Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

CPLP - Rotatividade ou concurso: escolha do diretor executivo do IILP vai ser decidida pelo Conselho de Ministros

O Comité de Concertação Permanente (CCP) da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que reúne os representantes permanentes dos Estados-Membros junto da organização, aprovou esta terça-feira, em Díli, 28 documentos, mas não alcançou consenso sobre a forma de escolha do diretor executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP).


A questão foi remetida para a XXXI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, que decorreu esta quarta-feira, 19 de agosto, em Díli.

Entre os documentos aprovados pelo CCP estão projetos de resolução relacionados com o orçamento da CPLP, recrutamento de recursos humanos, resposta a desastres naturais, mobilidade, alimentação, oceanos, juventude e as comemorações dos 30 anos da organização.

“Celebrar 30 anos não é fazer festas, mas fazer seminários, workshops”, afirmou Natália Carrascalão, embaixadora de Timor-Leste junto da CPLP e coordenadora do CCP.

Diretor do IILP: rotatividade ou concurso público?

A principal questão que ficou em aberto prende-se com o modelo de escolha do diretor executivo do IILP.

Atualmente, a CPLP mantém um sistema de rotatividade entre os Estados-Membros. Está, no entanto, em discussão a possibilidade de substituir este modelo por um sistema de concurso público internacional.

“A CPLP tem de ser cada vez mais transparente. Para tudo, tem de haver concurso. No entanto, a posição de Timor-Leste é continuar com a rotatividade, até terminar com a Guiné Equatorial”, afirmou Natália Carrascalão.

Segundo a embaixadora, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial são os três Estados-Membros que ainda não ocuparam o cargo no âmbito do atual sistema de rotatividade.

O atual diretor executivo do IILP é o português João Neves, que iniciou o mandato em janeiro de 2023. O mandato tem a duração de três anos e pode ser renovado uma vez. (IILP)

O modelo previsto nos Estatutos do IILP estabelece, contudo, que o diretor executivo seja recrutado entre cidadãos nacionais dos Estados-Membros através de concurso público internacional, para um mandato de três anos, renovável uma vez por igual período.

A discussão no Conselho de Ministros deverá, por isso, determinar como será aplicada esta regra e qual será o modelo a seguir para a próxima direção do instituto.

Alterações climáticas e risco para as infraestruturas

A reunião do CCP começou com uma apresentação sobre a Coalizão para Infraestruturas Resilientes a Catástrofes (CDRI), iniciativa dedicada ao reforço da resiliência das infraestruturas perante desastres naturais e alterações climáticas.

“Sabemos que é um tema importante para todos, com as mudanças climáticas e o que tem acontecido pelo mundo, para percebermos quais são os apoios que pode haver”, explicou Natália Carrascalão.

De acordo com os dados apresentados na reunião, o Brasil é, entre os países lusófonos, aquele que apresenta a maior perda anual estimada de infraestruturas devido a desastres climáticos, com cerca de 13,7 mil milhões de dólares.

Em Timor-Leste, a estimativa aponta para perdas anuais de aproximadamente 50 milhões de dólares em infraestruturas devido a desastres naturais.

28 documentos seguem para o Conselho de Ministros

Os 28 documentos aprovados pelo CCP serão agora apreciados pelo Conselho de Ministros da CPLP, juntamente com a questão que ficou sem consenso.

Natália Carrascalão adiantou que, depois de aprovadas as resoluções, caberá à Missão Permanente de Timor-Leste junto da CPLP, em Lisboa, acompanhar o seu cumprimento.

A XXXI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP realizou-se esta quarta-feira, 19 de agosto, em Díli. InDiligente” – Timor-Leste


sábado, 27 de junho de 2026

Instituto Internacional da Língua Portuguesa - Acolhe apresentação do livro infantil "A Coragem de Maria"

A Associação Projecto Escola de Vida lança o livro infantil "A Coragem de Maria" escrito por jovens autores do Clube de Leitura. A cerimónia de lançamento do livro aconteceu esta sexta-feira, 26, no salão do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), na Cidade da Praia


Numa nota enviada, a coordenação do Projeto Escola de Vida realça que A Coragem de Maria é uma história inspiradora que valoriza a coragem, a fé, a perseverança e os bons valores, promovendo o gosto pela leitura e incentivando a criatividade das crianças e adolescentes.

A mesma fonte relata que a obra representa o resultado de um trabalho contínuo de incentivo à leitura, à escrita e ao desenvolvimento das competências literárias dos participantes do Clube de Leitura do Projecto Escola de Vida.

O lançamento contou com momentos culturais protagonizados pelos alunos, apresentação da obra, sessão de autógrafos e partilha sobre o processo de criação do livro.

“Este momento marca mais uma importante conquista do Projecto Escola de Vida, que há vários anos trabalha para promover educação, cultura, leitura e desenvolvimento integral de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social”, cita.

Segundo a mesma fonte, a concretização deste projecto contou com o apoio do IILP, através do Fundo de Apoio a Pequenos Projetos, “reforçando o compromisso da instituição com a promoção da língua portuguesa, da leitura e da produção literária junto das comunidades”. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


terça-feira, 21 de abril de 2026

IILP - Estão abertas candidaturas ao Programa de Residências de Criação Literária

As candidaturas à 3.ª edição do Programa de Residências de Criação Literária do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) abrem no dia 5 de Maio, no âmbito do Plano de Actividades da instituição para 2026


Segundo o regulamento, o programa tem como objectivos apoiar a circulação de escritores dos países e regiões de língua portuguesa, bem como promover a criação literária em língua portuguesa.

A iniciativa visa ainda fomentar a interculturalidade no espaço da CPLP e promover um maior conhecimento das literaturas nacionais nos seus Estados-membros e regiões de língua oficial portuguesa.

O concurso abre oficialmente no dia 5 de Maio, sendo que as candidaturas devem ser submetidas até ao dia 20 do mesmo mês. Serão atribuídas quatro bolsas de criação.

As candidaturas deverão ser efectuadas mediante o preenchimento e submissão do formulário disponibilizado na página oficial do instituto (iilp.cplp.org), a partir de 5 de Maio, acompanhado da documentação obrigatória aí indicada.

O envio da candidatura, juntamente com os documentos exigidos, deverá ser feito via correio electrónico, através do endereço:

residencias.iilp@gmail.com. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Lusofonia - Grupo Multilateral de Reflexão sobre a Língua Portuguesa discute políticas concretas

Entre hoje, dia 5, e amanhã 6 de dezembro, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa organiza a I Reunião do Grupo Multilateral de Reflexão sobre a Língua Portuguesa (GMR-LP/IILP), que reúne, na sede do IILP, instituições e serviços que, nos Estados-Membros da CPLP e em regiões de língua oficial portuguesa, têm competências ou prestam assessoria na definição de políticas públicas para o uso, a promoção e difusão da língua portuguesa.



Alinhando-se com a missão da instituição, a criação deste Grupo sob a égide do IILP visa promover uma gestão mais multilateral em matérias concretas de política e de planejamento linguístico da língua portuguesa a que estas reuniões se dedicarão, constituindo os encontros que a iniciativa do IILP institui uma oportunidade de aperfeiçoamento dos mecanismos pelos quais essa gestão se pode processar.

Contando, na abertura dos trabalhos, com a presença do Ministro de Educação de Cabo Verde, Dr. Amadeu Cruz, a I Reunião do GMR-LP/IILP tem a participação de representantes de Angola (Academia Angolana de Letras e Ministério da Educação), Brasil (Academia Brasileira de Letras), Cabo Verde (Ministério da Educação), Portugal (Academia de Ciências de Lisboa) e de Timor-Leste (Ministério da Educação e MNE).

Também conta com a presença de uma delegação da Região Administrativa Especial de Macau (através da Direção de Serviços de Educação, Desenvolvimento e Juventude do Executivo da RAEM), pela primeira vez envolvida a este nível em ações do IILP.

Conforme a agenda de trabalho, para além da partilha de informação sobre o panorama do ensino do Português em cada país, a partir de práticas nacionais em matérias como os processos de renovação do léxico, serão analisados possíveis mecanismos de articulação e de definição de critérios comuns.

A criação do GMR-LP/IILP e a reunião que agora decorre fecham a atividade do IILP em 2024, que constituiu um ano de grande incremento na intervenção da instituição. O IILP concluiu ou tem em curso 28 dos programas previstos no seu plano de atividades, que se traduziram em mais de 50 projetos e ações, abrangendo 8 dos países da CPLP. In “Mundo Lusíada” - Brasil


sábado, 26 de outubro de 2024

Lusofonia - “Deus É Bom” de Damaris Ricalo vence 1ª edição do concurso internacional de contos “Minha língua, minha história e meu destino”

“Deus É Bom” de Damaris Enola Pinheiro Ricalo, da Escola Industrial e Comercial de Mindelo (Cabo Verde) é o vencedor da Iª edição do concurso internacional de contos “Minha língua, minha história e meu destino”. O anúncio foi feito esta quinta-feira, 25, na cidade da Praia


Na segunda posição ficou “A Missão dos Guerreiros da Nzinga”, de Lemuel Paiva de Oliveira Muginga, do Instituto Médio de Luanda (Angola) e, terceiro lugar, “A Voz da Terra”, de Marlena de Jesus Almeida, da Escola Café (Timor-Leste).

Foi ainda atribuída Menção Honrosa ao conto “Minha Língua, Minha História e Meu Destino”, de Soraia Gomes Cabral, da Escola Secundária Pedro Verona Pires (Cabo Verde).

Segundo o IILP, dada a qualidade do trabalho apresentado os promotores irão lançar uma antologia com as sete melhores obras participantes que serão disponibilizados de forma digital para todos os interessados tendo como foco a juventude dos PALOP mais Timor-Leste.

O concurso literário foi lançado a 30 Maio deste ano e visa promover a língua portuguesa a nível dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) mais Timor-Leste junto dos estudantes do secundário e equiparados.

O concurso, como refere a mesma fonte, pretende também promover a literatura juvenil junto do público juvenil e da sociedade em geral, “além de potencializar novos escritores engajados com as novas causas do desenvolvimento através de uma competição internacional, procura ainda dar a conhecer os potenciais novos escritores da língua portuguesa junto do grande público e fomentar um olhar introspectivo dos jovens em relação à sua cultura e realidade do país”.

Os organizadores do concurso acreditam que com este concurso vão descobrir talentos escondidos que poderão vir a ser escritores nos seus países e quem sabe alcancem dimensão internacional.

Este projecto foi financiado pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) no âmbito do Fundo de Apoio a Pequenos Projectos. Dulcina Mendes – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”




sexta-feira, 31 de maio de 2024

Macau - Acervo digital do jornal Ponto Final cedido ao Instituto Internacional da Língua Portuguesa e ao Instituto Português do Oriente

A PraiaGrande Edições, proprietária do Ponto Final, assinou um protocolo tripartido com o Instituto Português do Oriente (IPOR) e com o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), de forma a ceder o acervo digital do jornal. O objectivo é permitir a investigação e a elaboração de materiais por parte dos dois institutos


A PraiaGrande Edições, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) e o Instituto Português do Oriente (IPOR) assinaram um protocolo tripartido que estipula que a detentora do jornal Ponto Final cede, de forma gratuita, aos dois institutos um acervo digital composto por todas as edições do jornal existentes naquele formato, para fins de investigação e elaboração de materiais.

No caso do IILP, o instituto que, sob a égide da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tem por missão a promoção da língua portuguesa numa perspectiva multilateral, este acervo vai integrar o ‘corpus’ que o IILP tem em constituição do português jornalístico de países de língua portuguesa e da RAEM, que reúne idênticos acervos que estão a ser recolhidos em jornais noutros países.

Conforme o acordado e nas condições estipuladas, o IILP poderá disponibilizar o acervo que lhe é agora cedido a infraestruturas de investigação para a ciência e tecnologia da Linguagem – nomeadamente, a Portulan Clarin, da qual o IILP é entidade colaboradora -, que o tratarão e o tornarão acessível a investigadores e desenvolvedores de tecnologia.

O banco de dados deste modo constituído poderá, assim, passar a alimentar ferramentas de tratamento automático de textos, de processamento da linguagem natural e, em particular, de recursos computacionais de inteligência artificial generativa, bem como a apoiar estudos e investigação na área da lexicologia e da variação linguística, entre outras, “tendo presente a importância de que tal se reveste para o fortalecimento do posicionamento da língua portuguesa nesses domínios das tecnologias das línguas e para os estudos do português como língua pluricêntrica”, lê-se na nota de imprensa sobre o acordo.

No caso do IPOR, o acordo prevê a cedência gratuita do acervo do jornal Ponto Final para efeitos de elaboração de materiais didáticos para o ensino de português, que constitui uma das áreas fortes no trabalho de promoção do ensino e da aprendizagem da língua portuguesa que este instituto desenvolve na RAEM e no interior da China e no apoio que presta a vários docentes e instituições de ensino superior de outros países desta região do mundo onde se ensina português.

O acordo é válido por três anos e juntará as publicações editadas até esta data àquelas que forem produzidas durante o período de vigência do protocolo. No acto de assinatura, as três entidades estiveram representadas por Ricardo Pinto, administrador da PraiaGrande Edições Lda., João Neves, director executivo do IILP, e Patrícia Quaresma Ribeiro, directora do IPOR. In “Ponto Final” - Macau


sábado, 31 de dezembro de 2022

Instituto Internacional da Língua Portuguesa - João Laurentino Neves será o novo director-executivo

O antigo director do Instituto Português do Oriente deverá ocupar o cargo no início do ano que se avizinha. João Laurentino Neves tem uma ligação a Cabo Verde de alguns anos, por isso volta a um país que bem conhece e o agraciou, em 2011, o 1.º Grau da Medalha de Mérito. Já esteve ligado ao IILP, nomeadamente entre 2003 e 2008, quando participou na Assembleia Geral e Conselho Científico do instituto

João Laurentino Neves vai assumir a direcção-executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) sucedendo ao guineense Incanha Intumbo, que se encontrava no cargo desde 2018, avançou ontem a TDM – Rádio Macau.

O antigo director do Instituto Português do Oriente (IPOR) entre 2012 e 2018 é, actualmente, vogal do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, tendo sido substituído no cargo, em Macau, por Joaquim Coelho Ramos.

O IILP tem sede na Praia, capital de Cabo Verde, país que João Laurentino Neves conhece bem, uma vez que foi Adido Cultural junto da Embaixada de Portugal naquela cidade cabo-verdiana (2003 a 2012), funções que acumulou, por despacho de nomeação, com as de diretor do Camões – Centro Cultural Português na Praia, precisamente antes de ser colocado na RAEM.

A sua ligação ao IILP não começa agora. Foi membro da delegação de Portugal na Assembleia Geral e Conselho Científico do instituto, entre 2003 e 2008, precisamente durante o tempo em que estava radicado em Cabo Verde.

Em 2011, devido a reconhecidos préstimos a Cabo Verde, recebeu, da mão Presidente da República daquele país, o 1.º Grau da Medalha de Mérito.

João Laurentino Neves nasceu em 23 de Fevereiro de 1963, em Aveiro. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Ingleses pela Universidade do Porto e Mestre em Relações Interculturais pela Universidade Aberta, onde é doutorando na mesma área de estudos. Docente do ensino secundário e orientador de estágio integrado entre 1985 e 1995. Leitor de Língua e Cultura Portuguesa na Universidade Pedagógica e na Universidade Católica de Moçambique, em Nampula – Moçambique (1995-2000), onde criou, em 1998, o Centro de Língua Portuguesa/Instituto Camões, o primeiro da Rede de Centros de Língua Portuguesa do Camões no mundo, do qual foi o responsável.

Foi igualmente responsável do Centro Coordenador dos Centros de Língua Portuguesa/IC, no Instituto Camões (2000-2002), com funções de supervisão da rede CLP/IC.

Membro da delegação de Portugal na Subcomissão Mista Portugal-RAEM para a Língua e Educação, entre 2016 e 2018 e participou em encontros e conferências sobre promoção da Língua Portuguesa em Moçambique, África do Sul, Namíbia, Guiné-Bissau, Cabo Verde, França, Espanha, Roménia, Guatemala, Timor Leste e República Popular da China.

O IILP é uma instituição da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP), que goza de personalidade jurídica e é dotada de autonomia científica, administrativa e patrimonial. O instituto promove um contacto mais estreito entre os países e as suas equipas técnicas, permitindo a execução de uma política linguística consensuada. Gonçalo Pinheiro – Macau in “Ponto Final”


sábado, 13 de março de 2021

Moçambique - Projeto do primeiro Dicionário de Português de Moçambique arranca com formação em Maputo

Os trabalhos para a elaboração do primeiro dicionário de língua portuguesa de Moçambique (DiPoMo) arrancaram, em Maputo, com uma formação promovida pela Cátedra de Português da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), anunciou o Instituto Camões.

O anúncio do arranque do projeto para o lançamento de um dicionário de língua portuguesa de Moçambique, com financiamento do Instituto Camões, através do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), tinha sido feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no início de março no parlamento português.

“É o primeiro dicionário da língua comum de Saramago e Mia Couto que se publicará fora de Portugal e do Brasil”, disse na altura Santos Silva.

De acordo com uma nota do Instituto Camões, no âmbito do Projeto DiPoMo – Dicionário do Português de Moçambique, a Cátedra de Português Língua Segunda e Estrangeira na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Maputo, promoveu, no início de março, o primeiro curso de formação sobre a construção do “corpus do português de Moçambique”.

A formação, que decorreu de forma virtual, contou com a participação de investigadores e representantes de cada uma das províncias moçambicanas.

O Dicionário de Português de Moçambique surge na sequência da construção e publicação, em 2014, do Vocabulário Ortográfico Moçambicano da Língua Portuguesa – VOMOLP, “recurso que permitiu descrever o português moçambicano” e “desenvolver um primeiro recurso linguístico de larga escala”, segundo a nota.

O VOMOLP é parte integrante do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC), acervo do qual constam vocabulários ortográficos de outros países de língua portuguesa.

De acordo com o Instituto Camões, a construção do DiPoMo, numa perspetiva de descrição global do léxico da variedade moçambicana da língua portuguesa, permite o seu uso em instituições de ensino e serve de base para a construção de recursos didáticos adequados a Moçambique.

Servirá igualmente de base para a criação de recursos computacionais, nomeadamente de reconhecimento e síntese de voz, correção ortográfica e indexação semântica.

O projeto é coordenado por Inês Machungo, da UEM, José Pedro Ferreira, do CELGA-ILTEC e Maria João Diniz, da UEM, e conta com a participação de linguistas, professores e outros profissionais da área das línguas de todas as regiões de Moçambique e ainda com um corpo de consultores de outros países de língua portuguesa, incluindo Portugal. In “Mundo Lusíada” – Brasil com “Lusa”

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Instituto Internacional da Língua Portuguesa precisa de “garantir a continuidade”

Lisboa – A presidente do conselho científico do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), Margarida Correia, defendeu hoje que é preciso “garantir a continuidade” desta instituição do universo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Tem de se garantir a continuidade do IILP, ou seja, o pagamento das quotas, tem de haver vontade de desenvolver projectos comuns e sobretudo participação efectiva. Mas também o envolvimento da sociedade civil”, defendeu Margarida Correia, a oradora numa conferência ‘online’ sobre o tema “O IILP ao serviço da Língua Portuguesa”.

“O IILP não vai fazer grande coisa se as universidades, as instituições não estiverem também muito interessadas em participar, nas suas acções”, acrescentou.

Sublinhando que a instituição “será aquilo que os Estados [membros da CPLP] quiserem que ela seja”, a também professora auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, defendeu que entre as prioridades para a acção futura do IILP está também “a actualização dos seus estatutos”, porque os actuais são de 2005.

Margarida Correia lembrou a este propósito que “há uns novos estatutos que foram aprovados em 2010, mas que não foram homologados pelos Estados”, prometendo empenhar-se neste projecto.

“Até porque a escolha da direcção executiva do IILP, segundo esses novos estatutos, passa a ser feita por concurso internacional e deixa de ser rotativa. E isso eu acho bem”, considerou.

Depois, é preciso que haja uma “valorização do IILP”, um reconhecimento quer pela CPLP, e sobretudo pelos seus Estados-membros, sublinhou a professora universitária.

“Precisamos que as comissões nacionais sejam boas e sejam activas, participativas, que sejam mandatadas para terem uma acção eficaz”, referiu Margarida Correia, admitindo que da parte da CPLP tem havido mais conhecimento e valorização do papel do instituto do que há uns anos.

Quanto à acção futura do IILP disse que esta terá de ir muito para a produção de recursos e apoio ao desenvolvimento do português, não apenas no espaço da CPLP, mas também no espaço internacional, e à presença do português nas organizações internacionais.

“Nas possibilidades o céu é o limite, nas limitações o inferno é o limite. Eu sou uma optimista por natureza e a vida tem-me ensinado que nós podemos fazer muito mais do que aquilo que à partida achamos que somos capazes de fazer”, concluiu.

Falando sobre o IILP, a presidente do conselho científico da instituição fez questão de encerrar a sua intervenção com o poema ‘Pedra Filosofal’, de António Gedeão: “Eles não sabem que o sonho comanda a vida…”.

O IILP é uma instituição da CPLP com sede na Praia, capital de Cabo Verde.

Os seus objectivos, de acordo com os actuais estatutos são “a promoção, a defesa, o enriquecimento e a difusão da língua portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e de utilização oficial em fóruns internacionais”.

Para Margarida Correia, quando o português é das línguas mais faladas no mundo não faz sentido o princípio da “defesa”.

O que é preciso é difundir e desenvolver o conhecimento da língua portuguesa.

A criação do IILP foi proposta, em 1989, pelo então Presidente da República do Brasil, José Sarney, durante a primeira cimeira da CPLP, realizada em São Luís do Maranhão.

A CPLP integra Angola, Cabo Verde, Brasil, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe. In “Inforpress” – Cabo Verde com “Lusa”