Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Reparação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Reparação. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Japão - Mobiliza 1800 pessoas para arrastar torre de castelo de 360 toneladas

Após reparações no Castelo de Hirosaki, na província de Aomori, as autoridades empregaram uma técnica conhecida como hikiya para mover a estrutura mais de dois metros


Ao som de cânticos de “so-re, so-re”, cerca de 1800 pessoas reuniram-se no norte do Japão no fim de semana para puxar a torre de castelo de 360 ​​toneladas um pouco mais de dois metros em direção ao seu local original, como parte das obras de renovação. A torre – uma fortificação no interior do castelo – teve de ser movida para reparar uma muralha danificada por um grande terramoto.

Equipas rotativas de 80 pessoas puxaram cordas de 30 metros enquanto a torre do Castelo de Hirosaki, na província de Aomori, se aproximava do seu destino. No sábado, os participantes rebocaram a estrutura – que estava sobre carris – por 1,13 m, enquanto no domingo foi deslocada mais 1,09 m. “Recebemos cerca de 8000 inscrições para as 1800 vagas nos últimos dois dias, aproximadamente quatro vezes mais do que o número de inscritos, pelo que nem todos puderam participar”, disse Kensuke Hayasaka, chefe da divisão de parques e espaços verdes da cidade de Hirosaki, ao The Guardian. “Não apenas da cidade, mas de todo o Japão e do estrangeiro; um bom número do Sudeste Asiático, da Europa e da América do Norte.”

Para preservar a estrutura histórica, foi utilizada uma técnica conhecida como hikiya – em que os edifícios são colocados sobre roletes e movidos em vez de serem desmontados. Em 2015, a cidade fez um apelo para que as pessoas viessem participar diretamente. O resultado foi o primeiro hikiya conduzido por cidadãos e a primeira vez que o método foi utilizado de alguma forma para mover um castelo num século. “Como a torre principal é um bem cultural importante designado a nível nacional, não a desmontámos”, disse Hayasaka. “Estamos a utilizar o hikiya, um método de relocalização de edifícios que existe no Japão desde os tempos antigos.”

Os trabalhos de preservação do castelo continuam desde então. A muralha foi concluída em Dezembro de 2024, tendo sido repostas todas as 2185 pedras nas suas posições originais. Com esta tarefa concluída, este ano as autoridades voltaram a pedir a ajuda do público para puxar a torre principal de volta à sua posição original.

Motoharu Nakata, de 61 anos, viajou de Hiroshima, no outro extremo do Japão. “Também a puxei há 11 anos. É muito emocionante poder participar novamente. Não há absolutamente nenhuma outra oportunidade de puxar um castelo – foi fantástico”, disse Nakata ao Sankei Shimbun.

Puxar a torre principal manualmente continuará até ao final de agosto, com cerca de 4100 pessoas programadas para a mover um total de 5 metros. É um esforço simbólico de integração comunitária, sendo que os restantes cerca de 73 metros serão deslocados com o auxílio de máquinas até ao final do ano.

A torre principal do Castelo de Hirosaki é uma das 12 estruturas deste tipo que restam no Japão, e a única na região nordeste de Tohoku. Sede do clã Tsugaru, o castelo foi concluído em 1611, mas a torre principal original foi destruída por um incêndio provocado por um raio que atingiu um depósito de pólvora em 1627. A estrutura actual foi reconstruída em 1810 e o castelo é hoje a peça central de um parque que atrai cerca de 2 milhões de visitantes por ano durante a época das flores de cerejeira.

Grandes renovações significam que a torre principal ficará inacessível aos turistas durante anos. “Assim que for recolocada na sua base original, os trabalhos de preservação da torre principal serão iniciados e toda a estrutura será coberta”, disse Hayasaka. “Neste momento, esperamos que seja reaberta aos visitantes em 2033.” In “Ponto Final” - Macau


sábado, 31 de janeiro de 2026

Internacional - Autoestradas Invisíveis: a rede de cabos submarinos que sustenta a conectividade global

Os cabos submarinos formam base da conectividade digital global, transportando 99% do tráfego internacional da internet. A substituição e reparação de cabos exige investimentos intensos e duradouros, uma nova Cimeira sobre Resiliência dos Cabos Submarinos realiza-se a 2 e 3 de fevereiro de 2026 na cidade do Porto, Portugal


Todos os dias, milhões de pessoas enviam e-mails, participam em videochamadas, utilizam serviços de streaming e realizam transações bancárias. A troca de dados tornou-se parte do quotidiano, no entanto, raramente se pensa na complexa rede global de cabos submarinos que liga silenciosamente o mundo.

Segundo o secretário-geral adjunto da União Internacional de Telecomunicações, UIT, Tomas Lamanauskas, os cabos submarinos tornaram-se uma base sólida para a conectividade digital, com cerca de 99% do tráfego internacional da internet a passar por eles.

Verdadeiras autoestradas digitais

Os pontos de acesso visíveis, como redes móveis, satélites e internet fixa são conhecidas, mas a infraestrutura subjacente que os suporta é a vasta rede de cabos submarinos, “as autoestradas digitais”. Estas são constituídas por fios de fibra ótica colocadas a centenas de metros abaixo da superfície do oceano por navios de lançamento de cabos.

Lamanauskas sublinhou que, à medida que a dependência da conectividade digital continua a crescer, reforçar a resiliência destes cabos e desenvolver estratégias coletivas tornou-se cada vez mais importante.

Uma rede maciça para transmissão rápida de dados

A conexão global através de cabos de comunicação não é uma ideia nova. Em 1850, Inglaterra e França foram ligadas pela primeira vez por um cabo telegráfico submarino. Desde então, a tecnologia evoluiu de forma constante, dos serviços de telégrafo às redes telefónicas e, agora, à internet de alta velocidade transportada por cabos de fibra ótica.

Em todo o mundo, existem mais de 500 cabos submarinos comerciais, ligando continentes, mercados e lares, que se estendem por cerca de 1,7 milhões de km.

Antes da instalação, o fundo do mar é cuidadosamente estudado para reduzir riscos e impactos ambientais. De seguida, navios especializados desenrolam os cabos ao longo do leito oceânico.

Interrupções causadas por acidentes e desastres

Com os cabos submarinos a sustentarem a economia digital global, qualquer interrupção pode ter efeitos imediatos, afetando atividades económicas, serviços de emergência e tecnológicos, sistemas de segurança e o acesso à internet para milhões de pessoas em todo o mundo.

Normalmente, ocorrem entre 150 e 200 incidentes com cabos por ano, uma média de três a quatro por semana. O representante da UIT recordou que “nos últimos anos, houve vários incidentes de grande visibilidade, do Mar Vermelho à África Ocidental e Oriental”

As falhas na conectividade dos cabos podem resultar de terremotos, deslizamentos submarinos e erupções vulcânicas. No entanto, as estatísticas mostram que cerca de 80% dos incidentes são causados por atividade humana, desde âncoras de navios a redes de pesca que danificam os cabos.

Lamanauskas citou o exemplo de Tonga, que sofreu três grandes interrupções desde 2019, causadas por um terramoto, erupções vulcânicas e ancoração inadequada.

Ele afirmou que “cada momento conta”, dando como exemplo hipotético um  impacto para os operadores da bolsa em Nova Iorque, se ocorrer um atraso de apenas um milissegundo devido à congestão dos cabos ou a um incidente no fundo do mar.

Prontidão para reparar as autoestradas invisíveis

O especialista acrescentou que para além da abrasão e do desgaste natural, “uma parte da infraestrutura de cabos instalada por volta do ano 2000 está agora a atingir a maturidade, uma vez que foram concebidos para uma vida útil média de 25 anos”.

O secretário-geral adjunto explicou que, em caso de incidente, os engenheiros conseguem identificar rapidamente a área afetada e que “o trabalho de reparação em si nem sempre é a parte mais complicada”. Segundo ele, o que é muitas vezes mais complexo é garantir todas as licenças e autorizações necessárias, especialmente quando estão envolvidas jurisdições múltiplas ou sobrepostas.

Dependendo da localização e da dimensão dos danos, a mobilização de navios e os trabalhos de reparação podem demorar dias, semanas ou meses. Em muitos países, a falta de um ponto focal claro para gerir estes requisitos operacionais acrescenta dificuldades adicionais.

Um investimento dispendioso

Lamanauskas observou que a instalação de novos cabos é frequentemente um projeto que exige um período significativo. Ele disse que “há um planeamento extenso envolvido e, normalmente, também é dispendioso. Enquanto os cabos mais curtos custam milhões, os mais longos podem atingir centenas de milhões.”

O processo também depende de serviços especializados, como navios de lançamento de cabos. Da mesma forma, há poucos fornecedores dos próprios sistemas de cabos, pelo que, naturalmente, apenas um pequeno número de empresas pode oferecer estes serviços.

Papel da UIT

Enquanto agência da ONU para as tecnologias digitais, a UIT trabalha para reforçar a resiliência dos cabos submarinos globais através da colaboração, da definição de normas e da orientação técnica. As prioridades incluem o desenvolvimento de medidas de resiliência, a simplificação dos processos de manutenção e reparação e a adoção de práticas mais sustentáveis.

O alto responsável da UIT recordou que comparar a experiência de internet de há 10 a 20 anos com a de hoje revela uma transformação completa, impulsionada em grande parte pelo crescimento tecnológico.

Através do seu Órgão Consultivo Internacional sobre a Resiliência dos Cabos Submarinos, a UIT reúne governos, atores da indústria e especialistas para desenvolver boas práticas, com foco na manutenção dos cabos, prevenção de danos, recuperação rápida e sustentabilidade, em parceria com o Comité Internacional de Proteção dos Cabos, ICPC.

Cimeira sobre a Resiliência dos Cabos Submarinos 2026

Em 2025, na primeira Cimeira sobre Resiliência, em Abuja, Nigéria, os líderes reconheceram a importância de reforçar a cooperação para apoiar esta “infraestrutura digital global crítica”.

A Segunda Cimeira Internacional sobre a Resiliência dos Cabos Submarinos terá lugar nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2026, na cidade do Porto, Portugal, e irá basear-se nas recomendações preparadas pelos Grupos de Trabalho do Órgão Consultivo.

Essas recomendações estão centradas na instalação e reparação de cabos, na identificação e mitigação de riscos, bem como na promoção da conectividade e da diversidade geográfica para reforçar a resiliência da rede.

Lamanauskas esclareceu que a UIT não é um organismo operacional e não repara cabos. Em vez disso, cria o ambiente facilitador adequado, encurtando os prazos de licenciamento, estabelecendo pontos de contacto claros, sensibilizando para prevenir danos acidentais e facilitando reparações mais rápidas.

À medida que a procura por conectividade e dados aumenta a uma velocidade sem precedentes, estes esforços desempenharão um papel fundamental no reforço das bases para um progresso partilhado e na definição do futuro do panorama digital global. ONU News – Nações Unidas


quinta-feira, 18 de julho de 2024

Macau - Instituto para os Assuntos Municipais promete reparar estrofes de “Os Lusíadas” no Jardim de Camões

O Instituto para os Assuntos Municipais revelou ao Jornal Tribuna de Macau que irá realizar “trabalhos de manutenção” nas estrofes de “Os Lusíadas” que constam da parte detrás do pedestal onde assenta o busto de Camões, naquele que é um dos mais antigos jardins do território. O organismo liderado por José Tavares não indicou, contudo, mais detalhes, nomeadamente calendarização e procedimentos


A terceira estrofe de “Os Lusíadas” que consta na parte detrás do pedestal onde assenta o busto de Luís Vaz de Camões, no Jardim de Camões, está praticamente ilegível. Confrontado com a situação, o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) disse ao Jornal Tribuna de Macau que “já tinha verificado que as inscrições estão a desaparecer e está a acompanhar a situação”. Mais ainda, o organismo liderado por José Tavares acrescentou que “serão realizados trabalhos de manutenção”.

Às perguntas que se seguiram – “quando serão iniciados os trabalhos de manutenção?” e “quais os procedimentos a seguir, uma vez que as estrofes estão escritas em português?” -, o IAM disse que, por enquanto, “não há mais detalhes a acrescentar”.

De notar que os dois primeiros excertos que constam do pedestal em pedra na Gruta de Camões ainda se conseguem ler. Dizem respeito à estrofe 95 do Canto VI e à estância 42 do Canto VIII.

A estrofe que já está praticamente incompreensível é a número 81 do Canto VI: “E ainda, Ninfas minhas, não bastava/ Que tamanhas misérias me cercassem,/ Senão que aqueles que eu cantando andava/ Tal prémio de meus versos me tornassem:/ A troco dos descansos que esperava,/ Das capelas de louro que me honrassem,/ Trabalhos nunca usados me inventaram,/ Com que em tão duro estado me deitaram”.

Num artigo de opinião publicado neste jornal, o investigador António Aresta alertou recentemente para esta questão, dizendo que a estância precisa de ser reescrita. “Luís de Camões merece este desvelo, 500 anos depois”, defendia. O IAM referiu agora ao JTM que vai avançar com esse trabalho, mas não se sabe ainda quando terá início.

O Jardim de Luís de Camões, um dos mais antigos de Macau, foi criado em meados do século XVIII. Na Gruta, constituída por três grandes rochedos facetados, encontra-se então o busto de Camões, da autoria do escultor Manuel Maria Bordalo Pinheiro.

Diz-se que, em meados do século XVI, Camões (1524-1580), viveu em Macau durante dois anos, onde terá terminado, na Gruta que tem hoje o seu nome, a obra “Os Lusíadas”. “Com o patrocínio de 600 francos de um rico comerciante português de Macau, Lourenço Marques, genro de Manuel Pereira, a gruta foi renovada em 1849, sendo aí colocado um busto do poeta. Foi também erigido um pavilhão sobre a gruta, o qual já não existe. O último restauro da gruta data de 1866 e o busto do poeta foi refundido em bronze”, pode ler-se na página do património cultural de Macau.

Este ano, recorde-se, celebram-se os 500 anos do nascimento de Camões. Em Macau, o Instituto Cultural realizou, durante o mês de Junho, uma série de actividades, incluindo um concerto, palestras e visitas guiadas. A Associação dos Jovens Macaenses levou também a cabo uma palestra intitulada “500 anos da língua de Camões e a evolução de Portugal em Macau”. Anteriormente, a Rede Camões na Ásia & África organizou o Congresso Internacional do Meio Milénio de Camões, iniciativa que incluiu uma série de comunicações de várias partes do mundo.

Consulado em Cantão inaugurou Sala Camões

O Consulado-Geral de Portugal em Cantão criou uma Sala Camões nas suas instalações, em mais uma homenagem inserida nas comemorações dos 500 anos do nascimento do poeta. O novo espaço foi inaugurado recentemente por ocasião de uma visita a Cantão do Embaixador de Portugal na China, Paulo Jorge Nascimento. A cerimónia contou ainda com a presença da Cônsul-Geral Ana Menezes Cordeiro, que concluiu, entretanto, a missão de três anos no posto diplomático, sendo substituída por Tomás van Asch de Azevedo. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”


quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Angola – Por iniciativa própria, cidadão repara voluntariamente as ruas de Luanda

O antigo campeão provincial de Luanda de motocross Zeferino Fernandes ("Zé Cazenga") há três anos que dedica parte do seu tempo a tapar buracos e a reparar pedonais em mau estado técnico com os seus meios e por conta própria

A ex- referência de motocross é engenheiro de profissão, faz este trabalho sem qualquer apoio das administrações municipais e distritais da província de Luanda, e diz que não pensa em desistir de tais acções.

Em conversa com o Novo Jornal, "Zé Cazenga", filho do antigo soba municipal do Cazenga, Gaspar Fernandes, que faleceu em 2006 aos 79 anos, assegurou que as acções de voluntariado são feitas por amor ao próximo, qualidade que herdou do seu progenitor.

Aos 44 anos, Zeferino Fernandes pretende continuar a reabilitar as pedonais e as estradas esburacadas de Luanda, mas somente pode fazê-lo quando tiver recursos para o efeito.

A história do antigo campeão de motocross por sete vezes ficou conhecida nas redes sociais, em 2019, quando reparou a primeira pedonal de Viana, na zona da Bela vista, na estrada (catete) Deolinda Rodrigues.

A pedonal colocava em perigo os utentes que por lá passavam, por falta de degraus, uma situação que criava um clima de medo e insegurança nas pessoas.

"Zé Cazenga", também conhecido por "Zé Ponta", deixou de fazer motocross em 2017, e, ao notar a situação péssima da pedonal da Bela Vista, em 2019, onde milhares de cidadãos tropeçavam por falta de degraus, o ex-campeão do motocross decidiu repará-la.

Para tal, teve de juntar alguns amigos, que colocaram os degraus que faltavam. Também decidiu, semanas depois, tapar alguns buracos existentes em várias estradas da província de Luanda.

Ao passar pela zona do Talatona, embateu com o seu carro um buraco e viu que o mesmo aconteceu com outros veículos.

"Olhei para o buraco e disse para mim mesmo: Isto não pode continuar assim", explica.

Zeferino Fernandes não parou por aí, continuou a fazer acções solidárias um pouco por toda a Luanda, até que em Dezembro de 2019 as acções de voluntariado chamaram a atenção do vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, que o chamou ao seu gabinete.

"O vice-Presidente da República disse-me apenas que o meu nome chegou ao Palácio Presidencial e que me chamou para me conhecer. Questionou-me por que razão nunca fui chamado pelas administrações ou pelo Governo Provincial de Luanda. Respondi não saber, visto que já tinha enviado várias cartas a pedir apoio e nunca fui recebido", esclareceu.

Recentemente, prossegue, escreveu à ex-governadora de Luanda, Joana Lina, a solicitar apoio, mas, lamentavelmente a mesma não respondeu.

"Zé Cazenga" estudou engenharia e é proprietário de uma serralharia. Até agora reparou de forma voluntária 16 pedonais na província de Luanda.

O ex-campeão de motocross pretende, dentro de um mês, reparar por meios próprios a pedonal da entrada da Centralidade do Sequele, junto à Via Expressa, no município de Cacuaco, danificada há um ano aquando da colisão de dois camiões, o que provocou grandes danos à estrutura que nunca foi reparada pela administração local e provincial, alegadamente por falta de verbas.

Muitos peões, como constatou o Novo Jornal, arriscam-se a passar por cima da pedonal por falta de alternativa, pondo em risco as suas próprias vidas. Os que preferem fazer a travessia na estrada, muitas vezes acabam por ser atropelados mortalmente.

"Essa pedonal está fora das bases de apoio, é necessário alugar uma grua para fazer os trabalhos porque há muitos atropelamentos", explicou.

Há dois anos que peço ajuda ao Estado e nunca a tive, diz o ex-campeão, que conta apenas com o suporte dos seus amigos para aquisição dos materiais.

"Tenho amigos que recolhem material ferroso e como sabem que faço essa actividade, há vezes que me dão alguns ferros para esse fim", contou.

Zeferino Fernandes, antigo campeão de motocrosse começou a brilhar nas motorizas aos 12 anos, no início da década de 90, quando circulava pela cidade de Luanda por cima de uma moto sem a roda frontal, o que o tornou muito conhecido e a granjear muitos fãs.

Aos 20 anos, "Zé Ponta" ou "Zé Cazenga" enveredou pelo motocross, principal campeonato de motorizadas em Angola, isso em 2000. Sete anos depois conquistou o seu primeiro título de campeão.

Zé Cazenga correu ao lado dos grandes pilotos de motocross, tais como Jorge Varela "Jorginho" (já falecido), Hélder Coelho "Vuti" e Narciso José, por quem tem uma profunda admiração.

Em 2010, Zeferino Fernandes conquistou o seu primeiro troféu internacional, quando arrebatou o grande "prémio internacional da Sonangol", em Luanda, derrotando pilotos de vários cantos do mundo. Fernando Calueto – Angola in “Novo Jornal”

 



sexta-feira, 4 de junho de 2021

Namíbia - Anuncia aceitação do reconhecimento pela Alemanha do genocídio alemão e do valor da reparação pelos seus actos


O Vice-presidente, Nangolo Mbumba, anunciou que o governo namibiano aceitou a oferta de reparações da Alemanha de N $ 18,4 mil milhões distribuídos por 40 anos pelo genocídio colonial de 1904-08 no Sudoeste da África, mas afirmou que o governo não está orgulhoso do montante.

Isto ocorre após nove reuniões de negociações iniciadas em 2015 entre a Namíbia e a Alemanha.

“Não estamos orgulhosos da quantia”, reconheceu Mbumba ao falar à comunicação social no State House em Windhoek.

Mbumba disse que a base para orientar o processo de negociação é o reconhecimento do genocídio, a apresentação de um pedido de desculpas e o pagamento de indemnizações pela Alemanha.

“A declaração também servirá como documento de base para orientar as futuras relações entre a Namíbia e a Alemanha”, salientou.

O Vice-presidente declarou que, ao abrigo do acordo alcançado entre a Namíbia e a Alemanha, os projectos serão implementados nas regiões de Erongo, Khomas, Hardap, Kharas, Omaheke, Otjozondjupa e Kunene.

“Os sectores em que os projectos irão avançar são a reforma agrária, em particular aquisição de terras no âmbito da Constituição da Namíbia e desenvolvimento de terras; agricultura; meios de subsistência rurais e recursos naturais; infraestrutura rural; abastecimento de energia e água; educação e formação técnica e profissional”, acrescentou.

Mbumba deixou claro que se trata de áreas amplas e “não finais”.


Os Chefes que actuam no Conselho Ovaherero / OvaMbanderu e Nama anunciaram a sua aceitação da oferta do governo alemão de reparar o genocídio de 1904-1908.

“Esta é uma grande conquista”, disse o presidente do Conselho, Gerson Katjirua.

Katjirua, no entanto, admitiu que não está satisfeito com a oferta e pediu que mais dinheiro fosse dado após a assinatura do acordo.

“Participamos no processo de negociação desde o início e seremos signatários do acordo”, afirmou.

O Conselho aplaudiu ainda mais o enviado especial da Namíbia, Zed Ngavirue, por alcançar o "avanço" e convencer o governo alemão a aceitar que eles cometeram o genocídio.

Como parte das negociações recém-concluídas, a Alemanha ofereceu à Namíbia 1,1 mil milhões de euros (N $ 18,6 mil milhões na taxa de câmbio de hoje) a serem pagos em 30 anos, um valor que foi considerado um insulto pelas comunidades afetadas e pelos seus líderes de autoridade tradicionais.

Os chefes tradicionais das casas reais Maharero, Kambazembi, Gam e Zeraeua e Mireti rejeitaram a oferta do governo alemão, dizendo que querem N $ 8 biliões pagos em 40 anos e um fundo de pensão para o genocídio de 1904-1908.

Do dinheiro oferecido, 1,05 milhões de euros são destinados a programas de reconstrução e apoio ao desenvolvimento para beneficiar os descendentes das comunidades afetadas, enquanto 50 milhões de euros são destinados a projetos de reconciliação, memória, pesquisa e educação. Shelleygan Petersen – Namíbia in “The Namibian”




 

sábado, 17 de abril de 2021

Moçambique – Recuperação e modernização do Aeroporto Internacional da Beira necessita de verba avultada


Sacudida ciclicamente por tempestades, principalmente pelo ciclone Idai, em princípios de 2019, a aerogare (edifício) do Aeroporto Internacional da Beira, província de Sofala, precisa de 30 milhões de USD (perto de 185 milhões de Meticais) para se reerguer. Entretanto, com as finanças no vermelho, a empresa Aeroportos de Moçambique (ADM) não tem esse valor, nem pode obtê-lo em crédito, sendo que a instituição pública tem fé de que vai angariar a verba até ao final do corrente ano.

Essa informação foi nos dada, há dias, pelo Director Financeiro e Porta-voz da empresa, Saíde Júnior, em entrevista exclusiva ao jornal. Durante a conversa, o nosso interlocutor observou que o valor necessário se mostra elevado porque, para além de reabilitar, a empresa pretende modernizar a aerogare. “Precisamos de avultados investimentos porque queremos modernizar completamente a aerogare da Beira. Recorde-se, a aerogare foi praticamente o centro de refúgio de todos aqueles que sofreram drasticamente com o Idai, pelo que precisa de uma reabilitação ou provavelmente uma renovação completa. Estamos a prever que necessitemos de 30 milhões de USD”, afirmou o Director Financeiro da ADM.

Entretanto, face ao estado financeiro débil, “a empresa não está em condições de ir buscar 30 milhões de USD, mas achamos que deve ser uma prioridade do Governo da Beira, do Governo do país. Fizemos um pedido à Beira, aos investidores para apoiarem na melhoria da aerogare”, disse a fonte.

Júnior explicou ainda que o papel do Governo central no processo consiste em auxiliar na procura de fundos capazes de apoiar o projecto. “Nós faremos todos os possíveis para que consigamos este fundo ainda este ano e, o mais tardar, no segundo trimestre de 2022, as obras comecem”, assegurou o nosso entrevistado. Para a modernização da aerogare da Beira, o Porta-voz da ADM avançou que o primeiro passo já foi dado, que era desenhar o projecto executivo. Disse ainda que a empresa está quase a receber o desenho, ou seja, o protótipo para a melhoria da aerogare da Beira e através do qual calcularam-se os 30 milhões de USD necessários. Evaristo Chilingue – Moçambique in “Carta de Moçambique”


sábado, 19 de setembro de 2020

França - O Cemitério militar português de Richebourg precisa de obras

 


O Cemitério militar português de Richebourg, no norte da França, onde estão sepultados 1831 soldados portugueses que participaram na I Guerra mundial, precisa de obras.

Em francês poderíamos acrescentar que esta é uma “vérité de La Palice”, uma “verdade evidente”. Esta observação tem sido evocada pelo LusoJornal, mas também por todos quantos se deslocam a este lugar único do património português, e que nele passe um pouco de tempo a observar. Evocamos aqui o que é o único Cemitério militar português fora do país.

Por ser único e dado a importância que reveste, é nosso dever tudo fazermos para a sua dignidade e que sirva de testemunha de agradecimento para com todos os que ali estão sepultados e de uma forma geral de reconhecimento da Pátria de 2020 pelos que há mais de 100 anos tão valorosamente defenderam os valores fundamentais da Humanidade.

Temos visitado muito regularmente o Cemitério de Richebourg. A fim de alimentarmos o debate e sobretudo de incentivarmos as Autoridades portuguesas a tomar a decisão que se impõe. Recolhemos detalhadamente dados que passamos a apresentar.

Luís Gonçalves e Jean-Pierre Tintilier fotografaram todas as 1831 campas dos soldados ali sepultados, pessoalmente passei e qualifiquei cada uma delas.

A recolha dos dados foram feitos nos dias 29 e 30 de julho e 1 de agosto de 2020.

  • Total das campas no cemitério: 1831
  • 1592 campas são de soldados conhecidos (87%)
  • 239 campas são de soldados desconhecidos (13%)

Lisibilidade das escrituras nas campas

Existem cerca de 200 estelas cuja superfície frontal está em bom estado, mas em todas as outras, a pedra apresenta-se granulada e porosa tornando a qualidade da escrita totalmente invisível ou parcialmente visível devido ao desgaste da pedra.

Quando consideramos que as inscrições são visíveis nas estelas, estamos a afirmá-lo em relação ao nome do soldado. Se olharmos para o estado da inscrição abaixo do nome, poderíamos classificar a estela como tendo inscrições parcialmente visíveis ou totalmente invisíveis. As escrituras abaixo do nome, dados do soldado, não são praticamente nunca visíveis.

De notar que a grande maioria das estelas não apresentam as últimas inscrições na parte inferior, onde poderíamos ler “Morto pela Pátria” e a data da morte. Existem duas razões para este facto: a chuva que cai sobre a terra envolvente salpica a base da estela e esta última não sendo limpa não revela este importante dado da história do soldado enterrado.

A outra razão é que por vezes a estela encontra-se demasiado enterrada e aquelas indicações acabam por ficar igualmente escondidas.

Estatisticamente eis, os dados recolhidos:

  • Em 595 campas, os nomes são visíveis (32,5%)
  • Em 669 campas, os nomes são parcialmente visíveis (36,5%)
  • Em 567 campas, os nomes são totalmente invisíveis (31%)

A vegetação no cemitério

Em nossa opinião, toda a vegetação do Cemitério deve ser revista.

Nos cemitérios ingleses, por exemplo, geralmente há apenas rosas, por conseguinte, um só tipo de ornamento. No Cemitério português de Richebourg contabilizamos cerca de trinta qualidades diferentes de flores e arbustos, o que tem por consequência uma falta de harmonia.

As sepulturas inglesas, em geral, são mais espaçadas entre si do que em Richebourg, as roseiras são colocadas entre duas sepulturas. No caso inglês, se as sepulturas estiverem próximas, a planta colocada é rasteira e relativamente uniforme.

Na nossa observação, indicamos a presença de flores junto às estelas a partir do momento em que há algo plantado, mesmo se a conservação da dita vegetação não seja das melhores.

Para além das duas árvores que se encontram nos quadrados A e B (entrada) que circundam as duas estelas, existem outras três árvores no interior do cemitério, incluindo uma árvore de fruto, ao fundo à direita, junto do pequeno museu. A árvore no quadrado C tem raízes superficiais que crescem ao longo de fileiras de estelas. A médio prazo, corre-se o risco de assistirmos, com as árvores fundeiras, ao mesmo que acontece com as duas árvores mais próximas da estrada, as quais estão a deslocar e a envolver duas estelas.

Em fim de julho de 2020, o calor era intenso, o que explica, em parte, que a relva entre as fileiras estava quase completamente seca. Há torneiras no cemitério e até um lavatório, ao fundo à esquerda, ao lado da pequena construção que serve de depósito. A água está, contudo, cortada, o que se compreende, em parte.

De notar que 40,25% das campas possuem decoração floral. Parte desta decoração, 11%, esconde as letras e parte da frente das campas.

  • 536 campas com vegetação (29,30%)
  • 201 campas com vegetação que encobre as estelas (11%)
  • 1094 campas sem vegetação (59,7%)

Estado de equilíbrio e base das campas

Há uma campa que está partida e deitada no chão desde meados do mês de junho. Aliás o LusoJornal deu já a notícia de um outro caso há um ano, que entretanto foi reparado.

Supomos que todas as campas estão cimentadas na sua base e que, num primeiro tempo, o cimento foi coberto com terra.

Com o passar do tempo, constatámos que 280 campas apresentam cimento na sua base visível e partido (15,3%). A consequência deste facto é o equilíbrio precário em que estão as ditas campas, provocando também um visível desalinhamento das fileiras das sepulturas.

  • 280 campas com cimento aparente e fragilizadas (15,30%)
  • 1551 campas sem cimento aparente (84,70%)

A parte de cima das estelas, não é lisa, sinal do desgaste pela chuva, outras condições climáticas e pelo passar do tempo.

Dada a longevidade das estelas e a sua localização, não há comparação possível com o alinhamento perfeito das estelas nos cemitérios ingleses.

Não há uma só fileira com alinhamento perfeito de estelas no Cemitério militar português de Richebourg, indicamos porém nas estatísticas efetuadas que uma estela estava inclinada a partir do momento em que esse facto, fosse visível, mesmo sem nos colocarmos no alinhamento da fileira das estelas.

  • 72 campas estavam inclinadas (4%)
  • 1759 campas estavam verticais (96%)

Medidas necessárias no exterior do Cemitério

No exterior do Cemitério é necessário limpar regularmente a rede de esgotos, de forma a permitir o escoamento normal das águas pluviais, evitando que o visitante não tenha que passar em chapas de água antes de entrar no Cemitério.

É necessário também construir ou adaptar as escadas para permitir o acesso a pessoas com mobilidade reduzida, assim como adaptar o acesso ao parque de estacionamento.

Também é necessário colocar, no final do parque de estacionamento, próximo do Cemitério, dois ou três bancos, de forma a permitir que os visitantes descansem, tomem notas ou reflitam. Novas árvores devem ser colocadas para dar sombra a essas novas áreas. A construção de sanitários também é recomendada.

Recomendamos ainda algumas medidas de segurança entre o Cemitério e a Capela de Nossa Senhora de Fátima: por exemplo a extensão da iluminação pública (a partir da rotunda), com iluminação específica à direita da passagem (escuridão e nevoeiro), a limitação de velocidade, 100 metros antes da travessia (com realização de elevações) e materializar a passadeira entre o Cemitério e a capela de Nossa Senhora de Fátima em frente.

O Cemitério de Richebourg é bonito e único

O trabalho por nós realizado e as sugestões que aqui deixamos, não têm por finalidade criticar quem ao longo de diversas dezenas de anos tem tudo feito para que o Cemitério se apresente com dignidade, dentro de um certo número de condicionalismos, e que muito tem feito para a boa organização das cerimónias comemorativas da Batalha de La Lys, como é o caso de João Marques, dos seus familiares e da União Portuguesa de Richebourg.

Desejamos apenas que os elementos que recolhemos, permitam uma reflexão sobre o estado do Cemitério e sobre as obras e/ou melhoramentos a realizar nos diversos domínios abordados.

A nossa reflexão vem juntar-se, de certa forma, a outros trabalhos já realizados, como por exemplo o de Jean-Pierre Tintilier e o da Associação “Paisagens e locais de recordação da Grande Guerra”.

É óbvio que o Cemitério militar português de Richebourg nunca poderá ser comparado aos cemitérios militares da Commonwealth, a menos que se possa empregar uma pessoa a tempo inteiro ao longo do ano para cortar a relva, regar, fazer algum trabalho de arranjo, manter a vegetação em boas condições, etc. O Commonwealth emprega, por vezes, uma pessoa em cemitérios de menor dimensão do que o dos Portugueses em Richebourg.

Mas é necessário que se faça uma reflexão sobre o estado das estelas, que na nossa opinião necessitam de ser totalmente substituídas, o que implica um financiamento que Portugal poderia suportar ou cujo custo poderia ser assumido conjuntamente pelas autoridades portuguesas e porque não por mecenas particulares e empresas, com vantagens fiscais para estas.

Há também toda a vegetação a rever. Deveríamos escolher menos espécies forais para decorar as campas, tornando o conjunto mais harmonioso e que daria menos trabalho de manutenção. Manutenção que deve ser feita regularmente para contribuir que as estelas e inscrições sejam visíveis. Por que não escolher apenas um tipo de plantas? Nos cemitérios da Commonwealth muitas vezes há apenas rosas vermelhas.

Se as estelas vierem a ser substituídas, parece-nos necessária uma reflexão sobre os escritos a serem gravados, o tamanho das letras e dos números.

Visitámos regularmente o Cemitério de Richebourg e apercebemo-nos que este é muito visitado, sobretudo por alunos, o programa do nono ano escolar aborda o tema da I Guerra Mundial e o Dever de Memória. Já lá cruzámos turmas do Liceu Francês do Porto. Este liceu todos os anos visita o Cemitério com 3 a 4 turmas.

O Cemitério militar português de Richebourg é lindo. As estelas de granito, que o caracterizam, tornam-no único. Devemos manter essa especificidade, mesmo se novas estelas vierem a ser substituídas.

Visitar o Cemitério português, é visitar um cemitério diferente.

O Cemitério militar português de Richebourg ajuda a exemplificar a natureza mundial do conflito. Este caráter global é tanto mais fácil a explicar e fazer compreender dado o facto de se poder visitar também, ao mesmo tempo, o Memorial da Índia, localizado mesmo ao lado do cemitério português. Temos aqui a vantagem de visitar dois exemplares num raio de apenas duzentos metros. Notamos que o Memorial da Índia está num estado de ótima apresentação e conservação.

O facto de o Cemitério militar português de Richebourg ser candidato a Património Mundial da Unesco – no quadro de um conjunto de outros cemitérios e monumentos, demonstra a importância deste local de memória, que necessita de ser restaurado e conservado.

Renovar e restaurar o Cemitério militar português de Richebourg é uma forma não só de mostrar o nosso respeito, de agradecer aos soldados do CEP, mas também de olharmos para o futuro.

Estamos convencidos que, se as estelas fossem substituídas e que um produto impermeável fosse colocado e renovado regularmente, ficaríamos descansados para algumas décadas e com menos manutenção regular do que nas estelas do Commonwealth porque o granito desgasta-se mais lentamente que a pedra utilizada nas campas inglesas.

O turismo de memória tem-se desenvolvido nestes últimos anos, turismo que vai ocupar de futuro uma parte dos nossos tempos livres, cada vez mais importante. Tudo fazer para contribuir para o seu desenvolvimento é agir por uma desejada paz duradoura, pelo desenvolvimento do intercâmbio e pela cooperação internacional.

É nossa responsabilidade, é responsabilidade dos nossos governantes.

Vai dar-se início, nas próximas semanas à construção do Jardim Português da Paz, em Richebourg. O financiamento é francês. Esperemos que para as próximas comemorações da Batalha de La Lys venha a ser inaugurado.

Este Jardim vai atrair ainda mais visitantes, que aproveitarão para visitar igualmente o Cemitério.

Por fim, Portugal, “está na moda”. Ora, Portugal muito tem feito para pôr em evidência os seus monumentos, as suas vilas e aldeias históricas,… seria incompreensível que nada fizesse em Richebourg. António Marrucho – França in “LusoJornal”

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Moçambique - Ponte sobre o rio Save vai ser reparada sob orientação de técnicos chineses

Técnicos do grupo China Road and Bridge Construction (CRBC) chegarão a Moçambique nos próximos dias para dar um impulso às obras de construção dos desvios que vão permitir trabalhar na reparação da ponte sobre o rio Save, segundo informação oficial.

O ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, João Machatine, citado pela Rádio Moçambique, disse que a atenção do empreiteiro está concentrada no melhoramento dos desvios que vão dar acesso à ponte metálica e que vão servir de alternativa para permitir o escoamento do tráfego enquanto durar a reparação da ponte principal.

João Machatine disse ainda ter notado, no decurso de uma visita ao estaleiro, que “as rampas nos dois sentidos poderão causar alguns constrangimentos ao tráfego de viaturas pesadas”, pelo que os técnicos chineses que chegam dentro de dias vão solucionar essas questões para que o trânsito possa começar a ser desviado a partir de Novembro próximo.

A ponte sobre o rio Save, localizada no distrito de Govuro, província de Inhambane, foi projectada na década de 60 do Século XX pelo falecido engenheiro português Edgar Cardoso e inaugurada a 16 de Setembro de 1972, registando actualmente um tráfego médio diário de 240 a 300 viaturas, maioritariamente pesadas.

Trata-se de uma ponte de tipo suspensa e pré-reforçada, com três vãos de 210 metros e dois de 110 metros, o que perfaz uma extensão total de 810 metros, uma faixa de rodagem de 7,20 metros, separada dos seus passeios laterais por 1,35 metros.

As obras de reparação da ponte, que deverão durar três anos e custar mais de 5,5 mil milhões de meticais (89,3 milhões de dólares), incluem o reforço dos cabos de rigidez, substituição dos cabos da suspensão, reparação de betão armado, substituição de juntas de dilatação e pintura.

O grupo China Road and Bridge Construction (CRBC) foi o empreiteiro de algumas das obras mais emblemáticas do Moçambique pós-independência, como sejam a estrada circular de Maputo e a ponte Maputo-Catembe. In “Olá Moçambique” - Moçambique

sábado, 14 de julho de 2018

Moçambique - Cornelder prolongará a gestão do porto da Beira até 2038

O governo de Moçambique decidiu prolongar por 15 anos a concessão do porto da Beira à Cornelder de Moçambique, a partir de 2023, ano em que terminam os 19 anos do prazo da concessão ainda em curso, informou a porta-voz do Conselho de Ministros e vice-ministra da Cultura.

A Cornelder de Moçambique é uma parceria entre a Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique e a Cornelder Holland, que opera os terminais de contentores e de carga geral do porto da Beira, capital da província de Sofala, desde Outubro de 1998.

A porta-voz Ana Comoana, citada pela “AIM”, adiantou que “o alargamento do contrato com a Cornelder de Moçambique foi determinado pelo compromisso da empresa em realizar um investimento adicional imprescindível para o aumento da capacidade do porto da Beira.”

O plano de investimentos, num montante de 290 milhões de dólares, contempla o aumento da capacidade do porto, dos actuais 300 mil para 700 mil contentores, e de 750 mil para 1,2 milhões de toneladas de carga geral.

Além disso, a Cornelder de Moçambique assumirá a reparação de 300 quilómetros da EN 6, da Beira até Machipanda, na fronteira com o Zimbabué, bem como de 317 quilómetros da linha de caminho-de-ferro Beira-Machipanda. In “Transportes & Negócios” - Portugal

domingo, 14 de abril de 2013

Reparação

 
Nos últimos vinte anos, foram várias as personalidades nacionais que exprimiram o desejo de que fosse levada a cabo uma reparação histórica da expulsão dos judeus, em 1496.
 
Entre as vozes que se levantaram, destacamos as do presidente Dr. Mário Soares que, em 1989, em Castelo de Vide, apresentou em nome do Estado português, o seu pedido de desculpas pelos danos causados.
 
A Assembleia da República, na “Sessão Evocativa dos 500 anos do Decreto de Expulsão dos Judeus de Portugal”, em Dezembro de 1996, patrocinada pelo Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, votou, por unanimidade a revogação simbólica do decreto de expulsão.
 
Em Outubro de 2001, na Sinagoga Shearith Israel de Nova York, D. Duarte de Bragança apresentou um pedido de desculpas, em nome dos reis de Portugal, aos descendentes dos judeus perseguidos pela Inquisição
 
Recentemente, a fim de passar das boas intenções aos atos concretos, uma excelente comissão de judeus sefarditas portugueses residentes fora de Portugal, protocolou com o IDP o modo de criar uma iniciativa legislativa que atribuísse a nacionalidade portuguesa aos atuais judeus sefarditas de origem portuguesa.
 
Essa comissão é composta por Luciano Lopes, rabino e empresário; Rosangela de Paiva Lopes, empresária e educadora infantil; Carlos Zarur, antropólogo; Ariel Shemtob, médico; Luciano Oliveira, médico; David Neria Ramirez, administrador de empresas; Sérgio Mota, jornalista e genealogista; Simon Albuquerque Senior, genealogista; Renato Leão, empresário e Artur de Oliveira, freelancer.
 
Através de um seu diretor, Dr. Francisco da Cunha Rego, diligentemente auxiliado pelo Dr. Bruno Cabecinha e pelo Rabino Luciano Lopes, desenvolveu o IDP um conjunto de contactos com o Dr. Carlos Zorrinho, Dr.ª Maria de Belém e Dr. Pedro Silva Pereira, e que irão culminar na apresentação amanhã, dia 11, da seguinte proposta de alteração do art.º 6 da Lei n.º 37/81, de 3 de Outubro (Lei da Nacionalidade).
 
O Governo pode conceder a nacionalidade por naturalização, com dispensa dos requisitos previstos nas alíneas b) e c) do n.º 1, aos descendentes de judeus sefarditas portugueses, através da demonstração da tradição de pertença a uma comunidade sefardita de origem portuguesa, com base em requisitos objectivos comprovados de ligação a Portugal, designadamente apelidos, idioma familiar, descendência directa ou colateral.»
 
Aguarda o IDP que esta proposta, apresentada pelo líder do Grupo Parlamentar do PS, Dr. Carlos Zorrinho, e que sabemos ter recebido um apoio implícito de parlamentares de outros partidos – uma vez que se trata de uma causa nacional - seja sufragada no dia 12, se não de modo unânime, certamente por uma maioria esmagadora e muito expressiva que não deixe dúvidas que Portugal realizou uma reparação histórica, ao reconhecer o regresso destes seus filhos, após 517 anos de exílio, ao seio do seu povo e da sua nação portuguesa.
 
A Direção do IDP
 
Instituto da Democracia Portuguesa - Portugal