Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Moçambique – A Fundação Fernando Leite Couto apresenta “A Arte do Pensamento Crítico”, programa para 90 jovens dos PALOP

A Fundação Fernando Leite Couto, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e em parceria com os colectivos CACAU (São Tomé e Príncipe), Kino Yetu (Angola), Ur-GENTE (Guiné-Bissau) e o Instituto Pedro Pires (Cabo Verde) promove em 2026 A Arte do Pensamento Crítico, um programa dirigido a 90 jovens de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.


O crescimento do espaço digital ampliou a circulação de informação e a coexistência de múltiplas narrativas, tornando mais complexos os processos de interpretação de conteúdos e do mundo. Neste contexto, o pensamento crítico afirma-se como uma competência essencial para interpretar, questionar e enquadrar narrativas. A Arte do Pensamento Crítico parte desta realidade contemporânea e propõe um espaço de formação e criação centrado na relação entre o pensamento crítico e as linguagens artísticas contemporâneas.

O programa estrutura-se em masterclasses, oficinas práticas, sessões de mentoria e uma mostra pública de trabalhos desenvolvidos, dirigindo-se a jovens entre os 18 e os 30 anos, nacionais e residentes nos PALOP.

As masterclasses reúnem escritores, académicos, jornalistas e criadores como Francisco Noa, Eduardo Quive, Raquel Lima, Nástio Mosquito e Mehak Vieira, e abordam temas como pensamento crítico, desinformação, identidade, linguagem e circulação de narrativas no contexto contemporâneo. A sessão de abertura do ciclo de masterclasses estará a cargo de Mia Couto e Elísio Macamo.

Nas oficinas, os participantes desenvolvem trabalhos autorais em escrita, fotografia e vídeo, acompanhados por facilitadores como José dos Remédios, Luísa Nhamtunbo e João Graça, que intervêm directamente no processo de construção das ideias e na tomada de decisões estruturantes relativos ao que se pretende como resultado.

O percurso inclui ainda sessões de mentoria individual e acompanhamento do desenvolvimento dos trabalhos, promovendo o aprofundamento dos processos de criação e reflexão. O programa culmina numa mostra pública de trabalhos desenvolvidos, apresentando obras em diferentes linguagens (texto, fotografia, vídeo e storytelling) produzidas ao longo do percurso.

A Arte do Pensamento Crítico parte da ideia de que o pensamento crítico não é apenas uma competência individual, mas um processo activo de construção de sentido, em diálogo com as práticas artísticas contemporâneas. As candidaturas ao programa abrem em data a anunciar brevemente. In “Moz Entretenimento” - Moçambique



quinta-feira, 11 de junho de 2026

Marca Lusofonia

Ao invés de uma política cultural feita de remendos, é preciso criar um nome que se imponha internacionalmente, que ombreie com a anglofonia, a francofonia, a hispanofonia. Roma não se fez num dia, e a língua portuguesa também não

Houve duas coisas que quase coincidiram no tempo: em Setembro de 2024, Mia Couto recebeu o prémio Feira Internacional do Livro de Guadalajara; em Fevereiro do ano seguinte, fui à livraria McNally Jackson em Nova Iorque.

Fiquei contente com o prémio dado ao autor moçambicano. Não escondo o meu clubismo na literatura, e o meu clube é a língua portuguesa. Isto não passa por nacionalismo nem por manifestação identitária bacoca: passa pelo facto de ser leitora e escritora, e por aprender em primeiro grau com quem faz na minha língua. Ainda era criança e já lia Mia Couto – era um dos meus a direito, aprendia com ele. E o mesmo com outros, de Vergílio Ferreira a Almeida Garrett, de Saramago a Jorge Amado, de Júlio Dinis a Érico Veríssimo, de Nelson Rodrigues a Pepetela. Quando se é criança e já se sabe que a vida passará pela escrita, os adultos que já têm romances feitos são um misto de guardiões da prosa, inovadores da técnica, líderes espirituais e professores. Mia Couto, entre os seus pares da prateleira, era tudo isso para mim. Lembro-me até do meu espanto com os neologismos – miacoutices, portanto. Cheguei lá pela primeira vez através da literatura moçambicana, não das aulas de Português. E adorei que fosse possível inventar palavras, eu, que tanto adorava dicionários, que eram para mim quase fonte de reverência: não apenas os lia à procura de verbetes que me agradassem, como decorava alguns significados como se fossem uma lei. Teria uns 11 anos e explicava assim a filosofia: “ciência geral dos princípios e das causas”. Ou a hipocrisia: “demonstração de bondade que não corresponde ao que alguém pensa ou sente”. Ou cinismo: “filosofia dos cínicos, impudência”. E, como estas, muitas outras palavras que lia nos livros mas não conseguia entender senão através do dicionário.

Ora, aí com uns 11 anos, também quis miacoutar. E, num teste, metendo num texto uma biblioteca, descrevi-a como o que me era: inconsumerável. Uma mistura entre incomensurável e algo que não se podia consumir, não se podia ler até ao fim. Achei que tinha feito uma grande coisa. Achei que, se o Mia Couto podia, eu também devia poder. Isto de inventarmos palavras em português não ia unir-nos uns aos outros? O resultado do teste chegou e a minha palavra inventada saiu-me rasurada. A professora considerou-a um erro e tirou-me um ponto. Rebati: a literatura provava que podíamos inventar palavras. A professora rebateu: claro que não podíamos inventar palavras, só podíamos usar as que existiam. Um neologismo seria um erro ou a língua a voar à solta? Para uma escritora em potência, claro que era a segunda – claro que devia dar um ponto extra, não um ponto a menos. Sobretudo, achei que aquele traço a vermelho era um atentado à língua e ao Mia Couto, que por ser meu escritor era meu amigo, apesar de nem saber que eu existia, muito menos que me dava estes desgostos. Meu escritor, não sei se é preciso explicar, porque eu era leitora dele.

Tudo isto é contexto. Anos depois, eis o prémio FIL nas mãos de um lusófono. E eu contente, a achar que era um prémio que estava na minha equipa. Dias depois, a minha equipa marcou-me um auto-golo: o autor considerou que o prémio não o distinguia apenas a si, mas também ao continente africano. Ou seja, o prémio seria festejado, de forma colectiva, por outros. A equipa que eu cogitava, e que para mim era um território linguístico, talvez fosse vista como identidade imposta noutros lados, que escolhiam, como pertença, um lugar sócio-político, continental, que não pertence ao imaginário do Velho Continente.

Talvez tenha sido essa a primeira vez em que percebi, de caras, que a lusofonia como marca, como equipa, não era um dado adquirido por todos os falantes. É evidente que leio muita literatura traduzida, mas ler lusófonos é-me sempre mais intenso: trata-se de ler em primeira voz quem trabalha com a mesma língua que eu. Escrever não é só contar uma história. É fazê-lo recorrendo a um instrumento, que no caso é um instrumento comum, mesmo que venha cheio de maningues e chapas e matolas (Moçambique), kambas, musseques e jinguibas (Angola), cafunés, dengos e gambiarras (Brasil), mambos rijos, ecobocas e biquakuebos (São Tomé e Príncipe), e por aí fora.

Aquilo fez-me comichão uns meses. Depois, fui de viagem a Nova Iorque. Entrei na livraria McNally Jackson, em SoHo. Havia secções inteiras dedicadas a literatura anglófona, francófona, hispanófona. Não havia lusófona. Ou seja, a lusofonia não aparecia como marca, como equipa. Poder-se-á dizer, como já ouvi, como talvez até já o tenha dito, que a lusofonia é o colonialismo de esquerda, mas a verdade é que existe enquanto território linguístico, independentemente do passado atroz que conduziu à disseminação da língua portuguesa, que pertence em igual medida a cada um dos falantes. O potencial da partilha da língua é infinito: a facilidade que temos em nos lermos e entendermos uns aos outros, malgrado os passados diferentes, os presentes antagónicos, as vidas de pernas para o ar, dá-nos um lugar de privilégio, de acesso ao mundo, que um italiano ou um alemão, já para não falar de um islandês ou de um sueco, nunca terão. E não é que eu não entenda a ideia de “identidade” africana ou sul-americana; há identidades que nascem por oposição, e dificilmente alguém dirá que se sente europeu. Nunca me passaria pela cabeça, em matéria de distinção literária ou autoral, considerar-me “europeia”. Dir-me-ia, em primeiro lugar, lusófona, e só em segundo portuguesa. E se, por um lado, é evidente que a literatura enquanto marcação social vai ter mais pontos de contacto – por exemplo, vidas, matérias ou preocupações semelhantes – entre Espanha e Portugal, também o é que, do ponto de vista técnico, no exercício de observar e até tentar repetir a criatividade de países que escrevem na mesma língua, já de forma transformada (que português se atreveria a dizer jobar ou chuinga, ou a transformar pequeno-almoço em pequeno-almoçar?), o campo da lusofonia mune qualquer leitor – e principalmente qualquer escritor – de ferramentas estilísticas que não pode ir buscar a mais lado nenhum.

Tudo isto para dizer que me parece que a prioridade do Ministério da Cultura deve ser criar a Marca Lusofonia. Ao invés de uma política cultural feita de remendos, é preciso criar um nome que se imponha internacionalmente, que ombreie com a anglofonia, a francofonia, a hispanofonia. Roma não se fez num dia, e a língua portuguesa também não. E, sobretudo, a produção cultural não pode servir só para circular entre vizinhos, tem de chegar aos vizinhos dos que moram longe, seja através da valorização da língua como campo comum, de apoio a publicação e a tradução ou de programas de intercâmbio, isto entre a literatura, o teatro, o cinema, a música. Aliás, a própria União Africana tem o português como uma das línguas oficiais de comunicação, mas privilegia o inglês, o francês, o árabe e o swahili.

Na McNally Jackson, quase tive vontade de arrumar os livros, de meter o Fernando Pessoa ao lado do Jorge Amado. Não foi por acaso que Eça e Machado de Assis trocaram cartas sem recurso a tradutor. Há um património linguístico que não está a ser usado para projectar a língua fora de portas. E por isso o portugês, traduzido ou não, espalha-se por prateleiras avulsas, a ver se alguém lhe faz a ligação, se organiza o património comum. Uma língua falada por centenas de milhões, em três continentes diferentes, dá uma biblioteca inteira – e logo inconsumerável. Ana Pedrosa – Portugal in “Semanário Expresso

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Ana Bárbara Pedrosa – Natural de Vizela, onde nasceu em 1990, é autora de Lisboa, chão sagrado (2019), Palavra do Senhor (2021), Amor estragado (2023), também publicado no Brasil, e Viagens com o Mehdi (2024) – todos com chancela Bertrand Editora. Escreve textos para vários órgãos de imprensa com regularidade, assina crónicas no jornal Mensagem de Lisboa e na revista Sábado e faz crítica literária no Observador. É doutorada em Ciências Humanas, mestre em Estudos Portugueses, pós-graduada em Linguística e em Economia e Políticas Públicas e licenciada em Línguas Aplicadas. Viveu e estudou em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos. Nos tempos livres, estuda línguas, faz jiu-jítsu e scuba diving – e viaja. In “Wook”



quarta-feira, 22 de outubro de 2025

China - Jornalistas Lusófonos participam em aula prática de escrita chinesa

Vários jornalistas lusófonos participaram, segunda-feira, numa aula prática de escrita chinesa, na Fortaleza do Corredor Ecológico das Zonas Húmidas, nos arredores da cidade de Lingbao, naquele país asiático


A actividade, conduzida por instrutores locais de caligrafia mandarim, aconteceu no âmbito da formação sobre "Desenvolvimento e Cooperação de Mídia em Países de Língua Portuguesa", com quadros angolanos, santomenses, de Cabo Verde e do Brasil.

A jornada esteve integrada no programa cultural da visita e serviu para promover a troca de experiências linguísticas e culturais entre a China e os países de expressão portuguesa, através do Ministério do Comércio da República Popular da China.

Num ambiente positivo, rodeado pela natureza preservada das zonas húmidas, os participantes, incluindo vários quadros do Ministério das Relações Exteriores, tiveram a oportunidade de aprender os traços fundamentais da escrita tradicional chinesa, símbolo milenar de sabedoria e arte.

Durante a sessão, os participantes dedicaram-se à reprodução da palavra “Fortaleza”, escrita em mandarim, sob a orientação atenta dos professores chineses.

O exercício, que exigiu concentração e precisão, foi acompanhado de breves explicações sobre o significado cultural e espiritual da caligrafia na história chinesa.

A experiência foi igualmente recebida com entusiasmo pelos presentes, que destacaram a importância da linguagem como ponte entre culturas, afirmou o delegado provincial da Angop no Huambo.

Na ocasião, Aurélio Janeiro explicou, também, que a aula, além de proporcionar contacto directo com uma das expressões artísticas mais antigas da China, reforçou o espírito de cooperação e amizade entre os países lusófonos e o povo chinês, dentro do quadro do intercâmbio cultural e ecológico promovido na região de Lingbao.

Segundo o director provincial da Angop, foi positiva a forma como os jornalistas angolanos e quadros do Ministério das Relações Exteriores conseguiram imitar a palavra "Fortaleza", em mandarim. Arão Martins – Angola in “Jornal de Angola” em Lingbao (China)


segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Centro Nacional de Cultura – Bolsas Criar Lusofonia 2024

Estão abertas as candidaturas para o concurso Bolsas Criar Lusofonia, gerido pelo Centro Nacional de Cultura com o apoio do Ministério da Cultura.


Este programa tem por objetivo a atribuição de Bolsas no domínio da escrita, para cidadãos oriundos de países da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa.
Mais informações e regulamento aqui.





domingo, 3 de setembro de 2023

Lusofonia - Escritora lança projeto internacional de escrita com nomes da literatura de língua portuguesa

A Sala de Escrita trará cursos em diversos formatos com grandes escritores, entre eles Sara Carinhas, Nara Vidal, Aline Bei, Andrea Del Fuego, Marcelino Freire e Leopoldina Fekayamãle

As mais criativas possibilidades da língua portuguesa serão exploradas em um projeto internacional de escrita. A Sala de Escrita, projeto assinado pela jornalista Fernanda Ávila e pela premiada escritora Nara Vidal, nasce em três países: Brasil, Portugal e Inglaterra, e contará ainda com professores de outras localidades como Angola e Moçambique.

Aulas, cursos, imersões, leituras guiadas e eventos ligados à literatura farão parte do projeto, que já tem programação a partir de setembro. Grandes nomes da literatura contemporânea em língua portuguesa fazem parte da Sala de Escrita, como a própria Nara Vidal, que vive há 20 anos na Inglaterra, e Sara Carinhas, destaque da dramaturgia em Portugal.

A Sala de Escrita estreia com expectativa, por ser um projeto liderado por duas mulheres de grande relevância para o cenário literário. Nara Vidal tem propagado a literatura brasileira pelo mundo, tendo sido traduzida até para o holandês e espanhol com “Sorte”, premiado com o Oceanos em 2019, e foi finalista do Prêmio Jabuti com “Mapas Para Desaparecer”. Hoje, morando no Reino Unido, dá aulas de escrita, é colunista e tradutora.

Com ela, está Fernanda Avila, jornalista, sócia da Pulp Edições e fundadora da Amora Livros, clube dedicado a celebrar mulheres escritoras. Já editou mais de 20 livros e é autora do “Guia Nova York com Crianças”, e vive hoje em Lisboa. “Nossas ideias, propostas e ações para movimentar o espaço literário, de leitura e da escrita estão, agora, ativas e em plena construção”, comenta Nara.

A pluralidade da língua portuguesa, oficial em dez países e falada por milhões de pessoas pelo mundo, é representada nas atividades da Sala de Escrita. “Nossos encontros serão online, geograficamente generosos e amplos, mas também presenciais. Nossos pés estão em Portugal, na Inglaterra e no Brasil”, explica Nara. Faz parte da essência do projeto democratizar a escrita criativa, proporcionando diferentes encontros com temáticas variadas, em formatos diversos, para qualquer pessoa interessada na escrita como ferramenta, seja para desenvolvimento pessoal ou profissional. “Acreditamos que a leitura é um direito de todos e que a escrita deve ser acessível como expressão artística a quem se interessar por ela como tal”, completa Fernanda.

Estreia

A própria Nara Vidal marca a estreia das ações da Sala de Escrita. Neste 02 de setembro, ela comandou o encontro virtual “Katherine & Virginia”. Ela abordou a relação entre as escritoras Katherine Mansfield e Virginia Woolf, que se admiravam e ao mesmo tempo criticavam o trabalho uma da outra, com relativo ressentimento. Nara se aprofunda em questões históricas e sociais relacionadas às autoras inglesas, trazendo cartas e contos de ambas para demonstrar as genialidades e vozes diversas das duas.

O segundo curso da Sala de Escrita também já está com inscrições abertas. A portuguesa Sara Carinhas ministra “Partir de”, workshop que utiliza ferramentas do improviso, autoreferencialidade, transformação e fantasia para resultar em liberdade e movimento na escrita. Toques de autobiografia, ficção, imagens e cartas se cruzam-nas quatro aulas, que acontecem nos dias 11, 12, 13 e 14 de setembro, online (a partir das 18h no horário de Brasília e das 22h no horário de Portugal e Reino Unido). Sara Carinhas tem experiência em encenação – recebeu um Globo de Ouro de Teatro como atriz em 2015 – e tem se destacado na dramaturgia portuguesa. Inscrições em:

https://www.sympla.com.br/evento-online/oficina-partir-de-por-sara-carinhas-na-sala-de-escrita/2119066?share_id=copiarlink.

Em breve

Outros grandes nomes da literatura de língua portuguesa estarão em ações promovidas pela Sala de Escrita. Entre os nomes confirmados, além de Nara Vidal e Sara Carinhas, grandes referências literárias, como a paulista Aline Bei, autora do premiadíssimo “O peso do pássaro morto”; a escritora e mestre em filosofia Andrea Del Fuego, autora do “Os Malaquias”, vencedor do Prêmio Saramago; o pernambucano Marcelino Freire, autor de mais de uma dezena de grandes obras; a doutora em história social e escritora Ynaê Lopes dos Santos, que escreveu, entre outros, “História da África e do Brasil Afrodescendente”; a angolana Leopoldina Fekayamãle, que atua em vários projetos com foco em equidade e justiça social; e a escritora e roteirista Claudia Lage.

Mais sobre a Sala de Escrita no perfil oficial do projeto no Instagram (@saladeescrita) ou pelo e-mail infosaladeescrita@gmail.com. In “Mundo Lusíada” - Brasil


quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Centro Nacional de Cultura - Bolsas Criar Lusofonia 2022

De 1 a 30 de novembro de 2022, decorre o prazo para candidatura ao programa Bolsas Criar Lusofonia, gerido pelo Centro Nacional de Cultura com o apoio do Ministério da Cultura


O concurso Criar Lusofonia tem por objetivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita para cidadãos de países da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

Com estas bolsas pretende-se criar oportunidades de contacto aprofundado com outros países lusófonos aos escritores/investigadores de língua portuguesa, a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono. Centro Nacional de Cultura - Portugal

Consulte o regulamento aqui.

Mais informações e esclarecimentos: alexandra.prista@cnc.pt



terça-feira, 9 de novembro de 2021

Centro Nacional de Cultura - Bolsas Criar Lusofonia 2021

Decorre até 30 de novembro o prazo para candidatura ao programa Bolsas Criar Lusofonia, gerido pelo Centro Nacional de Cultura, com o apoio do Ministério da Cultura


O concurso Bolsas Criar Lusofonia tem por objetivo a atribuição de bolsas no domínio da escrita e é dirigido a escritores oriundos dos países da Comunidade de Países de Língua Oficial portuguesa.

Patrocinado pelo Ministério da Cultura e gerido pelo Centro Nacional de Cultura, pretende criar aos escritores/investigadores de língua portuguesa, oportunidade de contacto aprofundado com outros países da CPLP, a fim de produzirem uma obra destinada à divulgação no espaço lusófono.

São instituídas duas bolsas de criação / investigação literárias, uma das quais obrigatoriamente atribuída a um português.

Aceda ao regulamento aqui.

Mais informações e esclarecimentos: alexandra.prista@cnc.pt


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Brasil - 7ª Olimpíada de Língua Portuguesa recebe mais de 18 mil relatos


A Olimpíada de Língua Portuguesa recebeu 18361 Relatos de prática e materiais de professores de escolas públicas de todo o Brasil, que promoveram oficinas junto aos estudantes em cinco gêneros: Poema, Memórias literárias, Crônica, Documentário e Artigo de opinião. O número de participação de São Paulo é de 1290 relatos.

Ao todo, seguem no concurso 11064 escolas, de 2525 municípios e 26 estados e Distrito Federal. As experiências dos professores em sala de aula foram traduzidas em Relatos de prática, Linha do tempo e Álbum da turma.

O concurso incentivou a multiplicidade de formatos de mídia que exemplificam a relação professor-aluno, como fotografias, vídeos, áudios e produções textuais desenvolvidas pelos estudantes e os resultados obtidos.

Na Etapa Municipal, as Comissões Julgadoras Municipais selecionam números de Relatos de prática de cada gênero de acordo com a quantidade de escolas inscritas no município, conforme o regulamento.

Já na Etapa Estadual, serão selecionados 42 Relatos de prática de cada gênero, que avançarão para a Etapa Semifinal. Aos participantes da Etapa Semifinal será disponibilizado um ambiente virtual de aprendizagem específico para cada um dos gêneros, a fim de proporcionar encontros formativos e culturais.

No encerramento da semifinal, serão selecionados os 80 professores finalistas, entre os quais serão escolhidos os 20 ganhadores. As Comissões Julgadoras podem ser compostas por pais, membros da comunidade, especialistas de universidades, representantes das instituições parceiras e do Itaú Social.

Olimpíada

A Olimpíada de Língua Portuguesa, que objetiva apoiar os professores da rede pública no aprimoramento das práticas de ensino de leitura e escrita, recebeu mais de 112 mil inscrições nesta 7ª edição e teve a adesão de todos os estados brasileiros, 3877 municípios e mais de 27 mil escolas inscritas.

Participam professores de Língua Portuguesa e seus estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio de escolas públicas.

O concurso integra o Programa Escrevendo o Futuro, desenvolvido pelo Itaú Social com a coordenação técnica do CENPEC Educação (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária).

Conta com a parceria do MEC (Ministério da Educação), da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), da Fundação Roberto Marinho e do Canal Futura.

Saiba mais na página https://www.escrevendoofuturo.org.br/. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

quarta-feira, 8 de abril de 2020

UCCLA - Lança reflexão sobre a Cultura em tempos de Pandemia



Numa altura em que todos estamos vulneráveis e com esperança de novos e bons dias, a UCCLA lança o desafio aos escritores de Língua Oficial Portuguesa para refletirem sobre a “Cultura em tempos de Pandemia”. Podem nos enviar textos em poesia ou em prosa, até ao dia 25 de maio de 2020, que divulgaremos nas nossas plataformas digitais e em livro. O primeiro a aceitar o desafio foi o escritor cabo-verdiano José Luiz Tavares.

O limite de caracteres é de 5000. Estes deverão ser enviados por email para cultura@uccla.pt e/ou ruilourido@uccla.pt, até ao dia 25 de maio de 2020.

Texto de José Luiz Tavares:

FINDA  [Litania em tempos de coronavírus]

          A que não aguentamos esperar  vai nos ensinar.
          In «Música do Futuro», Hans Magnus Enzensberger

Depois, sim, que agora
estamos vivos.
Depois — quando o espirro
expirar.
Depois — quando tiveres
pó na goela.
Não agora — que agora
estamos vivos,
mesmo se nos interditam
a livre ciência do abraço.

Antes, sim, com os braços
portentosos.
Antes - sim – de o torpor
(n)os desemparelhar, com uma vénia,
pois, sim senhor,
que nunca é cedo para o terror
de, em campo aberto,
se desp(ed)ir do disfarce da vida.

Depois, sim,
porque a catástrofe caminha,
os monstros se desfazem
em ternurenta ladainha,
dizendo à vida enclausurada
que não tarda a primavera,
mesmo se a morte subterrânea
viaja pelo éter, e nas florestas da alma
o som da peste mais do que simples
rima a atafulhar, sonolenta, os ouvidos
é um rude ininterrupto canto.

Antes não, que te falta
a trela e o apito,
e a cara é sem rugas,
e a morte concorda contigo,
e tudo é mão de amigo
mesmo se te espreita
o tempo inimigo.

Depois sim, que estar vivo
é cedo encarquilhar-se;
não, não agora, porque estás
no imperscrutável interior,
e desconheces o limite ulterior,
e não sabes pedir por favor
o socorro amplamente sufragado.

Agora sim,
que é antes de toda a dor,
e ainda no corpo tens tanta cor,
e sobe-te à boca
cento de sabores.

Mas ainda não ao grande sim,
porque maravilha-te estar aqui
(só mais um instantinho),
embora penses na mão da eternidade
ou como é doce o despenhamento.

Antes não
— porque há a verdade
que desconheces,
e porque verdadeiramente nada sabes
tudo desejas devotamente.

Não ainda
— que os teus ossos
não sabem a alcatrão,
nem depois — que o esqueleto
é pertença do patrão.

Não depois,
mas agora sim,
porque tens fogo nas ventas,
mascas pó e polenta,
e o tempo inimigo te diz
que tudo se há de compor.

José Luiz Tavares nasceu a 10 de junho 1967, no Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde. Estudou literatura e filosofia em Portugal, onde vive. Entre 2003 e 2020 publicou catorze livros espalhados por Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Colômbia. Recebeu uma dezena de prémios atribuídos em Cabo Verde, Brasil, Portugal e Espanha. Não aceitou nenhuma medalha ou comenda, até agora. Traduziu Camões e Pessoa para a língua cabo-verdiana. Está traduzido para inglês, castelhano, francês, alemão, mandarim, neerlandês, italiano, catalão, russo, galês, finlandês e letão. Sobrevive ao tempo do mundo sem estar conectado a nenhuma rede social.


O surto epidémico do COVI19 atinge, de forma inesperada e dramática, toda a Humanidade, envolvendo a adoção de planos de contingência, também adotados por Países de Língua Oficial Portuguesa, que determinam constrangimentos de mobilidade exterior e distanciamento social no interior dos respetivos países. Tem-se revelado como uma crise de saúde pública com graves consequências sociais e económicas.

A UCCLA não podia deixar de fazer um apelo à reflexão sobre o papel da cultura no combate a esta Pandemia. Parecendo evidente que perante este flagelo, os povos e os países se verão confrontados com novos desafios sociais e políticos, sobre os quais importa refletir e encontrar novas respostas.

Neste novo contexto o papel da Cultura, e em especial dos escritores, é determinante. Assim lançamos o desafio aos escritores de Língua Oficial Portuguesa, que desejem contribuir para essa reflexão, para elaborarem textos, quer em poesia quer em prosa, tendo como limite cerca de 5.000 caracteres. Estes deverão ser enviados por email (cultura@uccla.pt e ruilourido@uccla.pt), durante os próximos dois meses, com termo no dia 25 de maio de 2020.

A UCCLA responsabiliza-se por divulgar os textos, com identificação da autoria e uma breve nota biográfica, nas suas plataformas digitais e em livro (a ser publicado após o tratamento editorial). Vitor Ramalho - Secretário-Geral da UCCLA