Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Macau - Associação pede mais apoio aos negócios sino-lusófonos

Tendo em conta que muitas empresas chinesas e lusófonas sofreram “um golpe sem precedentes” durante a pandemia, a Associação Comercial Internacional de Empresários Lusófonos entende que Macau deve trabalhar em várias frentes para desenvolver o seu papel de plataforma

A Associação Comercial Internacional de Empresários Lusófonos alertou para o facto de muitas empresas chinesas e de países de língua portuguesa terem relatado que os seus negócios foram atingidos por um “golpe sem precedentes”, numa altura em que o mundo continua a ser severamente afectado pela pandemia. Nesse contexto, a vice-presidente da associação, Latonya Leong, avisou que as dificuldades sentidas por essas empresas representam um desafio que “não pode ser ignorado”.

Na sua perspectiva, Macau pode trabalhar em vários aspectos para melhorar esta situação. Ao Jornal Tribuna de Macau, Latonya Leong sugere que o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa coopere com associações económicas e comerciais sino-portuguesas profissionais da RAEM para acelerar o intercâmbio entre empresas da China Continental e dos mercados lusófonos. Concretamente, acredita que isso poderá ser feito no comércio e investimento, bem como na cooperação regional, de modo a promover a viabilidade de uma cooperação mutuamente benéfica entre o Continente, a RAEM e os países de língua portuguesa.

Ademais, a mesma responsável aponta para a exploração de novas possibilidades, combinando projectos de desenvolvimento existentes na RAEM. A medicina tradicional chinesa “é uma das indústrias emergentes que Macau se esforça por cultivar, sendo também um campo chave na promoção da diversificação económica adequada”, refere. O estabelecimento da sede internacional do “Guangzhou Pharmaceutical Group” em Macau é um marco importante, que no futuro, deve ajudar a indústria farmacêutica do território e de Hengqin, a inovar-se, desenvolver-se e também a ajudar na diversificação da economia do território, disse,

Além de servir de plataforma para a cooperação sino-lusófona, Macau é também uma das janelas importantes para a cooperação internacional da China. Latonya Leong sublinhou que Macau espera aumentar as oportunidades de cooperação e alargar a outros países as vantagens e o desenvolvimento da medicina tradicional chinesa, bem como levar marcas conhecidas a África para registo, desenvolvimento e, gradualmente, liderar o desenvolvimento da medicina chinesa nos países de língua portuguesa.

Apontou também que o “Centro de Exposições de Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa” será utilizado para levar esses produtos para o Continente de modo a responder à procura interna de alimentos importados. “Recomenda-se ao Governo o apoio à publicidade e, em conjunto com o detalhado planeamento de mercado, a promoção das vantagens dos produtos alimentares dos países de Língua Portuguesa”, frisa.

“Actualmente existe pouco conhecimento sobre os produtos alimentares derivados dos países de Língua Portuguesa na China Continental, a elevada qualidade e preços razoáveis podem ser utilizados como pontos de venda para uma exploração eficaz de novas oportunidades de desenvolvimento”, defendeu Latonya Leong.

A associação entende ainda que deve ser feito um bom uso do fundo de desenvolvimento cooperativo entre a China e o universo lusófono e do sistema de seguro de crédito à exportação de Macau para pequenas e médias empresas (PME). De acordo com dados citados pela mesma responsável, o Fundo apoiou seis projectos no total, incentivando as empresas chinesas a investirem cerca de quatro mil milhões de dólares americanos em países lusófonos, abrangendo áreas como infra-estruturas, agricultura, manufactura, entre outras. No futuro, estes projectos deverão continuar a trazer contribuições financeiras para os países lusófonos e contribuir para a criação de postos de trabalho, o aumento da capacidade produtiva e o desenvolvimento social.

O sistema de seguro de crédito à exportação para PME de Macau é um marco importante para a plataforma lusófona. “Se o Governo puder incentivar mais empresas a usar o fundo, a envolverem-se activamente em negócios com os países de língua portuguesa e a combinar a utilização e investimento do fundo com o desenvolvimento interno e externo de empresas chinesas e portuguesas em Macau, acredita-se que serão criadas novas oportunidades para muitas entidades”, disse a mesma responsável.

Latonya Leong defende ainda o reforço da promoção e divulgação do papel e função da Plataforma China-Lusofonia no país e no estrangeiro, com foco na formação de uma nova geração de jovens empresários da China e lusófonos. Desse modo, a Plataforma poderá ser “maior e mais forte”. Viviana Chan – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


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