Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 8 de outubro de 2024

O romance dos desvalidos

Em nova obra, Ronaldo Costa Fernandes conta uma história de amor sem final feliz e reconstitui mais um episódio da rica história do Maranhão 

 

                                                          I

Depois de publicar Vieira no Maranhão (Rio de Janeiro, 7Letras, 2019) e Balaiada (Rio de Janeiro, 7Letras, 2021), ambos ambientados na época colonial no Maranhão, Ronaldo Costa Fernandes volta a exercitar o gênero romance histórico e retoma São Luís como cenário em O ano da revolta dos desvalidos (Rio de Janeiro, 7Letras, 2024), em que traça uma história de amor paternal por uma filha, em meio aos tempos turbulentos da revolta liderada por Manuel Bequimão contra o jugo português em 1685.

Como se sabe, em sua primeira experiência no gênero, Fernandes criou, com absoluto êxito, um gênero híbrido de crônica e romance, misturando história à ficção. Sem pretender o foro de biografia do padre António Vieira (1608-1697), esta obra procurou reconstituir a passagem de oito anos, de 1653 a 1661, do missionário pelo Maranhão, onde sua voz ecoou por várias vezes no púlpito das igrejas para condenar o regime de escravidão que os poderosos do local impunham aos indígenas. Nela, o autor tratou também de recuperar os embates que o religioso teve de enfrentar contra a elite local, os chamados homens-bons, ou seja, os proprietários de terras, que insistiam em fazer do Estado uma extensão de suas casas senhoriais, tal como ainda o fazem hoje muitos de seus pósteros.

Já em Balaiada, seu oitavo romance, procurou evocar uma revolta histórica por melhores condições de vida que envolveu escravos e outros segmentos oprimidos e eclodiu na província do Maranhão, entre os anos de 1838 e 1841, tendo sido um movimento eminentemente popular contra os grandes proprietários agrários da região. Recebeu esse nome devido ao apelido de uma das principais lideranças do movimento, Manoel Francisco dos Anjos Ferreira, o Balaio, que tinha esse apelido porque fazia cestos com as mãos.

Desta vez, com a mesma preocupação de resgatar a linguagem própria da época e fazer a reconstrução daquele tempo, o autor procura envolver o leitor numa trama de ficção com muitos elementos da realidade e da formação do povo maranhense. O principal personagem, o comerciante José Quirino é um dos revolucionários que seguiam Manuel Beckman (1630-1685), o Bequimão, filho de pai alemão e mãe portuguesa, que viera de Portugal para aventurar-se no Maranhão, tornando-se grande senhor de engenho, e que haveria de entrar em divergências com grandes proprietários locais e com os religiosos da Companhia de Jesus a respeito da escravização dos indígenas.

Quirino, porém, não é um colono só preocupado com vendas e números. Em Aveiro, onde nascera e se criara, cultivara algumas leituras e, em São Luís, tivera acesso à biblioteca dos jesuítas e às “palavras de Vieira sobre Sêneca e Klépero”, embora se mantivesse em silêncio para “não passar por esnobe para uns, soberbo para outros, desmiolado para muitos, perigoso para a guarda pretoriana do governador”. Sabe-se disso porque o romance é intercalado por anotações que teriam sido deixadas por Quirino.

  

                                                 II

A obra, porém, enfoca mais a luta de Quirino, que fora abandonado por Teodora, sua mulher, para dar à filha Maria um futuro promissor, já que ela seria moça pura e ingênua e que, hoje, provavelmente, haveria de ser rotulada como autista. Bela, “uma criança em corpo de mulher”, Maria se apaixona por Abelardo, filho de um comerciante como Quirino, mas os pais, em comum acordo, negam-se a autorizar o matrimônio, já que ambos teriam um desenvolvimento mental incompleto ou retardado, ou seja, seriam desvalidos, o termo mais usual à época.  Abelardo, filho de um latoeiro, segundo o próprio pai, não servia para nada, “apenas para caminhar pela cidade com as canecas, candeeiros e objetos de lata e flandres presos num pedaço de cabo de vassoura”, a vender bugigangas.

Apaixonados e revoltados com a intransigência dos pais, Maria e Abelardo fugiriam para as matas e nunca mais seriam encontrados. E a culpa por não ter permitido que os dois se casassem acaba por transformar a vida de Quirino, que, repudiado pela mulher que o chamava de “inútil”, viria a se afundar num estado de depressão que o levaria a embarcar, quatro anos depois, numa nau para o reino, onde tornar-se-ia padre inaciano.

Ficaria para trás uma vivência atribulada, em que cumpria votos de pobreza e andava pelas ruas de São Luís “vestido num camisolão, de barba grande e um cajado como um apóstolo dos tempos de milagre”. Retornaria ao mesmo convento em Lisboa onde fora seminarista e de onde partira para a colônia, sempre vivendo recluso e com medo de ser assolado pela “maldição de insanidade que acreditava ter perseguido sua família”.

Como já se pode ver por aqui, trata-se de uma narrativa rica e envolvente em que o autor, com rara habilidade estilística, conduz o leitor por uma época que prenunciava a separação da colônia americana, já que tem como pano de fundo uma revolta liderada por grandes proprietários de terra contra o estanco, o monopólio promovido pela Companhia Geral de Comércio do Maranhão, ou seja, “só se compra o que vem de Portugal e só se vende para a companhia”.

Uma rebelião que seria debelada com a chegada de Gomes Freire de Andrade (1636-1702), nomeado capitão-general e governador da capitania, com a condenação de Bequimão à morte por enforcamento. Embora a História considere essa uma revolta popular, fica claro que o que estava por trás, como na maioria das vezes, era o interesse das classes dominantes. E os pobres e os remediados, mais uma vez, teriam sido usados como massa de manobra.

 

                                                         III

Nascido em 1952 em São Luís, o maranhense Ronaldo Costa Fernandes é mestre em Literatura Hispano-americana pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutor em Literatura pela Universidade de Brasília. Deu aulas de literatura na Universidade de Notre Dame, em South Bend, Indiana/EUA, em 1977, e na Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante. Foi chefe do Setor de Arte e Cultura da Universidade Católica de Brasília de 1997 a 1998 e trabalhou na Secretaria Especial da Presidência da República em 1985.

Pertenceu ao quadro do Ministério da Cultura de 1980 a 2019. Foi coordenador da Fundação Nacional de Artes (Funarte), órgão ligado ao Ministério da Cultura, de 1995 a 2003. Cedido nesta época ao Senado, trabalhou no Conselho Editorial daquela Casa. Dirigiu, durante nove anos, o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. Foi, durante três anos e meio, professor-convidado de Literatura Brasileira na Universidade Central da Venezuela.

É membro desde 2005 da Academia Brasiliense de Letras, cadeira 18, cujo patrono é o poeta Cláudio Manuel da Costa (1729-1789). Recebeu, em 1996, a Medalha de La Ravardière, comenda da municipalidade da cidade de São Luís. Desde 2006, é membro da Academia Maranhense de Letras, tendo ocupado a vaga deixada pelo romancista Josué Montello (1917-2006), que foi presidente da Academia Brasileira de Letras (1994-1995). Ganhou os prêmios de Revelação de Autor da Associação Paulista de Críticos de Artes, Casa de las Américas e Guimarães Rosa.

Entre suas obras, estão os livros de poemas Estrangeiro (1997), Terratreme (1998), que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura da Fundação Cultural do Distrito Federal, Andarilho (2000), Eterno passageiro (2004), A máquina das mãos (2009), que ganhou o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras, Memória dos porcos (2012), O difícil exercício das cinzas (2014), Matadouro de vozes (2018), A invenção do passado (2022) e A trama do avesso (2024).

No gênero romance, lançou ainda João Rama (1979), Retratos falados (1984), O morto solidário (1998), Concerto para flauta e martelo (1997), O viúvo (2005) e Um homem é muito pouco (2010). Publicou também Manual de tortura (2007), contos, além de O narrador do romance (1996), O imaginário da cidade (2000), A ideologia do personagem brasileiro (2007) e A cidade na literatura (2016), todos no gênero ensaios. É autor das novelas O ladrão de cartas (1981) e Notícias del horto (1991). Adelto Gonçalves - Brasil

 

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O ano da revolta dos desvalidos, de Ronaldo Costa Fernandes. Rio de Janeiro, 7Letras, 138 páginas, R$ 65,00, 2024. E-mail: editora@7letras.com.br Site: www.7letras.com.br

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Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em terras d´el-rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os vira-latas da madrugada (José Olympio Editora, 1981; Letra Selvagem, 2015) e O reino, a colônia e o poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para Kenneth Maxwell on the Global Trends (Londres, Robbin Laird, 2024), lançado na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

 

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Brasil - Projeto da ONU procura preservar a floresta amazónica no Maranhão

O estado brasileiro com maiores índices de pobreza e insegurança alimentar recebe investimento para dar apoio a comunidades tradicionais e pequenos produtores. O projeto deve cobrir aproximadamente 72% da floresta amazónica do estado sob ameaça de desmatamento e degradação


O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU, IFAD, e o Governo do Maranhão, no nordeste do Brasil, assinaram um acordo de financiamento para a implementação do Projeto de Gestão Sustentável da Amazónia.

Segundo o IFAD, o projeto abordará a degradação ambiental arraigada da floresta amazónica no estado brasileiro com os maiores índices de pobreza e insegurança alimentar.

Comunidades e pequenos agricultores

O diretor do IFAD no Brasil, Claus Reiner, afirma que no Maranhão, assim como em outras partes do Brasil, pobreza, insegurança alimentar e degradação ambiental estão profundamente interligadas.

Ele explica que a iniciativa procura fornecer aos pequenos agricultores e comunidades tradicionais ferramentas que permitam melhorar a sua situação socioeconómica sem ter que recorrer ao esgotamento dos seus recursos naturais.

Para o representante do IFAD, desenvolvimento e bem-estar a longo prazo só são possíveis por meio do uso sustentável da natureza.

Agricultores familiares, povos indígenas e outras comunidades tradicionais da floresta amazónica maranhense estão entre as populações mais pobres do Brasil.

Segundo dados divulgados pelo fundo, o estado do Maranhão tem a maior proporção de pessoas vivendo na pobreza no Brasil, chegando a 53%. Outros 20% estão em extrema pobreza.

Além disso, é o estado com o índice de insegurança alimentar mais crítico, afetando cerca de 60% dos domicílios.

Semiárido nordestino

O projeto será a primeira intervenção de desenvolvimento rural financiada pelo IFAD no Brasil que vai além do semiárido nordestino, conhecido como sertão.

No entanto, basear-se-á na experiência do fundo em agroflorestas de pequena escala e investimentos em infraestrutura de acesso à água nessa área.

A área do projeto compreende três regiões do Estado do Maranhão: Amazonas, Gurupí e Pindaré, e abrange as terras indígenas de Arariboia, chegando a 58755 km² e incluindo 37 municípios.

O alcance do projeto deve cobrir aproximadamente 72% da floresta amazónica do estado que, de acordo com o IFAD, é uma região que está sob constante ameaça de desmatamento e degradação por extração ilegal de madeira e exploração para agricultura em grande escala.

Como resultado, a iniciativa deve reduzir as emissões de gases de efeito estufa em aproximadamente 6 milhões de toneladas de CO2.

Financiamento

O custo total do projeto é de US$ 37 milhões, dos quais o IFAD contribuirá com uma doação de US$ 17 milhões, fornecida pelo Governo da Alemanha por meio do Programa de Adaptação Aprimorada para Agricultura de Pequenos Produtores.

O Governo do Maranhão contribuirá com R$ 16 milhões, e os beneficiários farão contribuições em espécie de R$ 4 milhões.

O projeto tem como alvo as populações mais pobres e vulneráveis da Amazónia brasileira e deve beneficiar aproximadamente 80 mil pessoas em zonas rurais, das quais pelo menos 50% são mulheres e 25% são jovens.

Quase 15% pertencem a comunidades indígenas e outras comunidades tradicionais, como quilombolas e catadores de coco babaçu.

O IFAD explica que o projeto aplicará uma estratégia integrada que engloba quatro elementos: manejo florestal sustentável, produção e comercialização de produtos florestais não-madeireiros, investir em infraestrutura básica de água e melhorar as capacidades das famílias e das autoridades estaduais em garantir o acesso das populações rurais à proteção social pública e aos programas de melhoria da produção. ONU News – Nações Unidas


sábado, 19 de junho de 2021

Brasil – Capital do Maranhão, São Luís, passa a ter Semana de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas


A capital do Maranhão, São Luís vai passar a ter oficialmente a “Semana de Portugal, de Camões, e das Comunidades Portuguesas”.

A Lei Municipal 6902/2021, originária do projeto de lei de autoria do Vereador Dr Gutemberg, foi sancionada pelo Prefeito Eduardo Braide, que é também luso-descendente, na última semana.

De acordo com o Conselho da Comunidade Luso Brasileira do Maranhão, foi incluído no calendário municipal a Semana de Portugal, Camões, e das Comunidades Portuguesas, a ser comemorado na semana do 10 Junho.

“A semana de que se trata a presente lei tem como objetivo homenagear e dar reconhecimento à contribuição de todos os imigrantes portugueses que se estabeleceram na cidade de São Luís, e seus dependentes, por sua participação na formação e desenvolvimento da cidade” informa o documento em que o prefeito sanciona a referida lei do município.

O poder executivo fica autorizado a promover os eventos alusivos a data, como seminários, palestras, feira cultural, envolvendo a Secretaria da Educação e Cultura.

No último dia 10, o prefeito Braide participou da entrega de requalificação da Praça Portugal. “Todos os presentes agradeceram o prefeito Eduardo Braide, pelo apoio e pela realização do projeto que visa homenagear a comunidade portuguesa, que tanto já fez e faz pelo nosso povo” divulgou o vereador Gutemberg. In “Mundo Lusíada” - Brasil


 

sábado, 24 de agosto de 2019

Os anos do padre Vieira no Maranhão

                                                            I
Depois de produzir um romance, O viúvo (Brasília, LGE Editora, 2005), que foi classificado por este crítico como “uma das poucas obras-primas do romance brasileiro deste início de século XXI”, o romancista, poeta e ensaísta Ronaldo Costa Fernandes (1952) acaba de mostrar que sua forja continua bem acesa, ao lançar, desta vez, Vieira na ilha do Maranhão (Rio de Janeiro, 7Letras, 2019), que constitui um tentativa exitosa de criar um gênero híbrido de crônica e romance, misturando história à ficção, como bem observou o contista Alexandre Arbex na apresentação que escreveu para este livro.

Sem pretender o foro de biografia do padre António Vieira (1608-1697), a obra procura reconstituir a passagem de oito anos, de 1653 a 1661, do missionário pelo Maranhão, onde sua voz ecoou por várias vezes no púlpito das igrejas para condenar o regime de escravidão a que os poderosos do local impunham aos indígenas. Trata também de recuperar os embates que o religioso teve de enfrentar contra a elite local, os chamados homens-bons, ou seja, os proprietários de terras que insistiam em fazer do Estado uma extensão de suas casas senhoriais, tal como ainda o fazem hoje muitos de seus descendentes.

Talvez porque carregasse em suas veias um pouco de sangue africano, pois seu pai, Cristóvão, de origem alentejana, saíra das entranhas da filha de uma mulata ou africana, Vieira sempre haveria de defender os perseguidos, inclusive, os judeus, o que lhe causaria muitas perseguições, especialmente em Portugal. Já a mãe de Vieira era uma lisboeta de quatro costados, embora não fosse oriunda de família rica.

Cristóvão, escrivão da Inquisição, mudou-se para o Brasil em 1614, para assumir cargo de escrivão em Salvador, na Bahia, mandando vir em 1618 a família, que incluía António e mais três filhos. Na Bahia, António iniciou seus estudos no Colégio dos Jesuítas de Salvador, ingressando na Companhia de Jesus como noviço em 1623, prosseguindo os seus estudos em Teologia, Lógica, Metafísica e Matemática.

A partir de 1627, passou a atuar como professor de Retórica em Olinda, retornando a Salvador para completar seus estudos, onde em 1634 seria ordenando sacerdote. Nesta época, já era conhecido pelos seus primeiros sermões, tendo fama de notável pregador. Em 1638, foi nomeado como professor de teologia do Colégio Jesuíta de Salvador.

Após a restauração da independência de Portugal em 1640, regressou a Lisboa iniciando uma carreira diplomática, pois integrava a missão que ia ao Reino prestar obediência ao novo monarca. A partir de então, começou a criar fama como pregador em razão da eloquência e firmeza com que fazia seus sermões. Por outro lado, suas pregações começaram a lhe causar dissabores, o que contribuiu para retornar à América portuguesa, desta vez estabelecendo-se no Maranhão em 1653, ano em que proferiu o famoso Sermão da Primeira Dominga de Quaresma com o qual tentou convencer os senhores de engenho a libertarem os seus escravos indígenas.

                                                 II
É a partir daqui que Costa Fernandes procura recuperar o que foi a estada de Vieira no Maranhão, criando outras personagens que gravitavam em torno do grande catequizador, como o mouro Omar Zaher, homem de dois metros de altura, que sonhava escrever um dicionário universal e vivia cercado de alfarrábios de outras línguas europeias; o holandês Johannes van Basselar, que trocara a civilização europeia pelo amor de uma indígena, chegando ao exagero de participar da atividade canibalista da nação nheengaíba; e o padeiro Bento, preso por atentar contra a vida do fidalgo Nogueira de Almeida, a quem considerava um curupira, acusando-o de ter “vomitado” a peste da bexiga negra no povo do Maranhão.

Outra personagem inolvidável é o sapateiro José Manuel Gordilho, casado com uma índia juruna, que era acusado de ter muita leitura e criar “profecias que só Vieira dava conta de entender em versos maltrapilhos e desencontrados”. O sapateiro era pai de Luzia, moça que tinha uma cabeça descomunal que não parava de crescer e inchar ainda que estivesse confinada num elmo de ferro.

Por esta amostra das personagens, o leitor pode estar certo de que vai encontrar neste livro uma narrativa pouco usual, multifacetada e polifônica, que se destaca por uma dicção peculiar, que procura reconstruir o português falado no século XVII, aproveitando também a linguagem que se lê nos sermões e cartas da personagem principal, o padre António Vieira, como se percebe no trecho abaixo:

(...) Os mais jovens, impetuosos, arrebanhados pela ideia mística, nunca ouviram palavras tão belas e deformantes. Um mundo de espetáculo onde em vez de circo ouvem-se apenas os saltos e malabares da palavra. E Vieira agora abusa de sua oratória e em tom mais grave e alto sentencia: “No Maranhão não é necessário ao demônio tanta bolsa para comprar todas as almas: não é necessário oferecer reinos, não é necessário oferecer cidades, nem vilas, nem aldeias. Basta acenar o diabo com um tujupar de pindoba e dois tapuias; e logo está adorado com ambos os joelhos. Oh que feira tão barata.”

Os colonos mais pobres assentiam com a cabeça, horrorizados com o poder do diabo. Os fidalgos bufavam, inquietos no banco incomodante. A maioria, contudo, ouvia certa música celestial onde não havia mais que a voz de Vieira.

Eis aqui um texto marcado por um tom satírico da primeira à última linha, numa linguagem que percorre ao mesmo tempo a História de Portugal e do Brasil e deixa à vista sua dimensão trágica que nos chega até hoje através de personagens que em sua pequenez não diferem muito daqueles de quatro séculos atrás. Levantando e recriando histórias, mitos e mistérios a partir de apurada pesquisa, esta obra oferece ao leitor uma oportunidade única para se conhecer um Brasil que parece surreal, mas que não difere, em muitos aspectos, daquele em que vivemos.

                                                III
Nascido em 1952 em São Luís, o maranhense Ronaldo Costa Fernandes é mestre em Literatura Hispano-americana pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutor em Literatura pela Universidade de Brasília. Deu aulas de literatura na Universidade Notre Dame (1977) e na Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante. Foi chefe do Setor de Arte e Cultura da Universidade Católica de Brasília de 1997 a 1998 e trabalhou na Secretaria Especial da Presidência da República em 1985.

Pertence ao quadro do Ministério da Cultura desde 1980. Foi coordenador da Fundação Nacional de Artes (Funarte), órgão ligado ao Ministério da Cultura, de 1995 a 2003. Cedido nesta época ao Senado Federal, trabalhou no Conselho Editorial da Casa. Dirigiu, durante nove anos, o Centro de Estudos Brasileiros da Embaixada do Brasil em Caracas. Foi, durante três anos e meio, professor-convidado de Literatura Brasileira na Universidade Central da Venezuela.

É membro desde 2005 da Academia Brasiliense de Letras, cadeira XVIII, cujo patrono é o poeta Cláudio Manuel da Costa (1729-1789). Recebeu, em 1996, a Medalha La Ravardière, comenda da municipalidade da cidade de São Luís. Desde 2006, é membro da Academia Maranhense de Letras. Ganhou os prêmios de Revelação de Autor da Associação Paulista de Críticos de Artes, Casa de las Américas e Guimarães Rosa.

Entre suas obras, estão os livros de poemas Estrangeiro (1997), Terratreme (1998), que recebeu o Prêmio Bolsa de Literatura da Fundação Cultural do Distrito Federal, Andarilho (2000), Eterno passageiro (2004) e A máquina das mãos (2009), que ganhou o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Em 2007, lançou Manual de Tortura (2007), contos, e A Ideologia do personagem brasileiro (2007), ensaio.

Em 2010, lançou o romance Um homem é muito pouco e, em 2012, Memória dos porcos. Em 2014, publicou O difícil exercício das cinzas, seguido pelo livro de ensaios A cidade na literatura (2016). Em 2018, publicou Matadouro de vozes, conjunto de poemas que mescla “um tom filosófico com quase imperceptíveis – à primeira vista – apelos políticos e sociais incrustados nas entrelinhas de versos harmoniosos entre si”, segundo definição do crítico José Neres, em resenha publicada no jornal Correio do Estado, de Campo Grande-MS, em 7/5/2019. Adelto Gonçalves - Brasil


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Vieira na ilha do Maranhão, de Ronaldo Costa Fernandes. Rio de Janeiro: Editora 7Letras, 2019, 218 páginas. E-mail: editora@7letras.com.br   Site: www.7letras.com.br
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Adelto Gonçalves, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015) e Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

terça-feira, 21 de maio de 2019

Brasil - Transporte por trem ajuda no crescimento do Porto do Itaqui – Maranhão


No primeiro quadrimestre deste ano, o Porto do Itaqui exportou mais de 2,5 milhões de toneladas de grãos na somatória dos embarques da VLI (839 mil toneladas) e do Tegram (1,7 milhão de toneladas). Desse total, cerca de 80% foram recebidas pela ferrovia. A VLI recebe pela via férrea a totalidade da carga de grãos que opera no Itaqui e o Tegram saltou de 46% no ano passado para 67% nos primeiros quatro meses de 2019, com expectativa de chegar aos 80% quando concluída a segunda fase.

Atualmente o modal ferroviário responde por 55% da movimentação total de cargas no porto público do Maranhão e essa faixa vem crescendo a cada ano, principalmente nas operações de granéis sólidos e líquidos. Além dos grãos operados pela VLI, todas as operações de cobre e celulose utilizam a ferrovia, bem como parte da distribuição de combustíveis.

Diversas expansões e novos negócios para desenvolvimento do Maranhão a partir do Porto do Itaqui precisarão de integração ferroviária. “Por isso estamos estudando a implementação de peras ferroviárias para aumentar a produtividade e a capacidade de atendimento aos clientes atuais e futuros que necessitam de interligação com o Itaqui”, afirma o presidente do Porto do Itaqui, Ted Lago.

A revisão do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto do Itaqui contempla a possibilidade de desenvolver três soluções de peras ferroviárias (pátio em formato de pera que possibilita o transbordo da carga sem a necessidade de desmembrar o trem, proporcionando agilidade e segurança). Com a expansão da Norte-Sul a tendência é de aumento significativo dos volumes de cargas, motivo pelo qual a viabilização de pera ferroviária no Porto do Itaqui se torna mais estratégica a cada dia.

A concessão do tramo central da Ferrovia Norte-Sul, referente a um trecho de 1.537 km que vai de Porto Nacional, no Tocantins, a Estrela d’Oeste, em São Paulo, foi definida em leilão realizado pelo Governo Federal em março deste ano. A ferrovia é um dos principais projetos para escoamento da produção agrícola do país e os investimentos da empresa Rumo (Grupo Cosa), vencedora do leilão, devem chegar a R$ 2,7 bilhões.

O transporte ferroviário é o mais recomendado para commodities e cargas que precisam ser transportadas em grandes volumes por longas distâncias. E a conexão ferroviária, especialmente com a Estrada de Ferro Carajás interligada à Norte-Sul, é uma das principais vantagens competitivas do Porto do Itaqui em relação aos demais portos da região e do país. Além de econômico o trem é mais sustentável e reduz o impacto sobre as rodovias.

Operadores ampliam investimentos no Itaqui

A instalação de terminais de granéis líquidos (derivados de petróleo e outros), de granéis sólidos (Tegram e terminais de cobre e de fertilizantes) e as exportações de celulose no Itaqui foram viabilizadas em razão de uma conexão ferroviária eficiente. “Esse fator está associado à confiança do investidor privado na EMAP – Empresa Maranhense de Administração Portuária e às demais vantagens do porto, como localização geográfica estratégica para os principais mercados mundiais”, explica Ted Lago.

Nos primeiros quatro meses deste ano o Tegram embarcou 1,7 milhão de toneladas de grãos pelo Itaqui, um aumento de 22% se comparado ao mesmo período do ano passado. Desse total, 67% da carga movimentada foi recebida pelo modal ferroviário (composições ferroviárias de 80 vagões). Se o ritmo de crescimento for mantido, considerando as obras de implantação da segunda fase que estão em andamento, o terminal deve operar com um volume ainda maior recebido pelo modal ferroviário.

Segundo a gestão do terminal, esse modal agrega um valor considerável nas operações, dada a capacidade de recebimento do Tegram (cada trem descarrega em média 7.500 toneladas de grãos). Entre as vantagens do aumento de volume de carga recebida pela ferrovia está a redução na ociosidade do ativo e o incremento nos volumes de embarque.

O gerente geral do Corredor Centro-Norte da VLI, Fabiano Rezende, informa que a companhia está investindo R$ 9 bilhões para estruturar um sistema de logística integrada que conecta terminais, ferrovias e portos. “O objetivo é oferecer ao mercado eficiência nas operações e capacidade”, destaca.

“Para que os grãos alcancem o Porto do Itaqui operamos mais de 700 quilômetros do tramo norte da Norte-Sul (entre Porto Nacional-TO e Açailândia-MA) e estamos conectados à Estrada de Ferro Carajás formando um importante elo entre as áreas produtoras e o mercado externo”, explica Rezende.

Entre os estados de Tocantins e Maranhão a VLI investiu mais de R$ 1,7 bi (dois terminais integradores, ampliação da frota de vagões e locomotivas, construção do acesso ferroviário ao porto etc). Desse modo foi possibilitada a criação de uma rota para suportar a demandada nova fronteira agrícola do Brasil, que inclui o leste e nordeste do Mato Grosso, Maranhão, Tocantins, Pará, Piauí e Bahia.

Fertilizantes

Em 2020 deve ficar pronto o novo terminal de fertilizantes que está sendo construído pela COPI no Porto do Itaqui. Em 2018 foram movimentadas 1,9 milhão de toneladas (recorde histórico) e a expectativa é seguir crescendo. Com a nova estrutura a expectativa é de que o volume movimentado chegue a 3,5 milhões de toneladas.

“Para atingir essa marca temos de entrar na nova fronteira, chegando ao norte do Tocantins, nordeste do Mato Grosso e sudeste do Pará”, explica o presidente da COPI, Carlos Roberto Frisoli. “Saindo de trem do Itaqui até Pameirante (TO) levamos três dias e depois aproveitamos os caminhões que chegam para descarregar soja. Assim reduzimos o frete marítimo, percorremos distâncias menores de caminhão e o produtor tem um custo final menor”, resume.

Essa logística permite que indústrias de fertilizante se instalem ao longo da ferrovia, o que deve proporcionar mais agilidade e uma oferta maior de produtos. “Desenvolvemos uma parceria com a VLI para alcançar a região central do Brasil a partir do Porto do Itaqui e o sucesso dessa empreitada depende também do trabalho conjunto com a EMAP. Acredito que podemos inverter a logística de fertilizante do país pelo Porto do Itaqui”, diz. In “Folha Nobre” - Brasil

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Brasil – Porto do Itaqui continua a impulsionar o Maranhão

Com ampliação e modernização, além do recorde na movimentação de grãos no primeiro semestre de 2017, o Porto do Itaqui vem gerando resultados que aceleram o desenvolvimento do Maranhão.

Os recursos destinados ao Porto do Itaqui até o ano de 2020 totalizam R$ 1,5 bilhão, incluindo reinvestimentos dos lucros da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), recursos federais e de empresas da iniciativa privada que operam no local.

Boa parte desses investimentos já está em andamento. É o caso da terraplenagem de nova área para armazenagem de combustíveis no Porto do Itaqui, investimento privado que totaliza R$ 242 milhões. A previsão é de aumento de 30% da capacidade de movimentação de granéis líquidos.

Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o Porto do Itaqui é o principal centro de consolidação de distribuição de carga de granéis líquidos para o país. Além da nova área para armazenagem, há outros cinco projetos em fase de prospecção na área de instalação de tancagem.

Outros projetos importantes para o desenvolvimento do estado envolvem a construção do terminal de granel sólido e a construção do terminal de papel e celulose, já em andamento. Juntas, as obras totalizam R$ 553,5 milhões, equivalentes a 36,5% dos investimentos totais no porto.

“O Projeto da obra de instalação do terminal de celulose já passou por consulta pública e está em análise no TCU. Nossa projeção é que até o primeiro trimestre do ano que vem seja feita a licitação pública por meio de leilão. São investimentos de R$ 270 milhões”, diz o presidente da Emap, Ted Lago.

Ele revela ainda o avanço de um importante projeto: “Está em andamento na Comissão de Licitação a construção de um berço próprio. Será um berço de carga geral, preparado para receber carregadores de navios, grãos e outras cargas. Um berço misto”. A estimativa para a construção é de 36 meses, sendo uma das maiores obras com recursos públicos do Maranhão. “Em agosto ou setembro devemos colocar o edital na praça, com investimentos entre R$150 e R$ 160 milhões.”

Mais riqueza para o Maranhão

A Emap passou a usar os próprios lucros para reinvestir em melhorias de infraestrutura do Porto. “O governador Flávio Dino determinou que investíssemos recursos próprios da empresa para essas melhorias no porto, já que os recursos públicos devem ser destinados à saúde, educação, segurança pública. Essa estratégia permitiu que os lucros da Emap fossem utilizados para atrair mais investimentos. Para se ter uma ideia, hoje, praticamente um terço da arrecadação de ICMS passa pelo Porto do Itaqui”, diz Ted Lago.

É o recolhimento de tributos como o ICMS que permite investimentos do governo em obras e políticas públicas. Com os recursos oriundos desses tributos, os impactos da crise no Maranhão foram atenuados em relação a outros estados, protegendo empregos e garantindo investimentos para os que mais precisam.

Agregando valor

Além dos bons resultados na movimentação de grãos, que colocaram o Porto do Itaqui com crescimento à frente de outros grandes portos brasileiros, a Emap trabalha para agregar valor à rica vocação maranhense para a produção de grãos.

“Há uma cadeia produtiva muito importante em torno da produção de grãos, A movimentação envolve também seus subsídios, fertilizantes e combustíveis. Há uma relação direta entre esses três produtos; e trabalhamos para agregar novas oportunidades de negócios em torno desses componentes”, explica o presidente da Emap.

Exemplo dos resultados dessa estratégia é a assinatura de um estudo que a Emap assinou em parceria com Cooperação Andina de Fomento (CAF) para integração da MA-006, uma das principais vias de escoamento da produção de grãos do Estado. “Hoje temos o transporte de 60% da produção de grãos feito por ferrovias, o que é ótimo, mas ainda temos regiões próximas ao Porto que precisam ser feitas por meio de caminhões. Esse estudo de integração logística da rodovia é um passo importante para recuperação da MA- 006”, finaliza Ted Lago. In “O 4º Poder” - Brasil

quarta-feira, 30 de março de 2016

Brasil - Porto do Itaqui impulsiona desenvolvimento econômico do Maranhão

          Foto: Handson Chagas/SECAP
Durante apresentação institucional dos resultados da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) em janeiro deste ano, o presidente da estatal, Ted lago, divulgou um dado comparativo que representa a guinada do Porto do Itaqui como indutor de desenvolvimento do Maranhão: o lucro líquido esperado em 2015 era de apenas R$ 307 mil, segundo projeções feitas em 2014. A projeção modesta se transformou em lucro real de R$ 68 milhões ao final de 2015.

A explicação para a grande diferença entre o lucro esperado e os lucros reais alcançados pelo Porto do Itaqui em 2015, foi o direcionamento que o Porto passou a ter no projeto de integração das cadeias geradoras de desenvolvimento econômico. O Itaqui opera, atualmente, dentro da centralidade estratégica de desenvolvimento do Estado.

Um exemplo dessa integração foi a entrega de 15km de pavimentação de trecho urbano da MA-006, por onde escoa grande parte da produção de grãos Maranhão. Graças a essa obra, a produção de soja no Sul do estado passou a chegar com mais facilidade ao porto e de lá para os mercados consumidores. Com a pavimentação do trecho, mais de 50% de toda a produção de soja do Maranhão agora chega com mais facilidade ao Porto do Itaqui.

O presidente da Associação de Produtores de Soja e Milho do Maranhão, Isaías Soltadelli, explica que com a recuperação do trecho da MA e a ampliação dos terminais de grãos no Porto do Itaqui, haverá aquecimento de vários setores da economia. “Agora podemos escoar milho e soja usando caminhões que percorrerão a rodovia até o Itaqui, isso vai gerar uma cadeia de atividades econômicas, com ampliação do setor de serviços, gerando oportunidades e melhorando a produtividade ”, avaliou.

Além dos investimentos em infraestrutura rodoviária para escoamento da produção maranhense, o Governo do Estado investiu na modernização do Porto atuando em duas frentes: investimentos públicos e privados.

“A capacidade recuperada de investimentos da Emap, com recursos oriundos da operação portuária, mostra que o Porto do Itaqui é autenticamente uma ferramenta de desenvolvimento do nosso Estado, porque essas obras geram emprego, renda e oportunidades para milhares de pessoas,” disse o governador Flávio Dino, ao anunciar as obras de reforma e ampliação dos terminais delegados, tanto da Ponta da Espera, quanto do Cujupe, num total de investimentos de R$ 300 milhões oriundos das receitas da própria Emap.

No campo dos investimentos privados, a ação do Maranhão é vista como exemplo para outros portos brasileiros, uma vez que o governo busca fortalecer sua posição no Matopiba, região formada por áreas situadas nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Para a Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC), a movimentação recorde de cargas em 2015, está relacionada à entrada em operação do Tegram, Terminal de Grãos Privado, inaugurado pela presidenta Dilma Rousseff e pelo governador Flávio Dino em agosto do ano passado.

Segundo a ABBTC, apenas o Tegram deve superar já em 2016 a movimentação recorde de 2015, elevando de 3,4 milhões de toneladas para até 4,5 milhões de toneladas escoadas em 2016.

Outro paradigma que coloca o Porto do Itaqui na linha estratégica do desenvolvimento estadual é o seu crescente potencial para a entrada de mercadorias que podem ser processadas no Maranhão e gerar riqueza. In “Porto do Itaqui” - Brasil

Porto em números:

Crescimento de 21% em movimentações de cargas durante 2015 com recorde histórico de 21,8 milhões de toneladas;
Investimentos de no valor de R$ 1,35 bilhão até 2017;
Grau de satisfação dos clientes do Porto atingiu a marca de 75,93%, 11% a mais em relação ao ano anterior;
Expectativa de lucros para 2015 saltou de R$ 307 mil para R$ 68 milhões;
Mais de 100 mil passageiros embarcaram nos terminais de Ponta da Espera e Cujupe, somente no período carnavalesco de 2016.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Brasil – Maranhão mostra potencialidades a empresários chineses

Uma delegação de empresários chineses retornou ao Maranhão na passada sexta-feira, 04 de março de 2016, para encontro com o governador Flávio Dino. Em visita ao Palácio dos Leões, a comitiva dialogou com o chefe do executivo estadual e parte do secretariado estadual. No encontro, foram alinhados investimentos no estado em setores como energia, siderurgia e tecnologia.

“Nós recebemos a comitiva chinesa novamente em nosso estado e apresentamos a eles os nossos atributos econômicos e o nosso potencial produtivo, além de instrumentos estratégicos como o Porto do Itaqui. Estamos construindo relações internacionais cordiais com o mercado chinês e prospectando investimentos”, disse o governador Flávio Dino. O diálogo com os chineses segue a tendência nacional de bom relacionamento e fomento à ambiência de negócios com os países em desenvolvimento do BRIC, que envolve o Brasil, Rússia, Índia e China.

Segundo o CEO da empresa CBSTEEL, Zhang Shengsheng, a ideia é incorporar o Maranhão aos mercados de potencial negociação e reforçar laços e parcerias. “Estamos interessados em executar projetos que tenham significados não somente para o desenvolvimento econômico e social do Maranhão como também para a CBSTEEL, com horizontes brilhantes”, afirmou. Na visita, os investidores chineses receberam lembranças típicas do Maranhão e presentearam o governador Flávio Dino com uma peça esculpida em jade. “Para nós, isso significa prosperidade no mundo financeiro, saúde e força”, explicou Shengsheng.

Para o secretário estadual de Indústria e Comércio, Simplício Araújo, a conjuntura para negociações no estado tem se tornado cada vez mais favorável. “O trabalho que o governador Flávio Dino vem desenvolvendo na conjuntura econômica do estado, com as cadeias produtivas e alinhando um novo ambiente de negócios aqui dentro do estado tem atraído investidores nacionais e também investidores estrangeiros, como foi o caso dessa delegação. É a terceira vez que eles vêm ao Maranhão e estamos afinando os diálogos para possível instalação de empreendimento no estado”, comentou Simplício.

Relações diplomáticas

A aproximação entre o Maranhão e o mercado chinês teve início no primeiro mês de gestão, com visita do governador à embaixada chinesa. Em maio, novas conversações foram mantidas em incursão do primeiro ministro da China, Li Keqiang, ao Brasil. No mês seguinte, o secretário de Programas Especiais do Maranhão, Felipe de Holanda, iniciou uma série de reuniões com diversos segmentos empresariais da China, e tem mantido um canal estreito de diálogo com representantes do país oriental. In “Porto do Itaqui” - Brasil

sábado, 17 de janeiro de 2015

Brasil – Maranhão, o novo tempo que se inicia

Em tempos em que governadores aprovam pensões vitalícias para eles próprios, usam helicópteros e jatinhos para viagens particulares periódicas, aumentam seus salários e nomeiam assessores e motoristas que os servirão pelo resto da vida, dá um pingo de esperança ver o que o novo governador do Maranhão está fazendo.

Eleito em outubro de 2014 com uma grande vitória sobre a família Sarney, Flávio Dino mal tomou posse e já anunciou medidas que impressionam. Medidas simples, mas que têm o potencial de levar aquele estado tão castigado por anos de patrimonialismo para um novo patamar econômico, político e social.

Em seu discurso de posse o primeiro governador comunista da história do Brasil listou 17 ações que já começaram a ser implementadas.

Apontando para uma gestão educacional mais democrática, o governador anunciou em seu discurso de posse que a partir de agora todas as escolas da rede pública estadual terão seus diretores escolhidos através de eleições diretas com a participação de estudantes, professores e funcionários.

Através do Decreto 30620 será instituído o Programa Escola Digna que eliminará as insalubres escolas de taipa e de palha que vergonhosamente ainda existem no Maranhão. Ainda sob a perspectiva educacional o governador encaminhou para a Assembleia Legislativa o projeto de lei que cria o Programa Mais Bolsa Família Escola. Esse programa visa oferecer recursos anuais para os materiais didáticos das crianças que recebem atualmente o Bolsa Família.

São conhecidas as relações das velhas oligarquias rurais com os latifúndios improdutivos e o poder político. Conhecedor profundo e admirador de Victor Nunes Leal (ver o livro Coronelismo, enxada e voto) Dino não deixou esse tema passar batido. Não à toa entre suas primeiras ações está a Medida Provisória 187 que cria a Secretaria de Agricultura Familiar para fomentar uma nova, rica e democrática produção agrícola no estado.

Outra secretaria a ser criada é a Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular. Essa secretaria será a responsável pelo orçamento participativo, ou seja, pela consulta popular sobre o destino do orçamento estadual, bem como pelos conselhos temáticos de políticas públicas. Ela assumirá, por exemplo, o “Pacto pelo IDH” que cuidará do desenvolvimento humano e social de todas as cidades do estado.

A democratização da mídia é outra prioridade do governador. Entre suas ações prometidas está o fortalecimento da rádio pública (Rádio Timbira) que estava sendo sucateada nos últimos anos, a redistribuição das verbas de publicidade para desconcentrar o oligopólio midiático e a expansão da rede de internet de Banda Larga que hoje alcança apenas 10% da população do estado.

Há também as mudanças simbólicas que visam enterrar de vez o patrimonialismo naquele estado. É o caso do Decreto 30611 a partir do qual será vendida a “Casa de Veraneio do Governador”, bem como o Decreto 30618 que proíbe os nomes de pessoas vivas em logradouros e prédios públicos.

Fosse vivo, o economista marxista maranhense Ignácio Rangel estaria orgulhoso de assistir ao que ocorre hoje em seu estado. Não viveu para ver, mas suas ideias estão aí influenciando diretamente Flávio Dino.

Claro, serão quatro anos difíceis ante as pretensões colossais do novo governador. Depois de 50 anos de permanência no poder da família Sarney, a cultura patrimonialista incrustou-se por todo o aparelho público do estado e não deixará de existir de um dia para o outro. É por essa razão que Dino precisa de todo o apoio da sociedade civil brasileira para levar esse desafio adiante. Pois o futuro do Maranhão é o futuro do Brasil. Theófilo Rodrigues – Brasil in “O cafezinho”