Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 24 de julho de 2025

Tuvalu - Um país que pode perder 80% da população nos próximos anos

Mais de 80% dos residentes de Tuvalu, um arquipélago do Pacífico ameaçado pela subida do nível do mar, procuram vistos para a Austrália ao abrigo de um tratado assinado em 2024, de acordo com dados oficiais


No total, 8750 tuvaluanos solicitaram o primeiro lote de vistos, informou o Alto Comissariado Australiano, representando 82% dos 10.643 residentes do arquipélago.

A Austrália está a oferecer vistos a cidadãos tuvaluanos, no âmbito de um acordo de migração climática que Camberra classificou como “o primeiro acordo deste tipo no mundo”.

“Recebemos níveis de interesse extremamente elevados”, com 8750 registos, afirmou a missão diplomática australiana em Tuvalu em comunicado.

Em junho, o primeiro-ministro de Tuvalu, um pequeno estado insular do Pacífico, alertou que, devido à subida do mar, mais de metade do território poderá estar submerso em 2050 e pediu financiamento para o programa de adaptação costeira.

Feleti Teo falava em Nice, França, no âmbito da Conferência das Nações Unidos sobre o Oceano (UNOC3), tendo afirmado que “o aumento do nível da água do mar é a grande ameaça para Tuvalu”.

“Em 2050, 60% de Tuvalu estará coberto pelo mar, será um grande desastre. Ponham-se na minha situação”, alertou.

“O nosso território está comprometido, não temos opção, não há montanhas para onde nos possamos mover”, afirmou, referindo que o país está a sentir o efeito das alterações climáticas que provocam a subida do nível da água do mar.

Ao abrigo de um tratado com Camberra para fazer face ao problema, os primeiros tuvaluanos (cerca de 300) vão poder candidatar-se a viver na Austrália, recordou.

O pequeno país é constituído por nove ilhas de coral e tem 11.000 habitantes. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 1 de julho de 2024

Internacional - Investigadores determinam a evolução da curva do nível do mar e registo de tsunamis no Mar do Norte nos últimos 10 mil anos

Uma equipa de investigadores internacionais está a estudar a evolução da curva do nível do mar e o registo de tsunamis no Mar do Norte nos últimos 10 mil anos. Pedro Costa, docente do Departamento de Ciências da Terra (DCT) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) é o coordenador do projeto NORSEAT, na UC.


Este projeto visa melhorar a compreensão do risco de tsunami no Mar do Norte, identificando assinaturas geológicas de tsunami em zonas costeiras e seguindo em direção aos fundos submarinos.

«O objetivo é compilar evidências de eventos, agrupar os arquivos terrestres e marinhos para estabelecer a dinâmica dos principais eventos e, por fim, estabelecer a evolução da curva do nível relativo do mar das Ilhas Shetland. Estes dados são essenciais para o desenvolvimento de avaliações de risco e projeções de inundações mais rigorosos», considera Pedro Costa.

Os tsunamis são relativamente raros na bacia do Mar do Norte. O exemplo mais conhecido é o tsunami de Storegga, causado por um grande deslizamento de terra subaquático na plataforma continental norueguesa, há 8200 anos e que deixou uma marca sedimentar desta grande inundação em vários locais costeiros no Atlântico Norte e no Mar do Norte (Canadá, Ilhas Faroé, Ilhas Shetland, Islândia, Noruega, Reino Unido, entre outras). Algumas das áreas costeiras das Ilhas Shetland também contêm depósitos de tsunamis que ocorreram há 5500 anos AP e 1500 anos AP.

«As evidências, recentemente determinadas, sugerem uma taxa de recorrência realmente baixa, à escala geológica, de eventos de tsunami na região. No entanto, devido à natureza da bacia do Mar do Norte e das suas costas, caracterizadas por um espaço de alojamento sedimentar limitado, à má preservação de depósitos de eventos extremos e à erosão ou retrabalhamento antropogénico, temos assistido a uma provável subestimação do risco de tsunami para toda a bacia atlântica», explica o docente.

De acordo com os investigadores, em contraste com os depósitos de tsunamis em terra, os depósitos de tsunamis no mar têm recebido significativamente menos atenção, embora sejam muito mais propensos a serem preservados no registo sedimentar e a conterem assinaturas deposicionais de tsunamis originais, especialmente os que estão depositados em ambientes marinhos suficientemente profundos.

«Esses arquivos sedimentares de tsunamis detetados nos fundos submarinos são de vital importância para a melhoria da nossa compreensão do perigo de tsunami no Mar do Norte», acredita o investigador. Além disso, conclui, «o conhecimento da posição do nível relativo do mar, quando os tsunamis inundaram as zonas costeiras, é crucial para a modelação e transporte de sedimentos para a cenarização das inundações, o que permitirá o desenvolvimento de melhores avaliações de risco».

Desta forma, os investigadores estão a realizar um rastreamento dos depósitos de tsunami, a estudar a sua extensão e características em detalhe, e a verificar se, possivelmente, o registo offshore contém provas de mais eventos, fornecendo novos conhecimentos sobre os intervalos de ocorrência. Por outro lado, procuram reconstruir a cursa relativa do nível do mar para o Holocénico, que até agora foi pouco restringida para as Ilhas Shetland, avaliando, assim, com mais precisão as alturas dos paleotsunamis. Universidade de Coimbra - Portugal


sábado, 11 de maio de 2024

Reino Unido - O aumento do nível do mar e as alterações climáticas preocupam as autoridades londrinas

Prevê-se que o nível do mar suba cerca de um metro até 2100 e as tempestades estão a tornar-se cada vez mais intensas devido às alterações climáticas


As autoridades disseram que os muros de defesa contra inundações de Londres precisarão ser meio metro mais altos no futuro para proteger contra as alterações climáticas. O anúncio foi feito quando assinalavam o 40º aniversário da Barreira do Tamisa, que defende a capital contra inundações.

Embora inicialmente destinada a proteger Londres até 2030, a barreira móvel e as defesas mais amplas da cidade contra inundações funcionarão até 2070, espera a Agência Ambiental do Reino Unido. Mas prevê-se que o nível do mar suba cerca de um metro até 2100 e as tempestades estão a tornar-se cada vez mais intensas devido às alterações climáticas.

Isto, disseram as autoridades, significa que serão necessárias maiores defesas contra inundações.

Adaptando as defesas contra inundações de Londres às alterações climáticas

Existem planos para aumentar as barreiras contra inundações e as defesas ao longo do rio Tamisa, a jusante, em 50 cm até 2040 e, em seguida, expandir isto através do centro de Londres até 2050.

Uma decisão sobre o que fazer com a própria Barreira do Tamisa também terá de ser tomada até 2040. As opções incluem a modernização do que já existe para fazer face à subida do nível do mar e às tempestades até 2070 ou a construção de reservatórios a jusante para armazenar a água das cheias.

Uma nova barreira com desenho semelhante ao atual – que permite a passagem de navios – também poderá estar no horizonte.

“A sua confiabilidade e eficácia demonstram a sofisticação do seu projeto por um grupo muito talentoso de engenheiros e a manutenção e operação contínuas realizadas pela equipa da Barreira”, disse Andy Batchelor, gerente de operações da Thames Tidal Defenses, que marcou o seu último dia no trabalho no 40º aniversário.

Ele começou a trabalhar no local no dia da inauguração e é gerente de operações há 25 anos.

“No entanto, não descansaremos sobre os louros dada a ameaça do aumento do nível do mar, e é por isso que nos comprometemos a trabalhar com parceiros para rever e decidir sobre uma opção para o final do século até 2040 no nosso Plano 2100 do Estuário do Tamisa, para garantir que a capital seja protegida no longo prazo.”

O que é a Barreira do Tamisa?

A Barreira do Tamisa foi inaugurada em 8 de maio de 1984 pela Rainha Isabel II e destinava-se a proteger Londres de inundações até 2030. Demorou oito anos a construir e custou 535 milhões de libras (621 milhões de euros) - o equivalente a cerca de 2 mil milhões de libras (2,3 mil milhões) hoje.

Localizada a jusante de Greenwich e perto do Aeroporto London City, a barreira é composta por 10 portões de aço tão largos quanto a abertura da Tower Bridge. Quando elevados, esses portões têm a altura de um prédio de cinco andares.

A barreira ajuda a evitar inundações graves em 125 quilómetros quadrados da cidade e os muros de defesa teriam de ser três metros mais altos se não existissem.

Desde a sua construção, a Barreira do Tamisa foi fechada um total de 221 vezes. As tempestades e as inundações das marés teriam inundado edifícios ao longo da margem do Tamisa sem isso. Rosie Frost – Reino Unido in “Euronews.green”


sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Bangladesh - O uso de ostras parece proteger o aumento do nível do mar


 

Nada poderia ter preparado Mohammed Shah Nawaz Chowdhury para a grave realidade da ilha de Kutubdia. Localizada no litoral de Bangladesh, estava rapidamente a ser “comida” pelo mar. Muitos habitantes fizeram as malas e mudaram-se e o que não conseguiram fazer afastaram-se gradualmente da costa.

Mas um lampejo de esperança pode ser visto entre as ondas. Pouco acima do nível da água, recifes incrustados de ostras brilham ao sol. Esses recifes são lares activos da vida marinha, uma fonte potencial de rendimento para os habitantes locais e, como espera Chowdhury, poderão tornar-se uma formidável defesa contra o aumento do nível do mar.

A ideia dos recifes de ostras de Kutubdia surgiu em 2012, quando Chowdhury era investigador do Instituto de Ciências Marinhas da Universidade de Chittagong.

A ideia havia funcionado antes nos Países Baixos e também teve sucesso nos EUA. Agora, investigadores holandeses, aceitaram trabalhar em conjunto com Chowdhury para tentar melhorar a situação em Kutubdia.

A questão, naturalmente, era que Bangladesh e os Países Baixos estão a milhares de kms de distância e têm contextos ambientais bem diferentes. “Eu não era céptico, mas tínhamos que planear muito”, afirma Chowdhury.

Atingida regularmente por tempestades, ciclones e pelo aumento do nível do mar, a costa de Bangladesh é susceptível a muitas tensões climáticas e a ilha de Kutubdia é um microcosmo desses desafios em sua forma mais violenta.

Quebra-mares de ostras

As ostras constroem os ambientes agarrando-se a superfícies rígidas submersas e unindo-se para criar estruturas de recife. Está documentado o seu papel na filtragem e retenção de nutrientes da água, fornecendo locais de desova e abrigo para os peixes, o que amplia a biodiversidade. Os recifes de ostras fornecem habitat para outros animais, melhoram a qualidade da água e aumentam o crescimento das algas marinhas.

Porém, os investigadores interessaram-se especificamente pelo papel das ostras como quebra-mares naturais. “O que desejamos é a sedimentação por trás da estrutura do recife, formada naturalmente pelas ostras. Os recifes ampliam a faixa litoral e acalmam as ondas”, afirma Petra Dankers, consultora de eco-engenharia da Royal Haskoning DHV, parceira do projecto em Kutubdia.

A compreensão das forças naturais que moldaram Kutubdia foi especialmente importante porque, ao contrário de vários projectos de recifes de ostras noutras partes do mundo (por exemplo, no Golfo do México), este não era a restauração de um recife em deterioração. Era a introdução de novos recifes como estruturas de engenharia.

Felizmente, a região apresentou muitas das condições ideais necessárias, segundo Chowdhury descobriu imediatamente. A temperatura da água era apropriada, bem como a velocidade de fluxo da água, os níveis de pH, a salinidade e oxigénio existente que permitiam vida já existente, como os fitoplânctons.

A ilha de Kutubdia exibia alguns conjuntos de ostras a crescer naturalmente em pilares de cimento, perto de um dos cais. E, para dar início ao novo recife, os investigadores escolheram cimento em anéis circulares que os moradores locais empilham e cobrem com um vaso sanitário.

É que, embora as ostras possam crescer no cimento, elas não podem ser expostas ao ar ou ao sol por mais de 20% do tempo”, afirma Chowdhury, pelo que recorreu à comunidade nativa costeira para encontrar o ponto ideal para o recife artificial. Os pescadores já conheciam bem os ritmos do aumento e diminuição das marés ao longo das estações.

O conhecimento dos ilhéus sobre a kostura (a palavra local para “ostra”) foi-lhes valioso antes dos primeiros 300 kg de anéis irem para a água num teste em 2014 e quando, dois anos depois foram transportados para um destino final.

Os investigadores esperavam que os recifes de ostras pudessem também ser uma fonte nutritiva de alimento e ricas zonas de pesca. “Começamos a encontrar nos anéis, caranguejos, percebes, anémonas, gastrópodes e vermes aquáticos que atraem peixes” disse o investigador.

Embora os peixes fossem bem-vindos, para a melhoria dos rendimentos dos pescadores locais, a acumulação de sedimentos atrás do recife foi o que começou a fazer a diferença. “Dependendo do seu ambiente, a sedimentação acumula-se gradualmente a favor do vento”, segundo Dankers. “Nos Países Baixos, observamos 1 a 5 centímetros por ano. No Bangladesh, verificamos até 30 cm anuais.”

O recife ajudou também os sedimentos a acumularem-se até 30 metros, dissipou as ondas com menos de 50 centímetros, reduziu consideravelmente as de mais de um metro e funcionou até em condições meteorológicas intensas – observadas quando o ciclone tropical Roanu atingiu o local do estudo, em Maio de 2016 e a vegetação também floresceu

“Conhecemos as vulnerabilidades dos recifes vivos, como a susceptibilidade a doenças. Mas as ostras são resistentes”, afirma Aad Smaal, professor da Universidade de Wageningen que espera que as ostras se tornem parte de uma mudança de paradigma da forma como observamos as defesas costeiras.

“A ideia é usar recursos naturais e construir com a natureza, porque trabalhar contra a natureza não é viável”, salienta. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”