Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Moçambique – Depois de gastar mais de 1 milhão de dólares em aluguer, LAM devolve “cargueiro” sem uso por falta de certificação

A LAM terá gastado mais de 71 milhões de Meticais com o aluguer de um avião de carga que nunca chegou a funcionar. A aeronave já foi devolvida ao país de origem por falta de certificação. O Instituto de Aviação Civil fala de incumprimento de requisitos para a certificação e diz que a Boeing não reconhece as alterações feitas no aparelho.



Com pompa e circunstância, a companhia de bandeira anunciou a chegada de um novo serviço: a LAM Cargo.

O único movimento que que o avião de carga proveniente da Indonésia fez na pista moçambicana foi no dia da sua inauguração.

E isto foi, precisamente, no dia 13 de Março de 2024, num evento de inauguração da aeronave orientado pelo então vice-ministro dos Transportes e Comunicações, Amilton Alissone.

A entrada deste serviço em funcionamento era quase uma certeza, porque a operação já tinha sido assumida como um sucesso. Havia, inclusive, detalhes de como a LAM Cargo funcionaria.

Por exemplo, a previsão era que o avião fizesse duas viagens por semana para todas as capitais provinciais, à excepção de Tete, para onde seria apenas uma.

Debalde! Era tudo um sonho, que esteve muito próximo da realidade. O avião de carga nunca realizou uma operação sequer! Ficou estacionado no recinto do Aeroporto Internacional de Maputo por um ano.

E, num comunicado desta terça-feira, 21 de Janeiro, a LAM anuncia a devolução do avião de carga.

“A LAM – Linhas Aéreas de Moçambique – comunica que a aeronave Boeing B737-300, adquirida para o transporte dedicado de carga foi retomada à procedência, pelo facto de não ter tido a certificação no território nacional”, lê-se no documento da LAM.

A companhia de bandeira esclarece, ainda, por quanto tempo o avião ficou no país.

“A aeronave em referência manteve-se em Moçambique desde 31 de Dezembro de 2023 e descolou do Aeroporto Internacional de Maputo no dia 18 de Janeiro de 2025, com destino a Jacarta, Indonésia”, detalhou a companhia de bandeira.

O “O País” sabe que a LAM pagava, mensalmente, 93 mil dólares por mês pelo aluguer da aeronave, o que corresponde a mais de cinco milhões de Meticais ao câmbio actual.

Isto significa que, num período de 12 meses, no qual o avião esteve em Moçambique, as Linhas Aéreas de Moçambique terão pagado mais de um milhão de dólares, o equivalente a mais de 71 milhões de Meticais, ao câmbio do dia.

Mas, afinal, o que terá inviabilizado o funcionamento do serviço de carga?

A aquisição desta aeronave, desde logo, não envolveu a autoridade reguladora da aviação civil.

“O avião saiu da Indonésia, voou para Moçambique com pilotos indonésios, matrícula da Indonésia e aterrou no país sem envolvimento da autoridade moçambicana. O único documento que eles submeteram aqui (no IACM) foi a reserva do registo. Quando o avião aterra no território nacional, é desregistado. Ficou, momentaneamente sem autoridade que regulasse”, revelou João de Abreu, PCA do Instituto de Aviação Civil de Moçambique

Como não podia ficar assim, o Instituto de Aviação Civil de Moçambique solicitou à LAM documentos para tratar da certificação do avião de carga.

Os requisitos solicitados pela autoridade reguladora da aviação civil não foram cumpridos. “Foi verificado que nem todos os documentos, que são necessários para este tipo de certificação, estavam completos. Portanto, quando nós devolvemos o dossier, há uma série de reuniões que explicamos e, até, colocamos a possibilidade de o operador, querendo, continuar a operar com a certificação do país de onde o avião veio, porque a nossa legislação permite. Então, este processo de vaivém de documentos é que fez este atraso, que fez com que o avião não pudesse voar, porque não estava registado em sítio nenhum”, explicou João de Abreu.

O avião, segundo o Instituto de Aviação Civil de Moçambique, era de passageiros e foi modificado para ser carga. O fabricante, a Boeing, não reconhece as alterações feitas.

“Neste processo de modificação de passageiro, o fabricante do avião não foi notificado porque, quando nós pedimos confirmação e manuais à Boeing, ela (a Boeing) só reconhecia aquele avião ainda como de passageiros. É necessário, sempre, que haja uma autoridade que certifique depois da modificação, que diga se o avião está em condições de voar ou não. Este é que é o problema que o nosso operador não conseguiu exibir o documento da autoridade que diga que depois da modificação uma certa autoridade certifica, dizendo que o aparelho está em condições”, detalhou o PCA do Instituto de Aviação Civil de Moçambique

A nossa equipa de reportagem soube que o avião teve avaria durante o regresso ao seu país e teve de pousar para reparação. Depois disso, seguiu viagem para a Indonésia. In “O País” - Moçambique


terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Moçambique – Linhas Aéreas de Moçambique deixam rota de Lisboa

A companhia Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) anunciou esta semana o fim da operação que ligava Maputo e Lisboa devido à pandemia do novo coronavírus


“O voo manteve-se até a data, conforme o programado, mas não foi estendido, devido à situação da pandemia da covid-19 na Europa e noutros países do mundo”, refere uma nota da LAM.

A operação, que era feita em parceria com a empresa portuguesa Hi Fly, foi reintroduzida em julho e tinha um prazo de seis meses, estando previsto que terminasse oficialmente no dia 15 de janeiro.

Um voo semanal, que estava a ser efetuado através de uma aeronave Airbus A330-300, partia às terças-feiras de Lisboa para Maputo, às 20h00 (hora local na partida) e outro às quartas-feiras, de Maputo para Lisboa, às 23h55 (hora local na partida).

O voo representava o regresso da companhia de bandeira moçambicana ao espaço europeu, após quase 10 anos, e era descrito como um percurso sustentável, colocando a LAM numa ‘nova rede’.

“Olhamos a inteligência de tráfego e notamos que, de longe, esta é a rota que tem mais passageiros. Não só entre Lisboa e Maputo, como também de Maputo para Lisboa e depois para a Europa ocidental”, afirmou, na altura do anúncio da operação, João Carlos Pó Jorge, diretor geral da companhia. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Moçambique – Linhas Aéreas de Moçambique retoma voos para Lisboa

As Linhas Aéreas de Moçambique, LAM, companhia de Bandeira, vai retomar os voos comerciais para a Europa, com a ligação Maputo-Lisboa, a partir de 25 de Agosto de corrente ano, anunciou a companhia.

Estes voos possibilitam a deslocação de pessoas entre Moçambique e Portugal, bem como Europa e resto do mundo. É importante ter atenção às políticas de fronteiras vigentes para a entrada em Moçambique e na União Europeia, devido à situação da pandemia, afirma o diretor-geral da LAM, João Carlos Pó Jorge, citado num comunicado enviado ao BANTU.

Segundo a LAM, os voos serão efetuados através de uma aeronave Airbus A330-300, com 278 lugares, e que, entre 25 de agosto e 30 de setembro, vai ligar as duas capitais duas vezes por semana: o trajeto Maputo-Lisboa às terças-feiras e Lisboa-Maputo às quartas-feiras.

O comunicado indica que o período de pouco mais de um mês definido para a realização dos voos poderá ser prologando.

O regresso da LAM ao espaço europeu, previsto inicialmente para 31 de março, foi adiada por três vezes devido às restrições impostas pelo novo coronavírus.

Em fevereiro deste ano, o diretor-geral da LAM disse que o regresso da companhia ao espaço europeu vai colocar a LAM num novo ‘network’, considerando que a rota será sustentável.

Olhamos a inteligência de tráfego e notamos que, de longe, esta é a rota que tem mais passageiros. Não só entre Lisboa e Maputo, como também de Maputo para Lisboa e depois para a Europa ocidental, afirmou, então, João Carlos Pó Jorge.

Na ocasião, a companhia indicou que o retorno da LAM ao espaço europeu seria feito em cooperação com a companhia aérea privada portuguesa Hi Fly, proprietária da aeronave, e com a qual foi acordado um período experimental de seis meses.

A última vez que a LAM voou para Portugal foi em 2011, ano em que Moçambique foi banido do espaço europeu. In “Zambeze Info” - Moçambique

domingo, 8 de março de 2020

Moçambique - Companhia Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) adia para Junho voos para Portugal

A companhia Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) adiou para 2 de Junho próximo o reinício dos voos para Lisboa, Portugal, depois de ter estado inicialmente programado para 31 de Março, anunciou em Maputo o director-geral da companhia.

O anúncio do reatamento dos voos que, numa primeira fase, obedecerão a uma frequência de três vezes por semana (segundas, quartas e sextas-feiras), foi feito pelo director-geral, João Carlos Pó Jorge, em conferência de imprensa havida na sede da companhia aérea, em Maputo, onde deu também pormenores do projecto transcontinental.

O director-geral disse ainda que os voos serão efectuados com um Airbus A330-200, com capacidade de 269 lugares (dos quais 251 na classe económica e 18 na classe executiva), estando o voo inaugural previsto para a noite de 2 de Junho, a partir de Lisboa, com a previsão de chegada a Maputo na manhã do dia seguinte.

Os voos serão realizados em parceria com a Hi Fly, uma companhia aérea portuguesa especializada no aluguer de aviões em regime de “wet lease”, em que o locador fornece o aparelho, tripulação, manutenção e seguro, pagando o locatário o número de horas operadas.

João Carlos Pó Jorge afirmou em Outubro de 2019 ter a companhia decidido retomar a ligação à capital portuguesa para “satisfazer um forte desejo de clientes amigos, incluindo a diáspora moçambicana em Portugal, que há muito aguardavam pelos nossos voos directos, facto que é confirmado por pesquisas de mercado.”

Este anúncio da LAM surge depois de ultrapassados os problemas que estiveram na origem da proibição da companhia aérea de voar no espaço aéreo da União Europeia, desde 2011, devido a “deficiências de segurança.” In “O Século de Joanesburgo” – África do Sul

segunda-feira, 11 de março de 2019

Moçambique - Primeira mulher comandante de avião quer inspirar outras



As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) celebraram pela primeira vez o dia 8 de março com uma mulher comandante, um feito raro no mundo e mais num país entre os piores nos índices de igualdade de gênero.

Com o leme entregue à piloto Admira António, de 29 anos, passou também a haver voos de Moçambique Express (Mex, subsidiária da LAM onde presta serviço) em que a tripulação é inteiramente feminina – pois já havia mulheres na posição de copiloto e assistente de bordo.

“Isto sempre foi o que quis ser, desde os oito anos”, conta Admira António à Lusa, a 11 mil metros de altitude, um sonho que nasceu desde que ouviu o irmão mais velho falar de pilotagem.

Foi por nunca ter desistido do sonho que Admira acredita ter conseguido vencer num mundo de homens e ter chegado a comandante, em 2018.

Nas nuvens, há duas realidades: quase 80% dos assistentes de bordo são do sexo feminino, mas apenas cinco por cento dos pilotos são mulheres e a proporção de postos femininos em posições técnicas ou de liderança na aviação é ainda menor.

Este foi o cenário descrito pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO, sigla inglesa) e pela Autoridade de Aviação Civil da África do Sul (SACAA, sigla inglesa) quando no último ano promoveram a primeira cimeira sobre gênero na aviação mundial, para promover a igualdade.

Admira António testemunha esta realidade: quando ascendeu ao patamar da aviação comercial na LAM, em 2012, só pilotava ao lado de homens, o que até encarou com naturalidade depois de ter crescido sempre “entre irmãos e primos”.

Mas ainda recorda episódios de preconceitos, como quando um formador a desculpou “por ser menina”, quando tentou corrigir uma resposta numa aula teórica – e lembra-se de como isso só lhe deu “mais força”.

“As atenções estão sempre sobre ti, como mulher. Querem ver se realmente sabes o que estás a fazer, porque razão chegaste ali e se alguém te facilitou” a tarefa, descreve, num percurso mais cerrado do que o dos homens para provar “a aptidão e o profissionalismo”.

Admira António fecha a porta do cockpit e liga o aviso de cintos de segurança para se iniciar a descida para Chimoio, centro de Moçambique, um voo regular de 70 minutos desde Maputo à frente de um Embraer 145 da Mex com capacidade para 50 passageiros.

Já no aeroporto, ao sair do avião, há quem se aperceba de ter viajado com uma tripulação totalmente feminina e as saúde em inglês: “São uma equipa poderosa”.

Mas, Nárcia Mateus, de 29 anos, assistente de bordo há oito, refere que também já houve passageiros a questionar o facto de só haver mulheres na tripulação.

A resposta é dada com o profissionalismo demonstrado, sublinha, tanto num avião como noutros aspetos da vida moçambicana: “Temos mulheres a ocupar cargos que antigamente eram só masculinos”, refere, contrariando índices que colocam o país entre os piores.

Está em 136.º lugar entre 160 no Índice de Desigualdade de Gênero medido pelas Nações Unidas, que combina saúde, participação no mundo laboral e acesso às oportunidades.

Moçambique é o país com a oitava maior taxa do mundo de partos na adolescência, com 135 nascimentos por cada mil mulheres entre os 15 e 19 anos, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.

Um total de 48% das mulheres, com idades entre 20 e 24 anos, casou quando tinha menos de 18 anos – é a nona pior taxa do mundo.

Os índices mostram que podia ter havido outra Admira António, que, por esta altura da vida, nunca teria sido comandante de avião.

“Foi uma das coisas que me fez dar muita atenção à escola e ao meu sonho: eu via que se esperava que uma mulher casasse muito cedo e formasse família e um lar” e “se o lar não estava bem, a culpa era dela”, descreve.

Estudou e completou a formação de piloto até onde a disponibilidade financeira da família permitiu, na África do Sul, onde cresceu, e depois candidatou-se a uma bolsa da LAM e Mex – bolsa que lhe foi atribuída, permitindo-lhe chegar ao lugar que ocupa neste momento.

Admira foi assim batizada perante o espanto do pai, que pela segunda vez teve gêmeos quando ela nasceu, mas hoje em dia o nome se adapta mais ao fato de somar admiradores.

É comum haver quem queira uma fotografia com “a comandante” e há jovens que lhe pedem conselhos nas redes sociais, um papel novo que Admira acarinha.

“Se tivesse uma pessoa, na minha altura, que me inspirasse, isso facilitaria muito a minha caminhada”, atrás de sonhos que hoje aconselha outras a seguirem, porque “muitas vezes as mulheres aceitam as coisas como elas são e não tentam lutar por aquilo que elas querem”.

A LAM tem 38 pilotos e três são mulheres, enquanto na tabela da subsidiária Mex há 18 nomes listados, seis do gênero feminino, destaca Tatiana Conceição, copiloto que regressa a Maputo ao lado de Admira.

Diz estar certa de que, com o exemplo dado, haverá mais comandantes na companhia e que outras mulheres tentarão ser piloto de aviação, desde que as oportunidades sejam divulgadas da mesma forma que outras profissões.

A bolsa de estudo que deu acesso à aviação comercial a Admira e Tatiana “não é divulgada como outras” junto das escolas, deixando passar a ideia de que ser piloto “é uma profissão de elite”, quando deve antes ser um sonho desde o ensino básico, acrescenta.

Com o avião estacionado, de volta a Maputo, Sónia Motumbene, assistente de bordo, de 26 anos, faz um resumo das operações: “É uma honra voar com uma comandante mulher. A profissão não tem nada a ver com o gênero”.

A tripulação de quatro mulheres deixa a aeronave para entrarem os homens da equipa de limpeza, que comentam entre eles: “Viste, eram só mulheres”. In “Mundo Lusíada” - Brasil