O projecto foca-se nas “relações humanas em contexto
profissional” e é sobretudo direccionado para a inovação social, explicou o
presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca. Segundo disse, não se sabe
ainda qual o valor com que a instituição de Macau vai contribuir, mas o
orçamento total da iniciativa é de 12 mil euros
A
Caritas Macau irá financiar a Cáritas Portuguesa “para capacitação numa área
que é das relações humanas, em contexto profissional”, disse ontem o presidente
da instituição portuguesa, Eugénio Fonseca, antes de uma visita às instalações
da congénere do território. “Estamos a preparar uma formação para melhor
entrosamento entre os colaboradores da Cáritas, que se espalham por 20 Cáritas
diocesanas, ou seja, por Portugal inteiro, e é preciso financiar os
formadores”, sublinhou.
“A
Caritas Macau vai ajudar-nos com uma verba inicial”. Este poderá ser o primeiro
financiamento da instituição, a não ser que outros projectos em vista avancem
primeiro. O total do projecto tem um orçamento de 12 mil euros (mais de 107 mil
patacas ao câmbio actual), não se sabendo ainda qual o contributo por parte da
Caritas Macau.
Em
foco estarão áreas como a gestão de recursos humanos, formação de pessoas no
terreno, mas “sobretudo apontada muito para a perspectiva de inovação social,
que é um tema forte para a União Europeia capacitarmos os técnicos para a
criatividade, nesta lógica de uma maior inovação em termos sociais”. “Na área
social tem havido inovação mas muitas vezes não há vontade política”,
acrescentou.
Eugénio
Fonseca afirmou que gostaria que o curso “começasse daqui a um mês, o mais
tardar em Março”. Neste contexto, o secretário-geral da Caritas Macau, Paul
Pun, afirmou que “os portugueses poderão depois formar outras pessoas nos
países de língua portuguesa” tendo por base os padrões da “Caritas
Internationalis”.
Segundo
Eugénio Fonseca – que se encontra pela primeira vez no território para uma
visita de vários dias – a capacitação das relações entre os agentes que
trabalham na Cáritas não é um “trabalho fácil”, mesmo em países desenvolvidos.
Assim,
explicou, “com a ajuda do instituto português, que forma, sobretudo, gestores e
com a ajuda da Caritas Macau, vamos candidatar-nos a um projecto que depois se
der bons frutos em termos de assimilação e experimentação até podemos vir
replicar a Macau, se Macau considerar, feita a avaliação, que também é
importante”.
Relativamente
ao projecto de ensino de mandarim em Portugal, Eugénio Fonseca disse, já depois
de uma reunião ao final do dia de ontem, ao Jornal Tribuna de Macau que é a
Caritas Macau quem “vai delinear o perfil dos formadores por causa dos níveis
de aprendizagem que se vão requerer aos alunos”.
Depois
em Portugal, a ideia é ver quais as regiões onde há mais macaenses a estudar
para que possam ajudar no processo de ensino. Serão formados grupos de
aprendizagem conforme os meios financeiros e os formadores que houver
disponíveis.
Quanto
ao tecto máximo deste financiamento, disse não haver por enquanto. “Depende das
capacidades financeiras da Caritas Macau, porque Portugal não tem essa
possibilidade dado estar direccionada para outras acções para as quais também
vai entrar em parceria com a Caritas Macau, que é a ajuda a países que neste
momento estão em conflitos armados, como os do Médio Oriente”, explicou.
Na
prática, o que a Caritas pode fazer é “acolher os migrantes”. Eugénio Fonseca
referia-se ao papel da Cáritas Portuguesa, “embora a Caritas Macau esteja
disponível para ajudar no apoio a esses migrantes porque há encargos nesse
acolhimento que a União Europeia devia definir com maior clareza (…) para que o
acolhimento e protecção possam ser feitos da melhor forma”.
Outro
dos pontos do protocolo assinado entre as instituições congéneres apontados por
Eugénio Fonseca é “a ajuda que Macau pode dar aos portugueses que estão a sair
da Venezuela”. O presidente da Cáritas Portuguesa disse esperar que “o regime
seja mais benévolo” com as instituições de solidariedade para que possam fazer
chegar ajuda no campo da alimentação e escolar.
Paul
Pun guiou ontem o presidente da Caritas Portuguesa numa visita pelas
instalações da instituição no território durante a qual Eugénio Fonseca pode
contactar com um grupo de idosos que cantou uma música alusiva ao Ano Novo
Chinês. “Em Portugal, o ano novo já foi, mas todos os dias são novos dias”,
disse, em tom de brincadeira.
Projectos em São Tomé e Bissau “em cima da secretária”
Questionado
sobre o estado do projecto delineado para apoiar instituições de acção social
em São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, o presidente da Cáritas Portuguesa disse
que “não está na gaveta, mas em cima da secretária a sofrer as alterações
necessárias”.
Segundo
explicou, não viram as candidaturas feitas em nenhum dos países serem
contempladas. “Mas esta capacitação é uma urgência por uma razão óbvia, para
que deixem de viver dependentes de subsídios e para que tenham mecanismos de
autoconstrução dos seus projectos colectivos e individuais”, observou.
O
projecto está a sofrer melhorias e deverá mais tarde ser submetido a novo
concurso. “Percebemos que o dinheiro era pouco para muitas candidaturas mas
também nos deram algumas sugestões”, frisou, acrescentando que concorda que
“não podemos estar todos a fazer o mesmo no mesmo lugar”. “Por isso, vamos
fazer algumas melhorias que diversifiquem [o projecto]”, concluiu. Catarina
Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”
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