Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 24 de novembro de 2021

China - Cientistas propõem colocação de asas para acelerar comboios de alta velocidade

Um estudo científico chinês propôs adicionar cinco pares de asas a cada vagão dos comboios de alta velocidade do país para reduzir o seu peso e aumentar a velocidade em 28,6%, segundo um jornal de Hong Kong. De acordo com o South China Morning Post, o estudo, parte do projecto oficial CR450, que visa aumentar a velocidade dos comboios actuais, constatou que o acrescento de pequenas asas pode gerar sustentação suficiente para reduzir o seu peso em um terço, aumentando a velocidade para 450 quilómetros por hora.

Os comboios tradicionais de alta velocidade chineses atingem actualmente 350 quilómetros por hora. Engenheiros japoneses tiveram uma ideia semelhante na década de 1980, mas esta foi descartada porque as asas eram muito grandes e tornavam impossível que os comboios circulassem nas linhas ferroviárias e túneis existentes.

No entanto, os cientistas chineses optaram por colocar asas menores no teto dos comboios, em vez de nas laterais, segundo o South China Morning Post. De acordo com os cientistas, que publicaram o seu estudo na revista científica Acta Aerodynamica Sinica, a ideia é um “avanço no campo da aerodinâmica dos comboios de alta velocidade que reduzirá custos e energia”, embora eles alertem que velocidades maiores podem reduzir “a vida útil das rodas e que as asas teriam que ser instaladas e cuidadosamente projectadas”.

Com 37,9 mil quilómetros de extensão, a malha ferroviária de alta velocidade da China compõe mais de dois terços do total do mundo. A primeira linha chinesa de alta velocidade – um troço de 117 quilómetros entre Pequim e Tianjin – começou a funcionar em 2008, quando a capital chinesa organizou os Jogos Olímpicos, 28 anos depois do nascimento do TGV francês. In “Ponto Final” - Macau

 

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Macau - Tem uma das bandas largas mais rápidas do mundo, Portugal em 34.º, Brasil em 68.º

Com 128,56 Mbps, a RAEM está no top 10 das velocidades de banda larga mais rápidas do mundo, à frente de países ou regiões como o Reino Unido, Japão, Estados Unidos ou Hong Kong. Portugal, com uma velocidade de 63,03 Mbps, quedou-se pela 34.ª posição e a China, a passo de caracol com 2,06 Mbps, ocupa a 206.ª posição. Os resultados foram tornados públicos pela Cable.co.uk.


Muitos se queixam da velocidade da Internet em Macau, mas afinal o território é bafejado com uma das mais rápidas bandas largas do mundo. Com 128,56 Mbps, a RAEM ocupa a sétima posição de um ranking de 224 países ou regiões, tornado público pela  Cable.co.uk.

O território só é batido por Jersey, Liechtenstein, Islândia, Andorra, Gibraltar e Mónaco, todos territórios pequenos e todos situados na Europa. O top 10 é ainda composto pelo Luxemburgo, pelos Países Baixos e pela Hungria. Singapura, outra região asiática, surge na 11.ª posição com uma velocidade de banda larga na ordem dos 97,61 Mbps.

Para a obtenção desta média, em Macau efectuaram-se 2005 testes a IPs únicos, num total de 6972 testes. A título de exemplo, o download de um filme de 5Gb dura, em média, no território cinco minutos e dezanove segundos.

Estranhamente ou não, países altamente desenvolvidos ou em franco desenvolvimento possuem bandas largas de Internet com valores que podem ser considerados baixos. Os Estados Unidos da América, por exemplo, apresentam uma velocidade de banda larga na ordem dos 92,52 Mbps. Já o Japão, que ocupa a 13.ª posição do ranking, tem uma banda larga que debita 96,36 Mbps. O Reino Unido, na 43.ª posição, tem uma banda larga com velocidade de 51,48 Mbps. Isto para dar alguns exemplos.


Na esfera da lusofonia, o país ou região com melhor banda larga, se não contarmos com Macau, é Portugal, que ocupa a 34.ª posição do ranking com velocidades de banda larga na ordem dos 63,02 Mbps. Em terras lusas, descarregar um filme com 5Gb pode demorar quase 11 minutos. O Brasil, 68.º lugar, é o país que se segue com uma banda larga a velocidades de 33,34 Mbps, o que significa que o tal filme de 5Gb demorará mais de 20 minutos a ser descarregado.

Cabo Verde, em 149.º lugar com velocidade de banda larga de 7,94 Mbps; Moçambique, a ocupar a 158.ª posição com 7,17 Mbps; Angola no lugar 172 e com velocidades de 5,88 Mbps; São Tomé e Príncipe em 204.º lugar com 2,43 Mbps; Timor-Leste na 219.ª posição e com uma velocidade de 1,33 Mbps; Guiné Equatorial, 220.º com 1,30 Mbps são os restantes países lusófonos, cujo ranking de falantes de português encerra com a Guiné-Bissau, a pior Internet da lusofonia, na posição 221 e com uma banda larga de 1,24 Mbps.

China muitos furos abaixo

Na Grande China, depois de Macau, surge Hong Kong na 15.ª posição mundial e com uma velocidade de banda larga de 91,04 Mbps. Taiwan muito mais abaixo, na 49.ª posição e uma banda larga com velocidades na ordem dos 46,43 Mbps. A República Popular da China, na 209.ª posição com 2,06 Mbps. Foram testados 25052 IPs únicos e um total de mais de um milhão e meio de testes foram feitos na rede chinesa continental. Aqui ao lado, descarregar um filme de 5Gb pode demorar mais de cinco horas. Recorde-se que o domínio e controlo estatal da Internet no Império do Meio pode também explicar as velocidades de navegação tão baixas.

Os países da África do Norte colectivamente tiveram a velocidade média mais baixa em todo o mundo, de 5,68 Mbps, com as nações da Europa ocidental colectivamente a ter uma velocidade média mais rápida regionalmente, de 90,56 Mbps. A velocidade média global da banda larga é de 29,79 Mbps, 20% acima dos 24,83 Mbps em 2020. O pior país é o Turquemenistão com uma banda larga com velocidades de 0,50 Mbps, onde um filme com 5Gb pode durar quase um dia a ser descarregado para ser visualizado.

A Cable.co.ok executou mais de 1,1 mil milhões de testes de velocidade em todo o mundo, tendo testado quase 250 milhões de testes a IPs únicos. Em média mundial, um filme com 5Gb demora uma hora e 43 minutos a ser descarregado. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”

goncalolobopinheiro.pontofinal@gmail.com




sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Brasil - Velocidade das ferrovias brasileiras está mais baixa do que em 2001

Dados da ANTT mostram que, de 2001 a 2016, a velocidade dos trens caiu entre 5% e 76%; há casos em que as locomotivas circulam a menos de 10 km/h; falta de investimentos e aumento da carga em alguns trechos estão entre as explicações



A velocidade das ferrovias brasileiras caiu tanto nos últimos anos que hoje um maratonista olímpico conseguiria superar os trens que circulam em vários trechos da malha nacional. Em alguns casos, as locomotivas e vagões andam, em média, a menos de dez quilômetros por hora (km/h) – número menor que os indicadores de 2001, quando as estatísticas começaram a ser levantadas. A melhor marca nacional, em torno de 27 km/h, está bem abaixo da registrada nos Estados Unidos, por exemplo, onde os trens circulam a 45 km/h.

Privatizadas há 20 anos e prestes a terem os contratos renovados antecipadamente, essas estradas de ferro enfrentam uma série de gargalos, que atrapalham a produtividade do transporte nacional – hoje altamente dependente das rodovias. A origem do problema tem várias vertentes. Começa com a morosidade e a incapacidade do governo de resolver conflitos de sua competência no setor; passa pela falta de investimentos adequados nas vias; e termina na saturação de alguns trechos, com o aumento de carga movimentada.

O resultado se reflete na curva de velocidade. Dados do Anuário Estatístico da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostram que de 2001 até 2016, a queda da velocidade dos trens variou de 5% e 76%. Apenas uma – a MRS – conseguiu melhorar o indicador.

Nesse período de 16 anos, muita coisa aconteceu no setor. Em meados dos anos 2000, depois de investimentos pesados em locomotivas e vagões e algumas melhorias na via, as empresas conseguiram melhorar a velocidade, mas a partir de 2010 os números entraram num movimento de declínio. “De modo geral, não há um fator que explique a queda de todas as ferrovias. Cada uma tem sua especificidade”, explica o presidente da consultoria Inter.B, Claudio Frischtak.

Ele usa como exemplo o caso da Estrada de Ferro Carajás que passou por uma grande obra de duplicação, o que pode ter influenciado na velocidade. Considerada uma das mais eficientes do País, a ferrovia tinha velocidade média de 24,07 km/h em 2016 ante 33 km/h em 2001. A Vale, empresa que administra a estrada, afirma que a queda foi decorrente do aumento da produção, que significa maior quantidade de trens ao longo da linha férrea.

Frischtak cita também a situação da ALL. A empresa, que detinha a maior malha ferroviária do País, foi comprada em 2012 pelo grupo Cosan e passou a se chamar Rumo. De lá para cá, a nova proprietária da malha ferroviária conseguiu alguns avanços na velocidade, mas em 2016 voltou a cair. Comparados a 2001, todos os trechos da empresa registraram queda.

A Rumo afirma que composições mais compridas e vagões com maior capacidade de carga passaram a ser usados após a compra. Desde então já foram investidos R$ 1,8 bilhão na aquisição de 150 locomotivas e de 2,7 mil vagões. “Com trens maiores e mais pesados circulando pela malha, a velocidade naturalmente diminuiu”, afirma a empresa, em nota.

Eficiência. As concessionárias não gostam de relacionar velocidade à produtividade, embora especialistas afirmem que esse é um indicador de eficiência. “Temos uma malha centenária com declives e aclives, que limitam a operação; nem com os melhores materiais (trens e vagões) se consegue melhorar a velocidade”, afirma o diretor executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Fernando Simões Paes. Na avaliação dele, uma das principais explicações para a redução da velocidade é o aumento do volume transportado.

Ninguém nega que houve melhoras no sistema ferroviário desde a privatização. Um número maior de empresas passou a ser atendido pelos trilhos, que hoje respondem por 25% da matriz de transporte – participação considerada baixa. Mas especialistas entendem que muita coisa precisa mudar para que as ferrovias ganhem mais participação na matriz nacional.

O governo entende que para compreender melhor as causas da queda na velocidade precisa fazer um estudo aprofundado, o que ainda não está nos planos da ANTT, que fiscaliza o setor. O superintendente do órgão, Alexandre Porto, afirma que a velocidade é resultado de um conjunto de fatores, como a qualidade da via e o aumento do tráfego. Além disso, o crescimento desordenado das grandes cidades espremeu as ferrovias, o que tem impacto na velocidade. “Toda a malha nacional, construída num período de baixa urbanização, tem muitas passagens de nível (para permitir que carros e pessoas atravessem os trilhos)”, afirma o professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende.

Renovação. O superintendente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alexandre Porto, afirma que a renovação das concessões de ferrovias deve corrigir algumas falhas dos contratos anteriores. Além de estabelecer níveis de qualidade de serviço, a expectativa é ter multas mais razoáveis, caso o concessionário não cumpra as obrigações.

Hoje, dizem especialistas, as multas baixas não estimulam o cumprimento do contrato. Além disso, os novos contratos devem prever investimentos bilionários exatamente para eliminar esses gargalos.

“A solução para o problema da baixa velocidade dos trens são investimentos em contornos ferroviários”, afirma o professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende. Segundo ele, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tentou reduzir o problema incluindo alguns projetos, mas foi pouco diante dos gargalos. Porto cita como exemplo os contornos de Araraquara (SP) e Barra Mansa (RJ) como investimentos feitos para melhorar a operação.

Há ainda, segundo Resende, uma questão técnica, que é o tamanho da bitola (largura entre um trilho e outro) de 1 metro e 1,6 metro. Isso exige locomotivas de tamanhos diferentes. Algumas ferrovias têm um terceiro trilho para resolver o problema. “Mas há situações em que isso não resolve, pois os túneis não foram preparados para isso. Ou seja, não cabe uma locomotiva maior.” Reneé Pereira – Brasil in “Estadão”