Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 6 de agosto de 2024

Moçambique - Efeitos do El Niño comprometem época agrícola

Para mitigar os efeitos do El Niño duas províncias terão reforço de sistemas alimentares adaptados às alterações climáticas, cerca de 17 mil crianças do ensino primário terão acesso a refeições e centenas de agricultores vão beneficiar do apoio


A principal época agrícola de 2023/2024 foi afetada pela seca induzida pelo fenómeno climático El Niño em Moçambique. No período entre dezembro passado e fevereiro de 2024 foi observada seca durante 30 dias consecutivos.

Uma avaliação feita em parceria entre o governo e a Organização para a Alimentação e Agricultura, FAO, indica que a produção agrícola perdida é de pouco mais de 720 mil toneladas. Trata-se de cerca de 19% da produção global referente a mais de 3,8 milhões de toneladas.

Sistemas alimentares adaptados às alterações climáticas

Como parte da resposta ao El Niño em Moçambique, o Programa Mundial de Alimentação, PMA, recebeu do governo da Noruega, uma contribuição de U$D 3,3 milhões.

A agência disse que a doação deverá reforçar os sistemas alimentares adaptados às alterações climáticas e expansão dos programas de alimentação escolar nas províncias de Inhambane e Gaza, no sul de Moçambique.

A agência afirma que o apoio é oportuno uma vez que vai permitir a continuidade do projeto de alimentação escolar nas províncias afetadas pelo El Niño.

“Essa continuidade vem num momento crucial em que ambas províncias estão afetadas pelo fenómeno El Niño. E as familiais muitas vezes tendem a recorrer às estratégias de retirar as crianças das escolas, de deslocamento para conseguir contornar as dificuldades. Então, por meio da alimentação escolar, nós asseguramos que as crianças permaneçam na escola e deem continuidade à sua educação também tendo acesso uma melhor nutrição”.

Manter as crianças nas escolas

Para a agência das Nações Unidas, a alimentação escolar é uma ferramenta para manter as crianças nas escolas e bem nutridas.

O PMA em coordenação com o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano atende atualmente 54 escolas nas províncias de Gaza e Inhambane.

A chefe de Programas Escolares na agência fala da estimativa de abrangência do programa de alimentação escolar nas províncias afetadas pelo El Niño.

“Cerca de 17 mil crianças serão beneficiadas por esta assistência em Gaza nos distritos de Chigubo, Massagena, Massingir e Manjacaze e, na província de Inhambane, em Govuro, Mabote e Panda. Metade destes beneficiários são raparigas e que também serão benificiários de um pacote de atividades de género. Então, nós capacitamos professores dos serviços distritais de educação para realizar ações de sensibilização de género nas escolas.”

Treino para os pequenos agricultores

O projeto também pretende melhorar a segurança alimentar e nutricional dos pequenos agricultores e das famílias no distrito de Massangena na província de Gaza assim como apoiar o acesso equitativo ao ensino básico.

A especialista de Agricultura e Alterações Climáticas no PMA Moçambique, Margarida Simbine, cita os benefícios do projeto.

“Em termos de famílias, refiro a pequenos agricultores que vão beneficiar diretamente, estamos a falar de cerca 547 agricultores que estão filiados a 14 associações. Estas associações compõem uma média de 20 a 25 membros cada uma, então falando das 547 famílias, está-se a falar que o projeto vai beneficiar cerca de 2,7 mil indivíduos.”

Para além da facilitação de acesso a produtos agrícolas melhorados para aumento de produção, o treino para os pequenos agricultores e boas práticas nutricionais são alguns dos suportes que o PMA disponibiliza aos agricultores.

Melhorar a segurança alimentar e nutricional

“Então, pretendemos apoiar também com sistemas de conservação com recurso à energia solar e ao sistema de frio que vão facilitar a conservação desses alimentos para que se garanta a disponibilidade por mais tempo, mas também pequenas técnicas de processamento e de uma forma geral nos propusemos uma abordagem que promove o bem-estar das famílias. Neste caso a segurança alimentar, a nutrição, mas também que promova ecossistemas saudáveis, estamos a falar aqui destas práticas de agricultura de conservação que não são danosas ao meio ambiente.”

De acordo com o PMA, um dos desafios é melhorar a segurança alimentar e nutricional dos pequenos agricultores e das suas famílias em seis distritos das províncias de Gaza e Inhambane.

O apoio ao acesso equitativo ao ensino básico e aos programas de alimentação escolar em áreas, onde o acesso a educação é fraco devido à insegurança alimentar, também faz parte dos planos da agência.

O PMA apoia ações de salvamento em emergências e presta auxílio alimentar em favor da paz, estabilidade e prosperidade em contextos de recuperação de conflitos, desastres e impacto das alterações climáticas. Ouri Pota – Moçambique ONU News


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Brasil - Proliferação do mosquito transmissor da dengue aumenta com períodos de chuva e de calor intenso

Pedro Luiz Côrtes explica a ligação entre os fenômenos climáticos e a doença transmitida pelo mosquito “Aedes aegypti”


O aumento de casos de dengue é observado em diversas cidades do País, como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília, que lidera o número de infectados e mortes pela doença. Embora preocupante, o aumento de casos já era esperado com o fenômeno climático El Niño.

O professor Pedro Luiz Côrtes, titular da Escola de Comunicação e Artes (ECA) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo, conversa sobre a ligação entre o El Niño e o mosquito da dengue, e o que esperar do próximo fenômeno, La Niña.

Qual a ligação entre El Niño e a dengue?

Conforme explica o professor, a dengue é uma arbovirose, ou seja, doença transmitida por artrópodes como mosquitos e carrapatos. A proliferação desses agentes aumenta com o nível de chuva e calor, dois efeitos provocados pelo El Niño nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

“O que aconteceu, não só com El Niño como La Niña, é que os efeitos têm sido potencializados pelas mudanças climáticas. Então, os oceanos muito aquecidos acabam colocando mais energia nesse sistema oceano-atmosfera e os fenômenos acontecem com maior intensidade. Até se discutiu sobre a possibilidade de que a gente teria um ‘super El Niño’ no início do verão do ano passado”, relata o professor.

E o que é esperado com o La Niña?

Com o fim do verão no final de março, o El Niño dará lugar a outro fenômeno climático, o La Niña, que deve começar em julho, segundo o pesquisador. Com a inversão, deve ocorrer um “efeito gangorra”: o Sul e o Sudeste ficarão mais frios, enquanto o Norte e Nordeste devem registrar aumento de chuvas, que promoverá a proliferação de mosquitos.

“O Norte e Nordeste são regiões notadamente quentes, há uma tendência de maior proliferação desses casos nessas regiões. O que a gente vai ter é uma sobreposição de casos nas regiões atualmente afetadas e também um aumento dos casos no Norte e Nordeste”, afirma Côrtes.

O combate ao mosquito Aedes aegypti

Para o professor, o aumento de casos de dengue tem relação também com a falta de medidas preventivas por parte dos governos, que poderiam fazer uso de novas tecnologias para identificar criadouros do mosquito.

“Faltaram medidas preventivas por parte das Prefeituras no sentido de identificar criadouros. Nós temos imóveis que não estão ocupados e dentro desses imóveis podem existir criadouros. Então, uma inspeção com drones, por exemplo, seria possível para identificar uma casa que tem uma piscina desativada e que pode ser um grande proliferador do Aedes aegypti“, explica Côrtes. In “Jornal da Universidade de São Paulo” - Brasil