disso, o “Workshop de Degustação Chinesa e Portuguesa” organizou três sessões do “Workshop de Café Preparado à Mão” e três sessões do “Workshop para Pais e Filhos sobre Experiência de Escultura em Chocolate”.

Em conclusão, o IC salienta que, “como ponte cultural e artística entre a China e os países de língua portuguesa, Macau continuará empenhada em estabelecer plataformas para o intercâmbio e a cooperação cultural”. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

 


Portugal - Modelo de inteligência artificial Amália com melhor desempenho em português europeu face a outros modelos abertos

O modelo de inteligência artificial (IA) Amália tem melhor desempenho em português europeu face a outros modelos abertos, de acordo com o relatório técnico da equipa de investimento e desenvolvimento a que Lusa teve acesso.


“Os resultados mostram que o AMALIA-DPO [Direct Preference Optimization] atinge o melhor desempenho entre os modelos totalmente abertos por uma margem considerável, obtendo mesmo os melhores resultados entre todos os modelos em lexicologia e semântica, demonstrando um domínio robusto das competências linguísticas específicas” do português de Portugal em diversas categorias.

O LLM [Large Language Model ou, traduzindo, grande modelo de linguagem] português Amália tem estado em constante evolução pelo consórcio de universidades portuguesas que lidera o seu desenvolvimento.

De acordo com o relatório técnico, em avaliação aprofundada de português europeu, o Amália apresenta vantagens claras face a outros modelos abertos.

Nos exames nacionais portugueses (questões de resposta longa de português), o Amália “obtém a melhor pontuação entre todos os modelos totalmente ‘open source’, demonstrando uma boa compreensão de enunciados complexos e produção de texto coerente, com gramática e registo adequados”.

Neste relatório, “apresentamos um LLM que prioriza a língua portuguesa europeia e o seu contexto cultural”, lê-se no documento, que refere que o Amália utiliza dados do arquivo.pt e dados pós-treino preparados especificamente para o português europeu.

O documento indica que o LLM foi treinado com estratégias de modelação de linguagem e ajuste de instruções.

“Um desafio fundamental no desenvolvimento deste modelo foi a falta de ‘benchmarks’ [referências] para monitorizar o progresso do desempenho do modelo”, é apontado no relatório.

Para mitigar esta limitação, “utilizámos exames nacionais PT-PT, criámos um ‘benchmark’ linguístico e traduzimos vários conjuntos de dados” com um modelo de tradução automática (MT) dedicado de alta qualidade.

“A avaliação mostrou que o Amália supera todos os modelos de código aberto anteriores no PT-PT e muitos modelos ‘open-weight’ [que partilham os pesos (parâmetros treinados)]”, conclui o relatório técnico.

“As experiências em ‘benchmarks’ de compreensão e inferência de linguagem mostram resultados de última geração ou comparáveis, enquanto em ‘benchmarks’ de geração de linguagem o modelo destaca-se na qualidade do texto gerado. As experiências de segurança mostram também que o modelo está alinhado com o estado da arte”, lê-se no relatório.

No futuro, “iremos explorar outros métodos de aprendizagem por reforço e desenvolveremos novas combinações de dados de treino para melhorar as capacidades de raciocínio no PT-PT”.

Ou seja, na prática estes resultados indicam que o Amália está a tornar-se fiável como assistente em português europeu.

O relatório é elaborado por João Magalhães (UNL) e André Martins (IST), coordenadores, e uma equipa de cerca de 20 pessoas da Universidade de Lisboa e Universidade Nova de Lisboa.

O modelo Amalia é desenvolvido por uma equipa composta pela Universidade Nova de Lisboa, o Instituto Superior Técnico, a Universidade de Coimbra, a Universidade do Porto, a Universidade do Minho e a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O processo de criação do Amália começou com a recolha e processamento de dados em português europeu em larga escala, os quais foram filtrados com base na sua relevância e qualidade linguística. Para este efeito, recorreu-se ao Arquivo da Web portuguesa. O modelo foi pré-treinado com estes dados e posteriormente afinado em outros conjuntos de dados para seguir instruções, raciocinar e resolver problemas.

Para levar a cabo o treino dos modelos, foi utilizada infraestrutura computacional em grande escala, através de supercomputadores nacionais (Mare Nostrum 5 e Deucalion) e europeus (através da rede EuroHPC). In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


Moçambique - Mais da metade dos examinados da nona classe reprovados na cidade de Maputo

Alunos e encarregados de educação entram e saem de estabelecimentos de ensino da cidade de Maputo, para consultar os resultados da nona, décima e décima segundas classes. Enquanto os da décima e a décima segunda saem entre lamentações e alegria, com os resultados já publicados, os alunos da nona classe continuam em suspense. É que, após a realização dos exames remarcados para os dias 8 e 9 de Dezembro, devido ao anulamento por fraude de violação dos envelopes, na província da Zambézia, as escolas ainda não têm resultados.


“O processo da nona classe ainda está a decorrer”, disse Élio Martins Mudender, director dos Serviços Sociais da Cidade de Maputo numa entrevista ao jornal O País. A fonte justifica que os constrangimentos registados na Zambézia, com impacto por todo o país, estão por trás da demora. “Neste momento, os técnicos estão a monitorizar o processo e a recolher os dados”, afiançou.

Na capital do país, foram submetidos ao exame da nona classe 18.049 alunos, e os Serviços Sociais da Cidade de Maputo falam de um resultado negativo de 65%. “É uma experiência nova, todos estamos a aprender com isso, e quero acreditar que nos próximos anos teremos um cenário melhor, aprendido em 2025, para melhorar a qualidade do nosso ensino”, assumiu Mudender.

Esta é a primeira vez que a nona classe realiza exame, no âmbito da revisão do programa curricular iniciado em 2018. In “O País” - Moçambique


Moçambique - Zainabo José lança “Alabastro” e o vídeo da música “Tua Presença”

A cantora moçambicana Zainabo José lançou, recentemente, o seu novo álbum intitulado Alabastro, um projecto musical profundamente espiritual que marca uma fase de maior maturidade artística e entrega na sua caminhada ministerial.

Como forma de promover o álbum, a artista disponibilizou também o videoclipe da música Tua Presença, já acessível no seu canal oficial do YouTube.

Inserida no universo da adoração, Tua Presença nasce de um lugar íntimo e sincero, onde a música deixa de ser desempenho para se tornar entrega total. O tema integra o álbum Alabastro e carrega uma forte simbologia espiritual, remetendo ao valor do derramamento, do sacrifício e da devoção genuína. Para Zainabo José, o alabastro não representa perfume, mas sim o reconhecimento da Presença divina, ideia que atravessa toda a estética e mensagem do projecto.

O álbum Alabastro é composto por 10 faixas e conta com produção musical de Chriis Fontana, com quem a cantora trabalhou ao longo do projecto. O disco apresenta ainda uma participação especial da artista Jenny.

De forma geral, as músicas expressam o amor da cantora por Deus e reforçam a necessidade de um regresso à essência da verdadeira adoração, num convite à reflexão, à entrega e à intimidade espiritual. In “Moz Entretenimento” - Moçambique



Angola - Peça teatral ”Sobreviver em Tarrafal” vai ser exibida no Royal Plaza, na cidade de Luanda

A Companhia de Teatro Horizonte Nzinga Mbande voltará a exibir, na próxima terça-feira, 30, a partir das 19 horas, no Royal Plaza, em Luanda, a peça teatral “Sobreviver em Tarrafal”.


O evento, que será promovido pela Companhia Internacional de Teatro, está inserido nas celebrações dos 50 anos de Independência Nacional.

O espectáculo, que terá mais de duas horas, será protagonizado pelos actores David Enoque, Júlia Capemba, José Galiano, Edusa Chindecasse, Madaleno da Fonseca, Neusa Marleny, Jeremias Caracol, Nário Sá Pinto.

Trata-se de um texto que pertence ao escritor António Jacinto, dos extratos dos poemas do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto. In “O País” - Angola


domingo, 28 de dezembro de 2025

Macau - Cultura sino-portuguesa sobe ao palco em nova produção teatral da série “Macasaphis”

A fusão cultural que define a identidade de Macau e se manifesta no quotidiano das suas ruas, linguagem e gastronomia, será agora transposta para o palco numa nova produção teatral local. “Macasaphis Episódio 3.0 Cultura Sino-Portuguesa”, a terceira edição da série do Frost Ice Snow Creative Experimental Theatre, estreia em Janeiro na Torre de Macau, propondo uma reflexão artística contemporânea sobre a singularidade cultural do território e suas heranças


Uma nova produção teatral local traz ao público uma viagem artística pela identidade cultural única do território. Macasaphis Episódio 3.0 Cultura Sino-Portuguesa, uma criação original do Frost Ice Snow Creative Experimental Theatre, terá a sua única grande apresentação no dia 10 de Janeiro, às 20h00, no Teatro do 4.º andar da Torre de Macau. Com o apoio do Fundo para o Desenvolvimento Cultural, este espectáculo marca a terceira edição da aclamada série “Macasaphis”, que desde 2022 tem usado a moda como meio narrativo para contar as histórias que teceram a cultura de Macau, fazendo referência ao papel da cidade como um fértil terreno de cruzamento criativo.

Segundo os criadores, a produção tem como missão explorar e celebrar a cultura sino-portuguesa através da lente do quotidiano macaense. A equipa descreve o trabalho como “uma oferta para o povo de Macau”, com o objectivo central de criar uma peça que ressoe profundamente com o público local. A narrativa pretende reflectir a forma como os residentes de Macau compreendem e experienciam esta fusão cultural nas suas vidas diárias, destacando a “beleza única, inclusiva, dinâmica e diversificada” da identidade local. O humor característico de Macau será um elemento-chave, permitindo que a audiência se veja representada em palco e reviva memórias comuns, numa busca por um sentido de identidade e pertença partilhado.

Artisticamente, o espectáculo eleva o conceito de cruzamento de fronteiras artísticas a um “novo nível”, integrando seis formas de expressão num único espaço: o palco. A obra terá um desfile de moda, um ‘talk show’, música ao vivo, teatro, ‘storytelling’ e dança. O visual será protagonizado por dez peças de vestuário originais, criadas especificamente para a peça pelo conceituado designer de moda local Ng Chi Wai (Memphis). A actriz natural de Macau Ko Weng Si conduzirá o espetáculo através do seu ‘talk show’, enquanto as actuações musicais ao vivo estarão a cargo de Chong Chi Ip e Wan Sin I, com música original de Kun Ka Ian. A componente de dança incluirá uma reinterpretação da dança folclórica portuguesa por Lai Chit e Wong Weng Tong, completando uma experiência multifacetada que pretende guiar o público numa “jornada artística inesperada”. Esta abordagem inovadora posiciona o projeto como uma proposta ambiciosa do actual panorama criativo local, fomentando uma colaboração artística multidisciplinar que valoriza tanto a tradição como a experimentação, onde se experimenta tanto na cultura portuguesa como na chinesa.

Para além da apresentação principal, e como forma de aprofundar o envolvimento do público com o processo criativo, a companhia organizará a “Exposição de Moda Macasaphis 3.0”. Esta mostra gratuita estará patente no Piso de Observação T58 da Torre de Macau, de 12 a 31 de Janeiro, exibindo peças de vestuário destacadas do espectáculo, bem como esboços e materiais que revelam o processo criativo do designer. A exposição serve como uma extensão natural do espectáculo, oferecendo uma oportunidade para o público apreciar de perto o meticuloso trabalho de design e costura que dá vida visual à narrativa cultural no palco.

“Macasaphis Episódio 3.0” terá uma duração aproximada de 90 minutos, sem intervalo, e será interpretado em cantonês. Os bilhetes, já à venda, estão disponíveis em duas categorias, uma entra a 180 patacas (geral) e outra especial para estudantes a 160 patacas. Os lugares não são marcados, sendo a ocupação por ordem de chegada. As entradas podem ser adquiridas através das plataformas de redes sociais da companhia e do mini-programa de WeChat “Applied Theatre”. Esta acessibilidade e o formato intimista pretendem democratizar o acesso à experiência cultural, alinhando-se com a visão dos criadores de fazer uma arte que seja, acima de tudo, para e sobre a comunidade macaense.

Através desta fusão de moda, performance e narrativa cultural, o Frost Ice Snow Creative Experimental Theatre diz pretender reafirmar a sua relação profunda com o envolvimento cultural local e em co-criar, com a comunidade, as histórias que definem a região. O projecto não se limita a ser um evento isolado, mas insere-se num percurso contínuo de quatro anos da companhia, constituindo-se como um novo marco na sua jornada de interpretação e celebração da malha identitária de Macau. Elói Carvalho – Macau in “Ponto Final”


Sonho de liberdade

 












Sonho de liberdade

 

Fiquei a noite inteira a sonhar.

Pensei na vida que tive durante a guerra.

Sonhei com uma vitória certa,

Que libertará o meu ser das algemas da guerra.

 

Ainda de noite adormecido fiquei.

Era madrugada com pequena claridade.

P'ra fora pela janela uma variedade espertei,

Vi a estrela da madrugada a comparecer com a sua bondade

 

Vi uma estrela a cair nessa aparecida

Foi uma sorte vinda da casa dos loros sagrados

Que desceu no seu lar p'ra libertar os sofridos

Também eu desejava receber essa sorte aparecida.

 

O que tinha visto no meu sonho de ontem a noite,

Não foi ilusão de obter vitória na guerra.

Foi uma verdade que sinto agora com contente,

Que estou livre mesmo nas algemas da guerra.

 

Vicente Paulino – Timor-Leste

In Alma Guerreira Timorense (2021, Díli, Edição de Autor)

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Vicente Paulino, é um poeta timorense, nasceu em 1 de outubro de 1978 em Holsa-Maliana (Timor). É Licenciado e Mestre em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Doutorado em Estudos de Literatura e Cultura / especialidade em Cultura e Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É professor e diretor do Centro de Estudos de Cultura e Artes da Universidade Nacional Timor Lorosa'e (CECA-UNTL). Foi Professor Convidado para o curso de mestrado em Relações Internacionais da Universidade da Paz (UNPAZ) em 2016-2017. É membro de instituições de investigação tanto em Timor-Leste como no exterior, sendo autor e co-autor dos livros – Tradições Orais de Timor-Leste (Belo Horizonte, Díli, 2016), O que é sociologia (Lisboa, 2016), Leituras do Mundo e da Natureza – Poemas (Díli, 2018), Interpretação das figuras nas portas das casas sagradas timorenses (Díli, SEAC, 2019), Alma Guerreira Timorense, Poesia (Díli, 2021, Edição de Autor). A luta pela independência do seu país e o combate da resistência ao invasor indonésio são temas que acompanham a sua escrita. Baía da Lusofonia com “Edições Afrontamento”


Salvador


 










Vamos aprender português, cantando

 

Salvador

 

Olho pro Sol

Teimoso como um rei

Ah, quem eu sou,

era, e quem serei?

Logo me dá

Fome e sede na estrada

Da

Terra de lá

Ferro da minha espada

 

Flecha veloz

Obra da minha mão

A minha voz

Vibra no meu cordão

Fonte de luz

Minha canção na guerra

Tanto me diz

Coisas da minha terra

Em 

 

Mais um dia em que eu não fui vencido, amor

No galope empunhava meu pendão

(Eu sou)

Sou guerreiro tão forte e destemido

Não caí mas vi partido

Meu broquel com meu brasão

Nesse golpe meu peito foi ferido, amor

Minha lança deitei na minha dor

(Mas só)

Veja, o arco ainda para estendido

Mudo como meu gemido

Sob o céu do Salvador

 

Meu corpo é

Destro, hábil e são

Toque de fé

Tambor do coração

Bloco de chão

Berço que assaz me abraça

Aço e latão

Tecem minha couraça

 

Longe senti

Falta do sal do mar

Como Peri

Volto pra te buscar

E me deitar

Nas calmas mornas águas

Logo deixar

Nas vagas as minhas mágoas

 

Mais um dia em que eu não fui vencido, amor

No galope empunhava meu pendão

(Eu sou)

Sou guerreiro tão forte e destemido

Não caí mas vi partido

Meu broquel com meu brasão

Nesse golpe meu peito foi ferido, amor

Minha lança deitei na minha dor

Mas só

Veja, o arco ainda para estendido

Mudo como meu gemido

Sob o céu do Salvador

 

Mais um dia em que eu não fui vencido, amor

No galope empunhava meu pendão

(Eu sou)

Sou guerreiro tão forte e destemido

Não caí mas vi partido

Meu broquel com meu brasão

Nesse golpe meu peito foi ferido, amor

Minha lança deitei na minha dor

Mas só

Veja, o arco ainda para estendido

Mudo como meu gemido

Sob o céu do Salvador

 

Zeca Veloso – Brasil

Caetano Veloso – Brasil

Moreno Veloso – Brasil

Tom Veloso – Brasil

Composição:

Zeca Veloso - Brasil