Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 11 de outubro de 2025

Espanha - Eliminadas mutações genéticas que originam alguns dos cancros mais mortais

Um grupo de cientistas espanhóis deu um passo importante na luta contra o cancro ao conseguir eliminar, em laboratório, mutações genéticas responsáveis por alguns dos tumores mais agressivos. O avanço foi possível graças a uma técnica de edição de ADN de alta precisão.


Investigadores da Universidade de Granada, em Espanha, conseguiram detetar e eliminar mutações no gene KRAS que podem impulsionar o desenvolvimento de vários tipos de cancro, avançou esta semana a Europa Press.

"O estudo representa um marco ao demonstrar que é possível eliminar mutações-chave diretamente do ADN tumoral. (...) Pode redefinir a forma como abordamos certos tipos de cancro", disse o professor da Universidade de Granada e líder da investigação do Genyo, Pedro P. Medina.

O gene KRAS atua como um interruptor molecular que informa as células sobre quando devem crescer e dividir-se, segundo os investigadores do Centro de Investigação Genómica e Oncológica da Pfizer da Universidade de Granada e do Governo Regional da Andaluzia, que realizaram o estudo, em Espanha.

“Interruptor molecular” fora de controlo

De acordo com o estudo, publicado na revista científica Nature Communications, quando o KRAS sofre uma mutação, "este interruptor fica preso na posição ligado", causando uma multiplicação descontrolada" que resulta em tumores agressivos e um mau prognóstico (previsão sobre o desenvolvimento de uma doença), refere a Europa Press.

As mutações do gene KRAS causam cancro do pulmão, do pâncreas e do cólon, alguns dos mais letais, segundo a investigação.

Para eliminar as mutações associadas ao crescimento tumoral, os investigadores desenvolveram uma terapia baseada no sistema de edição genética HiFi-Cas9.

"Em vez de bloquear a proteína já produzida pela célula, pensamos eliminar a mutação na sua origem genética. Desta forma, o tumor perde a base para o seu crescimento", indicou Medina.

Edição genética de "alta-fidelidade" mostra resultados promissores

O sistema utilizado permite aos cientistas editar o DNA com precisão, cortando e modificando genes específicos para tratar doenças, sendo este, uma versão de "alta-fidelidade do sistema de edição genética CRISPR-Cas9", segundo a Europa Press.

A estratégia foi validada em testes com células e em tecidos de ratos com cancro do pulmão.

Nas células, a edição genética "reduziu drasticamente a viabilidade das células tumorais portadoras do KRAS mutado", segundo a Europa Press.

Nos tecidos de ratos, a edição com HiFi-Cas9 atrasou "significativamente o crescimento tumoral" e em alguns casos, a eficácia foi ainda superior à do medicamento para o cancro do pulmão Sotorasibe, segundo a mesma fonte.

Medina indicou que a terapia ainda não pode ser usada nos pacientes e destacou que é necessário descobrir como utilizar a edição com HiFi-Cas9 de forma eficiente, garantindo a segurança dos utentes a longo prazo. In “Sapo” – Portugal com “Europa Press” e “Lusa”


sábado, 23 de novembro de 2024

Portugal - Investigadoras do Centro de Biologia Molecular e Ambiental e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa distinguidas com o prémio Basinnov Innovation Award 2024

Ana Preto e Andreia Valente receberam o “Basinnov Innovation Award 2024” e vão agora avançar para ensaios pré-clínicos

 

Um composto criado em Portugal é o primeiro descrito a bloquear as três principais mutações do gene mais frequente no cancro colorretal e pancreático. Este resultado foi mostrado em células do laboratório e em ratinhos e, se os ensaios pré-clínicos e clínicos correrem bem nos próximos anos, o fármaco poderá ser decisivo nesses e noutros cancros com aquelas mutações, como do pulmão, ovário e útero.

O projeto chama-se “TaMuK:Targeting Mutated KRAS”, está patenteado e deu os primeiros passos há cerca de dez anos, pelo grupo da investigadora Ana Preto, no Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), e pelo grupo da investigadora Andreia Valente, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), a par de Helena Garcia e Paulo Costa (FCUL) e de Cristina Fillat, do Instituto de Investigações Biomédicas August Pi i Sunyer (Barcelona).

Esta equipa acaba de vencer a primeira edição do “Basinnov Innovation Award 2024”, tendo direito a 20 mil euros para aplicar em ensaios pré-clínicos e a serviços de mentoria da rede europeia de inovação em saúde EIT Health InnoStars. O prémio foi atribuído num evento satélite da Web Summit, em Lisboa, pela biotecnológica Basinnov Life Sciences, pelo Gulbenkian Institute for Molecular Medicine e pela EIT Health InnoStars. A iniciativa visa distinguir uma inovação na oncologia e imunoterapia com grande relevo científico, terapêutico e de potencial aplicação na farmacêutica. 

O novo composto designa-se PMC79, é baseado no metal ruténio e atua como uma espécie de “bala mágica” em mutações do gene KRAS, ligado ao desenvolvimento de vários cancros, como o colorretal e do pâncreas. “O nosso composto é o primeiro capaz de inibir especificamente três das mutações mais frequentes do KRAS (G12D, G12V e G13D), sendo o único a inibir a G12V, sem afetar a proteína normal, tanto in vitro em células de cancro no laboratório como in vivo em modelos de ratinhos com cancro”, explicam Ana Preto e Andreia Valente.

“Este prémio é um exemplo de que a investigação básica é indispensável e impactante para o desenvolvimento de novos fármacos e sua possível aplicação clínica”, acrescentam as investigadoras. Nas últimas décadas foram feitos vários estudos para se atuar no gene KRAS, então considerado “invencível” ou “não tratável”. Recentemente, surgiram no mercado alguns inibidores, mas de eficácia limitada nos cancros colorretal e do pâncreas, no qual o PMC79 parece promissor. Universidade do Minho - Portugal