O líder da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri, felicitou ontem o acordo para aquisição pela Timor GAP da participação da empresa australiana Woodside no consórcio para explorar o campo de petróleo e gás Greater Sunrise
“Esta
aquisição coloca Timor-Leste numa posição mais forte no que diz respeito ao
desenvolvimento do campo Greater Sunrise”, afirmou Mari Alkatiri, em comunicado
divulgado à imprensa.
O
líder da oposição timorense salientou também que a aquisição é coerente com a
exigência que fez enquanto primeiro-ministro de que, por uma questão de
justiça, o gasoduto do Greater Sunrise deveria vir para Timor-Leste, depois de
o gasoduto do Bayu-Undan ter sido construído para a Austrália.
A
petrolífera Woodside e a Timor GAP anunciaram na terça-feira a celebração de um
acordo no valor de 200 milhões de dólares (cerca de 179 milhões de euros) para
a aquisição pela petrolífera timorense da participação da empresa australiana
(33,44%) no consórcio para explorar o campo de gás Greater Sunrise.
A
Timor GAP, que detém uma participação de 56,56%, anunciou em setembro a
aquisição dos 10% da japonesa Ozaka Gas.
Quando
os dois acordos estiverem finalizados, a Timor GAP passará a deter 100% do
consórcio para exploração do Greater Sunrise. “Uma participação de 100%
significa 100% de responsabilidade, mas isto não implica que Timor-Leste seja
agora o único decisor no desenvolvimento do campo Greater Sunrise”,
salvaguardou Mari Alkatiri.
O
líder da Fretilin explicou que o Tratado de Fronteiras Marítimas de 2018 entre
Timor-Leste e a Austrália no Regime Especial do Greater Sunrise estabelece que
qualquer desenvolvimento daquele campo de gás está sujeito a aprovação do
Conselho de Governação, onde estão representados os dois países, que decide por
consenso.
Ou
seja, segundo Mari Alkatiri, apesar de a Timor GAP passar a ser a “única
titular de interesses, com 100% de participação no Greater Sunrise, não detém o
poder exclusivo de decidir sobre o desenvolvimento do campo”.
No
comunicado, o secretário-geral da Fretilin alerta também para o “perigo real”
de o país “cair num abismo fiscal” e pediu prudência ao Governo na utilização
dos recursos financeiros para evitar que o Greater Sunrise se “torne num fardo
e uma maldição”. “A Fretilin considera que este é o momento oportuno para o
Governo envolver todas as partes interessadas, de modo a garantir que o Greater
Sunrise sirva de pilar para a diversificação económica com vista ao
desenvolvimento sustentável e que não seja transformado numa mera mercadoria
eleitoral”, acrescentou.
Localizado
no Mar de Timor, a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de
Darwin, o Greater Sunrise, composto pelos campos Sunrise e Troubadour, é uma
das maiores reservas de recursos naturais ainda por explorar na região e
representa para os timorenses um grande potencial económico.
Os
campos Greater Sunrise possuem recursos contingentes estimados em 5,13 biliões
de pés cúbicos de gás e 225,9 milhões de barris de condensado. In “Ponto
Final” - Macau

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