Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Panamá – Falta de água está a dificultar a travessia do Canal

Devido à seca, o Canal do Panamá aplicou medidas de mitigação como a redução do número de trânsitos por dia de 38 para 32, e também foi implementada uma redução ordenada do calado, que caiu para 43 pés (13,11 metros), quando o máximo oferecido pela pista é de 50 pés (15,24 metros).


Consequências

  • Atolamentos e atrasos: Os tempos de espera de acordo com os barcos podem ser de 7 a 17 dias.
  • Na segunda-feira havia mais de 153 navios esperando para passar pelo Canal. Ao final desta terça-feira, foram contabilizadas 125 embarcações.
  • O Canal ampliou a condição de reserva, o que significa que dará mais vagas de reserva para amenizar o tempo de espera dos navios que já estão na fila e que não puderam fazer as suas reservas com antecedência.

Como estão os lagos:

O nível máximo do Lago Gatun é de 87,50 pés, que equivale a 26,67 metros, mas atualmente está em 79,61 pés, o que equivale a 24,27 metros.

No Lago Alhajuela a capacidade máxima é de 252 pés (76,8 metros) e atualmente está em 225,84 pés, ou seja, cerca de 68,84 metros.

Importância do Canal:

  • O Canal do Panamá conecta 180 rotas marítimas a 1920 portos em 170 países.
  • Aproximadamente 6% do comércio mundial anual passa por esta rota.
  • Os Estados Unidos e a China são os principais utilizadores do canal, sendo os Estados Unidos responsáveis ​​por quase 70% do tráfego.

Diminuição do rendimento:

A falta de água está a impactar o rendimento esperado do Canal no ano fiscal de 2024, com uma diminuição de cerca de 200 milhões de dólares e até 300 milhões de dólares.

Os níveis dos lagos artificiais que alimentam o canal são baixos devido ao prolongamento da estação seca.

Causas da situação:

A seca diminuiu a profundidade da água no canal e nas suas eclusas.

As restrições são resultado da escassez de água nas eclusas, que também abastecem a população.

Duração da seca:

A estação das chuvas trouxe apenas cerca de dois terços da precipitação habitual.

O Panamá passou por vários anos secos na última década, com dois dos cinco anos mais secos em 72 anos.

Medidas em curso:

Medidas de economia de água foram aplicadas desde janeiro. As restrições continuarão nos próximos meses, a menos que as condições meteorológicas mudem significativamente.

Impacto no comércio e na logística:

A situação está a afectar o comércio e a logística a nível mundial. Grandes cadeias logísticas estudam replanear as rotas caso a situação piore. Embora não seja uma crise grave, já se observam atrasos.

Impacto económico:

A falta de água está a suscitar preocupações sobre o aumento dos preços dos cereais e das matérias-primas.

Os preços do transporte entre a China e os Estados Unidos aumentaram até 36% devido à situação. Katiuska Hernández – Panamá in “Martes Financiero”


terça-feira, 31 de maio de 2022

A viagem dos veleiros portugueses na travessia histórica do Atlântico Sul


No ano em que o Brasil completa o bicentenário de sua independência, também é comemorado o centenário da primeira travessia do Atlântico Sul feita por hidroavião. Esse feito foi alcançado, em 1922, por dois oficiais da Marinha portuguesa, o Almirante Gago Coutinho e o Capitão de Mar e Guerra Sacadura Cabral.

O grupo de velejadores portugueses que decidiu repetir o percurso, visitando os mesmos pontos da expedição realizada há cem anos, partiu de Lisboa em 3 de abril, e já passou pelas Ilhas Canárias e Las Palmas, na Espanha, e Cabo Verde antes de chegar ao Brasil.

“A Expedição Lusitânia é uma iniciativa nossa, enquanto sociedade civil, para homenagear a epopeia desses homens, por meio da qual estamos fazendo, pelo mar, exatamente o mesmo trajeto, parando nos mesmos locais e procurando ser o mais fiel possível”, contou o Comandante português José Mesquita, no Brasil.

Em Pernambuco, a expedição passou pelo Arquipélago de São Pedro e São Paulo na quinta-feira do dia 12, e foi recebida pelo Navio-Patrulha (NPa) “Guaíba” e pelos residentes da estação científica das ilhas. O navio partiu da Base Naval de Natal (RN) para apoiar a equipe da estação e receber os velejadores, segundo a Marinha do Brasil.

Há cem anos, o arquipélago tornou-se parte importante do itinerário dos oficiais portugueses, pois, ao serem surpreendidos por condições climáticas adversas no caminho para Fernando de Noronha, sua aeronave foi avariada e tiveram que aguardar apoio no arquipélago brasileiro situado no meio do Oceano Atlântico.

O comandante José Mesquita relatou, em seu diário de bordo, como foi a experiência de chegar às ilhas. “Às 8h30 chegamos a São Pedro e São Paulo. Ver o Navio-Patrulha ‘Guaíba’ à nossa espera e a aproximação da frota ao navio foi um momento de extrema emoção. Depois, durante o dia, as emoções sucederam-se porque para além de nos terem reabastecido, o comandante do Guaíba veio a bordo do Anixa 2”.

De seguida, a expedição “Lusitânia”, composta por 13 pessoas em 6 veleiros, chegou dia 16 de maio no Arquipélago de Fernando de Noronha (PE), onde promoveu palestras sobre o centenário da travessia de Coutinho e Cabral e sobre a preservação dos oceanos.

No dia 18, o comandante do veleiro Anixa 2 ministrou palestra no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, como parte da Ação Cívico-Social (ACiSo) promovida pela Marinha do Brasil no arquipélago.


Mesquita declarou que além da recriação da travessia de Coutinho e Cabral, os seis veleiros carregam em seus cascos a mensagem “Salve os Oceanos – Salve a Humanidade”. “É uma mensagem de sensibilização ambiental para falar dos problemas gravíssimos que os Oceanos têm e das práticas de vida que os cidadãos têm que começar a adotar para termos um planeta no futuro para os nossos filhos e netos. Pelos lugares onde passamos, procuramos transmitir essa mensagem também por meio de palestras, como a que estamos realizando em Fernando de Noronha”, completa.

Após Fernando de Noronha, a expedição partiu para Recife (PE), e deve passar ainda em Salvador (BA) e Vitória (ES) antes de chegar ao seu destino final, o Rio de Janeiro (RJ).

Também no Recife, a Fundação Joaquim Nabuco e o Gabinete Português de Leitura de Pernambuco inauguraram a exposição “Travessia – 100 anos de uma epopeia nos céus do Atlântico Sul”, na última quinta-feira na sede do Gabinete, para marcar o feito.

Em 30 de março de 1922 deu-se início à primeira travessia aérea do Atlântico Sul, protagonizada pelo Almirante Gago Coutinho e pelo Comandante Sacadura Cabral a bordo do hidroavião Fairey III, batizado “Lusitânia”, tendo como destino final o Rio de Janeiro.

Foi uma viagem bastante atribulada, na qual foram utilizadas três aeronaves. Depois de percorridas 4527 milhas em 62 horas e 26 minutos sobre o Oceano, os heroicos oficiais foram recebidos em festa pela população do Rio de Janeiro, a 17 de junho de 1922. Mais sobre atividades comemorativas estão aquiIn “Mundo Lusíada” - Brasil




 

domingo, 25 de abril de 2021

Cabo Verde - São Vicente recorda os “aviadores” que há cem anos iam a caminho do Brasil

O hidroavião “Lusitânia”, de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, fez história em abril de 1922 ao ligar o Atlântico, mas a passagem dos “aviadores” por São Vicente permanece na memória daquela ilha cabo-verdiana, que prepara as comemorações do centenário


“Foi o primeiro voo que Cabo Verde recebeu”, começou por contar à Lusa o engenheiro civil cabo-verdiano Carlos Monteiro, responsável em São Vicente pelas comemorações do centenário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul, preparadas em conjunto com a associação Lusitânia 100, fundada em Portugal em 2013 com a finalidade de divulgar aquela viagem histórica.

No final do dia 05 de abril de 1922, o hidroavião Fairey III D Mkll – o primeiro de três usados naquela histórica travessia - amarou na baía do Mindelo, ilha de São Vicente, depois de uma viagem de 10 horas e 43 minutos para percorrer 1572 quilómetros, desde as Canárias, que tinham sido a primeira paragem após a saída de Belém, Lisboa, em 30 de março.

Aos comandos seguiam Gago Coutinho, experiente cartógrafo da Marinha, e Sacadura Cabral, piloto com larga experiência, conhecimentos complementares e tidos como decisivos para o sucesso da viagem.

“Vendo esse circuito, os quilómetros que foram feitos - no total cerca de 8300 -, a uma velocidade média de 143 quilómetros por hora, dá uma ideia das dificuldades”, recordou Carlos Monteiro.

Segundo os relatos da altura, os dois aviadores portugueses foram recebidos, triunfantes, pela população de São Vicente.

As autoridades municipais do Mindelo mandaram mesmo construir no local onde aportaram um padrão – destruído na década de 1980 e edificado outro cerca de dez anos depois – e a poucas dezenas de metros um obelisco numa praça, a que deram o nome de Gago Coutinho, o qual ficou conhecido como “O Pássaro”, ainda hoje ponto obrigatório de passagem de quem chega a São Vicente.

“Muita gente apareceu aqui para ver. Foi algo de extrema importância (…) Está na memória coletiva de São Vicente e de Cabo Verde em geral”, explicou, apontando ao local onde São Vicente entrou para a história da aviação.

Com o imponente obelisco de fundo, aquela área, junto à baía do Mindelo ficou mesmo conhecida como a “avenida dos aviadores”, tal foi a importância do feito dos dois, recebidos em 06 de abril de 1922 na Câmara Municipal da cidade, que se reuniu em sessão solene para os homenagear publicamente.

Em São Vicente, Gago Coutinho e Sacadura Cabral permaneceram mais de dez dias, em reparações do hidroavião "Lusitânia". A etapa seguinte foi curta, até à Praia, ilha de Santiago, e aconteceu em 17 de abril, com 315 quilómetros percorridos em pouco mais de duas horas. Pouco mais do dobro do tempo das ligações aéreas atuais, praticamente cem anos depois.

“O avião esteve cá, aportou nesta zona, e ainda tentaram ir a Santo Antão [ilha vizinha de São Vicente]. Foram de barco analisar e chegaram à conclusão que não. Foram para a Praia”, recordou Carlos Monteiro que, aos 65 anos, já reformado, se tornou num entusiasta desta aventura. A mesma que conheceu pela primeira vez, na escola, sem então lhe passar pela cabeça que estaria na organização do centenário da viagem, quase seis décadas depois.

“Não imaginava. De facto, na escola, estudei, como todos nós, e na altura já achava um feito interessante, um feito único, que acabou por levar Cabo Verde à história, ao pontapé de saída da aviação. E agora estou cá, deste lado, abraçando este projeto”, brincou.

O 99.º aniversário da chegada dos aviadores ao Mindelo já foi assinalado na cidade em 05 de abril - e na Praia em 17 de abril – com a colocação de uma coroa de flores com as cores das bandeiras dos quatro países ligados pela viagem (Portugal, Espanha, Cabo Verde e Brasil) junto ao padrão na baía.

Contudo, foi apenas o “pontapé de saída” para a preparação das comemorações do centenário, em abril de 2022.

“Estamos a congregar esforços para fazer algo conjunto, Portugal e Cabo Verde, logicamente envolvendo as Canárias, Espanha, e o Brasil (…) Em Cabo Verde queremos envolver a população, a ideia é desenvolver várias atividades, essencialmente ao nível do mar, dos desportos náuticos, alguns espetáculos e cultura”, explicou Carlos Monteiro, que foi diretor de aviação na vertente de abastecimento, pelo que sempre se teve o “bichinho” dos aviões.

No arquipélago, o programa das comemorações do centenário, no Mindelo e na Praia, foi batizado de “Cabo Verde: Os caminhos da História” e tem três vertentes: Educação, cultura e cidadania, envolvendo entidades públicas e privadas locais, incluindo conferências internacionais a dinamizar conjuntamente com as universidades cabo-verdianas.

Os dois aviadores deixaram a ilha de Santiago em 18 de abril de 1922 para a o troço mais longo da viagem. Levaram 11 horas e 21 minutos para percorrer os 1682 quilómetros até amarar no arquipélago de São Pedro e São Paulo, um conjunto de pequenos ilhéus rochosos do estado brasileiro de Pernambuco, mas ainda a quase 1000 quilómetros da costa continental.

Ali trocaram para o Fairey N.º 16, batizado de “Pátria”, mas este sofreu uma avaria no motor em 04 de maio, na viagem a caminho do arquipélago de Fernão de Noronha, e os aviadores foram forçados a amarar de emergência.

Já no terceiro hidroavião, o Fairey N.º 17, batizado "Santa Cruz", Gago Coutinho e Sacadura Cabral chegaram ao Rio de Janeiro em 17 de junho de 1922, o destino final.

“Teve grande impacto não só em termos de Portugal, mas também no mundo e logicamente em Cabo Verde (…) Acabou por nos introduzir no seio da aviação civil, teve uma grande importância para Cabo Verde”, reconheceu Carlos Monteiro. In “Expresso das Ilhas” – Cabo Verde com “Lusa”