Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta OMS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta OMS. Mostrar todas as mensagens

sábado, 5 de setembro de 2026

Timor-Leste - Elimina tracoma e fortalece vigilância sanitária

Após anos de estudos epidemiológicos, o país recebeu validação internacional pela eliminação do tracoma, tornando-se referência em saúde ocular no Sudeste Asiático. O resultado fortalece políticas de saneamento e amplia compromisso com meta global de erradicar a doença até 2030

Nesta quinta-feira, a Organização Mundial da Saúde, OMS, validou a eliminação do tracoma como problema de saúde pública em Timor-Leste. A nação de língua portuguesa era a última da Região do Sudeste Asiático com suspeita de tracoma endémico.

A conquista é histórica para a região, que agora é reconhecida oficialmente como fora de ameaça.

Combate à cegueira

O tracoma é causado pela bactéria Chlamydia trachomatis, e constitui a principal causa infecciosa de cegueira no mundo.

A doença afeta principalmente populações vulneráveis com acesso limitado a saneamento e água potável.

Infecções repetidas geram cicatrizes nas pálpebras que curvam os cílios para dentro, a triquíase, podendo levar à perda irreversível da visão.

Timor-Leste é o 33.º país no mundo e o quarto da sua região a alcançar este marco.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, deu os parabéns à nação pelo planeamento, investigação e vigilância sanitária. Segundo ele, Timor-Leste demonstrou como a ciência e sistemas de saúde podem proteger as pessoas.

Anos de pesquisa

Entre 2015 e 2017, equipas da OMS realizaram exames na Ilha de Ataúro, triagens em clínicas oftalmológicas e buscas ativas, sem registar casos da doença.

Em 2025, um estudo epidemiológico analisou cerca de 5 mil amostras de crianças entre 1 a 5 anos de idade em todos os municípios do país, com resultados negativos para a transmissão.

A ministra da saúde de Timor-Leste, Élia dos Reis Amaral, celebrou o resultado. Ela reforçou o compromisso do governo em avançar a cobertura de saúde e fortalecer o sistema sanitário em todas as regiões do país.

Meta para 2030

O processo contou com a liderança do Ministério da Saúde timorense, apoio técnico da OMS e de organizações parceiras, incluindo a Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira.

Mesmo após a validação, Timor-Leste manterá a monitorização de casos individuais de triquíase e outras doenças oculares por meio do Centro Nacional de Olhos.

A monitorização do tracoma será integrado às plataformas nacionais de vigilância de doenças tropicais negligenciadas, em paralelo à expansão dos programas de água potável e saneamento básico.

De acordo com Ghebreyesus, a eliminação do tracoma no Sudeste Asiático é um grande passo em direção à meta global de eliminar a doença em todo o mundo até 2030. ONU News – Nações Unidas


domingo, 23 de agosto de 2026

Guiné-Bissau – Segundo a OMS subiram para oito os casos confirmados da varíola mpox

A notificação do último caso ocorreu na quarta-feira. A capital do país e a região de Biombo são o epicentro das infeções, a epidemia causada pelo vírus também conhecido por varíola dos macacos foi declarada pelas autoridades sanitárias em julho


A Organização Mundial da Saúde, OMS, destacou profissionais no terreno para apoiarem os esforços em curso para conter a propagação da epidemia da varíola dos macacos, conhecida como mpox, com oito casos já confirmados e 47 suspeitos na Guiné-Bissau.

O anúncio foi feito seis semanas após ter sido confirmada a primeira notificação, há seis semanas, pelas autoridades sanitárias.

Condições subjacentes

Até ao momento, não houve mortes relacionadas à doença e não há registo de infeções em crianças. Foram rastreados 110 casos de contacto, 51% dos quais já completaram o ciclo de seguimento. O acompanhamento dos casos continua em curso.

Em conversa com a ONU News, em Bissau, o representante da OMS no país, Walter Kazadi Mulombo, disse que os primeiros casos foram curados. Ele alertou sobre crianças, grávidas e pessoas que vivem com o VIH não controlado e outras doenças como grupos de alto risco a casos severos.

Segundo o chefe da OMS na Guiné-Bissau, os grupos afetados estão na faixa etária de 18 a 34 anos. A maioria são homens. Não há registo de casos severos, mas continuam a monitorizar a situação.

Transmissão e sintomas

A agência dá conta que o vírus com a transmissão ocorrida por contato direto entre humanos e de homem ao animal e animal ao homem é, em muitos casos, curável espontaneamente. O mpox é muito contagioso e a prevenção requer a participação de todos.

Formas graves da doença incluem casos com infeção da pele que pode invadir o sangue, alcançar o cérebro, os pulmões e o coração, podendo levar à morte. O período de incubação do vai de dois a 21 dias e os sintomas podem durar de duas a quatro semanas, explica o epidemiologista.

O especialista destaca que os principais sintomas são erupção cutânea, que começa geralmente ao nível da cara, mas pode ser também na palma das mãos ou dos pés, mas pode-se generalizar a todo o corpo.

Prevenção e controlo

São lesões cutâneas que começam como vesículas, estoiram, surgem ferimentos e se secam, formam cascas que vão cair e a pele vai reconstituir-se, ficando assim curada a doença, acrescentou Kazadi Mulombo. Para ele, é importante monitorizar os grupos vulneráveis e o pessoal de saúde que lida com a doença.

As medidas de prevenção são universais: lavar as mãos com água e sabão ou utilizar solução hidro alcoólica, evitar contactos com pessoas que apresentem sintomas, desinfetar a superfície tocada pelas pessoas infetadas e não manipular as roupas dos doentes do mpox.

De lembrar que a epidemia foi declarada pelo Ministério de Saúde na primeira semana de julho e todos os casos concentram-se no noroeste do país em duas das 11 regiões sanitárias. Amatijane Candé – Guiné-Bissau ONU News


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

República Democrática do Congo - Chegada de milhares de vacinas procura conter surto de ébola

A OMS diz que 70 mil doses estão disponíveis contra a pior e mais rápida epidemia do vírus já registada no país. O esforço logístico e humanitário visa imunizar profissionais da linha de frente e conter propagação incomum nas regiões afetadas


Com uma velocidade de propagação três vezes superior à da epidemia de ébola que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, a República Democrática do Congo, RD Congo, recebe 70 mil doses da vacina Ervebo.

A atual corrida contra o tempo visa travar o avanço do vírus no leste do país, disseram a Organização Mundial da Saúde, OMS, e seus parceiros. A Ervebo, autorizada em 2019, foi a primeira vacina desenvolvida para proteção contra a infecção pelo ébola.

Esperança

Até agora, a 17.ª epidemia na República Democrática do Congo já fez 2476 vítimas fatais em meio a 5208 casos. A liberação de 70 mil doses da vacina Ervebo é considerada um “raio de esperança”.

A agência da ONU ressaltou, nesta quinta-feira, que a medida responde a um pedido urgente do governo congolês e representa uma “demonstração histórica de solidariedade global na linha de frente da saúde pública”.

O principal objetivo desta distribuição de imunizantes é a proteção dos trabalhadores da linha de frente. São 50 mil doses anunciadas diretamente para profissionais de saúde e trabalhadores essenciais que arriscam as suas vidas diariamente.

De acordo com o anúncio, as 20 mil doses restantes serão aplicadas num ensaio clínico de Fase 3.

O desafio do vírus bundibugyo

Apesar do alívio trazido pelos imunizantes, os cientistas enfrentam o desafio de lidar com a vacina Ervebo. O produto é altamente eficaz contra a cepa tradicional do vírus ebola, mas não foi originalmente desenvolvido para o vírus bundibugyo.

A cepa específica é responsável pelo surto atual, para o qual não havia tratamentos ou vacinas aprovadas anteriormente. O comunicado da OMS frisa que, embora ainda não se saiba com certeza se a Ervebo protegerá totalmente contra o bundibugyo, dados preliminares de laboratório e de testes em animais sugerem que ela pode fornecer um grau importante de proteção cruzada.

A estratégia e o futuro

Diante deste novo desenvolvimento, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, reforçou que a agência une forças com o Centro de Controlo de Doenças da África e autoridades locais para intensificar a vigilância, a detecção rápida, o engajamento comunitário e o atendimento de qualidade.

O ponto frágil da resposta tem sido a velocidade. A maioria dos novos casos é descoberta fora da monitorização de contactos, o que permite que o vírus continue a espalhar-se mais rápido do que as equipas médicas conseguem rastreá-lo.

Com a chegada do lote de vacinas, a RD Congo ganha uma ferramenta essencial para tentar virar o jogo e salvar vidas na região. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

República Democrática do Congo - Expansão do vírus ébola ameaça atravessar fronteiras

Três meses após o alerta de emergência internacional, a epidemia da variante bundibugyo acelera e cruza fronteiras congolesas rumo a novos países, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde relata uma velocidade sem precedentes


O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, discursou durante a 2.ª reunião do Comité de Emergência, realçando o registo de quase 5 mil pessoas infectadas por ébola e mais de 2,3 mil mortos em seis províncias e 55 zonas de saúde na República Democrática do Congo.

Uma das prioridades das autoridades neste surto é conter a escalada das infecções a nível internacional e mitigar a ameaça iminente de colapso sanitário nas fronteiras. Teme-se, sobretudo, que o risco transfronteiriço provoque um alastramento de casos na vizinha República Centro-Africana.

Expansão geográfica do surto

O país enfrenta forte insegurança devido ao deslocamento populacional e ao intenso movimento comercial e de mineração ao longo de estradas e rios. O perigo de o vírus atravessar as fronteiras centro-africanas é uma preocupação constante.

A expansão geográfica do surto para as províncias do norte da RD Congo, como Tshopo e Haut-Uélé, também é motivo de temor pois a crise de saúde irá sobrepor-se a graves desafios humanitários já existentes.

A introdução da variante bundibugyo num cenário de extrema fragilidade poderia desencadear uma catástrofe regional.

No Uganda, a contaminação resultou em 20 casos e duas mortes. Embora o governo ugandense tenha sido elogiado pela resposta decisiva que travou à transmissão local rápida, o nível de alerta permanece máximo.

Controlar a epidemia congolesa

A situação na França contraria a percepção de que o surto estaria restrito ao continente africano. No mês passado, um viajante infectado transportou o vírus para o país europeu, o que reforça que as fronteiras “podem atrasar a resposta, mas não impedem a circulação de um vírus”.

A OMS realçou a transmissão oculta nas comunidades e as complexas dificuldades de controlar a epidemia em território congolês.

O vírus teve um forte avanço inicial, forçando as equipas médicas a atuarem de forma reativa para conter os estragos.

O padrão de casos fatais é o que mais assusta as autoridades: pessoas estão a morrer em casa, nas suas próprias comunidades, à margem dos centros de tratamento e fora das listas de contatos conhecidos.

Ensaios clínicos em humanos

Cada um dos óbitos registados representa uma cadeia de transmissão oculta. Segundo o chefe da OMS, enquanto cada elo dessa cadeia não for rastreado e interrompido, a epidemia continuará o seu avanço arrasador.

Sob a liderança do Governo da RD Congo, em parceria com a agência da ONU e o Centro de Controlo de Doenças da África, todas as frentes de resposta estão sendo ampliadas.

Pela primeira vez, duas vacinas foram desenvolvidas especificamente contra o vírus bundibugyo e avançaram para ensaios clínicos em humanos.

Os esforços incluem uma terceira vacina que demonstrou proteção cruzada em testes com animais e avançou diretamente para um ensaio de Fase 3. Além disso, o ensaio de tratamentos terapêuticos apoiado pela OMS já cadastrou os seus primeiros 100 pacientes.

Financiamento sustentado e reforço da segurança

Para agilizar o progresso, a agência da ONU fez um apelo urgente pelo compartilhamento rápido de dados, financiamento sustentado e reforço da segurança e coordenação transfronteiriça com a República Centro-Africana e o Uganda.

Por fim, o diretor-geral fez um apelo para que o mundo não se esqueça de que o ébola é apenas uma das muitas provações enfrentadas pela população da RD Congo e dos países vizinhos.

Mortalidade materna, malária, cólera, doenças diarreicas e pneumonia continuam a ceifar vidas. É essencial que a grande mobilização contra o atual surto não interrompa o acesso rotineiro a outros serviços essenciais de saúde. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 1 de julho de 2026

Venezuela - 4 em 10 deslocados por terremotos estão nas ruas ou espaços públicos

Fome, disseminação de doenças e falta de abrigo adequado são algumas das ameaças após os tremores do último dia 24. Os serviços de saúde e necrotérios estão em estado de colapso, a ONU intensifica apoio às vítimas e serviços de resgate


As operações de busca e resgate continuaram na Venezuela nesta terça-feira, enquanto milhares de sobreviventes do terremoto tentam encontrar abrigo após terem perdido as suas casas.

Na segunda-feira, as autoridades venezuelanas confirmaram 1719 mortes, pelo menos 5034 feridos e 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter.

Comida em falta

Seis dias após os sismos, "a escassez de alimentos é generalizada" em La Guaira, o estado mais afetado, segundo a agência da ONU para refugiados, Acnur.

A porta-voz da entidade, Carlotta Wolf, afirmou nesta terça-feira que “os serviços básicos entraram em colapso e a conectividade foi amplamente interrompida”.

Ela ressaltou que as tensões dentro das comunidades estão a aumentar devido à dificuldade de acesso à assistência.

Abrigos abaixo do padrão

Uma avaliação rápida das necessidades realizada pelo Acnur nos estados de La Guaira, Distrito Capital, Miranda, Aragua e Carabobo mostrou que metade dos entrevistados estava abrigada com vizinhos ou parentes após o desastre.

Além disso, quase quatro em cada 10 estão a viver nas ruas e espaços públicos, e outros em igrejas, escolas ou instalações improvisadas.

Carlotta Wolf alertou que “esses abrigos improvisados ​​não atendem aos padrões mínimos de proteção”, em termos de privacidade, espaços seguros e níveis básicos de higiene e conforto.

A porta-voz do Acnur também expressou preocupação com a presença de crianças desacompanhadas e separadas das famílias.

Caos no sistema de saúde

Já o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, Christian Lindmeier, disse que “os serviços de saúde estão sob extrema pressão neste momento”.

Segundo ele, o aumento nos casos de trauma ultrapassa a capacidade das instalações de saúde.

No sábado, a OMS analisou dados de 21 unidades de saúde em Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón, concluindo que três estão "em estado crítico", seis apresentam danos estruturais ou estão parcialmente funcionais e as restantes "permanecem operacionais sob grande pressão".

Lindmeier alertou para a “prestação de serviços caótica” e fluxos de pacientes, marcados por superlotação, crescentes atrasos cirúrgicos, falha nas medidas de biossegurança e equipa severamente estressada.

O porta-voz da OMS também destacou "lacunas críticas" na prestação de cuidados de saúde, incluindo o colapso dos serviços forenses e de necrotérios, bem como o registo inadequado de vítimas e de pessoas desaparecidas.

Doenças podem espalhar-se

A OMS afirma ainda que há um risco de surtos de doenças preveníveis por vacinação, como sarampo, difteria, coqueluche, além de febre amarela e outras doenças transmitidas por vetores e pela água, incluindo dengue, chikungunya, zika, oropouche e malária.

Lindmeier explicou que muitos dos deslocados estão sob alto risco, devido à baixa cobertura vacinal antes do terremoto e ao acesso limitado às vacinas atualmente.

Ele adicionou que vários profissionais de saúde em La Guaira continuam desaparecidos, incluindo os responsáveis ​​por cuidados maternos na região, o que criou uma lacuna crítica na assistência obstétrica.

A resposta da ONU em números

  • Libertou US$ 15 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências
  • Estabeleceu três centros de atendimento em La Guaira para famílias que perderam as suas casas
  • O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, está a coordenar a mobilização de 27 países e mais de 40 equipas de busca e salvamento
  • O Programa Mundial de Alimentos, WFP, tem mais de 3 mil toneladas de alimentos em stock no país, quantidade suficiente para alimentar cerca de 10 mil famílias por dois meses.
  • A Unicef mobilizou pessoal e suprimentos adicionais para atender cerca de 650 mil pessoas, incluindo 234 mil crianças. Para viabilizar uma resposta imediata, alocou US$ 1,5 milhão dos seus recursos internos e US$ 1 milhão do Fundo Temático Humanitário Global
  • A Organização Internacional para as Migrações, OIM, está se preparando para distribuir os seus suprimentos nas áreas de maior necessidade
  • A Organização Mundial da Saúde, OMS, por meio da Organização Pan-Americana da saúde, Opas, já avaliou as condições de sete unidades de saúde, determinando necessidades de medicamentos, oxigénio, combustível e outros consumíveis essenciais. Além disso, está a mobilizar equipas médicas especializadas. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Moçambique - É pioneiro global na retoma da vacinação contra a cólera após reforço

A Organização Mundial de Saúde realiza campanhas preventivas na retoma da distribuição de vacinas depois de mais de três anos de pausa. A produção anual global de imunizantes duplicou de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões em 2025


A vacinação preventiva global contra a cólera retomou após o fornecimento internacional de vacinas ter alcançado um nível suficiente para permitir o reinício das campanhas. É a primeira vez em mais de três anos que o processo é realizado.

O anúncio foi feito esta quarta-feira pela Aliança Global para Vacinas, GAVI, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e pela Organização Mundial da Saúde, OMS.

Contextos desafiantes para a retoma

Moçambique torna-se o primeiro país a retomar a vacinação, após a suspensão das ações em 2022. Na época, a alta global dos casos de cólera levou a uma procura sem precedentes e à escassez de vacinas orais contra a doença.

Em território moçambicano, a campanha retoma em contexto desafiante, marcado por um surto ativo de cólera e pelas consequências das cheias recentes que afetaram mais de 700 mil pessoas e deslocaram milhares.

As inundações danificaram sistemas de saúde e de abastecimento de água, aumentando o risco de doenças transmitidas pela água.

O diretor geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, a falta de vacinas obrigou uma resposta reativa, centrada no controlo dos surtos, em vez da prevenção. Ele afirmou que a agência está agora em “posição mais forte para quebrar esse ciclo”.

Distribuição de 20 milhões de doses

A primeira alocação de 20 milhões de doses de imunizantes contra a cólera está a ser utilizada para as campanhas preventivas. Deste total, 3,6 milhões de doses foram entregues em Moçambique, enquanto as restantes devem seguir para a República Democrática do Congo e para o Bangladesh.

A produção anual global de vacinas contra a cólera duplicou, passando de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões em 2025. As vacinas são financiadas pela Aliança GAVI e distribuídas pelo Unicef.

Os países beneficiários foram selecionados com base em critérios definidos pela Força-Tarefa Global para o Controle da Cólera por forma a garantir uma distribuição equitativa e transparente.

Para a diretora executiva da Unicef, Catherine Russell, o aumento do fornecimento de vacinas permite a prevenção de emergências em grande escala.

Transmissão continua em alta

A cólera é transmitida através da água ou alimentos contaminados, causando diarreia grave e desidratação, podendo ser fatal se não for tratada rapidamente.

Em 2024, mais de 600 mil casos e cerca de 6,7 mil mortes foram notificados à OMS em 33 países, embora estes números sejam subestimados, uma vez que as infeções continuam subnotificadas.

Desde 2021, os casos globais têm aumentado a cada ano. No entanto, foi registada uma ligeira redução em 2025, mas as mortes continuam a disparar.

A agência reforça que a vacinação é apenas uma das ferramentas de resposta, que inclui também investimentos de longo prazo em água, saneamento e higiene, vigilância, tratamento rápido e envolvimento comunitário. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Nações Unidas – Organização Mundial de Saúde e Banco Mundial apontam avanços na cobertura universal de saúde

O Estudo aponta avanços desde 2000, com melhorias no acesso e na redução dos custos diretos. As desigualdades ainda persistem e mais de mil milhões de pessoas continuam sem proteção adequada



O Relatório Global de Monitorização da Cobertura Universal de Saúde 2025 mostra que o Índice de Cobertura de Serviços aumentou de 54 para 71 pontos entre 2000 e 2023.

No mesmo período, a percentagem de pessoas que enfrentam dificuldades financeiras devido a despesas diretas nesse campo diminuiu de 34% para 26%.

Custos de saúde continuam a afetar populações mais pobres

O relatório assinala que as populações mais pobres continuam a suportar o maior peso dos custos de saúde considerados incomportáveis. Estima-se que 1,6 mil milhões de pessoas tenham sido empurradas ainda mais para a pobreza devido às despesas médicas.

No total, cerca de 4,6 mil milhões de pessoas continuam sem acesso a serviços essenciais de saúde e 2,1 mil milhões enfrentam dificuldades financeiras para obter cuidados.

As despesas diretas com medicamentos são identificadas como um dos principais fatores dessas dificuldades: em três quartos dos países com dados disponíveis, os medicamentos representam pelo menos 55% dessas despesas. Entre as pessoas em situação de pobreza, esse valor atinge uma média de 60%.

Ritmo de progresso abranda e desigualdades aumentam

Apesar dos avanços, o relatório indica que o ritmo global de progresso desacelerou desde 2015. Apenas um terço dos países melhora simultaneamente à cobertura de serviços e à redução das dificuldades financeiras.

Todas as regiões da OMS avançaram na cobertura, mas apenas África, Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental conseguiram também reduzir o impacto financeiro.

Em 2022, três em cada quatro pessoas nos segmentos mais pobres enfrentaram dificuldades financeiras relacionadas com a saúde, em contraste com menos de uma em cada 25 entre as mais ricas. Mulheres, pessoas em zonas rurais, com menos educação ou em situação de pobreza continuam a relatar maiores dificuldades no acesso aos serviços essenciais.

Perspectivas até 2030 e metas da cobertura universal

Sem uma aceleração dos progressos, o relatório projeta que o índice global de cobertura de serviços chegue apenas a 74 de 100 pontos até 2030.

Nesse cenário, quase uma em cada quatro pessoas continuará a enfrentar dificuldades financeiras no final do período dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O documento destaca que os avanços em doenças infecciosas impulsionaram a maior parte do progresso registado, enquanto os ganhos em saúde materna, neonatal e infantil foram mais modestos.

O relatório sublinha ainda a importância do reforço dos sistemas de saúde e da proteção social para alcançar a cobertura universal até 2030. ONU News – Suíça

Angola aumenta cobertura de saúde, mas continua entre os piores da lusofonia: Seis em cada 10 pessoas não têm acesso a cuidados básicos de saúde

Apesar do ligeiro aumento na cobertura de serviços, Angola continua entre os países com pior desempenho no acesso a cuidados essenciais de saúde na lusofonia: 56% da população não tem serviços básicos e 40% enfrenta dificuldades financeiras para pagar consultas, exames ou medicamentos

Em Angola, pelo menos seis em cada 10 pessoas (56% da população) continuam sem acesso a cuidados essenciais de saúde e quase quatro em cada 10 (40%) enfrentam dificuldades financeiras graves para pagar consultas, exames ou medicamentos. Estes indicadores colocam o País entre os que apresentam piores níveis de cobertura de serviços de saúde a nível global, segundo o Relatório de Monitorização Global da Cobertura Universal de Saúde 2025, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Banco Mundial (BM).

Apesar de um ligeiro progresso na cobertura de serviços essenciais de saúde na população, entre 2000 e 2023, que passou de 36% para 44%, o País continua abaixo da média da região africana de 51%.

Embora a classificação de Angola esteja ligeiramente acima do nível considerado "baixo", no País o acesso efectivo aos serviços de saúde ainda é limitado. Somente menos da metade da população consegue beneficiar de cuidados essenciais nas áreas de saúde materna, neonatal e infantil, vacinação, doenças infecciosas e não transmissíveis, saneamento e outros serviços hospitalares. Teresa Fukiady – Angola in “Novo Jornal”


quarta-feira, 17 de setembro de 2025

República Democrática do Congo - Começa vacinação contra Ébola

Parceiros internacionais aprovaram envio de dezenas de milhares de doses para conter surto na nação africana. A província de Kasai iniciou imunização após entrega de 400 doses com apoio da Organização Mundial da Saúde, OMS


A vacinação dos profissionais de saúde e de pessoas em contato com casos confirmados de Ébola começou na zona de Bulape, na República Democrática do Congo, onde foi declarado um surto da infecção.

As primeiras 400 doses da vacina Ervebo, provenientes de um estoque preposicionado de 2 mil doses na capital congolesa, Kinshasa, já foram entregues. Doses adicionais estão a caminho das localidades afetadas.

Estratégia de vacinação

Foi adotada uma estratégia de vacinação em anel, que consiste em imunizar os indivíduos com maior risco de contágio após contato com doentes confirmados. A medida é também recomendada para profissionais de saúde e trabalhadores da linha da frente expostos ao vírus. A vacina Ervebo é considerada segura e eficaz contra a espécie Zaire, confirmada como causa do surto em curso.

O Grupo Internacional de Coordenação do Fornecimento de Vacinas aprovou o envio de cerca de 45 mil doses adicionais para reforçar a resposta ao surto.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, apoiou as autoridades sanitárias no pedido de doses adicionais, e, juntamente com parceiros como o Unicef, desenvolveu um plano de vacinação ajudando na formação de agentes para recolha de dados e apoio direto às comunidades.

Reforço da resposta

Além das vacinas, tratamentos com anticorpos monoclonais (Mab114), utilizado em cuidados clínicos, também foram enviados ao centro de tratamento em Bulape. A OMS destacou, no terreno, até agora 48 especialistas em vigilância, cuidados clínicos, prevenção e controlo de infeções, logística e envolvimento comunitário, que estão a apoiar as autoridades no controlo do surto.

Nos países vizinhos, a agência da ONU está a trabalhar com os governos nacionais para reforçar a capacidade de deteção rápida de casos e uma implementação imediata de medidas de contenção.

A OMS avalia o risco para a saúde pública como elevado em nível nacional, moderado em nível regional e baixo em nível global. ONU News – Nações Unidas

domingo, 25 de maio de 2025

Angola - É o quarto país com mais casos de cólera

De janeiro a abril foram notificados mais de 157 mil casos e 2148 mortes pela doença em 26 nações. África lidera o número de infecções, seguida pelo leste do Mediterrâneo e o sudeste da Ásia. Angola é o quarto país com mais casos da lista



O número de surtos e casos de cólera está a aumentar no mundo. O alerta é da Organização Mundial da Saúde, OMS. Em boletim da agência, que lista notificações de 1 de janeiro a 27 de abril, foram registados 157.035 casos da infecção que levaram a 2148 mortes em 26 países.

Angola aparece em quarto lugar na compilação da OMS com um total de 15.844 casos. A nação de língua portuguesa é antecedida pelo Sudão do Sul, Afeganistão e República Democrática do Congo.

Desastres naturais e conflitos

A África é o continente com a maior quantidade de notificações, seguido pelo leste do Mediterrâneo e o sudeste da Ásia.

Somente no mês passado, foram reportados à OMS um total de 37.147 casos de cólera e 561 mortes em 18 nações, um aumento de 5% se comparado aos números de março.

A agência da ONU lembra que os estoques de vacinas orais contra o cólera estão baixos. Atualmente com 3,6 milhões de doses, o estoque deveria conter pelo menos 5 milhões em casos de emergência.

Dentre os fatores para o aumento dos surtos de cólera estão deslocamentos em massa, conflitos, desastres naturais como cheias e as consequências da alteração climática.

Campanhas de prevenção

A agência da ONU está a apostar numa resposta rápida e campanhas de prevenção para conter a doença.

A OMS lembra que parcerias podem ajudar a reforçar o combate como equipas médicas de Portugal que foram para Angola apoiar o Ministério da Saúde do país. As autoridades angolanas montaram um Centro de Tratamento de Cólera para melhor gerir as infecções. A OMS também despachou equipas para apoiar ações de acesso a soluções de reidratação nas comunidades angolanas e melhorar a qualidade do tratamento. O material da campanha foi traduzido para o português.

Treino para 150 pessoas de governos e ONG

Somente no mês passado, Angola notificou 6201 novos casos de cólera com 164 mortes. A maior parte das infecções vem de Luanda, capital do país, e das províncias de Bengo, Benguela e Cuanza Norte.

Ainda de acordo com a agência da ONU, outros especialistas foram enviados para países como Haiti, Quénia, Moçambique, Sudão, Sudão do Sul e outros para operar em vigilância e epidemiologia além de outras áreas de apoio.

Uma outra frente de combate são os programas de água, saneamento e higiene, conhecidos como Wash, para evitar que a doença se espalhe.

No fim de abril, a OMS na África realizou um webinar sobre o tratamento descentralizado da cólera com mais de 150 representantes de Ministérios da Saúde africanos e organizações parceiras em países afetados e com alta taxa de risco. ONU News – Nações Unidas


sábado, 5 de abril de 2025

Moçambique - Após aumentos de casos de cancro, o país reforça parcerias internacionais

A Agência Internacional de Energia Atómica, a OMS e a Agência de Pesquisa sobre Cancro realizam revisão ImPACT, a meta é promover ações do governo para aumentar acesso a diagnóstico e tratamento. A capital Maputo tem apenas 1 unidade radiológica para 30 milhões de pessoas



Todos os anos, Moçambique, o país de língua portuguesa no sul da África, regista 26 mil novos casos de cancro. Segundo estatísticas oficiais, até 2045, o número de casos da doença deve mais que dobrar.

O ministro da Saúde, Armino Tiago, afirma que os dados são alarmantes e preocupantes. O país decidiu investir em parcerias internacionais para socorrer quem precisa.

Expansão de casos

Este ano, Moçambique convidou duas entidades da ONU: a Organização Mundial de Saúde, OMS, e a Agência Internacional de Energia Atómica, Aiea, para realizar uma revisão chamada ImPACT.  A meta é analisar o que pode ser feito contra a expansão de casos no país e expandir o tratamento.

A ação é acompanhada da Agência Internacional para Pesquisa sobre Cancro.

O cancro já é responsável por quase metade das mortes prematuras por doenças crónicas.

Muitas pessoas somente chegam a uma consulta médica nos últimos estágios do cancro, o que torna o tratamento mais complicado. E no caso de Moçambique, muitos que precisam não recebem os cuidados por falta de equipamentos e pessoal.

Segunda maior causa de morte no mundo

O cancro é hoje a segunda maior causa de morte em todo o mundo. As revisões ImPACT tentam auxiliar os países em avaliações de causas e capacidades para ajudar os governos a responder ao problema controlando o número de novos diagnósticos.

Uma das propostas é criar um plano nacional de cancro com informações para doadores e adesões do país às iniciativas da OMS como cancro infantil, da mama ou cervical.

Para o Ministério da Saúde, a parceria com a ONU capacita e beneficia os sistemas de saúde locais e nacional.

Os especialistas são da África, da Europa e das Américas e atuam em áreas como oncologia, patologia, cuidados paliativos e epidemiologia. Muitos falam português, a língua oficial de Moçambique, o que ajuda no contato com os cidadãos.

Preparação na internet antes de chegar ao terreno

A Aiea, que tem um programa dedicado ao combate ao cancro, envia especialistas em radiologia, segurança de radiação e diagnósticos e outros equipamentos.

Reuniões e preparativos ocorrem na internet antes da produção de um relatório e plano de ação e antecede à chegada da missão ao país.

Como parte da prevenção do cancro, os profissionais recomendam fatores como dieta adequada, cartão de vacinas em dia e uma vida sem tabaco que pode ajudar a evitar em até 40% todos os casos de cancro.

O diagnóstico cedo também aumenta as possibilidades de cura. Com o tratamento, a meta é curar a doença e prolongar a vida com qualidade. Já os cuidados paliativos focam-se nas necessidades dos pacientes e das suas famílias desde o diagnóstico até à capacidade de enfrentar a doença.

Quando chegam a Moçambique, as equipas já têm um bom conhecimento do terreno e deslocam-se aos hospitais e centros de saúde pública, onde se reúnem com profissionais do setor, representantes da sociedade civil e tomadores de decisão.

Dar prioridade às crianças e mulheres

Uma das prioridades da iniciativa ImPACT em Moçambique são crianças e mulheres que vivem com cancro. Num dos centros, o Primeiro de Maio, foram analisados o impacto do atendimento de saúde básica com prevenção e diagnóstico a tempo, especialmente para cancro infantil, da mama e cervical.

Um dos especialistas em oncologia infantil, do Gana, que participa da missão afirmou que mais de 80% dos casos de cancro em crianças têm cura, mas o mundo está apenas no patamar de 30% de cura em países de rendimentos baixos e média.

Equipa de brasileiros

Há mais de uma década, a Aiea tem atuado no Hospital Central de Maputo com atendimento a pacientes de cancro. Uma equipa de especialistas brasileiros realizou o treinamento de radioterapia com o apoio da agência da ONU.

Como Moçambique tem acesso limitado aos equipamentos de radiologia e outras tecnologias, fica mais difícil apoiar os pacientes que precisam do tratamento.

A capital Maputo, por exemplo, tem apenas uma unidade de radiologia para uma população de mais de 30 milhões de pessoas. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Argentina - Anuncia saída da Organização Mundial da Saúde

O Governo argentino anunciou, esta quarta-feira, a saída da Organização Mundial da Saúde (OMS) por divergências profundas em torno da gestão da pandemia da Covid-19 e em nome da soberania nacional



"O Presidente Javier Milei deu instruções ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Gerardo Werthein, para que retirasse a Argentina da OMS. Esta decisão baseia-se nas divergências profundas no que diz respeito à gestão da saúde, especialmente durante a pandemia", anunciou o porta-voz da presidência argentina, Manuel Adorni, conforme a Lusa.

Segundo a mesma fonte, a Argentina responsabiliza a OMS e o anterior Governo, liderado por Alberto Fernández (2019-2023), pelo "confinamento mais longo da história da humanidade", e acusou a agência de saúde da ONU de se deixar contagiar pela "influência política de alguns Estados".

"Os argentinos não vão permitir que uma organização internacional intervenha na nossa soberania e muito menos na nossa saúde", concluiu. In “Jornal de Angola” – Angola com “Lusa”


quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Cabo Verde – Organização Mundial de Saúde destaca o país pela exemplar cobertura vacinal e reafirma apoio

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou que Cabo Verde “é um exemplo na vacinação”, com uma cobertura superior a 95%, e reafirmou o compromisso de apoiar o país na superação de desafios e no cumprimento das metas globais.

“A prevenção das doenças preveníveis por vacinação é um ganho enorme para a população” e “Cabo Verde é um exemplo, porque são anos de história, de bons resultados, com uma cobertura altíssima, acima de 95%”, afirmou a representante adjunta da OMS em Cabo Verde, Luciana Chagas, na cidade da Praia.

Na abertura de um fórum nacional sobre os 47 anos de vacinação em Cabo Verde, a representante apontou que o país pretende ampliar os objetivos para novas vacinas, abrangendo diferentes faixas etárias e segmentos populacionais. “Isto é o que realmente vai garantir que todos tenham acesso a uma boa saúde, qualidade de vida, bem-estar e uma saúde para toda a população do país. A OMS continuará a apoiar Cabo Verde, seja na mobilização de parcerias ou na concretização desses objetivos”, afirmou.

A diretora nacional de Saúde de Cabo Verde, Ângela Gomes, saudou o percurso do programa vacinal do arquipélago, considerando-o um dos principais da saúde pública do país, que soma 47 anos de progresso.

Entre as metas futuras, Cabo Verde pretende introduzir vacinas contra pneumococo e gripe para os idosos, além de outras imunizações voltadas para a infância e idade adulta, de acordo com a estratégia nacional de vacinação.

O programa de vacinação de Cabo Verde é estruturado com o objetivo de garantir a imunização universal e proteger a população contra doenças infecciosas graves.

Esse programa segue as diretrizes da OMS sendo atualizado periodicamente para incluir novas vacinas de acordo com as necessidades de saúde pública. “Cabo Verde não poderia estar melhor representado do que na avaliação externa realizada no ano passado, onde obteve 87%, uma das melhores pontuações em África”, acrescentou. In “Ponto Final” - Macau


terça-feira, 16 de julho de 2024

Angola – Está na lista dos dez países com taxas mais baixas de vacinação infantil

Angola integra o grupo de países com as taxas de vacinação mais baixas. O País vacinou apenas 411 mil crianças contra a difteria, tétano e tosse convulsa (DTP, na sigla em inglês) em 2023

No ano passado, 55% das crianças não tiveram acesso à vacina contra o sarampo, sendo Angola um dos países que regista a taxa mais baixa de cobertura daquela doença.

Os dados são da OMS e da UNICEF e dizem respeito às estimativas relativas à cobertura nacional de vacinação infantil.

À escala global, a OMS e a UNICEF alertam que os níveis globais de imunização infantil estagnaram em 2023, e o resultado são 2,7milhões de crianças não vacinadas se comparados com os níveis pré-covid-19, em 2019.

As duas agências da Organização das Nações Unidas alertam, num comunicado conjunto, que o resultado é "a falta de protecção que salva vidas", e destacam que quase três em cada quatro bebés vivem em países onde a baixa cobertura vacinal está a provocar surtos de sarampo.

As últimas estimativas da OMS e da UNICEF sobre a cobertura nacional de imunização (WUENIC, na sigla em inglês) - que fornecem o maior e mais abrangente conjunto de dados do mundo sobre as tendências de imunização para vacinações contra 14 doenças - sublinham a necessidade de esforços contínuos de recuperação e fortalecimento do sistema.

A diretora executiva da UNICEF, Catherine Russell, citada no comunicado, refere que "as últimas tendências demonstram que muitos países continuam a não vacinar demasiadas crianças", dando como exemplo o número de crianças que receberam três doses da vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa (DTP, na sigla em inglês) em 2023 - um marcador chave para a cobertura global de imunização - que estagnou em 84% (108 milhões).

Já o número de crianças que não receberam uma única dose da vacina aumentou de 13,9 milhões em 2022 para 14,5 milhões em 2023.

"Embora tenha havido um progresso modesto em algumas regiões, incluindo a região africana e os países de baixo rendimento, as últimas estimativas sublinham a necessidade de acelerar os esforços para atingir os objectivos da Agenda de Imunização 2030 (IA2030) de 90% de cobertura e não mais de 6,5 milhões de crianças com 'dose zero' a nível mundial até 2030", alertam as duas agências da ONU. In “Novo Jornal” Angola

 


sexta-feira, 12 de abril de 2024

Timor-Leste – Regista surto de raiva

A Organização Mundial da Saúde avalia o risco representado pela morte de uma jovem como alto a nível nacional e baixo a nível regional e global. A vítima foi mordida por um cão. A resposta de saúde pública inclui a vacinação de cães, vigilância ativa e profilaxia pós-exposição


O governo de Timor-Leste registou 29 casos suspeitos de raiva em humanos, com exposição a cães, até ao mês passado. Em 22 de março, o país comunicou à Organização Mundial da Saúde, OMS, o primeiro caso humano fatal confirmado.

Trata-se de uma jovem de 19 anos, natural da sub-região de Pasabe, Oecusse. Ela deu entrada num posto de saúde local com sintomas como febre alta, vómitos, dor de garganta, tosse, dificuldade para engolir alimentos, hidrofobia, fotofobia, dor nas costas e rigidez na nuca.

Ações de resposta

Foi relatado que ela foi mordida nas mãos por um cão em 26 de dezembro de 2023. A jovem morreu dois dias depois de procurar ajuda médica.

A OMS avalia o risco representado por esse evento como alto a nível nacional e baixo a nível regional e global.

Atualmente, Timor-Leste é classificado como país livre de raiva. A resposta de saúde pública aos casos recentes está em curso e inclui a vacinação de cães, comunicação de risco, formação de profissionais de saúde sobre gestão de casos, vigilância ativa e garantia da disponibilidade de vacinas antirrábicas e imunoglobulina antirrábica humana.

Doença quase 100% fatal

Todos os 29 casos suspeitos receberam as vacinas contra o Toxoide Tetânico e profilaxia pós-exposição à raiva. No entanto, o soro de Imunoglobulina Antirrábica não pôde ser fornecido porque estava esgotado.

Oecusse é um enclave de Timor-Leste localizado na província indonésia de East Nusa Tenggara, onde entre 1 de janeiro e 15 de março foram registadas seis mortes por raiva humana. Em 2023, um total de 30 mortes foram relatadas nesta província.

A raiva é uma doença viral zoonótica e evitável por vacina que afeta o sistema nervoso central. Uma vez que os sintomas clínicos aparecem, a raiva é quase 100% fatal. Em até 99% dos casos, os cães domésticos são responsáveis pela transmissão do vírus da raiva para humanos.

Epidemiologia da raiva

No entanto, a raiva pode afetar animais domésticos e selvagens. Ela se espalha para pessoas e animais através da saliva, geralmente através de mordidas, arranhões ou contato direto com mucosas, por exemplo, olhos, boca ou feridas abertas.

Crianças entre cinco e os 14 anos são vítimas frequentes. A transmissão direta entre humanos nunca foi documentada, no entanto, ocorreu de doadores de órgãos ou tecidos infectados para receptores de transplante.

O período de incubação da raiva é tipicamente de dois a três meses, mas pode variar de uma semana a um ano, dependendo de fatores como o local de entrada do vírus e a carga viral. ONU News – Nações Unidas  


sábado, 2 de março de 2024

Internacional - Estudo sugere que há no mundo mais de mil milhões de pessoas obesas

Um estudo internacional em que participam Cristina Padez, Daniela Rodrigues e Aristides Machado Rodrigues, investigadores do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), sugere que há mais de mil milhões de pessoas no mundo que vivem atualmente com obesidade.


De acordo com esta investigação, publicada na revista The Lancet, estas tendências, juntamente com o declínio da prevalência de pessoas com baixo peso desde 1990, fazem da obesidade a forma mais comum de subnutrição na maioria dos países.

«A análise dos dados globais estima que entre as crianças e adolescentes do mundo, a taxa de obesidade em 2022 era quatro vezes superior à taxa de 1990. Em Portugal, em 2022, a prevalência de obesidade em crianças e adolescentes era de 6% nas meninas e 9% nos rapazes. Entre os adultos, a taxa de obesidade mais do que duplicou nas mulheres e quase triplicou nos homens. No total, 159 milhões de crianças e adolescentes e 879 milhões de adultos viviam com obesidade em 2022», revelam os coautores do estudo, acrescentando que, em Portugal, a prevalência de obesidade nas mulheres era de 23% e nos homens de 22%, nesse ano.

Entre 1990 e 2022, a proporção de crianças e adolescentes do mundo que foram afetados pelo baixo peso diminuiu cerca de um quinto nas raparigas e mais de um terço nos rapazes. Em Portugal, o valor de baixo peso/magreza foi de 1% nas meninas e 3% nos rapazes, em 2022. A proporção de adultos em todo o mundo que foram afetados pelo baixo peso baixou para mais de metade durante o mesmo período. Em Portugal, nesse mesmo ano, os valores foram de 2% nas mulheres e nos homens.

Como explicam os investigadores do CIAS, «a obesidade e o baixo peso são formas de desnutrição e são prejudiciais à saúde das pessoas de várias maneiras. Este último estudo fornece uma imagem altamente detalhada das tendências globais em ambas as formas de desnutrição nos últimos 33 anos».

«É muito preocupante que a epidemia de obesidade, que era evidente entre adultos em grande parte do mundo em 1990, se reflita agora em crianças e adolescentes em idade escolar. Ao mesmo tempo, centenas de milhões de pessoas ainda são afetadas pela subnutrição, especialmente em algumas das partes mais pobres do mundo. Para combater com sucesso ambas as formas de desnutrição, é vital melhorar significativamente a disponibilidade e o preço acessível de alimentos saudáveis e nutritivos», alerta o professor Majid Ezzati, do Imperial College London, autor sénior deste artigo.

Foram mais de 1500 os investigadores que contribuíram para este estudo, que analisou o índice de massa corporal (IMC) para compreender como a obesidade e o baixo peso mudaram em todo o mundo entre 1990 e 2022. Os investigadores analisaram medidas de peso e altura de mais de 220 milhões de pessoas com cinco anos ou mais (63 milhões de pessoas com idades entre cinco e 19 anos e 158 milhões com 20 anos ou mais), representando mais de 190 países.

«Os adultos foram classificados como obesos se tivessem IMC maior ou igual a 30kg/m2 e classificados como abaixo do peso se o IMC fosse inferior a 18,5kg/m2. Entre crianças em idade escolar (cinco a nove anos) e adolescentes (10 a 19 anos), o IMC utilizado para definir obesidade e baixo peso depende da idade e do sexo, pois há aumento significativo de altura e peso durante a infância e a adolescência», concluem.

Este novo estudo foi conduzido pela NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC), em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para além dos investigadores da FCTUC, participaram também Anabela Mota Pinto, Luísa Mavieira e Lélita Santos da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e do Centro Hospitalar de Coimbra (CHUC). Universidade de Coimbra - Portugal