Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Moçambique – A Fundação Fernando Leite Couto apresenta “A Arte do Pensamento Crítico”, programa para 90 jovens dos PALOP

A Fundação Fernando Leite Couto, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e em parceria com os colectivos CACAU (São Tomé e Príncipe), Kino Yetu (Angola), Ur-GENTE (Guiné-Bissau) e o Instituto Pedro Pires (Cabo Verde) promove em 2026 A Arte do Pensamento Crítico, um programa dirigido a 90 jovens de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.


O crescimento do espaço digital ampliou a circulação de informação e a coexistência de múltiplas narrativas, tornando mais complexos os processos de interpretação de conteúdos e do mundo. Neste contexto, o pensamento crítico afirma-se como uma competência essencial para interpretar, questionar e enquadrar narrativas. A Arte do Pensamento Crítico parte desta realidade contemporânea e propõe um espaço de formação e criação centrado na relação entre o pensamento crítico e as linguagens artísticas contemporâneas.

O programa estrutura-se em masterclasses, oficinas práticas, sessões de mentoria e uma mostra pública de trabalhos desenvolvidos, dirigindo-se a jovens entre os 18 e os 30 anos, nacionais e residentes nos PALOP.

As masterclasses reúnem escritores, académicos, jornalistas e criadores como Francisco Noa, Eduardo Quive, Raquel Lima, Nástio Mosquito e Mehak Vieira, e abordam temas como pensamento crítico, desinformação, identidade, linguagem e circulação de narrativas no contexto contemporâneo. A sessão de abertura do ciclo de masterclasses estará a cargo de Mia Couto e Elísio Macamo.

Nas oficinas, os participantes desenvolvem trabalhos autorais em escrita, fotografia e vídeo, acompanhados por facilitadores como José dos Remédios, Luísa Nhamtunbo e João Graça, que intervêm directamente no processo de construção das ideias e na tomada de decisões estruturantes relativos ao que se pretende como resultado.

O percurso inclui ainda sessões de mentoria individual e acompanhamento do desenvolvimento dos trabalhos, promovendo o aprofundamento dos processos de criação e reflexão. O programa culmina numa mostra pública de trabalhos desenvolvidos, apresentando obras em diferentes linguagens (texto, fotografia, vídeo e storytelling) produzidas ao longo do percurso.

A Arte do Pensamento Crítico parte da ideia de que o pensamento crítico não é apenas uma competência individual, mas um processo activo de construção de sentido, em diálogo com as práticas artísticas contemporâneas. As candidaturas ao programa abrem em data a anunciar brevemente. In “Moz Entretenimento” - Moçambique



sábado, 4 de julho de 2026

São Tomé e Príncipe – Anunciada a criação da Fundação Alda Espírito Santo no centenário da matriarca santomense

Personalidades nacionais e internacionais dos meios académico, cultural e institucional reúnem-se, durante dois dias, na capital santomense, para a Conferência Internacional que celebra o centenário de Alda Espírito Santo, figura incontornável da história, da cultura e da literatura de São Tomé e Príncipe.


“Alda do Espírito Santo não foi apenas uma nacionalista, não foi apenas uma poetisa, não foi apenas uma ativista cultural, não foi apenas uma pessoa generosa”, afirmou Inocência Mata, curadora da conferência.

“Alda do Espírito Santo afirmou-se como uma das vozes mais firmes da geração que sonhou, lutou e edificou a independência do nosso país”, destacou o Primeiro-Ministro, Américo Ramos.

Este encontro constitui um momento singular de valorização da vida, da obra e do legado da matriarca santomense, estando já em preparação a criação da Fundação Alda Espírito Santo.

“Uma fundação que funcionaria na Chácara, espero que ainda este ano isso seja possível, enquanto espaço permanente de investigação, preservação documental, promoção cultural e divulgação da sua obra, tornando-a acessível às gerações presentes e futuras”, anunciou Inocência Mata.

“Ao revisitarmos a vida e a obra de Alda Espírito Santo, somos chamados a reconhecer a força transformadora da palavra, o papel estruturante da educação e o valor da cultura como expressão profunda da nossa identidade”, sublinhou Américo Ramos.

Para o Chefe do Governo, a realização desta conferência representa um compromisso renovado com os valores que nortearam a vida de Alda Espírito Santo: a dignidade humana, a justiça social, a igualdade de oportunidades e a confiança num futuro melhor. José Bouças – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Brasil - Criação de conteúdo digital passa a ser profissão regulamentada por Lei

A economia digital já é uma realidade consolidada no Brasil. Milhões de pessoas vivem hoje da internet, seja criando vídeos, escrevendo roteiros, editando conteúdos, gerenciando redes sociais ou atuando como influenciadores. Apesar disso, até recentemente, esse trabalho existia em uma espécie de “zona cinzenta” jurídica, sem reconhecimento formal como profissão.


Esse cenário mudou em 2026, com a publicação da Lei nº 15.325/2026, que passou a reconhecer oficialmente a atividade de criação de conteúdo multimídia e digital como profissão regulamentada. Trata-se de um marco relevante, não apenas simbólico, mas com reflexos práticos importantes — especialmente na esfera trabalhista.

O reconhecimento legal da criação de conteúdo

A nova legislação reconhece como atividade profissional a atuação de pessoas que vivem da produção, edição, roteirização, publicação e gestão de conteúdo digital, incluindo vídeos, textos, imagens, publicidade online e administração de redes sociais. Na prática, a lei formaliza uma realidade que o mercado já conhecia: criar conteúdo é trabalho, gera renda e exige técnica, regularidade e responsabilidade.

Esse reconhecimento rompe com a ideia de que se trata apenas de “hobby”, “bico” ou atividade informal, reforçando o caráter profissional da atuação no ambiente digital.

Quais são os impactos no Direito do Trabalho?

Embora a regulamentação não signifique, automaticamente, que todo criador de conteúdo seja empregado, ela altera significativamente a análise jurídica das relações de trabalho no setor.

Um dos primeiros reflexos possíveis é a adequação da Carteira de Trabalho, quando estiverem presentes os requisitos da relação de emprego. Se houver subordinação, habitualidade, pessoalidade e onerosidade, a função exercida deverá constar corretamente como atividade profissional regulamentada.

Outro ponto relevante é a estrutura sindical. Com o reconhecimento legal, a criação de conteúdo tende a ser enquadrada como categoria profissional diferenciada, o que pode levar à criação ou reorganização de sindicatos específicos, com impactos em negociações coletivas, convenções e acordos de trabalho.

Além disso, a regulamentação aumenta o risco de reconhecimento de vínculo empregatício em relações que antes eram rotuladas como “parcerias”, “colaborações” ou “prestação de serviços”. Empresas que mantêm controle de horários, exigem exclusividade, determinam pautas, metas e formas de execução do trabalho passam a estar mais expostas a questionamentos judiciais.

Parceria ou vínculo de emprego?

Esse é um dos pontos mais sensíveis da nova realidade. A simples nomenclatura contratual não é suficiente para afastar o vínculo empregatício. Mesmo contratos de prestação de serviços ou parcerias podem ser desconsiderados pela Justiça do Trabalho se, na prática, estiverem presentes os elementos típicos da relação de emprego.

Com a profissão agora reconhecida por lei, a tendência é que o Judiciário passe a analisar essas relações com ainda mais atenção, valorizando a realidade dos fatos e não apenas a forma contratual adotada.

A importância da adequação jurídica

Tanto criadores de conteúdo quanto empresas e agências precisam compreender que o mercado digital amadureceu — e o Direito acompanhou esse movimento. A informalidade, que antes era regra, passa a representar um risco jurídico relevante.

Criadores devem buscar informação sobre seus direitos e deveres, enquanto contratantes precisam rever contratos, rotinas e modelos de atuação, sob pena de enfrentar demandas trabalhistas futuras.

Conclusão

A regulamentação da criação de conteúdo digital como profissão representa um avanço importante na valorização do trabalho realizado no ambiente online. No entanto, também impõe novos desafios jurídicos, especialmente no campo trabalhista.

Ignorar essa mudança pode gerar consequências financeiras e legais significativas. Entender o novo cenário, revisar práticas e buscar orientação especializada deixa de ser opção — passa a ser necessidade.

O trabalho digital deixou de ser invisível. Agora, também é jurídico. Eduarda Nunes – Brasil in Jusbrasil

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Eduarda Pires Nunes - Advogada especialista em Direito do Trabalho, pós-graduada em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho; sócia Coelho Advogados Associados; atuante em todo o Brasil


segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Macau - Universidade de Lisboa vai ajudar a criar Faculdade de Medicina

A Universidade de Lisboa vai ajudar a criar uma Faculdade de Medicina no novo campus da Universidade de Macau (UM), na vizinha Hengqin (ilha da Montanha), disse um vice-reitor da instituição

“A Faculdade de Medicina, que será a primeira faculdade de medicina pública aqui em Macau, será feita em parceria com a Universidade de Lisboa. Já temos um acordo nesse sentido”, disse Rui Martins.

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, uma instituição privada, tem desde 2008 uma Faculdade de Ciências da Saúde, oficialmente rebatizada como Faculdade de Medicina em 2019.

Numa entrevista ao canal em língua portuguesa da televisão pública TDM Martins disse que Medicina será uma das quatro novas faculdades a nascer no novo campus da UM em Hengqin.

“Teremos uma Faculdade de Ciências da Informação, uma Faculdade de Engenharia, com novos tipos de engenharia, e também uma Faculdade de Design e que deverá incluir arquitetura”, referiu o académico português.

“A ideia nesse campus é termos ‘dual degrees’ [cursos em co-tutela] com universidades estrangeiras. A medicina (1:25) já está com Lisboa e agora estamos a definir para as outras faculdades”, acrescentou Martins.

O novo campus em Hengqin, cuja primeira pedra foi lançada em 09 de dezembro, deverá ser inaugurado em 2028 e permitir à UM passar dos atuais 15 mil para um máximo de 25 mil alunos, sublinhou o vice-reitor para Assuntos Globais.

Macau inaugurou em setembro o Hospital Macau Union, o terceiro e o maior complexo de cuidados de saúde da região semiautónoma chinesa, com uma área de cerca de 430 mil metros quadrados.

O Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas – Centro Médico de Macau do Peking Union Medical College Hospital já prestava tratamentos de 24 especialidades, tendo começado a funcionar a título experimental em 20 de dezembro de 2023.

O hospital, com tecnologia e equipa de gestão do Peking Union Medical College Hospital, de Pequim, situa-se no Cotai, onde está localizada grande parte dos casinos em Macau, e abriu com 852 camas, 26 salas de cirurgia e um laboratório central.

No início de agosto, a então secretária para os Assuntos Sociais e Cultura de Macau, Elsie Ao Ieong U, disse esperar que o processo de recrutamento de pessoal médico termine “ainda este ano”.

Em abril, o líder do Governo cessante Ho Iat Seng disse que os hospitais da região tinham 24 médicos provenientes de Portugal.

Elsie Ao esteve em maio de 2023 em Portugal para tentar recrutar médicos portugueses.

Em dezembro de 2023, os Serviços de Saúde de Macau (SSM) disseram à Lusa que iriam propor a contratação de dois dos 12 médicos portugueses que se candidataram.

Os SSM admitiram que alguns tinham desistido do processo porque, como tinham estatuto de residente em Macau, seriam obrigados a realizar internato e exames. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Cabo Verde - Governo cria Fundo Climático e Ambiental

O fundo, que inicia com um capital social de 100 milhões de escudos, procura mobilizar e acelerar o financiamento de projectos e programas que promovam resiliência climática, conservação ambiental e transição para uma economia verde e azul



Conforme o Boletim Oficial, o Fundo Climático e Ambiental (FCA) está estruturado como uma sociedade anónima unipessoal e integra o sistema de governança climática do país de modo a cumprir os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris e da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Além disso, permitirá captar recursos de parcerias público-privadas, fundos internacionais e conversões de dívida em investimentos sustentáveis.

Segundo o governo, o FCA tem como objectivos reduzir emissões de gases de efeito estufa, promover energias renováveis, agricultura sustentável e resiliência costeira. O fundo também visa posicionar Cabo Verde como líder em acção climática entre os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS).

O BO explica que além do capital inicial integralmente subscrito pelo Estado, o fundo poderá expandir a sua capacidade financeira por meio de contribuições de parceiros internacionais e receitas diversas, como donativos, rendimentos de serviços prestados e taxas associadas a projectos ambientais.

Refere-se que em Outubro deste ano, o diploma que cria o Fundo Climático e Ambiental foi aprovado na especialidade pela 1ª e 3ª comissão especializada, tendo o ministro da Agricultura e Ambiente considerado que é um passo “significativo” para uma boa governação climática.

Em Janeiro, o FCA foi apresentado às Missões Diplomáticas, Organizações Internacionais e Regionais e em Julho, o Governo garantiu que o mesmo seria uma “operação financeira inovadora” e com “impacto zero” na dívida pública. Sheilla Ribeiro – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Universidade de Macau cria laboratório com Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) de Portugal

A Universidade de Macau (UM) e o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) de Portugal celebraram um acordo que preconiza a criação de um Laboratório Conjunto de Nanomedicina de Precisão.


“O laboratório integrará os pontos fortes académicos e os recursos de investigação de ambas as partes no domínio da nanomedicina de precisão, realizará projectos de investigação interdisciplinares, cultivará talentos de investigação de alto nível e aprofundará a cooperação entre Macau e Portugal em áreas afins”, informou a UM.

O acordo foi assinado na quinta-feira por Rui Martins, vice-reitor da UM, e Ana Pêgo, vice-directora de estratégia e criação de valor do i3S, numa cerimónia testemunhada pelo reitor da Universidade de Macau, Yonghua Song. Nesta deslocação ao campus da instituição local, Ana Pêgo visitou a Faculdade de Ciências da Saúde e o Instituto de Ciências Médicas Chinesas, onde pôde conhecer os resultados da investigação e discutir acções de colaboração com investigadores da UM. Ana Pêgo proferiu ainda uma palestra na UM sobre os projectos de investigação e realizações do i3S, e abordou o desenvolvimento de nanobiomateriais e neurociências com membros da UM. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sexta-feira, 31 de maio de 2024

Timor-Leste - Vai criar um Parque Marinho em Ataúro para promover a economia azul

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunciou na terça-feira a criação de um Parque Marinho em Ataúro, situado em frente a Díli, para promover a economia azul no país e pediu a ajuda dos parceiros internacionais.


O anúncio foi feito durante a IV Conferência Internacional dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, que decorre em Antígua e Barbuda, numa sessão sobre revitalização da economia de forma sustentável. “A iniciativa que Timor-Leste deseja anunciar publicamente nesta conferência é que queremos acelerar o desenvolvimento económico sustentável com a criação de um Parque Marinho na ilha de Ataúro”, afirmou Xanana Gusmão, citado num comunicado do seu gabinete enviado à imprensa.

Segundo o líder do Governo, a iniciativa vai contribuir para a conservação ambiental marinha e promover uma economia azul sustentável, criando postos de trabalho para os timorenses. Mas, segundo Xanana Gusmão, para concretizar a iniciativa é preciso “realizar pesquisas científicas e estudos sobre biodiversidade, desenvolver infraestruturas para proteger os recifes tropicais e criar uma estrutura de governação para uma economia azul”. “Não podemos fazer aquilo sozinhos. Precisamos de cooperação e parcerias internacionais”, afirmou o chefe do Governo timorense, salientando que espera que o desenvolvimento da economia azul em Timor-Leste seja um modelo de desenvolvimento sustentável para outros estados insulares.

Timor-Leste é dos países do mundo com maior biodiversidade marinha. A ilha de Ataúro, situada a 25 quilómetros a norte de Díli e com cerca de 10000 habitantes, tem o maior número médio de peixes de recife e corais fossilizados e é também um local frequentemente visitado por várias espécies de baleias e golfinhos. In “Ponto Final” - Macau


quinta-feira, 14 de março de 2024

São Tomé e Príncipe - Organização Internacional do Trabalho vai apoiar a criação do tribunal do Trabalho

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) anunciou que vai ajudar São Tomé e Príncipe na criação do tribunal do Trabalho, admitindo que "será muito importante" para ajudar na resolução dos conflitos laborais no arquipélago

"Haverá sempre conflitos [laborais] e por isso são necessários mecanismos de regulação e contamos ajudar o Governo (...) e iremos acompanhar o processo de criação desta instância", assegurou o diretor da equipa de apoio técnico da OIT para África Central, Claude Yao Kauamé.

O representante da OIT que se encontra na capital são-tomense para se apresentar às autoridades locais, encontrou-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Gareth Guadalupe e com o ministro do Trabalho e Solidariedade, Celsio Junqueira, e se reunirá com as duas centrais sindicais do país e com a Câmara do Comércio nos próximos dias.

"É preciso sublinhar que São Tomé tem mais de 40 anos enquanto membro da nossa organização e isso é importante para avançar a justiça social e o trabalho decente no país", enfatizou o representa da OIT, no final do encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Questionado sobre a visão da OIT face as greves dos professores que dura há mais de uma semana no arquipélago, bem como a greve na empresa Agripalma há mais de um mês, Claude Yao Kauamé disse acreditar que "pode ser encontrada uma solução para esta greve através dos mecanismos de diálogo social que existem no país".

"Não viemos especificamente para tratar desta questão, temos confiança nas autoridades, nos mecanismos de diálogo social", acrescentou.

Questionado ainda sobre o respeito das convenções laborais e os direitos dos trabalhadores em São Tomé e Príncipe, o representante da OIT sublinhou que "há avaliações que são feitas" e que "de uma forma geral há um espírito de grande colaboração" do Estado são-tomense que assinou várias convenções, que são também muito importantes. Agência Lusa


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

África – Aliança dos Estados do Sahel rumam à criação de uma moeda comum

O Presidente da Transição no Níger falou no domingo à noite sobre a possível criação de uma moeda comum com Burkina Faso e Mali.


“A moeda é um passo à frente desta colonização”, declarou o general nigerino Abdourahamane Tiani na televisão nacional nigerina, referindo-se ao franco CFA e à França, a antiga potência colonial.

Níger, Mali e Burkina Faso – três antigas colónias francesas agora governadas por regimes militares – agrupados na Aliança dos Estados do Sahel (AES), “temos especialistas (financeiros) e no momento certo, decidiremos”, continuou ele. “A moeda é um sinal de soberania”, continuou o General Tiani, e os Estados da AES estão “empenhados num processo de recuperação da nossa soberania total”. Ele garante que “já não se trata de os nossos Estados serem a fonte de financiamento da França”.

O líder nigerino não deu detalhes sobre a possível circulação de uma moeda futura. Este poderia, no âmbito da AES, substituir o franco CFA, actualmente comum aos oito países membros da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), incluindo o Níger, o Burkina Faso e o Mali.

Em Janeiro, os países da AES deixaram a CEDEAO com efeitos imediatos. Saliou Cissé – Casamansa in “Journal du Pays”


terça-feira, 30 de janeiro de 2024

São Tomé e Príncipe - Vai criar Instituto de Saúde Pública para “harmonizar” políticas de saúde

São Tomé - São Tomé e Príncipe vai a curto prazo criar um Instituto de Saúde Pública para coordenar e harmonizar as políticas de saúde pública no País, soube-se de fontes oficiais na cidade de São Tomé.


A necessidade da existência deste instituto fez-se sentir, na última semana, quando o País organizou com o apoio da CPLP o primeiro plano estratégico de Saúde Pública.

Bonifácio de Sousa, director do Centro Nacional de Endemias, que, tudo indica pode vir a ser transformado nesse instituto, disse à STP-Press que ‘’é imprescindível que todos os Estados Africanos tenham um Instituto de Saúde Pública porque é a partir deste organismo que fazem o elo de ligação, nomeadamente para implementar e coordenar políticas de Saúde Publica’’.

De acordo ainda com este responsável,” há pouco tempo tivemos o COVID-19, o Dengue e outras enfermidades. CDC-África, é o exemplo disso e onde deve haver indissociavelmente essas parcerias’’, explicou Bonifácio Sousa.

‘’CDC-África lida obrigatoriamente com o Instituto de Saúde Pública. E estes Países que não têm, eles ajudam a criar tal estrutura’’ adiantou Bonifácio Sousa.

Sublinha-se que a nível dos nove Estados da CPLP, só não existem Institutos de Saúde Pública a nível de dois Países, nomeadamente, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “STP Press” – São Tomé e Príncipe


terça-feira, 22 de agosto de 2023

CPLP - “Anomalias” com vistos de mobilidade serão corrigidas, diz secretário-executivo

O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) disse neste dia 22 ter “a garantia” do Governo português de que “num futuro muito próximo” poderão ser “corrigidas algumas anomalias” existentes nos primeiros meses de implementação dos vistos de mobilidade.


Em resposta aos problemas que têm surgido com vistos de cidadãos de Estados-membros da CPLP ao abrigo do Acordo de Mobilidade da comunidade e da nova lei de estrangeiros, o embaixador Zacarias da Costa procurou desdramatizar: “Todos queremos sempre um quadro ideal, mas a realidade é outra”.

“Temos que olhar sempre para os meios disponíveis em termos humanos, em termos logísticos, para implementar um acordo de grande envergadura, com consequências muito grandes para a vida dos nossos Estados-membros”, frisou, em entrevista à Lusa.

O diplomata timorense Zacarias da Costa está a concluir o seu primeiro mandato como secretário-executivo da CPLP e inicia o segundo mandato com a tomada de posse na próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo, a realizar no domingo em São Tomé e Príncipe, que assumirá a próxima presidência rotativa da organização.

Para o responsável, todos estão “a olhar para Portugal, porque o fluxo dos outros Estados-membros é maior [para cá]”, o que considera normal.

Por outro lado, adiantou que tem tido “reuniões de trabalho com o Governo de Portugal” e disse julgar que “aquilo que não estava bem nos primeiros meses da implementação [dos vistos CPLP] será corrigido”.

“Temos a garantia do Governo de Portugal que todos os meios que serão necessários estarão também disponíveis para podermos, num futuro muito próximo, se possível até corrigirmos algumas anomalias que existiram nos primeiros meses da implementação [dos vistos para cidadãos lusófonos]”, salientou.

No entanto, frisou: “Cabe a Portugal, em primeiro lugar, avaliar os primeiros meses de implementação e, naturalmente, depois propor medidas que possam responder de uma forma favorável e positiva aos anseios dos nossos cidadãos”.

Quando questionado sobre que “anomalias” destaca, apontou que são públicas: “as que ocorreram em termos de pedidos de vistos, a morosidade que se nota em alguns consulados, quer em relação aos estudantes, quer em relação às pessoas à procura de emprego”, exemplificou.

O Acordo de Mobilidade aprovado na última cimeira da CPLP, em Angola, em julho de 2021, resultou de uma proposta da presidência de Cabo Verde. O documento foi aprovado pelos nove Estados-membros e ratificado em 15 meses por todos. Mas, até agora, só Portugal, Cabo Verde e Moçambique já estão a aplicá-lo na ordem interna.

A Associação de Defesa dos Direitos dos Imigrantes diz que há muito “arrependimento” entre os imigrantes que recorreram ao visto em Portugal porque o visto CPLP dá para entrar em Portugal mas não permite circular pelo espaço Schengen.

Em dois meses, mais de 113 mil cidadãos da CPLP obtiveram autorizações de residência em Portugal ao abrigo da nova lei dos Estrangeiros, que contempla facilidade de entrada para os cidadãos do espaço daquela comunidade com base no Acordo de Mobilidade.

Balanço

A poucos dias do seu segundo mandato, o secretário-executivo faz um balanço “francamente positivo” dos dois últimos anos, com respostas aos desafios da presidência angolana e novos recursos para a organização.

No próximo domingo, quando tomar posse como secretário-executivo por mais dois anos, Zacarias da Costa espera já ter um orçamento retificativo aprovado para os próximo anos e um aumento da ordem dos 27% das contribuições de cada um dos nove países consensualizado, para que possa garantir à organização um orçamento anual de 3,2 milhões de euros.

Segundo ele, a presidência angolana, que termina agora, “lançou imensos desafios”. Mas, sublinhou, o secretariado-executivo conseguiu “cumprir os objetivos que a presidência se propôs” e encontrar respostas para os que a CPLP tinha pela frente.

“Particularmente, o de ajustarmos a organização a um período diferente, pós covid-19, mais dinâmico, muito mais cheio de atividades”, realçou.

“Obviamente” que, 27 anos depois de nascer, a CPLP precisou de reorganizar a estrutura interna do secretariado, “olhar para o desafio de crescimento que tem pela frente”, concluiu.

Uma das medidas passou pela criação da direção de Assuntos Económicos e Empresariais, para dar resposta aos novos desafios do quarto pilar da cooperação econômica, introduzido por Luanda, mas também olhando “para a escassez de recursos humanos e financeiros que estava a atravessar”.

Por outro lado, os próprios países estão mais cumpridores do que há uns anos nas suas obrigações para com a CPLP. “Só dois dos nove Estados-membros não cumpriram o pagamento da quota deste ano, mas já sinalizaram que o iam fazer”, sublinhou o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, acrescentando que “quotas anuais em atraso não existem”.

Além das quotas, o orçamento do próximo ano da CPLP já contará com um valor superior aos de anos anteriores e, a partir de 2024, se os Estados-membros aprovarem a proposta de aumento das contribuições, a organização passará a dispôr de valores anuais mais elevados para a sua gestão.

“Nós, até aqui, tínhamos um orçamento, que é público, de 2,7 milhões, mas através de uma gestão muito prudente, eu diria, de alguma forma rigorosa, também tendo em conta recrutamentos que não eram feitos, conseguimos sempre ter uma margem para podermos fazer face a certas contingências”, afirmou Zacarias da Costa.

Mas, reforçou: “Obviamente que hoje, com o crescimento do secretariado, com a criação da nova direção de Assuntos Económicos e Empresariais, esse valor tem que ser ajustado. Ajustado não só por força dessa nova direção, mas também porque precisamos. Isto é uma organização que praticamente estagnou, e precisamos de ajustá-la às novas realidades e aos novos desafios”, uma necessidade para a qual os Estados-membros “estão conscientes”, disse.

Recordando que durante estes dois anos de mandato da presidência angolana estiveram em cima da mesa questões “muito importantes” como a implementação do acordo de mobilidade, trabalhado pela anterior presidência, a de Cabo Verde, e aprovado pelos nove países na cimeira de Luanda, em 2021, Zacarias da Costa realça que “os Estados-membros ratificaram em tempo recorde, menos de 15 meses [o documento], e hoje já está em vigor em todos”.

Além disso, foi aprovada a agenda estratégica para a consolidação da cooperação econômica e empresarial, criada a nova direção, os estatutos já consagram este novo pilar e há hoje um fórum das agências de promoção do comércio, investimento”, elencou, num resumo do seu primeiro mandato.

Para Zacarias da Costa, há hoje “mais expectativas dos Estados-membros” em relação à CPLP, porque sentem que “a organização pode fazer muito mais por eles”.

“Isso dá-nos mais força, mas ao mesmo tempo mais responsabilidade para corresponder”, concluiu.

Quanto à criação de um Banco de Investimento, falado pelo Presidente angolano, João Lourenço, no seu discurso de tomada de posse como presidente por dois anos da CPLP, na cimeira de Luanda, em 2021, é algo que ainda está em fase de análise pelos técnicos.

Mas sublinhou: “A cooperação econômica não se esgota na ideia de termos um instrumento financeiro disponível para ajudar a alavancar esse grande objetivo”.

Associados

Os nove Estados-Membros ainda procuram consenso sobre a possibilidade de os observadores associados pagarem quotas, admitiu. Os membros do bloco lusófono estão divididos quanto à introdução de uma quota para os observadores associados (33, atualmente), explicou o diplomata.

O novo regulamento dos observadores associados é um documento que já está em discussão há pelo menos cinco anos, antes da cimeira de Luanda, em 2021.

Nessa altura, responsáveis da CPLP chegaram a admitir que o regulamento poderia ainda ir a aprovação naquele ano, o que acabou por não acontecer porque faltava acertar vários pontos do documento. E já nessa altura um dos aspetos que não reunia consenso entre os Estados-membros era o de pagamento de quotas por parte daqueles países.

“Penso que essa é uma questão fundamental: se os observadores associados serão chamados a pagar ou não uma contribuição regular, seja em forma de joias, ou seja em forma de uma quota”, afirmou agora, numa entrevista à Lusa.

Apesar disso, Zacarias da Costa disse ter esperança que seja nesta cimeira que o regulamento avança.

O número de observadores associados tem crescido bastante nos últimos anos, atingindo os 33 na cimeira de Luanda, com a aprovação de mais 14 candidaturas. Nesta cimeira deverá ser aprovado pelo mais um, o Paraguai.

A criação da categoria de observador associado, em 2005, abriu uma oportunidade para a ligação a esta organização de outros Estados e regiões lusófonos que pertençam a países terceiros, mediante acordo com os Estados-membros.

Hoje, os Estados que queiram ser observadores associados da CPLP têm de partilhar os princípios orientadores da comunidade lusófona, como a promoção das práticas democráticas, a boa governação e o respeito dos direitos humanos, devendo prosseguir objetivos idênticos aos da organização, mesmo que, à partida, não reúnam as condições necessárias para serem membros de pleno direito.

De acordo com a nova proposta de regulamento, que já estava a ser preparada na presidência cabo-verdiana, que antecedeu a de Angola, os observadores associados deveriam passar a apresentar um plano de parceria com a CPLP. A ideia sempre foi reforçar a cooperação destes países com a comunidade.

A exigência do plano de parceria mantém-se na versão mais recente do regulamento, confirmou Zacarias da Costa.

Quanto ao lema desta cimeira – “a Juventude e a Sustentabilidade na CPLP” – na qual São Tomé e Príncipe assume a presidência rotativa da organização por dois anos, Zacarias da Costa afirmou: “É uma grande oportunidade para trabalharmos dentro da CPLP uma camada importantíssima da nossa sociedade”.

“Nós estamos a trabalhar em áreas muito importantes e o ensino superior da ciência e tecnologia, em que certamente os jovens terão o seu papel e terão o seu espaço de participação”, não revelando mais sobre as propostas que ainda estão em discussão para a declaração final da cimeira e que são da competência dos Estados.

Olhando para o futuro, Zacarias da Costa traça como objetivos do seu segundo mandato, em primeiro lugar os da Presidência são-tomense. Mas, em segundo lugar, assumiu que ele próprio quer “consolidar” aquilo que se conseguiu fazer em termos internos, ou seja, “ter um instrumento de gestão” que o ajude “a gerir esta organização e fazer face aos desafios”.

Especificando que se referia “à reestruturação interna que está a ser feita” na CPLP e que “naturalmente implica também luz verde por parte dos Estados-membros em termos de reforço financeiro, para se poder trabalhar e para que a organização possa crescer”.

Ao mesmo tempo, o secretário-executivo quer aprofundar o “reforço da cooperação entre a CPLP e as organizações regionais ou sub-regionais, as organizações do sistema das Nações Unidas”.

“Temos memorandos de entendimento”, mas é preciso que “possamos concretizar em termos concretos aquilo que está no papel”, defendeu.

Por último, a ideia de Zacarias da Costa “é aproximar cada vez mais a organização dos cidadãos”.

Quanto à Guiné Equatorial, o país falante de espanhol e o mais jovem Estado-membro da CPLP, que anunciou há cerca de um ano a abolição da pena de morte, Zacarias da Costa disse apenas que neste Conselho de Ministros que antecede a cimeira será apresentado o relatório do Comité de Concertação Permanente da CPLP (entidade que congrega todos os embaixadores dos Estados-membros em Lisboa), com a avaliação do grau de implementação do programa de apoio à integração daquele país na organização.

“Penso que é um documento político, mas que contém recomendações muito importantes. Muitas das recomendações têm a ver com a implementação do português na Guiné Equatorial, que será naturalmente um papel do Instituto Internacional de Língua Portuguesa [IILP] essas recomendações”, adiantou.

Mas Zacarias da Costa defendeu que a “Guiné Equatorial está a viver uma fase diferente e que precisa do contínuo apoio dos Estados-membros, por forma a que possa integrar-se plenamente” na comunidade, da qual passou a ser Estado-membro em 2014, na cimeira de Díli.

“Precisamos de continuar a dar esse apoio, que é importante, que é necessário para que possa tornar-se também um membro de pleno direito. Já é, mas um membro plenamente integrado na vida da nossa comunidade”, salientou.

Para isso, Zacarias da Costa considera que, além do desenvolvimento do ensino do português, é necessário que aquele Estado-membro, que já assumiu “o grande compromisso da abolição da pena de morte no Código Penal”, trabalhe na “alteração da Constituição da República”.

A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”


quarta-feira, 26 de julho de 2023

CPLP - Países de língua portuguesa reafirmam compromisso com criação de agenda digital

Os integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reafirmaram o compromisso político com a implementação de uma Agenda Digital para os Estados-Membros. O compromisso faz parte da Declaração de Luanda, assinada pelos nove países, durante a XI Reunião dos Ministros das Comunicações da CPLP, na última sexta-feira (21), na capital angolana.


A secretária-executiva do Ministério das Comunicações (MCom) do Brasil, Sônia Faustino, participou do evento e ressaltou a importância da Comunidade estreitar laços, especialmente quando se trata de conectividade e inclusão digital.

“Para o Brasil, a inclusão digital é muito mais do que uma mera política pública. É parte de uma missão do governo do presidente Lula e que pode ser expressa em uma única palavra: igualdade. Acreditamos firmemente que a conectividade é um poderoso instrumento de transformação social, capaz de empoderar comunidades inteiras, gerar oportunidades e ampliar horizontes”, disse Sônia Faustino.

Os programas e ações desenvolvidos pelo MCom para levar conectividade significativa a todos os brasileiros foram destaque no evento. Sônia Faustino ressaltou a importância do Norte Conectado, que irá mudar a vida de mais de 10 milhões de brasileiros que vivem na Região.

“O projeto, já em curso, vai expandir a infraestrutura de comunicações na Região Amazônica. Serão 8 infovias, duas delas já concluídas, com a instalação de mais de 10 mil quilômetros de cabos de fibra ótica subaquáticos nos leitos dos rios. Além disso, o projeto envolve a construção de redes metropolitanas em 59 cidades, contemplando a conexão, em cada uma delas, de escolas urbanas, hospitais públicos, fóruns, organizações militares e WiFi em praças públicas”, explicou a secretária-executiva do MCom.

Documento

Durante a reunião, representantes dos países discutiram os desafios das comunicações enfrentados pela CPLP nessa era digital. Eles aprovaram as linhas gerais do Plano de Ação 2023 – 2025, que deverá ter sua versão final validada ainda este ano, e decidiram pela criação de um Grupo de Trabalho para consolidar uma proposta de acompanhamento da implementação da Agenda Digital.

Na Declaração de Luanda, consta ainda compromissos como a cooperação em temas como cibersegurança, proteção de dados pessoais e setor espacial; e a preparação para uma futura Carta de Direitos e Princípios Digitais da CPLP.

AGENDA – A agenda da secretária-executiva contou ainda com várias reuniões importantes para o relacionamento entre Brasil e demais países da Comunidade. Em uma das agendas, Sônia Faustino conversou com o secretário angolano para Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Pascoal Borges Fernandes, sobre a possibilidades de cooperação entre os dois países no setor, principalmente em temas relacionados a satélites.

Segundo Fernandes, Angola possui grande interesse em explorar as comunicações por satélite em Banda C, na observação e monitoramento da Terra, e servir como ponto focal para os países da Comunidade de Desenvolvimento do Sul-Africano.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é formada por nove países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste. Seu objetivo é aprofundar a amizade mútua e a cooperação entre os Estados-Membros. In “Mundo Lusíada” - Brasil


quarta-feira, 19 de abril de 2023

Macau - Deputados defendem aposta forte na língua portuguesa

Dois deputados de Macau propuseram a criação de “um centro de aprendizagem da língua portuguesa e intercâmbio cultural”, aproveitando existir já no território o ensino do português


Kou Kam Fai e Pang Chuan defenderam que “se aproveitem bem as vantagens do ensino da língua portuguesa para transformar Macau num centro de aprendizagem da língua portuguesa e intercâmbio cultural na Grande Baía”, na China “e até na Ásia”, de modo “a enriquecer” a plataforma sino-lusófona, de acordo com uma intervenção antes da ordem do dia na reunião plenária da Assembleia Legislativa (AL).

Por outro lado, os deputados propuseram a criação de um centro de viagens de estudo e de certificação, um mercado em que “a procura é grande” e “a desenvolver-se rapidamente”.

Em 2022, o número de pessoas que participaram em viagens de estudo em todo o país ultrapassou os seis milhões, “batendo um novo recorde histórico”, sendo que criar um centro de certificação é “um excelente ponto de partida para Macau desenvolver as suas vantagens”.

Para isso, é necessário um visto “que facilite a vinda até Macau de estudantes e docentes do interior da China, para a realização de estudos académicos e a participação em intercâmbios académicos, cursos profissionais internacionais e exames de certificação”, salientaram.

Macau apresenta cursos internacionalmente reconhecidos, centros de certificação, ensino da língua portuguesa e base de divulgação científica, acrescentaram. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Grande Baía - Macau vai criar dois centros tecnológicos para apoiar projectos lusófonos

O Governo de Macau anunciou ontem a criação de dois centros sino-lusófonos para apoiar a fixação de “projectos de tecnologia avançada” da lusofonia na região chinesa da Grande Baía, com a atribuição de bolsas e colaborações com universidades e empresas.

O Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, tinha anunciado, na semana passada, durante a apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2023, o estabelecimento de um Centro de Ciência e Tecnologia Sino-Lusófono, mas ontem, durante o debate sectorial para a área da Economia e Finanças, o Governo esclareceu que, afinal, são dois espaços.

“Um centro na Zona de Cooperação Aprofundada e outro a ser criado em Macau”, notou o director dos Serviços de Economia, Anton Tai Kin Ip, referindo-se à área de cooperação entre a província de Guangdong e Macau, em Hengqin (ilha da Montanha).

Na sessão de perguntas dos deputados, o parlamentar Kou Kam Fai questionou os membros do Governo sobre o funcionamento e as perspectivas para esses centros, até porque, disse, “muitas vezes os resultados não mostram grande eficácia, mas são sempre grandes investimentos”.

Tai Kin Ip referiu que o objetcivo final é permitir que “projectos de tecnologia avançada dos PLP [países de língua portuguesa] possam entrar para o mercado da Grande Baía”. Além disso, acrescentou o responsável, serão concedidas “bolsas e [serão feitas] articulações entre universidades e também empresas”.

Novas metas

Ainda no âmbito da cooperação sino-lusófona, o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Lei Wai Nong, sublinhou ontem que, em 2023, ano em que se celebra o 20.º aniversário do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), “o intercâmbio e a cooperação entre o Interior da China, Macau e os países de língua portuguesa, em termos de comércio, cultura, convenções e exposições, formação, entre outras áreas, serão elevados para um novo patamar”.

Para o ano, a administração de Macau espera também dar início aos trabalhos preparativos para a realização da 6.ª Conferência Ministerial do Fórum de Macau, que não se realizou em 2019 devido à pandemia da covid-19.

Além do reforço das trocas económicas e comerciais entre a China e os parceiros lusófonos, Macau planeia “promover a construção da plataforma de prestação de serviços financeiros” entre os dois lados e de um “centro de regulação das transações em RMB [renminbi, moeda chinesa] para os países de língua portuguesa”, disse Lei Wai Fong.

Ainda segundo o secretário, a região administrativa especial chinesa quer “incentivar bancos de Macau a providenciarem incessantemente serviços de financiamento transfronteiriço aos países lusófonos, alargando as acções promocionais sobre os produtos e serviços denominados em RMB”.

Após um ano de “provações redobradas”, na sequência da pandemia de covid-19, Lei Wai Nong notou que “o eixo principal” da acção governativa para a pasta que lidera consiste em acelerar a recuperação económica e promover a “diversificação adequada” do território. In “Hoje Macau” - Macau

 

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Lusofonia - Criada a União das Federações de Futebol de Língua Portuguesa em Lisboa


No último sábado, os Presidentes da Federação Angolana de Futebol, da Confederação Brasileira de Futebol, da Federação Cabo-Verdiana de Futebol, da Federação de Futebol de Guiné-Bissau, da Federação Moçambicana de Futebol, da Federação Portuguesa de Futebol e o Vice-Presidente da Federação Santomense de Futebol firmaram o compromisso histórico da criação da União das Federações de Futebol de Língua Portuguesa.

A União projetará internacionalmente uma identidade luso-afro-ásio-brasileira baseada em dois elementos culturais: a língua portuguesa e o futebol. O evento aconteceu na Cidade do Futebol, em Lisboa, e além dos signatários também serão convidados para participar entidades da Guiné Equatorial, Timor-Leste e Macau, filiado de maneira independente da China pela FIFA, e entidades responsáveis por outros territórios de língua portuguesa como a Índia e o Sri-Lanka.

O propósito é aproximar as federações lusófonas e estabelecer metas comuns no desenvolvimento do futebol nos países que tem a língua portuguesa como idioma, compartilhando e oportunizando intercâmbios com o intuito de fomentar o arranjo produtivo do futebol em todas as categorias e modalidades.

“O todo é maior que a soma das partes e o Brasil tem muito a evoluir com essa União. Nosso objetivo é unir as experiências para que todas as federações da língua portuguesa possam estreitar laços e crescer mutuamente. Estamos prontos para trabalhar na criação de novas competições, na capacitação de gestores, formação de treinadores, programas de arbitragem, intercâmbios entre outras iniciativas”, afirmou Ednaldo Rodrigues, Presidente da CBF.

“Esses dias foram extremamente ricos na troca de impressões, opiniões e objetivos. Estamos possibilitando que países com maior conhecimento e estrutura possam contribuir no desenvolvimento dos países falantes da língua portuguesa. Esse foi um passo muito importante com a criação de uma união, onde poderemos defender os interesses como um todo, seja na relação com a FIFA, ou na transmissão de conhecimento, reuniões de direção técnica e formação de Secretários-Gerais”, destacou Fernando Gomes, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

“O que nós trazemos é a nossa identidade como lusófonos para que possamos marcar a história com feitos significativos, ao lado de duas potências que podem nos alavancar. Nós podemos fazer um marco histórico no futebol! Foi muito importante esse feito, isso engrandece e valoriza o nosso trabalho”, enfatizou Feizal Sidat, Presidente da Federação Moçambicana de Futebol.

“Queremos agradecer à FPF e à CBF por essa abertura enorme. Posso dizer hoje que fizemos história! Estou extremamente satisfeito porque a Guiné-Bissau faz parte deste feito. Sabemos que Brasil e Portugal são potenciais mundiais, não são todos os dias que temos essas oportunidades para discutir fatos tão pertinentes”, elogiou Carlos Teixeira, Presidente da Federação de Guiné-Bissau.

Desde sexta-feira (20), a Cidade do Futebol, em Lisboa (POR), esteve de portas abertas pelo Presidente Fernando Gomes para aproximar e concretizar o diálogo entre as federações lusófonas. Do Brasil, Ednaldo Rodrigues agradeceu a recepção e elogiou a estrutura da casa da Federação Portuguesa de Futebol.

“Está sendo uma acolhida muito importante pela Federação Portuguesa de Futebol, representada pelo Presidente Fernando Gomes. Conhecemos a estrutura da federação e a Cidade do Futebol, ficámos entusiasmados pela beleza e a organização. Aqui tivemos debates muito produtivos para fortalecer no âmbito do futebol essas federações, buscando mais projetos que a FIFA possa apoiar, principalmente na formação de atletas de base tanto masculino como feminino, bem como a infraestrutura de estádios”, elogiou Ednaldo Rodrigues.

“Achamos que era oportuno iniciarmos um processo de integração entre as nossas federações para que, desta forma, possamos diminuir as assimetrias que temos a nível do futebol dos nossos países. Este feito vai marcar uma nova era do futebol e, com a experiência de Portugal e do Brasil, que são países com alto nível de qualidade, nós teremos a oportunidade de diminuir as assimetrias do futebol que praticamos nos nossos países”, afirmou Artur de Almeida e Silva, Presidente da Federação Angolana de Futebol.

Estiveram presentes na reunião: Artur Silva, Presidente da Federação Angolana de Futebol; Carlos Teixeira, Presidente da Federação de Futebol de Guiné-Bissau; Fernando Gomes, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol; Feizal Sidat, Presidente da Federação Moçambicana de Futebol; Mário Semedo, Presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol; Adalberto Catembe, Vice-presidente da Federação Santomense de Futebol; e Teresa Romão, Secretária-Geral da Federação Portuguesa de Futebol, além de diretores e outros integrantes da FPF. Representantes da UEFA e da FIFA também marcaram presença.

“Foram dois dias de muita discussão, aprendizado e troca de experiências. Nossas realidades são diferentes, então felizmente temos no nosso grupo duas federações que já construíram algo muito forte a nível do futebol mundial, me refiro à CBF, ao colega Ednaldo Rodrigues, que tem trazido uma experiência muito importante e certamente vai marcar o futuro das relações, e a Portugal, que tem grande relevância a nível mundial e europeu. Vamos tentar aproveitar a experiência deles para também avançarmos, porque temos potencial de evoluir nossas capacidades dentro dos nossos países”, afirmou Mário Semedo, Presidente da Federação Cabo-Verdiana de Futebol.

“Esse encontro também serviu para marcar o início de uma nova temporada. Assim, da unidade e da colaboração todos nós podemos fazer mais pelo nosso futebol e chegarmos mais longe. Com isso, permitir que os países com níveis diferentes de infraestrutura e capacitação possam trocar experiências”, aponta Adalberto Catambi, Vice-Presidente da Federação São-Tomense de Futebol. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

domingo, 17 de abril de 2022

Portugal – Membros da JUPLP abordaram a criação e construção do movimento numa entrevista na RTP África

Alguns membros da Juventude Unida dos Países de Língua Portuguesa (JUPLP) estiveram no programa Bem-Vindos da RTP África. Beatriz Varela falou da organização do movimento juvenil, Ana Janete Camará da violência baseada no género e Diego Garcia sobre o processo de integração da Galiza no coletivo

A Juventude Unida dos Países de Língua Portuguesa (JUPLP) foi uma das convidadas ao programa “Bem-Vindos” da RTP África onde teve a oportunidade de abordar a criação e construção do movimento, tal como a violência baseada no género – um tema importante para o coletivo de jovens – e a recente integração da Galiza na JUPLP.

Beatriz Varela, uma das coordenadoras da JUPLP, começou por referir que o movimento “nasceu no ano de 2020 por cinco jovens” e “tem como principal objetivo levar com que os jovens da Lusofonia falem sobre os assuntos da sua comunidade e da sua realidade trocando opiniões das suas perspetivas”.

A coordenadora assumiu que existe algum desconhecimento dos projetos existentes dentro da comunidade lusófona que são direcionados para os jovens, isso também motivou o surgimento da JUPLP, que “veio para quebrar essa barreira”.

Wilds Gomes, apresentador do programa, deixou claro que “a maior parte das pessoas não sabem que a Galiza pode integrar a comunidade de língua portuguesa”, introduzindo o assunto para Diego Garcia abordar a integração da Galiza e dos e das jovens galegas neste movimento lusófono. Deu início afirmando que “em termos históricos e linguísticos, a língua da Galiza, de Portugal e dos países PALOP pertencem ao mesmo espaço linguístico”, fazendo um breve resumo histórico da língua.

Após falar sobre o movimento reintegracionista e o seu trabalho, Diego Garcia disse que começou por apresentar a questão da Galiza na Coordenação do movimento e depois numa perspetiva mais alargada no evento Conexões realizado o ano passado em Coimbra.

Os participantes acharam “curioso, ou seja, não conheciam como é que uma região a norte de Portugal fala uma língua, que eu considero a mesma, mas há pessoas que não, só com certas diferenças de sotaque ou de palavras”, referiu Diego Garcia.

Por sua vez, Ana Janete Camará abordou um tema também muito importante para a JUPLP, a violência baseada no género. A jovem considera que é sempre importante falar sobre esta questão porque “não é só uma responsabilidade de nós mulheres assumirmos esse papel de querermos mudar. Tem de ser uma situação em conjunto, olhar e procurar uma solução”.

A JUPLP tem agendados mais eventos presenciais, denominados Conexões, sendo um deles em Vigo no dia 16 de julho deste ano.

O programa pode ser visto aqui. Diego Garcia – Portugal in “Portal Galego da Língua”