Uma criança vítima de bullying tem 70% mais probabilidade de vir a sentir dor grave (que impede o desempenho de atividades quotidianas) na adolescência
Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
segunda-feira, 11 de novembro de 2024
Portugal - Bullying na infância aumenta risco de dor crónica ao longo da vida
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024
Angola – Assédio moral na infância e adolescência abordados em livro de Otchaly
A escritora infantil Otchaly vai apresentar, no próximo dia 25 deste mês, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, a segunda obra intitulada “Determinação - A minha história com o bullying”
Aos
15 anos de idade, Otchaly traz no seu livro
infanto-juvenil uma narrativa autobiográfica de superação, depois ter sofrido
bullying na escola, refere uma nota enviada, esta sexta-feira, ao JA Online.
Trata-se
de uma história vivida na primeira pessoa e cujo enredo pretende inspirar o
crescimento emocional de crianças e adolescentes vítimas de intimidação
psicológica nos mais variados meios sociais. In “Jornal
de Angola” - Angola
quinta-feira, 31 de março de 2022
Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa - Com taxa de gravidezes indesejadas superior à mundial
Nova
Iorque – A taxa de gravidezes indesejadas entre mulheres dos 15 aos 49 anos em
países africanos lusófonos é superior à mundial, segundo um relatório hoje
divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA).
No
relatório “Vendo o Invisível: O caso de acção na crise negligenciada da
gravidez não intencional”, hoje divulgado, o UNFPA apresentou dados em relação
a gestações não planeadas, salientando que representam quase metade do total de
gravidezes no mundo, totalizando 121 milhões por ano.
Enquanto
a taxa mundial permanece em 64 gravidezes indesejadas por cada 1000, esse
número é muito superior em países como Angola (120), Cabo Verde (102),
Guiné-Bissau (99), Moçambique (88) e São Tomé e Príncipe (130).
Também
no Brasil esse número é ligeiramente superior aos dados mundiais (67 gravidezes
indesejadas por cada 1000 mulheres).
Entre
os países lusófonos, a excepção é Portugal (21) e Timor-Leste (50), que ficaram
abaixo da taxa mundial, neste relatório que compila dados de 2015 a 2019.
Tendência
semelhante é encontrada no levantamento da taxa de natalidade por parte de mães
adolescentes (15 a 19 anos), em que a média mundial ficou em 40 por cada 1000,
mas que foi amplamente superada pelos Países Africanos de Língua Oficial
Portuguesa (PALOP).
Angola
atingiu uma taxa de 163 por cada 1000 adolescentes, Guiné-Bissau 84, 180 em
Moçambique e 86 em São Tomé e Príncipe. Apenas Cabo Verde ficou abaixo da média
mundial (12), segundo o relatório, que apresenta dados que vão desde 2004 até
2020.
Já
o Brasil tem 49 gravidezes entre adolescentes por cada 1000 jovens, Timor-Leste
42 e Portugal sete.
Num
âmbito mais global, o relatório alerta que mais de 60% das gestações
indesejadas terminam em aborto, estimando-se que 45% destes actos sejam
inseguros e causem 5% a 13% das mortes maternas. Os abortos inseguros provocaram
a hospitalização de sete milhões de mulheres por ano, em todo o mundo.
Face
ao casamento infantil aos 18 anos, a percentagem mundial fica em 26%, e em
Angola sobe para os 30%, em Cabo Verde fica pelos 18%, 26% na Guiné-Bissau, 53%
em Moçambique, 15% em Timor-Leste, 28% em São Tomé e Príncipe e 26% no Brasil,
segundo dados de 2005 até 2020. O relatório não apresenta dados de Portugal
nesse parâmetro.
Já
a prevalência de métodos contraceptivos entre mulheres dos 15 aos 49 anos em
países africanos lusófonos como Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau, esta fica
abaixo da percentagem mundial, segundo o UNFPA.
No
relatório foi feita uma análise em relação ao uso de qualquer método
contraceptivo por mulheres a nível mundial, em que a percentagem global ficou
em 49% no corrente ano.
Contudo,
essa percentagem em Angola ficou apenas em 16%, em Moçambique 27%, 33% em
Guiné-Bissau, 38% em São Tomé e Príncipe e 44% em Cabo Verde.
Em
Portugal (60%) e no Brasil (65%), a percentagem de prevalência de qualquer
método contraceptivo entre mulheres dos 15 aos 49 anos ficou acima da média
mundial.
Já
Timor-Leste registou uma das menores percentagens face a países lusófonos
(19%).
Os
dados gerais têm, para a agência da ONU, “um grande impacto” na capacidade
global para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.
De
acordo com os dados recolhidos, 257 milhões de mulheres que querem evitar uma
gravidez não usam métodos contraceptivos modernos e seguros e quase um quarto
não tem condições para recusar sexo. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”
segunda-feira, 16 de novembro de 2020
Portugal - Estudo conclui que a autoaversão e autocompaixão são mecanismos centrais no desenvolvimento de traços borderline na adolescência
Uma
equipa da Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver um estudo, o primeiro
em Portugal focado na adolescência, que visa a deteção precoce da perturbação borderline
da personalidade (PBP), bem como a identificação de fatores de risco e
protetores que permitam construir programas de intervenção eficazes para
combater a patologia.
A
perturbação borderline da personalidade é uma perturbação grave
associada a elevada tendência suicida. Estima-se que 2 a 6% da população
mundial padeça desta perturbação marcada por uma intensa instabilidade
emocional, impulsividade e autodano. Sendo uma perturbação desenvolvimental,
não surge subitamente, pelo que se vai desenvolvendo ao longo do tempo. Por
isso, a deteção precoce é essencial para prevenir o agravamento da patologia.
Este
estudo pretende precisamente «detetar e sinalizar o mais precocemente possível
esta perturbação, por forma a evitar que se agrave. Na adolescência,
conseguimos logo detetar traços disfuncionais desta patologia, que, com o
avançar da idade, acabam por se cristalizar e intensificar, com consequências
graves», explica Diogo Carreiras, investigador principal do estudo, destacando
que esta é a grande novidade do projeto, já que, «em vez de estudar esta
perturbação severa numa ótica remediativa, ou seja, a pessoa já tem a
perturbação, o nosso foco é atuar antes, para prevenir e impedir a
perturbação».
Os
primeiros resultados deste estudo, que envolveu 1007 adolescentes (420 rapazes
e 587 raparigas) de sete estabelecimentos de ensino básico e secundário do
Centro e Norte de Portugal, com uma média de idades de 15.3 anos, e pais,
sugerem que, em média, as raparigas adolescentes apresentam traços borderline
mais elevados do que os rapazes.
Foram
também explorados fatores protetores e fatores de risco no desenvolvimento e na
evolução dos traços borderline. «Estudámos duas variáveis opostas: uma
de risco, a autoaversão, caracterizada por uma relação de grande criticismo,
aversão e de ataque ao “eu”; e uma variável protetora, a autocompaixão (relação
de autocuidado), que se traduz na capacidade de sermos sensíveis ao nosso
próprio sofrimento, reconhecendo-o, e de agir de forma genuína e comprometida
no sentido de o aliviar», clarifica o investigador do Centro de Investigação em
Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade
de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC).
Verificou-se
que, independentemente do sexo, estas duas variáveis assumem um papel
importante na evolução da sintomatologia borderline na adolescência,
mostrando assim que são variáveis essenciais a considerar na compreensão dos
traços borderline nesta faixa etária.
Devido
à falta de investigação dos traços borderline na adolescência em
Portugal, a equipa desenvolveu instrumentos de avaliação e sinalização destes
traços, nomeadamente dois questionários de autorresposta, um para adolescentes
e outro para os pais, e uma entrevista clínica para psicólogos, psiquiatras e
pedopsiquiatras poderem administrar a adolescentes, com uma linguagem adaptada
que traduz causas e mecanismos dos traços borderline.
Outra
das conclusões do estudo, financiado pela Fundação para a Ciência e a
Tecnologia (FCT), indica que há diferenças entre raparigas e rapazes no que
respeita a comportamentos autolesivos não suicidários. As raparigas tendem a
usar mais métodos de cortes superficiais de determinadas áreas do corpo (por
exemplo, braços, pulsos), enquanto os comportamentos autolesivos dos rapazes
tendem a relacionar-se mais com bater neles próprios (por exemplo, darem
murros). Ao nível da impulsividade, não se encontram diferenças globais entre
os sexos, porém os rapazes parecem ter maior dificuldade em controlar comportamentos
relacionados com o consumo de álcool e drogas.
Segundo
Diogo Carreiras, os resultados desta investigação podem ser fundamentais para
desenvolver programas dirigidos a esta população de risco, «permitindo
encontrar orientações para o desenho de intervenções psicoterapêuticas no
âmbito da prevenção e de estudos empíricos futuros. Os dados desta investigação
salientam variáveis essenciais para compreender os traços borderline em
adolescentes, bem como as diferenças nesses mecanismos psicológicos entre
raparigas e rapazes, tendo significativas implicações para a prática clínica e
prevenção».
Iniciado
em 2018, este estudo insere-se num projeto mais amplo de investigação
longitudinal, intitulado “Traços Borderline na Adolescência: Estudo prospetivo
do desenvolvimento da Perturbação Borderline da Personalidade”, e faz parte da
tese de doutoramento do investigador, orientado pelas docentes Paula Castilho e
Marina Cunha. Universidade de Coimbra - Portugal