Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Moçambique – Depois de gastar mais de 1 milhão de dólares em aluguer, LAM devolve “cargueiro” sem uso por falta de certificação

A LAM terá gastado mais de 71 milhões de Meticais com o aluguer de um avião de carga que nunca chegou a funcionar. A aeronave já foi devolvida ao país de origem por falta de certificação. O Instituto de Aviação Civil fala de incumprimento de requisitos para a certificação e diz que a Boeing não reconhece as alterações feitas no aparelho.



Com pompa e circunstância, a companhia de bandeira anunciou a chegada de um novo serviço: a LAM Cargo.

O único movimento que que o avião de carga proveniente da Indonésia fez na pista moçambicana foi no dia da sua inauguração.

E isto foi, precisamente, no dia 13 de Março de 2024, num evento de inauguração da aeronave orientado pelo então vice-ministro dos Transportes e Comunicações, Amilton Alissone.

A entrada deste serviço em funcionamento era quase uma certeza, porque a operação já tinha sido assumida como um sucesso. Havia, inclusive, detalhes de como a LAM Cargo funcionaria.

Por exemplo, a previsão era que o avião fizesse duas viagens por semana para todas as capitais provinciais, à excepção de Tete, para onde seria apenas uma.

Debalde! Era tudo um sonho, que esteve muito próximo da realidade. O avião de carga nunca realizou uma operação sequer! Ficou estacionado no recinto do Aeroporto Internacional de Maputo por um ano.

E, num comunicado desta terça-feira, 21 de Janeiro, a LAM anuncia a devolução do avião de carga.

“A LAM – Linhas Aéreas de Moçambique – comunica que a aeronave Boeing B737-300, adquirida para o transporte dedicado de carga foi retomada à procedência, pelo facto de não ter tido a certificação no território nacional”, lê-se no documento da LAM.

A companhia de bandeira esclarece, ainda, por quanto tempo o avião ficou no país.

“A aeronave em referência manteve-se em Moçambique desde 31 de Dezembro de 2023 e descolou do Aeroporto Internacional de Maputo no dia 18 de Janeiro de 2025, com destino a Jacarta, Indonésia”, detalhou a companhia de bandeira.

O “O País” sabe que a LAM pagava, mensalmente, 93 mil dólares por mês pelo aluguer da aeronave, o que corresponde a mais de cinco milhões de Meticais ao câmbio actual.

Isto significa que, num período de 12 meses, no qual o avião esteve em Moçambique, as Linhas Aéreas de Moçambique terão pagado mais de um milhão de dólares, o equivalente a mais de 71 milhões de Meticais, ao câmbio do dia.

Mas, afinal, o que terá inviabilizado o funcionamento do serviço de carga?

A aquisição desta aeronave, desde logo, não envolveu a autoridade reguladora da aviação civil.

“O avião saiu da Indonésia, voou para Moçambique com pilotos indonésios, matrícula da Indonésia e aterrou no país sem envolvimento da autoridade moçambicana. O único documento que eles submeteram aqui (no IACM) foi a reserva do registo. Quando o avião aterra no território nacional, é desregistado. Ficou, momentaneamente sem autoridade que regulasse”, revelou João de Abreu, PCA do Instituto de Aviação Civil de Moçambique

Como não podia ficar assim, o Instituto de Aviação Civil de Moçambique solicitou à LAM documentos para tratar da certificação do avião de carga.

Os requisitos solicitados pela autoridade reguladora da aviação civil não foram cumpridos. “Foi verificado que nem todos os documentos, que são necessários para este tipo de certificação, estavam completos. Portanto, quando nós devolvemos o dossier, há uma série de reuniões que explicamos e, até, colocamos a possibilidade de o operador, querendo, continuar a operar com a certificação do país de onde o avião veio, porque a nossa legislação permite. Então, este processo de vaivém de documentos é que fez este atraso, que fez com que o avião não pudesse voar, porque não estava registado em sítio nenhum”, explicou João de Abreu.

O avião, segundo o Instituto de Aviação Civil de Moçambique, era de passageiros e foi modificado para ser carga. O fabricante, a Boeing, não reconhece as alterações feitas.

“Neste processo de modificação de passageiro, o fabricante do avião não foi notificado porque, quando nós pedimos confirmação e manuais à Boeing, ela (a Boeing) só reconhecia aquele avião ainda como de passageiros. É necessário, sempre, que haja uma autoridade que certifique depois da modificação, que diga se o avião está em condições de voar ou não. Este é que é o problema que o nosso operador não conseguiu exibir o documento da autoridade que diga que depois da modificação uma certa autoridade certifica, dizendo que o aparelho está em condições”, detalhou o PCA do Instituto de Aviação Civil de Moçambique

A nossa equipa de reportagem soube que o avião teve avaria durante o regresso ao seu país e teve de pousar para reparação. Depois disso, seguiu viagem para a Indonésia. In “O País” - Moçambique


quinta-feira, 4 de julho de 2024

Europa - A falta de comboios diretos na Europa está a levar as pessoas a viajarem de avião, dizem os ativistas

A organização Greenpeace está a pedir mais investimentos nas ferrovias europeias para criar mais rotas ferroviárias diretas e incentivar as pessoas a voar menos


Há seis vezes mais conexões aéreas diretas entre cidades europeias do que conexões ferroviárias diretas, segundo uma nova análise do Greenpeace.

Em várias grandes cidades europeias não há comboios diretos para nenhuma das outras cidades incluídas no estudo.

Existem muito mais rotas de voos diretos do que rotas de comboio na Europa

Os ativistas analisaram 990 rotas entre 45 grandes cidades europeias e descobriram que 114 rotas (12 por cento) são servidas por conexões ferroviárias diretas. Há outras 305 rotas (31 por cento) onde uma conexão direta seria possível usando as linhas existentes, mas o percurso não é usado atualmente.

Por outro lado, 69 por cento das 990 rotas são servidas por voos diretos. O Greenpeace alega que isso encoraja as pessoas a voar em vez de tomar o comboio.

“Durante anos, a Europa estendeu o tapete vermelho para as viagens aéreas prejudiciais ao clima, cobrindo-as com isenções fiscais, enquanto os comboios e a infraestrutura ferroviária definharam”, diz Herwig Schuster, um ativista de transportes do Greenpeace na Europa Central e Oriental.

Onde na Europa é mais fácil apanhar um comboio direto?

O Greenpeace afirma que nenhuma das cidades analisadas está a explorar totalmente o seu potencial de conexões ferroviárias diretas.

Viena ficou em primeiro lugar como a cidade com mais conexões ferroviárias diretas, com 17. Munique ficou em segundo lugar, com 15 conexões, e Berlim, Zurique e Paris completaram as cinco primeiras com 13 conexões cada.

No outro extremo da escala, há seis cidades que não têm conexões ferroviárias diretas com nenhuma das outras cidades analisadas: Atenas, Lisboa, Pristina, Sarajevo, Skopje e Tallinn.

Como as ferrovias da Europa podem ser melhoradas?

Numa entrevista à Euronews no mês passado, o Dr. Alberto Mazzola, diretor executivo da Comunidade Europeia de Empresas Ferroviárias e de Infraestrutura (CER), um grupo de defesa que representa as empresas ferroviárias europeias, enfatizou a importância da duração da viagem para os passageiros.

“Se a viagem durar 18 horas, muito poucos pegarão o comboio, mesmo que consigamos vender a passagem”, diz ele.

“Para resolver isso, gostaríamos de conectar todas as capitais e grandes cidades europeias por comboio de alta velocidade”, acrescenta.

Mazzola está a pressionar a UE a fornecer mais financiamento para infraestrutura para criar essas ligações.

Um relatório da Comissão Europeia descobriu que o número total de serviços transfronteiriços de passageiros de longa distância na UE permaneceu o mesmo de 2001 a 2019 e, no geral, eles representam apenas cerca de sete por cento das viagens de comboio na Europa.

Enquanto isso, o número total de comboios noturnos de passageiros na Europa caiu de 1257 por semana em 2001 para 445 em 2019, embora algumas linhas tenham sido reintroduzidas desde 2019, como Bruxelas-Praga.

Para aumentar esses números e incentivar mais pessoas a apanhar comboios, o Greenpeace está a pedir aos governos nacionais e à UE que apoiem o desenvolvimento de serviços ferroviários diretos por meio de investimentos em infraestrutura, melhor cooperação entre empresas ferroviárias e obrigatoriedade de comboios diretos onde eles ainda não são comercialmente viáveis.

“É hora de os governos europeus e a UE corrigirem esse desequilíbrio histórico”, diz Schuster.

“Os europeus merecem ter acesso a transportes públicos limpos, eficientes, confortáveis ​​e acessíveis que sejam bons para eles e para o planeta.” Euronews.green

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Coreia do Sul - Korean Air lança voos directos entre Seul e Lisboa a partir de 11 de Setembro

A companhia aérea de bandeira sul-coreana Korean Air anunciou o lançamento de voos ‘charter’ directos entre Seul e Lisboa a partir de 11 de Setembro. Os aviões Boeing 787-9, com capacidade para 290 passageiros, vão operar três voos semanais entre o aeroporto de Seul, Incheon e Lisboa, às quartas-feiras, sextas-feiras e domingos

A Korean Air, companhia aérea de bandeira sul-coreana, anunciou o lançamento de voos ‘charter’ directos entre a capital da Coreia do Sul, Seul, e Lisboa a partir de 11 de Setembro.

Num comunicado, a Korean Air disse que irá usar aviões Boeing 787-9, com capacidade para 290 passageiros, para operar três voos semanais entre o aeroporto de Seul, Incheon e Lisboa, às quartas-feiras, sextas-feiras e domingos.

A companhia aérea disse que os voos irão decorrer durante quase dois meses, pelo menos até 25 de Outubro, mas admitiu que “também tem planos para prolongar a operação desta rota durante a época de inverno”.

De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo, a época de Inverno para a aviação civil arranca em 27 de outubro e decorre até 30 de Março de 2025.

A Korean Air sublinhou que a nova ligação a partir de Incheon irá oferecer “os únicos voos diretos entre Lisboa e o Nordeste da Ásia”, região que inclui o Japão, a Mongólia e o extremo oriente da Rússia. “Os novos voos directos irão facilitar a deslocação, tornando mais acessíveis as viagens para Lisboa e cidades vizinhas”, disse a companhia aérea, que deu como exemplo o Porto.

Esta ligação poderá também ser usada para passageiros que queiram voar entre Macau e Lisboa, disse ontem num comunicado a empresa gestora do aeroporto da região administrativa especial chinesa.

A CAM – Sociedade do Aeroporto Internacional de Macau recordou que a Korean Air já tinha anunciado, no final de Abril, o regresso dos voos directos diários entre Seul e o território, a partir de 1 de Julho, após um interregno de quatro anos devido à pandemia de covid-19. “Isto significa que os passageiros podem viajar diretamente de Macau para Portugal via Seul com a Korean Air, servindo como ponte entre os dois destinos e trazendo conveniência para o turismo, cultura e economia”, sublinhou a CAM.

Em Junho, a directora dos Serviços de Turismo de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes, descreveu o lançamento de voos directos para Portugal como “um sonho”, mas lembrou também ser possível trabalhar com os aeroportos vizinhos de Hong Kong, Guangzhou e Shenzhen.

A última estimativa dada pelo Consulado-geral de Portugal em Macau apontava para mais de 100 mil portadores de passaporte português entre os residentes nas duas regiões administrativas especiais chinesas de Macau e Hong Kong.

De acordo com dados oficiais da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos de Macau, a cidade recebeu 6013 turistas vindos de Portugal em 2023, ano em que removeu todas as restrições à entrada impostas devido à pandemia. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 25 de abril de 2023

Brasil - Embraer assina Memorando de Entendimento com a Indústria de Defesa de Portugal

Neste 24 de abril, a Embraer anunciou, durante visita a Portugal do Presidente brasileiro, a assinatura de um Memorando de Entendimento com as empresas aeroespaciais do país, em evento que contou com a presença do Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa. O memorando foi assinado com as empresas: Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), Empordef Tecnologias de Informação, S.A. (ETI), GMVIS Skysoft, S.A. (GMV) e a OGMA S.A.


“É uma enorme satisfação celebrar uma nova etapa no relacionamento entre a Embraer e o Estado Português, por meio da indústria de Defesa de Portugal, para nós uma referência na cooperação em projetos aeroespaciais e de defesa. Os resultados da parceria estratégica do KC-390 Millennium tem mostrado o potencial que governos e empresas dos dois países, trabalhando juntos, podem alcançar”, disse Francisco Gomes Neto, Presidente e CEO da Embraer.

O objetivo principal do memorando é o desenvolvimento da Base Tecnológica e Industrial de Defesa de Portugal, reforçando a sua capacidade de desenvolver atividades de engenharia, pesquisa e desenvolvimento. Segundo a empresa, “a Embraer reforça seu compromisso estratégico de longo prazo com Portugal no desenvolvimento de seu ecossistema aeroespacial e de defesa”.

Entre os diferentes desdobramentos do memorando, destaque para o potencial relacionamento estratégico nas áreas de desenvolvimento e integração de sistemas envolvendo o A-29 Super Tucano, em sua recém-lançada versão A-29N, voltada para o atendimento das necessidades dos países membros da Organização Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Estão incluídos neste contexto os processos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, com o intuito de ampliar e aumentar as relações comerciais de longo prazo entre as empresas durante as fases de desenvolvimento, produção e suporte à operação da aeronave A-29N.

“Damos hoje, com a assinatura deste memorando de entendimento, mais um passo importante no contínuo desenvolvimento de tecnologias relacionadas ao A-29 Super Tucano. O interesse dos países da OTAN nesta aeronave levou a Embraer a anunciar, recentemente, o lançamento de uma nova versão, o A-29N, a qual, temos certeza, será um sucesso no mercado internacional”, disse Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

Empresa aeroespacial global com sede no Brasil, a Embraer tem negócios nas áreas de Aviação Comercial e Executiva, Defesa & Segurança e Aviação Agrícola. A empresa projeta, desenvolve, fabrica e comercializa aeronaves e sistemas, fornecendo Serviços e Suporte aos clientes no pós-venda. Desde que foi fundada em 1969, a Embraer já entregou mais de 8000 aeronaves.

Super Tucano – O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Ribeiro, confirmou na sexta-feira em Lisboa que a aeronáutica brasileira Embraer vai produzir o avião Super Tucano com padrões OTAN/NATO, numa parceria com as OGMA, onde a empresa já tem uma participação.

Numa “parceria da Embraer brasileira com a empresa daqui [OGMA], vamos fabricar aviões brasileiros já com as características da OTAN [NATO]” em Portugal. “O Super Tucano brasileiro não tinha” essas características, explicou. Além disso, admitiu outra ideia é exportar o KC-390, já produzido pela Embraer em Portugal, para outros países europeus.

Nesta segunda, o primeiro-ministro português destacou que os dois países vão novamente trabalhar em conjunto em um projeto da Embraer. Após a viagem de volta à capital portuguesa, presidente Lula visitou as instalações das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico da Indústria Aeronáutica de Portugal e assinou o protocolo para adaptação do Super Tucano.

“O Centro de Engenharia e Desenvolvimento foi peça central no maior projeto de inovação cooperativa e de engenharia desenvolvido entre Portugal e Brasil e que se traduziu no KC-390. Regressamos hoje a Lisboa precisamente no primeiro avião KC-390 que a Embraer já entregou à Força Aérea Portuguesa”, revelou António Costa.

KC-390 – No projeto do avião KC-390, o maior já construído pela Embraer, o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Portugal foi responsável pelo desenvolvimento completo de 2/3 da estrutura da aeronave, que acabou incorporada à Força Aérea Portuguesa. Este foi o mais relevante projeto de engenharia desenvolvido em conjunto entre os dois países, resultado de 12 anos de trabalho e de mais de 750 mil horas de engenharia.

Os investimentos realizados pela Embraer em Portugal, na Indústria Aeronáutica de Portugal (OGMA) e em duas fábricas no Parque Industrial de Évora, alcançam US$ 500 milhões, tendo gerado por volta de 2500 empregos diretos e sete mil empregos indiretos, além da cooperação tecnológica em uma área estratégica. Um contrato entre a Embraer e o governo português prevê a entrega de cinco aeronaves KC-390 à Força Aérea Portuguesa. Uma por ano, a partir de 2023, pelo montante de 872 milhões de euros.

O presidente brasileiro lembrou-se de sua última visita a Portugal e exaltou como a parceria entre a Embraer e o CEiiA, que resultou no moderno avião KC-390, comprova que a atuação conjunta entre os países pode ser ainda maior daqui para frente.

“Quando estive em Portugal pela última vez como presidente, na 10ª Cimeira, testemunhei os primeiros passos dessa parceria, com investimentos da Embraer no setor aeronáutico português. A parceria deu frutos, mostrando que quando há trabalho, diálogo e cooperação, as sementes plantadas florescem”.

O primeiro-ministro português, António Costa, adotou o mesmo tom. “Esses acordos traduzem do ponto de vista institucional o grande potencial que existe e a vontade efetiva das instituições trabalharem para abrirem a porta para que as empresas façam o seu caminho”, afirmou. “Queria agradecer a todas as empresas portuguesas e brasileiras que aqui estão, pela vontade que manifestam de se encontrar, de conhecerem e construírem projetos em conjunto”, completou Costa.

“O Centro de Engenharia e Desenvolvimento representa muito bem a cooperação empresarial que queremos impulsionar com o encontro de hoje: uma cooperação voltada para o futuro, a tecnologia, as energias renováveis, a mobilidade urbana e a saúde”, destacou o presidente Lula. In “Mundo Lusíada” - Brasil


terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Goa - Nova companhia aérea regional fará do aeroporto internacional a sua base

O fundador é o jovem goês Manoj Chacko, que se uniu a Harsha Raghavan, da Convergent Finance


Há uma nova companhia aérea regional a caminho e tem algumas conexões fortes com Goa. Para começar, será baseada em Goa e o seu fundador é o jovem goês Manoj Chacko.

Definido para decolar em setembro deste ano, o Fly91 é promovido por Manoj Chacko, um veterano da aviação e cofundado por Harsha Raghavan, que cumprirá o investimento inicial de Rs 200 crore por meio da sua empresa de investimentos Convergent Finance.

Raghavan será o presidente da Fly91, e Chacko, que nasceu e fez os seus estudos e educação superior em Goa, será o diretor executivo.

Chacko é ex-aluno do Goa College of Engineering, da Universidade de Goa, e foi vice-presidente executivo da Kingfisher Airlines. Foi também diretor de operações e CEO da SOTC e ocupou vários cargos em companhias aéreas e agências de viagens.

Fly91 (91 é o código de discagem do país da Índia), solicitou o certificado inicial de não objeção junto ao ministério da aviação civil e planeia operar jatos turboélice ATR 72-600 de 70 lugares, para o qual está em discussão com empresas de leasing de aviões.

A meta de operações de setembro de 2023 fará com que a companhia aérea comece com duas aeronaves, antes de adicionar outras quatro no primeiro ano de operações e 32 aviões em cinco anos.

Listando as razões para escolher Goa como base, Chacko, falando à Gomantak Media, revelou: “Acreditamos que Goa é um ótimo destino – um destino positivo para se estar”.

Explicou: “Goa é o oitavo destino mais movimentado da Índia no que diz respeito às viagens aéreas. Assim, entre os dez principais destinos do país, Goa está em oitavo lugar. Além disso, agora com o segundo aeroporto, Goa vai ter mais pessoas a voar. O aeroporto de Dabolim estava limitado. Com mais capacidade, haverá mais gente.”

Há outras razões que pesaram a favor do estado, como Goa ser agora um destino durante todo o ano e não ver um período de escassez durante a monção e o forte segmento de turismo MICE que traz empresas ao estado para os seus eventos.

Chacko também afirmou que, como destino, as pessoas se sentem confortáveis ​​voando para Goa mesmo no meio da noite.

Embora tenha passado os seus primeiros anos em Goa, esse viés pessoal não foi para selecionar o estado como base, mas foi uma decisão informada, disse Chacko, e acrescentou: “Goa também é um forte destino internacional de fretamento e, portanto, é uma porta de entrada para os passageiros fretados visitarem a Índia e voltarem. Essas pessoas também gostam de visitar outros estados da Índia, e Goa é sua porta de entrada e saída.”

“Todos os horários de voo que as companhias aéreas têm em Goa são adequados para os turistas virem para Goa, não para os goeses saírem de Goa. Então você tem voos de manhã cedo e no meio da tarde, que não são horários que agradam aos locais. Acreditamos que os goeses locais precisam viajar e precisam da conveniência do tempo”, disse Chacko.

A decisão de ficar baseado em Goa vai além dos fatores de aviação e viagens.

“A outra coisa é que Goa se torna uma base de baixo custo para nós em comparação com as metrópoles, onde os custos imobiliários e de aluguer são muito mais altos. Em Goa, temos a vantagem de os custos serem mais baixos e a qualidade de vida ser maior. Portanto, mesmo para pilotos e executivos de nível médio a sénior, Goa seria uma base acessível”, disse Chacko.

Além de ser baseado em Goa, a conexão de Chacko com Goa é muito forte. Tendo concluído toda a sua educação em Goa, Chacko volta a Goa com frequência e tem uma residência aqui.

“Os meus pais mudaram-se para Goa em 1965. O meu pai lecionava no Nirmala Institute of Education e a minha mãe era professora em Ribandar. Nasci em Ribandar e, embora tenha saído de Goa para trabalhar, a minha filha também nasceu em Goa”, disse Chacko, que se sente mais à vontade comendo bhaji puri no Café Bhonsle, à Gomantak Media.

Nos estágios iniciais, o Fly91 estará a olhar para destinos de curta distância, mantendo os tempos de voo dentro de 90 minutos e servindo aeroportos regionais. Mas à medida que cresce, a companhia aérea procurará expandir a sua base, disse Chacko. Moniz Barbosa – Goa in “Gomantak Times”


sexta-feira, 27 de maio de 2022

Brasil - Gabinete Português de Leitura abre exposição sobre primeira travessia aérea do Atlântico Sul


No Recife, a Fundação Joaquim Nabuco e o Gabinete Português de Leitura de Pernambuco inauguraram a exposição “Travessia – 100 anos de uma epopeia nos céus do Atlântico Sul”, nesta quinta-feira (26), na sede do Gabinete, no bairro de Santo Antônio.

“A exposição celebra uma viagem que comemorou o centenário da independência do nosso país. Desde o nascimento da Fundaj, já existiam laços que nos uniam a tradição portuguesa. Fortalecer essa parceria com a comunidade lusitana é de extrema importância para a instituição, pois como Gilberto Freyre falava, o Brasil tem raízes ibéricas”, afirmou o presidente da Fundaj, Antônio Campos.

Celebrando o trajeto realizado pelos aeronautas portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, de Lisboa ao Rio de Janeiro, entre março e junho de 1922, a mostra conta com materiais do acervo do Gabinete, incluindo um cabeçote original da aeronave, fotos de jornal e uma réplica do avião, desta primeira viagem aérea que atravessou o Atlântico Sul. Também esteve presente o Vice-Cônsul de Portugal em Recife, Marco Ferreira de Melo.

Essa primeira exposição contempla o recorte recifense da viagem. Já no final do ano, a versão completa aportará na Fundação Joaquim Nabuco, de onde também seguirá para outros estados do Brasil.

“Depois de 100 anos comemorando não só o feito dos dois aeronautas, mas também o de todos os portugueses que construíram a comunidade portuguesa aqui, celebramos essa cooperação cultural. Estamos felizes, pois a gestão da Fundaj tem um olhar forte para cultura e uma sensibilidade que colabora com a nossa comunidade”, afirmou Celso Stamford, presidente do Gabinete.

“Quando eles passaram pelo Recife, havia muita espera das pessoas daqui e foram muito aclamados. O Sacadura pensou nessa viagem justamente como uma forma de estreitar os laços entre os dois países, no ano do centenário da Independência, com apoio das Marinhas do Brasil e de Portugal. Eles passaram por várias cidades e nossa coleção é complementada por peças do Rio de Janeiro e de Salvador, cada uma trazendo uma parte diferente da travessia”, conclui Maria Lencastre, diretora-cultural do Gabinete.

Mais cedo, antes da inauguração, foram depositadas flores no monumento em homenagem aos aeronautas protagonistas da exposição, localizado na Praça 17, no bairro de Santo Antônio. Além dos representantes das instituições parceiras, estavam presentes nas solenidades um grupo de 13 marinheiros de Portugal que estão recriando a primeira travessia do Atlântico.

Ao final do dia, no auditório do Gabinete, ainda foi realizada uma palestra, conduzida pelo comandante da expedição, José Mesquita, com o tema: “Salvem os Oceanos – Salvem a Humanidade”. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

domingo, 16 de janeiro de 2022

Brasil - Embraer vende subsidiárias em Portugal à espanhola Aernnova

A Embraer informou uma parceria estratégica com Aernnova, referência internacional no fornecimento de aeroestruturas, para as unidades industriais Embraer Metálicas e Embraer Compósitos, localizadas no Parque Industrial Aeronáutico de Évora, em Portugal.

O acordo contempla a venda de todas as ações das referidas subsidiárias da Embraer à Aernnova, pelo valor de US$ 172 milhões, sujeito a ajustes até a data de seu fechamento. O acordo tem como objetivo aumentar a capacidade de produção dos centros de excelência, cuja operação tem uma importância estratégica para os produtos atuais e futuros da Embraer.

Com 37100 e 31800 metros quadrados, respectivamente, e empregando cerca de 500 pessoas, as instalações combinam as tecnologias mais avançadas na fabricação de aeroestruturas metálicas e de compósitos com um elevado nível de digitalização e automação dos processos produtivos.

Nas duas fábricas são produzidos, entre outros, componentes para asas e estabilizadores verticais e horizontais para programas aeronáuticos da Embraer como os jatos executivos Praetor 500 e Praetor 600, as duas gerações da família de E-Jets de jatos comerciais e o jato multimissão KC-390 Millennium. As unidades industriais de Évora serão os maiores centros produtivos da Aernnova no mundo, segundo a empresa brasileira.

Com os novos termos da parceira, a Aernnova assume a operação das fábricas industriais em Évora e ao mesmo tempo, assegura o fornecimento para produção atual de aeronaves Embraer, aumentando a previsão de receitas de longo prazo da Aernnova.

O acordo reforça a posição da Aernnova como fornecedora de primeira linha para aeronaves de corredor único, avançando a posição da companhia nos mercados de aeronaves executivas e de defesa. As atividades nas instalações industriais de Évora adicionarão cerca de US$ 170 milhões em receitas para a Aernnova. A capacidade das unidades industriais em Évora também permitirá a assinatura de novos contratos, seja com a Embraer ou com outros fabricantes.

“Estamos satisfeitos em anunciar essa parceria com a Aernnova, uma fornecedora de renome mundial em aeroestruturas. O acordo permitirá a ampliação dos níveis de ocupação nas fábricas de Évora e a diversificação da base de clientes, trazendo novas oportunidades de negócios”, diz Francisco Gomes Neto, Presidente e CEO da Embraer. “Esse acordo é um importante passo da nossa estratégia de otimização de ativos, que visa maximizar o uso de nossas unidades e melhorar a rentabilidade da companhia”.

Ricardo Chocarro, CEO da Aernnova, diz que “o acordo é mais um passo na estratégia de crescimento da Aernnova, que reforça ainda mais o status da companhia como uma líder global no design e na produção de aeroestruturas. Planejamos avançar ainda mais nas operações das instalações e estabelecer Évora como um modelo na fabricação de aeroestruturas, com o suporte técnico e comercial do Grupo Aernnova – que tem um compromisso duradouro no desenvolvimento de uma indústria aeronáutica mais sustentável e digital”.

“Com esse movimento estratégico, a Embraer reforça e consolida o seu compromisso com Portugal, país onde a empresa mais investe na capacidade industrial, fora do Brasil, e que possui uma localização estratégica para a sua presença na Europa” divulga ainda a Embraer.

A conclusão da transação está sujeita a um conjunto de condições que as partes envolvidas esperam cumprir no primeiro trimestre de 2022.

A Aernnova é uma empresa líder em estruturas aeronáuticas especializada na concepção e fabricação de estruturas em compósito e metálicas para programas aeronáuticos.

Sediada na Espanha, com mais de 4500 funcionários e uma presença global que inclui operações no Brasil, México, Reino Unido e EUA, a Aernnova trabalha com clientes aeroespaciais de classe mundial, tais como: Embraer, Airbus, Bell Helicopters, Boeing, Northrop Grumman, Sikorsky, e Space X, entre outros.

A Embraer é líder na fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos e a principal exportadora de bens de alto valor agregado do Brasil. A empresa mantém unidades industriais, escritórios, centros de serviço e de distribuição de peças, entre outras atividades, nas Américas, África, Ásia e Europa. Desde sua fundação, em 1969, a Embraer já entregou mais de 8 mil aeronaves. In “Mundo Lusíada” - Brasil

 

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Estados Unidos da América - Aviões movidos a mostarda podem reduzir as emissões de carbono em quase 70%


Depois de quatro anos de pesquisa, os cientistas descobriram um novo combustível de aviação à base de plantas que pode reduzir significativamente o impacto ambiental do voo.

O combustível é feito de um tipo de planta de mostarda chamada Brassica carinata e pode reduzir as emissões de carbono em até 68%, de acordo com pesquisa da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos.

A pesquisa, liderada pelo cientista Puneet Dwivedi, mostra que esse combustível de aviação sustentável (SAF) pode ser um “divisor de águas” na substituição do petróleo.

“A SAF baseada em Carinata poderia ajudar a reduzir a pegada de carbono do setor da aviação, criando oportunidades económicas e melhorando o fluxo de serviços ecossistémicos na região sul”, disse Dwivedi, professor associado da Escola Warnell de Silvicultura e Recursos Naturais.

A indústria da aviação emite 2,5 por cento de todas as emissões de dióxido de carbono nos Estados Unidos e é responsável por 3,5 por cento do aquecimento global.

As descobertas de Dwivedi chegam num momento oportuno. Em setembro, o presidente Joe Biden propôs um crédito tributário para combustível sustentável como parte do Sustainable Aviation Fuel Grand Challenge.

Como parte do desafio, ele definiu a meta de uma queda de 20% nas emissões da aviação até 2030 e alcançar um setor de aviação totalmente zero carbono até 2050.


Onde é cultivada a Brassica carinata?

A Parceria do Sudeste para Energias Renováveis ​​Avançadas de Carinata, ou SPARC, é um projeto de US$ 15 milhões (€ 12,9 milhões) financiado pelo Instituto Nacional de Alimentos e Agricultura do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Por meio do SPARC, os pesquisadores passaram os últimos quatro anos investigando como cultivar carinata no sudeste do país, explorando genética e melhores práticas para obter a maior colheita e rendimento de óleo.

Com essas respostas prontas, Dwivedi está confiante sobre o papel da carinata no apoio à economia regional e ao meio ambiente.

“No Sul, podemos cultivar a carinata como colheita de inverno porque os nossos invernos não são tão severos se comparados a outras regiões do país”, explica.

"Como o carinata é cultivado na 'entre colheitas', ele não compete com outras culturas alimentares e não causa problemas de alimentação versus combustível. Além disso, o cultivo de carinata fornece todos os benefícios da cultura de cobertura relacionados à qualidade da água, saúde do solo e biodiversidade e polinização. "

A peça que faltava no quebra-cabeça, segundo Dwivedi, é a falta de infraestrutura local para esmagar a semente e processar o óleo em SAF.

“Os nossos resultados seriam especialmente relevantes para o estado da Geórgia, que é o sexto maior consumidor de combustível de aviação convencional do país, hospeda o aeroporto mais movimentado do mundo e abriga a Delta, uma companhia aérea líder global”, afirmou.

“Carinata tem o potencial de ser uma situação ganha-ganha para as nossas áreas rurais, a indústria da aviação e, o mais importante, as alterações climáticas”. Maeve Campbell – Inglaterra in “Euronews”




 

domingo, 26 de setembro de 2021

Portugal - Apaixonados pela aviação aquecem motores para o centenário da 1.ª travessia do Atlântico Sul


Lisboa – Um grupo de apaixonados pela aviação e gratos a Sacadura Cabral e Gago Coutinho pela primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul vai aproveitar o centenário do acontecimento para o divulgar pelo mundo e promover o seu estudo nas escolas.

A primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul (TAAS) começou às 06:45 de 30 de Março de 1922, a partir da rampa do Centro de Aviação Naval, na Doca do Bom Sucesso, em Lisboa.

Os dois aventureiros, que já tinham trabalhado juntos em África, destacando-se no seu trabalho que perdura até hoje, utilizaram três aviões e pararam em Las Palmas (Canárias) e São Vicente (Cabo Verde), antes de atingirem o Brasil no chamado “grande salto” que durou 11 horas e 21 minutos.

Ao todo, Sacadura Cabral (piloto) e Gago Coutinho (navegador) percorreram 4527 milhas náuticas (8484 quilómetros), em 62 horas e 26 minutos.

“Além da navegação astronómica de precisão, muito mais importante do que isso é a questão do sonho. Foi um sonho de Sacadura Cabral, que só foi possível com o apoio técnico e inquestionável de Gago Coutinho”, disse em entrevista à agência Lusa o presidente da associação Lusitânia100, João Moura Ferreira.

O líder deste grupo, com o nome do primeiro hidroavião (“Lusitânia”) que descolou frente à Torre de Belém, e a referência ao centenário que se assinala em 2022, considera que a grandiosidade do feito não é devidamente reconhecida em Portugal, o que impede a sua divulgação a nível internacional.

A associação quer contribuir para preencher esse vazio e desde que foi criada, há nove anos, que trabalha na elaboração de um ambicioso programa que tem como objectivo invocar esta primeira travessia como um feito de desenvolvimento tecnológico e de união entre os povos.

Frente ao Santa Cruz, o último hidroavião utilizado nesta viagem e que está visitável no Museu da Marinha, em Lisboa, João Moura Ferreira não esconde o entusiasmo ao falar destes dois pioneiros que atingiram o seu sonho graças à confiança que depositaram um no outro.

“A cumplicidade pessoal entre eles, a absoluta confiança, o trabalho de equipa que eles tiveram, a confiança que tinham nas decisões tomadas são um exemplo para toda a gente, em qualquer época e em qualquer lugar do mundo”, contou.

A estes predicados, juntou-se a sabedoria, principalmente a adquirida durante décadas a desenhar as fronteiras em África e o conhecimento dos instrumentos, como o sextante de horizonte artificial criado por Gago Coutinho.

Para o sucesso do feito contribuiu também o treino que a dureza das condições a que o seu trabalho em África os obrigara, nomeadamente de acomodamento na selva.

Nos aviões que usaram, dispunham de duas cabinas abertas em que estavam literalmente encaixados parcialmente, sem capacidade de mobilidade.

O feito aconteceu no ano em que se comemorava o centenário da independência do Brasil e durante décadas fez parte da matéria escolar, o que actualmente praticamente não acontece, uma situação que a associação pretende alterar.

“Todos nós [gerações com mais idade] ouvimos falar do feito. Depois disso, saiu dos programas da História em Portugal”, lamentou.

E prosseguiu: “Hoje em dia dá-se muito pouca visibilidade a esses feitos, dá-se muito pouca visibilidade aos trabalhos que foram feitos em África e que ficaram como herança científica e nacional. Gostaria que se desse um pouco mais de atenção, mas naturalmente os programas não dependem de nós.

Ainda assim, a associação disponibiliza na sua página da internet “um repositório de dados culturais e científicos para quem quiser ver e aprofundar melhor, o qual tem claramente como destinatários os jovens e os professores das escolas”.

Segundo João Moura Ferreira, engenheiro electrotécnico de formação, são várias as disciplinas em que esta viagem poderá ser abordada, particularmente geografia e matemática, “muita matemática”.

Eles só ficaram vivos porque “acreditaram na matemática e confiaram na matemática. Se não fosse isso, tinham-se perdido e tinham desaparecido sem deixar qualquer rastro”, indicou.

E lembrou o “extraordinário” que a viagem foi numa altura em que “ninguém se atrevia a atravessar o Atlântico e ir aterrar numa pequena ilha”, pois todas as travessias tinham sido feitas tinham sido contra um continente ou uma ilha do tamanho da Irlanda”.

Para João Moura Ferreira, uma das razões para o feito não ser mais conhecido a nível internacional – embora seja considerado um acontecimento científico e humano tremendos – é a pouca divulgação do único relatório da travessia, que foi editado em inglês há 49 anos.

O documento “Relatórios da primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul” foi inscrito pela Unesco no Registo da Memória do Mundo, a 27 de Julho de 2011, e desde então é considerado Património da Humanidade.

Cópias do relatório estão à venda na loja do Museu da Marinha, em Lisboa, mas a associação vai fazer uma reedição em português e inglês, ainda este ano.

No âmbito das celebrações deste centenário, a Lustitânia100 está a organizar um repositório de dados culturais e científicos sobre a travessia.

Sempre com o objectivo de preservar a memória, a associação gostaria de contribuir para o fortalecimento dos “laços internacionais, nomeadamente nos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e em toda a comunidade portuguesa” através da divulgação desta travessia que será assinalada em Portugal, Cabo Verde e Brasil. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”


 

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Portugal – A história esquecida da primeira viagem de avião entre Portugal e Macau, segundo a análise e relatos de época

As académicas Cátia Miriam Costa e Olívia Pestana analisaram a forma como os jornais Diário de Lisboa e O Comércio do Porto noticiaram a aventura dos aviadores José Manuel Sarmento de Beires e António Jacinto da Silva Brito Pais, que em 1924 voaram de Vila Nova da Milfontes com destino a Macau acabando por aterrar em Cantão. Ambas as publicações deram grande destaque à viagem, que serviu de bandeira nacional, e cujo 97º aniversário se celebra daqui a duas semanas


No dia 2 de Abril de 1924 os aviadores portugueses José Manuel Sarmento de Beires e António Jacinto da Silva Brito Pais partiram de Vila Nova de Milfontes, em Portugal, para fazer aquela que seria a primeira viagem de avião entre Portugal e Macau, apenas dois anos depois da célebre travessia entre Lisboa e o Rio de Janeiro feita por Gago Coutinho e Sacadura Cabral.

No entanto, os dois aviadores, que se fizeram acompanhar por um alferes mecânico, Manuel Gouveia, acabariam por aterrar nos arredores de Cantão a 23 de Junho, depois de terem percorrido 16.380 quilómetros. Foram usados dois aviões, com os nomes “Pátria” e “Pátria II”.

Cátia Miriam Costa, do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) e Olívia Pestana, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, analisaram a forma como dois jornais portugueses da época, o Diário de Lisboa e O Comércio do Porto, noticiaram a viagem, no trabalho académico “De Lisboa a Macau: A conquista dos ares vista pela imprensa portuguesa do ponto de vista comparativo”, publicado recentemente no Portuguese Journal of Social Science.

Além de olharem para a cobertura do evento do ponto de vista jornalístico, as autoras analisaram “o compromisso [dos jornais] com a recolha de fundos e o seu papel na mobilização do público como intermediários entre os pilotos e as autoridades públicas”.

Apesar do entusiasmo gerado, as académicas concluem que a aventura acabou por cair no esquecimento. “Apesar dos investigadores das ciências aeroespaciais considerarem ainda esta viagem como essencial para o conhecimento técnico e científico, o voo é geralmente desconhecido e pouco estudado. Enquanto Portugal celebra outras aventuras aéreas, esta parece ter caído no esquecimento, e as referências oficiais são pequenas e escassas”, pode ler-se no documento.

As explicações para este esquecimento foram dadas por Cátia Miriam Costa à agência Lusa, em 2019, e devem-se a questões políticas. “Esta viagem foi apagada da memória portuguesa não porque seja menos importante que a viagem de Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Mas, sobretudo, porque Sarmento de Beires é um opositor ao regime que se anunciava.”

“Apesar de militar, não concorda com a Ditadura militar, nem posteriormente com o Estado Novo, é um homem perseguido durante o período das ditaduras em Portugal”, recordou.

Um “evento nacional” e não só

Porquê estes jornais? Segundo as autoras, “a escolha reflecte a necessidade de comparar diferenças abordagens à viagem aérea e detectar eventuais estratégias editoriais que poderiam justificar as diferenças existentes”. Além disso, os familiares dos aviadores tinham estreitas ligações às cidades de Lisboa e do Porto, “o que ajudou a aumentar o interesse do seu desafiante voo na experiência destas famílias”.

As autoras concluem que “o Diário de Lisboa publicou mais notícias sobre este assunto do que O Comércio do Porto”, embora com “visíveis diferenças”. “Do ponto de vista do discurso jornalístico, o orgulho pelos pilotos e pelo projecto é uma realidade desde o início. No entanto, há também um discurso patriótico que emerge à medida que as dificuldades aumentam e a aventura avança. O uso de pontos de exclamação era também um padrão”, acrescenta-se.

No caso do Diário de Lisboa, foi usada com “frequência a expressão ‘aqui e agora’, convidando o leitor a tomar parte desta iniciativa que é sempre apresentada como um evento nacional envolvendo todos os portugueses”.

Quando não havia informações para publicar sobre a viagem propriamente dita, os jornais recorriam a histórias em torno dos seus protagonistas. “O Diário de Lisboa publicava notícias sobre a campanha de recolha de fundos, com entrevistas aos apoiantes do projecto em Portugal (como por exemplo, o Director de Aviação) ou artigos sobre as dificuldades que os aviadores e as suas famílias iam enfrentando”, descrevem as investigadoras.

No caso d’O Comércio do Porto, as notícias “eram em menor número”. “Os acontecimentos em torno do voo transformaram-se numa narrativa que preencheu páginas de jornal quando não havia notícias sobre os pilotos. Conteúdos sobre a campanha de fundos são sempre noticiados em relação com o projecto e como parte da aventura, devido ao facto de uma das dificuldades mais significativas durante a viagem foi a falta de fundos, sejam de fontes públicas ou privadas”, pode ler-se.

No início do século XX, as fontes usadas pelos jornais passavam pelas entrevistas, telegramas e agências noticiosas. Segundo as autoras, “o discurso directo foi usado algumas vezes no Diário de Lisboa, muitas vezes transcrito em forma de diálogo, enquanto que em outras alturas foi usado o discurso indirecto, apresentando linhas gerais da narrativa enquanto cita declarações (em geral pessoas directamente envolvidas com o projecto ou com o campo da aviação”.

No caso do jornal do Porto, foi muito usado o discurso indirecto, “provavelmente devido ao facto de ter citado fontes de informação”.

Em ambos os jornais “os telegramas oficiais e as notícias de agências internacionais eram transcritas, tal como outra correspondência (cartas a familiares, por exemplo), em adição de informação com base em telefonemas”.

Foi detectado, por parte das autoras do estudo, “um forte compromisso de afirmar a credibilidade da informação e a sua verosimilhança através (…) do uso de fontes, recursos de estilo no discurso, a busca pela identificação e envolvimento do leitor na aventura”. Este compromisso “é evidente em ambos os jornais, mas O Comércio do Porto mostra a credibilidade da informação ao citar notícias de outras fontes de informação”.

Apesar do esquecimento a que ficou votada a jornada, ela teve, à época, uma dimensão equiparada às viagens feitas internacionalmente. “Outro aspecto que merece ser enfatizado é o panorama nacional e internacional deste evento: as notícias publicadas sobre o estado da aviação em Portugal, bem como o seu significado político. O mesmo tipo de projectos desenvolvidos pelos aviadores de outras nacionalidades são também mencionados, o que nos permite posicionar este evento ao mesmo nível dos outros [a nível internacional]”, denotam as investigadoras.

O Diário de Lisboa foi fundado em 1921 e publicou-se na capital portuguesa até 1990. A publicação “orgulhava-se da independência das opiniões dos jornalistas”, assumindo-se, pelos fundadores, como um jornal republicano, moderado e independente. No caso d’O Comércio do Porto, foi fundado em 1854 e fechou portas a 30 de Julho de 2005.

Uma viagem importante

Cátia Miriam Costa e Olívia Pestana apontam que, quando Brito Pais e Sarmento Beires começaram os planos depararam-se de imediato com a necessidade de recolha de fundos. “Nem o poder político estabelecido nem as forças armadas tinham fundos necessários para patrocinar a viagem, então a primeira vez que esta viagem captou a atenção do público foi através da ideia de obter fundos para comprar um avião.”

Com uma crise económica e divisões políticas, o primeiro voo entre Portugal e Macau acabou por ganhar “um significado de unificação e uma forma de confirmar a presença portuguesa no radar dos céus”.

O primeiro avião, “Pátria”, cairia perto de Cantão devido a uma tempestade. Durante o voo, “os aviadores perderam a aeronave e tiveram de esperar pela sua substituição”. Novamente os pilotos conseguiram comprar um segundo avião através da recolha de fundos, e desta vez com um maior envolvimento da imprensa portuguesa.

Tratou-se de uma viagem “com várias paragens” e acompanhada também pelos media internacionais, “o que transformou o projecto num evento internacional”. Os jornais analisados pelas investigadoras noticiaram a viagem “desde o início”, tendo os leitores “respondido aos apelos por fundos e mantendo-se fiéis” às notícias e reportagens sobre o voo.

O feito serviu também para Portugal se “comparar a outra nação poderosa”. Neste período “as relações com a China eram tensas devido ao debate em torno das águas que circundavam Macau”, pelo que o voo “era um símbolo de como Portugal era ainda um poder político com capacidade externa para lutar pelos seus territórios”.

“A ligação com as relações sino-portuguesas não é clara mas a aventura emerge como algo acima dos eventos políticos em Portugal, que exalta a presença portuguesa no mundo”, apontam as autoras.

Em 1924 estava no auge o conflito entre a I República, que já estava na sua fase terminal [a Ditadura Militar foi instituída em 1926], e os aviadores da Força Aérea. O voo serviu também “para desviar as atenções dos jornalistas e leitores dos problemas das Forças Armadas e as tensões entre o Governo, o parlamento e os militares”.

Brito Pais não esteve envolvido intelectualmente nem ideologicamente com esse tipo de lutas. No entanto, acaba por sofrer do mesmo ostracismo que vem do facto de não se poder reconhecer o seu companheiro de viagem”, indicou Cátia Miriam Costa à Lusa.

Em Macau os pilotos foram recebidos de forma “triunfal”, descreveu a investigadora, ainda que o voo não tenha terminado no território. Ainda assim, nas páginas do Diário de Lisboa a aventura foi considerada um sucesso. “As dificuldades causadas por uma tempestade sazonal e o facto de não haver nenhum lugar preparado em Macau para a aterragem foram aspectos noticiados pelo Diário de Lisboa antes do fim da viagem.”

Desta forma, as publicações “acabaram por baixar as expectativas e preparar o público para a possibilidade da viagem ser incompleta. O jornal celebrou o fim da viagem como se o avião tivesse aterrado em Macau.”

Em Lisboa os pilotos também foram bem recebidos e receberam condecorações militares ainda das mãos dos governantes da I República. Com a instauração do Estado Novo, em 1933, a viagem e os pilotos acabariam por ser despenhar num profundo esquecimento. Andreia Silva – Macau in “Hoje Macau”


domingo, 25 de abril de 2021

Cabo Verde - São Vicente recorda os “aviadores” que há cem anos iam a caminho do Brasil

O hidroavião “Lusitânia”, de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, fez história em abril de 1922 ao ligar o Atlântico, mas a passagem dos “aviadores” por São Vicente permanece na memória daquela ilha cabo-verdiana, que prepara as comemorações do centenário


“Foi o primeiro voo que Cabo Verde recebeu”, começou por contar à Lusa o engenheiro civil cabo-verdiano Carlos Monteiro, responsável em São Vicente pelas comemorações do centenário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul, preparadas em conjunto com a associação Lusitânia 100, fundada em Portugal em 2013 com a finalidade de divulgar aquela viagem histórica.

No final do dia 05 de abril de 1922, o hidroavião Fairey III D Mkll – o primeiro de três usados naquela histórica travessia - amarou na baía do Mindelo, ilha de São Vicente, depois de uma viagem de 10 horas e 43 minutos para percorrer 1572 quilómetros, desde as Canárias, que tinham sido a primeira paragem após a saída de Belém, Lisboa, em 30 de março.

Aos comandos seguiam Gago Coutinho, experiente cartógrafo da Marinha, e Sacadura Cabral, piloto com larga experiência, conhecimentos complementares e tidos como decisivos para o sucesso da viagem.

“Vendo esse circuito, os quilómetros que foram feitos - no total cerca de 8300 -, a uma velocidade média de 143 quilómetros por hora, dá uma ideia das dificuldades”, recordou Carlos Monteiro.

Segundo os relatos da altura, os dois aviadores portugueses foram recebidos, triunfantes, pela população de São Vicente.

As autoridades municipais do Mindelo mandaram mesmo construir no local onde aportaram um padrão – destruído na década de 1980 e edificado outro cerca de dez anos depois – e a poucas dezenas de metros um obelisco numa praça, a que deram o nome de Gago Coutinho, o qual ficou conhecido como “O Pássaro”, ainda hoje ponto obrigatório de passagem de quem chega a São Vicente.

“Muita gente apareceu aqui para ver. Foi algo de extrema importância (…) Está na memória coletiva de São Vicente e de Cabo Verde em geral”, explicou, apontando ao local onde São Vicente entrou para a história da aviação.

Com o imponente obelisco de fundo, aquela área, junto à baía do Mindelo ficou mesmo conhecida como a “avenida dos aviadores”, tal foi a importância do feito dos dois, recebidos em 06 de abril de 1922 na Câmara Municipal da cidade, que se reuniu em sessão solene para os homenagear publicamente.

Em São Vicente, Gago Coutinho e Sacadura Cabral permaneceram mais de dez dias, em reparações do hidroavião "Lusitânia". A etapa seguinte foi curta, até à Praia, ilha de Santiago, e aconteceu em 17 de abril, com 315 quilómetros percorridos em pouco mais de duas horas. Pouco mais do dobro do tempo das ligações aéreas atuais, praticamente cem anos depois.

“O avião esteve cá, aportou nesta zona, e ainda tentaram ir a Santo Antão [ilha vizinha de São Vicente]. Foram de barco analisar e chegaram à conclusão que não. Foram para a Praia”, recordou Carlos Monteiro que, aos 65 anos, já reformado, se tornou num entusiasta desta aventura. A mesma que conheceu pela primeira vez, na escola, sem então lhe passar pela cabeça que estaria na organização do centenário da viagem, quase seis décadas depois.

“Não imaginava. De facto, na escola, estudei, como todos nós, e na altura já achava um feito interessante, um feito único, que acabou por levar Cabo Verde à história, ao pontapé de saída da aviação. E agora estou cá, deste lado, abraçando este projeto”, brincou.

O 99.º aniversário da chegada dos aviadores ao Mindelo já foi assinalado na cidade em 05 de abril - e na Praia em 17 de abril – com a colocação de uma coroa de flores com as cores das bandeiras dos quatro países ligados pela viagem (Portugal, Espanha, Cabo Verde e Brasil) junto ao padrão na baía.

Contudo, foi apenas o “pontapé de saída” para a preparação das comemorações do centenário, em abril de 2022.

“Estamos a congregar esforços para fazer algo conjunto, Portugal e Cabo Verde, logicamente envolvendo as Canárias, Espanha, e o Brasil (…) Em Cabo Verde queremos envolver a população, a ideia é desenvolver várias atividades, essencialmente ao nível do mar, dos desportos náuticos, alguns espetáculos e cultura”, explicou Carlos Monteiro, que foi diretor de aviação na vertente de abastecimento, pelo que sempre se teve o “bichinho” dos aviões.

No arquipélago, o programa das comemorações do centenário, no Mindelo e na Praia, foi batizado de “Cabo Verde: Os caminhos da História” e tem três vertentes: Educação, cultura e cidadania, envolvendo entidades públicas e privadas locais, incluindo conferências internacionais a dinamizar conjuntamente com as universidades cabo-verdianas.

Os dois aviadores deixaram a ilha de Santiago em 18 de abril de 1922 para a o troço mais longo da viagem. Levaram 11 horas e 21 minutos para percorrer os 1682 quilómetros até amarar no arquipélago de São Pedro e São Paulo, um conjunto de pequenos ilhéus rochosos do estado brasileiro de Pernambuco, mas ainda a quase 1000 quilómetros da costa continental.

Ali trocaram para o Fairey N.º 16, batizado de “Pátria”, mas este sofreu uma avaria no motor em 04 de maio, na viagem a caminho do arquipélago de Fernão de Noronha, e os aviadores foram forçados a amarar de emergência.

Já no terceiro hidroavião, o Fairey N.º 17, batizado "Santa Cruz", Gago Coutinho e Sacadura Cabral chegaram ao Rio de Janeiro em 17 de junho de 1922, o destino final.

“Teve grande impacto não só em termos de Portugal, mas também no mundo e logicamente em Cabo Verde (…) Acabou por nos introduzir no seio da aviação civil, teve uma grande importância para Cabo Verde”, reconheceu Carlos Monteiro. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”