Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Macau - “Úi di Galánti”, o doce linguajar de Carlos Coelho

“Néu-Néu” morreu no passado mês de Janeiro, mas nem por isso deixa de influenciar a comunidade macaense. Os textos que ficaram na memória dos macaenses foram recolhidos pelo Instituto Internacional de Macau e vão ser publicados para que o patuá não morra. O lançamento do livro “Úi di Galánti” acontece a 12 de Setembro, dia em que o actor faria 65 anos.

Foi no passado dia 19 de Janeiro que o professor e actor macaense Carlos Coelho morreu. O patuá ficou sem o seu “Néu-Néu”, um dos que mais preservaram este crioulo de base portuguesa. Para a posteridade ficaram os textos publicados pelo actor no Facebook e também os artigos publicados no portal do Partido Comes e Bebes, um grupo dedicado a manter a comunicação entre os portugueses de Macau. Para que não se percam na volatilidade da internet, o Instituto Internacional de Macau (IIM) recolheu os melhores escritos de Carlos Coelho e vai agora publicá-los num livro intitulado “Úi di Galánti”, que em português significa “muito extraordinário”. Esta compilação de textos de Carlos Coelho é lançada no Jardim de infância D. José da Costa Nunes, pelas 18 horas do dia 12 de Setembro, aproveitando o dia em que o homenageado faria 65 anos. Além do lançamento do livro, haverá ainda tempo para a visualização de um vídeo onde foram seleccionados alguns dos melhores momentos teatrais de “Néu-Néu”, recolhidos durante a sua participação em espectáculos da companhia Dóci Papiaçám di Macau.

“Carlos Coelho publicou vários textos em patuá durante a vida e, quando faleceu, o instituto achou por bem publicar um livro com os escritos que ficaram na memória da comunidade macaense”, justifica António Monteiro, do gabinete de comunicação do IIM, acrescentando que, “com a autorização da sua família, conseguimos recuperar os textos do Carlos Coelho”. “Quisemos aproveitar o dia 12 de Setembro, que é o aniversário do actor, para fazer a cerimónia de lançamento do livro e também para fazer uma homenagem ao autor dos textos com a divulgação de um vídeo com algumas das memórias de quando actuava com o grupo Dóci Papiaçám di Macau”, refere.



No livro agora editado com o apoio da Fundação Macau vão constar textos, todos eles em patuá, com algumas das tiradas mais memoráveis de Carlos Coelho, contando com o jargão menos próprio utilizado muitas vezes em ambiente descontraído entre a comunidade macaense, explica o responsável do IIM. “Será um reflexo do patuá entre os macaenses”, sublinha. Aqui, é também o crioulo macaense de base portuguesa que está em causa: “Este livro é também uma maneira de manter o patuá vivo. O público-alvo são as pessoas que ainda dominam o patuá, mas também queremos dar a conhecer o seu ‘doce linguajar’ a quem não o conhece. Queremos manter viva essa identidade”.

Nascido em Macau em 1953, Carlos Coelho, que era conhecido por ser um dos poucos falantes fluentes do patuá em Macau, fazia questão de o utilizar no dia-a-dia. Notabilizou-se também como professor do ensino básico e como membro de várias organizações macaenses, promovendo, ao longo da vida, encontros entre a comunidade macaense. Como actor, Carlos Coelho trabalhou no grupo “Dóci Papiaçam di Macau” durante a década de 1990. Mesmo depois da sua morte, “Carlos Coelho continua a influenciar a vida de Macau”, diz António Monteiro. “Ele tinha uma personalidade única, estava muito à vontade no teatro. Quando o víamos aparecer já sabíamos que íamos soltar uma gargalhada”, recorda o responsável do IIM. In “Ponto Final” – Macau

Para saber mais sobre Carlos Manuel Gracias Coelho aceda aqui.

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