Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 5 de setembro de 2026

Macau - Fórum de Macau antevê “mais condições” para formar bilingues e promover culturas lusófonas

Nos últimos anos, o Fórum de Macau tem procurado promover o intercâmbio cultural sino-lusófono e a difusão da Língua de Camões, com destaque para a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa e as acções de formação de quadros lusófonos, que já produziram frutos como o aumento do conhecimento e do interesse do público sobre as culturas lusófonas e a elevação do nível do Português entre os jovens de Macau, considera o Secretariado Permanente do organismo. Ao Jornal Tribuna de Macau, o Secretariado garante que continuará a “criar ainda mais condições favoráveis” à formação de quadros bilingues e à difusão das culturas de língua portuguesa


Criado em Outubro de 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau), vulgo Fórum de Macau, tem-se dedicado, além das conferências ministeriais e da consolidação do intercâmbio económico e comercial entre os dois blocos, às esferas do “intercâmbio cultural” e “educação e formação”, designadamente através da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa.

Numa resposta a questões formuladas pelo Jornal Tribuna de Macau, o Secretariado Permanente do Fórum sublinha que, nos últimos cinco anos, a Semana Cultural tem evidenciado uma tendência de crescimento contínuo em termos do número de participantes e uma “expansão drástica da influência”, especialmente graças à adopção de um modelo de realização trans-regional do evento a partir de 2025. Isso “reflecte que a actividade possui atractividade e potencial de desenvolvimento fortes”, entende o Fórum, destacando também o “reconhecido papel” da Semana Cultural para a promoção da língua portuguesa.

O organismo considera que esse evento anual, que já acumulou 18 edições, tem sido “eficaz” no aumento do conhecimento e do interesse do público sobre as culturas dos países de língua portuguesa (PLP), numa “atmosfera cultural relaxante”.

Ao expandir-se para mais cidades do Interior da China, a Semana Cultural contribuiu para fomentar potenciais aprendentes e utilizadores da Língua de Camões, atraindo sobretudo mais jovens. O Fórum mostra-se convicto que, a longo prazo, o evento continuará a contribuir para a expansão gradual do grupo de aprendentes da língua portuguesa, “desempenhando um papel promotor duradouro para a formação de quadros bilingues em Chinês e Português” e também uma função “positiva” para a difusão linguística.

Olhando para o futuro, o Fórum promete optimizar o conteúdo das actividades integradas na Semana Cultural e as formas de realização, com o objectivo de “aproveitar ainda mais as vantagens de Macau como plataforma sino-lusófona”. Desse modo, sustenta, será possível “promover a formação e concentração de mais quadros altamente qualificados para a cooperação económica e comercial e o intercâmbio humanístico entre a China e os PLP”.

Em 2021 e 2022, sob o impacto da pandemia, a Semana Cultural adoptou actividades online e offline, tendo atraído mais de 35 mil visualizações online e cerca de 3000 participantes presenciais, por cada edição. Em 2023 e 2024, com o regresso da sociedade à normalidade, a dimensão de participantes presenciais voltou para cerca de 30 mil pessoas/vezes, segundo dados do Fórum.

Em 2025, pela primeira vez, o evento foi repartido por Macau, Pequim e Zhongshan, modelo inovador que contribuiu para um total de 138 mil participantes, incluindo mais de 115 mil nas actividades offline. Ao mesmo tempo, 23 mil pessoas assistiram às transmissões em directo das actividades pertinentes, o que “ilustra uma expansão notória da escala de participação”.

Quanto a 2026, as estatísticas preliminares indicam que o evento atraiu cerca de 6700 espectadores presenciais e 250 mil das transmissões em directo. Além disso, pelo menos 200 mil leram notícias e reportagens sobre o evento.

A este jornal, o organismo acentua que continuará a aproveitar as vantagens de Macau enquanto plataforma e a ter como base os trabalhos existentes, para “aprofundar continuamente os trabalhos de promoção do Português e de formação de quadros, explorando activamente modelos de promoção mais diversificados, no sentido de criar ainda mais condições favoráveis à formação de quadros bilingues Chinês-Português e à difusão das culturas de língua portuguesa”.

63 colóquios de formação para 1600 lusófonos

Por outro lado, desde a sua criação, em 2011, o Centro de Formação do Fórum de Macau tem vindo a fomentar a cooperação sino-lusófona na área dos recursos humanos. Até à primeira metade deste ano, o Centro já realizou 63 colóquios de formação (incluindo seis online), tendo convidado, no total, mais de 1600 formandos para intercâmbios em Macau, principalmente direccionados a dirigentes governamentais, pessoal técnico ou quadros superiores de algumas instituições, oriundos dos nove países lusófonos.

As áreas de formação incluem administração pública, economia e comércio, finanças, saúde, educação, entre diversos domínios. Ao mesmo tempo que oferece formação a oficiais governamentais lusófonos e os leva a “participar em várias actividades económicas e comerciais de relevo no Interior da China e em Macau”, e em visitas a províncias e cidades do Continente chinês, o Centro de Formação tem convidado instituições de ensino superior de Macau para a organização das respectivas acções de formação. Assim, “aproveitou as vantagens educacionais da RAEM e fomentou uma atmosfera propícia para os jovens locais contactarem com o Português e conhecerem culturas dos países lusófonos”.

Embora não tenha estatísticas concretos sobre o número de alunos, jovens e professores locais envolvidos anualmente nos colóquios de formação, o Fórum constata que, no âmbito desses programas, jovens locais puderam participar em actividades económicas e comerciais e visitas no Continente chinês e na RAEM. Envolveram-se nessas iniciativas como voluntários, tradutores presenciais ou guias, e utilizaram o Português em cenários reais de trabalho.

“Através do intercâmbio e da partilha de experiências com profissionais de diversas áreas dos PLP, conseguiu elevar-se o nível da língua portuguesa de jovens de Macau num ambiente imersivo, com alargamento da sua visão internacional” e, em paralelo, “aprofundou-se o seu conhecimento sobre culturas de diferentes países lusófonos”, conclui o Fórum, asseverando que os jovens locais “demonstraram grande entusiasmo” nessas actividades e têm dado um “feedback positivo”. De um modo geral, acredita que os colóquios de formação e outras actividades assumem um “papel promotor positivo” no crescimento dos jovens de Macau.

Acções “a múltiplos níveis”

Por outro lado, o Fórum realça que, ao longo da última meia década, um dos reflexos do seu empenho em aproveitar as funções abrangentes da RAEM enquanto plataforma de serviço para a cooperação comercial entre a China e os PLP assenta na “promoção activa a múltiplos níveis” dos trabalhos relacionados com a divulgação da língua portuguesa e a formação de talentos, tanto a nível académico como no que respeita ao intercâmbio cultural, à tradução de obras literárias e à participação juvenil.

Por outro lado, o Fórum frisa que tem apoiado instituições no estabelecimento de plataformas de investigação focadas na cooperação sino-lusófona. A título de exemplo, menciona o apoio ao Instituto de Gestão de Macau para a criação da “Aliança de Estudos da Cooperação China-Países de Língua Portuguesa” em 2025, que perspectiva a integração de recursos de investigação locais, mobilizando instituições de ensino superior, centros de reflexão, especialistas e forças de diversos sectores do Interior da China e dos PLP, para promover conjuntamente o desenvolvimento da plataforma sino-lusófona e o aprofundamento da investigação nas áreas relevantes.

O Fórum salienta também que tem impulsionado activamente trabalhos de tradução e publicação de obras literárias de autores lusófonos, incluindo de escritores angolanos para chinês. Iniciativas desse género ofereceram a mais leitores chineses a oportunidade de conhecer e compreender a criação literária nos países lusófonos, contribuindo assim para promover, a um nível mais amplo, o intercâmbio cultural e a promoção linguística, enfatiza.

Paralelamente, o Fórum aponta para o apoio concedido a actividades de inovação vocacionadas para jovens, tal como o “Concurso de Vídeos Curtos para Jovens da China e dos Países de Língua Portuguesa 2026”, para estimular o interesse e entusiasmo pelo universo cultural lusófono. Ademais, tem recorrido a “variadas exposições e convenções económicas e comerciais” e “actividades de divulgação”, por forma a proporcionar uma “janela de exibição” para as culturas lusófonas ao promover a cooperação económica e comercial. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Cabo Verde - Pede ao Fórum de Macau que apoie mais as PME

O Governo de Cabo Verde reconhece que o Fórum de Macau tem contribuído “de forma significativa” para o desenvolvimento das relações entre a China e os países de língua portuguesa, mas pede mais apoio às pequenas e médias empresas dos países participantes. Uma delegação do Fórum visitou o país e manteve encontros com várias entidades


A secretária-geral adjunta do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Xie Ying, liderou uma delegação a Cabo Verde, numa visita de quatro dias que serviu para estreitar laços de cooperação e debater as relações bilaterais entre a China e aquele país africano de expressão portuguesa. Além disso, realizou uma sessão de apresentação do secretariado e reuniu-se com alguns ministros cabo-verdianos.

Nos encontros, Xie Ying deu conta dos progressos da China na implementação do Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial, sublinhando que o Governo chinês atribui grande importância e tem promovido activamente a execução das várias agendas no âmbito do Fórum, manifestando a disponibilidade para, em conjunto com Cabo Verde, reforçar a concretização dos resultados e melhorar continuamente a eficácia da cooperação.

Na ocasião, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidade e Defesa Nacional de Cabo Verde, Manuel Amante da Rosa, afirmou que as relações bilaterais entre a China e Cabo Verde têm registado um desenvolvimento estável e sustentado.

Adiantou, por outro lado, que Cabo Verde está disposto a reforçar o intercâmbio e a cooperação com a China no quadro do Fórum de Macau, manifestando o desejo de que o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-PLP apoie mais as pequenas e médias empresas (PME) dos países participantes, “contribuindo para o desenvolvimento económico e a melhoria do bem-estar do povo cabo-verdiano”.

Enquanto isto, o Ministro da Economia, Comércio, Indústria e Transição Digital, António Medina Baptista, disse que o país deseja “aproveitar plenamente a plataforma do Fórum para aprender com a experiência da China em áreas como planeamento do desenvolvimento, inovação tecnológica e diversificação económica, promovendo o desenvolvimento dos sectores agrícola, pesqueiro, industrial e da economia digital”.

Por sua vez, a detentora da pasta da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho do governo cabo-verdiano, Adelsia Mendes Almeida, sublinhou que as relações bilaterais são “estreitas e amistosas”, manifestando o interesse em utilizar a plataforma do Fórum para fomentar o intercâmbio nos domínios das infra-estruturas, da formação e educação e da redução da pobreza.

Na sessão de apresentação do Fórum, o embaixador da China em Cabo Verde, Zhang Yang, assinalou que, ao longo dos 50 anos de relações diplomáticas, a China e Cabo Verde têm mantido um apoio mútuo nas questões que envolvem os seus interesses fundamentais e preocupações relevantes, constituindo um “exemplo de tratamento com igualdade e benefícios mútuos entre países de diferentes dimensões”.

Apontou também que a China está disposta a trabalhar com Cabo Verde para aprofundar o intercâmbio e a cooperação a nível governamental, empresarial e local, “utilizando plenamente a importante plataforma do Fórum, a fim de concretizar mais resultados práticos e abrir novas perspectivas para a cooperação bilateral”. Vítor Rebelo – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

 



quarta-feira, 15 de julho de 2026

Macau – Direcção dos Serviços de Turismo antevê “certas vantagens” para guias de língua portuguesa

Apenas quatro dos 1851 guias turísticos registados em Macau até ao final de 2025 conseguem falar português, número que se mantém há cinco anos, revelou a DST ao Jornal Tribuna de Macau. Porém, antevendo um aumento dos visitantes lusófonos, o organismo acredita que os guias de língua portuguesa terão “certas vantagens”, ainda que desafiados pela flutuação de receitas entre as épocas altas e as baixas. O director da União dos Guias Turísticos entende que o número deste tipo de guias é “insuficiente” para a procura e que o Governo deve dar incentivos para mais jovens se juntarem ao sector


No final de 2025, Macau contava com 1851 profissionais titulares de Cartão de Guia Turístico, menos três do que em 2021, sendo que apenas quatro sabem falar português, revelou a Direcção dos Serviços de Turismo (DST). No espaço de quatro anos, o número de guias que dominam a língua portuguesa manteve-se inalterado, apontou, numa resposta enviada ao Jornal Tribuna de Macau.

Na perspectiva do organismo, graças ao posicionamento de Macau como plataforma comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), o número de turistas lusófonos poderá retomar a trajectória de crescimento. Neste contexto, acredita que os guias de língua portuguesa terão “certas vantagens”.

Contudo, também prevê “desafios” para o sector. “Quando o volume total de turistas for inferior ao das línguas dominantes, as receitas flutuarão bastante entre as épocas altas e as baixas”, observa.

A DST recorda que, desde 2016, tem disponibilizado cursos gratuitos de diferentes línguas aos profissionais do turismo. Em 2025, lançou cinco cursos de línguas, incluindo de português inglês, coreano, tailandês e japonês. Para este ano estão previstos cursos de português, inglês, coreano e francês.

Além disso, em 2019, o sítio sobre a indústria turística passou a integrar cursos online acompanhados de legendas com tradução para português. Nesse âmbito inserem-se as séries de cursos “Construindo uma positiva mentalidade de serviço” (lançada em 2022), “Tratamento de Reclamações e Habilidades de Mediação” (2023) e da “Campanha de Cortesia de Macau” (2024).

Em Março deste ano, em resposta a interpelações escritas dos deputados Ho Ion Sang e Chan Lai Kei, a DST indicou que, no corrente trimestre, seriam lançados novos cursos para guias em línguas portuguesa, inglesa e coreana, sobre temas como alojamento e compras. Posteriormente, serão planeados cursos temáticos nesses idiomas sobre templos, igrejas e arquitectura.

Falta de guias em português preocupa sector

Ouvido pelo Jornal Tribuna de Macau, Nelson Hoi, director da União dos Guias Turísticos, aponta que, em Macau, há muitas pessoas que sabem falar português, porém, os guias carecem de garantias básicas, como salário-base e seguro de saúde. “Para um jovem que acabe de entrar no sector, não é viável ficar à espera de trabalho com estas condições”, frisa, sublinhando que “tornar um residente que fale uma língua estrangeira num guia turístico exige muito tempo, dedicação e investimento”.

Na sua maioria, os guias de línguas ‘minoritárias’ são “muito concentrados” no trabalho e “encaram a profissão como um projecto de vida”, contudo, “agora não conseguem sustentar a vida quotidiana, com o volume actual de trabalho”, lamenta.

Na sua opinião, embora o Governo esteja empenhado em aumentar e diversificar o número de visitantes e turistas, “a capacidade de atendimento constitui um problema”. “Se de repente entrarem muitos turistas de países lusófonos, onde iremos pedir emprestados os respectivos guias?”, questionou.

Nelson Hoi revelou que, perante estas dificuldades, as agências de viagens recorrem, por vezes, aos acompanhantes das próprias excursões para fazer a tradução. “Pode ser tradução português-chinês ou português-inglês.

Consoante a situação concreta, se falarem chinês, faremos a conjugação com guias de chinês. Se falarem inglês, recorreremos a guias de inglês”, descreveu. No entanto, “a explicação de um tradutor é completamente diferente de um guia local, não conseguindo fazer uma apresentação perfeita da imagem da cidade”.

O dirigente associativo considera ainda pouco realista recorrer a alunos universitários para desempenharem temporariamente o papel de tradutores nas excursões, desde logo porque “podem não dominar, de forma tão completa, os termos técnicos do sector turístico”.

Nelson Hoi mostra-se preocupado com o facto de existirem apenas quatro guias de língua portuguesa, número que considera “insuficiente” para fazer face à procura. “Há muitos países de língua portuguesa e, com o desenvolvimento da economia e a melhoria das condições de vida, o número de turistas oriundos dessas nações tem vindo a aumentar. O Governo da RAEM também tem lançado muitas ofertas turísticas, como transporte gratuito de ida para turistas estrangeiros em Hong Kong, no intuito de os atrair a Macau”, nota.

Para o director da União dos Guias Turísticos, “as excursões vivem uma tendência de redução contínua, mas isso reflecte-se apenas nos excursionistas do Interior da China”. “Quanto aos turistas estrangeiros, continuam a querer viajar em excursão”.

Além disso, os guias “são, maioritariamente, de idade avançada”. “Quando se aposentarem, ficaremos sem guias de língua portuguesa”, alerta, instando o Governo a definir um plano a longo prazo e medidas de incentivo para atrair jovens para o sector turístico.

Nelson Hoi salienta ainda que muitos turistas dos PLP procuram, através de Macau, conhecer as culturas e a situação actual da China Continental, bem como “obter informações avançadas para além do mero turismo”. “Macau funciona como intermediário. Por isso, se considerarem que vale a pena visitar Macau, acabarão por utilizar a RAEM como trampolim para entrar no Interior da China”, apontou.

Na perspectiva do também director da Associação de Turismo Cultural da Grande Baía de Macau, embora Macau “tenha recursos turísticos limitados”, deve continuar a assumir o papel de “estação intermédia”, promovendo um desenvolvimento turístico articulado com a Grande Baía e outras cidades do Continente.

Por outro lado, as actividades turísticas e eventos relacionados com culturas dos países lusófonos, promovidos pelo Governo, “têm certamente um papel significativo”, tanto para a área comercial como para o turismo, incluindo o segmento de visitas individuais, especialmente ao nível da divulgação da imagem de Macau. Como Macau é uma cidade turística, defende que o Governo deve adoptar uma “atitude activa” na formação linguística dos guias.

Reforçadas actividades ligadas à Lusofonia

Em 2021, devido à pandemia, foram suspensos os trabalhos de divulgação turística junto dos PLP e vários grandes eventos. Mas, com a recuperação gradual do turismo, a DST tem vindo a alargar e optimizar a dimensão e o conteúdo das actividades nessa esfera.

Em 2025, a DST aumentou as despesas com actividades turísticas relacionadas com culturas dos PLP, face ao orçamento de há cinco anos, garantiu a este jornal, sem especificar o montante.

Nos últimos cinco anos, as iniciativas focadas na lusofonia envolveram convenções e exposições (MICE), eventos turísticos simbólicos e informações de campanha disponíveis nas contas oficiais da DST em redes sociais e na sua publicação mensal “What’s On”. O organismo liderado por Maria Helena de Senna Fernandes acredita que os turistas no território foram “orientados a participar nessas actividades e a sentir culturas portuguesas”, acabando Macau por desempenhar o papel de plataforma no intercâmbio cultural.

No âmbito do MICE, a DST realiza a Expo Internacional de Turismo (Indústria) de Macau, na qual o Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa instala um Pavilhão dos PLP, para apresentar o ambiente de investimento e comercial, e a situação do sector turístico lusófono. Desde 2023, representantes da indústria turística e dos media de Portugal, e a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, participam na Expo, num pavilhão cuja dimensão tem sido cada vez maior.

Paralelamente, DST tem convidado equipas portuguesas a participar, actuar ou trabalhar no design e produção de grandes eventos simbólicos, como a Parada do Ano Novo Lunar, o Concurso Internacional de Fogo de Artifício e o festival “Iluminar Macau”. Nos últimos dois anos, o organismo também levou grupos locais às Festas Populares de Lisboa, cujas equipas campeãs puderam participar nos espectáculos do Ano Novo Lunar em Macau nos anos seguintes. A DST destaca ainda a presença de cidades como Santa Maria da Feira, e Belém, Paraty Florianópolis e Belo Horizonte do Brasil, em eventos gastronómicos na RAEM.

Concomitantemente, a DST incluiu, na sua agenda de divulgação nas redes sociais, a Semana Cultural da China e dos PLP, Festival de Artes e Cultura China-PLP (que integra o Festival da Lusofonia), a exposição “Helena Almeida: Estou Aqui – Presença e Ressonância”, “Junho – mês de Portugal”, “Festival Luso-Chinês de Música e Artes” e exposição “As Artes Estão na Rua! – Portugal 1974-1978”. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau


terça-feira, 14 de julho de 2026

CPLP – Após 30 anos a Organização continua sem se afirmar junto da China, diz especialista

O especialista em relações internacionais Luís Bernardino considera que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) chega ao 30.º aniversário sem ter conseguido afirmar-se junto da China, onde continua pouco conhecida

“A China não conhece a CPLP”, resumiu Luís Bernardino, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e coronel de infantaria na reserva do Exército Português, que recentemente participou em duas conferências em Pequim, na Universidade de Estudos Internacionais de Pequim e na Embaixada de Portugal, sobre os 30 anos da organização, que se assinalam em 17 de julho. “Uma coisa que não se conhece também não se sabe como pode tirar vantagem dessa relação”, acrescentou.

Para Luís Bernardino, a organização “nunca se soube posicionar em relação ao Oriente” e continua afastada dos principais mecanismos criados por Pequim para aprofundar a cooperação com os países de língua portuguesa. “O Fórum de Macau não é a CPLP. É um instrumento da China para facilitar a cooperação com os países lusófonos e vai continuar a crescer. A CPLP está fora desta jogada, por enquanto”, considerou.

Criado em 2003, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa reúne a China e os países lusófonos, mas funciona à margem da estrutura institucional da CPLP, embora utilize Macau como plataforma de ligação.

Para Bernardino, essa realidade traduz a forma como Pequim privilegia uma abordagem simultaneamente bilateral e multilateral, estratégia que descreve como “cooperação ‘bimultilateral’”. “A China relaciona-se bilateralmente com cada país, mas cria também fóruns multilaterais que reforçam essa cooperação. É uma abordagem pragmática que mais nenhuma grande potência desenvolveu em África”, defendeu.

O especialista em Segurança e Defesa em África sublinhou que a relação da China com os países lusófonos está longe de ser uniforme.

Enquanto com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) Pequim privilegia o financiamento de infraestruturas, o comércio, o desenvolvimento e, cada vez mais, a cooperação na área da defesa, com o Brasil a relação assume uma dimensão geopolítica distinta, impulsionada pelo bloco de economias emergentes BRICS e pela cooperação entre países do chamado Sul Global. “A China adapta a sua estratégia aos interesses que tem em cada região. Não existe uma abordagem única para todos os países da CPLP”, explicou.

No caso de Timor-Leste, Luís Bernardino considerou que a crescente importância estratégica do país no Indo-Pacífico deverá reforçar o interesse chinês, tanto pela posição geográfica como pela futura integração plena na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). “A China olha para Timor-Leste como um parceiro estratégico no Indo-Pacífico, pela sua posição nas rotas marítimas e pela crescente relevância regional”, afirmou.

O investigador considerou ainda que a rivalidade estratégica entre a China e o Ocidente levou Pequim a reforçar a presença junto dos países lusófonos, sobretudo em África, onde a cooperação se expandiu para áreas como a segurança, a tecnologia e a defesa. “A cooperação deixou de ser apenas económica. A defesa tornou-se um dos pilares centrais da relação da China com praticamente todos os PALOP”, sustentou.

Essa evolução acompanha a transformação da presença chinesa em África, inicialmente centrada no apoio político aos movimentos de independência e, mais tarde, no financiamento de infraestruturas e acesso a matérias-primas.

Hoje, segundo Luís Bernardino, a estratégia inclui também formação militar, venda de equipamento, construção e modernização de portos e uma presença naval cada vez mais frequente no continente africano. “A China faz aquilo que uma potência global tem de fazer. É uma potência económica, mas sabe que também precisa de afirmar uma dimensão militar”, afirmou.

Apesar da crescente influência chinesa, Bernardino considerou que os países lusófonos, em particular os africanos, ainda não conseguiram retirar todo o partido dessa relação. “Há uma dependência crescente, sobretudo financeira. Os países têm de aprender a negociar melhor com a China e transformar esta cooperação numa verdadeira parceria estratégica, sem criar dependências excessivas”, defendeu.

O especialista considerou, por isso, que o maior desafio da CPLP, três décadas após a sua criação, passa por aumentar a sua visibilidade internacional e afirmar-se como interlocutor relevante junto de parceiros estratégicos como a China. “A CPLP é aquilo que os Estados-membros querem que ela seja. Se os próprios países não a valorizarem nos fóruns internacionais em que participam, dificilmente outros atores globais o farão”, disse.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau (actualmente suspensa devido ao golpe de Estado), Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Macau - Angolanos vão poder entrar na Região sem visto prévio

Macau anunciou que os angolanos vão poder entrar na região sem obter visto com antecedência. Segundo a Câmara de Comércio de Angola em Macau, a medida irá facilitar as viagens de negócios


As autoridades de Macau anunciaram que os angolanos vão poder entrar no território sem obter visto com antecedência, algo que, segundo a Câmara de Comércio de Angola em Macau (CCAMO), irá facilitar as viagens de negócios.

As duas jurisdições irão firmar um acordo sobre a dispensa mútua de visto, segundo uma ordem executiva, assinada pelo líder do Governo, Sam Hou Fai.

A ordem, datada de 2 de Julho, mas publicada em Boletim Oficial de Macau, confere ao secretário para a Administração e Justiça, Wong Sio Chak, “todos os poderes necessários” para celebrar o acordo com o Governo de Luanda.

O presidente da assembleia-geral da CCAMO, Pedro Lobo, disse à Lusa que a medida “pode ajudar, e muito, as relações comerciais (…), ainda para mais com o consulado a encerrar”.

Em Maio, o Ministério das Relações Exteriores angolano anunciou o fecho de quatro consulados, incluindo o de Macau, algo que justificou com um excesso de pessoal nas representações externas e a insuficiência de orçamento.

O cônsul de Angola na região chinesa, Eduardo Velasco Galiano, era também o delegado angolano junto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau). “Há bastante tempo que as relações entre Macau e Angola se estavam a estreitar”, disse Pedro Lobo, mas a medida vem “tirar alguma instabilidade e incerteza” nas viagens de negócios.

O dirigente da CCAMO confirmou que “sempre houve problemas” nas viagens de Angola para Macau e recordou o caso de empresários angolanos que “tiveram de voltar para trás, porque não tinham visto para fazer trânsito em Hong Kong”.

Apesar das “grandes expectativas”, Lobo defendeu que a isenção de visto só terá um impacto significativo, caso sejam estabelecidos voos directos de passageiros entre Angola e Macau ou as regiões vizinhas de Hong Kong e Cantão.

Angola irá tornar-se o quarto país de língua portuguesa, a seguir a Portugal, Brasil e Cabo Verde, cujos cidadãos beneficiam de isenção de visto, a beneficiar deste regime com Macau.

O Fórum de Macau organiza anualmente a Semana Cultural China-Países de Língua Portuguesa, cuja edição deste ano, a decorrer até 10 de julho, não conta com artistas angolanos devido a preocupações com a epidemia de Ébola.

Em 22 de junho, o secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, Danilo Henriques, indicou que a decisão se deve a instruções das autoridades sanitárias do território.

Em Maio de 2025, Macau e Angola assinaram um acordo para trocar informações, de forma a prevenir a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo ou à proliferação de armas de destruição maciça. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 1 de julho de 2026

Macau - Inaugurada exposição da “Policromia Lusófona”

A Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) inaugurou a Exposição de Artesanato dos Países de Língua Portuguesa “Policromia Lusófona”, um dos destaques do programa da 18.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. Distribuídas em quatro secções, as peças artesanais estarão em exibição até ao dia 5 de Julho, segundo uma nota de imprensa.


Na secção “Entre o Cruzamento da Urdidura e Trama”, são apresentados utensílios do quotidiano confecionados em fibras naturais e que reflectem “os modos de vida e as tradições estéticas” das várias regiões representadas. Em “Texturas do Som”, o público pode encontrar instrumentos musicais tradicionais complementados por projecções de performances que ilustram “como a música transcende línguas e fronteiras”.

Na zona “Histórias das Esculturas”, as peças em madeira e cerâmica representam “crenças religiosas, mitos populares e cenas do quotidiano”. Na secção “Beleza do Quotidiano”, cada peça de uso diário, como loiça de mesa e adornos, “reflecte a sabedoria dos artesãos dos Países de Língua Portuguesa e as técnicas transmitidas de geração em geração”, num retrato da “rica diversidade cultural” e das “tradições do mundo lusófono”.

As peças foram sendo oferecidas pelas delegações dos países lusófonos ao Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa ao longo das mais de duas décadas desde que foi criado. Os interessados poderão visitar a exposição gratuitamente, todos os dias até ao próximo domingo, entre as 09h00 e as 21h00.

Hoje é também o segundo e último dia dos Espectáculos de Dança e Música da Semana Cultural em Macau, que têm lugar entre as 18h00 e as 21h00 no Largo do Senado. Os espectáculos em Qinghai acontecerão a 4 e 5 de Julho, enquanto Pequim acolherá as actuações dos artistas representantes dos países lusófonos nos dias 9 e 10 do próximo mês.

Na semana passada, Ji Xianzheng justificou a escolha de Qinghai pelo facto de, no ano passado, ter sido assinado um acordo de cooperação entre o governo da província chinesa e a RAEM. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


terça-feira, 23 de junho de 2026

Macau – 18.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa

Entre os cerca de 60 artistas e cozinheiros lusófonos da 18.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, Portugal vai estar representado pela voz de Marta Miranda e pelos pratos do chef Luís Américo. Segundo Ji Xianzheng, secretário-geral do Fórum de Macau, serão expostas 158 peças de artesanato lusófono nas três cidades participantes


A música Marta Miranda e o chef Luís Américo vão representar Portugal na 18.ª edição da Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, organizada pelo Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, segundo anunciou Danilo Afonso Henriques, secretário-geral adjunto do Fórum de Macau, em conferência de imprensa. Co-realizado na RAEM, em Pequim e na cidade de Xining da Província de Qinghai, o evento terá cerca de 60 artistas e cozinheiros lusófonos, segundo Ji Xianzheng, secretário-geral do Fórum Macau.

Para além de Marta Miranda, a vocalista portuguesa do conjunto “OqueStrada”, os artistas de música e dança convidados incluem Az Khinera de Moçambique, a banda Vungo Téla, de São Tomé e Príncipe, os “New Arquiris” de Timor-Leste, a cabo-verdiana Elly Paris, “Patche-Di-Rima” e “Anderking Skididi” da Guiné-Bissau e o rapper “Fristong Boy” da Guiné Equatorial. O Brasil será representado pelos músicos José de Holanda, Maurício Tizumba e Sérgio Pererê.

As actuações em Macau terão lugar no Largo do Senado, no dia 30 deste mês e a 1 de Julho. Os espectáculos em Qinghai acontecerão a 4 e 5 de Julho, enquanto Pequim acolherá os concertos nos dias 9 e 10 do próximo mês.

Na gastronomia, as chefs Marina de Senna Fernandes, descendente de uma família macaense, e a timorense Carlota Freitas também participarão nas mostras culinárias, juntamente com o português Luís Américo.

Por outro lado, Angola não terá artistas ou cozinheiros a representar o país africano, lamentou Ji Xianzheng. A “decisão difícil” teve por base as orientações de prevenção sanitária dos Serviços de Saúde, justificou o secretário-geral, devido ao surto de Ébola na República Democrática do Congo, país que faz fronteira com Angola. “Colocámos a segurança, a saúde e a prevenção de riscos em primeiro lugar”, explicou.

Além dos espectáculos e da gastronomia, será inaugurada, no dia 29 deste mês, uma exposição de artesanato com 158 peças, na Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais. O público poderá visitar a mostra da curadora Chan Chang entre as 10h00 e as 20h00 do dia 30 de Junho a 5 de Julho.

Os trabalhos artísticos em exposição incluirão diferentes formas de artesanato tradicional dos países lusófonos, como as máscaras “fang” da Guiné Equatorial, as tradicionais peças de madeira de Angola, o instrumento “balafon” da Guiné-Bissau ou as esculturas em pedra vulcânica de Cabo Verde, entre outras.

Face à Semana Cultural de 2025, a principal diferença da edição deste ano prende-se com o facto de se realizar na Província de Qinghai, explicou Ji Xianzheng à margem da conferência de imprensa. “Vamos entrar numa região muito especial da China, situada no oeste”, disse. “É um lugar pouco frequentado por estrangeiros, muito menos pelos de países de língua portuguesa”, continuou. “Será também um dos eventos mais internacionalizados nos últimos anos nesta região”, destacou.

Durante a apresentação, Ji explicou que o tema deste ano “sublinha a importância do intercâmbio e a aprendizagem mútua entre diferentes culturas e civilizações”. “Os preparativos envolvem dez países e onze partes, muitas entidades e instituições, com um longo ciclo de planeamento e uma grande dificuldade de coordenação”, observou.

Ji Xianzheng justificou a escolha de Qinghai pelo facto de, no ano passado, ter sido assinado um acordo de cooperação entre o governo da província chinesa e a RAEM. Além disso, as autoridades de Qinghai manifestaram “muito interesse e apoio” e estabeleceram contacto “mais cedo”. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sábado, 18 de abril de 2026

Macau - Empresários e associações procuram novas “oportunidades” em Portugal

Uma delegação de empresários e associações, organizada pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento, vai passar por Portugal e Espanha, no âmbito da visita do Chefe do Executivo à Europa, esperando-se que possa contribuir para o reforço da cooperação. Ao Jornal Tribuna de Macau, empresários e líderes associativos sublinharam que há ainda caminho por desbravar no que respeita ao papel de Macau como plataforma, sendo que a extensão da “missão” do território à Espanha divide opiniões. Apesar disso, disseram procurar novas “oportunidades” na Península Ibérica, esperando conhecer novas empresas e marcas com as quais possam colaborar


Empresários e associações que integram a delegação do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) tencionam agarrar novas oportunidades de negócio e de cooperação com Portugal e com Espanha, no âmbito da visita à Península Ibérica. A comitiva integra mais de 120 empresários e mais de 20 empresas da Grande Baía e de outros locais da China Continental.

Numa nota ontem divulgada pelo Gabinete de Comunicação Social, o Governo da RAEM sublinha que a delegação empresarial integra representantes de “várias empresas-chave do Interior da China”, para além de empresários de Macau e Hengqin, numa missão conjunta para expandir os mercados internacionais, aproveitando melhor o papel de Macau enquanto “interlocutor com precisão” entre a China e os países de línguas portuguesa e espanhola.

Humberto Carlos Rodrigues, gerente da F. Rodrigues, que conta com mais de 100 anos de existência, é um dos empresários macaenses que integram a delegação. “É uma visita especial, no âmbito da ida do Chefe do Executivo a Portugal, com uma delegação numerosa. Portanto, do meu ponto de vista é uma visita bastante importante, porque há possibilidade de fazer novos contactos com outras empresas e assegurar o papel de Macau como plataforma”, afirmou, em declarações ao Jornal Tribuna de Macau.

“Vamos tentar, com esta ida a Portugal, ver se conseguimos mais oportunidades de negócio, não só a minha empresa, como as restantes”, acrescentou, dizendo que “qualquer oportunidade de negócio é importante para ambos os lados, quer para os empresários de Macau, como para os empresários portugueses”. Nesse sentido, frisou, “temos de aproveitar o máximo possível”.

O empresário, que trabalha sobretudo no ramo da importação de produtos alimentares e vinho de alta qualidade vindos de Portugal, explicou que o negócio tem vindo a decorrer de boa forma, apontando, contudo, que se tem verificado uma quebra na procura de vinhos. Em contrapartida, nos produtos alimentares observa-se até um crescimento.

Questionado sobre o modo como olha para o papel de Macau como plataforma, Humberto Carlos Rodrigues foi peremptório: “O Fórum de Macau, desde a sua existência, tem feito muito pouco pelos empresários em Macau”.

“Quando precisamos de colocar determinados produtos na China, como é o caso das nossas conservas, há entraves. Há mais de 10 anos que não conseguimos exportar sardinhas de Macau para a China, já ando nesta luta há mais de uma década”, vincou. A este jornal, lembrou que já falou com Chefes do Executivo, com Secretários, com o secretário-geral do Fórum de Macau: “Até agora nada feito, ainda não conseguimos resolver essa situação”.

Segundo clarificou, importar os produtos directamente de Portugal para a China é um processo que decorre sem obstáculos, contudo, “passando por Macau há esse problema”, reiterou, acrescentando que se prende com o certificado de salubridade. Problema esse que, na sua opinião, “podia ser resolvido facilmente”. Segundo disse, esta é uma questão que tem afectado a sua, mas também outras empresas locais.

“Acho que o Fórum de Macau podia ajudar, se não para que serve? No que respeita aos empresários, não vejo nada, não tem ajudado nada”, lamentou Humberto Carlos Rodrigues. “Para ser sincero, acho que o Fórum está mais preocupado com os números. E, tudo bem, é natural, mas acho que também se podia preocupar um bocadinho mais com os empresários locais e com as dificuldades que têm, porque há muitos entraves que não se justificam”, defendeu.

Jorge Valente, presidente da Associação Sino-Lusófona da Indústria e Promoção de Intercâmbio Cultural (Macau), começou por dizer igualmente que “esta é uma viagem muito importante, porque é a primeira viagem do Chefe do Executivo ao exterior e, indo a Portugal, vemos que quer manter o laço e a ligação com Portugal”. E “são várias as expectativas” que tem, desde logo no que respeita a acordos de cooperação.

Sobre o papel de Macau como plataforma, Jorge Valente observou que conta já com mais de duas décadas, “mas parece que ainda temos muito a fazer”. Apesar disso, observou que “desde a covid-19, a plataforma começou a ter mais movimento, mais pessoas a investirem nela, mais pessoas a trabalharem nela”. “Na China Continental, embora soubessem da plataforma com os países de língua portuguesa, a verdade é que não se interessavam muito e a pandemia fez com que os compatriotas chineses tivessem mesmo de vir a Macau e procurar como sair e ir para os países lusófonos”, explicou, vincando que foi essa a experiência que teve no âmbito da associação que dirige.

Jorge Valente descreveu que “empresas chinesas que vieram a Macau e procuraram parcerias, foram levadas depois ao Brasil ou Angola, chegaram lá e conseguiram começar a trabalhar em projectos com equipas de Macau ou ter locais de Macau como consultores ou que trabalhem nessas empresas”.

Já no que respeita a dificuldades encontradas na cooperação com Portugal e outros países lusófonos, o empresário afirmou que, com Portugal, não tem sentido quaisquer entraves. “A relação entre Macau e Portugal tem sido sempre bastante boa, claro que podemos dizer que Portugal podia fazer mais ou nós podíamos fazer mais… há sempre melhorias a fazer, mas a ligação Macau-Portugal sempre foi boa e fácil”, prosseguiu.

O mesmo não acontece com outros pontos do mundo lusófono. “Em relação a outros países de língua portuguesa, ainda há muito por explorar. Há certos países que não estão tão preparados para ter Macau como porta ou janela de saída dos chineses, nem os chineses se lembram de passar por Macau para chegar até eles”, afirmou. Jorge Valente notou que são nove países, espalhados por três continentes: “Não podemos dizer que todos os países lusófonos têm a mesma relação que Portugal tem com Macau e realmente seria muito bom se a tivessem”.

Apontando ser útil que a delegação integre empresários da Grande Baía, incluindo de Hengqin, e de outras partes do Interior da China, Jorge Valente defendeu que “o mais fácil é os países usarem Macau para entrarem em Hengqin”. Na sua visão, a Ilha da Montanha é ainda uma questão complicada para as pessoas em Portugal e Espanha: “É diferente, é uma zona económica tão especial que não vão entender muito bem, nem saber como melhor tirar proveito dela. É nestas situações que as equipas locais têm a sua mais-valia”.

Convidar grandes marcas para visita a Macau e Hengqin

Também Eduardo Ambrósio, presidente da Associação Comercial Internacional para os Mercados Lusófonos, segue para a Península Ibérica com a delegação do IPIM. Ao JTM, defendeu que “Macau, limitado pela sua área e população, podia antes concentrar os esforços e recursos somente nas relações económicas e comerciais com os Países de Língua Portuguesa”.

Na sua perspectiva, com a administração de Hengqin juntamente com o Governo da Província de Guangdong e a construção do complexo do Centro de Negócios Económicos e Comerciais entre a China e os Países da Língua Portuguesa/Espanhola, “já há espaços e recursos humanos para se expandir as relações comerciais tanto com a Espanha, mas também com os países da América Latina”.

De qualquer forma, Eduardo Ambrósio mostrou-se confiante com o papel que os empresários que integram a delegação irão desempenhar no que respeita à promoção de informação sobre Hengqin. “Estou confiante de que os empresários de Macau, de Hengqin e da Província de Guangdong vão divulgar as favoráveis políticas de Hengqin na promoção de parcerias, comércios bilaterais e investimos para os empresários de Portugal e Espanha”, afirmou.

“O Governo da RAEM deve, nesta visita, organizar sessões sobre o recente desenvolvimento de Hengqin e convidar as grandes marcas de Portugal e Espanha a fazer uma viagem a Macau e a Hengqin para, em conjunto, explorar indústrias e projectos viáveis que resultem em parcerias de mútuos benefícios”, acrescentou Eduardo Ambrósio.

Por sua vez, o director-geral da Associação de Transmissão ao Vivo de Macau, José Chan Rodrigues, disse acreditar que “Macau é uma plataforma muito importante entre os países de língua portuguesa e a comunidade chinesa no seu todo”. “Temos uma história e uma ligação muito ricas com Portugal há 500 anos, e a razão pela qual Macau é importante é também de natureza política, pois esta é uma das principais missões que nos foi confiada pelo Governo Central da China, é realmente algo que temos de fazer bem”.

Lembrou depois as palavras do Presidente Xi Jinping, afirmando que “não devemos limitar-nos a estabelecer ligações com os países lusófonos, mas devemos também estabelecer ligações com os países de língua espanhola e, no fundo, com todos os países que não falam inglês”. Para Chan Rodrigues, “Macau tem muito a fazer no futuro”, afirmou, vincando que irá aproveitar para agarrar oportunidades em Espanha.

“Esperamos sinceramente poder avançar a um ritmo mais acelerado e que, muito em breve, possamos ter algo a apresentar ao público em termos dos resultados concretos dos trabalhos realizados”, acrescentou.

Acordo com a FUNIBER e exposição no CCCM

Por outro lado, Jorge Valente revelou a este jornal que a Associação Sino-Lusófona da Indústria e Promoção de Intercâmbio Cultural (Macau) vai assinar um acordo de cooperação com Fundação Universitária Ibero-Americana (FUNIBER) relacionada com educação e com o emprego dos estudantes. “É um bom primeiro passo. A Fundação está baseada em Espanha, mas está representada em vários países, nomeadamente têm universidades em Angola e na América Latina”, explicou.

A FUNIBER é uma instituição internacional, criada em 1997 na Espanha, que actua como intermediária entre alunos e universidades estrangeiras. O protocolo a assinar, que incluirá todo grupo, vai permitir que a associação comece “a contratar os recém-licenciados dos cursos que têm da Universidade de Angola”, acrescentou, indicando que um membro da associação está a lançar projectos em Angola e precisa de trabalhadores locais.

Jorge Valente apontou que a “a associação trabalha na plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, portanto, tudo o que é nesta área é do nosso interesse, e tudo o que fortalece essa plataforma é do nosso interesse”. “Os países de língua espanhola são agora uma extensão desta plataforma, nós queremos também expandir os nossos horizontes para os países de língua latina”, vincou.

Em Portugal, está pelo menos prevista a assinatura de um acordo na área do sector alimentar entre uma empresa portuguesa e outra de Macau.

Além disso, o também presidente da direcção da Associação de Amizade Cultural Sino Luso Macau indicou que a associação irá inaugurar uma exposição intitulada “Um Vislumbre da Cultura Chinesa”, no Centro Cultural e Científico de Macau, em Lisboa. A mostra ficará patente de 19 de Abril a 1 de Maio.

Com organização do Instituto Cultural, a exposição “assinala dois anos da iniciativa conjunta entre o Diário de Notícias e o Macao Daily News, dedicada ao fortalecimento dos intercâmbios culturais entre Portugal e a China”.

Super Bock entra na China através do Douyin

José Chan Rodrigues, por seu turno, disse estar “muito entusiasmado” com a visita a Portugal e Espanha. “No ano passado, fomos a Portugal com o apoio do IPIM e da Direcção dos Serviços de Economia e de Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) e contactámos com o primeiro evento de vendas por transmissão em directo realizado em Portugal, que na verdade, foi bastante bem-sucedido”, afirmou. Segundo indicou, a associação fê-lo em parceria com a Quinta do Gradil, tendo conseguido cerca de seis mil transacções, com valor de vendas de cerca de 1,1 milhões de renminbis.

“Desta vez, uma vez que se trata da primeira visita do Chefe do Executivo a Portugal e da primeira vez que a RAEM realiza uma visita oficial a Espanha, estamos a abrir novos mercados e, na verdade, esperamos aproveitar muito mais oportunidades desta forma”, continuou José Chan Rodrigues.

A associação que dirige foi fundada em 2020, sendo que, dois anos depois criou o Centro de Serviços de Transmissão ao Vivo de Macau, com o apoio da DSEDT. Esse espaço “presta uma variedade de serviços ao público e a quem tem um interesse genuíno no sector do comércio electrónico e da transmissão ao vivo”. Os serviços incluem vendas por transmissão ao vivo, logística transfronteiriça, promoção e exposições online, formação de talentos, expansão global da marca e utilização de agentes de IA, entre outros.

Chan Rodrigues explicou que a sua associação tem duas equipas, uma das quais viajou há já alguns dias para Portugal e outra que vai estar em Portugal e Espanha. A primeira realizou uma transmissão ao vivo de vendas, no Porto. “A ideia é destacar a cerveja Super Bock, colaborando com a Douyin”, adiantou ao Jornal Tribuna de Macau.

“Esperamos apresentar muitos mais produtos e marcas portuguesas ao mercado chinês. Além da cultura e da gastronomia, penso que apresentar diferentes tipos de marcas é também uma forma muito boa de dar a conhecer Portugal e de criar um laço mais forte entre a China Continental e Portugal”, sublinhou.

José Chan Rodrigues vai, por sua vez, dedicar-se a “conhecer mais marcas e empresas novas em Portugal, bem como explorar o mercado espanhol”. Tem também agendada uma apresentação sobre transmissões ao vivo, comércio electrónico e aplicações de Inteligência Artificial, tanto em Portugal como em Espanha. “A nossa associação gostaria muito de criar mais cooperação com Portugal e com os países lusófonos, através de meios digitais, como novos media e transmissões ao vivo”, concluiu. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quarta-feira, 1 de abril de 2026

Timor-Leste – Quer reforçar ligação à China com consulado na Grande Baía

O delegado de Timor-Leste junto de um fórum sino-lusófono disse que recomendou ao Governo de Díli a abertura de uma representação diplomática em Macau ou Hong Kong, com um olho na Grande Baía


António Ramos da Silva defendeu que o país deveria criar um consulado ou consulado honorário, “considerando a importância estratégica“ das duas regiões no projeto da Grande Baía.

Este é um projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, uma região com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros.

O delegado timorense junto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) disse que o cargo deveria ter uma missão alargada.

Num relatório dirigido ao executivo de Timor-Leste e enviado à Lusa, Ramos da Silva apontou para os “novos desenvolvimentos” da Grande Baía nas áreas comerciais, culturais e tecnológica. In “Plataforma” – Macau com “Lusa”


quarta-feira, 25 de março de 2026

Macau é “pivô” da relação entre Portugal e China

Decorreu ontem a 21.ª reunião ordinária do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, durante a qual foram reforçados “os intercâmbios empresariais” e as “cooperações financeiras a nível do Fundo da Cooperação”, segundo Ji Xianzheng. Aos jornalistas, o secretário-geral do Fórum de Macau disse que foi discutido o balanço dos trabalhos referentes a 2025 e apresentado o programa de actividades deste ano, incluindo a preparação da próxima Conferência Ministerial. Manuel Cansado de Carvalho, novo embaixador de Portugal na China, também esteve presente no encontro, tendo destacado a atmosfera “de grande convergência” e o papel histórico de Macau nas relações sino-lusófonas


A 21.ª reunião ordinária do Secretariado Permanente do Fórum de Macau serviu para “reforçar ainda mais os intercâmbios empresariais” e “as cooperações financeiras a nível do Fundo da Cooperação”, partilhou Ji Xianzheng, secretário-geral do organismo, à margem do encontro que decorreu ontem. Sem grandes detalhes, Ji acrescentou apenas que o encontro serviu para discutir o balanço do trabalho concretizado em 2025 e o programa de actividades planeado para este ano.

De acordo com o secretário-geral, as delegações dos 10 países do Fórum Macau discutiram a implementação do anterior plano de acção, definido em 2024, durante a 6.ª Conferência Ministerial, e abordaram a preparação para a próxima Conferência Ministerial. “Os próximos trabalhos do Fórum vão reflectir-se na próxima versão do plano de acção. Neste momento estão a fazer consultas entre os diferentes departamentos governamentais a nível nacional e também a nível da RAEM”, esclareceu o secretário-geral.

De volta à China quase 15 anos após ter deixado o cargo de cônsul-geral de Portugal em Macau, Manuel Cansado de Carvalho, novo embaixador português em Pequim, disse que foram discutidos os trabalhos de preparação da agenda da Conferência Ministerial de 2027. “Definimos um conjunto de linhas de acção”, referiu, garantindo que houve “um bom ambiente” e “de grande convergência”, mesmo sem unanimidade.

Reflectindo sobre o seu regresso à China, o novo embaixador confessou ter notado grandes diferenças na cidade de Pequim. “Vejo uma China pujante”, salientou Cansado de Carvalho, referindo-se à capital chinesa, cidade que considera ter evoluído bastante em pouco mais de uma década.

“Primeiro, ainda estou a tratar das coisas básicas da chegada a Pequim”, confessou Manuel Cansado de Carvalho, num balanço sobre as três primeiras semanas como embaixador. “Como é patente, já fui cônsul em Macau. Isso foi outro tempo, outra página. Essa página está virada”, recordou. “Agora estou em Pequim, a começar a trabalhar com as autoridades centrais. Vir a Macau é sempre um prazer, embora a China seja muito grande, vai-me ocupar muito, em muitos outros sítios”, antecipou.

“Temos muitos séculos de relação de amizade com a China, construída com paciência e sabedoria por dois povos muito antigos e muito construída à volta deste sítio onde estamos”, destacou o embaixador. “Macau é um pilar. Um pivô dessa relação entre Portugal e a China. Essa relação com a China hoje em dia desenvolve-se em múltiplos planos”, afirmou, tendo listado as dimensões política e económica e os investimentos entre as duas partes. “A relação está boa”, rematou.

Questionado sobre a visita de Sam Hou Fai a Portugal, em Abril, Manuel Cansado de Carvalho deferiu qualquer comentário para o Consulado-Geral de Portugal na RAEM. “Em Macau está o cônsul-geral, que fala e trata das questões de Macau. Naturalmente, é uma vantagem que, pela primeira vez, um embaixador em Pequim conhece Macau”, respondeu. “Não é preciso explicar-me onde é que fica a Praia Grande. Eu sei onde fica”, apontou.

“A montagem da visita está a ser feita por outro caminho. Não me cabe anunciar nem pelo lado de Macau, nem pelo lado português, o que ainda não foi anunciado. As coisas vão andar”, projectou, tendo ainda partilhado que, no momento, desconhece se vai ou não acompanhar o Chefe do Executivo. Pedro Milheirão – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

“Macau é importante para Timor-Leste”

Alarico da Costa Ximenes, decano da faculdade de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Nacional Timor-Leste, explica a importância de Macau na diplomacia timorense, que “opta por não se concentrar num só poder hegemónico”. É uma “ponte para os países lusófonos; e parte integrante da China”

– Qual é o projeto específico que o trouxe a Macau?

Alarico da Costa Ximenes – O projeto organizado pelo professor Francisco Leandro diz respeito a uma conferência sobre o estudo de Macau na sua relação com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Através da Universidade de Macau, convidou-me a vir aqui apresentar o meu trabalho, visitar vários lugares, e conhecer melhor a Universidade de Macau e a cooperação que leva a cabo com outros membros da CPLP.

– Qual é hoje em dia a importância da CPLP para Timor-Leste?

A.C.X. – Esse bloco estratégico, como aqui expliquei na minha apresentação, é muito importante para Timor-Leste. Não é só a minha opinião, mas sim a ideia mais comum entre a população e os nossos políticos, porque o país adoptou o português – e o tétum – como línguas oficiais. Por isso a CPLP é importante para Timor-Leste, não apenas para a construção e desenvolvimento de infraestruturas, mas também para melhorar o desenvolvimento da língua portuguesa. Recordo que, naquela época da ocupação de Indonésia – durante 24 anos – o português era proibido em Timor-Leste. Hoje continua a ser muito importante desenvolver a língua portuguesa, a mais adequada para o futuro de Timor-Leste.

– Língua portuguesa, que se tornou um fator central na construção de identidade; um dos pilares da independência…

A.C.X. – Sim, claro; até pelas circunstâncias em que a decisão foi tomada. A língua portuguesa, em geral, é central na construção da identidade dos países membros da CPLP; especialmente em Timor-Leste. Estamos longe, em termos geográficos, e a língua portuguesa faz de Timor-Leste um caso único e especial no Sudeste Asiático. É uma identidade que nos diferencia de outros países membros da ASEAN, e de todos os países do Sudeste Asiático. Isso permite-nos, simultaneamente, desenvolver relações com os países da CPLP e da ASEAN.

– Quando olham para Macau pensam na ponte para a Lusofonia? Ou, sobretudo, numa via que facilita as relações com a China, nomeadamente por via do Fórum de Macau?

A.C.X. – As duas coisas. Em primeiro lugar em termos de língua, porque o português também é aqui língua oficial; para além de um fator de identidade, é um laço forte entre Macau e Timor-Leste. Por outro lado, durante a invasão indonésia estiveram aqui [em Macau] muitos timorenses fugidos da guerra, o que reforça ainda mais a relação. Já no que toca à relação com a China, a questão não se coloca na língua, mas no campo da infraestrutura económica. Timor não vai esquecer Macau, porque a História nos liga; mas também porque nos ajuda a estar não só na ASEAN, com a mais-valia de pertencermos ao bloco dos países lusófonos. Macau é importante para Timor-Leste.

– Essa relação está a crescer, ou está estabilizada?

A.C.X. – Do meu ponto de vista está a crescer. Temos aqui o Fórum de Macau, que tive a oportunidade de visitar; e isso quer dizer que Macau não é uma relação do passado, mas sim do presente. Temos aqui um representante no Fórum de Macau; pelo que, comparado com o passado, posso dizer que a relação com Macau agora cresce mais do que antes.

– Potências maiores, como o Brasil, têm relações bilaterais tão fortes com a China que torna difícil criar em Macau novas oportunidades. No caso de Timor-Leste, Macau pode assumir-se como instrumento estratégico nas relações com a China?

A.C.X. – Timor-Leste vê as duas coisas: Macau como ponte para os países lusófonos; e parte integrante da China.

– Dupla estratégia…

A.C.X. – Sim, é uma dupla visão. Beneficia Timor-Leste como país membro da CPLP; mas também na relação com a China. Em termos de relações internacionais, Timor-Leste opta por não se concentrar num só poder hegemónico, prefere multiplicar as relações. Isso em termos gerais; não vale especificamente para Macau.

– Ou seja, Macau é duplamente importante; garante relações com a China, e toda a Lusofonia. No fundo, é uma ponte para essa diversificação, essa estratégia não monolítica.

A.C.X. – Exatamente; isso é o que Timor está a fazer. Paulo Rego – Macau in “Plataforma”