Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Portugal - SheLeads Ventures premeia inovação para diagnosticar a apneia do sono

O projeto ApneaScrener venceu a primeira edição do SheLeads Ventures, o programa lançado pela Universidade do Porto para promover a liderança no feminino


Entre 80 a 90% dos casos de apneia do sono não são diagnosticados e estima-se que 1000 milhões de adultos, em todo o mundo, sofram com este problema de saúde. Quando não tratada, a apneia aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, doenças neurodegenerativas e outras complicações. Foi a pensar neste problema que uma equipa de investigadoras do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) desenvolveu o ApneaScreener. Este projeto inovador foi o grande vencedor da primeira edição do She Leads Ventures, o programa da Universidade do Porto dedicado ao fomento da liderança feminina para o empreendedorismo.

“É um projeto inovador, que visa conseguir diagnosticar a apneia do sono através de uma análise ao sangue”, explica Ana Rita Álvaro, líder da equipa. Este teste permite que a doença seja detetada de forma rápida, simples e precoce, além de monitorizar a resposta ao tratamento com custos reduzidos. “Baseia-se em marcadores moleculares distintos encontrados no sangue, capazes de distinguir doentes de indivíduos saudáveis”, referem.

Quando comparado com outros métodos de diagnóstico existentes, o ApneaScreener distingue-se, sobretudo, pela abordagem: “Permite detetar a apneia de sono de forma rápida (> 25 doentes em menos de 24h) simples, precoce (reduz as atuais listas de espera de cerca de dois anos), mais acessível (⅓ do preço do teste de referência) e personalizada”, diz Ana Rita Álvaro.

A equipa vai agora usufruir dos prémios (2000 euros, com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, acesso ao programa School of Startups: Foundations oferecido pela UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto; e consultoria de empreendedorismo, oferecido pela IES-Social Business School) de forma a conseguir mentoria personalizada e “para reforçar o conhecimento da equipa, procurar aconselhamento estratégico e preparar o projeto para as próximas etapas, garantindo que evolui de forma sólida e sustentável”.

Da equipa fazem parte também as investigadoras Bárbara Ramalho, Bárbara Santos e Laetitia Gaspar. Universidade do Porto - Portugal


terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Portugal - Rejuvenescer o coração: nova esperança no tratamento da insuficiência cardíaca

Investigadores do i3S e da Universidade de Coimbra recorreram a fármaco que elimina as células envelhecidas e verificaram um alívio simultâneo de vários sintomas


Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) e do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), integrado no Centro de Inovação de Biomedicina e Biotecnologia (CIBB), fez uma descoberta que pode transformar o futuro da medicina cardíaca. Através de uma estratégia inovadora inspirada na medicina de rejuvenescimento, os cientistas encontraram uma forma de combater uma das variantes mais graves da insuficiência cardíaca: a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (HFpEF).

Nesta condição, embora o coração mantenha a capacidade de bombear sangue, o ventrículo esquerdo perde a flexibilidade necessária para relaxar e encher-se adequadamente. As consequências são devastadoras: falta de ar, fadiga incapacitante, limitação para tarefas simples do quotidiano e, sobretudo, uma taxa de mortalidade equiparável à de vários tipos de cancro.

Esta forma de insuficiência cardíaca está a aumentar a um ritmo alarmante e, devido ao envelhecimento da população, prevê-se que se torne dominante num futuro próximo. A sua gravidade é agravada pelo facto de estar frequentemente associada a outras patologias prevalentes, como hipertensão, diabetes e obesidade, tornando a HFpEF um dos maiores desafios da medicina cardiovascular contemporânea.

Neste estudo, publicado na prestigiada revista Cardiovascular Research, e destacado no editorial, os investigadores usaram um modelo animal que mimetiza a HFpEF humana em contexto cardiometabólico, e observaram uma acumulação de células senescentes no sistema imunitário, nos vasos sanguíneos e no coração. Trata-se de células envelhecidas que pararam de se dividir, mas que permanecem no corpo e libertam substâncias inflamatórias que prejudicam as células de tecidos vizinhos, acelerando o processo de envelhecimento e contribuindo para o desenvolvimento de doenças.

“Após a administração de um fármaco senolítico, que elimina especificamente estas células senescentes, verificámos um alívio simultâneo dos múltiplos sintomas da HFpEF, ou seja, há um impacto direto na saúde cardiovascular e sistémica», afirma Diana S. Nascimento, coordenadora da equipa do i3S, que é também investigadora do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).

“Este trabalho realça o enorme potencial da medicina de rejuvenescimento como abordagem terapêutica para doenças complexas e multifatoriais como a HFpEF”, explica por sua vez investigador Lino Ferreira, líder da equipa do CNC-UC/CIBB e da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

“Há décadas que olhamos para o envelhecimento como um processo inevitável. Este estudo mostra que é possível intervir diretamente nos mecanismos celulares do envelhecimento para tratar doenças altamente incapacitantes”, acrescenta Inês Tomé, investigadora da Universidade de Coimbra.

Os investigadores destacam ainda que níveis elevados de leucócitos (células sanguíneas do nosso sistema imunitário) senescentes em circulação foram observados em doentes com HFpEF, estando associados a uma maior severidade da doença, sugerindo assim que esta abordagem poderá ter relevância clínica direta.

“Estamos a transformar o paradigma da terapêutica cardiovascular: não se trata apenas de aliviar sintomas, mas de atuar diretamente sobre os mecanismos celulares do envelhecimento, que estão na origem da disfunção orgânica associada à idade”, conclui Elsa Silva, investigadora do i3S e primeira autora do artigo.

O trabalho, sublinham os autores, “representa um marco na convergência da medicina antienvelhecimento e cardiovascular, apenas possível através de uma forte colaboração entre três instituições portuguesas de referência em investigação cardiovascular, medicina regenerativa e envelhecimento: i3S, CNC-UC/CIBB e Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP)”.

As equipas estão já a planear os próximos passos para avaliar os mecanismos que causam o envelhecimento precoce em contexto cardiovascular e desenvolver novas terapias mais personalizadas, com vista à sua futura translação clínica. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Internacional - Estudo coordenado pela Universidade de Coimbra sugere mudança de paradigma no tratamento da infeção pela bactéria Staphylococcus aureus

Um novo estudo liderado por cientistas do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), agora publicado na revista científica Nature Communications, revela que a bactéria Staphylococcus aureus (S. aureus) tem um estilo de vida intracelular (no interior da célula hospedeira) predominante, o que pode justificar a mudança dos critérios clínicos para escolha de antibióticos contra esta bactéria.


A S. aureus é uma bactéria frequentemente encontrada na pele e nas fossas nasais de pessoas saudáveis. Contudo, pode provocar doenças que vão desde simples infeções na pele (abcessos, celulite) até infeções mais graves, como pneumonia, endocardite, bacteremia (infeção no sangue), entre outras.

As bactérias multirresistentes a antibióticos são cada vez mais comuns, o que dificulta seriamente o tratamento de infeções bacterianas. A S. aureus é uma bactéria que apresenta resistência a diversos antibióticos e constitui atualmente a segunda causa mais comum de morte associada à resistência antimicrobiana a nível mundial e a primeira em Portugal.

O estudo apresenta uma análise em larga escala de 191 isolados clínicos de S. aureus, provenientes de doentes com osteomielite (infeção óssea), artrite infeciosa, bacteremia e endocardite, e a sua interação com vários tipos de células hospedeiras (células alvo da bactéria) ao longo do tempo. Este estudo revela «que apesar de a S. aureus ser normalmente descrita como sendo um patógeno extracelular, a quase totalidade dos isolados clínicos de S. aureus testados neste estudo (mais de 98%) foram internalizados por vários tipos de células hospedeiras, em contexto laboratorial. Foi ainda provado que uma grande parte destes isolados tem capacidade de replicar e persistir no interior das células hospedeiras», explica Miguel Mano, um dos líderes do estudo, (investigador no CNC-UC e docente no Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra – FCTUC).

Os resultados deste trabalho suportam a necessidade de uma mudança no paradigma no tratamento de infeções por S. aureus. «A escolha da terapia para eliminar efetivamente este patógeno, deverá considerar não só o perfil de suscetibilidade da bactéria a antibióticos, como é feito atualmente, mas também os diversos estilos de vida intracelular da S. aureus. A terapia escolhida deverá assegurar a sua eliminação no interior das células, pois a falta de efeito intracelular dos antibióticos pode levar à falha do tratamento, traduzindo-se em infeções recorrentes e/ou crónicas», elucida Ana Eulálio, líder deste estudo (investigadora no CNC-UC e no iBiMED, Universidade de Aveiro).

Este trabalho foi realizado em colaboração com investigadores do Centro Internacional de Investigação em Infecciologia (CIRI) (Lyon, França), Centro Nacional de Referência para Estafilococos, Instituto de Agentes Infecciosos (Lyon, França) e Centro de Biotecnologia, Conselho Nacional de Investigação de Espanha (CNB-CSIC). Beneficiou de financiamento através da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), do Consórcio ERA-NET Infect-ERA e do European Horizon 2020 Marie Sklodowska-Curie. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Portugal - Cientistas da Universidade de Coimbra estudam bactéria transmitida por carraças

Uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) descobriu como é que a Rickettsia, uma bactéria responsável por doenças como a febre da carraça, consegue escapar ao nosso sistema imunitário. Esta descoberta abre portas ao desenvolvimento de novas terapêuticas contra doenças infeciosas.

Ao contrário do que se possa pensar, as carraças não são as responsáveis pela febre da carraça, mas sim os microrganismos que podem estar no seu interior. A Rickettsia é uma das bactérias que podem ser encontradas em parasitas, como as carraças, pulgas ou piolhos e que podem ser transmitidas aos humanos através da sua picada. Atualmente, as alterações climáticas estão a favorecer estes parasitas, pois o aumento da temperatura global permite que estes estejam ativos mais tempo durante o ano. Como consequência, há uma maior dispersão geográfica de parasitas que podem transportar bactérias perigosas para a saúde humana.


Com o objetivo de perceber como é que estas bactérias infetam o nosso organismo, Pedro Curto e Isaura Simões, investigadores do CNC-UC, estudaram uma proteína presente na superfície da bactéria Rickettsia, a APRc. «Após a picada de uma carraça infetada, a Rickettsia entra na corrente sanguínea onde vai ser exposta a toda a maquinaria do nosso sistema imunitário. Neste ponto, a prioridade da bactéria será proteger-se e entrar a todo o custo nas nossas células, pois a sua sobrevivência e capacidade de infeção dependem disso», esclarece Pedro Curto, primeiro autor do estudo.

«Os microrganismos infeciosos possuem diversos mecanismos de escape ao nosso sistema imunitário. Já suspeitávamos que a proteína APRc, presente na superfície de Rickettsia, tem um papel importante na evasão da bactéria, mas neste estudo descobrimos que, para além disso, também a protege, impedindo que o sistema imunitário a elimine», explica Isaura Simões, líder do estudo.

Este trabalho, já publicado na revista mBio, mostrou que a proteína APRc consegue ligar-se a anticorpos presentes na corrente sanguínea, impedindo o ataque do sistema imunitário e atuando como um escudo. Verificou-se ainda que a APRc oferece proteção extra à bactéria contra a atividade bactericida das proteínas presentes no soro (parte do sangue).

«Este é um passo importante da biologia fundamental e um contributo para o desenvolvimento de novas terapêuticas contra doenças infeciosas, que, infelizmente, estão a assumir um papel cada vez mais presente no mundo atual», salientam os autores da investigação.

O estudo contou com o financiamento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do programa COMPETE 2020 – Programa Operacional Competitividade e Internacionalização –, e de fundos nacionais, através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Portugal - Estudo revela que fármaco usado no tratamento da epilepsia pode ser terapia promissora para a Doença de Machado-Joseph

Um estudo desenvolvido no Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) revela que a carbamazepina, um fármaco usado no tratamento da epilepsia, pode ser uma terapia promissora para a doença de Machado-Joseph.

Coordenado por Luís Pereira de Almeida, docente da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC) e investigador principal do CNC-UC, e por Ana Ferreira, do CNC-UC, este trabalho já se encontra publicado na revista científica Neuropathology and Applied Neurobiology.


A doença de Machado-Joseph, também conhecida como ataxia espinocerebelosa do tipo 3, é uma doença neurodegenerativa hereditária sem cura, causada por uma alteração num gene. Essa alteração origina uma forma mutada da proteína ataxina-3 que tende a acumular em forma de agregados no cérebro, conduzindo também a disfunção e morte neuronal. A doença provoca problemas na marcha, no equilíbrio, na fala, na deglutição, nos movimentos oculares e ainda no sono.

A carbamazepina é um fármaco aprovado para outras indicações patológicas, incluindo a epilepsia, e, por isso, pode ser rapidamente reutilizado para tratar outras doenças, o que acaba por ser vantajoso. Com o objetivo de encontrar novas terapias farmacológicas para tratar a doença de Machado-Joseph, os investigadores testaram o potencial deste medicamento como promotor da autofagia (mecanismo de eliminação de proteínas anormais), através de modelos in vitro e in vivo da doença.

A equipa decidiu testar este fármaco depois de ter percebido, «numa investigação anterior, que a via da autofagia está desregulada na doença de Machado-Joseph, o que significa que a proteína mutante não é eliminada eficazmente. Por outro lado, observámos que a estimulação da autofagia, por uma estratégia de terapia génica, promoveu neuroproteção em modelos da doença», explica Ana Ferreira, a primeira autora do artigo científico.

Nas experiências realizadas com ratinhos, «após a administração da carbamazepina, num regime de tratamento específico, percebemos que o fármaco foi capaz de aumentar a autofagia e promover a degradação da proteína mutante. Além disso, o tratamento reduziu os défices motores e a neuropatologia nos modelos animais de doença», destaca a investigadora do CNC.

Além de Luís Pereira de Almeida e Ana Ferreira, participaram no estudo Sara Carmo-Silva, José Miguel Codêsso, Patrick Silva e Clévio Nóbrega, também investigadores do CNC, e Alberto Martinez e Marcondes França Jr., do Departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Brasil).

Ao demonstrar que o fármaco carbamazepina pode ser útil para tratar a doença de Machado-Joseph, e possivelmente outras doenças semelhantes, este estudo representa «um passo em frente na procura por um tratamento eficaz para esta doença neurodegenerativa, apesar de estar longe de ser uma cura», concluem os autores do estudo. Universidade de Coimbra - Portugal


quarta-feira, 31 de março de 2021

Portugal - Equipa da Universidade de Coimbra estuda disrupções nos relógios biológicos causadas pela apneia do sono


Um estudo sobre o impacto da apneia do sono nos relógios biológicos do nosso organismo, publicado na revista científica EBioMedicine, The Lancet, assinala a necessidade urgente de encontrar novas estratégias que melhorem e antecipem o diagnóstico desta doença respiratória obstrutiva, uma das perturbações do sono mais prevalentes no mundo, mas ainda muito subdiagnosticada.

Conduzido por uma equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), o estudo pretendeu perceber em que medida a apneia do sono, também denominada Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), pode «promover disrupções no funcionamento dos relógios biológicos, que por sua vez poderão estar na base das diferentes comorbilidades associadas à patologia, incluindo doenças cardiovasculares ou metabólicas (como diabetes ou obesidade), ou contribuir para o seu agravamento», explica Ana Rita Álvaro, investigadora principal do projeto.

Os relógios biológicos, presentes em todas as células do nosso organismo, «são cruciais para a nossa saúde e bem-estar. Atuam como relógios internos, organizando todos os nossos processos biológicos ao longo do dia, de acordo com sinais do ambiente interno (alimentação, atividade física) e externo (luz, temperatura, níveis de oxigénio)», fundamenta a investigadora do CNC.

Para avaliar o impacto da SAOS e do seu tratamento, normalmente efetuado com uma máscara que emite uma pressão positiva continuada (CPAP, na sigla inglesa) durante o sono, nas características dos relógios biológicos, a equipa recrutou 34 doentes com apneia do sono seguidos pela equipa do Centro de Medicina do Sono do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), antes e após tratamento com CPAP durante 4 meses e 2 anos. Participaram também indivíduos saudáveis, para efeitos de controlo.

Através de amostras de sangue dos voluntários (doentes nas diferentes fases do estudo e indivíduos saudáveis), recolhidas em quatro momentos distintos ao longo do dia, avaliaram-se «as características dos relógios biológicos em células presentes no sangue, nomeadamente expressão de genes, e níveis de hormonas envolvidas na regulação dos relógios biológicos», indica Ana Rita Álvaro.

Os resultados mostram que a apneia do sono «promove alterações nas características dos relógios biológicos e que o tratamento a longo prazo (2 anos) mostra ser mais efetivo no combate ao efeito da SAOS nos relógios biológicos, levando a um restabelecimento de algumas das suas características», nota Ana Rita Álvaro.

A avaliação laboratorial foi complementada com análises computacionais, incluindo métodos bioinformáticos e de machine learning, desenvolvidas pelo grupo de investigação liderado por Angela Relógio, investigadora principal do Centro Molecular de Investigação do Cancro e do Instituto de Biologia Teórica, Faculdade de Medicina de Berlim Charité, e diretora do Instituto de Medicina de Sistemas e Bioinformática da Faculdade de Medicina de Hamburgo (MSH).

Este estudo reforça o alerta para «a importância do tratamento da apneia do sono e evidencia ainda a necessidade de novas estratégias que melhorem e antecipem o diagnóstico da SAOS e também o seu tratamento. Nesse sentido, este estudo mostra que a análise dos relógios biológicos pode ter uma aplicação promissora no diagnóstico e monitorização da resposta ao tratamento desta patologia, e certamente de outras doenças», refere Cláudia Cavadas, coautora do estudo e coordenadora do grupo de investigação no CNC.

A investigação foi cofinanciada pelo Fundo Europeu para o Desenvolvimento Regional (FEDER), através do Programa Operacional para a Competitividade e Internacionalização - COMPETE 2020, e pela Fundação para a Ciências e a Tecnologia (FCT). Contou ainda com o apoio da instituição alemã Einstein Foundation através da escola graduada Berlin School of Integrative Oncology (BSIO), do Ministério Alemão do Ensino e Investigação (BMBF), e da Fundação Dr. Rolf M. Schwiete Stiftung.

Além de Ana Rita Álvaro, Angela Relógio e Cláudia Cavadas, participaram no estudo Laetitia Gaspar, Bárbara Santos, Catarina Carvalhas-Almeida, Joaquim Moita, Mafalda Ferreira, Janina Hesse e Müge Yalçin.

O artigo científico publicado no âmbito do estudo, com o título “Long-term Continuous Positive Airway Pressure Treatment Ameliorates Biological Clock Disruptions in Obstructive Sleep Apnea”, está disponível: aqui. Universidade de Coimbra - Portugal