Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 3 de abril de 2024

Macau - Festival Letras & Companhia regressa com foco na saúde mental

O festival literário e cultural Letras & Companhia está de volta e esta edição terá como tema a saúde mental. A iniciativa, organizada pelo Instituto Português do Oriente – IPOR, vai decorrer entre os dias 15 de Abril e 7 de Maio


“GentilMente” é o título da edição deste ano do festival literário e cultural Letras & Companhia, que regressa entre os dias 15 de Abril e 7 de Maio, e que tem como tema principal a saúde mental. Esta é a quarta edição desta iniciativa organizada pelo Instituto Português do Oriente – IPOR, em parceria com o Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e com o apoio da Fundação Galaxy Entertainment Group.

Tendo as crianças e os jovens em idade escolar como destinatários prioritários, este festival multidisciplinar “procura mobilizar e convocar eficazmente todas as faixas etárias da comunidade, das escolas e seus actores”.

Assim, o Letras & Companhia deste ano centra-se no conceito dos “Três L’s” – língua, livro e leitura. Haverá um programa aberto e outro direccionado às escolas, com actividades que vão desde a música às artes performativas, passando pelas oficinas para pais e filhos, sessões de leitura, lançamento de livros, entre outras.

A saúde mental é, então, o tema principal da edição deste ano do festival e a organização explica: “Mais do que um cenário de ausência de problemas, a saúde mental é entendida como um estado onde o indivíduo está bem o suficiente para lidar com situações, tão diversas quanto imprevisíveis, do dia-a-dia”. “Afinal, viver no mundo contemporâneo implica lidar diariamente com as complicações causadas pelo intenso ritmo da vida e pela aparente fragilidade de algumas relações, contratempos que podem prejudicar as nossas relações sociais a médio e longo prazo”, acrescenta o comunicado de imprensa.

A arte, diz a organização do festival, é uma forma adequada para ajudar a compreender e comunicar conceitos e emoções. Estudos da Organização Mundial da Saúde dizem mesmo que ouvir música, dançar, ir ao teatro ou a um museu “pode trazer benefícios duradouros à saúde emocional, além de gerar impactos positivos na autoestima”, cita a organização do Letras & Companhia.

Para a edição deste ano, o IPOR convidou a autora e ilustradora Marina Palácio para apresentar em Macau dois livros da sua autoria. Durante a sua passagem pelo território, Marina Palácio irá promover um conjunto de oficinas nas escolas e uma aberta ao público, assim como uma formação para professores.

Fará também parte do programa a apresentação do segundo volume da colecção “Contos do País do Arco-íris”, da autoria de Mário Lúcio, e “Uma Menina Chamada Nuvem”, livro editado pelo IPOR em português e chinês com ilustrações do próprio autor. Com base na história do conto, a companhia de dança Raiz di Polon, também de Cabo Verde, encenou um espectáculo com estreia em Macau. Do mesmo autor e para celebrar os seus 60 anos, Mário Lúcio realizará também um concerto com um repertório íntimo e alegre, que reúne as suas composições mais conhecidas e que retrata o seu percurso de vida.

O programa contará ainda com a participação de projectos desenvolvidos e dinamizados por Rita Gonçalves, Sandi Manhão, Andreia Martins e as psicólogas Bárbara Mota e Goreti Lima, que desenvolverão oficinas de ioga, de aromaterapia, de gestão de emoções, de arte associada à terapia emocional, entre outras. À imagem da edição de 2022, este ano será também realizada uma exposição, intitulada “O que senti durante a pandemia”, que contará com obras das escolas locais e a participação especial da designer Clara Brito com uma peça feita para a ocasião.

Ainda incluído no programa dirigido a escolas e universidades, a companhia de dança Raiz di Polon irá realizar um conjunto de oficinas de dança e expressão corporal. As psicólogas Bárbara Mota e Goreti Lima dinamizarão sessões de gestão de emoções e ioga do riso, e o escritor Mário Lúcio visitará a Escola Portuguesa de Macau para um encontro com os mais pequenos.

Serão ainda apresentados dois livros de autores locais: a versão em português do livro de Christopher Chu e Maggie Hoi intitulado “Macau’s Historical Witnesses” e a edição de autor infantojuvenil “I Want to be Happy” de Mikel Ko. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”


quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Galiza - Estatísticas confirmam mínimos históricos no uso do galego



A partir dos dados do Censo 2021 do INE (Instituto Nacional de Estatística espanhol), na passada semana saia em vários meio de comunicaçom a notícia que situa o uso do galego por baixo do castelhano na Galiza por primeira vez na história. Um dado que nom surpreende, já que é coerente com o continuo retrocesso em que se situa a nossa língua desde há décadas.

Mais trabalhos tenhem analisado esta tendência, como o trabalho que publicamos neste portal, de Roberto Samartim, ou o estudo sobre as escolas infantis do concelho de Ames que realizou a RAG no ano passado e que constata que o sistema educativo funciona como espaço de perda linguística.

Umha realidade que preocupa as pessoas sensíveis à situaçom do idioma, e na que afundamos no PGL com umha série de entrevistas semanais durante todo o ano passado, para analisar a saúde do idioma após 40 anos de oficialidade, assim como o especial que vem decorrendo este 2022 focado na situaçom no ensino: Novo Ensino para o Galego.

Com os dados do recente adiantamento do castelhano sobre a língua própria, forom muitos os posicionamentos públicos a este respeito: da Mesa pola Normalización Lingüística mostraram a sua preocupaçom, com “que quase o 30% dos menores de 20 anos declarem sérias dificuldades ou impossibilidade de se exprimirem na língua da Galiza” sinalou o presidente da entidade, Marcos Maceira.

O presidente da Associaçom Galega da Língua (Agal), Eduardo Maragoto Sanches também falou para a imprensa a respeito destes dados, lamentando a “falta de visom estratégica” para evitar chegar a este momento, e para além de alarmar-se, sugere tomar medidas concretas: “Som otimista, mas devemos focar bem os objetivos. Nom faz sentido prolongar indefinidamente a estratégia de convencer cada galego por puro sentimentalismo ou patriotismo”, argumenta, nesse sentido fai finca-pé em as pessoas usuárias da língua sentirem a vantagem estratégica de fazer parte da lusofonia: “Falarmos diretamente com trinta países, essa é a maior plus-valia que tem o galego”, afirma o presidente da AGAL, que considera que isto, ademais, permite manter “o galego mais genuíno”.

Nesta linha, Ana Pontón, vozeira nacional do BNG, reconhece que é possível reverter a situaçom para impedir a perda “dum sinal de identidade e orgulho” que nos conecta “com mais de 300 milhons de pessoas”, declarou, em relaçom às comunidades lusofonas de todo o mundo. Ana Pontón denunciou o decreto do pluriliguismo no ensino como “a coartada” com que o PP lhe tira espaço no ensino ao galego, e denuncia que as crianças “entram pola porta da escola falando galego e saem falando castelhano”. Concordou nisto o Secretario Geral do PSdeG, Valentín González Formoso, quem sinalou que a promoçom do inglês do decreto “foi a escusa de Feijoo para reduzir o peso do galego na escola”.

Perguntado sobre esta questom, o presidente do governo galego, Alfonso Rueda, disse que no nosso país há “cordialidade linguística”, mas reconheceu a obriga de fomentar o uso do galego. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

 

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Portugal - Patuá volta a ter oficina promovida pelo Centro Científico e Cultural de Macau, em Lisboa

Depois de ter promovido uma oficina de Patuá, durante 32 sessões entre Maio e Outubro, o Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) volta a promover o crioulo macaense de raiz marcadamente portuguesa – dialecto enquanto língua minoritária decretada pela UNESCO, em risco de extinção –com mais uma oficina.

No próximo dia 11 de Novembro, sexta-feira, entre as 10h e as 13h (horário em Portugal), nas instalações do CCCM será ministrada uma oficina com apresentação e introdução de Joaquim Ng Pereira.

O programa engloba um primeiro painel de poesia em Patuá recitado pelos formandos, com temas do poeta macaense José dos Santos Ferreira (Adé), com acompanhamento musical do duo “A Outra Banda” composto por Carlos Piteira e Jaime Mota. Será ainda interpretado o tema “Bastiana” e outros temas, não divulgados pelo comunicado de imprensa enviado pelo CCCM às redacções. O segundo painel de poesia, também recitado pelos formandos, será acompanhado à viola apenas por Carlos Piteira.

Haverá ainda lugar a uma leitura de um teatrinho em Patuá, texto original de dois formandos – Maria Helena Carmo e Raúl Gaião – interpretado pelos alunos da Oficina da Língua Patuá.

Joaquim Ng Pereira nasceu em Macau e é filho de pai português e mãe chinesa. É licenciado em Ciências da Comunicação e Cultura e mestre em Programação e Gestão Cultural, ambos obtidos na Universidade Lusófona, em Lisboa. O tema da sua dissertação de mestrado teve incidência sobre o Museu de Macau do CCCM. É sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, como membro da Comissão das Migrações, onde promove encontros cuja temática tem sido sobre Macau, Portugal e os macaenses. A sua vocação tem sido a promoção e divulgação do Patuá e da cultura macaense. In “Ponto Final” - Macau

 

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Portugal - Festival internacional em Lisboa celebra a literatura e a língua


Lisboa – O Festival Internacional de Língua Portuguesa – 5L arrancou ontem em Lisboa com várias actividades como debates, mesas de autor, exposições, cinema e espectáculos de música e teatro, contando com a participação do cabo-verdiano Mário Lúcio.

De acordo com a organização, o festival literário, uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, que já vai na sua segunda edição, a decorrer de 04 a 08 deste mês, propõe celebrar simultaneamente a língua, a literatura, os livros, as livrarias e a leitura.

“O festival tira partido da vida cultural da cidade, mas pretende, ao mesmo tempo, convidar novos públicos para que descubram autores tanto antigos como modernos, livros tanto recentes como esquecidos e tópicos desafiantes em torno do tema da língua e dos seus falantes”, explicou a organização.

No programa que inclui debates, mesas de autor, exposições, cinema e espectáculos de música e teatro, com prosa e poesia de autores portugueses e estrangeiros, Mário Lúcio, juntamente com “Os Kriols”, estará no Teatro Inatel para um concerto, hoje, 05 de Maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Também para celebrar a efeméride, o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua Portuguesa promove um conjunto de actividades da Rede Camões em 52 países, nomeadamente Cabo Verde, Angola, Argélia, Egipto, Etiópia, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Brasil, Luxemburgo, entre outros.

Entre as actividades estão programadas, de entre outras, festivais de cinema, teatros, leituras, conferências, exposições, concertos, workshops, concursos de fotografias, palestras, jornadas científicas e simpósios, todas versando sobre a língua portuguesa.

A data de 05 de Maio foi oficialmente estabelecida em 2009 pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como sendo Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP.

Em Novembro de 2019, na 40ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), foi proclamado o 05 de Maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa, na sequência da proposta de todos os países lusófonos, apoiada por mais 24 Estados, incluindo países como a Argentina, Chile, Geórgia, Luxemburgo ou Uruguai.

Este dia celebra a projecção da quarta língua mais falada no mundo. Com mais de 265 milhões de falantes, é língua oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

É também um dos idiomas oficiais de Macau. Existem importantes comunidades falantes do português na América do Norte. As Nações Unidas estimam que, em 2050, 387 milhões de pessoas falem português. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

terça-feira, 19 de abril de 2022

Portugal - Festival literário Lisboa 5L quer ser uma referência na língua portuguesa


O festival literário Lisboa 5L, previsto para maio, tem uma programação com uma “ambição desmedida” e quer ser “um festival de referência” da língua portuguesa, segundo disse o diretor artístico, José Pinho.

O Festival Internacional Literatura e Língua Portuguesa – Lisboa 5L – cumprirá a terceira edição de 04 a 08 de maio, mas será a primeira verdadeiramente presencial, ocupando quase trinta espaços da cidade, depois de duas edições afetadas pela pandemia da covid-19.

A programação deste ano, apresentada na Estufa Fria, em Lisboa, divide-se por dez eixos, entre conversas, exibição de cinema, teatro em livrarias, uma feira do livro ao ar livre, exposições, tertúlias, oficinas para os mais novos, apresentações e lançamentos literários, convocando mais de uma centena de convidados.

“Quando temos isto como eixo de programação, cada um deles já é uma ambição por si só, agora todos juntos é uma ambição desmedida”, admitiu José Pinho.

A longa lista de autores convidados inclui vários autores portugueses como Joana Bértholo, Filipa Leal, Patrícia Portela, Afonso Reis Cabral, Valério Romão, Catarina Sobral, Tânia Ganho, Isabel Minhós Martins, Maria do Rosário Pedreira e Nuno Júdice, mas também autores do universo lusófono, como o angolano José Eduardo Agualusa e o cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa.

A autora alemã Anne Weber, a escritora marroquina Leila Slimani e o romancista cubano Leonardo Padura também estarão nesta edição do 5L.

A extensa programação do festival – “para todo o público” – contará ainda com uma feira do livro no Largo de São Carlos, encenações de teatro em duas livrarias e num hotel e vários concertos, como o “Palavra Prima – Tributo a Chico Buarque”, no Teatro Municipal São Luiz, com Jorge Palma, Luísa Sobral, Luca Argel, Garota Não e Alice Neto de Sousa.

Na apresentação, José Pinho explicou que fez o convite a Chico Buarque, mas o Prémio Camões 2019 não poderá estar presente. “Voltaremos a convidá-lo”, disse à Lusa.

Destaque ainda para um ciclo de cinema no Cinema Ideal e uma exposição de ilustração portuguesa no largo José Saramago, no âmbito do centenário do Nobel da Literatura 1998.

O festival irá ainda celebrar o centenário do nascimento das escritoras Salette Tavares e Maria Judite de Carvalho.

“Aquilo que nós queríamos e pudemos sonhar é que este festival se torne num festival de referência em Portugal e no mundo, como há outros”, disse José Pinho, sublinhando que Lisboa tem capacidade para acolher um evento que consiga “agregar a língua portuguesa, nas diferentes formas e diferentes países”.

Na apresentação, José Eduardo Agualusa disse que o Lisboa 5L vem colmatar uma falha, porque “não havia um grande festival literário em Lisboa”.

“Espero que este festival cresça mais, porque continua a faltar ao mundo de língua portuguesa, no universo da língua portuguesa, um grande festival literário capaz de atrair não só os leitores, mas capaz de atrair, por exemplo, agentes literários, jornalistas culturais do mundo todo”, disse o escritor.

O Festival Lisboa 5L é organizado pela câmara municipal de Lisboa e, segundo José Pinho, tem um orçamento de cerca de 200 mil euros.

O título 5L diz respeito a “Língua, Literatura, Livros, Livrarias, Leitura”.

Toda a programação, locais das atividades e lista de autores convidados encontra aqui. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


 

sábado, 26 de março de 2022

Galiza - “O alunado de português multiplicou-se por cinco desde a entrada em vigor da Paz Andrade” segundo Valentín García

Em 2021 fizérom-se 40 anos desde que o galego passou a ser considerada língua oficial na Galiza, passando a ter um status legal que lhe permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisarmos este período, estivemos a realizar ao longo de todo 2021 umha série de entrevistas a diferentes agentes. Agora, já em 2022, queremos continuar a refletir sobre isto, mas focando um âmbito em particular, de importância estratégica: o ensino.

Uma das entrevistas previstas era a do Conselheiro de Educaçom, que no entanto delegou as suas respostas no secretário geral de Política Linguística, Valentín García, que já o ano passado tinha atendido o nosso questionário, dando portanto agora também a sua perspetiva sobre a situaçom do galego no ensino.

Que avaliaçom fás dos resultados do ensino do galego após 40 anos como matéria troncal?

A avaliaçom tem que ser necessariamente positiva. Incidiu tanto no prestígio como no conhecimento da língua e foi fundamental para estender a norma culta. Todos os inquéritos refletem uma melhoria no conhecimento do galego, sobretodo das competências escritas, na sequência da implantaçom da matéria de língua e hoje temos a geraçom melhor formada da história na língua própia da Galiza.

E da presença do galego como língua veicular no ensino público?

Pois o mesmo, incidiu tanto na melhoria das atitudes para a língua como no conhecimento. Tardou mais em chegar, mas à medida que se foi estendendo a focagem comunicativa no ensino de línguas e que mudou a nossa perspetiva sobre como se aprendem os idiomas, tornou-se evidente a sua necessidade. Para dominar uma língua há que usá-la, nom basta conhecer teoricamente a sua gramática. Isso é o que está na base da presença das duas línguas cooficiais da Galiza como veiculares no ensino.

Achas que esta presença guarda relaçom com a sua presença como língua ambiental nos centros educativos?

Até onde sabemos, nom há uma relaçom direta entre o número de horas de aulas que o alunado recebe em galego e o idioma que usa depois com os seus iguais, no pátio e na rua. Estou certo de que ajuda, porque sem conhecimento e sem prestígio da língua é difícil que se poda usar, mas há muitos outros factores que estám presentes nas decisões de uso linguístico dos rapazes: a língua familiar, a língua ambiental, os meios de comunicaçom, as atividades extraescolares… Por isso, para obter resultados, necessitamos trabalhar em diferentes âmbitos e de diferentes perspetivas; a partir da regulamentaçom das horas de aulas em galego, mas também a partir da dinamizaçom da língua, como fazemos com as equipas de dinamizaçom dos centros educativos ou diferentes programas.

Pensas que deveria mudar alguma cousa no ensino da matéria de Lingua Galega e Literatura?

Em Educaçom nunca paramos de mudar para melhorar. No ensino da língua galega leva-se feito muito trabalho na passagem de uma focagem centrada no ensino teórico da gramática para uma focagem comunicativa, e ainda continuamos nisso. O programa Nós tamén creamos!, que anima o alunado de Infantil e Primária a criar curtas de animaçom em galego com a ajuda do seu professorado, vai nessa linha, por exemplo. E também na de introduzir novas ferramentas relacionadas com o audiovisual e com a tecnologia nas aulas. Ademais, cuido que há que continuar a incrementar o trabalho com a oralidade e aprofundando no tratamento integrado de línguas.

Qual deve ser o papel do português no ensino? Ampliar a sua presença como segunda Língua Estrangeira? Ser lecionada dentro das aulas da matéria troncal de galego? Ambas?

A Junta realizou um esforço importante nos últimos anos para introduzir e estender a matéria de português nos centros de ensino e os resultados animam-nos a continuar a traballar nesta linha. O alunado de português multiplicou-se por cinco a partir da entrada em vigor da chamada Lei Paz Andrade e acho que isso tivo efeitos positivos sobre a valorizaçom do galego –que se vê como uma língua útil para aceder à Lusofonia-, sobre o próprio português –que antes nom se via como idioma igual de importante que o inglês e o francês- e sobre as relações entre ambos.

Pensas que implementar linhas educativas diferenciadas (uma com imersom linguística em galego) poderia ser útil para o galego voltar aos pátios?

A Lei de normalizaçom lingüística nom contempla esta possibilidade, senom que advoga pola convivência das duas línguas e de castelhanofalantes e galegofalantes nos mesmos espaços. Eu penso que esse convívio é importante numa sociedade bilíngue como a nossa. Por outro lado, o caso da Catalunha mostra que a imersom linguística nom garante a transferência da língua das aulas aos pátios.

O último relatório PISA constata que a Galiza é a Comunidade onde o alunado fala duas línguas com mais facilidade. De facto, 96% afirma falá-lo o bastante bem como para conversar com outras pessoas, por diante das outras comunidades autónomas com língua própria.

Além disso, o último estudo do IGE também evidencia que o número de galegofalantes cresce pola primeira vez desde que temos estatísticas que que o galego tem os índices de competência mais elevados de todas as Comunidades com línguas cooficiais.

Que papel atribuis ao modelo educativo inaugurado polas escolas Semente?

A Conselharia advoga pola liberdade dos pais e mães para escollerem o centro educativo cujo projeto esteja mais próximo dos valores e inquietações de cada família. Por isso, ao lado da escola pública, que aspira a acolher toda a diversidade que existe na sociedade, funcionam a escola concertada ou propostas centradas em usos linguísticos que respondem aos interesses dun determinado colectivo (ensino em inglês, em português…). Todas som positivas sempre que respeitem a legalidade vigente e contribuam para o convívio, para a coesom e para o avanço da sociedade. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

 

segunda-feira, 21 de março de 2022

Galiza - “Galego de todo o mundo” propõe perguntar ao povo

Num dos últimos programas do espaço televisivo “Galego de todo o mundo” Eduardo Maragoto sugere “realizar algum inquérito para confirmar se efetivamente os galegos e galegas querem manter afastados” o galego e o português, pois um dos argumentos que têm sido usados em prol da desvinculaçom destas línguas é a opiniom do povo

Segundo o condutor do programa, Eduardo Maragoto, existem atitudes que demonstram que o reintegracionismo nom está tam longe do senso comum popular, como o facto de que para muitas pessoas o uso do galego se limita a conversas com pessoas portuguesas ou o argumento mais usado por muitas outras para nom aprenderem português, já que com o galego seria possível entender-se “perfeitamente em Portugal”.

Afinal, o apresentador realiza a seguinte pergunta: “se as pessoas galegas fossem perguntadas sobre este assunto, pensades que se oporiam a uma mudança na política linguística galega” para convergir com o espaço lusófono? O presidente da AGAL propõe entom que os seguintes inquéritos sociolinguísticos realizados na sociedade realizem perguntas sobre o tema.



Um novo Plano de Normalizaçom

Noutro vídeo lançado recentemente por Nós Televisión, Eduardo Maragoto realizou uma avaliaçom crítica do Plan Xeral de Normalización da Lingua Galega aprovado em 2014 por unanimidade no Parlamento Galego (e preterido posteriormente polo primeiro governo de Feijó). Na sua opiniom, uma nova planificaçom linguística não deveria ignorar completamente as reinvindicações lusistas, até porque ficaria desconectado da parte mais ativa do movimento normalizador na atualidade. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

sexta-feira, 18 de março de 2022

Galiza - Nom hai fronteiras

¿Por qué no lo haces en castellano para que lo entienda todo el mundo? Si lo hicieses en español, llegaría a más gente. Conhecedes perfeitamente estas frases, estades afeitas a ouvi-las repetidas como se fossem um mantra. E o curioso é que todas essas pessoas que afirmam que o galego limita, paradoxalmente, som as que realmente vivem limitadas polas suas fronteiras

Ponho um exemplo real. Uma persoa cria vídeos para o Tik Tok em galego falando das suas cousas. Alguém deixa um comentário que di: ¿Por qué haces los vídeos en gallego? Si lo hicieses en castellano te entenderíamos todos. Esse todos ao que se está a referir som os 9 milhões de persoas que usam o Tik Tok no Estado. Numa rede social que tem 800 milhões de usuáries de todo o mundo, a persoa que deixa o comentário é incapaz de ver além das fronteiras. O seu mundo é Espanha.

 

Mas o problema já nom é essa gente. Na internet é fácil eliminar comentários e bloquear contas. O problema é que nós, como povo, temos isso interiorizado. Essa artista que cantava em galego e agora sacou um disco em castelhano, bem por ela que deu o salto. Como Ana Peleteiro nos Jogos Olímpicos. Esse ator que saía nas séries da Galega e foi para Madrid fazer filmes em castelhano, agora é que é um ator de verdade. Um ator consagrado, como as hóstias da missa. Essa youtubeira que fazia vídeos em galego e que, quando o canal começou a crescer, passou ao castelhano porque así me entienden los gallegos y los no gallegos. Porque os no gallegos vivem todos em Espanha, polo visto.

 

Nom sei se vistes a série E se…? da Marvel. É bastante jeitosinha, eu gostei, mas esse nom é o assunto. O caso é que, quando começam os episódios, uma voz em off di que a realidade é um prisma de possibilidades sem fim, onde uma única escolha pode resultar em realidades infinitas, dando origem a mundos alternativos daqueles que conhecemos. Entom, vamos considerar a questom: E se… houvesse vida fora das fronteiras espanholas?

 

Podemos deixar para um outro dia o debate de se o galego e o português som a mesma língua, mas uma cousa é inegável: as pessoas lusófonas entendem o galego. Só é preciso ver um vídeo do canal do Youtube de Nós Televisión, do Olaxonmario ou mesmo do #DígochoEu. Já nom é só que haja comentários de toda a lusofonia, é que mesmo é bem comum ver pessoas brasileiras a comentar que entendem mais facilmente o galego do que o português de Portugal. Nom digo que isto seja assim, a gente gosta muito de exagerar na internet, mas está claro que existe um público enorme de persoas que sim nos entendem, sim.

 

E bem, já sei o que estades a pensar: Já está aqui o típico reintegracionista a falar das suas teimas. E tendes razom. Vamos ir entom para fora da lusofonia. Pensai numa persoa, nom sei, da Noruega, que está a ver Netflix e lhe aparecem recomendadas as séries O Sabor das Margaridas (filmada em galego) e Fariña (filmada em castelhano). Pensades que a língua original da série vai ter alguma importância à hora de escolher qual delas ver?

 

E vamos ir um passinho mais além. Vamos pensar no anime, na animaçom japonesa, e em toda a gente que a consome na versom original legendada. Vamos pensar no fenómeno do K-Pop, música em coreano. Ou indo a algo mais clássico, vamos pensar na ópera, fundamentalmente em italiano. Imaginades a alguém deixando um comentário no vídeo do Gagnam Style que diga: La canción está bien, pero si está en coreano sólo la va a entender la gente de Corea. Deberían hacerla en castellano para que llegase a más gente. Ou, indo ao absurdo, que alguém se levantasse enfurecido no meio duma ópera e começasse a gritar: ¡No entiendo nada de lo que decís! ¡Cantad en español, que estamos en España!

 

O mundo tem mais de 7,8 mil milhões de habitantes e mais de 7.000 línguas diferentes. Se fazemos as nossas cousas bem feitinhas e sem renunciar a sermos quem somos, há muita gente aí fora a esperar com os braços abertos. Dizia Castelao que As palavras, como os páxaros, voam sobre as fronteiras políticas. Nom está mal a frase, mas eu quase que prefiro essa outra frase que cantavam as Tanxugueiras: Nom hai fronteiras. Jon Amil – Galiza in “Portal galego da Língua” com “Nós Diario”

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Jon Amil (Vigo, 1988) é um célebre escritor galego. As suas obras som geralmente distribuídas em formato post-it de maneira manuscrita, com desigual acolhida. Assim, relatos como "Deixo-che aqui os 10€ que che devia" fôrom bem recebidos, enquanto outros como "Mamã, saim com os meus amigos. Chegarei tarde. Nom esperes desperta", resultárom amplamente criticados. Atualmente deu o salto às novas tecnologias e as suas últimas obras, como "Merda! Gastou-se o butano e tivem que me duchar com água fria!", podem ser consultadas através do Twitter.

quinta-feira, 10 de março de 2022

Galiza - Sai do prelo a segunda edição do ensaio “O português esquecido” de Xosé Manuel Sánchez Rei

A obra, editada pela editora Laiovento, lança a segunda edição apenas alguns meses depois da primeira

O português esquecido, O galego e os dialectos portugueses setentrionais, é o último ensaio de Xosé Manuel Sánchez Rei (Corunha, 1973), Professor Titular da Área de Filologia Galega e Portuguesa na Faculdade de Filologia da Universidade da Corunha.  A atual segunda edição, de 620 páginas, que também conta com versão digital, emenda pequenos erros e mantém os mesmos capítulos e conteúdos que a primeira.

Durante séculos, a oralidade popular das regiões setentrionais de Portugal conservou traços fonéticos, gramaticais e lexicais que correspondem, atualmente, a características diferenciadoras entre o galego e o padrão luso. Os gramáticos, lexicógrafos e tratadistas da metrópole lisboeta combateram-nas energeticamente já desde os começos da tradição gramatical portuguesa no século XVI. Mas a maioria delas, por motivos culturais, históricos, sociológicos, etc., conseguiu sobreviver até aos anos finais do século XIX e primeiros da seguinte centúria e, nalguns casos, mantiveram-se inclusive na nossa época. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

Xosé Manuel Sánchez Rei - (Corunha, 1973) é Professor Titular na área de Filologia Galega e Portuguesa na Faculdade de Filologia da Universidade da Corunha.

A sua investigação centra-se na gramática do galego atual, na variação linguística e na linguagem literária, temas sobre os quais tem dado a lume diversos trabalhos em revistas especializadas, como Cadernos de Língua, Diacrítica-Ciências da Linguagem, Estudos Galego-Brasileiros, Madrygal, Revista de Letras, Revista Galega de Filoloxía, Revue Romane, Rostocker Romanistische Arbeiten, Verba etc.

Com Laiovento publicou os livros Se o vós por ben teverdes. A interpolación pronominal en galego (1999; Prémio Carvalho Calero de Investigación Lingüística, 1998), A lingua galega no cancioneiro de Pérez Ballesteros (2006, finalista nos Prémios da Crítica) e Lingua galega e variación dialectal (2011), Cantar na Coruña. Cancioneiro coruñés dos séculos XVIII e XIX (2017), Estudos atuais de linguística galego-portuguesa (2019, con M. Aldina Marques) etc.

Nesta mesma editora, traduziu para o galego o Curso de Lingüística Xeral de Ferdinand de Saussure (2005).

Recentemente, deu a lume Traditional Galician Cancioneiro Compiled by Cipriano Torre Enciso (2019, con Catalina T. Castillón, 2 vols.) ou Xosé Seivane. A gaita con maiúscula (2019).


quarta-feira, 9 de março de 2022

Galiza - Aberto prazo para votaçom popular da melhor cançom galega e portuguesa aRi[t]mar 2021

A listagem de finalistas polos dous países já está disponível e a data limite é 20 de março

Ari[t]mar Galiza e Portugal é um projeto didático-cultural, desenvolvido inicialmente pola Escola Oficial de Idiomas de Compostela, cujo objetivo é divulgar a música e a poesia galego-portuguesas atuais, e aproximar a cultura e a língua dos dous países.

Pode-se votar na melhor cançom galega aqui.

As propostas finalistas som:

Baiuca (feat. Lilaina), Os Vacalouras e Quim Barreiros, Sheila Patricia, Caamaño&Ameixeiras (feat. Sílvia Pérez Cruz + Carola Ortiz), Moel (feat. Guadi Galego), Davide Salvado e Abe Rábade, Dakidarría (feat. Tanxugueiras, O Rabelo), Ukestra do Medio, Os d’Abaixo e Xisco Feijoó.


Pode-se votar na melhor cançom portuguesa aqui.

As propostas finalistas som:

Tiago Nacarato & Fran, Miguel Araújo (c/ Cláudia Pascoal), Ana Moura, Elisa, Bárbara Tinoco x Bárbara Bandeira, Mariza, Carolina Deslandes, Ana Bacalhau, Orelha Negra com A Garota Não e Rita Vian.

As votaçons som anónimas, só se guardará o email e o telefone no caso das pessoas que desejem participar no sorteio dum lote de livros ou dando a conformidade para a subscriçom às newsletters do projeto.

A Gala de prémios conta com actuaçons e intervençons das e dos galardoados e tem o patrocínio das secretarias gerais de Cultura e de Política Linguística da Junta de Galiza, da Deputaçom Provincial da Corunha, do Concelho de Compostela, do Instituto Camões e do Agrupamento Europeu de Cooperaçom Territorial Galiza-Norte de Portugal.

Devido à boa acolhida desta iniciativa, quer de Portugal, quer da Galiza, expandiu-se a colaboraçom a outros centros de ensino como a Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela, o Conservatório Profissional de Música de Santiago de Compostela, a Escola Oficial de Idiomas de Lugo e a Escola Oficial de Idiomas de Pontevedra, o Centro Cultural Português de Vigo-Instituto Camões, e os centros do Ensino Português pelo Camões na Galiza: IES Arcebispo Xelmirez I (Santiago de Compostela), IES Félix Muriel (Rianjo), IES de Valga, IES Valadares (Vigo), IES Politécnico (Vigo), IES A Sangriña (A Guarda), CEIP Mariñamansa (Ourense), CEIP Manuel Luís Acuña (Ourense), CEIP Oimbra e CEIP Princesa de España (Verim) e o IES de Cacheiras (Teo). Para além disso, assinou-se um protocolo de colaboraçom entre a Conselharia de Cultura, Educaçom e Ordenaçom Universitária e mais a Companhia da Rádio e da Televisom da Galiza (CRTVG), assim, esta última difunde através dos seus meios os conteúdos audiovisuais do certame, com especial destaque para os temas musicais finalistas e ganhadores correspondentes a Galiza e a Portugal. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


domingo, 27 de fevereiro de 2022

Contra a lusofonia

É evidente a vantagem que a estratégia reintegracionista representa para o avanço do galego. Mesmo as pessoas que negam a igualdade do que se fala às duas beiras do Minho aproveitam as ferramentas do português para acederem em melhores condições ao mercado linguístico. A velocidade na produção de neologismos ou as traduções audiovisuais são valores importantes num mundo onde as línguas se desenvolvem de acordo com as lógicas capitalistas.

Porém, não fiquemos fascinados polo slogan duma língua extensa e útil. Em primeiro lugar, porque todas as línguas podem estender-se ou contrair-se: o istriota pode servir, igual que o galego, para se entender com qualquer falante duma língua românica, mas é pouco provável que fora do Morraço saibam o que significa mandá-las por terra a Peniche. E ainda mais importante, porque considerar que a utilidade depende do número de falantes é supremacismo linguístico: a língua em que falo com a vizinha é a que realmente me resulta verdadeiramente útil, por mais que a use menos gente que o mandarim.

O conceito da lusofonia é apenas a última expressão duma retórica de exaltação nacionalista e dominação colonial. Os mais de 200 milhões de falantes de português contam-se sobre a invisibilização, a discriminação e mesmo o extermínio das utentes de aparaí, balanta ou quémaque. Porque se o galego se fai idioma forte é precisamente porque também pode ser língua opressora. Resulta-nos singelo denunciar o castelhano como língua comum mas esquecemos que o Dia da Lusofonia foi chamado Dia da Raça até 1974. Há apenas um mês, uma professora escrevia num jornal cabo-verdiano que o português está ameaçado polo uso do crioulo no ensino e que o país só se pode desenvolver falando um idioma global. E o som deste cantar há soar conhecido para os ouvidos de qualquer falante duma língua menorizada.

Além disso, existe uma relação direta entre o grande capital e a promoção das línguas, como revela o cada vez maior número de artigos que analisam o seu valor económico. Não é casualidade que o Santander Totta e o Banco Comercial Português se encontrem entre os mecenas do Instituto Camões. A língua continua a acompanhar o império, antes composto de missões e conquistadores e agora de fábricas deslocalizadas e transnacionais financeiras. A entrada de Catar, Geórgia ou Japão como observadores associados da CPLP, ou a declaração do português como língua oficial da Guiné Equatorial só podem entender-se como movimentos estratégicos no tabuleiro do poder mundial.

A própria aceitação de instituições galegas como observadores consultivos, ainda que positiva para a língua, não é alheia aos interesses económicos que poda representar a Galiza para Portugal.

Talvez não se poda escapar completamente a estas dinâmicas num contexto em que as línguas se vendem e se compram como qualquer outro produto do mercado. Mas ainda é possível sonhar com um mundo ondevo português da Galiza poda servir para nos achegar às falantes de umbundo, de forro ou do asturo-leonês de Miranda, e não para situar-nos por acima delas. Com uma maneira de sermos lusófonas contra a lusofonia. Iván Cuevas – Astúrias in “Portal Galego da Língua”

Leia aqui este artigo republicado no Portal Galego da Língua para aceder aos comentários entretanto publicados.

Iván Cuevas - Nasceu em Xixón (Astúrias) em 1982. Fai as vezes de poeta e filólogo em asturo-leonês, de jornalista e programador em galego-português, e de tradutor em ambas as duas línguas. É membro do Cineclube de Compostela e de El Teixu, Rede pal Estudiu y Defensa de la Llingua Asturllionesa.

 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Galiza – Integra o movimento Juventude Unida dos Países de Língua Portuguesa

A JUPLP (Juventude Unida dos Países de Língua Portuguesa) — movimento de interação juvenil — publicou, nesta semana, nas suas redes sociais a integração da Galiza como território lusófono. Como parte do plano de trabalho, o movimento recrutará membros galegos e fará ações no sentido de apresentar a história entre a comunidade autónoma e a lusofonia


A organização internacional defende em nota de imprensa que “O galego-português começou a ser falado durante a Idade Média na região ocidental da Península Ibérica, dando origem às línguas portuguesa e galega. De acordo com o movimento de reintegração da Galiza, a língua não pode continuar a fazer o seu caminho de forma isolada e deve entrar no universo lusófono para garantir o seu futuro e para que se abram janelas culturais, comerciais, económicas e sociais.”

O galego e coordenador da JUPLP, Diego Garcia, diz que é importante a integração da língua da Galiza na lusofonia porque só assim o seu futuro será promissor: “As oportunidades serão escassas se a região continuar isolada ou entrar num processo de profunda castelhanização”, afirma. Diego acrescenta que a língua deve ser um elo de comunicação com outras sociedades, principalmente os que têm a língua portuguesa como oficial.

Josianny Furtado, cabo-verdiana e coordenadora do movimento, complementa que integrar a Galiza na JUPLP não é um ato qualquer, mas sim uma atitude de reflexão histórica e cultural no que gira em torno da nossa língua. “A partir de agora, iniciaremos o recrutamento de membros da Galiza e trabalharemos com a apresentação da história da língua galego-portuguesa, dos patrimónios culturais da Galiza e na organização do evento Conexões na região”, declara.

A JUPLP

Nascido em julho de 2020, o projeto reúne diversos jovens da lusofonia para debater a cultura, a história e temas pertinentes para toda esta juventude. O objetivo do movimento é tornar-se uma organização que abrange os milhões desses jovens e fazer todo o trabalho respeitando as questões sociais e as realidades de cada país. O maior projeto da JUPLP é o evento Conexões, que teve a sua primeira edição na cidade de Coimbra, em Portugal. O evento tem o objetivo de promover um debate de ideias para entender melhor o que se passa na conjuntura cultural de cada país. As próximas edições serão em Cabo Verde, Brasil e, conforme anunciado recentemente, o encontro na Galiza. In “Portal Galego da Língua” - Galiza



domingo, 13 de fevereiro de 2022

Galiza - “A língua o primeiro”

O título da coluna desta semana vai entre vírgulas porque, ainda que seja uma afirmação reiteradamente sustida pelos galeguistas, é aqui uma frase de Ramón Otero Pedrayo num dos seus ensaios: Morte e Resurrección (Ourense 1932); onde fala do galego como um povo em caminho desde a sua origem céltica, na que “callou o principio da nebulosa maternal de Galiza”. Um caminho no qual “a Galiza xoga a morrer e a viver”, e no que “o galeguismo quer decir a integridade do ser e da alma galega”; salientavelmente na língua galega. Galeguismo quer dizer reconhecimento dos valores galegos, reconhecimento de Galiza como povo de seu, com a sua identidade própria.

Nesses valores, para Otero a língua é o primeiro. O seu abandono é um “estado de suicidio, de renunciamento, de parva imitanza”; mas a ele, infelizmente, “figuran aspirar moitos que se gaban de galegos e de bos galegos”. Um parágrafo cara ao remate do ensaio resulta definitório da conceção galeguista-nacionalista de Don Ramón (sublinhado seu):

“A língua o primeiro. A língua, forma psicolóxica da raza, tem de ser a primeira obligación de todos. Pois co uso e cultivo cotidián chegaráse axiña ao punto de unanimidade mínimo para que a galeguidade seña a fórmula completa das arelas de todos os galegos. Ao caír a língua cai tamén a vida galega… Podemos asegurar ser mellor unha Galiza probe falando galego que unha Galiza rica usando outra língua… Ainda que a realidade nos enseña que para ser ricos e fortes, non hai outro camiño que o de ser cada dia máis xurdiamente galegos, dando ao concepto de galeguidade as notas da humanidade superior que lle son propias por naturaleza”.

E ainda engade umas palavras particularmente caras: “Para o noso galeguismo a historia é sempre vital e moza, e por selo debe rectificar o feito doroso do arredamento de Portugal. Os mellores espritos portugueses e galegos son cidadáns da integridade da Galiza… A língua debe voltar a ser a mesma para fortalecemento do seu ser trascendental… O grande optimismo da galeguidade abrangue as esencias criadoras de Portugal”. Victorino Prieto – Galiza in “Portal Galego da Língua” comNós Diario

Victorino Pérez Prieto - (Hospital de Órbigo-León, 1954) é professor de universidade reformado, escritor, teólogo e pensador. Especialista em temas de cultura galega; em particular na Geraçom "Nós" e Prisciliano. Também em Raimon Panikkar, sobre quem fez as Teses de Doutoramento em Filosofia (USC) e Teologia (UPSA). Colaborador habitual em jornais (atualmente em Nós Diario) e revistas galegas (Encrucillada, Grial, A Nosa Terra...) e internacionais (Iglesia viva, Dialogal, Theologica Xaveriana, CIRPIT review, Complessitá...). Publicou mais de vinte livros individuais (A geraçom "Nós", Do teu verdor cinguido, Contra a síndrome N.N.A.Unha aposta pola esperanza, Más allá de la fragmentación de la teología el saber y la vida. Raimon Panikkar, Prisciliano na cultura galega, Prisciliano. Um cristâo livre, La búsqueda de la armonía en la diversidad...). E mais de cinquenta em colaboraçom (Diccionario Enciclopedia do Pensamento Galego, O Pensamento Luso-Galaico-Brasileiro 1850-2000, Galegos Universais...).

 

domingo, 6 de fevereiro de 2022

Galiza - Uma normativa prejudicial para o galego

Promover ou utilizar uma normativa ou outra para uma língua não tem que ver com as qualidades morais pessoais dos que a promovem ou sustentam, senão com posicionamentos político-culturais acertados ou desacertados; e eu considero que a eleição da normativa atual do galego é muito desacertada. Quando eu comecei a utilizar a normativa do galego internacional ou reintegrado, aludi a que era uma questão política, igual que a minha própria, se bem considero que a minha opção é muito mais favorável para o devir do nosso idioma.



Um povo deve conservar o seu idioma, embora tenha um número reduzido de utentes, mas creio que cumpre reconhecer que as suas possibilidades de supervivência dependem em grande parte do seu número de utentes e que o que nunca deve fazer uma norma ou uma pessoa é trabalhar para limitar a sua projeção social, contribuindo com todos os inimigos lingüicidas da nossa língua para que esmoreça democrática ou autoritariamente; e isto é o que estão fazendo os propulsores do que Carlos Casares chamava, ao final dos seus dias, uma normativa rara, e que imita ou favorece em certo modo a campanha do secessionismo linguístico que anda a propalar Pablo Casado e os desígnios de C’s e VOX para as línguas periféricas. Em julho de 2021, o presidente dos populares foi instruir os maiorquinos sobre a sua própria língua, o qual não é nada supressivo se temos em conta os seus êxitos nos estudos de direito e nos seus másters. Dizia-lhes: “Não falais catalão, falais maiorquino, minorquino, ibizenco, formenterano“, e prometeu defender a liberdade linguística, ou seja, que falem os distintos dialetos para contribuir à morte do idioma catalão. O que passa em Maiorca passa também em Valência e fora do estado espanhol, passou na comunidade flamenca ou neerlandófona de Bélgica, seguindo o princípio: divide e vencerás.

Pedro Sánchez sim é consciente do valor que representa compartir uma língua extensa e de aí que na Lei do Audiovisual se limite, polo menos num princípio a louvar as línguas distintas do espanhol, mas reservou o apoio crematístico para o espanhol. “Trata-se duma iniciativa transversal que promoverá a aprendizagem, a transformação digital, o turismo, as indústrias culturais, a ciência e empresa tendo como base a nossa língua comum, que é o espanhol”. Se lhe deixam os soberanistas e independentistas, é evidente que o fará, porque saber que uma língua extensa oferece muitas possibilidades num mundo globalizado.

A Galiza tem também uma língua extensa e útil, como dizia Castelao, a novena língua em número de falantes e a terceira entre as que usam o alfabeto latino. Esta língua está em perigo pola forte pressão do espanhol, que goza de toda a proteção legal e jurídica para que possa substituir as línguas periféricas. A melhor estratégia para resistir é identificar-nos com o nosso tronco originário que não é outro que o galaico-português. Qualquer pessoa pode comprovar como temos uma normativa artificial, que pretende assimilar a nossa língua ao espanhol, utilizando uma normativa próxima a esta língua. Já dizia Filgueira Valverde que assim os alunos aprendem o galego a partir do espanhol, ou seja, partindo de que é uma sucursal do espanhol, que é o idioma principal.

No hino galego aparece a nazón de Breogan, e Rosalia utiliza muitas vezes a terminação on em vez de ión, que já comezara a sua pressão espanholizadora. Quando eu tinha sete anos um bom dia o meu pai diz-nos: vamos á confesón, porque isto era o que se dizia entre os que falavam galego. A normativa isolacionista cambiou esta palavra por confesión, em vez de fazê-lo por confissão, que seria o normal. Santificou a palavra irmán, em vez de irmão que é ainda utilizada em várias partes da Galiza, afastando a nossa língua do tronco comum; utilizou na escrita o ñ, só presente no espanhol, em vez do dígrafo nh; o dígrafo espanhol ll em vez de lh; utiliza a leta x para um roto e para um descosido, eliminando gratuitamente o j e o g, destruindo a etimologia da língua e empobrecendo-a. A acentuação é também uma mimese da espanhola. Se cambiássemos esta normativa e optássemos pola forma mais estendida do galego-português estaríamos já praticamente usando o galego internacional e dando-lhe muito mais vigor à nossa língua, mas tenho poucas esperanças porque o poder dos normatizadores baseia-se renunciar ao diálogo e conservar o que consideram um genial descobrimento e não querem desprender-se deste joguete. Ramom Punhal – Galiza in “Portal Galego da Língua”

Ramom Varela Punhal - Nascido em Carvalho em 1942. Estudoi Teologia na Universidade Pontifícia de Salamanca, e Liturgia no Instituto Superior de Pastoral, em Madrid; Filosofia na Universidade de Pamplona e Filosofia, Psicologia e Organização do Trabalho na Universidade de Lovaina, Bélgica. Doutor em Filosofia pela Universidade de Santiago. Catedrático de Filosofia reformado.