Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Reino Unido - Investigação portuguesa distinguida pela Emerald

A investigação coordenada por Cláudia Seabra, docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) e investigadora do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT), foi distinguida com um “Emerald Literati Award 2022” na categoria “Outstanding Paper”, pela editora científica Emerald

A editora Emerald detém mais de 300 revistas em várias áreas disciplinares. Além disso, distingue, todos os anos, trabalhos científicos excecionais, não apenas para os jornais e livros científicos que edita, mas também para o conhecimento de forma alargada.

O estudo “Restrictions’ acceptance and risk perception in a COVID-19 context by young generations”, publicado na revista científica International Journal of Tourism Cities, para além de Cláudia Seabra, juntou investigadores de cinco países, nomeadamente, Portugal, Egipto, Turquia, Paquistão e Reino Unido.

Em comunicado pode ler-se que “objetivo central deste trabalho passou por perceber como é que as gerações mais novas aceitaram as imposições e medidas implementadas na sequência da pandemia e o impacto que estas tiveram na sua perceção de segurança no quotidiano e em contextos de viagem em três mercados turísticos recetores: Portugal, Egipto e Turquia”.

A investigadora explica que “a investigação permitiu concluir que a pandemia de COVID-19 teve um forte impacto nas rotinas quotidianas e planos de viagens futuras dos jovens dos três países analisados, revelando que os jovens portugueses foram os que menos aceitaram as medidas restritivas impostas pelo governo”.

Acrescenta ainda que “existiu uma opinião unânime sobre a urgência de alteração das rotinas diárias e planos futuros de viagem dos jovens, tal como a crença de que cidadãos e turistas eram vítimas potenciais da doença. Contudo, os resultados provaram também que, ainda assim, os portugueses sentiram-se menos nervosos com a ameaça em comparação com turcos e egípcios”.

Para Cláudia Seabra, esta distinção da Emerald demonstra “que a investigação que é feita na área do turismo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e no Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território da UC tem tido grande relevância internacional, o que poderá posicionar a FLUC e o CEGOT nesta área de estudo”.

Sublinha também que “como foi recentemente destacado pelo ranking de Xangai, uma das áreas disciplinares em destaque na Universidade de Coimbra é precisamente Hospitality and Tourism Management, sendo um dos critérios desta avaliação o número de investigadores mais citados nas suas áreas. Significa isto que estamos no bom caminho. Para além da crescente investigação que se faz em turismo, o facto de ainda ser premiada pela prestigiada Emerald é, de facto, algo que muito nos orgulha e nos dá alento para querer fazer mais e melhor”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


segunda-feira, 16 de maio de 2022

Internacional - Universidade de Coimbra participa em projeto europeu que avaliou políticas regionais de integração de migrantes e refugiados

Um estudo que avaliou as políticas de integração de migrantes não comunitários e refugiados em 25 regiões de 7 países europeus, incluindo Portugal, colocou os Açores e Lisboa como regiões com um grau avançado em termos do modelo de integração regional. Deste estudo, no qual participou a Universidade de Coimbra (UC), resultou o primeiro Índice de Políticas de Integração de Migrantes (MIPEX) para Regiões, designado MIPEX-R.

Com coordenação geral da Conferência das Regiões Periféricas Marítimas da Europa, em Portugal o estudo foi conduzido pelo investigador Paulo Espínola, do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da UC.

Das 25 regiões estudadas, 12 foram classificadas com um grau avançado em termos do modelo de integração regional, entre as quais as regiões de Lisboa e Açores, 4 encontravam-se numa fase intermédia e 9 com atraso.

Este projeto, intitulado REGIN – Regions for Migrants and Refugees Integration, foi realizado ao longo dos últimos dois anos e teve como grande objetivo incluir a integração de migrantes e refugiados nas políticas de coesão social ao nível regional.  O facto de Lisboa não possuir Governo Regional, a avaliação teve como referência a atuação da Câmara Municipal de Lisboa no seu concelho.

As políticas de integração das duas regiões portuguesas foram classificadas como «ligeiramente desenvolvidas, fazendo parte do grupo mais avançado, registando Lisboa maior pontuação global (máximo = 100). Os pontos mais fortes da política de integração de Lisboa passam pela formulação e implementação das políticas de integração e no desenvolvimento de relações com os atores envolvidos. A política dirigida aos refugiados está mais desenvolvida do que a dos imigrantes não comunitários. Ao nível das áreas de intervenção, atingiu pontuação máxima (100) no âmbito da estratégia para a cultura e religião e necessita de melhorar o apoio à integração dos imigrantes nas escolas e, principalmente, promover campanhas preventivas sobre anti-discriminação», relata o investigador do CEGOT, que contou com a colaboração de Sandra Silva, investigadora do Centro de Estudos Geográficos (CEG) da Universidade de Lisboa (UL), no estudo referente à região de Lisboa.

Nos Açores, prossegue, pelo contrário, «a estratégia para os imigrantes encontra-se mais desenvolvida do que a dos refugiados. Os Açores apresentam um bom nível de produção de políticas e são fortes nas áreas de integração da cultura, religião e anti-discriminação. No entanto, o mesmo não se verifica no que se refere a implementação e avaliação das políticas, bem como no fraco nível de utilização de recursos comunitários e nacionais.  Será preciso tomar medidas ao nível do apoio prestado aos imigrantes em termos de habitação e das suas línguas maternas».   

Estas conclusões têm por base um questionário sobre políticas públicas de integração aplicado às entidades regionais ligadas direta e indiretamente aos imigrantes. Este questionário abrangeu 61 indicadores de áreas distintas, nomeadamente competências formais da região, coordenação e implementação da política de integração, utilização dos fundos nacionais e comunitários na política de integração e coordenação com as ONG e os Stakeholders. Em simultâneo foi realizado outro questionário com 57 perguntas de cariz mais estatístico.

Em resultado do projeto, o Governo Regional dos Açores implementou algumas medidas de melhoria, entre as quais «decidiu criar um website, uma aplicação móvel e um documento impresso como guia de boas-vindas para os imigrantes.  Este conjunto de ferramentas fornecerá, de forma direta e organizada, todas as informações sobre o processo de integração. Também vão permitir notificar os imigrantes sobre prazos de inscrição e possibilidade de preencher formulários e colocar questões sobre dúvidas que se levantem», exemplifica Paulo Espínola.

Este estudo foi financiado, no valor de 1,8 milhões de euros, pelo European Union's Asylum, Migration and Integration Fund, e teve como parceria técnica e coordenação das regiões o Barcelona Centre for International Affairs (CIDOB), o Migration Policy Group (MPG) e a Instrategies, empresa especializada em assuntos europeus e internacionais, com foco em mobilidade e migração. Colaborou ainda no estudo o Governo Regional dos Açores.  

Com a ofensiva russa na Ucrânia, o investigador do CEGOT lembra que «foram já 6 milhões de ucranianos que, entretanto, deixaram o seu país em direção, sobretudo, à União Europeia. Esta corrente poderá mudar a relação de Portugal com os refugiados, isto porque o nosso país não tem sido muito procurado por este tipo de migrantes forçados».

Paulo Espínola observa que, «desde a crise migratória do Mediterrâneo de 2015, com a política de redistribuição de Beneficiários de Proteção Internacional da União Europeia, que Portugal aumentou o número de vagas, que não são 100% ocupadas anualmente. Isto acontece porque existe uma clara preferência dos refugiados pelos países da Europa Central e Ocidental. E até os que chegam a Portugal, porque as vagas nesses países esgotaram, quando surge uma oportunidade a maioria acaba por deixar o país».

«Considero que pode haver uma alteração a este nível, porque ainda há em Portugal uma comunidade ucraniana expressiva, aproximando-se dos 29 mil residentes em 2020. Ou seja, para o refugiado ucraniano há atualmente um suporte de apoio, que pode ser familiar, amizade ou então simplesmente recebido confortavelmente na sua própria língua. Desta forma, à partida, estão reunidas as condições para o alargamento do período de estada desses imigrantes», conclui. Universidade de Coimbra - Portugal


segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Portugal - Estudo avalia o uso do Facebook pelos municípios durante a pandemia de Covid-19

Um estudo que analisou a comunicação dos municípios portugueses no Facebook durante a primeira vaga da pandemia de Covid-19, realizado por investigadores da Universidade de Coimbra (UC), concluiu que as autarquias com maior autonomia financeira comunicaram mais neste período.

A evolução das taxas de infeção em municípios vizinhos e as características sociodemográficas locais foram outros fatores que levaram a que algumas câmaras municipais comunicassem mais ativamente do que outras nesta rede social.


Para chegarem a estas conclusões, os autores do estudo, Miguel Padeiro e Ângela Freitas, do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da Universidade de Coimbra, extraíram mais de 100 mil “posts” das páginas oficiais de Facebook de 304 câmaras municipais – 4 municípios portugueses não têm página nesta rede social –, entre março e julho de 2020.

Os dados obtidos foram posteriormente integrados numa extensa base de dados (que abrangia dados territoriais, sociodemográficos, políticos e institucionais), cartografados e analisados através de métodos estatísticos, as designadas análises de regressão.

Ao longo da pandemia, principalmente na primeira vaga, as câmaras municipais usaram bastante o Facebook para comunicar. «Era necessário divulgar as medidas de confinamento, mas também providenciar conselhos de higiene, alertar para diversos riscos, dar conta da situação epidemiológica, e publicitar os diversos apoios que as câmaras implementavam (compras, medicamentos, apoio social, psicológico, financeiro). Este estudo procurou medir essa comunicação e perceber quais os fatores que levaram alguns municípios a comunicar muito intensamente e outros a comunicar menos», contextualiza Miguel Padeiro.

Os resultados do estudo, que já se encontra publicado na revista científica Government Information Quarterly, mostram uma importante variação na intensidade da comunicação através do Facebook. «A variabilidade foi também temporal, com um forte aumento das comunicações na altura em que a pandemia se instalava, uma fase mais estável e depois uma tendência para a diminuição a partir de junho. Por outro lado, a característica da população influenciou um aumento da comunicação na fase de forte progressão do vírus, provavelmente porque as vulnerabilidades sociais requeriam um maior cuidado e uma maior comunicação», afirma o investigador do CEGOT e docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC).

Na era da comunicação digital, em que as redes sociais são uma poderosa ferramenta para alcançar os cidadãos de forma mais direta e divulgar grandes quantidades de informação, os autores deste estudo consideram que os resultados obtidos podem contribuir para «melhorar o nível de preparação em possíveis contextos de crise no futuro. Em particular, a definição de estratégias de comunicação para as crises de saúde pública prolongadas será muito importante, e o conhecimento dos fatores que contribuem para uma maior e melhor comunicação será indispensável. A disponibilização de recursos financeiros para a realização de tais estratégias e para a redução da exclusão digital em todos os municípios portugueses pode contribuir para uma divulgação mais eficaz».

O próximo passo da investigação vai centrar-se na análise dos conteúdos das comunicações realizadas no Facebook pelas autarquias, «que poderão revelar padrões interessantes diretamente ligados com a evolução geográfica do vírus e com outras variáveis», finaliza Miguel Padeiro. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 28 de setembro de 2021

Internacional - Universidade de Coimbra participa em estudo sobre a evolução das desigualdades na mortalidade na Europa e nos EUA

Nas últimas décadas, registou-se uma evolução bastante favorável nos indicadores da desigualdade na mortalidade em Portugal, permitindo que o país se tivesse aproximado dos restantes países da Europa. Esta é uma das conclusões de um estudo internacional com a participação das investigadoras Paula Santana e Cláudia Costa, do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da Universidade de Coimbra (UC).


A investigação centrou-se na análise da evolução das desigualdades na mortalidade nos Estados Unidos da América (EUA), em comparação com a Europa, no período compreendido entre 1990 e 2018, envolvendo cientistas de 15 universidades americanas e europeias. Através de uma metodologia comum, a análise nos diferentes países foi efetuada por grupo de idade, sexo e nível de pobreza da área de residência. No caso da população americana, o estudo incluiu também as desigualdades étnicas.

«Em 1990 a mortalidade dos portugueses era muito distinta da dos outros países europeus, principalmente entre os mais jovens, tendo-se alterado rapidamente e em 2005 as taxas de mortalidade comparavam bem com as dos países mais ricos da Europa», afirma Paula Santana, professora catedrática da UC e coordenadora do estudo relativo a Portugal.

Segundo os resultados do estudo, publicado hoje na prestigiada PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), revista da Academia Americana de Ciências, na Europa «as desigualdades geográficas na mortalidade surgem, fundamentalmente, a partir dos jovens adultos. Ou seja, tornou-se evidente que para as crianças e jovens as desigualdades na mortalidade não são influenciadas pela área de residência: áreas pobres e ricas apresentam os mesmos padrões de mortalidade», referem Paula Santana e Cláudia Costa, coautoras do artigo científico.

Comparando os EUA com a Europa, os resultados são desfavoráveis para os americanos. O estudo indica que «em 1990 a esperança de vida dos americanos nas áreas mais ricas era ligeiramente inferior à esperança de vida à nascença dos europeus. No entanto, a esperança de vida era consideravelmente mais baixa para os americanos a residir nas áreas mais pobres. No caso da esperança de vida dos afroamericanos verificou-se que era sempre mais baixa, quer em áreas ricas ou pobres, quando comparada com a dos americanos e a dos europeus», declaram Paula Santana e Cláudia Costa.

Contudo, prosseguem, a evolução parece ter sido positiva ao longo do período analisado (1990-2018), observando-se que «em 2018 a diferença na esperança de vida entre americanos e afroamericanos diminuiu para quase metade, pela redução da mortalidade por tumores malignos, homicídios, SIDA e causas originadas no período fetal ou infantil.

Esta diminuição teve uma expressão mais significativa nas áreas mais pobres e nos mais jovens». Também se pode concluir que «os maiores ganhos em saúde, com reflexos no aumento da esperança de vida, se ficaram a dever à diminuição da mortalidade sensível aos cuidados de saúde, ou seja, causas de morte que foram evitadas pelo acesso adequado e respetiva resposta dos cuidados de saúde», relata Cláudia Costa.

Outra conclusão relevante sobre a realidade americana, de acordo com as investigadoras do CEGOT, é o facto de no período 2012-2018 se verificar «uma estagnação, ou mesmo uma inversão na desigualdade, o que terá consequências na diminuição do fosso na esperança de vida entre americanos e afroamericanos. Esta evidência tem impactos negativos na tendência, que vinha a ser verificada, de diminuição da diferença na esperança de vida dos americanos e dos europeus, onde as taxas de mortalidade são mais baixas, independentemente do grupo etário, sexo e área de residência».

Este estudo comparativo, nota ainda Paula Santana, evidencia que «algumas políticas que foram implementadas desde 1990 nas áreas mais pobres dos Estados Unidos tiveram consequências positivas no aumento da Esperança de Vida, nomeadamente políticas com impacto direto na melhoria do acesso aos cuidados de saúde».

Porém, conclui, «apesar da melhoria da esperança de vida da população afroamericana, o decréscimo na mortalidade ainda não é suficiente, colocando os indicadores de saúde dos EUA, estudados neste artigo, numa posição desfavorável quando comparados com os da Europa».

O trabalho agora publicado, com o título "Inequality in Mortality between Black and White Americans by Age, Place, and Cause, and in Comparison to Europe, 1990-2018", foi realizado na sequência de um estudo anterior dedicado à evolução da desigualdade na mortalidade em 11 países da OCDE, incluindo Portugal, publicado no Journal of Fiscal Studies. Universidade de Coimbra - Portugal