Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 8 de março de 2019

Portugal - Financia bolsas a investigadores de língua portuguesa da CPLP

O presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.), Luís Faro Ramos, e o diretor Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), Incanha Intumbo, assinaram no dia 28 de fevereiro, o ato de entrega pelo Governo da República Portuguesa ao IILP de uma contribuição voluntária no valor de 200 mil euros “para o desenvolvimento do programa de bolsas de cientista convidado do IILP por um período de três anos (2019-2021) durante o qual serão anualmente concedidas duas bolsas a investigadores de língua portuguesa para apoio a projetos do IILP”, informa uma nota divulgada pelo Camões, I.P.

O documento foi assinado na presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, da secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, e o Secretário Executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Telles.

O ‘Programa de bolsas: Cientista convidado do IILP’, que tem o apoio do Governo português, foi lançado pelo IILP para dinamizar o idioma comum ao espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Luís Faro Ramos sublinhou que este “estímulo” permitirá ao IILP reforçar as suas atividades e apelou aos restantes países da CPLP e aos observadores associados para que sigam o exemplo português e contribuam também com programas semelhantes para que a atividade do IILP “seja mais visível e tenha mais resultados”.

Na cerimónia de assinatura do protocolo, em Lisboa, foram reconhecidas as dificuldades que o IILP tem enfrentado para desenvolver as suas atividades devido à falta de meios humanos e financeiros, e fizeram-se apelos a outros países para que sigam o exemplo português.

O diretor executivo do ILLP, Incanha Intumbo, reconheceu que o instituto tem desenvolvido a sua missão a custo devido à “insuficiência financeira” e afirmou que os Estados-membros deviam esforçar-se para cumprir os seus compromissos a nível de contribuições (quotas), apesar de alguns terem “situações financeiras muito complicadas”.

O IILP quer realizar atividades nos países-membros, mas “isso tem custos em recursos humanos e materiais”, frisou Incanha Intumbo, acrescentando que, sem meios, não é possível realizar essas atividades.

Para Incanha Intumbo, este “apoio extraordinário”, que representa dois terços do orçamento do IILP, é “um marco” que vai “permitir levar o IILP às pessoas” e desenvolver mais programas no terreno.

O diretor executivo do IILP destacou a relevância da língua portuguesa, apontando estimativas que colocam o número de potenciais falantes de língua portuguesa entre 270 a 280 milhões, com impacto económico na internacionalização das empresas e nas trocas comerciais.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, mostrou disponibilidade para que Portugal dê continuidade a esta contribuição extraordinária, mas sem se comprometer.

“Como nos casamentos, o amor começa por ser extraordinário e depois vai crescendo e, seguramente, aqui vai acontecer o mesmo”, desde que se deem os “passos certos” e os montantes sejam “bem administrados” para poder crescer “solidamente”, afirmou o chefe da diplomacia portuguesa.

Santos Silva acrescentou que o objetivo é apoiar o IILP na sua missão principal de promover a língua, com um programa que valoriza “a dimensão da investigação aplicada e aplicável ao ensino do português enquanto língua não materna”. In “Mundo Português” - Portugal

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Timor-Leste – Debate presente e futuro da língua portuguesa

”Presente e Futuro do Português em Timor-Leste” é o mote das Jornadas Pedagógicas do Centro de Língua Portuguesa que decorrem quinta e sexta-feira em Díli. Esta é já a 3ª edição do encontro

O presente e o futuro da língua portuguesa em Timor-Leste e os processos tanto da sua aprendizagem como do ensino são os aspetos centrais das III Jornadas Pedagógicas do Centro de Língua Portuguesa que decorrem nos dias 18 e 19 de Outubro em Díli.

Domingas Bachita, da comissão organizadora, explicou que a terceira edição do encontro é integralmente organizada por alunos do Departamento de Língua Portuguesa da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) sob a coordenação de docentes do Centro de Língua Portuguesa da instituição.

“Ao longo dos dois dias de trabalhos, estudantes de diferentes departamentos e faculdades e convidados de diversas áreas relacionadas com a Educação e a Língua Portuguesa em Timor-Leste partilharão saberes e experiências nestas Jornadas, que têm como tema “Presente e Futuro do Português em Timor-Leste”, explica Bachita numa nota enviada à Lusa.

O programa das jornadas integra painéis temáticos sobre Didática, Linguística e Literatura e Cultura, mas também mesas-redondas sobre o português “enquanto elemento de identidade cultural e enquanto veículo de transmissão de conhecimentos, as vantagens pessoais e profissionais de dominar a língua portuguesa e o papel das línguas maternas em Timor-Leste”, indicou.

Promovidas pelo Centro de Língua Portuguesa da UNTL, as jornadas decorrem no final da semana no Auditório da Faculdade de Educação Artes e Humanidades daquele centro educativo.

Entre os participantes contam-se o reitor da UNTL, Francisco Martins, o comissário nacional de Timor-Leste no Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), Crisódio Araújo, o embaixador Domingos Sousa e o jornalista Max Stahl.

Motivação dos alunos para a aprendizagem da leitura na sala de aula de português, a importância da pré-leitura na compreensão do texto em língua portuguesa e “vantagens e desvantagens do uso do manual de português” são alguns dos temas em análise.

“Vantagens pessoais e profissionais de dominar a língua portuguesa”, lendas tradicionais timorenses, o papel das línguas maternas em Timor-Leste e o português enquanto veículo de transmissão de conhecimentos, estão também entre os assuntos a debater.

O encerramento estará a cargo de Benjamim Corte-Real Araújo, diretor do Centro de Língua Portuguesa da UNTL e do Instituto Nacional de Linguística. In “Instituto Internacional da Língua Portuguesa” com “Lusa”

segunda-feira, 9 de abril de 2018

CPLP - Promove a “Língua Portuguesa Unindo Gerações”

O Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), o Secretariado Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (SECPLP) e a Sociedade Internacional de Português Língua Estrangeira (SIPLE) estão a organizar dois eventos que marcam uma semana inteira do mês de abril, sob o mote 'Em Língua Portuguesa Unindo Gerações'



A sede do SECPLP abre as portas ao colóquio “Língua Portuguesa: um património a preservar”, entre os dias 9 a 13 de abril, seguido do “IX Curso de Capacitação para a Elaboração de Materiais: Ensino de Português como Língua de Herança / Português para Crianças”, com duração de quatro dias, cujos materiais didáticos gerados serão incluídos no Portal do Professor de Português Língua Estrangeira/Língua Não Materna (PPPLE/LE/LNM).

No colóquio, estará em destaque a preservação e promoção da língua de Camões, assim como as perspetivas e práticas do português como língua de herança.

O curso pretende capacitar tanto professores como pessoas em formação na área, para a elaboração de materiais para o ensino de português no âmbito da temática desta edição, através de discussões e abordagens pedagógicas contemporâneas para o ensino de línguas, sob a orientação da Equipa Assessora Central do PPPLE. In “Revista PORT.COM” - Portugal

sábado, 31 de março de 2018

Cabo Verde - Jogos educativos digitais vão integrar exposição do Museu da Língua Portuguesa

Cidade da Praia – Jogos educativos digitais produzidos por alunos da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) vão fazer parte de uma exposição do Museu da Língua Portuguesa a ter lugar em Junho, na sede Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), na Praia.

Os jogos foram produzidos no âmbito de uma oficina, realizada pela Uni-CV em parceria com o IILP, o Leitorado Brasileiro Cabo Verde, a Embaixada do Brasil em Cabo Verde, o Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada da Universidade de Coimbra e Museu da Língua Portuguesa.

Segundo o coordenador do curso de Engenharia Informática da Uni-CV, Domingos Andrade, a ideia foi utilizar os jogos para tornar mais fácil o entendimento da língua portuguesa junto da população dos diversos países que falam o português.

“Como sabemos dentro da língua portuguesa temos uma variação de palavras para designar um mesmo um objecto ou um mesmo acto. E encontramos a forma de jogos para tornar mais fácil entendimento da língua para população em geral”, explicou.

Durante a Oficina foram produzidos quatro jogos, toponímia e gentílicos, as formas adaptadas e não-adaptadas, a variação léxica e as variedades fonético-fonológicas, cujos dados sistematizados foram fornecidos pela equipe do Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada da Universidade de Coimbra, enquadrado no Projecto Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, do IILP.

Os jogos são interativos e vão apresentar uma imagem e diversas opções de palavras para que o jogador acerte aquela que se refere ao país indicado.

“O nosso objectivo é mostrar as diferentes formas de se referir a uma mesma coisa. Por exemplo, aqui em Cabo Verde dizemos autocarro, mas no brasil dizem ónibus. Por isso, apresentamos três opções para testar o conhecimento das pessoas e estas, por exemplo, vão tentar acertar em que país é usado autocarro”, explicou o formador Amândio Furtado.

Os jogos vão ser testados e expostos em Junho e Julho e, de seguida, poderão ser colocados nas plataformas digitais.

A oficina, que foi encerrada hoje, teve como formador o brasileiro Bruno Palermo. Os jogos vão ser testados e expostos e, de seguida, poderão ser colocados nas plataformas digitais. In “Inforpress” – Cabo Verde

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Galiza na CPLP?



Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) acaba de celebrar os 21 anos da sua criação com algumas decisões que, não implicando uma mudança essencial, podem gerar novas dinâmicas e expectativas.

A última reunião do Conselho de Ministros, realizada o passado 20 de julho em Brasília, produziu duas novidades de interesse em relação aos “observadores associados”, países que não entram no grupo restrito dos membros de pleno direito, e os “observadores consultivos”, categoria reservada às entidades da sociedade civil.

No primeiro caso, o Conselho de Ministros adotou uma «Resolução sobre o reforço da cooperação com os observadores associados» que pretende dar um papel mais claro a estes países membros, até ao presente num papel limitado. Com esta decisão promove o acesso dos seus representantes aos expedientes internos, e a sua implicação nas políticas comuns, por meio da participação em reuniões do Comité de Concertação Permanente e o Conselho de Ministros, em fórmulas que ainda terão de ser estabelecidas. Desse modo os associados, como a Turquia, Senegal, Uruguai, Japão ou a Maurícia, adquirem maior margem de manobra em termos políticos e diplomáticos, o que acarreta simultaneamente o alargamento da CPLP em termos de capacidade de atuação em cenários que vão além do espaço de língua oficial portuguesa.

As discussões sobre o alargamento da CPLP e as dúvidas que suscita a entrada de novos países “não lusófonos”, são temas que têm vindo a ser comentados na comunicação social de Portugal com relativa frequência. O assunto vai muito além da questão da Guiné Equatorial e do seu processo de admissão, primeiro como país associado, depois como membro de pleno direito. Equaciona-se entre manter a organização estritamente no território de língua portuguesa, como oficial ou de herança, ou o estabelecimento de fórmulas de integração e colaboração de países que, sem ter uma relação direta com a nossa língua, mostram interesse em fazer parte do conjunto lusófono, por diversos motivos. Por outras palavras, a escolha situa-se entre manter a CPLP no atual espaço, ou promover um alargamento que a converta num ator com peso a larga escala.

Quanto aos observadores consultivos, a CPLP adotou uma resolução em que foi aceite a Academia Galega da Língua Portuguesa, com o patrocínio do Governo da República de Angola. A decisão fecha o périplo desta candidatura galega, apresentada em 2011, e vem reconhecer o papel da sociedade civil neste processo, dispondo agora de um interlocutor direto nesse organismo internacional.

É possível entrar na CPLP?

Isso não significa a entrada formal da Galiza na CPLP. Poderia ser admitida, em determinadas condições. Os galegos fomos consultados, através das Irmandades da Fala da Galiza e Portugal, em 1989, por iniciativa do Governo do Brasil, sobre o processo de criação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa. E novamente em março de 1993, na ronda de consultas sobre a criação da CPLP, por iniciativa do Embaixador José Aparecido de Oliveira, como pode ser observado na documentação da Comissão Galega do Acordo Ortográfico, de que a Academia Galega da Língua Portuguesa é depositária.

Em segundo lugar, diversos governos galegos tiveram atuações em direção à CPLP. Isso aconteceu durante as presidências de Manuel Fraga e Emílio Pérez Touriño. Como sabemos, com resultados insatisfatórios. Em 1989, porque a redação inicial do projeto, concebido como comunidade de povos, se converteu em comunidade de estados, o que impossibilitou formalmente a admissão da Galiza. Contudo, os estatutos incluíram um parágrafo para a entrada como observadores associados de «entidades territoriais dotadas de órgãos de administração autónoma». Posteriormente, durante a presidência de Touriño, falhou a negociação com o Ministerio de Asuntos Exteriores da Espanha, provavelmente porque não fora preparada adequadamente.

Lei Paz-Andrade

A lição dessas experiências apontava para a necessidade de procurar um grande acordo político e social, reunindo apoios para retomar essa iniciativa. Isso implicava que os principais motores das políticas antilusófonas nas décadas de 1980 e 1990, instauradoras do modelo isolacionista para o galego, deveriam chegar, de alguma forma, a algum entendimento com o reintegracionismo. Isto aconteceu, parcialmente, com a Iniciativa Legislativa Popular Paz-Andrade, convertida em lei do Parlamento da Galiza em março de 2014.

A lei fornece um instrumento valioso para desenvolver as políticas tendentes a essa integração na Lusofonia. Porém, aos três anos da sua aprovação, há vários riscos que ameaçam gravemente o processo, como o facto de não ter-se criado uma só vaga para professores de português no ensino público, o que é um claro incumprimento dos acordos e produz frustração nos milhares de pessoas assinantes da ILP. Outro risco não menos importante é a inexistência de uma comissão oficial de trabalho sobre a aproximação da Lusofonia, como se sugeriu no Parecer sobre o Desenvolvimento da Lei Paz-Andrade, documento imprescindível que deveria servir como roteiro.

Contrariamente ao declarado por representantes do Governo, a política linguística é observada com atenção no Palácio dos Condes de Penafiel. Apresentar o galego como língua “intercompreensível”, mas “independente do português” coloca a Galiza, simbolicamente, da parte de fora. E quem se põe de fora dificilmente pode sentar-se à mesma mesa. Paralelamente, não pode pedir-se a entrada na CPLP e, ao mesmo tempo, manter a tradicional política de exclusão das pessoas e entidades da sociedade galega que publicam em português. Na ausência de movimentos do Governo e instituições involucradas, a participação direta da sociedade civil galega na CPLP só poderia deixar em evidência a deterioração das expectativas geradas com a própria Lei Paz-Andrade. Ângelo Cristóvão – Galiza in “Novas da Galiza”


José Ângelo Cristóvão Angueira (Santiago de Compostela, 1965), licenciado em Psicologia pela Universidade de Santiago, especializou-se em Psicologia Social. Empresário. Vice-Presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa e membro da sua Comissão de Relações Internacionais. Sócio Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa; Sócio da AGAL desde 1983 e Sócio fundador da Associação Internacional dos Colóquios da Lusofonia.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

CPLP - IILP e Namíbia assinam memorando para promoção da Língua Portuguesa

O Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) e a República da Namíbia assinaram um Memorando para a Cooperação e Promoção da Língua Portuguesa, no dia 31 de outubro de 2016, em Brasília. O ato foi consubstanciado pela Diretora Executiva do IILP, Marisa Mendonça, e pela Embaixadora da Namíbia em França, Frieda Nangula Ithete.

Este Memorando de Cooperação tem o objetivo de estabelecer formas de colaboração para desenvolver planos de promoção da Língua Portuguesa, formação de quadros para atuar em língua portuguesa, formação de professores para os diferentes níveis do sistema educativo, desenvolvimento de pesquisa e projetos envolvendo o idioma em contextos a definir.

A Namíbia foi admitida como Observador Associado da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) na X Conferência de Chefes de Estado e de Governo, realizada em julho de 2014, em Díli, Timor-Leste, tendo manifestado a intenção de promover a difusão, o ensino e a aprendizagem da Língua Portuguesa. CPLP

sexta-feira, 27 de março de 2015

IILP - Universidade Pedagógica de Moçambique e IILP assinam acordo para a difusão da língua portuguesa

A Universidade Pedagógica de Moçambique e o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) assinaram na tarde de ontem, 26 de Março de 2015, em Maputo, um protocolo que visa difundir a internacionalização da língua portuguesa, baseando-se na diversidade cultural dos falantes.

O protocolo, que foi rubricado pelo reitor da UP, Rogério Uthui, e a diretora executiva do IILP, Marisa Mendonça, tem como principal objetivo tornar o português uma língua dialetizada, ou seja, cada país falante poderá incluir no léxico padrão, alguns termos locais, como forma de firmar o casamento entre a língua e a cultura.

Uthui disse durante o encontro, que com a assinatura do protocolo, as duas instituições irão desenvolver parcerias para a implementação científica, tecnológica e cultural do novo modelo de linguagem que, atualmente, aguarda a legalização pela Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano.

‟Tendo em conta que a nossa instituição tem cerca de 60 por cento dos seus estudantes a se formarem para abraçar a carreira de professor, acreditamos que estamos capacitados em termos de recursos humanos para continuar com o estudo ligado as formas de difusão da língua portuguesa”, afirmou Uthui.

Por seu turno, a diretora do IILP, manifestou a sua satisfação com a efetivação do acordo, reconhecendo o papel da UP na transmissão do conhecimento científico.

A UP é uma instituição de cobertura nacional, em Moçambique, e tem recursos humanos capacitados para realizar, com o IILP, uma série de ações a serem planificadas, conjuntamente. Estamos a trabalhar na formação de recursos humanos na UP e com a UP para o exercício de diversificação da língua, como forma de trazer não só a versão de Portugal e do Brasil, mas também de todos os membros da CPLP e novos países integrantes, disse Mendonça.

Importa referir que a UP oferece, por exemplo, dois Mestrados inovadores em África, em Tradução e Interpretação de Conferência, que constituem oportunidades de formação de especialistas nessas áreas, que garantem, ainda que parcialmente, a tradução e interpretação de conferência de e para a Língua Portuguesa.

Caso se aprove o projeto submetido a AR, Moçambique poderá oficializar no seu léxico, palavras faladas a nível local, o que deverá acontecer com todos os integrantes da CPLP. IILP

segunda-feira, 23 de março de 2015

IILP - Direção executiva em missão em Moçambique

A Diretora Executiva e o Presidente do Conselho Científico do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), Marisa Mendonça e Raul Calane da Silva, respetivamente, reuniram-se no dia 19 de Março de 2015, com o Presidente do Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa (FBLP), Nataniel Ngomane, para refletirem sobre as possibilidades de uma cooperação entre as duas instituições, tendo em conta pontos de contacto identificados entre as missões das duas instituições.

Do encontro mantido é possível sublinhar a sintonia inicial entre os representantes do IILP e do FBLP, estando já identificadas áreas de cooperação, atividades concretas, possíveis de ser realizadas por meio da reunião de recursos disponibilizados pelas instituições. De forma a formalizar o compromisso que se pretende firmar e desenvolver, prevê-se para maio do ano corrente, a assinatura de um Protocolo entre o IILP e o FBLP. O referido Protocolo será assinado no âmbito da X Reunião Ordinária do Conselho Científico do IILP a realizar-se em Cabo Verde, na cidade da Praia. IILP

sexta-feira, 6 de março de 2015

IILP – Promove capacitação em Moçambique


O Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), em colaboração com a Sociedade Internacional de Português Língua Estrangeira (SIPLE) e com a Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes (FCLCA) da Universidade Pedagógica (Moçambique), irá realizar, de 23 a 27 de março, o V Curso de Capacitação para a Elaboração de Materiais: Ensino do Português Língua Estrangeira/Língua Não Materna, a ter lugar no Centro de Línguas da FCLCA, em Maputo.

O curso, orientado por especialistas da SIPLE, visa a capacitação de professores, bem como, de pessoas em formação na área de língua portuguesa, para a elaboração de materiais para o ensino de português como língua estrangeira / língua não materna. O curso incluirá discussões e abordagens pedagógicas contemporâneas para o ensino de línguas, a reflexão sobre o Manual de Procedimentos adotado para o PPPLE e uma parte prática que terá como um dos resultados esperados, a elaboração de unidades didáticas, elaboradas a partir do contexto linguístico e cultural moçambicano a serem posteriormente integradas no Portal.

À margem desta formação o IILP assinará um Protocolo de Cooperação com a Universidade Pedagógica, formalizando, assim, possibilidades de parceria em ações de promoção, difusão e internacionalização da Língua Portuguesa. Aceda ao sítio do Portal do Professor de Português Língua Estrangeira, aqui. IILP

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

CPLP - Seminário “Projeção Internacional da Língua Portuguesa: presente e futuro”



O Secretariado Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) irão realizar um Seminário sobre a temática “Projeção Internacional da Língua Portuguesa: presente e futuro”, no próximo dia 20 de fevereiro de 2015, na sede da organização, em Lisboa. A entrada é livre, sujeita a confirmação. R.S.F.F. até 19 de fevereiro, para o email: eventos@cplp.org. CPLP




quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

CPLP - Namíbia e Turquia querem falar português

Assim como a Galiza, países tentam virar membros da comunidade de falantes da língua portuguesa

Depois do recente ingresso da Guiné Equatorial e do renovado interesse da Galiza, agora será a vez de Namíbia e Turquia assinarem protocolo com a Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP). Os dois países já são observadores na CPLP e estão dispostos a desenvolver ações em prol da efetiva implementação da língua em seus países, com ensino nas escolas, por exemplo.

São países que tradicionalmente não falam português, mas desejam introduzir a língua em seus territórios.

- É como uma mais-valia em vários níveis - resume a moçambicana Marisa Mendonça, nova diretora executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), órgão técnico da CPLP que trata da promoção, divulgação e das políticas relacionadas com a língua.

Para se tornar membro da CPLP, países que não têm a língua portuguesa têm de passar por diferentes fases e estatutos, lembra Marisa, que é doutora em Educação/Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

- É o mesmo percurso feito pela Guiné Equatorial para enquadrar-se nas regras da Comunidade - acrescenta.

Timor-Leste assumiu em julho a presidência da CPLP durante a cimeira de chefes de Estado, que ficou marcada pelo regresso da Guiné-Bissau à organização depois de suspensão devido ao golpe de Estado de 2012 e pela candidatura da Guiné Equatorial a país-membro do bloco de países de língua portuguesa. Na mesma ocasião, o Conselho de Ministros da CPLP recomendou a admissão da Namíbia, Turquia, Geórgia e Japão como observadores associados da organização.

Acordo

Enquanto isso, a CPLP - e o ILLP em particular - vem acompanhando o processo em curso na Galiza (Espanha), de recuperação e reconhecimento do galego-português. De acordo com Marisa Mendonça, a instituição aguarda o posicionamento do governo espanhol, uma vez que a CPLP trabalha com Estados-nação. A instituição também não pode tomar posições que firam a soberania nacional.

- Sabemos que há uma série de conversações sobre como conduzir esse processo. É necessário dar-se o tempo que a complexidade do processo exige.

Os potenciais novos membros da CPLP chegam no momento em que o acordo ortográfico de 1990 está em fase de implantação nos países da comunidade lusófona. O prazo comum adotado para a adesão definitiva de Portugal e Brasil é janeiro de 2016.

- Os países-membros têm a prerrogativa de definir prazos nacionais para adoção do acordo, tendo em conta as diferentes condições (recursos humanos, materiais e financeiros) de cada um. Tanto que Moçambique e Angola ainda nem ratificaram o acordo - explica Marisa.

Em Moçambique, o processo está mais adiantado - o documento já passou pelo Conselho de Ministros e aguarda a deliberação da Assembleia Nacional. No caso de Angola, não se conhecem as razões oficiais pelas quais não há deliberação nos diferentes níveis de decisão, informa a diretora-executiva do IILP.

- Nos demais países, o acordo está sendo paulatinamente implementado, dentro das possibilidades e condições existentes em cada país.

Viabilidade

No Cabo Verde, por exemplo, há grande preocupação das autoridades governamentais e acadêmicas no sentido de encontrar o melhor mecanismo para viabilizar o acordo, acrescenta a professora Marisa.

O IILP se coloca disponível para apoiar as diferentes estratégias de implementação do acordo, mas não pode interferir naquilo que são decisões das autoridades governamentais, alerta a professora.

- O acordo ortográfico não é uma reforma, uma vez que estabelece soluções que já existiam nos diferentes espaços ortográficos. Tanto que representa a mudança ortográfica de apenas 1,5% das palavras em Portugal e 1% no Brasil. Apenas uniformizamos as regras - defende.

Marisa Mendonça, que é professora da Universidade Pedagógica de Moçambique e já trabalhou em temas como currículo e didática, avaliação, análise e material didático para o ensino da língua, concorda com a ideia principal do professor Carlos Alberto Faraco, presidente da Comissão Nacional do Brasil no IILP, de que há países onde a aplicação do acordo já é uma realidade; e que, dificilmente, haverá retrocesso.

No entanto, a discussão sobre o acordo ortográfico não tem sido pacífica ao longo dos últimos anos. O professor Faraco considera que é necessário qualificar os níveis de discussão do acordo. E fazer uma discussão técnica e científica da lei ortográfica.

Plataforma

Um instrumento de apoio à implantação do acordo ortográfico será a plataforma VOC (vocabulário ortográfico comum), criada pelo IILP, com a assessoria do Instituto de Linguística Técnica e Computacional (ILTEC).

A plataforma - que por uma série de condicionalismos não pôde ser produzida e disponibilizada há mais tempo - será apresentada ao público só na semana de 15 a 20 de fevereiro, quando ocorrerá o Conselho Científico Extraordinário do IILP para deliberar sobre as propostas da direção-executiva e os respectivos orçamentos.

Pela primeira vez, a VOC irá integrar os vocabulários nacionais de pelo menos cinco países-membros da CPLP. Permitirá aos países (exceto Portugal e Brasil que já dispunham deste instrumento), na maior parte africanos, realizar estudos pioneiros que contemplem o debate sobre as suas variedades nacionais.

Além do apoio à implantação do acordo ortográfico, esta plataforma deverá ser base rica para o desenvolvimento de várias pesquisas lexicais localizadas ou comparativas. José Venâncio – Brasil in “Revista Língua Portuguesa”

sábado, 15 de novembro de 2014

Cabo Verde – Praia homenageou antigo diretor do IILP

O ex-diretor do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), escritor, poeta e homem da cultura Mário Fonseca foi homenageado na passada quarta-feira, 12 de Novembro de 2014, por ocasião do 75º aniversário do seu nascimento. Tratou-se de uma iniciativa da Biblioteca Nacional, em parceria com a Academia Cabo-verdiana de Letras e a Câmara Municipal da Praia.

Para além do descerramento da lápide na rua que passou, desde quarta-feira a ter o seu nome, na Achada Santo António, perto do Cometa, zona onde viveu nos últimos anos, foi realizada uma Conferência sobre a obra do poeta pelo Dr. Corsino Fortes, à qual se juntou a declamação de poesia do homenageado pela Drª Fátima Bettencourt e, por fim um momento musical realizado por colegas e amigos que interpretaram alguns poemas de Mário Fonseca.

O primeiro a exercer a função de Diretor Executivo do IILP (1999-2001), Mário Alberto de Almeida Fonseca, nasceu em Cabo Verde, na cidade da Praia, em 1939. Professor Licenciado em Letras na Universidade de Dakar, escritor, crítico literário e cronista, lecionou francês no Senegal e trabalhou na Mauritânia e na Turquia como administrador durante os anos em que esteve no exílio. Durante a fase da descolonização, no período da ditadura salazarista, foi perseguido político em Portugal como militante anticolonialista. Em Cabo Verde, atuou como Presidente do Instituto Nacional da Cultura e colaborou ativamente em quase todos os jornais e revistas que circularam no arquipélago após a independência, em 1975.

Poeta revolucionário e visionário, foi co-fundador do Suplemento Cultural “Seló” dos estudantes do Liceu Gil Eanes. Entre as suas obras figura o livro de poesias “O Mar e as Rosas” (1964), que foi apreendido em Lisboa pela polícia política do regime fascista (PIDE), corria o ano de 1964, quando do encerramento forçado da Associação Portuguesa de Escritores. Também destacam-se Près de la mer,  Mon pays est une musique, La Mer à Tous Les Coups,  L’odoriférante Evidence de Soleil Qu’ Est Une Orange e Poissons, que foram traduzidas em diversos idiomas. In “A Semana” e “IILP” – Cabo Verde

sábado, 18 de outubro de 2014

Guiné Equatorial - “Fa d’ambô: herança da Língua Portuguesa”

Numa cerimônia realizada no passado dia 15 de outubro de 2014, durante o primeiro dia do Colóquio Internacional “A Língua Portuguesa, o multilinguismo e as novas tecnologias das línguas no século XXI” foram lançados o livro “Fa d’ambô: herança da Língua Portuguesa na Guiné Equatorial” e o livro “ O Exame de Proficiência Celpe-Bras em Foco”.

Resultado de ação prevista no Protocolo de Cooperação Técnica entre o Governo da Guiné Equatorial e o IILP, em decorrência da oficialização da língua portuguesa naquele país, o livro “Fa d’ambô: herança da Língua Portuguesa na Guiné Equatorial”  apresenta as pesquisas realizadas em março de 2012, em Malabo e Annobón, na Guiné Equatorial, bem como um panorama histórico da emergência daquele crioulo de base portuguesa.

A missão no país foi dirigida por Isabel Oyana Ayomo, na altura Diretora Geral de Lusofonia da Guiné Equatorial, tendo como pesquisadores de campo a Doutora Rosângela Morello, do Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (IPOL), coordenadora da missão no terreno. A equipe local foi formada por Isabel Oyana Ayomo, Armando Zamora Segorbe, linguista e professor da Universidade Nacional da Guiné Equatorial, Anastasia Nansie Esono, licenciada em filologia ibérica e investigadora no Centro de Estudios Afro-Iberoamericanos (CERAFIA) de Libreville, Bienvenido Ebang Otogo, licenciado em Ciências Políticas e funcionário do Ministério de Assuntos Exteriores na Direção Geral de Lusofonia, Alicante Mba, oficial de protocolo do Ministério de Assuntos Exteriores e Aparicio Sima e Diosdado Echupo, jornalistas da TVGE.

Concentrando-se em Malabo e arredores, de 10 a 18 de março de 2012, e em Santo Antônio de Palé, na Ilha de Annobón de 19 a 25 do mesmo mês, os investigadores realizaram diferentes ações visando conhecer mais detalhadamente a situação linguística das comunidades annobonenses, incluindo, por um lado, um trabalho descritivo da língua por eles falada (constituição de corpora) e, por outro, os âmbitos de uso e de circulação dessa língua, observando também a taxa de sua transmissão a jovens e crianças (diagnóstico sociolinguístico).

A obra estará disponível em breve no sítio do IILP.

Organizado pela professora Dra. Regina Lúcia Péret Dell’Isola, da UFMG, o livro “ O Exame de Proficiência Celpe-Bras em Foco” reúne uma coletânea de trabalhos que, sob diferentes prismas, levanta uma série de reflexões acerca do exame Celpe-Bras. O objetivo é alimentar o debate acerca do tema a partir de uma abordagem provocativa, que perpassa a discussão sobre a qualidade do material do exame, a dinâmica da interação face a face e o desempenho do candidato, tanto na parte escrita quanto na parte oral. Instituto Internacional da Língua Portuguesa

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

IILP – Entrevista a Carlos Alberto Faraco

O Colóquio Internacional “A língua portuguesa, o multilinguismo e as novas tecnologias das línguas no século XXI”, dias 15 e 16 de outubro, no CEFET-MG, em Belo Horizonte, vai contar com diversos especialistas. Abrindo o segundo dia do evento, às 9h, durante o painel sobre projetos do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) no âmbito das novas tecnologias linguísticas, Carlos Alberto Faraco vai falar sobre o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC).

Faraco é pós-doutor em Linguística pela Universidade da Califórnia (EUA), professor titular aposentado da Universidade Federal do Paraná (UFPR), coordenador da Comissão Nacional Brasileira do IILP e consultor dos trabalhos para a elaboração do VOC.

Durante o Colóquio, o senhor vai falar sobre o VOC, um dos projetos do IILP no âmbito das novas tecnologias. Explique o que é e como funciona o VOC.

Carlos Alberto Faraco
Faraco – O VOC é uma base de dados lexical eletrônica, de grande escala e aberta (de acesso gratuito), que serve de referência à ortografia da língua portuguesa definida pelo Acordo Ortográfico de 1990. O VOC inclui não apenas o vocabulário que é comum a todas as variedades da língua portuguesa, mas também os vocabulários próprios de cada uma dessas variedades. É possível uma consulta geral, bem como uma consulta específica, na medida em que os vocabulários nacionais mantêm autonomia no interior do VOC.

Atualmente, o VOC reúne os vocabulários nacionais de seis dos nove países-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)? Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Há previsão para integrar os vocabulários nacionais dos outros três países? Quando? E como fica a situação Guiné-Equatorial, recém-integrada à CPLP?

Faraco – O da Guiné-Bissau será feito assim que a situação política daquele país se estabilizar completamente. O de Angola ainda não tem previsão de conclusão. A Guiné-Equatorial tem ainda um longo caminho pela frente para consolidar o português como língua oficial.

Para muitos dos países-membros da CPLP é a primeira vez que estão elaborando um vocabulário nacional. Na opinião do senhor, qual a importância disso?

Faraco – É um grande acontecimento na história da língua portuguesa como língua internacional e multicêntrica. Os vocabulários nacionais contribuem para consolidar o português nesses países e, ao mesmo tempo, reúnem um acervo léxico que poderá alimentar a feitura no futuro de um grande dicionário geral da língua.

Hoje, a base de dados do VOC conta com 260 mil palavras. Quais dados em relação a uma palavra são possíveis de se obter na plataforma do VOC?

Faraco – A entrada lexical, além de apresentar a forma ortográfica da palavra, agrega informações sobre a divisão em sílabas, a marcação da sílaba tônica, o paradigma flexional e relações funcionais com outras entradas, especificamente com palavras morfologicamente relacionadas.

Na sua avaliação, qual a importância de eventos como Colóquio Internacional “A língua portuguesa, o multilinguismo e as novas tecnologias das línguas no século XXI” no contexto da Língua Portuguesa?

Faraco – É um evento fundamental na consolidação das ações do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, tanto pelo trato da questão do multilinguismo no espaço da CPLP, como pelas questões que envolvem as novas tecnologias das línguas. O IILP tem a tarefa de estar na linha de frente na promoção internacional do português, estimulando ao máximo o uso das novas tecnologias.

Qual será o papel da Comissão Nacional Brasileira do IILP, coordenada pelo senhor, na próxima gestão do IILP, com início em outubro deste ano?

Faraco – Nossa Comissão Nacional vai dar todo o apoio à nova gestão e levar as contribuições do Brasil para os atuais e futuros grandes projetos do Instituto, cuja função é a gestão conjunta das questões da língua portuguesa que interessam a todos os países. Instituto Internacional da Língua Portuguesa

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

IILP – Entrevista a Evgeny Kuzmin

No Colóquio Internacional “A Língua Portuguesa, o Multilinguismo e as Novas Tecnologias das Línguas no Século XXI”,nos dias 15 e 16 de outubro do corrente, no CEFET-MG, em Belo Horizonte, Brasil, o Presidente do Comitê “Informação para Todos” da UNESCO na Rússia,  Evgeny Kuzmin, vai fazer uma conferência sobre “A Diversidade e as Novas Tecnologias no Quadro das Grandes Negociações Globais sobre as Línguas”. 

Doutor Eugeny Kuzmin, é a primeira vez no âmbito do Conselho Intergovernamental do Programa “Informação para Todos” da UNESCO que irá participar de uma conferência desse tipo no Brasil? Por que o senhor decidiu participar do Colóquio?
Eugeny Kuzmin
Kuzmin: Esta é uma ótima oportunidade, única, para conhecer diretamente muitos colegas brasileiros e dos outros países da CPLP, para permutar ideias e opiniões, conhecer o que eles estão pensando e fazendo, para identificar objetivos e desenvolver projetos em comum, ou pelo menos os seus contornos. Também, é muito importante dar informações de primeira mão sobre o que tem sido feito no Programa “Informação para Todos” da UNESCO, e o que está sendo feito para manter as línguas na Rússia, onde existem mais de 100 povos indígenas.
Além disso, é muito agradável ser convidado para a conferência de um país que considera  a Rússia como um aliado, apesar da oposição geopolítica agravada de hoje. Precisamos aprender mais um  sobre o outro e desenvolver mais trabalhos conjuntos. Assim, vou para  Belo Horizonte com muito alegria e grandes expectativas e estou muito grato pelo convite.
O senhor  foi há alguns anos o Presidente do Conselho Intergovernamental do Programa “Informação para Todos” da UNESCO, e agora está chefiando o Comitê “Informação para Todos” da UNESCO na Rússia. Nesses âmbitos foi iniciador de uma série de atividades para promover o multilinguismo. Diga, por favor, se acha que houve avanços na compreensão de que a diversidade linguística é necessária, de que é importante preservar, manter e desenvolver as línguas. Esta mentalidade estabeleceu-se no mundo ou ainda não?
Kuzmin: Não há dúvidas de que o interesse por este tema vem crescendo em todo o mundo. E não apenas porque as línguas minoritárias estão enfraquecidas e ainda mais marginalizadas, mas também porque grandes línguas, em que criou uma grande literatura mundial e da ciência, como o Francês, o Alemão, o Espanhol, o Russo, o Português, estão sendo marginalizadas, de certa perspectiva. As pessoas não podem deixar de se preocupar. O Programa “Informação para Todos” da UNESCO, nos últimos anos, tornou-se quase o principal promotor deste tópico, para o equacionamento deste problema.
O Comitê “Informação para Todos” da UNESCO na Rússia já realizou três grandes conferências internacionais “A Diversidade Linguística e Cultural no Ciberespaço” na Rússia, em Yakutsk, na Síbéria. Cerca de 50 países participaram da última conferência, ocorrida em julho deste ano. Os participantes desta terceira conferência aprovaram o documento final, a “Declaração de Yakutsk sobre a Diversidade Linguística e Cultural no Ciberespaço”. Neste documento, foi reforçada novamente a sugestão sobre a necessidade da organização da Cimeira Mundial sobre o Multilinguismo, no âmbito das Nações Unidas. O senhor acha que  este encontro “A Língua Portuguesa, O Multilinguismo e As Novas Tecnologias das Línguas no Século XXI”, no Brasil, pode se tornar uma das etapas preparatórias de uma Cimeira Mundial?
É importante que a ideia de organizar a Cimeira Mundial da ONU sobre o Multilinguismo não tenha sido esquecida e continuará a ser discutida em diferentes países, em diferentes fóruns e em diferentes níveis. Seria ingênuo esperar que, por ser expressa em um ou dois fóruns, seria imediatamente aceita e apoiada por todos os Estados. Esta ideia tem seus defensores, mas há adversários poderosos. Para muitas pessoas, o apoio à diversidade linguística no mundo real e no ciberespaço, é uma ideia correta e nobre, para outros é  utópica, e para um terceiro grupo, é até prejudicial, porque cria dificuldades na realização dos seus objetivos de hegemonia. Por isso, é extremamente necessário promover este pensamento  tão amplamente quanto possível, utilizando todas as plataformas disponíveis.
O Instituto Internacional da Língua Portuguesa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) poderia vir a desenvolver o projeto de fazer o Atlas das Línguas dos Países da CPLP, conforme foi expresso na Carta de Maputo, desenvolvida no Colóquio Internacional de Maputo sobre a Diversidade Linguística nos Países da CPLP. Sei que a UNESCO também tem um projeto para criar o Atlas das Línguas do Mundo. O que o senhor acha, pode haver um ponto de contato desses dois projetos?
Não só pode, mas deve, devemos tentar trabalhar juntos. Nesta fase é importante os especialistas brasileiros e lusófonos em geral tomarem parte ativa na discussão do conceito e dos parâmetros  da modernização do projeto existente na UNESCO e precisam ficar nos grupos de trabalho relevantes.
A Rússia e o Brasil, junto com a China, a Índia e a África do Sul, estão incluídas na aliança chamada BRICS. Quais projetos conjuntos entre a Rússia e o Brasil são possíveis, na sua opinião, para a promoção do multilinguismo em nossos países, para a organização das pesquisas amplas e do intercâmbio de dados científicos?
Em primeiro lugar eu diria que é preciso estabelecer a prática regular de seminários conjuntos para profissionais ​​e políticos e o início do processo é sempre uma tarefa difícil. É importante chegar a acordos sobre as formas de promoção das línguas e de modelos de multilinguismo verdadeiro, e não só das pequenas línguas, mas também das línguas principais,  criando assim uma prática normal nos BRICS. Precisamos chegar ao acordo de que o Português e o Russo se tornem línguas de trabalho dos órgãos dos BRICS. Repito que o multilinguismo não é apenas para as línguas pequenas e indígenas, mas também para as línguas principais. Agora muitas vezes nos esquecemos disso quando falamos sobre o multilinguismo. É necessário ampliar o estudo do português na Rússia e  do russo no Brasil. Se juntos vamos nos comunicar apenas em Inglês, os BRICS podem, eventualmente, degenerar na organização econômica e política de pessoas não só falando mas também pensando em inglês. Lyubov Kazachenkova - Instituto Internacional da Língua Portuguesa

Lyubov Kazachenkova - Redatora-chefe da Revista “Biblioteca Moderna”, Moscovo, Rússia.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Macau – Plataforma Macau entrevista Gilvan Müller de Oliveira

A lei para o aprofundamento das relações com a lusofonia aprovada em maio na Galiza poderá facilitar eventuais integrações de Macau e Goa na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), defende o diretor executivo do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), Gilvan Müller de Oliveira. Em entrevista ao Plataforma Macau, o responsável considera a cooperação económica como uma plataforma para a promoção do português, mas alerta para a necessidade de Portugal e Brasil superarem uma “disputa disfuncional” pela língua.



PLATAFORMA MACAU - De que forma é que a intenção da CPLP de apostar mais na cooperação económica poderá afetar as políticas de promoção da língua?

GILVAN MÜLLER DE OLIVEIRA – A cooperação económica é uma abertura que possibilita um crescimento da importância da promoção da língua portuguesa. Uma melhor inserção dos países de língua portuguesa nas suas regiões a partir da entrada em blocos económicos são evidentemente plataformas extraordinárias para a promoção e visibilidade da língua portuguesa.

P.M. – E como vê a entrada da Guiné Equatorial na CPLP?

G.M.O. – O que se exige a um país para ele entrar na CPLP é que ele tenha o português como língua oficial. Há países como a Guiné-Bissau e Timor-Leste, em que a parcela da população que fala português é bastante pequena e isso nunca foi um impedimento para que fizessem parte da Comunidade. A entrada da Guiné Equatorial na CPLP é uma possibilidade também muito interessante para a promoção do português. Por isso, o IILP vai organizar, com o Governo da Guiné Equatorial, em Malabo, entre os dias 1 e 3 de outubro, a primeira conferência sobre o português no âmbito das políticas linguísticas da Guiné Equatorial.

P.M. – A CPLP não deveria exigir essa implementação da língua antes da adesão de potenciais novos membros?

G.M.O. – A Guiné Equatorial pediu a adesão à CPLP em 2006. Desde então foram feitas várias exigências, inclusive linguísticas, e só oficializou o português em 2011, pois sem isso não poderia entrar. É bastante compreensível que o país não fosse dar um passo de implementação do português sem ter sido aceite. No entanto, é preciso ter algo muito claro. É visto hoje como uma vantagem para um país ter mais do que uma língua oficial, porque significa possibilidade de conexões políticas, diplomáticas e económicas com mais blocos. Mas nós, na língua portuguesa, ainda vivemos no imaginário de Estado-nação do século XIX, em que um país tinha só uma língua e que se tivesse mais reprimiríamos os cidadãos. Neste século é uma grande oportunidade para a Guiné Equatorial ser o único país do mundo que tem as três grandes línguas românicas oficiais, o espanhol, o francês e o português, que conecta a Guiné Equatorial com mais de 800 milhões de falantes e com 56 países. Nessa perspetiva, o português, quando implementado, terá um certo lugar na Guiné Equatorial, mas a Guiné Equatorial não será um Portugal.

P.M. - Não faria também sentido que Goa e Macau, através da Índia e China, fizessem parte da CPLP?

G.M.O. - Temos uma oportunidade para esta perceção, porque foi aprovada a Lei Paz-Andrade na Galiza, que foi autorizada por Madrid e cria a seguinte perspetiva, que é interessante para Macau e Goa: a Galiza, como região, não pode entrar na CPLP, mas Espanha pode, e pode atribuir à Galiza a coordenação desta relação com a lusofonia. A Índia apresentou uma consulta poucos meses antes da cimeira de Díli, o que indica que pode haver a possibilidade de, em futuras cimeiras, vir a apresentar um pedido de adesão.

P.M. – Já houve alguma aproximação da Galiza e de Macau à CPLP?

G.M.O – Que eu saiba não.

P.M. - Qual o balanço que faz dos quatro anos que esteve à frente do IILP?

G.M.O. - Tive a sorte de ter em mãos o Plano de Ação de Brasília, que, com todas as suas limitações, é um plano interessante. Definimos e executámos dois grandes projetos, o Portal do Professor de Português como Língua Estrangeira, que supera esta ideia de uma gestão puramente nacional da língua e cria um ambiente de cooperação entre Brasil e Portugal, facto que consideramos essencial para que a língua portuguesa possa avançar, o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, que terá mais de 260 mil palavras e cria uma gestão internacionalizada da língua portuguesa, e vamos ainda elaborar as terminologias técnicas e científicas comuns previstas também no acordo ortográfico, pois os nossos livros técnicos têm uma dificuldade de circulação porque a terminologia foi toda, e muitas vezes intencionalmente, criada de forma divergente, e isso é um empecilho económico muito importante, desvaloriza a nossa língua no cenário competitivo internacional. Portanto, este projeto será o terceiro nesta perspetiva de uma gestão internacional, multilateral e comunitária da língua portuguesa, que, a meu ver, é a perspetiva para o século XXI, em que possamos superar as fraturas coloniais da relação Brasil-Portugal que ainda condicionam a nossa língua.

P.M. - Como responde às críticas de que o acordo ortográfico foi alvo, nomeadamente que pretenderia beneficiar o português do Brasil?

G.M.O. – É um acordo e houve cedências cá e lá. As pessoas olham muitas vezes mais para aquilo que se perdeu, para acentos e consoantes, como se isso fosse o mais importante. O mais importante são as perspetivas que o acordo abre para o futuro, é o modo de gestão da língua. Sem ele continuaríamos eternamente nesta briguinha do início do século XX que é infantil aos olhos de países que seriamente disputam a hegemonia e a geopolítica mundial. A partir de agora não se fala mais em Brasil e Portugal, todas as ações colocam-se na perspetiva de que todos os países se sentam à mesa e dão a sua posição.

P.M. – Que dificuldades enfrenta a sua implementação?

G.M.O. - Todos os países ratificaram o acordo, menos Angola e Moçambique. Em Moçambique, ele já foi aprovado pelo conselho de ministros e já foi mandado para o parlamento. Angola pediu à CPLP um tempo para tratar desta questão e há uma posição dentro do Governo contrária ao acordo. No entanto, o Vocabulário Ortográfico Comum foi financiado por Angola. É preciso ver que os países africanos nunca fizeram isso na sua história, então têm uma série de dúvidas. A minha impressão é que eles vão utilizando a nova ortografia por reflexo.

P.M. - Cabo Verde é, para já, o único país africano lusófono onde o acordo está a ser implementado. O seu sucesso poderá estar minado?

G.M.O. - Não acredito porque todos os países assinaram o acordo.

P.M. - Era expectável esta demora na implementação?

G.M.O. – Não, porque havia um protocolo que dizia que ele seria implementado a partir de 1994 e isso não ocorreu. Acho que isto mostra como a nossa comunidade funciona e como algumas pessoas são apegadas ainda ao passado e à forma como era a relação política dos nossos países. O acordo é a base de uma nova gestão, mas o mais importante é o que virá, a criação efetiva de formas de cooperação linguística. Falamos muito de cooperação económica na CPLP, em concertação político-diplomática e a língua, que é o terceiro eixo, não tem ainda bem claro para os Estados-membros o conceito de cooperação linguística. Numa visão cooperativa somamos os nossos recursos e dividimos os nossos benefícios, que é o que a União Europeia tem feito com as suas línguas. Na língua portuguesa estamos um passo atrasados.

P.M. - No seio da CPLP, o valor económico do português não está então a ser bem explorado?

G.M.O. - Vários dos nossos países não têm muito clara a questão dos ganhos diplomáticos, políticos e económicos de uma promoção mais estratégica da língua portuguesa. É algo que nos falta. Diria que há uma visão da língua ainda impregnada de romantismo, que traz uma dose de menos pragmatismo e que dificulta ações concertadas com repercussões na vida do cidadão.

P.M. - Já a China tem tido essa visão pragmática…

G.M.O. - Sim, mas este interesse pelo português não é só da China, é mundial. Está superada essa ideia de que o inglês sozinho dominaria o mundo. O multilinguismo é a grande língua do século XXI e o português beneficia disso.

A China, pela posição de potência mundial que cada vez mais ocupa, atentou para estas vantagens e ganhará muitos benefícios, o que lhe permite uma visibilidade e interação com os países de língua portuguesa muito privilegiada.

P.M. - Que constrangimentos enfrenta o IILP na sua atividade?

G.M.O. - Recebemos quotas dos países membros e são diferenciadas de acordo com as possibilidades dos países. O Brasil dá a mesma proporção que Portugal, Angola dá metade, Moçambique e Cabo Verde dão metade da proporção de Angola e os demais dão metade da proporção de Cabo Verde e Moçambique, de modo que estas quotas precisam de uma revisão.

Fizemos ainda uma proposta que é a de criação de três escritórios regionais, um em Díli, um em Lisboa e outro em São Paulo. Em São Paulo tivemos a solicitação de que o IILP instalasse um escritório dentro do Museu da Língua Portuguesa, que recebe o maior número de visitantes diários naquela cidade, 4000 por dia. Poderíamos, assim, captar muitos recursos e financiar projetos com mais facilidade.

P.M. - Há muitos devedores de quotas?

G.M.O. - A Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe nunca pagaram as suas quotas, mas há outros países devedores. O orçamento do IILP é na ordem dos 247 mil euros anuais e as dívidas correspondem, no total, a aproximadamente dois orçamentos e meio, 650 mil euros. Acredito que muitos Estados-membros não atribuem a devida importância ao IILP.

Promoveríamos melhor o português se o fizéssemos de maneira conjunta e, sob esta perspetiva, evidentemente que esse papel modesto atribuído a uma entidade de coordenação é prejudicial à língua portuguesa. Se Brasil e Portugal pudessem combinar as suas políticas e atuar em áreas complementares e combinar uma metodologia para um trabalho conjunto, isso seria muito benéfico. A meu ver é hora de aplicar a diplomacia também à língua e chegarmos a uma forma permanente de superação desta disputa completamente disfuncional. Patrícia Neves – Macau in “Plataforma Macau”