Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Desalojados. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Desalojados. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Moçambique - Fortes chuvas afetam mais de 640 mil pessoas e arrasam várias comunidades

Famílias contaram ao Programa Mundial de Alimentos, WFP, que perderam tudo e pelo menos 105 pessoas já morreram. Nas áreas atingidas já começam a faltar alimentos e a previsão é de mais chuvas para esta semana


Moçambique é o país mais afetado entre as três nações do sul da África que estão a enfrentar chuvas torrenciais. Desde a véspera do Natal, as províncias de Gaza, Maputo, Inhambane e Sofala, no sul e centro do país de língua portuguesa, registaram pelo menos 105 mortes.

Em Moçambique, o número de perdas humanas vai subindo com a chegada de novas atualizações. Nas vizinhas África do Sul e Zimbábue já são 30 mortos.

Comunidade humanitária

O Programa Mundial de Alimentos, WFP, tem atuado com a comunidade humanitária em ações lideradas pelo governo em resposta à crise.

A chefe do escritório na província de Gaza, Moçambique, Carla Mucapera, contou em rede social, em inglês, que está-se diante das piores inundações em anos.

Ela disse que analisando a situação no terreno, no distrito de Chokwé, casas foram destruídas e pessoas evacuadas. Algumas comunidades foram completamente arrasadas. São famílias que, segundo ela, perderam tudo. Nos próximos dias será intensificada a busca urgente por comida e apoio.

610 mil afetados pela tempestade

Na capital moçambicana Maputo e noutros locais contam-se dezenas de feridos devido às chuvas persistentes em diferentes bairros.

Estima-se que até 68,6 mil pessoas tenham sido evacuadas para 77 centros de acolhimento em todas as áreas atingidas do país. Quase 640 mil pessoas ficaram afetadas pela tempestade.

O Instituto Nacional de Gestão de Desastres relatou que 3231 casas foram arrasadas e outras, cerca de 78 mil residências, ficaram danificadas em todo o território nacional.

Até este dia de 20 de janeiro havia previsão de mais chuvas fortes na maior parte de Moçambique, com “precipitações localmente muito intensas” no nordeste da África do Sul e em todo o Zimbábue. Ouri Pota – Moçambique ONU News



quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Moçambique - Memba: Pobreza e desigualdade estão por trás da insurgência?

Em Moçambique, o distrito de Memba, em Nampula, voltou a ser palco de ataques de grupos armados. Um investigador liga a nova vaga de violência à pobreza extrema e às desigualdades sociais numa zona que já era apontada como corredor de recrutamento para a insurgência de Cabo Delgado. A crise humanitária cresce, enquanto o governo diz estar a reforçar meios militares e prepara o regresso gradual das famílias.


Os primeiros ataques em Memba, no posto administrativo de Chipene, aconteceram em Setembro de 2022, com mortos e destruição. Depois de um período de relativa calma, a violência reapareceu de forma esporádica e intensificou-se nas últimas semanas, empurrando populações inteiras para fora das suas aldeias.

O académico Wilson Nicaquela diz que há sinais de criação de células armadas na fronteira com Cabo Delgado: “Memba foi um dos centros de recrutamento de terroristas que engrossaram as fileiras lá do lado de Cabo Delgado. E é do conhecimento de todos que muitos dos terroristas que foram pressionados de Cabo Delgado preferiram mudar-se de lá e/ou simularam o abandono das suas fileiras. Depois regressaram às zonas de origem”, disse.

Memba tem potencial turístico e recursos naturais, com destaque para reservas de petróleo. Em 2017, segundo noticiou a VOA, a Petrona, uma empresa da Malásia, era apontada como a empresa que iniciaria a prospecção e a exploração de uma área entre Pemba e Memba. Sobre isso, não há informações mais actualizadas. Ainda assim, falta quase um pouco de tudo. A precariedade e falta de infra-estruturas associadas aos difíceis acessos rodoviários são alguns dos maiores problemas que tiram o sossego às populações.

Wilson Nicaquela entende que além dos recursos naturais, com destaque para a provável ocorrência dos hidrocarbonetos, a pobreza extrema e as desigualdades sociais são uma das causas do terrorismo na região.

Mas também há um outro elemento a considerar; uma mensagem política. “Embora o modo de actuação seja similar, no caso de Memba eu acho que tem outras mensagens; uma é a de vincular à pessoa da Presidente da Assembleia da República [Margarida Talapa, nascida na região] e outra de chamar atenção de que se o poder político acha que eles estão confinados, têm condições de alastrar a guerra e ir ao encontro de outros espaços geográficos. Acham que a Presidente da Assembleia tem essa competência necessária para decidir resolver os problemas por iniciativa própria”, disse.

Os recentes ataques já causaram pelo menos uma dezena de mortes e forçaram o deslocamento de mais de 80 mil pessoas, de acordo com dados recentes. Muitos dos deslocados internos foram acolhidos em Alua.

Mariano Saíde Salimo é uma das vítimas deslocadas da região de Mazua, distrito de Memba, acolhido em Alua. Lamenta a situação que se vive na região. Mas a dor aumenta com a fome e as precárias condições que passam para sobreviver diante das incertezas.

“Somos muitos, outros estão nas aldeias. Mesmo se trouxessem três camiões de produtos, podem não resolver. Assim estamos espalhados, numa casa pode encontrar 60 a 70 pessoas”.

Messias Cassimo é um outro deslocado. Saiu de Namajuba junto com a família à procura de abrigo seguro. “Queimaram todas as casas que estão lá, infelizmente ninguém ficou. Estamos a pedir ajuda em alimentação e construção de casas”, pediu.

Apesar disso, a população que foge dos terroristas quer voltar para dar continuidade à sua vida e Mariano Saíde Salimo reforça apelos.

“Nós estamos a pedir ao governo que nos ajude, queremos voltar a casa. Mas aqui [em Alua] receberam-nos bem e agradecemos”, exortou.

As autoridades governamentais continuam a mobilizar apoio para os deslocados nos centros transitórios de deslocados. Na semana passada, um grupo de deputados liderados pela respectiva presidente foi entregar em Alua mais de 60 toneladas de produtos alimentares.

O governador de Nampula, Eduardo Abdula, garantiu que as forças de defesa e segurança trabalham para perseguir e tirar fora de combate os terroristas e que, nesta semana, a região poderá acolher os primeiros regressados.

“Durante a primeira semana de Dezembro, começam a regressar e os primeiros a voltar sou eu e os jornalistas. Vamos entrar lá e vamos trabalhar lá. Eu não vos levaria se não houvesse condições”, assegurou.

Na passada quinta-feira, o governador de Nampula ofereceu às forças armadas de Moçambique drones para uso na perseguição e combate ao terrorismo, nas regiões afectadas na província de Nampula.

“Há traidores dentro das comunidades”, diz governador

No decurso de uma visita a zonas afectadas pelo terrorismo, o governador de Nampula Eduardo Abdula chamou a atenção para possíveis infiltrados entre os residentes. “Há traidores dentro das comunidades, por isso precisamos de maior vigilância”, comentou. Mais de 10 mil pessoas fugiram em dois dias de Memba, Nampula, devido a ataques de grupos terroristas, elevando a 82 mil deslocados desde 11 de Novembro, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Até 23 de Novembro, o total de deslocados ascendia a 14.172 famílias (71.983 pessoas), segundo o relatório anterior da OIM. A província de Cabo Delgado, também no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 5 de Outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Deutsche Welle”


quarta-feira, 16 de junho de 2021

Nações Unidas - Reforça apelo para socorrer vítimas em Cabo Delgado, Moçambique

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, precisa de cerca de US$ 13 milhões para ajudar deslocados internos na província do norte de Moçambique, a Unicef necessita de US$ 90 milhões


O conflito na província de Cabo Delgado, em Moçambique, continua a fazer centenas de milhares de vítimas.

Desde 2017, os combates entre forças do governo e grupos extremistas islâmicos já forçaram mais de 700 mil pessoas a fugirem das suas casas.

Lares

A responsável pelas Relações Exteriores do Acnur em Moçambique, Juliana Ghazi, disse à ONU News que as pessoas em Cabo Delgado continuam a abandonar os seus lares após a intensificação de ataques no início deste ano.

“De acordo com o nosso apelo, lançado em maio, os nossos pedidos financeiros para responder às necessidades de Cabo Delgado são de US$ 13,5 milhões. Infelizmente, atualmente, temos apenas 9% desse dinheiro, por isso o Acnur precisa muito de suporte adicional para responder as necessidades dos deslocados internos e da comunidade local em Cabo Delgado.”

Segundo as Nações Unidas, os ataques dirigidos de grupos armados deslocaram um terço da população da província, no norte do país africano.

Jovens e mulheres relatam histórias horríveis de estupro e de serem submetidas à violência sexual e de género.

Crianças abandonadas

“O número de deslocados internos provenientes do conflito em Cabo Delgado ultrapassa 730 mil pessoas, 31% são mulheres, 46% são crianças. Existe grande número de crianças abandonadas, de mulheres grávidas…temos muitos grupos vulneráveis que o Acnur tenta assistir baseado nas necessidades principais.”

Proteção, abrigo, alimentação, água e saneamento são algumas das prioridades para os deslocados internos e a comunidade local. Juliana Ghazi fala do esforço das agências no apoio humanitário.

“Mais de 9,6 mil pessoas requerentes de asilo que buscavam lugar seguro na Tanzânia foram obrigadas a retornar. Muitos deles estão em Negumano e outros em Mueda. O Acnur com outros parceiros distribuíram itens de alívio imediato para cerca de 10 mil deslocados internos que se encontram nas áreas de Mueda e Negumano. É importante dizer que essas áreas são de difícil acesso pela questão de segurança”.

Ciclones

Mais de 2 mil crianças não conseguem localizar os pais ou mesmo saber se eles estão vivos após os ataques de grupos radicais e insurgentes. A Unicef diz que 33 mil jovens sofrem de desnutrição e mais de 300 mil crianças em idade escolar estão deslocadas.

A situação humanitária em Cabo Delgado é agravada pela destruição causada após a passagem do ciclone Kenneth, registado em 2019, e da qual a província ainda não se recuperou.

Mais de um terço das unidades de saúde em Cabo Delgado foram danificadas ou destruídas.

Palma

Nas áreas mais afetadas pelos combates entre forças do governo e grupos extremistas, não há instalações em funcionamento.

Dados da Unicef indicam que cerca de 33 mil crianças que sofrem de desnutrição requerem cuidados especializados. Este número poderá aumentar até ao final do ano em Palma, Macomia e Quissanga.

O desafio da Unicef e parceiros é conseguir suprimentos e serviços que salvam vidas para crianças e famílias deslocadas, incluindo aqueles que fugiram de Palma, que fica ao norte da capital da província, e as comunidades que os abrigam.

A Unicef já lançou o apelo de US$ 90 milhões para assistência humanitária a crianças carentes em Moçambique. Ouri Pota – Moçambique “ONU News”