Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 17 de abril de 2022

Portugal – Membros da JUPLP abordaram a criação e construção do movimento numa entrevista na RTP África

Alguns membros da Juventude Unida dos Países de Língua Portuguesa (JUPLP) estiveram no programa Bem-Vindos da RTP África. Beatriz Varela falou da organização do movimento juvenil, Ana Janete Camará da violência baseada no género e Diego Garcia sobre o processo de integração da Galiza no coletivo

A Juventude Unida dos Países de Língua Portuguesa (JUPLP) foi uma das convidadas ao programa “Bem-Vindos” da RTP África onde teve a oportunidade de abordar a criação e construção do movimento, tal como a violência baseada no género – um tema importante para o coletivo de jovens – e a recente integração da Galiza na JUPLP.

Beatriz Varela, uma das coordenadoras da JUPLP, começou por referir que o movimento “nasceu no ano de 2020 por cinco jovens” e “tem como principal objetivo levar com que os jovens da Lusofonia falem sobre os assuntos da sua comunidade e da sua realidade trocando opiniões das suas perspetivas”.

A coordenadora assumiu que existe algum desconhecimento dos projetos existentes dentro da comunidade lusófona que são direcionados para os jovens, isso também motivou o surgimento da JUPLP, que “veio para quebrar essa barreira”.

Wilds Gomes, apresentador do programa, deixou claro que “a maior parte das pessoas não sabem que a Galiza pode integrar a comunidade de língua portuguesa”, introduzindo o assunto para Diego Garcia abordar a integração da Galiza e dos e das jovens galegas neste movimento lusófono. Deu início afirmando que “em termos históricos e linguísticos, a língua da Galiza, de Portugal e dos países PALOP pertencem ao mesmo espaço linguístico”, fazendo um breve resumo histórico da língua.

Após falar sobre o movimento reintegracionista e o seu trabalho, Diego Garcia disse que começou por apresentar a questão da Galiza na Coordenação do movimento e depois numa perspetiva mais alargada no evento Conexões realizado o ano passado em Coimbra.

Os participantes acharam “curioso, ou seja, não conheciam como é que uma região a norte de Portugal fala uma língua, que eu considero a mesma, mas há pessoas que não, só com certas diferenças de sotaque ou de palavras”, referiu Diego Garcia.

Por sua vez, Ana Janete Camará abordou um tema também muito importante para a JUPLP, a violência baseada no género. A jovem considera que é sempre importante falar sobre esta questão porque “não é só uma responsabilidade de nós mulheres assumirmos esse papel de querermos mudar. Tem de ser uma situação em conjunto, olhar e procurar uma solução”.

A JUPLP tem agendados mais eventos presenciais, denominados Conexões, sendo um deles em Vigo no dia 16 de julho deste ano.

O programa pode ser visto aqui. Diego Garcia – Portugal in “Portal Galego da Língua”


sábado, 21 de janeiro de 2017

Macau – Fórum Macau é um meio de ligação para ampliar a cooperação entre Estados

A China e os países de língua portuguesa mantêm relações bilaterais centradas sobretudo na economia e nas trocas comerciais, porém, o Fórum Macau é um meio de ligação especial pois permite aproveitar os “laços” linguísticos para ampliar a cooperação entre os Estados. A ideia é defendida pelo novo secretário-geral adjunto, Ding Tian, convicto de que a colaboração entre os países poderá ser aprofundada na vertente cultural e no desenvolvimento dos recursos humanos

Após cinco Conferências Ministeriais, o Fórum Macau já está numa fase em que começa a perceber de que forma poderá, efectivamente, oferecer mais benefícios a todos os países participantes, apontou o secretário-geral adjunto recentemente nomeado por Pequim em declarações ao Jornal Tribuna de Macau, sublinhando que ainda há “muitas oportunidades” para atingir os objectivos do organismo.

Macau “é uma cidade muito pequena”, no entanto, o Fórum “é muito grande”, referiu Ding Tian, sublinhando que se trata de “uma janela que a China tem para todos os países de língua portuguesa e uma ponte para a China a que podem recorrer” os países lusófonos.

Apesar de Pequim e alguns Estados lusófonos já manterem boas relações económicas, o Fórum Macau é “uma ponte especial”, “porque podemos aproveitar bem os recursos das línguas e essa é uma das prioridades”, destacou o secretário-geral adjunto. “Podemos aproveitar os laços existentes e históricos com Portugal e outros países lusófonos para ampliar a cooperação, nomeadamente na área económica, mas também na cultura e no desenvolvimento dos recursos humanos”, frisou.

Ding Tian acompanhou “o nascimento e crescimento do Fórum Macau”, tendo participado na primeira, terceira e quarta Conferências Ministeriais. “Na quarta [Conferência Ministerial] participei como conselheiro económico da Embaixada da China em Timor-Leste e tenho prestado sempre atenção ao Fórum porque ele nasceu quase na minha mão”, realçou o responsável, garantindo que sente “o peso da responsabilidade” que implica desempenhar as suas novas funções.

O secretário-geral adjunto acredita que os anos que passou em Timor-Leste podem representar mais-valias para o cargo agora assumido, tendo em conta que também lá trabalhou ao lado de países africanos. “Os projectos de assistência normalmente envolvem empreitadas, engenharia, desenvolvimento de recursos humanos e formação técnica, por isso, é muito importante para as relações já existentes entre a China e os países de língua portuguesa”, sublinhou Ding Tian.

“Isso reflecte-se nas medidas lançadas por Li Keqiang e o mais importante agora é perceber e detalhar de que forma podemos pô-las em prática”, indicou, garantindo que o Secretariado Permanente do Fórum está a “analisar e a perceber” como aplicar melhor as medidas, mantendo “o diálogo” com os países lusófonos.

“Família” toda reunida com São Tomé e Príncipe

Ding Tian acredita que o facto da China e São Tomé e Príncipe terem restabelecido relações diplomáticas “vai ser muito bom para a grande família da língua portuguesa”, porém, ressalva, ainda é necessário aguardar qualquer acção por parte do Estado africano.

“Ainda não foram restabelecidas as instituições diplomáticas, por isso, não há um canal de comunicação muito prático”, alertou o secretário-geral adjunto ao Jornal Tribuna de Macau. “Vamos ver se há outras vias mais práticas para estabelecer um canal de comunicação com São Tomé e Príncipe e assim que ele existir iremos debater e coordenar” as acções seguintes.

Para já, não é possível prever um prazo já que depende do Governo Central e do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

“A integração de São Tomé e Príncipe vai fazer com que toda a família fique reunida porque já terão ‘chegado’ todos os membros que falam Português”, destacou Ding Tian. Inês Almeida – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”



Ding Tian – O novo secretário-geral adjunto do Fórum Macau domina fluentemente a língua portuguesa, tendo já desempenhado funções no Departamento de Ajuda Externa, com vasta experiência em assuntos da economia e do comércio externo. Já exerceu funções em Cabo Verde, no Brasil e em Timor-Leste o que lhe permite ter um profundo conhecimento sobre a realidade dos Países de Língua Portuguesa que integram o Fórum Macau.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

CPLP entre a esperança e a oportunidade

A CPLP deve apontar para objectivos estratégicos mais ambiciosos e não permitir uma consideração menor. Deve ser parceira internacional e não meramente uma associação dos países da lusofonia.

Os tempos mais recentes têm demonstrado de forma vincada como é relevante o posicionamento atlântico de Portugal. A Europa, sendo solução indelével do nosso futuro, deve contar com um parceiro que contribui com uma mais-valia única como resulta do nosso posicionamento geográfico estratégico.

As sucessivas crises quer na Europa quer nos sistemas financeiras implicam que o país aposte em afirmações complementares que consolidem o papel político, mas também económico e cultural do país face aos seus parceiros. A grandeza das nações está na capacidade de que dispõem para ultrapassar os seus limites e juntar o que a história ou a geografia desafiam.

O espaço lusófono tem vindo a consolidar presença e relevância no mundo, na medida em que aperta laços de relacionamento em todos os domínios – dos quais os primeiros beneficiários são os próprios países de que dele fazem parte.

A criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa representou bem esta ideia de aproximação de territórios soberanos que a história aproximou e que as pessoas podem beneficiar.

As duas décadas de existência desta organização consagram a ideia da sua criação e obrigam a que façamos um exercício de desenvolvimento da mesma, compreendendo as diferenças entre os seus membros e albergando as suas dificuldades individuais para, em conjunto, construir um espaço fortalecido de entendimento e de melhor relacionamento, em particular nos domínios económico e político.

Marcando presença nos vários continentes, da Europa a África, da América à Ásia, o aprofundamento desta relação representa ganhos para todos os participantes. Pouco a pouco, passo a passo, tem-se notado uma crescente aproximação entre territórios e povos que sentem beneficiar mutuamente da cooperação entre si.

Não se trata apenas da questão da língua, da história ou da cultura. O mundo de influência lusófona é dos maiores do mundo – a língua portuguesa é uma das mais faladas do planeta – e com presença em todos os continentes.

Portugal alberga a sede da CPLP. É a única organização internacional transcontinental com sede no nosso país e da qual fomos fundadores e esteio na formação. Deveríamos nós próprios acarinhar mais a organização e demonstrar o nosso respeito pelo papel que pode desempenhar na afirmação de valores comuns, de desenvolvimento económico e de integração social.

Temos especiais responsabilidades nesta organização que pela evolução que apresenta se encontra em condições de dar o salto para uma dimensão maior que consolide o seu estatuto, que lhe confira o reconhecimento internacional enquanto tal. Para tanto, a CPLP deve apontar para objetivos estratégicos mais ambiciosos e não permitir uma consideração menor. Deve ser parceira internacional e não meramente uma associação dos países da lusofonia.

A comunidade internacional tem de olhar para a CPLP como o somatório dos Estados nela integrante e não uma mera agregação de Estados que a compõem. E os membros da CPLP devem agir em conjunto na cena internacional promovendo reciprocamente os seus membros no âmbito dos desafios internacionais que a cada um se vão colocando.

A organização por si tem feito esse trabalho. É tempo de ser reconhecido para se criar um novo mundo de oportunidades para os Estados, para os seus povos e para o enriquecimento da comunidade internacional.

Nestes tempos de maior instabilidade política com incidência social, o fortalecimento do espaço das comunidades dos países que falam a mesma língua é essencial. Quer como mais-valia, quer como complemento para o desenvolvimento das relações económicas dos estados membros. Não como declaração política de conveniência, mas como afirmação de um bloco que entende que o seu posicionamento de equipa fortalece o papel de todos.

A CPLP tem de crescer politicamente. Afirmar-se para consolidar e ganhar o seu espaço. Transformar as declarações dos seus dirigentes em decisões políticas efetivas e consequentes. E não continuar a esperar vencer cada crise que houver no seio de cada membro. A CPLP não é uma esperança. É uma oportunidade. Para todos ganharem em conjunto. Haja vontade política para tanto. E capacidade de decisão. António Rodrigues – Portugal in “Económico”