Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 9 de novembro de 2024

Angola - Peças no Museu Regional do Dundo deterioradas por falta de manutenção

A proteção do acervo do Museu Regional do Dundo, por falta de produtos específicos como o formol e o álcool para o tratamento, a proteção e a devida conservação de algumas peças anatómicas, têm sido uma das principais preocupações da direção daquela instituição


Entre as peças danificadas por falta de condições técnicas para garantir a conservação, destacam-se o Cicuvu (Cinguvu), Mucupela, Mussandas e Cabaças, para além do acervo anatómico do espaço da Ciência Natural.
A situação, segundo o diretor, Samuel Minerva, é a obrigação de que se faça uma redução significativa da exposição das peças, o que está a retirar o interesse dos cidadãos nacionais e estrangeiros, sobretudo, adultos em visitar o museu.
Samuel Minerva recorda que no passado, a instituição despertou muita atenção dos habitantes da província, outros pontos do país e do mundo. Com o passar dos anos, lamentou, a flexibilidade das peças museológicas está a retirar a originalidade que sempre evidencia o acervo do Museu Regional do Dundo, que desde 1936, altura da fundação, atraiu muitos visitantes entre historiadores, investigadores e estudantes. Atualmente, o museu tem portas abertas para o público de terça a sábado, das 08h00 às 19h00.
O diretor avançou que na função do estado atual de manipulação de algumas peças, muitas delas podem competir para o diminuir depois de serem avaliadas por uma comissão técnica. “Vamos trabalhar para a selecção das peças que ainda podem ser reaproveitadas, como outras, a comissão de avaliação irá decidir o destino final que deve passar por uma cerimónia onde serão enterradas”, explicou.
Segundo Samuel Minerva, a situação é triste e inaceitável, porque o Estado precisa recuperar com urgência o acervo museológico para a manutenção da história e da cultura dos povos Lunda-Cokwe. Alertou que se o quadro não mudasse os insetos, répteis, porcos colados e outros que fossem específicos do acervo anatómico do espaço dedicado à Ciência Natural, ele deixaria de existir na instituição.
O diretor, que assumiu a função no passado mês de Outubro, revelou que, atualmente, no depósito do Museu Regional do Dundo tem muitas peças em mau estado de conservação, em que uma recuperação requer recursos financeiros elevados, situação que preocupa a direcção do museu, tendo em conta o momento económico atual do país. “A solução passa pela substituição das peças em mau estado de conservação por novas, retirando as etiquetas nas peças antigas, mas a peça antiga deve manter ao lado da nova para mostrar um original”.
O responsável sublinhou a necessidade de uma intervenção urgente para a manutenção das peças originais de modo a manter o museu no topo dos melhores do país e da África.
O diretor afirmou que a situação é do conhecimento do Ministério da Cultura e do Governo local. “Há garantias para a resolução do problema nos próximos dias para que sejam salvaguardadas as peças que ainda se encontram em bom estado e evitar a redução do acervo museológico que, nos últimos, tempos, tem sido motivo de muita preocupação da direção do museu” realçou. Samuel Minerva destacou a existência de preocupação do Estado na criação de condições para a conservação, preservação e manutenção do espólio. “Temos interagido com o Ministério da Cultura, e em Janeiro do próximo ano, vamos receber uma equipa que vai fazer o levantamento do estado das peças para uma avaliação de modo a definir quais das peças ainda podem ser recuperadas”.  
O diretor lembrou que, até ao ano de 2018, o museu contava com mais de nove mil peças museológicas, mas atualmente, o número é inferior, significativamente, em função do mau estado de conservação de muitas peças”.
Atualmente, garantido, o acervo conta entre sete a seis mil peças, números que serão confirmados pelo levantamento a ser feito pela comissão de avaliação. Samuel Minerva referiu que para a protecção e conservação do espólio museológico, é necessária a manutenção periódica das peças.
Necessidade de quadros
O diretor mostrou-se preocupado com o número reduzido de recursos humanos para responder às expectativas, uma vez que o museu em média recebe entre 50 a 70 visitantes por dia. “O museu conta apenas com seis técnicos e dois chefes de departamento, número inferior para cobrir as dez salas de exposição existentes”.
Samuel Mirneva sublinhou que, por norma, cada sala deveria ter um vigilante para o controlo do acervo, e para o pleno funcionamento do museu são necessários no mínimo 40 funcionários. Isidoro Samutula – Angola in “Jornal de Angola”  


Sem comentários:

Enviar um comentário