Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 2 de maio de 2022

Brasil - Apoia combate ao trabalho infantil em Moçambique

A experiência brasileira no combate ao trabalho infantil e na inspeção do trabalho foi tema de um seminário de capacitação para especialistas de Moçambique, no mês passado. Promovido pelo projeto “Algodão com Trabalho Digno”, contou com a participação virtual de inspetores do trabalho brasileiros e de 27 profissionais moçambicanos reunidos em Bilene, na província de Gaza. Estratégias de inspeção do trabalho rural e o combate ao trabalho infantil na cadeia produtiva do algodão foram os temas centrais do encontro.

O evento foi organizado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério de Relações Exteriores (MRE), em parceria com a Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Previdência do Brasil, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Inspeção-Geral do Trabalho de Moçambique (IGT) e o Ministério do Trabalho e Segurança Social de Moçambique (MTSS).

Os auditores-fiscais do trabalho Rogério Santos, Magno Pimenta Riga e Sérgio Augusto Letizia Garcia, da SIT, falaram sobre a inspeção do trabalho no combate ao trabalho infantil, as estratégias de combate ao trabalho infantil e a legislação brasileira sobre trabalho rural; e compartilharam boas práticas de segurança e saúde no trabalho rural.

Entre as estratégias brasileiras de combate ao trabalho infantil, Santos destacou a importância das articulações interinstitucionais, como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), os Fóruns nacional e estaduais de prevenção e erradicação do trabalho infantil e os Conselhos nacional e municipais de defesa da criança e do adolescente, que contam com a participação do governo e da sociedade civil. “Esses são espaços onde é discutida a problemática do trabalho infantil e são articuladas as ações de combate, em busca da sua erradicação no Brasil”, disse ele.

Já Carolina Smid, Analista de Projetos da ABC, ressaltou que “por meio do projeto Algodão com Trabalho Digno, temos a oportunidade de fortalecer as capacidades do Governo de Moçambique nos temas de combate ao trabalho infantil e ao trabalho análogo à escravidão. Os resultados alcançados por esta iniciativa irão beneficiar, além da cadeia do algodão, as demais cadeias produtivas, em especial no meio rural moçambicano”.

O algodão é um dos mais importantes produtos agrícolas em Moçambique. A commodity é responsável pela geração de emprego e renda e por contribuir para a segurança alimentar de milhares de famílias de pequenos agricultores.

O plantio e a colheita da fibra são realizados, predominantemente, pela agricultura familiar, uma atividade que emprega cerca de 220 mil famílias nas zonas rurais e beneficia aproximadamente 1,2 milhão de pessoas diretamente. A comercialização da cultura é a principal fonte de renda dessas famílias, o que gera cerca de 20 mil postos de trabalho, ao longo da cadeia produtiva do algodão.

O projeto “Algodão com Trabalho Decente – Cooperação Sul-Sul para a Promoção do Trabalho Decente nos Países Produtores de Algodão da África e da América Latina” é uma parceria entre a ABC, a OIT e os governos do Paraguai, Peru, Mali, Moçambique e Tanzânia, com financiamento do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), entidade privada. O Projeto busca apoiar a implementação de políticas nacionais alinhadas às normas internacionais de trabalho e à promoção do trabalho decente na agricultura, sobretudo na cadeia produtiva do algodão.

Mais cooperação

Também em abril, equipe da ABC, da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) esteve em Moçambique para a realização de ações de cooperação técnica e humanitária nas regiões Norte e Centro do país, onde serão instaladas hortas comunitárias para atender famílias afetadas pelos ciclones Idai e Kenneth, em 2019, pelo ciclone Gombe, que atingiu o país em fevereiro do ano corrente, e pela pandemia da COVID-19.

Quatro cidades do Norte do país receberam visita dos especialistas brasileiros: Metuge, na Província de Cabo Delgado, Beira, na Província de Sofala, Chimoio, na Província de Manica e Quelimane, na Província da Zambézia. A equipe realizou análise do solo e do clima nessas localidades para determinar a localização ideal para a instalação das hortas.

Quelimane foi uma das cidades mais atingidas, em 2019, pelos ciclones Idai e Kenneth. Recentemente, em fevereiro, também foi afetada pelo ciclone Gombe, desastre que fez 30 mil vítimas, atingindo 3 mil casas, deixando 40 feridos e cerca de 15 mortos.

Além da doação de sementes de hortaliças, a iniciativa prevê a instalação das hortas comunitárias e a realização de capacitações para a produção desse tipo de produtos vegetais.

Segundo a Analista de Cooperação responsável pelo Programa de cooperação técnica bilateral Brasil-Moçambique da ABC, Paula Rougemont, essa iniciativa é “inovadora, uma vez que a ação humanitária é complementada pela atividade de cooperação técnica. Verificou-se que apenas a doação de sementes não seria suficiente para garantir que as famílias afetadas pelos ciclones produzissem as hortaliças para consumo e até para eventual geração de renda. Por isso, optou-se por uma iniciativa mista com o olhar na continuidade sustentável”.

A doação de sementes e a instalação das hortas respeitará o calendário agrícola de cada região. As atividades serão iniciadas no segundo semestre de 2022 e finalizarão no segundo semestre de 2023, quando extensionistas e produtores locais participarão de formação técnica intensa no Brasil.

Já em 05 de abril, chegou a Maputo o último lote, de mil toneladas, da doação total de 4 mil toneladas de arroz realizada pelo Governo brasileiro, em caráter humanitário, ao Governo moçambicano.

O Embaixador do Brasil naquele país, Carlos Alfonso Iglesias Puente, fez a entrega da doação humanitária brasileira ao Governo moçambicano, representado pela presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, em cerimônia simbólica.

O arroz atenderá a necessidades alimentares e nutricionais da população moçambicana afetada pelas últimas temporadas de tempestades e ciclones – a exemplo dos ciclones Gombe, Idai e Kenneth -, sobretudo nas províncias de Niassa, Nampula e Cabo Delgado. In “Mundo Lusíada” - Brasil

 

terça-feira, 19 de abril de 2022

Brasil - Discute gestão sustentável de recursos hídricos com países da CPLP


No início do mês, a 2ª Reunião de Monitoramento e Avaliação do Projeto “Apoio à gestão e ao monitoramento de recursos hídricos nos países da CPLP”, coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE), em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), no âmbito da Rede de Diretores de Recursos Hídricos da CPLP, foi parte da Reunião anual realizada pela Rede de Diretores Gerais de Recursos Hídricos da CPLP.

No encontro de monitoramento e avaliação, a ANA apresentou um relatório de atividades desenvolvidas pelo projeto em 2020 e em 2021, com seus principais avanços e desafios e propôs, ainda, o Plano de trabalho para 2022-2024. Dentre as ações levantadas para o biênio, encontra-se a alimentação e manutenção do Portal de Água da CPLP, proposta parcialmente financiada pelo projeto de cooperação técnica Sul-Sul implementado pela ABC, ANA e UNESCO.

O objetivo do projeto é apoiar os Governos de Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial na gestão e monitoramento de seus recursos hídricos locais, por meio da transferência de tecnologia sobre redes e sistemas locais de monitoramento hidrológico, assim como da capacitação de funcionários locais em gestão de recursos hídricos. A iniciativa prevê ainda o intercâmbio de experiências para o desenvolvimento de marcos legal e institucional para a gestão de recursos hídricos, em cada país.

ODS 6

Um dos temas prioritários do encontro foi discutir o status quanto à implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6 – Água Potável e Saneamento – nos respectivos países.

Dois técnicos da Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos (SPR) da ANA apresentaram a experiência da Agência no cálculo dos indicadores do ODS 6 para os Diretores e técnicos da CPLP.

As metodologias e experiências absorvidas pela agência reguladora constam da segunda edição do documento “ODS 6 no Brasil: Visão da ANA sobre os indicadores”. A publicação contém atualizações das séries históricas dos indicadores das oito metas do ODS 6 e aprimoramentos em seu cálculo devido a melhorias metodológicas e novos dados disponíveis.

Rede de Diretores de Recursos Hídricos

O encontro de monitoramento ocorreu na esteira da Reunião da Rede de Diretores de Recursos Hídricos da CPLP, cujo intuito foi o de promover debates a respeito dos desafios e perspectivas do tema água em cada estado-membro. O encontro marcou ainda a passagem da Presidência pro-tempore da Rede. A diretoria de Cabo Verde passou o bastão da presidência para a diretoria de Angola.

A Rede foi formalmente institucionalizada em 2018, em alinhamento com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e os seus 17 Objetivos (os ODS), adotados em 2015.

A Reunião dos Diretores Gerais de Recursos Hídricos é um instrumento criado para facilitar a cooperação mútua entre os países membros da CPLP e com organizações internacionais, além de alavancar a cooperação e capacitação técnica entre as suas administrações de recursos hídricos.


No ODS 6, sua meta 6.3 é de melhorar a qualidade da água por meio da queda da poluição e o estímulo à reutilização do recurso. A meta 6.4 prevê aumentar a eficiência do uso da água em todos os setores e reduzir o número de pessoas que sofrem com a escassez hídrica.

Segundo a meta 6.5, os países deverão implementar a gestão integrada de recursos hídricos, inclusive via cooperação transfronteiriça no caso de águas internacionais. Já a meta 6.6 é de proteger e restaurar ecossistemas relacionados à água, como aquíferos e zonas úmidas. InMundo Lusíada” - Brasil




 

sexta-feira, 18 de março de 2022

Brasil - Modelo de cooperação Norte-Galiza do Eixo Atlântico aplicado na fronteira com o Uruguai


O município de Santana do Livramento, na fronteira do Brasil com o Uruguai, inaugurou o primeiro gabinete de cooperação transfronteiriça do Mercosul, projeto apoiado pelo Eixo Atlântico destinado a ações piloto de atuação conjunta.

A cerimónia, que decorreu na quarta-feira, contou, entre outros, com a participação do Secretário-Geral do Eixo Atlântico, Xoan Vázquez Mao, da prefeita de Santana do Livramento, e o intendente de Rivera, Uruguai, localidades-fronteira que formam uma cidade única com mais de 191 mil habitantes.

Apesar de fazerem uma vida em comum, estes municípios, esclarece o Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular em comunicado, não podem partilhar serviços ou investimentos devido à ausência de um quadro jurídico como os existentes na União Europeia.

A criação deste gabinete decorre de um projeto proposto à União Europeia em 2020 pelo Eixo Atlântico que, com a parceria da Prefeitura de Santana Livramento, pretende desenvolver ações piloto no âmbito da cooperação transfronteiriça, o que no Mercosul denominam cooperação binacional, sob a denominação “Fronteira da Paz Sustentável”, projeto cofinanciado no âmbito das “ações exteriores da União Europeia”.

Para além da criação do primeiro Gabinete de Cooperação Transfronteiriça do Mercosul – organização intergovernamental económica constituída pelo Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela – o projeto contempla a elaboração da primeira Agenda Urbana binacional e a criação de um plano de modernização da coleta de resíduos.

Este plano, indica o Eixo Atlântico, contempla ações de caráter social para a profissionalização da coleta de resíduos sólidos, tarefa geralmente exercida pelas populações em situação de vulnerabilidade social da sociedade e que será desenvolvida pela Agência de Ecologia Urbana do Eixo Atlântico, cujos especialistas prestam assessoria às autoridades locais na modernização da gestão de resíduos sólidos.

O Eixo Atlântico refere ainda que estas ações inserem-se no contexto das estratégias de internacionalização que está a desenvolver para se posicionar, tanto na América Latina como na Ásia, e para promover a transferência de conhecimento e de boas práticas de cidades europeias e de especialistas galegos e portugueses que participam no projeto.

Ainda durante esta semana, o Eixo Atlântico vai realizar reuniões com Mercocidades e com dois ministros do governo do Uruguai, dado o interesse que este projeto despertou no Mercosul.

Na agenda incluiu-se ainda uma reunião com a Agência Brasileira de Cooperação.

Entre os temas tratados nas reuniões mantidas na quarta-feira no Brasil, está a realização no próximo ano do Primeiro Congresso de Fronteiras do Mercosul, evento no qual se espera contar com a participação dos presidentes do Brasil e do Uruguai, a presidente e o vice-presidente do Eixo Atlântico e de altos dirigentes da Comissão Europeia.

Da mesma forma, o Eixo Atlântico reuniu com Mercocidades (rede de Cidades do Mercosul) e com municípios brasileiros e uruguaios, que levantaram a possibilidade de apresentar novas iniciativas similares no âmbito de editais publicados pela União Europeia ou com o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Por sua vez, a Agência Brasileira de Cooperação levantou a possibilidade de replicar este projeto em outras fronteiras do Brasil.

A presença do Eixo Atlântico, organismo que agrega vários municípios portugueses e galegos, e a sua contribuição de conhecimento ocorre há seis anos, a pedido de municípios do Brasil, Uruguai e Argentina, onde o Secretário-Geral participou estes anos em reuniões com membros do governo da Argentina e com presidentes do Paraguai, Uruguai e Argentina. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”