Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 25 de julho de 2026

Galiza - Curso Internacional de materiais para o português decorreu com êxito em Compostela

Compostela acolheu um pioneiro e inédito curso internacional para a criação de materiais didáticos de português, adaptados ao contexto galego


Entre os dias 6 e 11 de julho, nas instalações da Escola Galega de Administração Pública (EGAP), aconteceu a XVI edição do Curso de Capacitação para a Elaboração de Materiais Didáticos de Português, uma iniciativa do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.

A importância do curso reside, em parte, por ser esta a primeira vez que o prestigiado curso do IILP decorre na Galiza, reconhecendo o crescente dinamismo do ensino do português no território e a relevância do contexto linguístico galego para o desenvolvimento de recursos pedagógicos específicos. O curso já tinha acontecido em outros territórios vinculados com a lusofonia, como Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Timor-Leste…entre outros. A formação foi orientada pelas especialistas Edleise Mendes e Viviane Furtoso, referências internacionais na área da didática do português como língua estrangeira e língua não materna.

Na formação, com uma duração de 35 horas, uma equipa de docentes de português trabalhou de maneira colaborativa para a elaboração de unidades didáticas que serão agora disponibilizadas de forma gratuita no Portal do Professor de Português Língua Estrangeira. Nesse sítio existem já milhares de unidades didáticas, que incidem em conteúdos e aspectos linguísticos e socioculturais, das comunidades vinculadas com a língua portuguesa.

Sendo a galega uma variedade tão próxima da portuguesa, os níveis de dificuldade estabelecidos para os materiais no Portal (níveis 1, 2 e 3) foram adaptados à realidade galega. Cabe destacar a visão diversa e pluricêntrica que as formadoras do PPPLE defendem e promovem nos cursos de capacitação, tentando construir pontos de partilha e entendimento entre as múltiplas identidades que compõem na atualidade a língua portuguesa. Agora, pela primeira vez desde a inauguração do PPPLE, unidades didáticas criadas com o foco na Galiza farão parte dessas propostas didáticas que chegam a mais de 25.000 docentes de português em todo o mundo.

O evento foi organizado pela Associação de Docentes de Português na Galiza (DPG) e a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com a colaboração da Junta da Galiza e o apoio do Observatório do Ensino da Língua Portuguesa. A ação, ao abrigo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, integra ainda as comemorações dos 30 anos da CPLP.

Para a Associação de Docentes de Português da Galiza (DPG), a realização desta iniciativa em Santiago de Compostela representa um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas na promoção do ensino do português e reforça a cooperação entre instituições galegas e organismos internacionais dedicados à difusão da língua portuguesa. A formação constitui igualmente uma oportunidade para consolidar uma comunidade docente especializada e contribuir para uma oferta educativa cada vez mais ajustada à realidade sociolinguística galega. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


terça-feira, 11 de abril de 2023

1º Encontro (casual) de autoras e autores da Galiza e Portugal decorrerá em Compostela


A Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), a Associação Pró-AGLP e a editora Edições Esgotadas organizam o 1º encontro (casual) de autoras e autores da Galiza e Portugal no dia 15 de abril, em Compostela.

O encontro procura dar espaço à criatividade e à surpresa, promovendo o diálogo como género literário espontâneo.

Programa:

11h-12h30. Roteiro “As origens de Compostela”, de José Manuel Barbosa. (Ponto de encontro: Igreja de Santa Susana).

13h. Jantar em Casa Manolo.

15h30-18h30. Diálogos na Casa da Língua Comum:

Apresentação:  Paulo Fernandes Mirás (AGLP).

— Diálogo 1: thriller

Marcos Barroco – Ângelo Brea

Moderadora: Thalia da Silva Menezes

— Diálogo 2: poesia

José Emílio Nelson – Pedro Casteleiro

Moderador: Alfredo Ferreira

— Diálogo 3: narrativa

Jorge Marques – Concha Rousia

Moderadora: Helena Marques

Endereço: Casa da Língua Comum. Rua de Emílio e de Manuel, r/c – Santiago de Compostela. In “Portal Galego da Língua” - Galiza


 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Galiza - O canto da sereia

«Denantes mortos que escravos». Por cá, serão poucas as pessoas a conhecer esta frase. Mas do outro lado da fronteira que inventaram para separar Portugal da Galiza a frase não é de todo desconhecida. Remete-nos para Castelão, artista galego do século XX, que a escreveu num escudo alternativo para a Galiza. O lema remonta ao episódio histórico no Monte Medúlio, em que, numa batalha contra os invasores romanos, os galaicos se deram a própria morte antes de serem vencidos em batalha, que os levaria à escravatura. Hoje, a frase impõe-se na sociedade galega e ecoa como se de um canto se tratasse, ou não fosse guardada por uma sereia, cuja missão é lembrar-nos qual a verdadeira condição dos povos: a liberdade.

No passado mês de Julho, a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), entidade da sociedade civil galega, foi admitida na CPLP na categoria de Observador Consultivo. A decisão é histórica, e muito me orgulha enquanto falante de português. Não que eu seja um defensor acérrimo da institucionalidade e dos Estados  — não sou –, mas compreendo o valor simbólico da adesão, especialmente por a Galiza poder vir a despolarizar a visão linguística da CPLP e, de alguma forma, poder sanar o discurso onde ainda se sentem as feridas entre países colonizadores e países colonizados. Contudo, é uma adesão tardia, e muito devido à posição de Portugal nos últimos anos: lembro que, em 2011, o processo de entrada da AGLP na CPLP foi travado graças à acção de Paulo Portas, então Ministro dos Negócios Estrangeiros. Desde então, a Galiza teve de percorrer um longo percurso para conseguir estar, finalmente, com a devida representação junto de outros países e regiões lusófonas, alargando e aprofundando o diálogo. Para este desfecho, que nos anima a todos, defensores do reintegracionismo (o reintegracionismo é o movimento que considera o galego, também denominado “galego-português”, “galego internacional” ou “português da Galiza”, como mais uma variante do português e, por isso, defende o uso de uma norma ortográfica comum), foi determinante o patrocínio de Angola, que, juntamente com outros países, tem defendido a presença da Galiza na CPLP, mas também o crescente apoio por parte de outras entidades institucionais, como a Academia Brasileira de Letras, a Academia de Ciências de Lisboa ou a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) — com a entrada da cidade de Santiago de Compostela como membro observador, em Abril de 2017.

Apesar de todo o reconhecimento da Galiza como parte fundamental — e genética — da Língua Portuguesa, não é a legitimação estatal e institucional a definir a importância daquele território no seio da história e do futuro da nossa Língua, até porque tais reconhecimentos são, frequentemente, motivados por movimentos estratégicos, que facilmente podem conduzir à instrumentalização em função de agendas de interesses. A Galiza já era indispensável para a consciência linguística do português antes de todo o reconhecimento institucional dos últimos anos, reconhecimento esse que considero importante, mas jamais um substituto das relações vivas que sempre existiram entre galegos e outros falantes da Língua, nomeadamente com os portugueses. Sabemos como os Estados tendem a apropriar-se da memória, e a CPLP é, antes de mais, uma representação dos Estados, por isso lembro que os Estados e as instituições só se viram na inevitabilidade de reconhecer o valor da Galiza para o português porque, antes de nós, homens e mulheres, durante séculos de História, resistiram para que a memória da Língua não se perdesse — e continuarão a fazê-lo. A adesão da AGLP à CPLP é apenas mais um ponto na longa cronologia da resistência da Galiza dentro do Estado Espanhol. Sim, porque é disso que se trata, de resistência.

Começou com Castela a dominar o Reino da Galiza. O franquismo deu continuidade à opressão, proibindo o ensino do galego nas escolas, em benefício do castelhano. Hoje, ainda há uma política violenta por parte de Espanha para eliminar qualquer brecha que ponha em causa a ideia de “hispanidade”: além da forte orientação do Estado para uma política linguística na Galiza, em que o galego ainda é menorizado, somam-se os episódios de repressão policial à sociedade civil, com revistas policiais a algumas casas pela noite dentro e sem mandato; detenções pela posse de certos livros; acusações de terrorismo com base no uso do lema que Castelão inscreveu no escudo que criou para a Galiza, e com o qual iniciei este texto; intimidações a quem defende a terra da avidez das corporações; e as agressões policiais em manifestações, como as que ocorreram em Compostela, em Maio deste ano, quando vários cidadãos da cidade decidiram protestar contra a ordem de despejo da associação Escárnio e Maldizer. Convém, ainda, apontar a exclusão de que são alvo os escritores galegos que escrevem em galego internacional — ou português –, tanto por parte de instituições públicas, como a Real Academia Galega e o Conselho da Cultura Galega, como por parte de editoras e organizações de prémios literários, subservientes que são ao poder.

Em 2016, tive oportunidade de passar o mês de Outubro na Galiza, onde me confrontei com muitos destes casos. Mais do que o choque pelo que me foi relatado, surpreendeu-me o silêncio, tanto por parte da União Europeia, que parece ignorar a violência policial do Estado Espanhol — violência essa legitimada pela chamada “Lei Mordaça” –, como por parte de Portugal, que tendencialmente vive virado para os países e regiões que dominou, imerso numa narrativa imperial saudosista que lhe tolda a visão, e raramente se volta para os povos que vivem do outro lado da fronteira e com quem partilha um território comum, a Península Ibérica. A minha surpresa — e tristeza, confesso — não vem tanto pelo silêncio das nossas instituições estatais ou dos media, que esses só têm vindo a perpetuar uma narrativa em que a Galiza não tem lugar. Surpreende-me, acima de tudo, o silêncio por parte da sociedade civil, em especial o dos escritores, que pelo seu ofício deveriam conhecer o valor da Galiza para a memória e o futuro da nossa Língua. E, mais do que isso, deveriam questionar as narrativas que o Estado Português e os seus elementos de propaganda nos impõem há séculos.

Sabemos como são tratados os povos sem Estado. Facilmente nos levantamos contra a repressão aos curdos, aos palestinianos, aos tibetanos, assinamos petições, fazemos marchas e apelamos ao cumprimento dos direitos humanos. Mas temos estado em silêncio durante séculos de violência imposta à sociedade galega — salvo algumas excepções –, logo esse povo com quem partilhamos laços de irmandade e de fala. Nos países da União Europeia, a repressão pode ser mais dissimulada, mas existe. E não apenas do outro lado da fronteira. Veja-se como o bretão, o flamengo ou o provençal têm sido combatidos em França, por exemplo.

Michael Metzeltin, em “A Linguística e o Ensino da Gramática”, uma publicação da Revista da Universidade de Coimbra (1980), afirma: «Onde quer que um grupo numa sociedade detenha o poder, tratará de impor a sua ideologia aos demais membros da sociedade. Como a língua é um dos meios mais poderosos para veicular uma ideologia, mas também para a combater, o grupo dominante tratará por conseguinte de impor também a sua língua como um modelo. Para poder combater uma ideologia é preciso ser linguística e cognitivamente criativo».

Se a Galiza ainda perdura, deve-o à sua criatividade. Os diálogos mantidos desde sempre com outros povos falantes de português e o recente reconhecimento por parte das instituições são escudos que fortalecem os galegos na afirmação da sua identidade. Continuam a cantar com a sereia do escudo de Castelão, «Denantes mortos que escravos», cientes de que um povo que perde a sua Língua, a sua cultura, a sua matriz, é um povo amputado no exercício da sua liberdade. Com a crescente visibilidade da Galiza entre os outros falantes de português, espero que, especialmente quem pensa e cria na nossa Língua, possa olhar para os galegos como portadores da nossa ancestralidade, sendo que, com eles, será possível construirmos um futuro mais consciente. Espero que a recente entrada da AGLP na CPLP se traduza não tanto em leis e protocolos que acabam por cair em terreno estéril, como é recorrente acontecer, mas num olhar mais fraternal, solidário e cooperante dos outros falantes de português para com a Galiza. Para os Estados e os imaginários que pretendem veicular, somos meros actores a cumprir um papel que tem como fim o cumprimento de uma agenda, mas, na verdade, é da nossa condição percorrermos os caminhos que escolhemos percorrer, não enquanto pátria, mas enquanto comunidade, enquanto humanos que se ligam a outros humanos. No caso dos portugueses, os galegos são parte da nossa ascendência. É natural que nos queiramos encontrar. E esse encontro só será verdadeiramente livre se se mantiver orgânico e isento dos jogos de poder. É por e para isso que a sereia ainda canta. Samuel F. Pimenta – Portugal in “Revista Caliban”

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Galiza - Seminário AGLP: ‘Galiza, Língua Portuguesa e Acordo Ortográfico’

Amanhã, 20 de dezembro de 2016, terça-feira, desde as 16.30 horas, na Casa da Língua Comum

Academia Galega da Língua Portuguesa organiza o seminário «Galiza, Língua Portuguesa e Acordo Ortográfico», para dar a conhecer à comunidade académica e ao público em geral aspectos pouco conhecidos e divulgados do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em que participou uma Delegação de Observadores da Galiza (1986 no Rio de Janeiro, e 1990 em Lisboa) e que implicaram uma mudança na gestão das decisões na política linguística, o que poderá contribuir a compreender algumas das polémicas produzidas na sua aplicação.

Para este fim convocou em Santiago de Compostela várias personalidades que intervieram na organização e realização das reuniões conducentes ao Acordo de 1990. São os professores Malaca Casteleiro e Fernando Cristóvão, da Academia das Ciências de Lisboa, e Isaac Estraviz e António Gil, da Academia Galega da Língua Portuguesa. A este elenco de protagonistas juntam-se o professor Rolf Kemmler, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Renato Epifânio, do Movimento Internacional Lusófono, e Ângelo Cristóvão e Joám Trilho, da Academia Galega da Língua Portuguesa.



Com este evento pretende-se também divulgar aspectos significativos do relacionamento cultural luso-galaico, pôr em valor o papel histórico da Comissão Galega do Acordo Ortográfico e do seu presidente, José Luís Fontenla Rodrigues, nos Acordos Ortográficos de 1986 e 1990, bem como dar conhecimento do conteúdo da Doação Fontenla, património da cultura galega depositado na Fundação AGLP.

O seminário decorrerá o dia 20 de dezembro de 2016, terça-feira, dando início às 16.30 horas, na Casa da Língua Comum, rua de Emílio e de Manuel núm. 3, de Santiago de Compostela. Entrada livre. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

Programa do seminário «Galiza, Língua Portuguesa e Acordo Ortográfico»