Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

China - O maior mercado asiático para veículos produzidos em Portugal

A China é o principal mercado asiático para os fabricantes portugueses de automóveis, representando 2,8 por cento das respectivas exportações entre Janeiro e Novembro, revelou a ACAP – Associação Automóvel de Portugal.

Segundo um comunicado divulgado na segunda-feira, a ACAP diz também que a Ásia é o segundo mais importante mercado para os veículos produzidos em Portugal, embora muito atrás da Europa, que atrai 90,7 por cento das exportações, com a Alemanha na liderança (21,7 por cento).

Em Maio, a ACAP disse que a redução das taxas alfandegárias chinesas sobre automóveis e peças importadas de 25 por cento para 15 por cento, que entrou em vigor no início de Julho, poderia ajudar as exportações portuguesas para a China.

Portugal vendeu 288 milhões de euros (US$338,69 milhões) em veículos e materiais de transporte para a China em 2017, representando 34,2 por cento das exportações totais de Portugal para o país asiático, acrescentou na altura a agência noticiosa portuguesa Lusa. In “Fórum Macau” - Macau

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Brasil - Porto de Imbituba cresce 16% de janeiro a outubro, atrai novas cargas e projeta investimentos

O ano nem terminou e o Porto de Imbituba já tem muitos motivos para comemorar: registra crescimento de 16% de janeiro a outubro na movimentação; teve três recordes mensais operacionais, em junho, agosto e setembro; exportou novas cargas, como o arroz em casca e toras de madeira; e realiza aproximadamente 17 milhões de reais em investimentos em infraestrutura.



Até outubro, o complexo portuário movimentou 4.5 milhões de toneladas, operação 16% superior à registrada no mesmo período de 2017, quando passaram pelo porto 3.9 milhões de toneladas. Nesse ritmo, o único porto da Região Sul Catarinense deve fechar 2018 com a maior movimentação de sua história, com a perspectiva de alcançar os cinco milhões de toneladas anuais.

Estados Unidos (EUA), Chile e Argentina são as principais origens das cargas de importação. Na exportação, China, EUA e Holanda estão entre os destinos mais frequentes. A navegação de longo curso (importação/exportação) apresenta 14,5% de crescimento. Ainda melhor, a cabotagem (navegação na costa brasileira) reflete o reaquecimento da economia nacional com aumento de 16,5% nos dez primeiros meses do ano, comparado a 2017. Quanto aos navios, já atracaram em Imbituba 241 embarcações, 12,6% a mais que o registrado no mesmo período do ano anterior.

A operação de coque, soja, contêineres e sal têm se destacado no Porto de Imbituba. Entre eles, o crescimento mais expressivo foi na movimentação de sal (+68,9%) e, principalmente, de contêineres, que apresenta aumento de 87,5% no número de TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), ultrapassando os 70 mil TEU – volume histórico para o terminal.

Atendendo sua capacidade multipropósito, o Porto de Imbituba também ampliou seu portfólio de cargas em 2018. E maio, pela 1ª vez a agroindústria de Santa Catarina exportou o arroz em casca a granel a partir dos portos do estado. Em setembro, a exportação inédita no Brasil de madeira de reflorestamento em navio break bulk também ocorreu a partir de Imbituba. Ainda, voltou a ser operado no complexo portuário o gado vivo (livestock), com o envio de três navios com destino à Turquia.

Em um mercado altamente competitivo, a SCPar Porto de Imbituba, estatal de Santa Catarina que administra o porto, soma investimentos na casa dos R$ 17 milhões. Destes, R$ 12,7 milhões estão sendo destinados a contratos em execução e R$ 4,3 milhões para projetos em andamento. A lista de melhorias inclui a dragagem de manutenção; a recuperação do cais 3; a manutenção predial, mecânica e elétrica, preventiva, corretiva e emergencial; a reforma dos tanques de granel líquido e a demolição de edificações ociosas.

Com os bons resultados operacionais e financeiros que o porto tem alcançado, o diretor-presidente da SCPar, Osny Souza Filho, prospecta um cenário positivo para 2019. "Trabalharemos para dar continuidade ao crescimento sustentável do porto, ampliando, modernizando e tornando mais eficiente sua estrutura, de forma a continuar atraindo novas cargas e novas linhas de navegação e a aproveitar o reaquecimento do mercado nacional, posicionando cada vez mais o Porto de Imbituba como agente de desenvolvimento de Santa Catarina, em especial do sul do estado", destaca o gestor. In “SCPAR Porto de Imbituba” - Brasil

sábado, 8 de setembro de 2018

Brasil - Guerra comercial entre China e Estados Unidos amplia exportações nacionais

De janeiro a julho, aumentaram as vendas para esses países de produtos



Mesmo diante do pessimismo em relação à guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, as barreiras impostas de um lado a outro contribuíram para aumentar as exportações brasileiras para os dois países em alguns setores – escoadas em grande parte pelo Porto de Santos.

Levantamento feito pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) mostra que, de janeiro a julho, aumentaram as vendas para esses países de produtos como siderúrgicos, proteína animal e soja. Os setores atribuem o crescimento das exportações, em parte, à imposição de barreiras comerciais entre americanos e chineses.

Em retaliação às sobretaxas impostas pelos americanos, a China também aumentou as tarifas de importação de produtos dos EUA, o que trouxe um efeito colateral positivo para a venda de produtos brasileiros para aquele mercado. Com isso, de janeiro a julho, houve alta de 18% na venda de soja para a China, o que já é visto como um sinal de que o Brasil pode ocupar o espaço dos EUA no fornecimento do grão ao país asiático. A venda de carne de porco aumentou 199% para a China nesse período.

Já a exportação de siderúrgicos subiu 38% no período para os EUA, passando de US$ 1,3 bilhão para US$ 1,8 bilhão. Em volume, as vendas crescem 14,2% no ano, acima do patamar de alta permitido pelos americanos para este ano.

Em maio, os EUA estabeleceram tarifas de 25% para a importação de aço de países como China e União Europeia. O Brasil ficou fora da sobretaxa, mas foi estabelecida uma cota anual feita com base na média das vendas do produto brasileiro nos últimos três anos o que, permite uma alta de 7,0% sobre 2017.

Nesta semana, os EUA flexibilizaram mais uma vez as importações de aço brasileiro e permitiram que as empresas locais solicitem exclusões da cota de produtos que são insuficientes ou não são produzidos no país. In “A Tribuna” - Brasil

terça-feira, 31 de julho de 2018

Brasil - Comércio exterior: previsão otimista

SÃO PAULO – Apesar das previsões pessimistas que têm cercado o comércio exterior brasileiro nos últimos tempos, as exportações País, em 2018, deverão chegar a US$ 224 bilhões, o que representará um aumento de 3,1% em relação aos US$ 217 bilhões registrados em 2017, segundo dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que, em dezembro, havia previsto um total de US$ 218 bilhões.

Já as importações, segundo a AEB, deverão totalizar US$ 168 bilhões em 2018, o que equivalerá a uma alta de 11,5% em relação aos US$ 150 bilhões importados no ano passado, o que, praticamente, confirmará a previsão anterior. Com isso, o País deverá registrar um superávit de US$ 56 bilhões, com uma queda de 15,9% em relação aos US$ 67 bilhões gerados em 2017. É de se lembrar que a previsão anterior sugeria um superávit menor, de US$ 50 bilhões. Menos mal.

Obviamente, esses números podem sofrer correções, em consequência dos reflexos da guerra comercial entre EUA e China ou até mesmo em função de uma potencial crise nuclear entre EUA e Irã. Para piorar, há ainda a recente reviravolta nas relações entre EUA e União Europeia (UE). Como se sabe, Washington suspendeu a aplicação de novas tarifas ao aço e alumínio importados enquanto os dois lados negociam as questões comerciais, ao mesmo tempo que a UE decidiu ampliar suas compras de soja e gás natural liquefeito dos EUA. Além disso, decidiram reduzir as barreiras ao comércio de serviços e produtos químicos, farmacêuticos e médicos.

O que se prevê é que esse entendimento pode vir a prejudicar as negociações entre Mercosul e UE, pois, certamente, o bloco europeu já não terá tanta pressa para concluir as negociações com o bloco sul-americano. Conspirando contra o crescimento dos números das exportações brasileiras também está a grave crise econômica, comercial e cambial porque passa a Argentina, terceiro maior parceiro do Brasil.     

Seja como for, a situação do comércio exterior não é das mais complicadas. Tanto que o porto de Santos bateu recorde de movimentação de cargas no primeiro semestre, movimentando 64,5 milhões de toneladas, o que significou um aumento de 5,6% em relação ao mesmo período de 2017, quando foi registrado o recorde anterior, segundo dados da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

Deve-se acrescentar que esse resultado poderia ter sido melhor, se não tivesse ocorrido um fato atípico, como a greve do setor de transporte rodoviário de cargas realizada ao final de maio e início de junho. Tanto que, em junho, o volume de operações ficou abaixo do registrado no mesmo mês de 2017, assinalando um recuo de 1,7%, para 10,8 milhões de toneladas. No mais, de janeiro a junho, os embarques de cargas cresceram 4,1% sobre os seis primeiros meses de 2017, ao passo que os desembarques avançaram 9,6%.

O desempenho do porto de Santos reflete o comportamento da balança comercial neste ano, com as importações crescendo mais do que as exportações. A participação do porto de Santos na balança comercial manteve-se estável, pois alcançou 27,7% do total do comércio exterior do País no primeiro semestre, com uma movimentação equivalente a US$ 54,1 bilhões.

Ou seja, o complexo portuário respondeu por 26,7% das exportações brasileiras, ou US$ 30,2 bilhões, e por 29,2% das importações, com US$ 23,9 bilhões. Isso mostra que não há razões para se cultivar o pessimismo, ao contrário do que alardeiam os pregoeiros do caos. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

terça-feira, 5 de junho de 2018

EUA x China: e o Brasil?

SÃO PAULO – Dados da consultoria multinacional Thomson Reuters mostram que a China é, hoje, o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2017, a corrente de comércio entre os dois países chegou a quase US$ 74,8 bilhões, com exportações de US$ 47,4 bilhões, que representaram uma alta de 35,1% em relação a 2016, e importações de US$ 27,3 bilhões, com a China absorvendo 21,8% das exportações brasileiras e respondendo por 18,1% das importações feitas pelo Brasil. Em função disso, o País obteve um superávit de US$ 20,1 bilhões. Com exceção do México e da Colômbia, a China é, de longe, o maior parceiro dos principais países latino-americanos.

Já os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, tendo o fluxo de comércio bilateral superado US$ 51,6 bilhões em 2017. Depois de oito anos de déficits, o maior deles no valor de US$ 11,3 bilhões em 2013, o Brasil em 2017 voltou a obter superávit no comércio com os EUA, com um saldo de US$ 2 bilhões.  Os EUA têm sido o principal destino de exportação de produtos brasileiros manufaturados e semimanufaturados, que constituem 75% da pauta exportadora para aquele país.

No entanto, as decisões protecionistas do presidente dos EUA, Donald Trump, podem impactar negativamente as trocas entre os dois países. Uma eventual sobretaxação dos EUA para o aço brasileiro poderá abalar o intercâmbio entre as duas nações, já que mais de 35% da produção nacional são exportados para os EUA. Além disso, o governo Trump já anunciou que colocará barreiras às importações de alumínio, com um acréscimo de 10% na tarifa.

Isso mostra que atitude dos EUA frente à crescente presença da China no Brasil e, de modo geral, na América Latina mudou e a região pode se transformar em cenário relevante na disputa estratégica entre as duas potências, ainda mais se o país asiático intensificar sua colaboração na área de defesa. Diante disso, parece claro que essa disputa, dificilmente, trará vantagens para o Brasil e para os demais países latino-americanos. Pelo contrário.

Obviamente, esse cenário preocupante é resultado de uma política externa equivocada que fez uma clara opção pelo comércio com a China, em detrimento daquele que se fazia com os EUA. Já o México fez uma opção oposta, aprofundando seu intercâmbio com o vizinho do Norte.

Resultado: em 2017, o intercâmbio do México com os norte-americanos foi, de longe, o maior entre todos registrados pelos países da região. As exportações mexicanas para o mercado norte--americano totalizaram US$ 327 bilhões, quase alcançando o fluxo total de comércio do Brasil, que no ano passado somou US$ 367 bilhões (exportações de US$ 217 bilhões e importações de US$ 150 bilhões). Milton Lourenço – Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Estados Unidos da América - Começa a adotar cotas para importação de aço e alumínio do Brasil

O governo dos Estados Unidos começou a aplicar nesta sexta-feira, 1º de junho, restrições às importações brasileiras de aço e alumínio. Foram publicadas informações oficializando a entrada em vigor de cotas máximas para a compra do aço brasileiro e de sobretaxa de 10% sobre as exportações de alumínio para os EUA.

De acordo com nota do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), as cotas serão definidas levando em consideração a média exportada entre 2015 e 2017. Para aço semiacabado, a quota será de 100% da média exportada, que foi de 3,5 milhões de toneladas e, para o produto acabado (aços longos, planos, inoxidáveis e tubos), de 70% da média, que foi de 543 mil toneladas.



O Mdic disse que o governo brasileiro está em contato com o setor produtivo e acompanhará atentamente os efeitos da medida sobre as exportações brasileiras. “O governo brasileiro considera que a aplicação das restrições sobre as exportações brasileiras não se justifica e segue aberto a construir soluções que melhor atendam às expectativas e necessidades de ambos os setores de aço e alumínio no Brasil e nos Estados Unidos, reservando seus direitos no âmbito bilateral e multilateral”, completou.

Reviravolta. Mesmo depois de meses de negociações, o governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira que avançaria com sobretaxas sobre o aço e alumínio do Canadá, México e União Europeia, além de aplicar medidas a países como o Brasil. O anúncio reacendeu os temores de uma guerra comercial global e foi condenado por países como França, Alemanha e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em março, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia anunciado que aplicaria restrições às importações norte-americana de aço e alumínio, mas os países vinham, bilateralmente, tentando isenções. O Brasil conseguiu evitar a sobretaxa de 25% sobre as vendas de aço e tentava negociar as cotas, que acabaram sendo impostas a partir desta sexta-feira, 1º. Lorenna Rodrigues – Brasil In “O Estado de São Paulo”

terça-feira, 15 de maio de 2018

O isolacionismo brasileiro

SÃO PAULO – Superados os 13 anos de governos populistas que só contribuíram para o isolacionismo comercial do Brasil no mundo e levaram a economia do País ao fundo do poço – de que a compra de uma refinaria sucateada em Pasadena, a doação de refinaria para a Bolívia, o perdão das dívidas de países africanos e a construção do porto de Mariel em Cuba são os exemplos mais notórios –, esperava-se que o atual governo-tampão optasse por uma política externa mais ambiciosa na área comercial. Mas, à guisa de balanço de dois anos, não se pode dar uma palavra de aprovação nesse setor porque o País continua a ser apontado como uma das economias mais fechadas do planeta.

Basta ver que, depois de mais de duas décadas de discussões infrutíferas, o Mercosul – que depende basicamente de Brasil e Argentina – ainda não conseguiu fechar um acordo amplo com a União Europeia. Tampouco evoluíram as anunciadas negociações com o Canadá, com o Efta (Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) e com a Coreia do Sul e os países da Asean (Tailândia, Filipinas, Malásia, Cingapura, Indonésia, Brunei, Vietnã, Mianmar e Laos).

Também não se pode dizer que o Brasil se tenha aproveitado das divergências comerciais entre EUA e China. Pelo contrário, tem sofrido consequências da errante política internacional do governo Trump. O resultado pode ser avaliado em números: se em 2011 o Brasil chegou a registrar uma participação de 1,4% na corrente de comércio mundial (exportações/importações), teve de se contentar com apenas 1,1% em 2016 e 1,2% em 2017. Mais: depois de ocupar a 22ª colocação em 2013 entre os maiores exportadores do mundo, caiu para a 26ª posição em 2016, segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC).

É de se observar ainda que, se o País conseguiu se manter nessa posição, foi em razão do crescimento dos preços das commodities. Se fosse depender da competitividade dos seus produtos manufaturados, a situação seria ainda pior. Como exporta pouco, o Brasil acaba por importar pouco. A título de comparação, pode-se lembrar que o País importa cerca de 30% do total que o México importa, o que dá uma ideia da sua reduzida integração ao comércio mundial. Se importa pouco, sua indústria, obviamente, pouco recebe em termos de inovação, o que afeta brutalmente a competitividade das empresas nacionais no mundo.

Por isso, as exportações de produtos de maior valor agregado concentram-se basicamente nos países da América Latina, provavelmente em função de obstáculos que até hoje não foram removidos por nenhum governo: o custo do transporte, a infraestrutura precária, a elevada carga tributária e a falta de crédito.  Com isso, o País continua a desperdiçar oportunidades de crescimento econômico, deixando de alcançar maior integração comercial no mundo. Ao avançar pouco no mercado externo, o Brasil deixa também de crescer em seu mercado interno, pois, se as fábricas exportassem mais, criariam mais empregos e haveria maior impulso de crescimento em sua economia. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Brasil - Cenário otimista para 2018/2019

SÃO PAULO – Embora a economia já tenha dados sinais de que o período de recessão está próximo do fim, o que se espera para 2018, segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é que o saldo da balança comercial seja menor do que em 2017, alcançando um valor entre US$ 48 bilhões e US$ 52 bilhões. A explicação para tanto, segundo o Ibre-FGV, é que, embora se tenha registrado maior crescimento no nível da atividade econômica, há um menor crescimento nos preços das commodities. De qualquer modo, ainda é possível um saldo maior se ocorrer um desempenho mais favorável no volume de commodities e nas exportações de produtos manufaturados, associado ao aumento aguardado do comércio mundial em 2018.

Ainda segundo dados do Ibre-FGV, em termos de valor, as exportações cresceram 16% e as importações 14%, entre os meses de janeiro de 2017/2018, lideradas pelo aumento de preços: exportações, 11,8% e importações, 15,4%. O aumento nos volumes foi de 2% nas exportações e de 1,5% nas importações. 

Constata-se, portanto, que o aumento nos preços exportados é comum ao fluxo das commodities e não commodities, ocorrendo o mesmo com as importações. É de se ressaltar que houve uma elevação de 40,1% nos preços das commodities. No caso do volume, as exportações de commodities caíram e as de não commodities aumentaram 14,4%. O que se espera é que o volume exportado das commodities, que vem sendo impulsionado especialmente pelo setor de carnes, cresça com o início dos embarques de soja em grãos nos próximos meses. 

Como as empresas procuraram, durante o tempo de recessão, alternativas para sobreviver, o que se prevê é que haja uma melhoria na venda para o exterior de produtos manufaturados, que são aqueles que apresentam maior valor agregado e geram empregos, movimentando o mercado com mais vigor. Segundo pesquisa recente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), essa recuperação tem se dado em função do crescimento da exportação de produtos minerais não metálicos, máquinas e equipamentos, produtos têxteis, veículos automotores e autopeças, artigos de vestuário e produtos alimentícios. 

Por tudo isso, a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) vem apostando na retomada do crescimento econômico, principalmente porque o quadro econômico mundial mostra-se muito mais favorável. Afinal, os países desenvolvidos voltaram a crescer de forma consistente e os emergentes têm mantido taxas elevadas de crescimento, ainda que em nível inferior ao observado antes de 2007.

Portanto, os sinais positivos são muitos, apesar da instabilidade política deste ano eleitoral, que pode inviabilizar a agenda de reformas. Assim, o mais provável é que o biênio 2018/2019 venha a marcar a consolidação de um novo ciclo para a economia brasileira. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Brasil - “É a carga tributária, estúpido”

SÃO PAULO – Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a empresa de consultoria Ernst & Young, mostrou que o Brasil está cada vez mais distante da média mundial do que as pessoas jurídicas pagam de Imposto de Renda: aqui o que as empresas pagam à Receita Federal fica em torno de 34%, enquanto fora do País a alíquota é estimada em 22,9%. Não é à toa, portanto, que os produtos brasileiros perdem competitividade a cada dia, sendo alijados de mercados importantes.

A razão disso? “É a carga tributária, estúpido”, pode-se dizer, parodiando-se James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, em 1992, que, ao justificar a vitória de seu candidato contra um George Bush afundado na crise econômica, declarou: “É a economia, estúpido”. Aliás, Carville repetia com outras palavras o conselho do informante incógnito conhecido como Deep Throat (Garganta Profunda) ao jornalista Bob Woodward na investigação do caso Watergate, que derrubaria Richard Nixon em 1974: “Siga o dinheiro, estúpido”. Conselho, aliás, que deve ter sido seguido pelos que investigam as manobras que justificaram a operação Lava-Jato. 

Não é preciso ser economista para se concluir que, se o governo federal extinguisse algumas das aberrações do sistema tributário brasileiro, fatalmente, as indústrias produziriam e exportariam mais, já que poderiam oferecer ao mercado externo produtos a preços mais competitivos. Sem contar que poderiam investir na sua própria internacionalização. É de se ressaltar que Estados Unidos e Argentina, primeiro e segundo país com maior concentração de multinacionais, reduziram neste ano a taxação para 21% e 25%, respectivamente.

Com a redução da carga, é possível que, num primeiro momento, a arrecadação tributária brasileira viesse a cair, mas, a médio prazo, com certeza, o governo iria faturar mais, pois o volume de exportação haveria de quintuplicar em pouco tempo. Basta ver que, como mostra o estudo da CNI, as empresas transnacionais exportam e inovam mais. E por que? Ora, nos últimos anos, países como Estados Unidos, França, Japão e Argentina revisaram para baixo a alíquota de Imposto de Renda das empresas como forma de atrair investimentos e aumentar a competitividade internacional.

Assim, nos Estados Unidos, uma empresa brasileira com investimento no exterior paga apenas 21% de imposto sobre a renda, como qualquer outra empresa estrangeira. Mas, enquanto a tributação das empresas de outras nacionalidades se encerra em solo norte-americano, a brasileira tem de pagar mais 13% do lucro ao fisco para completar o que é cobrado no País, pois o Brasil tributa lucro no exterior.

Com isso, o País perde recursos direcionados às exportações, à pesquisa e à inovação, pois os investimentos no exterior são mais baratos. Além disso, a alta carga tributária desestimula os investimentos brasileiros no exterior, atividade que gera ganhos à economia nacional. Em outras palavras: a tributação no Brasil das subsidiárias das multinacionais brasileiras representa um custo que, neste momento, afeta a competitividade dessas empresas. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Brasil - Desindustrialização em marcha

SÃO PAULO – Quem acompanha as oscilações da pauta mundial das exportações sabe que o Brasil, nos últimos tempos, tem perdido espaço nas vendas de manufaturados, apesar dos esforços da Apex-Brasil, agência de promoção comercial do Ministério da Indústria e Comércio Exterior (MDIC), para divulgar e reforçar a imagem do produto nacional no exterior por meio de participação de empresas em feiras e simpósios no País e lá fora.

Ainda bem que as exportações de commodities têm evoluído de maneira significativa, pois pelo menos mantém em certo equilíbrio a balança comercial. Pior seria se também tivessem entrado em faixa descendente, até porque o Brasil não tem a menor influência em suas cotações. Hoje, apenas 20% das vendas brasileiras ao exterior são de manufaturados, o que permite ao Brasil uma participação modesta de 1,3% nas exportações mundiais.

Obviamente, melhor seria se fosse o inverso, pois são os manufaturados que agregam valor e criam empregos, estimulando o mercado interno. Mas isso não se dá, entre outras razões, por causa dos elevados custos que incidem sobre o manufaturado nacional. E não são apenas os impostos que recaem diretamente sobre o produto nacional que tiram o poder de competição de seu preço.

Isso ocorre até mesmo onde não se imagina que haja perdas. É o caso do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), que incide sobre o combustível dos navios que operam nas linhas domésticas. A princípio, a cabotagem nada tem a ver com o mercado internacional, mas isto não passa de um ledo engano.

Explica-se: as empresas armadoras, em função da necessidade de alcançar competitividade, têm construído navios cada vez maiores e formado joint ventures que permitem o transporte de cargas de um número cada vez maior de armadores. Acontece que, no Brasil, em razão das conhecidas deficiências de infraestrutura, há poucos portos preparados para receber esses megacargueiros. Assim, alguns portos, como o de Santos, mesmo com suas deficiências de calado, são erigidos hub ports. E muitas indústrias localizadas fora da região Sudeste são obrigadas a recorrer a um transporte doméstico de grandes distâncias, o que acaba por encarecer em demasia o produto.

O mesmo problema se dá também na importação. Ou seja, o produto chega ao porto de Santos e precisa ser transportado para outros Estados por navios de cabotagem, pois para longas distâncias o caminhão torna-se quase inviável. Sem contar a precariedade de algumas estradas. Ocorre, porém, que, enquanto o ICMS no combustível dos navios de longo curso é zerado, na cabotagem é cobrado.

Isso também tem contribuído para que a quantidade de empresas exportadoras sofra queda ano a ano, enquanto cresce de forma acelerada o número de empresas importadoras. Em outras palavras: o Brasil importa cada vez mais produtos manufaturados, reforçando o fenômeno da desindustrialização e suas consequências trágicas, como o fechamento de postos de trabalho. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

sábado, 6 de janeiro de 2018

China – Cervejas portuguesas ganham mercado

As cervejas Sagres e Super Bock têm vindo a registar resultados “bastante promissores” nas exportações para a China, que se destaca cada vez mais entre os mercados internacionais das duas marcas



A China é destino de aposta do Super Bock Group e da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas (Sagres), ocupando o primeiro e segundo mercado de exportação, respectivamente, disseram à Lusa os responsáveis das duas empresas cervejeiras.

“A actividade comercial do Super Bock Group na China começou em Janeiro de 2009, quando enviámos o primeiro contentor para comercialização da marca Super Bock em hotéis e restaurantes através de parcerias que estabelecemos com distribuidores locais”, afirmou à Lusa Rui Lopes Ferreira, presidente executivo da empresa.

Por sua vez, a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, que tem a Sagres, iniciou a comercialização na China, embora de forma “residual, em 2013”, adiantou Nuno Pinto Magalhães, director de comunicação e relações institucionais da empresa.

“Em 2016 foi quando começámos a acelerar o nosso crescimento” naquele mercado, acrescentou.

Para o Super Bock Group, “hoje a China é o maior destino internacional da empresa, registando resultados bastante promissores ao representar 40% das exportações, sobretudo da cerveja Super Bock, o que significa já mais de 10% da receita global (451 milhões de euros em 2016)”, referiu Rui Lopes Ferreira.

No caso da cervejeira que detém a marca Sagres, em 2016 foram exportados quatro milhões de litros para a China, prevendo-se para 2017 “um crescimento superior a 50%”, acrescentou Nuno Pinto Magalhães.

“A China, neste momento, é o segundo mercado de exportação da Sagres, a seguir à Suíça, não considerando Angola, que já não é exportação”, salientou o mesmo responsável, apontando que a região onde o grupo mais vende cerveja é na província de Fujian, embora também comercializem para Zhejiang e Guangdong.

Já a Super Bock “está a ser comercializada em cinco mil pontos de venda distribuídos por 50 cidades, localizadas em três províncias com 200 milhões de pessoas. Mantém-se a presença em hotéis e restaurantes seleccionados, tendo a empresa já alargado a comercialização desta marca também ao canal alimentar”, concluiu o presidente executivo do grupo.

Relativamente a Angola, a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas adiantou que a Sodiba – Sociedade de Distribuição de Bebidas de Angola, fábrica da empresária angolana Isabel dos Santos, “iniciou a produção em meados de Março [de 2017], em regime de “trademark license agreement”, sendo que só divulgarão dados “passado sensivelmente um ano”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Brasil – Usiminas considera que mercado de aços planos tem potencial para crescer

A Usiminas, maior produtora de aços planos do país, enxerga recuperação mais rápida de seu mercado no ano que vem e quer se aproveitar dessa tendência vendendo mais produtos laminados a quente e a frio para reforçar o resultado, segundo o presidente da companhia, Sérgio Leite.

Em 2017, até agora, os aços galvanizados a quente estão sendo o carro-chefe do crescimento de vendas da siderúrgica. Esse tipo de aço é majoritariamente destinado ao setor automotivo, que vive bom momento, principalmente pelas maiores exportações.

Em entrevista ao Valor, o executivo revelou que sua expectativa é de crescimento em 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) durante 2018, em linha com a média dos economistas. Se isso se confirmar, o mercado de aços planos tem potencial para subir de 5% a 10% no país, por conta de sua elasticidade na economia.

Em relatório publicado na semana passada, o Citi calculou que o consumo de aços planos vai subir 6% no próximo ano.

"Vendemos mais galvanizados muito na esteira da recuperação da produção automotiva, mas bobina a quente é nosso principal produto e esperamos crescer no ano que vem", declarou Leite. "Por enquanto, o produto que tem pior perspectiva é a chapa grossa, com poucos projetos de energia eólica e petróleo e gás."

O executivo reclama principalmente do fato de as exigências de conteúdo local para a exploração de petróleo terem sido reduzidas - um pleito das petrolíferas, mas que encontra muita resistência na indústria de transformação. Para Leite, o governo federal não vê a indústria como prioridade.

Após decidir cancelar um reajuste de preços que estava programado, a Usiminas quer atualizar a tabela de preços do aço que fornece ao setor automotivo, informou. Na mesa de negociação com as montadoras, que geralmente protagonizam as conversas mais duras com siderúrgicas, está aumento mínimo de 25%.

Além desse aumento, as perspectivas são baixas. O executivo estima que os preços na China, em geral o termômetro para as siderúrgicas brasileiras promoverem reajustes ou não, ficarão estáveis em 2018. Mesmo assim, ele garantiu que a companhia vai perseguir sempre um diferencial ante o aço chinês de 5% a 10%, o chamado "prêmio".

Leite também comenta que a Mineração Usiminas (Musa), empresa na qual divide o controle com a japonesa Sumitomo Corporation, está pronta para atingir no mínimo metade de sua capacidade nominal, que é de 12 milhões de toneladas por ano. Em 2018, a companhia pretende exportar cerca de 3,5 milhões de toneladas de minério de ferro, após ficar quase um ano sem vender ao exterior e voltar no terceiro trimestre de 2017. Outras 2,5 milhões de toneladas devem ser consumidas pela própria Usiminas.

Ele ressalta que volumes acima disso necessitariam de investimentos e essa decisão será tomada dependendo do preço da commodity. A Musa só consegue gerar lucro com a matéria-prima cotada acima de US$ 55 por tonelada, exatamente a perspectiva média dos analistas para o ano que vem no caso do produto com pureza de 62%.

O presidente da Usiminas também diz que sua subsidiária de bens de capital, Usiminas Mecânica, ainda está à venda, caso haja interessados. O Credit Suisse chegou a ser contratado para cuidar da alienação do negócio, mas não houve nenhuma proposta firme. Assim, ao menos por enquanto, a possível operação está sem assessor financeiro.

"Temos que lembrar que é uma empresa que funciona a 15% da capacidade hoje. Está totalmente preparada para uma recuperação do mercado, sem dar prejuízo, mas atua por projetos e hoje eles são muito pequenos", avalia Leite. "No curto e no médio prazo não temos mais perspectiva de uma oferta pela Mecânica." Renato Rostás – México in “Valor Econômico” - Brasil

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Brasil - Prioridade para os manufaturados

SÃO PAULO – No ano de 2000, a participação dos produtos manufaturados nas exportações era de 59% e a das commodities, de 38%. Hoje, estes índices se inverteram completamente, passando a ser de 38% para manufaturados e de 60% para commodities, que são matérias-primas, que agregam pouco valor e geram poucos empregos. Os números só não são mais dramáticos porque a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), classifica como produtos industrializados os manufaturados e semimanufaturados, que incluem açúcar refinado, suco de laranja, etanol, óleos combustíveis, café solúvel e outros.

Tudo isso pode ser considerado resultado da chamada Cooperação Sul-Sul adotada pelos últimos governos populistas, que estabeleceram prioridade para o comércio com países em desenvolvimento da América Latina, Caribe, África e Ásia, abandonando o diálogo Sul-Norte, especialmente com Estados Unidos e União Europeia, o que redundou em perda de mercados para os manufaturados. Além disso, a insistência em fazer do Mercosul um fórum de debates políticos transformou o bloco numa camisa de força que impediu o País de negociar acordos comerciais bilaterais ou regionais mais amplos, provocando o seu  isolamento comercial.

Em conseqüência disso, o Brasil tem hoje uma participação no comércio mundial inferior a 1%, quando, em 2011, esse índice era de 1,41%, o maior patamar já alcançado. Mais: na década de 1980, o Brasil estava na frente de países como a China, Índia, México e Coreia do Sul na corrente de comércio internacional. Mas, hoje, essas nações estão à frente do Brasil: a China, por exemplo, responde por 13,80% de tudo o que se compra e vende no planeta; a Coreia do Sul, por 3,18%; o México, por 2,31%; e a Índia, por 1,6%.

Se não fosse a explosão de preços das commodities, a participação do País no comércio mundial seria ainda menos representativa, talvez ao redor de 0,5%. Como não tem qualquer controle sobre os preços ou quantidades decommodities no mercado mundial, o Brasil vive uma situação de extrema vulnerabilidade em sua corrente de comércio, ainda que, por sua extensão territorial, por seu agronegócio e por suas reservas minerais, esteja destinado a se tornar sempre um país exportador de peso.

Diante disso, urge que o País adote sem demora uma política de industrialização mais efetiva que estimule a recuperação da participação dos produtos manufaturados na pauta de exportação, sem deixar de manter ou elevar os atuais volumes de exportação de commodities. Para tanto, é fundamental recuperar a competitividade perdida pelos produtos manufaturados a partir de 2007, o que passa pela reforma do atual sistema tributário, que onera e adiciona custo ao produto durante o processo industrial, e por mais investimentos em sua infraestrutura de transporte. Afinal, sem custos de logística competitivos, as exportações de manufaturados continuarão a alcançar apenas os mercados próximos. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Brasil - Comércio exterior: a retomada

SÃO PAULO – Se mais um indicativo de que a economia do País se aproxima de um novo ciclo virtuoso fosse necessário, basta o que o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) acaba de anunciar: a balança comercial fechou o primeiro semestre com o melhor saldo da história para o período. Nos seis primeiros meses do ano, o Brasil exportou US$ 36,2 bilhões a mais do que importou. De janeiro a junho, o saldo da balança comercial acumulou alta de 53,1% em relação ao primeiro semestre do ano passado.

De acordo com o MDIC, nos seis primeiros meses do ano, as exportações somaram US$ 107,7 bilhões, o quinto melhor primeiro semestre da história, com crescimento de 19,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Mais: as exportações de semimanufaturados aumentaram 17,5%, impulsionadas pelas vendas de semimanufaturados de ferro e aço (70,6%), ferro fundido (48,5%) e açúcar bruto (36,4%). Já as exportações de manufaturados subiram 10,1%, com destaque para óleos combustíveis (122%), veículos de carga (59,2%), açúcar refinado (56,5%) e automóveis (52,8%).

A boa performance do comércio exterior tem contribuído sobremaneira para a recuperação da indústria. Basta ver que, no primeiro semestre, o total de produtos vendidos a outros países chegou a US$ 37,7 bilhões, com uma evolução de 10,1% em comparação com o mesmo período de 2016. As exportações de semimanufaturados têm acompanhado esse crescimento, chegando à marca de US$ 15 bilhões, o que resultou num crescimento de 17,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Com isso, o governo, com base no crescimento nos preços internacionais e na quantidade exportada, já prevê um superávit de US$ 60 bilhões na balança comercial em 2017, depois de fazer uma estimativa de US$ 55 bilhões no começo do ano. Se isso se efetivar, será o melhor saldo comercial da história para o País, o que não será pouco, levando-se em conta as tribulações provocadas na economia por uma classe política que está longe de merecer o respeito do cidadão de bem.

É verdade que os números da balança foram beneficiados pela recuperação do preço das commodities (bens primários com cotação internacional), mas os dados positivos de vários setores mostram que, se não houver mais irresponsabilidade no trato das questões políticas, a perspectiva é que haja uma retomada na economia, depois de uma fase de recuo em precedentes na história do País, que deve ser atribuída à inaptidão política da ex-presidente e à incompetência de sua equipe econômica.

É verdade que as fábricas apresentam ainda uma capacidade ociosa em torno de 25%, que se reflete diretamente na compra de máquinas e equipamentos e no desemprego para boa parte do operariado, o que acaba por afetar também os setores de alimentos e vestuário e outros. Mas, seja como for, é indiscutível que o aumento nas exportações e importações aponta para uma retomada do crescimento econômico do Brasil. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Brasil - O porto de Santos em números

SÃO PAULO – Relatório preparado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), da Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que o porto de Santos, apesar da crise econômica que o País atravessa , manteve em 2016 a liderança em movimentação de contêineres, ainda que tenha registrado um declínio de 5,1% na movimentação de cargas. 

De acordo com o levantamento, o porto de Santos operou 3,3 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), número ligeiramente inferior ao informado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que apontou a movimentação de 3,5 milhões. Essa divergência já havia sido registrada em relação à movimentação de contêineres em 2015, quando o relatório da Cepal apontou a operação de 3,6 milhões e a Codesp, de 3,7 milhões de TEUs.

Independente dessa divergência, o que se deve assinalar é o papel desempenhado pelo porto de Santos, que, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), alcançou em abril a maior participação do ano até agora na balança, com US$ 31,7 bilhões comercializados, o que representa 27,6% do total acumulado pelo comércio exterior do País no período, que foi de US$ 114,9 bilhões. 

Nas exportações, o valor das transações pelo porto de Santos foi de US$ 18,4 bilhões no acumulado do ano, o que equivale a uma participação de 27%, levando-se em conta que o total negociado pelo País foi de US$ 68,1 bilhões. Já nas importações, o resultado entre janeiro e abril foi de US$ 13,4 bilhões, correspondente a 28,6% do total brasileiro (US$ 46,8 bilhões), o que mostra que, ao contrário do que ocorria há 30 ou 40 anos, o porto de Santos assumiu hoje um viés mais exportador.

A presença majoritária de Santos no comércio exterior brasileiro é mais evidente quando se vê a diferença que registra em relação aos demais portos do País, à frente de Navegantes, terminal privado da Portonave em Santa Catarina, que movimentou 895,3 mil de TEUs, e  Paranaguá-PR, que movimentou 725 mil TEUs. Entre os 20 maiores portos do continente latino-americano e Caribe, Navegantes aparece em 16º lugar e Paranaguá em 20º.

De acordo a Cepal, imediatamente atrás de Santos estão dois complexos portuários do Panamá: Colón, que registrou a movimentação de 3,2 milhões de TEUs, e Balboa, com 2,9 milhões. Embora as diferenças econômicas e territoriais entre o Brasil e o Panamá sejam colossais, os dois portos panamenhos movimentam juntos mais que Santos, Navegantes e Paranaguá (6,1 milhões de TEUs contra 4,9 milhões de TEUs).  

O que explica isso é que o Canal do Panamá funciona como corredor entre a economia do Leste dos EUA e a Ásia e a Oceania. É de se assinalar que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, a primeira economia da região, é de US$ 2 trilhões, enquanto o do Panamá, a 11ª, é de US$ 52,1 bilhões. A título de exemplo, é de se lembrar que o PIB dos EUA é de US$ 18,2 trilhões.

A China, com a participação de 20,4% no período, ou US$ 3,74 bilhões, EUA, com US$ 2 bilhões (11,4%), Argentina (7,4%), Holanda (2,9%) e México (2,8%) são os cinco principais importadores pelo cais santista. Entre os exportadores, estão a China, com 21,8% (US$ 21,9 bilhões) do total do porto, EUA, com 16,3% (US$ 2.1 bilhões), Alemanha, com 8,7%, Coreia do Sul, com 4,8%, e Japão, com 4,6%. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Brasil – Aviões da Embraer “voam” para os Estados Unidos

Brasília – Ao contrário da China, que concentra as importações do Brasil em produtos básicos de menor valor agregado, os Estados Unidos são hoje um dos principais mercados para os produtos industrializados brasileiros e em especial para os aviões fabricados pela Embraer. De janeiro a maio, 55,6% de um total de US$ 10,584 bilhões exportados para os Estados Unidos envolveram o embarque de manufaturados.

As aeronaves, com uma receita de US$ 943 milhões, responderam por 8,9% das vendas totais aos americanos no período. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Em relação a poucos países o Brasil tem um intercâmbio comercial tão fortemente marcado por uma participação efetiva das categorias de produtos por valor agregado. Com uma alta de 83,9% em comparação com os cinco primeiros meses de 2016, as vendas dos produtos primários totalizaram US$ 1,89 bilhão, com uma participação de 17,9% no volume exportado. Em relação aos semimanufaturados, a receita atingiu a cifra de US$ 1,97 bilhão, com alta de 39,6% e participação de 18,6% nas exportações para os americanos. Por outro lado, as vendas de bens industrializados somaram US$ 5,88 bilhões, com uma alta de 85% e participação de 55,6% nos embarques totais. Finalmente, as chamadas operações especiais geraram receita no montante de US$ 835 milhões, equivalentes a uma fatia de 7,89% do total exportado.

De janeiro a maio, o petróleo foi o principal produto da pauta exportadora para os Estados Unidos. Em comparação com igual período de 2016, as vendas cresceram 258,5% para US$ 1,08 bilhão e responderam por 10% das vendas para a maior economia do planeta.

Outros produtos em destaque nas exportações foram os semimanufaturados de ferro ou aços (US$ 811 milhões e participação de 7,7%), café cru em grãos (US$ 376 milhões e 3,6% de participação) e celulose (US$ 333 milhões, correspondentes a 3,2% das vendas totais para os Estados Unidos no período). Ana Dib – Brasil in “Comex do Brasil”