Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Angola - Empresários brasileiros convidados a investir na indústria do país

O secretário de Estado para a Indústria, Carlos Rodrigues, apelou, segunda-feira, aos empresários brasileiros para que olhem para Angola não apenas como um mercado de exportação, mas também como um espaço de investimento produtivo e de transformação de matérias-primas


Ao intervir na abertura do Encontro Empresarial Angola–Brasil, o governante destacou a agricultura e a indústria como sectores estratégicos para o aprofundamento da cooperação económica entre os dois países.

Carlos Rodrigues sublinhou a importância das parcerias empresariais, da transferência de tecnologia e da criação de capacidades orientadas para o acesso a outros mercados.

Segundo uma nota, entre as oportunidades de investimento apresentadas estão a transformação de cereais e frutas, a produção de óleos alimentares e farinhas, bem como o fornecimento de equipamentos para a indústria alimentar.

O secretário de Estado destacou ainda as reformas em curso nos Polos de Desenvolvimento Industrial, que passam a privilegiar uma maior participação do sector privado na instalação e gestão de unidades produtivas.

O encontro, realizado sob o lema “Abrindo Caminhos para Novos Negócios”, foi coorganizado pela Embaixada do Brasil, pela ApexBrasil e pela AIPEX.

O evento contou com a presença da embaixadora Eugênia Barthelmess e do embaixador Alex Giacomelli, além de representantes de organismos públicos e privados de Angola e do Brasil. In “Jornal de Angola” - Angola


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Cabo Verde - Germano Almeida lança novo livro “Memórias com Histórias” até ao final do ano

Cidade da Praia - O escritor cabo-verdiano e Prémio Camões 2018, Germano Almeida, prepara-se para lançar um novo livro intitulado Memórias com Histórias, prevendo-se que a obra chegue ao público até ao final deste ano.


Aos 81 anos e com mais de duas dezenas de títulos publicados, o autor confessa que não tem pressas nem metas por cumprir na literatura.

A nova obra, com cerca de 300 páginas e actualmente em fase de paginação, percorre momentos marcantes da sua vida.

“É um livro que atravessa a minha infância e também a vida adulta. Estrutura-se como uma espécie de longa entrevista em que, a propósito do diálogo, vou descrevendo várias situações da minha trajetória”, revelou o escritor.

Inicialmente previsto para o final de Setembro, o lançamento sofreu um ligeiro atraso, mas Germano Almeida mostra-se confiante na publicação ainda este ano, adiantando que a edição voltará a ser partilhada entre a prestigiada editora Caminho, em Portugal, e a sua própria chancela em Cabo Verde.

Com um percurso literário que ultrapassou largamente as suas ambições iniciais, Germano Almeida aborda o futuro da escrita com serenidade e sem cobranças.

“Quando comecei a publicar, pensava que devia lançar pelo menos dez livros, mas a produção foi crescendo e já ultrapassei os vinte”, conta.

Apesar de ter projectos em mente e já iniciados, o autor admite que nos últimos tempos tem sentido “uma certa preguiça” para lhes dar continuidade.

“Depois deste livro não tenho nenhuma ideia definida. Se der para escrever mais, muito bem (…) se não der, não tenho qualquer problema com isso”, declarou.

O autor comentou ainda as transformações do mercado editorial em Cabo Verde, assinalando que, após anos de fortes tiragens, as vendas abrandaram e os custos de produção aumentaram, o que tem obrigado a edições mais contidas e ponderadas.

Conhecido pelo seu espírito bem-humorado e apreço pelo contacto directo, o escritor não deixou ainda de assinalar, entre risos, a sua preferência pelas conversas presenciais, confessando que as entrevistas ao telefone “não têm a mesma piada”, desafiando para um próximo encontro “vis-à-vis”, com o mar de São Vicente ou da Praia como cenário.

Nascido na ilha da Boa Vista em 1945, Germano Almeida é uma das figuras cimeiras da literatura de língua portuguesa.

Advogado de profissão, o autor celebrizou-se pelo tom humorístico, irónico e profundamente observador da sociedade cabo-verdiana.

A sua projecção internacional consolidou-se em 1989 com o romance “O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo”, adaptado ao cinema, tendo atingido o auge do reconhecimento em 2018 ao ser distinguido com o Prémio Camões, o maior galardão literário da lusofonia. In “Inforpress” – Cabo Verde


Um refúgio imaginário de liberdade

Em novo livro, Silas Corrêa Leite reconstitui na imaginação o que teria sido uma colônia secreta de imigrantes perto dos Campos Gerais do Paraná

                                                                                   

                                                    I

Talvez o mais profícuo e produtivo dos escritores brasileiros contemporâneos, Silas Corrêa Leite (1952) publicou, entre suas obras mais recentes, o romance Porto Garcia: no quarto escuro de meu ego sem respostas (Ouro Preto-MG, Caravana Grupo Editorial, 2025), em que volta às origens, reconstituindo e recuperando histórias de uma colônia secreta que teria existido perto dos Campos Gerais do Paraná, uma região no Centro-Leste do Estado, famosa por suas paisagens de campos nativos, relevo de arenito, forte agronegócio e rica herança do tropeirismo.

Como sugere o subtítulo que reproduz uma frase de uma música de sucesso da cantora e compositora Roberta Miranda, conhecida como Rainha do Sertanejo, Silas Corrêa Leite, nascido em Monte  Alegre-PR, hoje Telêmaco Borba, cidade localizada nos Campos Gerais, e criado em Itararé, na divisa entre São Paulo e Paraná,  surpreende com histórias que ouviu e viveu em seu tempo de juventude, buscando o que definiu como “Pasárgada ao Sul do Equador”, referindo-se ao nome da antiga cidade persa que levou o poeta Manuel Bandeira (1886-1968) a idealizá-la como refúgio imaginário de liberdade. E que o autor define como “um lugar feito paraíso tropical, onde se tenta fugir de um mundo conturbado, para um recanto em que se plantando tudo dá”.

 

                                                   II

São narrativas dentro de narrativas, inspiradas no universo mágico de As mil e uma noites, clássico literário que não possui um único autor ou compositor, mas é uma coletânea de contos folclóricos de origens indiana, persa e árabe, reunidos ao longo dos séculos por narradores anônimos, que exploraram temas como amor, coragem, mistério, sabedoria e destino. E que levaram o autor a buscar a possível localização dessa cidade imaginária entre Cerro Azul, recanto mais ou menos perto de Sengés, no Noroeste do Paraná, adjunto ao Vale do Ribeira, já em território paulista, e “a mais de três horas de viagem dificultosa” de Itararé, beirando os cânions dos Campos Gerais.

Segundo o autor, teria sido o local em que se fixaram as primeiras levas de imigrantes europeus, especialmente polacos, “fugindo do anarquismo ou mesmo do fascismo”, que desembarcaram no porto de Santos e seguiram em carroças e depois pela estrada de ferro Sorocabana, chegando a Itararé, mas depois, “bem depois, sabe-se lá como, vagando, sondando, com síndrome de fugas e de se esconderem de ser o que eram, sapeando que fosse, deram naqueles ermos sem eira e nem beira”. Como diz o autor:

“O lugarejo era feito assim um recanto perdido de nunca se achar, mas que, territorialmente, era especial. Enorme e fértil extensa planície de terras com larguezas de quilômetros. Lugar bonito demais. Que se firmou com aquela gente simples e branquela. Em seguida, os contínuos descendentes dos imigrantes, e outros novos chegando atiçados com a novidade do que seria uma terra prometida (...).

 

                                                   III

Com um estilo solto, em que não faltam muitas expressões populares, Silas Corrêa Leite constrói um romance-raiz, focado em gestos simples do cotidiano, mas que foge aos padrões tradicionais, sem personagens marcantes, no qual se sobrepõem testemunhos de antigos moradores daquele burgo nascente, como se lê às páginas 179/180:

“Pois bem, lembrei ainda que, em Porto Garcia, simulacro que seja desse aventado paraíso moreno tropical tão sonhado, os habitantes de raças, etnias, credos e culturas díspares professavam várias ideias de religiões resumidas num único culto ecumênico só, com sincretismo. Mistura de rezas, orações, cantorias. E sem falsas imagens, sem falsos milagres, sem falsos santos, sem falsos concílios, sem idolatrias vis, sem a materialização da era do declínio do cristianismo ortodoxo puro. Em tese, aboliram o preceito da propriedade individual, pois tudo era cooperativamente comunitário, e todos consumiam do bom e do melhor com fartura e sustância (...).

Neste romance atípico, o autor não deixa, inclusive, de se fazer historiador e pesquisador, ao discorrer sobre o nascimento de Porto Garcia, lembrando que “ali teria havido um forte movimento de colonização, desde o distante 1853, quando então a província do Paraná foi emancipada de São Paulo”. E criada na ocasião uma colônia agrícola na região, bancada pela princesa Isabel Cristina (1846-1921), filha do imperador Dom Pedro II (1825-1891), onde se alocaram também “alguns sobreviventes de malocas de tribos indígenas dizimadas por antigos jagunços e mineradores”. E também “bastardos filhos espúrios de bandeirantes bandidos, mais alguns afrodescendentes fugidios de quilombos e senzalas que, finalmente, eram livres e felizes”. E “alguns bugres pobres coitados escapulidos da guerra do Contestado, se somando à polacaiada em sua maioria alegre, festiva e pacífica, justa e ridente”.

A rigor, trata-se de um romance que se pretende epopeia, procurando reconstituir o que teria sido o nascimento e florescimento de um logradouro para além do seu tempo histórico. E que, de certa maneira, reconstitui também o que foi a formação do povo brasileiro, originário de múltiplas etnias, que não europeias. Para tanto, o autor recorre a uma linguagem inovadora, carregada de neologismos, palavras de múltiplo sentido. E, dessa forma, procura recontar a história de Porto Garcia.

Dentro desse cadeirão étnico, ressalta a história exemplar do negro Reinaldo, “filho de pai de descendentes de judeu-português-holandês, e por parte de mãe de negro de origem ancestral angolana e mistura com índio guarani”. Um preto forte, esmerado nos estudos, que se formou em Direito, atuando como advogado, chegando a ser jurista com mestrado, doutorado, professor universitário, concursado em universidade pública, mas que nunca chegou a ser juiz, “que era seu sonho pessoal”, vítima do preconceito de uma alta corte que nunca “poderia deixar algum negro ser doutor, ser desembargador”, principalmente “se não se vendesse de mala, cuia, cartola e toga para uma branca e podre elite corrupta”. E que, resignado e triste, já descasado, deixou os pais velhinhos em Porto Garcia e “converteu-se ao neoevangelismo luterano numa cidade do chamado Grande ABC paulista”, tornando-se um pregador, “verdadeiro missionário de envergadura cristã, pescador de almas”.

 

                                                   IV

Além de contista e romancista, com mais de 30 livros publicados, Silas Corrêa Leite é poeta, letrista, professor, bibliotecário, desenhista, jornalista, ensaísta, blogueiro e membro da União Brasileira de Escritores (UBE).  Começou a escrever aos 16 anos, passando a produzir crônicas para o jornal O Guarani, de Itararé, tendo apenas o curso primário. Foi garçom num botequim e aprendiz de marceneiro, além de engraxate, boia-fria e vendedor de doce de groselha. Ainda em Itararé, foi aprovado num concurso para locutor na Rádio Clube local.

Em 1970, migrou para São Paulo, onde morou em pensões, cortiços, passou fome e dormiu na rua.  Já empregado, formou-se em Direito e Geografia, sendo especialista em Educação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de ter cursado pós-graduações nas áreas de Educação, Filosofia, Inteligência Emocional, Jornalismo Comunitário e Literatura na Comunicação, curso este que fez na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). É professor de Geografia e atuou como professor na rede pública e em escolas privadas na cidade de São Paulo.

Venceu alguns concursos com seus romances, artigos, poemas, letras de blues, pensagens (pensamentos-mensagens) e críticas literárias. Ganhou o Concurso Lygia Fagundes Telles para Professor-Escritor, da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Foi pesquisador e bolsista em Culturas Juvenis pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), vencedor do Primeiro Salão Nacional de Causos de Pescadores e premiado em outros concursos, como os promovidos pela Fundação Petrobrás, Biblioteca Mário de Andrade, Instituto Piaget (Portugal) e União Brasileira de Escritores (UBE), seção do Rio de Janeiro.

Lançou Campo de trigo com corvos (Jaraguá do Sul-SC, Design Editora, 2007); Gute-Gute, barriga experimental de repertório (Rio de Janeiro, Editora Autografia, 2015); Goto, a lenda do reino encantado do barqueiro noturno do rio Itararé (Florianópolis, Clube de Autores Editora, 2013); Tibete, de quando você não quiser ser gente (Rio de Janeiro, Editora Jaguatirica, 2017); Ele está no meio de nós (Curitiba, Kotter Editorial, 2018); O Marceneiro – a última tentativa de Cristo (Maringá-PR, Editora Viseu, 2019),  O lixeiro e o presidente (Curitiba, Kotter Editorial, 2019); e Desjardim –  muito além do farol do final do mundo (Belo Horizonte, Editora Caravana, 2023).

Nos últimos tempos, lançou Transpenumbra do Armagedon (São Paulo, Desconcertos Editora, 2021); Cavalos selvagens, romance imaginativo (Curitiba, Kotter Editorial/Taubaté, Letra Selvagem, 2021); A Coisa: muito além do coração selvagem da vida (Cotia-SP, Editora Cajuína, 2021); Lampejos (Belo Horizonte, Sangre Editorial, 2019); Leitmotiv: a longa estrada de fogueiras da cor de laranja: diário da paixão secreta de Anne Frank (Curitiba, Kotter Editorial, 2023), Vaca profana: microcontos (Cotia-SP, Editora Cajuína, 2023); e H2Opus (Cotia-SP, Editora Cajuína, 2023).

É autor ainda de Bendito Filhoromance sobre a infância do Menino Jesus (Araraquara-SP, Opera Editorial, 2023); Alucilâminas: poemas plathônicos, versos atemporais da redoma de vidro de Sylvia Plath (Cotia-SP, Editora Cajuína, 2023); Ensaios gerais:  compêndio de críticas lítero-culturais (Belo Horizonte, Editora Caravana, 2024); Alfa & Betoda poética das palavrashistorial poético das letras (Cotia-SP, Editora Cajuína, 2024); Rua Frida Kahlo (São Paulo, Editora Calêndula, 2024); O ano em que faremos contato com o elo perdido (São Paulo, Namíbia Editora, 2024); e O sequestro do sonho (São Paulo, Editora Calêndula, 2024). É autor do primeiro livro interativo da rede mundial de computadores, o e-book O rinoceronte de Clarice (Rio de Janeiro, Editora Autografia, 2024), que foi tema de teses de mestrado e doutorado na Universidade Brasília (UnB) e na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Publicou também Porta-lapsos, poemas (São Paulo, Editora All-Print, 2005); O Homem que virou cerveja, crônicas (São Paulo, Giz Editorial, 2009); e Favela stories, contos (Cotia-SP, Editora Cajuína, 2022). Seus trabalhos constam em mais de cem antologias, inclusive no exterior, como na Antologia Multilingue de Letteratura Contemporanea, de Treton, Itália, e Christmas Anthology, de Ohio/EUA. Adelto Gonçalves - Brasil

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Porto Garcia: no quarto escuro de meu ego sem respostas, de Silas Corrêa Leite. Ouro Preto-MG, Caravana Grupo Editorial, 209 págs., R$ 80,00, 2025.  E-mails do autor: poesilas@terra.com.br; poesilas@gmail.com.  Sites do autor: www.poetasilascorrealeite.com.br; www. silascorrealeite.com

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Adelto Gonçalves, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e  doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Fernando Pessoa: a Voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003, São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Londres, Robbin Laird, editor, 2024), publicado nos Estados Unidos e na Inglaterra.  E-mail: marilizadelto@uol.com.br


Angola - Varíola dos macacos dispara em Cabinda para 200 casos

A província de Cabinda regista agora mais 91 casos da varíola dos macacos (mpox) do que a 4 de Agosto de 2026, quando notificava 109 confirmados. No total, o País soma 289 ocorrências


As informações foram prestadas à imprensa pela ministra da Saúde (MINSA), Sílvia Lutucuta, na passada sexta-feira, 14, em Cabinda.

"Reconhecemos que o desafio é grande, tendo em conta a vasta fronteira desta província com a nossa vizinha República Democrática do Congo (RDC), que tem um número elevado de casos de mpox e uma fronteira longa e também porosa", acrescentou a titular da pasta do MINSA, citada pela Rádio Nacional de Angola (RNA).

A RDC enfrenta não só um elevado número de casos da varíola dos macacos, mas também uma grave epidemia de Ébola. O país vizinho já registou mais de 2300 mortos pela doença, sendo considerada a segunda epidemia mais letal de sempre a nível mundial. A variante em circulação é a Budinbugyo, para a qual ainda não existe vacina ou tratamento específico aprovado.

Segundo a mesma fonte, Sílvia Lutucuta mostrou-se também preocupada com o surgimento de casos de transmissão local de mpox.

"Verificamos que a maior parte não tem história de viagens, mas também temos aqui algumas situações de alguma promiscuidade sexual e contacto directo das pessoas infectadas", disse.

Nesse sentido, a ministra da Saúde completou que "as condições estão criadas para o tratamento destes doentes" no centro de referência da província e defendeu o reforço do "controlo de temperatura, observação, vigilância" nas fronteiras.

Este alerta estende-se a outras regiões

No Moxico Leste, no mês passado foram notificados 14 casos da doença, enquanto no Uíge foi identificado o primeiro caso confirmado a 15 de Maio deste ano. Entretanto apareceu um novo caso na província do Lunda-Sul, um motorista que viaja pelo Moxico Leste e República Democrática do Congo.

A varíola dos macacos é uma doença infecciosa aguda, de origem viral, sem tratamento específico. Para travar a propagação do surto, as autoridades recomendam a lavagem frequente das mãos com água e sabão, evitar saudações e cumprimentar com contacto físico, bem como evitar aglomerações.

Em 2024, Angola teve de combater um surto de mpox. Omar Prata – Angola in “Novo Jornal”


Suíça - Dedica semana ao combate ao desperdício de alimentos

O desperdício de alimentos responde por um quarto da pegada ambiental da alimentação na Suíça. Campanha aposta em mudanças simples no dia a dia para ajudar o país a reduzir esse impacto paraRedução, metade até 2030


O desperdício de alimentos é um dos problemas ambientais que podem ser combatidos imediatamente no dia a dia, segundo organizações envolvidas numa campanha lançada na segunda-feira (17). Pequenas mudanças na hora de comprar, armazenar e preparar os alimentos poderiam evitar boa parte do desperdício.

Se os lares suíços deixassem de deitar comida fora por apenas uma semana, cerca de 30 milhões de refeições poderiam ser poupadas, afirmam os organizadores. O desperdício também tem um peso ambiental significativo: representa um quarto da pegada ambiental da alimentação na Suíça, o equivalente à metade do impacto causado por todo o transporte motorizado privado no país.

Meta é reduzir o desperdício para metade

A Suíça comprometeu-se a reduzir para metade o desperdício de alimentos até 2030. Para os organizadores da campanha, trata-se de uma meta ambiciosa, mas possível de alcançar se os consumidores tiverem acesso a informações e orientações práticas.

Segundo as organizações, muitas pessoas estão dispostas a mudar os seus hábitos. O problema é que nem sempre sabem como agir no cotidiano. Dicas simples sobre compras, armazenamento e preparação dos alimentos poderiam ajudar a transformar essa disposição em mudanças concretas.

A campanha procura justamente mostrar que o combate ao desperdício não depende apenas de grandes medidas políticas ou de mudanças no setor alimentício. Cada família pode contribuir com decisões tomadas diariamente, desde o momento da compra até ao aproveitamento dos alimentos em casa.

A primeira Semana Nacional contra o Desperdício de Alimentos será realizada na Suíça de 12 a 20 de setembro. In “Swissinfo” - Suíça


domingo, 23 de agosto de 2026

Alemanha – Cidade de Bonn celebra vindimas com música portuguesa e sabores tradicionais

A Associação Lusitânia de Bonn prepara mais uma edição da sua Festa das Vindimas, um dos eventos de convívio da comunidade portuguesa na região, marcada para 19 de setembro, a partir das 20h00 (hora local)


A iniciativa pretende assinalar a época das colheitas com uma noite dedicada à música, à gastronomia e ao convívio, reunindo a comunidade portuguesa na sede da associação (Löwenburgstraße 75, 53229 Bonn). A animação musical estará a cargo do cantor Lívio, que apresentará um repertório variado ao longo da noite.

A gastronomia portuguesa será também um dos destaques da festa, com jantares, petiscos e bebidas, incluindo vinhos associados à época das vindimas.

Para informações adicionais ou reservas, os interessados podem contactar a associação através do telefone 0228 484549. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Guiné-Bissau – Segundo a OMS subiram para oito os casos confirmados da varíola mpox

A notificação do último caso ocorreu na quarta-feira. A capital do país e a região de Biombo são o epicentro das infeções, a epidemia causada pelo vírus também conhecido por varíola dos macacos foi declarada pelas autoridades sanitárias em julho


A Organização Mundial da Saúde, OMS, destacou profissionais no terreno para apoiarem os esforços em curso para conter a propagação da epidemia da varíola dos macacos, conhecida como mpox, com oito casos já confirmados e 47 suspeitos na Guiné-Bissau.

O anúncio foi feito seis semanas após ter sido confirmada a primeira notificação, há seis semanas, pelas autoridades sanitárias.

Condições subjacentes

Até ao momento, não houve mortes relacionadas à doença e não há registo de infeções em crianças. Foram rastreados 110 casos de contacto, 51% dos quais já completaram o ciclo de seguimento. O acompanhamento dos casos continua em curso.

Em conversa com a ONU News, em Bissau, o representante da OMS no país, Walter Kazadi Mulombo, disse que os primeiros casos foram curados. Ele alertou sobre crianças, grávidas e pessoas que vivem com o VIH não controlado e outras doenças como grupos de alto risco a casos severos.

Segundo o chefe da OMS na Guiné-Bissau, os grupos afetados estão na faixa etária de 18 a 34 anos. A maioria são homens. Não há registo de casos severos, mas continuam a monitorizar a situação.

Transmissão e sintomas

A agência dá conta que o vírus com a transmissão ocorrida por contato direto entre humanos e de homem ao animal e animal ao homem é, em muitos casos, curável espontaneamente. O mpox é muito contagioso e a prevenção requer a participação de todos.

Formas graves da doença incluem casos com infeção da pele que pode invadir o sangue, alcançar o cérebro, os pulmões e o coração, podendo levar à morte. O período de incubação do vai de dois a 21 dias e os sintomas podem durar de duas a quatro semanas, explica o epidemiologista.

O especialista destaca que os principais sintomas são erupção cutânea, que começa geralmente ao nível da cara, mas pode ser também na palma das mãos ou dos pés, mas pode-se generalizar a todo o corpo.

Prevenção e controlo

São lesões cutâneas que começam como vesículas, estoiram, surgem ferimentos e se secam, formam cascas que vão cair e a pele vai reconstituir-se, ficando assim curada a doença, acrescentou Kazadi Mulombo. Para ele, é importante monitorizar os grupos vulneráveis e o pessoal de saúde que lida com a doença.

As medidas de prevenção são universais: lavar as mãos com água e sabão ou utilizar solução hidro alcoólica, evitar contactos com pessoas que apresentem sintomas, desinfetar a superfície tocada pelas pessoas infetadas e não manipular as roupas dos doentes do mpox.

De lembrar que a epidemia foi declarada pelo Ministério de Saúde na primeira semana de julho e todos os casos concentram-se no noroeste do país em duas das 11 regiões sanitárias. Amatijane Candé – Guiné-Bissau ONU News