Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 1 de março de 2024

Alemanha - Berlim, será menos político com mais paetês e glamour

Terminou a 74.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, saem seus diretores por cinco anos Carlo Chatrian e Mariette Rissembee. O traço principal da Berlinale, como é também chamado o Festival, sempre foi de uma seriedade bem alemã e com preocupações políticas e sociais, na escolha dos filmes.

O cinema brasileiro sempre se beneficiou desse clima. Presenciei a conquista do Urso de Ouro, no 48.º Festival de Berlim com Central do Brasil de Walter Salles e me tornei assíduo, entrevistando, durante esses anos, realizadores e atores brasileiros e criticando seus filmes.

De certa forma, acompanhei a carreira de Carlo Chatrian, até domingo seu diretor artístico. Conheci Chatrian como diretor do Festival de Cinema de Locarno, onde sou assíduo há uns trinta anos. Por isso, fui dos muitos que se surpreenderam com a decisão da ministra alemã da Cultura, Claudia Roth, de provocar sua demissão.

O término desta Berlinale talvez tenha sido o mais político desde sua criação, com realizadores e atores premiados utilizando o momento de receber seu prêmio para fazer declarações sobre a situação em Gaza, provocando reações do próprio prefeito de Berlim, Kei Wegner, dizendo ter havido antissemitismo nas declarações.

O realizador norte-americano Ben Russell falou em genocídio e outros criticaram os bombardeios na Faixa de Gaza. Com isso, roubaram as luzes do Urso de Ouro conquistado pelo filme Dahomey, da franco-senegalesa Mati Diop.

Antes mesmo de toda confusão criada no sábado, na entrega de prémios da Berlinale, a ministra Claudia Roth já havia declarado que a nova fase da Berlinale deverá ter mais paetês e mais glamour no tapete vermelho. Em outras palavras, deverá ser menos político e mais “people”. Veremos se a nova diretora, a norte-americana Trícia Tuttle irá seguir nessa linha.

Curta-metragem ganhou Menção Especial


A curta-metragem brasileira Lapso, da realizadora mineira Carolina Cavalcanti, selecionado entre centenas para a mostra juvenil Geração, do 74.º Festival Internacional de Cinema de Berlim e competindo com outros 12 filmes, recebeu a Menção Especial do júri, às vésperas do encerramento do Festival.

A realizadora tem deficiência auditiva, assim como a atriz e seu filme se baseia também nessa experiência pessoal de surdez. Além do problema social da juventude que vive na periferia das cidades.

O filme conta a história de dois adolescentes da periferia de Belo Horizonte, cumprindo pena socioeducativa por terem praticado atos de vandalismo

Lapso tem como atores Beatriz Oliveira e Juan Queiroz

O júri explicou sua escolha num texto divulgado pelo Festival.

"Este filme é uma história de amor poderosa, mas única, de dois adolescentes. O que realmente brilha é a capacidade de inspirar o espectador a ter empatia por dois personagens que têm circunstâncias e desafios muito diferentes. Junto com eles, embarcamos numa jornada de aprendizagem que proporciona um vislumbre íntimo da vida de duas pessoas que o mundo não teve tempo de compreender. O filme é verdadeiramente uma celebração de como a coragem de compreender pode ser imensamente poderosa e superar barreiras". Rui Martins – Suíça

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Rui Martins – Direto da Suíça – é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.



 

sábado, 24 de fevereiro de 2024

Alemanha - Filme “Lapso” ganha Menção Honrosa em Berlim

A curta-metragem brasileira Lapso, da realizadora mineira Carolina Cavalcanti, selecionada para a mostra juvenil Geração, do 74.º Festival Internacional de Cinema de Berlim e competindo com outros 12 filmes, recebeu a Menção Honrosa do júri, às vésperas do encerramento do Festival.

A realizadora tem deficiência auditiva, assim como a atriz e seu filme se baseia também nessa experiência pessoal de surdez. Além do problema social da juventude que vive na periferia das cidades.

O filme conta a história de dois adolescentes da periferia de Belo Horizonte, cumprindo pena socioeducativa por terem praticado atos de vandalismo.


Lapso tem como atores Beatriz Oliveira e Juan Queiroz.

O júri explicou sua escolha num texto divulgado pelo Festival.

Este filme é uma história de amor poderosa, mas única, de dois adolescentes. O que realmente brilha é a capacidade de inspirar o espectador a ter empatia por dois personagens que têm circunstâncias e desafios muito diferentes. Junto com eles, embarcamos numa jornada de aprendizagem que proporciona um vislumbre íntimo da vida de duas pessoas que o mundo não teve tempo de compreender. O filme é verdadeiramente uma celebração de como a coragem de compreender pode ser imensamente poderosa e superar barreiras. Rui Martins “Berlinale” - Alemanha



 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Alemanha - Filmes brasileiros no Festival Internacional de Cinema de Berlim

Terminadas as Festas, esperamos o Festival Internacional de Cinema de Berlim, de 15 a 25 de fevereiro, para saber se haverá filme brasileiro na principal competição internacional. Por enquanto, são três os filmes brasileiros em outras mostras. Para quem já esqueceu, o cinema brasileiro ainda é convalescente e está começando a se recuperar da falta de apoio, durante os quatro anos do governo Bolsonaro


O 74.º Festival de Berlim é também o quinto e último festival em Berlim do diretor artístico Carlo Chatrian, o competente cinéfilo italiano, ex-crítico de cinema, que havia dirigido o Festival Internacional de Cinema de Locarno. Produtores, realizadores e artistas protestaram, em setembro, diante da incompreensível demissão de Chatrian pela ministra alemã de Cultura, Claudia Roth. Alguns vaticinam que, diante do escândalo provocado, o Festival de Berlim também sujeito a cortes financeiros, poderá enfrentar boicotes e perder parte de sua importância, a partir de 2025.

Na mostra PANORAMA estará o filme BETÂNIA, de Marcelo Botta, com Diana Mattos - Depois de perder o marido, a parteira Betânia, de 65 anos, é persuadida pelas filhas a deixar a sua aldeia remota. Ela se aproxima das dunas dos Lençóis Maranhenses, no norte do Brasil, e se aventura num novo começo.

Na mostra FÓRUM será exibido o filme QUEBRANTE da realizadora Janaína Wagner. Dois resumos - Erismar, professora aposentada e espeleóloga, enquanto percorre as cavernas, ruínas e fantasmagorias da Rodovia Transamazônica – ainda uma cicatriz recente do sonho destruído da história do Brasil – retratando suas pedras e fantasmas. Quebrante explora as cavernas, ruínas e fantasmagorias da Rodovia Transamazônica no Brasil. Retratando suas pedras e fantasmas, o filme mergulha fundo na história e no presente desse projeto infraestrutural, iniciado na ditadura militar.

Na Mostra GERAÇÃO estará competindo o curta da realizadora Carolina Cavalcanti, LAPSO com Beatriz Oliveira e Juan Queiroz. Dois adolescentes da periferia de Belo Horizonte, no Brasil, se encontram enquanto cumprem medidas socioeducativas. Através das experiências partilhadas de repressão por parte das autoridades estatais, aproximam-se lentamente. Rui Martins – Suíça com “Berlinale”

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.