Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 11 de agosto de 2020

As relações de poder no reino das falcatruas

Novo livro de Adelto Gonçalves revela subterrâneos da capitania de São Paulo no governo Lorena


                
Um escândalo: o caso das arcas que ao serem abertas diante do rei continham chumbo no lugar de ouro.  Um profano: o frei capuchino que usava o dinheiro das esmolas para levar confortável vida de senhor de escravos. Uma caçada: a perseguição aos irmãos Leme, aos quais o governo atribuía uma lista de crimes em Cuiabá e Itu. Uma amante: Lorena era filho dos Távora ou fruto de um envolvimento adúltero do rei?

Fascinantes histórias de conflitos, perseguições e falcatruas percorrem os subterrâneos, mas vem à tona em cada capítulo de O Reino, a Colônia e o Poder – O governo de Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imprensa Oficial do Governo do Estado de São Paulo (Imesp), 2019) graças à astúcia investigativa de quem já frequentou as principais redações de jornais de São Paulo, como o escritor Adelto Gonçalves.

O aguçado faro de repórter se completa por meio do texto leve e elucidativo, e assim Adelto Gonçalves consegue romper com os padrões e clichês adotados por outros historiadores ao montar um curioso painel sobre as relações de poder e suas influências – oficiais, extraoficiais e clandestinas – de um período do colonialismo que representou a consolidação de São Paulo como cidade e de Cuiabá como vila.

A construção da Calçada do Lorena, estrada que ligava São Paulo a Santos por um trecho da Serra do Mar, é a marca principal do governo de dom Bernardo José Maria da Silveira e Lorena. Mas o livro vai muito além das edificações e estratégias para permitir que São Paulo ficasse mais próxima da Coroa, driblando a interferência econômica e política do Rio de Janeiro – ao reunir episódios do recorte de nove anos do governo Lorena em São Paulo.

Lorena foi o mais jovem capitão-general a governar a capitania de São Paulo: tinha 32 anos ao desembarcar e tomar posse em julho de 1788. Seria filho de Nuno Gaspar de Távora, irmão do marquês de Távora, e de sua segunda mulher e cunhada, dona Maria Inácia da Silveira. É o que diz seu assento de batismo, lavrado em Lisboa, segundo o autor. Faria parte da primeira nobreza portuguesa com ascendentes em uma das mais distintas famílias da França, os Lorena. Pelo menos era essa a informação oficial porque sempre correram rumores de que seria filho adulterino do rei dom José I com sua amante, a marquesa Teresa de Távora e Lorena, esposa do jovem marquês dom Luís Bernardo de Távora.

Pesquisa profunda

Baseado em primorosa documentação histórica, o autor desvela as raízes da corrupção e malversação do dinheiro público no Brasil em uma situação análoga aos tempos atuais de um País que parece condenado a viver preso ao passado tortuoso da Colônia e à cultura da propina, do suborno e da barganha.

Nesse aspecto, há o risco de vermos a corrupção como fruto exclusivo da política, conforme alerta o sociólogo Jessé de Souza em A elite do atraso (2017). “A população (...) foi convencida de que existe corrupção apenas na política – essa é a corrupção dos tolos – e não enxerga a corrupção real, a corrupção no mercado, o problema central, que é a manutenção de uma sociedade desigual”, afirma.

A capitania passou nas mãos de antecessores pouco confiáveis antes da chegada de Lorena. Um deles foi Antônio da Silva Caldeira Pimentel, um dos raros governadores coloniais que se transferiram para o Brasil com a família, conforme revela o autor. Pimentel chegou em 1727 e um ano depois já estourava o escândalo que apressaria sua queda. “Em Lisboa, quando as autoridades metropolitanas, à frente de dom João V, abriram arcas recém-chegadas do Brasil com 7 arrobas de ouro dos quintos reais, descobriram, estupefatas, que ali só havia chumbo”. Obra de Pimentel e seus protegidos, entre eles Sebastião Fernandes do Rego, definido pelo historiador Afonso de Taunay como “aventureiro da pior espécie”.

O ouvidor-geral da comarca de São Paulo, desembargador Francisco Galvão da Fonseca, abriu a devassa para apurar os nomes dos responsáveis pelo descaminho. Logo as suspeitas pairaram sobre homens de confiança do governador Pimentel, conforme descreve o escritor. “Mas a corrupção era praga tão disseminada por todo o corpo do Estado que o primeiro a cair foi o próprio ouvidor-geral Fonseca, suspenso de suas funções e preso por ordem do juiz do Fisco do Rio de Janeiro. Era acusado de numerosas falcatruas”, conta Adelto Gonçalves.

O juiz de fora da vila de Santos, Bernardo do Vale, assumiu as investigações e concluiu que o autor do delito havia sido Sebastião Fernandes do Rego, provedor da Casa de Fundição no governo Caldeira Pimentel e provedor dos quintos (impostos) no tempo do governador Rodrigo César de Meneses. Surgiram denúncias de que Rego sempre levava duas oitavas de ouro de quem pagava os quintos, “dizendo que era pelo seu trabalho”.

Vale concluiria ainda que o governador Pimentel protegia o provedor da Casa de Fundição. Rego foi acusado de fazer grandes negócios com sonegadores e de marcar e fundir ouro fora da Casa de Fundição. Na tentativa de denunciar o governador, João Leite Ortiz viajou para Portugal, mas no navio teria sido envenenado por um padre, “verdadeiro bandido, coberto de crimes praticados em Mato Grosso”, conforme relatou o historiador Taunay.

No livro, Adelto Gonçalves refuta o conceito da historiografia tradicional de que a capitania de São Paulo estava isolada em relação às demais regiões da América portuguesa e despovoada naquela época, em torno de 1748. Hoje esse conceito está sendo revisto, segundo o autor. São Paulo não dispunha de uma economia pautada na grande lavoura e na monocultura escravista, tampouco na extração mineral, mas teve participação decisiva em direção ao Oeste e à descoberta das minas de ouro ao final do século XVII, além de ocupar uma estratégica posição no entroncamento de importantes circuitos regionais, terrestres e fluviais, o que pesou decisivamente no desenvolvimento da capitania.

Sobre o autor

Adelto Gonçalves, 68 anos, é jornalista desde 1972, com passagens pelos jornais Cidade de Santos, do grupo Folhas, A Tribuna, de Santos, O Estado de S. Paulo (Estadão) e Folha da Tarde, além das editoras Abril e Globo.

Doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana pela USP, é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1999), Bocage, o Perfil Perdido (Lisboa, Editora Caminho, 2003), Mariela Morta, contos (Ourinhos-SP, Complemento, 1977), Os Vira-latas da Madrugada, romance (Rio de Janeiro, José Olympio, 1981; Taubaté-SP, Editora Letra Selvagem, 2015), Barcelona Brasileira, romance (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2003), Fernando Pessoa: a Voz de Deus, artigos e ensaios (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Tomás Antônio Gonzaga, estudo biográfico-crítico (Rio de Janeiro/São Paulo, ABL/Imesp, 2012); e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial – 1709-1822, ensaio histórico (São Paulo, Imesp, 2015).

Ganhou os prêmios Assis Chateaubriand de 1987 e Aníbal Freire de 1994 da Academia Brasileira de Letras. Em 2013-14, com bolsa da Universidade Paulista (Unip), desenvolveu o projeto que resultou no livro O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo - 1788-1797. Nelson Urt - Brasil

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O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797, de Adelto Gonçalves, com prefácio de Kenneth Maxwell, apresentação de Carlos Guilherme Mota e fotos de Luiz Nascimento. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 408 páginas, R$ 70,00, 2019. Site: www.imprensaoficial.com.br

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Nelson Urt é jornalista e historiador, mestre em Estudos Fronteiriços pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), autor do blog Nave Pantanal e editor de livros cartoneros. E-mail: nelsonurt@gmail.com

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Nelson Urt: do jornalismo à ficção

                                                        


                                                          I
Depois de uma carreira de três décadas em grandes veículos de comunicação de São Paulo, como O Estado de S.Paulo, revista Placar (Editora Abril),  Diário Popular e ESPN Brasil, entre outros, o jornalista Nelson Urt, 65 anos, voltou em 2004 para a sua Ladário natal, antigo distrito e hoje cidade vizinha a Corumbá, no Pantanal do Estado do Mato Grosso do Sul, onde continuou a exercer sua profissão nas redações do Diário Corumbaense e do Correio de Corumbá e como autônomo, além de dedicar-se aos estudos acadêmicos na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

A par disso, em fevereiro de 2019, decidiu criar uma editora, a Maria Preta Cartonera, pela qual acaba de lançar Amor e Morte em Tempos de Chumbo, que reúne um conto inédito e crônicas, além de poesias e artigos escritos ao longo dos últimos dez anos. Juntamente com o livro de Urt, a Maria Preta Cartonera lançou Paixão e Morte no Bordel, com contos dos jornalistas e historiadores Luiz Fernando Licetti, Silas de Almeida e Nelson Urt.

O mergulho de Urt na ficção, porém, não deixa de ser um retrato bem acabado de uma realidade vivida por jornalistas e outros intelectuais, de modo geral, na cidade de São Paulo nos anos 60 e 70, durante os tempos de chumbo provocados pelo regime militar (1964-1985). Com um texto enxuto e pacientemente elaborado de quem dedicou os seus melhores anos à escrita de reportagens na área esportiva, o jornalista, agora ficcionista, reconstitui no conto que dá título ao livro as peripécias de Marcus, uma espécie de alter ego, fotógrafo do Diário da Noite, periódico do empresário Assis Chateaubriand (1892-1968), dono do conglomerado Diários Associados, magnata das comunicações entre o final de 1930 e o começo da década de 1960.

À época da história recuperada por Urt, Chateaubriand, advogado e membro da Academia Brasileira de Letras, já havia desaparecido e seu império jornalístico começava a desabar para dar lugar a outro, o do empresário Roberto Marinho (1904-2003), dono do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, e da Rede Globo de Televisão. Nas ruas, o que respirava eram tempos de angústia, com perseguição aos inimigos do regime, como o jornalista Juca, chefe de reportagem da revista Placar, formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), que fora detido, pois acusado de pertencer a um movimento de esquerda. Juca, o amigo de Marcus, por pouco não teria tido o destino do jornalista Vladimir Herzog (1937-1975), diretor de jornalismo da TV Cultura, emissora estatal do governo de São Paulo, que seria torturado até à morte nas dependências do órgão de repressão.

“Outros suspeitos de subversão sentiram na pele os horrores dos métodos dos torturadores, que aplicavam choque elétrico, queimavam o corpo com ponta de cigarro, davam bofetões no rosto e expunham a vítima aos limites da resistência afogando-a em baldes d´água”, descreve o autor, reconstituindo os passos do fotógrafo Marcus, agora também preocupado com a sua amiga Rosana, igualmente jornalista e perseguida política, com quem costumava dançar na pista do Bar Avenida, no centro da capital paulista, ao som de blues e jazz. Descendente de ucranianos, RosaYushchenko, porém, teria melhor sorte: conseguiria embarcar para Londres, onde reconstituiria a vida longe de Marcus, mas com uma lembrança inesquecível e palpável, o filho que nasceria daquela relação fortuita.

                                                           II
Entre as crônicas, uma que se destaca é “Na solidão das ruas, o Natal de Rosinha”, em que Urt reconstitui a vida de uma moradora de rua, que sobrevive do lixo que sobra da sociedade de consumo, o que mostra a preocupação do autor com os excluídos. Aliás, o próprio autor confessa sua fixação “em perseguir incansavelmente a contestação, a controvérsia e a reconstrução da história, tentando quebrar paradigmas, tabus e preconceitos”, como observa na crônica que encerra o livro, “Dez anos de jornalismo, história e literatura”. Por isso, para definir o autor e suas peças literárias, nada melhor que as suas próprias palavras: “(...) Busco publicar aquilo que eleve a alma e defenda a dignidade do ser humano, e que possa contribuir para um mundo melhor e mais justo”.

Essa preocupação se vê no olhar terno e, ao mesmo tempo, revoltado com que o jornalista e agora ficcionista dirige aos poucos indígenas que não foram dizimados pela civilização ocidental e ainda habitam as terras do Pantanal, dos quais procura recuperar suas histórias. “Fico feliz quando converso com Dona Dalva, o cacique Severo e outros guatós que, vindos da aldeia Uberaba, ancoram o barco no porto de Corumbá”, confessa, lembrando ainda que os bairros negros de Corumbá, como Saroba, ainda escondem verdades sobre a escravidão na região, mas que “aos poucos vão saindo da escuridão e ganhando as páginas dos livros”, graças à leitura das poesias de Lobivar Matos (1915-1947) e de Benedito C. G. Lima (1949), “poeta da resistência”, jornalista, historiador, trovador e fundador do movimento negro em Corumbá, autores que hoje são objeto de estudo do jornalista/acadêmico.

                                               III
Criada por Nelson Urt em Ladário, a Maria Preta Cartonera Editora foi inspirada nos projetos de livros artesanais com capa de papelão (daí a origem  castelhana do nome cartón), criados a partir de 2002 como uma saída para a grave crise editorial na Argentina e que se propagaram mundialmente como literatura underground (ou subterrânea), especialmente na Espanha, México, Bolívia, Chile e Peru.

Segundo o material de divulgação preparado por Jota Etcheverria, da Navepress, em Mato Grosso do Sul, o maior representante desse tipo de literatura autônoma, que sobrevive fora dos grandes mercados livreiros, é Douglas Diegues, autor de poesias escritas em “portunhol selvagem” e criador de Yiyi Jabo Cartonera, em Ponta Porã-MS. No Brasil, segundo Etcheverria, a Vento Norte Cartonero, de Santa Maria-RS, é uma das referências nesta linha literária que tem por objetivo despertar o gosto pelo livro e pela leitura entre as grandes massas, facilitando o acesso às obras literárias por meio de oficinas e rodas de conversa nas escolas. 

Como conta Urt na apresentação que fez para o seu livro, a fonte inspiradora para o nome da editora artesanal foi uma catadora de lixo que vive nas ruas de Corumbá com um lenço branco na cabeça, sem documento, sem nome e sobrenome. É conhecida como Maria Preta. Ao tentar entrevistá-la, Urt diz que recebeu apenas um sorriso doce e silencioso, como o de uma criança, que nunca mais conseguiu esquecer. Diz que, certa vez, o dono de uma empresa de lixo reciclável lhe contou que nunca havia comprado nada de Maria Preta, mesmo porque o que ela colhe não seria para vender. Lembra ainda que nunca os funcionários especializados em população de rua conseguiram atraí-la para passar uma noite no centro de acolhimento e que, por isso, seu cadastro continua incompleto.

Segundo Urt, Maria Preta gosta mesmo é da solidão das ruas, “onde seu corpo curvado espalha a ternura dos que nada devem, nada temem, nada perdem”. E conclui: “É o eterno caminhar para o nada, que podemos interpretar como um caminho espiritual. Ou pura poesia”. Por isso, o jornalista resolveu dar o nome pelo qual aquela figura popular é conhecida à editora cartonera que fundou, que segue o exemplo da congênere Dulcineia Catadora, criada em 2007 em São Paulo e que funciona dentro de uma cooperativa de reciclagem, aliando a literatura à ação social, pois possibilita aos próprios catadores de lixo a elaboração de seus livros. A capa do livro é sempre moldada com sobras de caixas de papelão atirados ao lixo.  Os livros da Maria Preta Cartonera estão à venda por R$ 18 aos sábados, das 9 às 11 horas, dentro do projeto Passa na Praça que a Arte te Abraça, na Praça Independência, em Corumbá, mas podem ser obtidos também por via postal.

Em Santos-SP,  em 2012, por iniciativa do poeta Ademir Demarchi, editor da conceituada Revista Babel, foi lançada a Sereia Ca(n)tadora, que já editou vários livros, como A morte de Herberto Helder e outros poemas, de Marcelo Ariel, Hi-Kretos, de Paulo de Toledo, Olho por olho, de Regina Alonso, e O amor é lindo, do próprio Demarchi, entre outros, todos feitos de forma artesanal, com capas pintadas uma a uma em papelão reciclado.

                                               IV
Nelson Urt cursou Jornalismo na Faculdade de Comunicação Social Casper Libero, em São Paulo, e graduou-se em História na UFMS, campus Pantanal, em Corumbá. Em 2018, começou a fazer o mestrado de Estudos Fronteiriços da UFMS, com um projeto de pesquisa sobre os dois livros e influências deixados pelo poeta corumbaense Lobivar Matos.

Urt é ainda autor do livro Estação das Mariposas (e-book no site da Amazon) e redator do blog Nave Pantanal (nelsonurt.blogspot.com.br), que, desde 2008, reúne crônicas e notas de seu dia a dia no jornalismo. Desenhista e letrista de origem, escreve e ilustra manualmente títulos usando guache e nanquim. Adelto Gonçalves - Brasil

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Amor e Morte em Tempos de Chumbo, de Nelson Urt. Ladário-MS: Maria Preta Cartonera, 72  páginas, R$ 22 (preço já acrescido do frete, com depósito no Banco Brasil, agência 0014, c/c 42.113-8), 2019. E-mail: nelsonurt@gmail.com
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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015) e Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br