Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Moçambique – Inundações expõem áreas urbanas à presença de crocodilos

Cerca de 500 mil pessoas foram afetadas e número tende a subir; doenças, desnutrição e fuga descontrolada de crocodilos preocupam comunidade humanitária. A Unicef adverte sobre iminente “crise dupla” com o aproximar da temporada anual de ciclones


Inundações, riscos de doenças e exposição de áreas urbanas à presença de crocodilos fugindo sem controlo criam apreensão e perturbam a vida e os meios de subsistência em momento de chuvas intensas em Moçambique.

O alerta foi feito nesta terça-feira pela chefe do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, no país. Paola Emerson disse que 500 mil pessoas foram afetadas e o número tende a subir com a persistência das inundações e abertura de comportas de barragens para evitar o rompimento.

Casas feitas de argila

No Sul, as províncias mais afetadas são Gaza, Maputo e Sofala. Falando da capital de Gaza, Xai-Xai, a representante do Ocha enfatizou que 90% da população do país vive em casas feitas de argila “que basicamente se desintegram após alguns dias de chuva”.

Entre a infraestrutura afetada estão instalações de saúde, estradas e outras que oferecem serviços essenciais. Emerson disse que cerca de 5 mil km de estradas já foram danificados em nove províncias moçambicanas.

A Estrada Nacional número 1, a principal ligando a capital, Maputo, ao resto do país, está inacessível causando interrupções na cadeia de suprimentos.

Evacuações e novas transferências

O governo declarou emergência nacional e criou um centro de operações emergenciais em Xai-Xai, próximo do rio Limpopo. Após o local ter sido inundado, foi evacuado e uma nova transferência foi feita para o centro da capital de Gaza, “incluindo avisos sobre o risco de crocodilos em áreas inundadas”.

Além dos crocodilos, o chefe de comunicação do Fundo da ONU para a Infância, Unicef, em Moçambique, Guy Taylor, falou da “água insalubre, dos surtos de doenças e da desnutrição como uma ameaça mortal para as crianças”.

Ele afirmou que a combinação dessas doenças transmitidas pela água e a desnutrição “pode ​​muitas vezes ser letal”, ao enfatizar que, antes das inundações, quatro em cada 10 crianças em Moçambique sofriam de desnutrição crónica.

Com a interrupção no fornecimento de alimentos, dos serviços de saúde e das práticas de cuidados o perigo é “empurrar as crianças mais vulneráveis ​​para uma espiral perigosa”.

Temporada anual de ciclones

O país entra na temporada anual de ciclones diante da qual evitar “uma crise dupla” significa prevenir doenças, mortes e perdas irreversíveis para as crianças, atuações que dependem de uma ação rápida, segundo Taylor.

Num país de crianças e jovens, com uma idade média de 17 anos, a ocorrência repetida de inundações e ciclones, como observado nos últimos anos, afetam estes grupos com mais intensidade. ONU News – Nações Unidas


terça-feira, 28 de outubro de 2025

Internacional - Ainda existem quase 200 tribos isoladas na Terra

Foi publicado o primeiro estudo abrangente sobre comunidades indígenas que evitam contacto com estrangeiros. Ele mostra que esses povos precisam de ter cuidado com a falta de imunidade a doenças


Você também costuma desejar menos contacto? Sim, claro, a solidão também é um problema. Mas, cada vez mais, eu só quero paz e sossego, e não ser incomodado pelo barulho do presente, pelas mensagens de estranhos nas redes sociais e pelas notícias ruins do decadente mundo do capitalismo de consumo.

É impossível não ficar cada vez mais impressionado com a sensação que o cantor Jan Delay expressou no seu primeiro álbum solo, na mudança do milénio (o videoclipe também era óptimo, com Merkel a usar um lenço palestino na cabeça): "Tudo está envenenado". Como seria maravilhoso apagar o disco rígido e olhar o mundo com olhos virginais? Com ​​novos olhos. Com rituais comunitários, em contato constante com a Mãe Natureza, acreditando nos espíritos e mitos das árvores, da água e dos animais. E, portanto, talvez sentir um pouco mais de solidez e firmeza, e menos medo.

A notícia de que ainda existem 196 povos na Terra que desfrutam dessa experiência diária surpreendeu-me ainda mais. Eu estava dirigindo no trânsito de Berlim quando o rádio noticiou um novo estudo da organização de direitos humanos Survival International. A grande maioria, 188, desses chamados povos desconectados da realidade e reclusos do mundo vive na América do Sul, na Amazónia brasileira. Segundo a organização, o "povo mais isolado do mundo" vive numa ilha pertencente à Índia – os Sentineleses.

Imediatamente comecei a sonhar comigo mesmo em densas selvas amazónicas e ilhas solitárias, vestindo apenas uma tanga, arremessando furiosamente uma lança esculpida à mão contra drones e câmaras. Há vídeos correspondentes no YouTube, todos os quais vi. Para as tribos que querem saber mais, somos um grande perigo. Ao contacto, doenças são imediatamente transmitidas, dizimando dois terços das tribos devido à falta de imunidade. Os autores alertam que os habitats dessas tribos também estão ameaçados pela exploração madeireira, mineração e pecuária.

Nos últimos anos, porém, surgiram outras razões, às vezes surpreendentes. Entre elas, estavam gangues de traficantes de drogas e missionários evangélicos. E também influenciadores que procuram ganhar dinheiro por meio de "primeiros contactos" e, portanto, no sentido mais verdadeiro da palavra, pretendem uma falsa proximidade. Então desliguei o rádio; eu tinha chegado ao consultório do dentista. Timo Feldhaus – Alemanha in “Berliner Zeitung”

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Trump está vivo, quem pode morrer são os norte-americanos

Correm rumores e fakes sobre o estado de saúde de Trump, mas quem corre risco de morte e doenças são os norte-americanos.

Pela simples razão de que o ministro da Saúde de Trump, Robert Kennedy Jr., não acredita em vacinas e é tão negacionista como o ex-presidente Bolsonaro.

Na época da epidemia do Covid, quando esse sobrinho do presidente John Kennedy, não era ainda ministro da Saúde, dizia besteiras sobre a vacina contra Covid, acusando-as, sem provas, de provocarem a morte de quem se vacinasse.

Porém, diante do Congresso norte-americano, antes de sua nomeação como ministro da Saúde, Robert Kennedy Jr. negou ser contra as vacinas. Entretanto, tão logo assumiu o cargo começou sua ação contra as vacinas, demitindo um grupo de 17 cientistas especialistas em vacinas, cortou as subvenções para pesquisas sobre vacinas, tornou opcional e não obrigatória a vacinação de crianças nas escolas, e acaba de demitir Sandra Monarez, do cargo de diretora dos CDC, centros de prevenção e controle de doenças. Logo depois de empossado como presidente, Donald Trump já havia retirado os CDC da Organização Mundial da Saúde, onde tinham participação ativa.

A demissão de Susan causou surpresa, pois sua nomeação tinha sido confirmada pelo Senado há pouco mais de um mês por ser reconhecida especialista em doenças infecciosas.

A demissão veio em reação à sua posição em favor do uso de vacinas. Embora Susan tenha resistido à demissão, o ministro anti-vacinas recorreu ao presidente Trump, obtendo a declaração de que Susan não dirigia mais os centros CDC. Em apoio a Susan, um grupo de cientistas também se demitiu.

Está ocorrendo nos Estados Unidos um desmantelamento da credibilidade científica, diante do negacionismo do ministro da Saúde.

A imprensa europeia assinala que diante dessas opções não científicas do governo passa a correr perigo a saúde pública nos Estados Unidos, quebrando uma situação de prestígio ocupada até a chegada de Trump ao poder.

Numerosas doenças banidas até agora com a vacinação nas escolas poderão ressurgir, sem a obrigatoriedade da vacinação. E não serão os pastores da vertente evangélica Cura Divina, verdadeiros embusteiros, que impedirão o ressurgimento dessas doenças como varíola, pólio, sarampo, hepatite B, meningite, tétano e outras. Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu “Dinheiro Sujo da Corrupção”, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, “A Rebelião Romântica da Jovem Guarda”, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI
 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

São Tomé e Príncipe - Perfil epidemiológico de doenças mudou

São Tomé - O perfil epidemiológico de doenças em São Tomé e Príncipe mudou consideravelmente, anunciou a ministra da Saúde, Ângela Costa.



Segundo Ângela Costa que deu uma entrevista, domingo último, à Rádio Nacional do seu país, “hoje temos mais doenças não transmissíveis que doenças transmissíveis”, disse, acrescentando que “essas doenças transmissíveis, fazendo um esforço e a contribuição de todos, poderemos prever e também fazendo um diagnóstico precoce para que não leve a morte e nem sequelas a cada individuo”.

Acrescentou que regista-se uma alta prevalência na área da diabetes, da hipertensão e “o cancro que predomina muito no seio da nossa população e que eleva taxa de evacuação para Portugal porque nós ainda não temos serviços neste momento para fazer o diagnóstico e tão pouco o tratamento”.

Das doenças prevalecentes no país, a governante referiu-se ao cancro da próstata, cancro do colo do útero, o cancro da mama e o cancro do estômago.

A ministra esclareceu que a evacuação de doentes para Portugal nem sempre depende das autoridades são-tomenses, sublinhando que a evacuação de doentes em Junta Médica tem a ver com a marcação das consultas e das vagas existentes em Portugal, facto que provoca sérios constrangimentos às autoridades e sem margem de manobra.

Com vista a pôr termo a esta situação, a mesma anunciou uma boa nova, sublinhando que em 2025 prevê-se a instalação de infra-estruturas na área do cancro num esforço com parceiros para fazermos diagnóstico no país.

Acrescentou que as autoridades têm em vista medidas alternativas a Portugal, prevendo-se assinaturas de protocolos de cooperação com Estados vizinhos, dos quais Camarões, Costa do Marfim e Gabão.

“Neste momento, estamos a negociar com esses países modalidades de alojamento, e a definição de responsabilidades, por exemplo, com Portugal, este país responsabiliza-se pelo tratamento, e nós [São Tomé e Príncipe] garantimos bilhetes de ida e volta dos doentes”, concluiu a governante. In “STP Press” – São Tomé e Príncipe