Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 22 de setembro de 2026

República Democrática do Congo – Reportados 7672 casos de ébola e 3699 mortes

Desde que o surto foi declarado em maio, o vírus já afetou 63 zonas de saúde em sete províncias, enquanto as autoridades intensificam a vigilância e o rastreamento de contatos para conter sua propagação


O surto de Ébola declarado em meados de maio no leste da República Democrática do Congo (RDC) continua a registrar novas infecções e mortes. De acordo com o último boletim epidemiológico do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), 58 novos casos e 23 mortes foram confirmados nas últimas 24 horas, elevando o total acumulado para 7672 casos confirmados e 3699 mortes.

A situação permanece ativa, especialmente em Ituri, considerada o epicentro do surto. Durante o mesmo período, 15 pacientes receberam alta, elevando o número total de recuperações para 1879. Atualmente, 886 pacientes permanecem hospitalizados ou em isolamento.

O vírus foi detectado em sete províncias: Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Tshopo, Alto Uélé, Baixo Uélé e Baixo Ubangi. No total, o surto afeta 63 das 167 zonas de saúde da RDC, o que exige vigilância contínua devido ao risco de maior disseminação.

A taxa de letalidade é de 48,2%, enquanto o rastreamento de contatos atingiu 79,9%. O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) indica que 97,7% dos casos suspeitos foram investigados, embora alerte para uma diminuição no rastreamento de contatos devido à menor abrangência em diversos distritos sanitários.

Entre as prioridades está o fortalecimento da preparação e da resposta em saúde nas áreas localizadas ao longo do corredor fluvial e seus arredores, com o objetivo de conter a propagação do vírus.

Em termos de número de mortes, este surto já é o mais mortal da história da RDC, superando o ocorrido entre 2018 e 2020. As projeções citadas no relatório também indicam que poderá ultrapassar as 11.325 mortes registadas durante a epidemia de Ébola que afetou a Guiné, a Libéria e a Serra Leoa entre 2014 e 2016, que resultou em 28.616 casos nos três países.

A República Democrática do Congo possui vasta experiência no combate ao Ébola, com mais de uma dúzia de surtos registados desde que o vírus foi identificado pela primeira vez em 1976. O primeiro surto conhecido ocorreu em Yambuku, no então Zaire, perto do rio Ébola, cujo nome deu origem ao nome da doença. Marisa Okomo – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Angola - Varíola dos macacos dispara em Cabinda para 200 casos

A província de Cabinda regista agora mais 91 casos da varíola dos macacos (mpox) do que a 4 de Agosto de 2026, quando notificava 109 confirmados. No total, o País soma 289 ocorrências


As informações foram prestadas à imprensa pela ministra da Saúde (MINSA), Sílvia Lutucuta, na passada sexta-feira, 14, em Cabinda.

"Reconhecemos que o desafio é grande, tendo em conta a vasta fronteira desta província com a nossa vizinha República Democrática do Congo (RDC), que tem um número elevado de casos de mpox e uma fronteira longa e também porosa", acrescentou a titular da pasta do MINSA, citada pela Rádio Nacional de Angola (RNA).

A RDC enfrenta não só um elevado número de casos da varíola dos macacos, mas também uma grave epidemia de Ébola. O país vizinho já registou mais de 2300 mortos pela doença, sendo considerada a segunda epidemia mais letal de sempre a nível mundial. A variante em circulação é a Budinbugyo, para a qual ainda não existe vacina ou tratamento específico aprovado.

Segundo a mesma fonte, Sílvia Lutucuta mostrou-se também preocupada com o surgimento de casos de transmissão local de mpox.

"Verificamos que a maior parte não tem história de viagens, mas também temos aqui algumas situações de alguma promiscuidade sexual e contacto directo das pessoas infectadas", disse.

Nesse sentido, a ministra da Saúde completou que "as condições estão criadas para o tratamento destes doentes" no centro de referência da província e defendeu o reforço do "controlo de temperatura, observação, vigilância" nas fronteiras.

Este alerta estende-se a outras regiões

No Moxico Leste, no mês passado foram notificados 14 casos da doença, enquanto no Uíge foi identificado o primeiro caso confirmado a 15 de Maio deste ano. Entretanto apareceu um novo caso na província do Lunda-Sul, um motorista que viaja pelo Moxico Leste e República Democrática do Congo.

A varíola dos macacos é uma doença infecciosa aguda, de origem viral, sem tratamento específico. Para travar a propagação do surto, as autoridades recomendam a lavagem frequente das mãos com água e sabão, evitar saudações e cumprimentar com contacto físico, bem como evitar aglomerações.

Em 2024, Angola teve de combater um surto de mpox. Omar Prata – Angola in “Novo Jornal”


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

República Democrática do Congo - Chegada de milhares de vacinas procura conter surto de ébola

A OMS diz que 70 mil doses estão disponíveis contra a pior e mais rápida epidemia do vírus já registada no país. O esforço logístico e humanitário visa imunizar profissionais da linha de frente e conter propagação incomum nas regiões afetadas


Com uma velocidade de propagação três vezes superior à da epidemia de ébola que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, a República Democrática do Congo, RD Congo, recebe 70 mil doses da vacina Ervebo.

A atual corrida contra o tempo visa travar o avanço do vírus no leste do país, disseram a Organização Mundial da Saúde, OMS, e seus parceiros. A Ervebo, autorizada em 2019, foi a primeira vacina desenvolvida para proteção contra a infecção pelo ébola.

Esperança

Até agora, a 17.ª epidemia na República Democrática do Congo já fez 2476 vítimas fatais em meio a 5208 casos. A liberação de 70 mil doses da vacina Ervebo é considerada um “raio de esperança”.

A agência da ONU ressaltou, nesta quinta-feira, que a medida responde a um pedido urgente do governo congolês e representa uma “demonstração histórica de solidariedade global na linha de frente da saúde pública”.

O principal objetivo desta distribuição de imunizantes é a proteção dos trabalhadores da linha de frente. São 50 mil doses anunciadas diretamente para profissionais de saúde e trabalhadores essenciais que arriscam as suas vidas diariamente.

De acordo com o anúncio, as 20 mil doses restantes serão aplicadas num ensaio clínico de Fase 3.

O desafio do vírus bundibugyo

Apesar do alívio trazido pelos imunizantes, os cientistas enfrentam o desafio de lidar com a vacina Ervebo. O produto é altamente eficaz contra a cepa tradicional do vírus ebola, mas não foi originalmente desenvolvido para o vírus bundibugyo.

A cepa específica é responsável pelo surto atual, para o qual não havia tratamentos ou vacinas aprovadas anteriormente. O comunicado da OMS frisa que, embora ainda não se saiba com certeza se a Ervebo protegerá totalmente contra o bundibugyo, dados preliminares de laboratório e de testes em animais sugerem que ela pode fornecer um grau importante de proteção cruzada.

A estratégia e o futuro

Diante deste novo desenvolvimento, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, reforçou que a agência une forças com o Centro de Controlo de Doenças da África e autoridades locais para intensificar a vigilância, a detecção rápida, o engajamento comunitário e o atendimento de qualidade.

O ponto frágil da resposta tem sido a velocidade. A maioria dos novos casos é descoberta fora da monitorização de contactos, o que permite que o vírus continue a espalhar-se mais rápido do que as equipas médicas conseguem rastreá-lo.

Com a chegada do lote de vacinas, a RD Congo ganha uma ferramenta essencial para tentar virar o jogo e salvar vidas na região. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

República Democrática do Congo - Expansão do vírus ébola ameaça atravessar fronteiras

Três meses após o alerta de emergência internacional, a epidemia da variante bundibugyo acelera e cruza fronteiras congolesas rumo a novos países, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde relata uma velocidade sem precedentes


O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, discursou durante a 2.ª reunião do Comité de Emergência, realçando o registo de quase 5 mil pessoas infectadas por ébola e mais de 2,3 mil mortos em seis províncias e 55 zonas de saúde na República Democrática do Congo.

Uma das prioridades das autoridades neste surto é conter a escalada das infecções a nível internacional e mitigar a ameaça iminente de colapso sanitário nas fronteiras. Teme-se, sobretudo, que o risco transfronteiriço provoque um alastramento de casos na vizinha República Centro-Africana.

Expansão geográfica do surto

O país enfrenta forte insegurança devido ao deslocamento populacional e ao intenso movimento comercial e de mineração ao longo de estradas e rios. O perigo de o vírus atravessar as fronteiras centro-africanas é uma preocupação constante.

A expansão geográfica do surto para as províncias do norte da RD Congo, como Tshopo e Haut-Uélé, também é motivo de temor pois a crise de saúde irá sobrepor-se a graves desafios humanitários já existentes.

A introdução da variante bundibugyo num cenário de extrema fragilidade poderia desencadear uma catástrofe regional.

No Uganda, a contaminação resultou em 20 casos e duas mortes. Embora o governo ugandense tenha sido elogiado pela resposta decisiva que travou à transmissão local rápida, o nível de alerta permanece máximo.

Controlar a epidemia congolesa

A situação na França contraria a percepção de que o surto estaria restrito ao continente africano. No mês passado, um viajante infectado transportou o vírus para o país europeu, o que reforça que as fronteiras “podem atrasar a resposta, mas não impedem a circulação de um vírus”.

A OMS realçou a transmissão oculta nas comunidades e as complexas dificuldades de controlar a epidemia em território congolês.

O vírus teve um forte avanço inicial, forçando as equipas médicas a atuarem de forma reativa para conter os estragos.

O padrão de casos fatais é o que mais assusta as autoridades: pessoas estão a morrer em casa, nas suas próprias comunidades, à margem dos centros de tratamento e fora das listas de contatos conhecidos.

Ensaios clínicos em humanos

Cada um dos óbitos registados representa uma cadeia de transmissão oculta. Segundo o chefe da OMS, enquanto cada elo dessa cadeia não for rastreado e interrompido, a epidemia continuará o seu avanço arrasador.

Sob a liderança do Governo da RD Congo, em parceria com a agência da ONU e o Centro de Controlo de Doenças da África, todas as frentes de resposta estão sendo ampliadas.

Pela primeira vez, duas vacinas foram desenvolvidas especificamente contra o vírus bundibugyo e avançaram para ensaios clínicos em humanos.

Os esforços incluem uma terceira vacina que demonstrou proteção cruzada em testes com animais e avançou diretamente para um ensaio de Fase 3. Além disso, o ensaio de tratamentos terapêuticos apoiado pela OMS já cadastrou os seus primeiros 100 pacientes.

Financiamento sustentado e reforço da segurança

Para agilizar o progresso, a agência da ONU fez um apelo urgente pelo compartilhamento rápido de dados, financiamento sustentado e reforço da segurança e coordenação transfronteiriça com a República Centro-Africana e o Uganda.

Por fim, o diretor-geral fez um apelo para que o mundo não se esqueça de que o ébola é apenas uma das muitas provações enfrentadas pela população da RD Congo e dos países vizinhos.

Mortalidade materna, malária, cólera, doenças diarreicas e pneumonia continuam a ceifar vidas. É essencial que a grande mobilização contra o atual surto não interrompa o acesso rotineiro a outros serviços essenciais de saúde. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 18 de março de 2026

Bélgica - Ex-diplomata de 93 anos poderá ser julgado pela morte de Patrice Lumumba

Um tribunal belga decidiu que Étienne Davignon, um ex-diplomata, de 93 anos, poderá ser julgado por cumplicidade no homicídio de Patrice Lumumba, ocorrido em 1961, no Congo. O político foi morto e o seu corpo desmembrado e dissolvido em ácido.


Segundo o Notícias ao Minuto, a decisão foi tomada, esta terça-feira, pelo tribunal belga.  O antigo diplomata, actualmente com 93 anos, poderá ser julgado por cumplicidade no homicídio, em 1961, de Patrice Lumumba, primeiro-ministro do Congo.

Étienne Davignon, que era um diplomata em formação na altura da morte do político, foi acusado de três crimes de guerra, de acordo com o tribunal de primeira instância de Bruxelas.

Em causa está a transferência ilegal de Lumumba e dos seus associados de Léopoldville (actual Kinshasa) para o Katanga, tratamento humilhante e degradante infligido aos três e a privação do direito a um julgamento justo.

Étienne Davignon, que chegou a ser vice-presidente da Comissão Europeia entre 1981 e 1985, é o único sobrevivente dos dez belgas acusados num processo criminal interposto pela família de Lumumba em 2011.

A decisão do tribunal de Bruxelas ainda é passível de recurso, mas se o julgamento avançar, Davignon será o primeiro oficial belga a ser levado à justiça pelo assassinato de Lumumba, ocorrido há 65 anos. In “O País” – Moçambique com “Notícias ao Minuto”

República Democrática do Congo - Pauline Opango Lumumba


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Angola - Realizada entrega de cobre e cobalto através do Corredor do Lobito

A Entreprise Générale du Cobalt (EGC) e a Trafigura acordaram a realização da primeira entrega de cobre e cobalto aos mercados internacionais através da Lobito Atlantic Railway (LAR), marcando um passo decisivo no desenvolvimento de uma cadeia de abastecimento mais rápida, eficiente e transparente de minerais provenientes da República Democrática do Congo (RDC)


De acordo com uma nota de imprensa enviada ao Jornal de Angola Online, esta operação sublinha a importância estratégica do Corredor do Lobito no transporte de recursos minerais da RDC para clientes em todo o mundo.

“A Lobito Atlantic Railway estende-se por cerca de 1300 quilómetros, ligando o porto de águas profundas do Lobito, na costa atlântica de Angola, à fronteira com a RDC, no Luau, com uma ligação adicional de aproximadamente 450 quilómetros até Kolwezi, no centro do Cinturão de Cobre congolês”, esclarece a nota. In “Jornal de Angola” - Angola


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Moçambique - É pioneiro global na retoma da vacinação contra a cólera após reforço

A Organização Mundial de Saúde realiza campanhas preventivas na retoma da distribuição de vacinas depois de mais de três anos de pausa. A produção anual global de imunizantes duplicou de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões em 2025


A vacinação preventiva global contra a cólera retomou após o fornecimento internacional de vacinas ter alcançado um nível suficiente para permitir o reinício das campanhas. É a primeira vez em mais de três anos que o processo é realizado.

O anúncio foi feito esta quarta-feira pela Aliança Global para Vacinas, GAVI, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e pela Organização Mundial da Saúde, OMS.

Contextos desafiantes para a retoma

Moçambique torna-se o primeiro país a retomar a vacinação, após a suspensão das ações em 2022. Na época, a alta global dos casos de cólera levou a uma procura sem precedentes e à escassez de vacinas orais contra a doença.

Em território moçambicano, a campanha retoma em contexto desafiante, marcado por um surto ativo de cólera e pelas consequências das cheias recentes que afetaram mais de 700 mil pessoas e deslocaram milhares.

As inundações danificaram sistemas de saúde e de abastecimento de água, aumentando o risco de doenças transmitidas pela água.

O diretor geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, a falta de vacinas obrigou uma resposta reativa, centrada no controlo dos surtos, em vez da prevenção. Ele afirmou que a agência está agora em “posição mais forte para quebrar esse ciclo”.

Distribuição de 20 milhões de doses

A primeira alocação de 20 milhões de doses de imunizantes contra a cólera está a ser utilizada para as campanhas preventivas. Deste total, 3,6 milhões de doses foram entregues em Moçambique, enquanto as restantes devem seguir para a República Democrática do Congo e para o Bangladesh.

A produção anual global de vacinas contra a cólera duplicou, passando de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões em 2025. As vacinas são financiadas pela Aliança GAVI e distribuídas pelo Unicef.

Os países beneficiários foram selecionados com base em critérios definidos pela Força-Tarefa Global para o Controle da Cólera por forma a garantir uma distribuição equitativa e transparente.

Para a diretora executiva da Unicef, Catherine Russell, o aumento do fornecimento de vacinas permite a prevenção de emergências em grande escala.

Transmissão continua em alta

A cólera é transmitida através da água ou alimentos contaminados, causando diarreia grave e desidratação, podendo ser fatal se não for tratada rapidamente.

Em 2024, mais de 600 mil casos e cerca de 6,7 mil mortes foram notificados à OMS em 33 países, embora estes números sejam subestimados, uma vez que as infeções continuam subnotificadas.

Desde 2021, os casos globais têm aumentado a cada ano. No entanto, foi registada uma ligeira redução em 2025, mas as mortes continuam a disparar.

A agência reforça que a vacinação é apenas uma das ferramentas de resposta, que inclui também investimentos de longo prazo em água, saneamento e higiene, vigilância, tratamento rápido e envolvimento comunitário. ONU News – Nações Unidas


quarta-feira, 17 de setembro de 2025

República Democrática do Congo - Começa vacinação contra Ébola

Parceiros internacionais aprovaram envio de dezenas de milhares de doses para conter surto na nação africana. A província de Kasai iniciou imunização após entrega de 400 doses com apoio da Organização Mundial da Saúde, OMS


A vacinação dos profissionais de saúde e de pessoas em contato com casos confirmados de Ébola começou na zona de Bulape, na República Democrática do Congo, onde foi declarado um surto da infecção.

As primeiras 400 doses da vacina Ervebo, provenientes de um estoque preposicionado de 2 mil doses na capital congolesa, Kinshasa, já foram entregues. Doses adicionais estão a caminho das localidades afetadas.

Estratégia de vacinação

Foi adotada uma estratégia de vacinação em anel, que consiste em imunizar os indivíduos com maior risco de contágio após contato com doentes confirmados. A medida é também recomendada para profissionais de saúde e trabalhadores da linha da frente expostos ao vírus. A vacina Ervebo é considerada segura e eficaz contra a espécie Zaire, confirmada como causa do surto em curso.

O Grupo Internacional de Coordenação do Fornecimento de Vacinas aprovou o envio de cerca de 45 mil doses adicionais para reforçar a resposta ao surto.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, apoiou as autoridades sanitárias no pedido de doses adicionais, e, juntamente com parceiros como o Unicef, desenvolveu um plano de vacinação ajudando na formação de agentes para recolha de dados e apoio direto às comunidades.

Reforço da resposta

Além das vacinas, tratamentos com anticorpos monoclonais (Mab114), utilizado em cuidados clínicos, também foram enviados ao centro de tratamento em Bulape. A OMS destacou, no terreno, até agora 48 especialistas em vigilância, cuidados clínicos, prevenção e controlo de infeções, logística e envolvimento comunitário, que estão a apoiar as autoridades no controlo do surto.

Nos países vizinhos, a agência da ONU está a trabalhar com os governos nacionais para reforçar a capacidade de deteção rápida de casos e uma implementação imediata de medidas de contenção.

A OMS avalia o risco para a saúde pública como elevado em nível nacional, moderado em nível regional e baixo em nível global. ONU News – Nações Unidas

domingo, 25 de maio de 2025

Angola - É o quarto país com mais casos de cólera

De janeiro a abril foram notificados mais de 157 mil casos e 2148 mortes pela doença em 26 nações. África lidera o número de infecções, seguida pelo leste do Mediterrâneo e o sudeste da Ásia. Angola é o quarto país com mais casos da lista



O número de surtos e casos de cólera está a aumentar no mundo. O alerta é da Organização Mundial da Saúde, OMS. Em boletim da agência, que lista notificações de 1 de janeiro a 27 de abril, foram registados 157.035 casos da infecção que levaram a 2148 mortes em 26 países.

Angola aparece em quarto lugar na compilação da OMS com um total de 15.844 casos. A nação de língua portuguesa é antecedida pelo Sudão do Sul, Afeganistão e República Democrática do Congo.

Desastres naturais e conflitos

A África é o continente com a maior quantidade de notificações, seguido pelo leste do Mediterrâneo e o sudeste da Ásia.

Somente no mês passado, foram reportados à OMS um total de 37.147 casos de cólera e 561 mortes em 18 nações, um aumento de 5% se comparado aos números de março.

A agência da ONU lembra que os estoques de vacinas orais contra o cólera estão baixos. Atualmente com 3,6 milhões de doses, o estoque deveria conter pelo menos 5 milhões em casos de emergência.

Dentre os fatores para o aumento dos surtos de cólera estão deslocamentos em massa, conflitos, desastres naturais como cheias e as consequências da alteração climática.

Campanhas de prevenção

A agência da ONU está a apostar numa resposta rápida e campanhas de prevenção para conter a doença.

A OMS lembra que parcerias podem ajudar a reforçar o combate como equipas médicas de Portugal que foram para Angola apoiar o Ministério da Saúde do país. As autoridades angolanas montaram um Centro de Tratamento de Cólera para melhor gerir as infecções. A OMS também despachou equipas para apoiar ações de acesso a soluções de reidratação nas comunidades angolanas e melhorar a qualidade do tratamento. O material da campanha foi traduzido para o português.

Treino para 150 pessoas de governos e ONG

Somente no mês passado, Angola notificou 6201 novos casos de cólera com 164 mortes. A maior parte das infecções vem de Luanda, capital do país, e das províncias de Bengo, Benguela e Cuanza Norte.

Ainda de acordo com a agência da ONU, outros especialistas foram enviados para países como Haiti, Quénia, Moçambique, Sudão, Sudão do Sul e outros para operar em vigilância e epidemiologia além de outras áreas de apoio.

Uma outra frente de combate são os programas de água, saneamento e higiene, conhecidos como Wash, para evitar que a doença se espalhe.

No fim de abril, a OMS na África realizou um webinar sobre o tratamento descentralizado da cólera com mais de 150 representantes de Ministérios da Saúde africanos e organizações parceiras em países afetados e com alta taxa de risco. ONU News – Nações Unidas


sexta-feira, 18 de abril de 2025

Angola - Nova Rota Logística liga África à América Latina a partir do Corredor do Lobito

A multinacional especializada na exportação de matéria-prima, PLASFER, está empenhada nos cumprimentos dos trâmites administrativos e técnicos com vista ao aproveitamento do Corredor do Lobito como "Nova Rota de Exploração da Indústria de Cobre" de ligação entre a República Democrática do Congo (RDC), Angola, América Latina e Europa




Há mais de três anos a desenvolver um projecto inovador na RDC, com parcerias na Europa e nas Américas, a PLASFER considera esse novo passo como um dos avanços mais relevantes dos últimos 50 anos, ao viabilizar um fluxo comercial até então inexistente no continente africano.

A escolha de Angola como base logística deve-se à sua infra-estrutura portuária consolidada e à posição geográfica privilegiada, que facilita a conexão entre a África Central e os mercados latino-americanos. Esse corredor de exportação inovador fortalece as relações comerciais entre os continentes e cria oportunidades para as empresas angolanas que desejam expandir a sua actuação internacional.

A meta da empresa, de acordo com o programa enviado ao Jornal de Angola, passa por encurtar o tempo e reduzir os custos financeiros associados às rotas tradicionais, que partem do Oceano Índico, numa altura em que Angola deu um salto de grande envergadura no domínio dos transportes na região Austral do continente com a operacionalização de uma das maiores infra-estruturas.

A multinacional, sediada na cidade do Porto, em Portugal, está comprometida em oferecer soluções personalizadas e de alta qualidade nos sectores dos plásticos, saúde, alimentação e biocombustíveis, sendo que a empresa defende que "a iniciativa também visa fortalecer parcerias estratégicas" com empresas angolanas, congolesas e brasileiras.   

"A nossa empresa multinacional tem a sua metodologia de trabalho assente em relações sólidas e uma visão clara de futuro sustentável, pelo que a PLASFER está a implementar uma nova rota logística entre o continente africano e a América Latina, utilizando a infra-estrutura de Angola como hub estratégico", lê-se no relatório.

O documento assinala ainda que nesse novo desafio a empresa apresenta a Angola e ao mundo a "Nova Rota de Exploração da Indústria de Cobre", que conecta a República Democrática do Congo (RDC), Angola, América Latina e Europa, oferecendo aos consumidores uma alternativa de fornecimento mais eficiente e competitiva.

"O principal foco do projecto é a exportação de cátodos de cobre para abastecer indústrias na América Latina, especialmente no Brasil.

Contudo, a PLASFER vai além da simples exportação de matéria-prima: o projecto já prevê uma segunda fase, voltada para a industrialização em Angola, agregando valor ao minério antes da sua exportação", informa o relatório.                                                                                                                  

Estudo de viabilidade                                                             

A operacionalização do Corredor do Lobito diante da crescente procura global das matérias configura um indicador plausível das potencialidades para transformar Angola num centro de referência para a produção de Vergalhão de cobre (Copper Rod) destinado ao mercado europeu.

A direcção da PLASFER pretende que o cátodo extraído na RDC passe por um processo de transformação no mercado angolano para agregação de valor ao produto e impulsionar o desenvolvimento industrial local.

A empresa, de acordo com o documento em posse do Jornal de Angola, já identificou mais de 40 fábricas de cabos eléctricos na Europa que demonstraram interesse em consumir o cobre processado em Angola.

A produção incluirá: Vergalhão de 8mm, Trefilados (fios mais finos usados nas indústrias eléctrica e electrónica),além de beneficiar a indústria nacional angolana, este modelo criará empregos, desenvolverá a mão-de-obra local e estimulará o crescimento económico do país. A expectativa é que Angola se torne um fornecedor importante de cobre refinado para a Europa e América Latina, consolidando a sua posição no mercado global.       

"Este projecto representa um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento sustentável e a industrialização de Angola, na medida em que ao transformar o país num pólo de produção e exportação de cobre processado, a empresa contribui para a geração de riqueza local, redução da dependência das exportações de matéria-prima bruta e fortalece a economia nacional", conclui o relatório. Hélder Jeremias – Angola in “Jornal de Angola”


segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Angola - Primeiro comboio de carga de minério de cobre chega ao Lobito

Um comboio de carga, com 960 toneladas de minério bruto de cobre, chegou na manhã de domingo à cidade portuária do Lobito (Benguela), proveniente da região de Kolwezi, República Democrática do Congo (RDC)


Trata-se do primeiro carregamento do minério desde a assinatura do contrato de transferência da concessão dos serviços ferroviários e da logística de suporte do Corredor do Lobito entre o Governo de Angola e os representantes do consórcio Lobito Atlantic Railway, no dia 4 de Julho de 2023.

O comboio, de dezassete veículos (incluindo uma locomotiva GE, modelo C30ACi) e 16 vagões do tipo LC, partiu da estação do Luau, na província de Moxico, na sexta-feira, às 16h30, e percorreu 1289 quilómetros em 38 horas, até chegar ao Porto Comercial do Lobito.

De acordo com o director Comercial da Lobito Atlantic Railways (LAR), Artur Silva, trata-se do primeiro comboio, por sinal, de cariz experimental, de outros tantos esperados a partir de Janeiro de 2024, visando escoar por via do Corredor do Lobito dez mil toneladas de minérios provenientes da região de Katanga, na República Democrática do Congo.

"Este primeiro carregamento, a título experimental, está destinado aos mercados internacionais, concretamente aos continentes europeu e asiático. Temos a intenção, a partir de Janeiro, aumentarmos a capacidade para transportar 10 mil toneladas, e durante o ano mais de 200 mil de mercadorias”, explicou.

Artur Silva não precisou, porém, o tempo de permanência da mercadoria no Porto do Lobito, nem o seu destino exacto, mas garantiu "o asseguramento no local”. "Haverá um momento de ensacamento, de colocar no contentor para, de seguida, ser exportado para os mercados destinados. Por isso, o seu acondicionamento, no local, está acautelado”, acrescentou.

Por seu turno, o director Comercial da empresa dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB), Fausto Carvalho, disse que este carregamento "é visto como de extrema importância, no âmbito do processo de diversificação da economia do país”, explicando mais adiante que "apesar de não se tratar do primeiro carregamento pelo Corredor do Lobito, o evento que acabamos de testemunhar abre um novo ciclo para a economia nacional, envolvendo entidades nacionais, o Estado, e multinacionais, o consórcio LAR”.

Lembrar que, depois da reabertura do Corredor do Lobito, o primeiro carregamento de minério bruto de cobre aconteceu a 5 de Março de 2018, proveniente das minas de Tenken (RDC), num acto testemunhado por altas figuras do Governo, da classe empresarial e população da cidade do Lobito.

Em Setembro de 2018, Julien Rolland, membro do comité de gestão da Trafigura, uma empresa holandesa que faz parte da concessionária, disse que a reabertura da rota comercial, suspensa há mais de 40 anos, entre Lobito (Angola) e Kolwezi, na República Democrática do Congo (RDC) ,”tem potencial para marcar o início de um novo capítulo”. O cobre congolês costuma ser exportado através dos portos da Beira, em Moçambique; Dar Es Salam, na Tanzânia, ou Durban, na África do Sul. Sampaio Júnior e Júlio Gaiano – Angola in “Jornal de Angola”


segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Angola - Consórcio ferroviário norte-americano vai ligar ferrovia de Luanda à República Democrática do Congo

O All-American Rail Group (AARG) e o Ministério dos Transportes angolano assinaram, em Luanda, um memorando de entendimento para apoiar a integração do plano de expansão ferroviária do norte do País. Este projecto, avaliado em 4,5 mil milhões de dólares, visa ligar a ferrovia de Luanda à República Democrática do Congo


Segundo um comunicado de impressa do Ministério dos Transportes, este corredor foi pensado para reforçar a segurança alimentar de Angola e vai apoiar a expansão agrícola no Uíge, Kwanza-Norte, Bengo, Malanje e Zaire "em estreita sinergia com as plataformas logísticas do Soyo, Malanje, Luvo e Lombe".

A interligação com a RDC vai possibilitar a exportação de petróleo, madeira e minerais para os países do Atlântico, assegura o comunicado.

Mustafa Ocalir, membro do Conselho de Administração da empresa norte-americana, afirmou que o All-American Rail Group "está comprometido com Angola".

"Este Memorando de Entendimento é o nosso primeiro passo para podermos apoiar o plano de expansão da rede ferroviária angolana, tema crítico para a diversificação da economia e para a criação de emprego. Convém perceber, contudo, que o Corredor Norte não é apenas ferroviário.

Pretendemos construir e integrar a ferrovia com plataformas logísticas e com um porto nesta região agrícola, para fazer avançar o arrojado PlanAgrão e reforçar a segurança alimentar do país."

O mesmo responsável sublinhou ainda, citado no documento, que o grupo atribui "grande importância à parceria agora iniciada" com o Ministério dos Transportes e que "está pronto para colocar à disposição de Angola a sua capacidade de construir, operar e financiar projectos ferroviários e logísticos".

Ricardo Viegas D’Abreu salientou o potencial de desenvolvimento do Corredor Norte, "que apesar de terminar em Malanje, pode estender-se para o Norte e Leste do País - as regiões mais populosas do País e detentoras de características naturais propícias à implementação de actividades de agronegócio, comércio, indústria e turismo".

O Ministro dos Transportes lembrou que "o plano director do sector preconiza a extensão dos três corredores nacionais para as fronteiras com os países vizinhos, com o objectivo prioritário de potenciar as ligações aos respectivos portos do litoral, a facilitação do comércio transfronteiriço e a dinamização da economia real em Angola".

O All-American Rail Group (AARG) é um consórcio ferroviário com sede em Houston, no Texas, composto por seis empresas ferroviárias e de infra-estrutura americanas. In “Novo Jornal” - Angola

 


quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Angola - Escritora Ketsia Olangi lança livro “Passar do Zero a Herói”

“Passar do Zero a Herói” é o título do livro da escritora Ketsia Olangi a ser lançado no próximo sábado


O livro relata o desespero gerado pelas batalhas infindáveis da vida conjugal e as conveniências comunitárias que não oferecem por vezes outra saída senão a morte, tais experiências levam à auto-depreciação do indivíduo ao ponto de considerar-se um zero neste mundo.

A autora confrontada com um mosaico de verdades bíblicas, experimentou a transição do Zero a heroína na realização do plano divino fundamentado na verdade segundo a qual: Deus tudo pode, e quer que determinadas coisas sejam realizadas com a nossa colaboração para que Ele possa se manifestar.

É neste sentido que este livro vem despertar o herói adormecido que reside em cada um de nós.

Ketsia Olangi nasceu em Lubumbashi (República Democrática do Congo) a 7 de Maio de 1983, é licenciada em Marketing e em Gestão e Empreendedorismo pela Universidade Damelin Business College na África do Sul, possui igualmente três bacharelatos em gestão empresarial. Ketsia Olangi é presidente da Fundação Nehema, presidente da Liga Nacional de Mulheres do Partido político Aliança dos Congoleses Progressistas (ACP), presidente do Conselho de Administração da empresa de desenvolvimento provincial (SOPRODE) e da Ketsia Cosmetics.

Ketsia Olangi é, igualmente, líder da missão Rede Mundial de Mulheres Peritas em desenvolvimento económico e social, encarregada da missão da Fundação Olangi Wosho e membro da Fundação Adi.

É fundadora do projecto agrícola Tulime Pamoja, escritora, dedicada à filantropia, serva de Deus. Ketsia Olangi foi inspirada desde muito cedo pelo dinamismo da sua mãe, fruto da sua educação tem se engajado na emancipação das mulheres africanas. Alice André - Angola In “Jornal de Angola”


segunda-feira, 20 de junho de 2022

Bélgica - Pede desculpa à família do antigo primeiro-ministro congolês Patrice Lumumba


Bissau - A Bélgica entregou hoje à família do antigo primeiro-ministro congolês, Patrice Lumumba, os seus restos mortais.

Esta cerimónia, em Bruxelas, serviu para o Governo belga se desculpar perante as autoridades e familiares de Lumumba pela cumplicidade no assassinato deste importante homem político em 1961.

"É uma verdade dolorosa e desagradável, mas ela deve ser dita", afirmou hoje o primeiro-ministro belga Alexander De Croo ao apresentar aos familiares de Patrice Lumumba e às autoridades da República Democrática do Congo, sentidas desculpas e sublinhar o papel dos belgas no assassinato do primeiro primeiro-ministro do Congo independente, em 1961.

De forma simbólica, a Bélgica devolveu hoje ao país e aos seus familiares uma urna que contém um dente de Patrice Lumumba, encontrado pela filha de um dos polícias belgas que estariam com ele aquando da sua morte.

Nascido numa família humilde, Patrice Lumumba fez os estudos permitidos na época colonial aos congoleses, chegando a funcionário dos Correios e tornando-se mais tarde líder sindical. Após repressão por parte das autoridades belgas devido ao seu destaque no país, Lumumba acelerou o seu envolvimento político criando o Movimento Nacional Congolês que coincidiu com o processo de independência da actual República Democrática do Congo.

Patrice Lumumba foi então convidado a formar Governo em 1960, tendo procurado apoio junto da União Soviética, algo que desagradou diversos países ocidentais e o Presidente congolês, levando à dissolução do seu Governo apenas três meses após a sua nomeação. Lumumba foi colocado em prisão domiciliária e sob tutela das forças da Nações Unidas.

Actualmente sabe-se quem foi o mandante, organizadores e executores de Patrice Émery Lumumba, Primeiro-ministro eleito na República Democrática do Congo, assassinado a 17 de Janeiro de 1961.

Os restos mortais agora restituídos pela Bélgica vão ser velados em Kinshasa, onde está previsto o cumprimento de três dias de luto nacional e uma cerimónia de homenagem para assinalar o 62º aniversário da independência da República Democrática do Congo. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné-Bissau com “Baía da Lusofonia” 

República Democrática do Congo - Pauline Opango Lumumba


 

domingo, 18 de outubro de 2020

Brasil – Exportação de ônibus através do porto de Paranaguá para a República Democrática do Congo

 


O Porto de Paranaguá embarcou nesta quinta-feira (15) um lote de 110 ônibus com destino ao Porto de Boma, na República Democrática do Congo, na África. Os veículos fazem parte de uma remessa de 440 coletivos que serão exportados para o continente. Com isso, o porto paranaense reafirma sua posição como principal porta de saída de ônibus e micro-ônibus produzidos no Brasil.

Segundo o diretor de Operações Portuárias, Luiz Teixeira da Silva Júnior, a escolha por Paranaguá considera a localização estratégica, eficiência de embarque e mão de obra qualificada. “Os portos do Paraná têm linhas regulares, otimizando os custos de transporte. Além disso, o serviço prestado pelos trabalhadores avulsos é reconhecido pela alta qualidade e baixo índice de avaria, fator importante no manuseio de equipamentos com alto valor agregado”, diz.

OPERAÇÃO - O navio "Maestro Universe" foi especialmente fretado para a operação e atracou no Porto Dom Pedro II por volta das 5h. “Essa é uma movimentação grande, diferente pela quantidade de ônibus. Ao todo, serão 440 veículos, divididos em quatro embarques de 110 ônibus cada”, explica Aldemar Marques Moreira, gerente de Operações da Marcon, empresa responsável pela movimentação dos carros em parceria com a Wasa, que faz a exportação.

“Outro diferencial é o tamanho dos veículos, que exigem muito apoio. Como são carros grandes, ocupam bastante espaço e dependem de uma logística especial para acomodar no navio. Mas a operação é muito rápida, em torno de cinco horas”, acrescenta.

ONTINUIDADE - A sequência de embarque dos outros 330 ônibus está prevista para dezembro, janeiro e fevereiro. Os veículos foram encarroçados pela Marcopolo, de Caxias do Sul (RS), sobre chassis bases da Volvo, que são fabricados em Curitiba (PR).

Todos eles já são preparados para enfrentamento da pandemia, com isolamento especial para os motoristas, chamado de BioSafe.

Esta é a segunda remessa de ônibus para o continente africano este ano. Em julho foram 130 ônibus para Angola, também via Paranaguá com operação conjunta da Marcon e Wasa. In “Portos e Navios” - Brasil

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Angola - Marcos fronteiriços geram confrontos entre forças militares angolanas e congolesas

Autoridades congolesas fazem «mea-culpa» aos incidentes que têm ocorrido na zona fronteiriça e prometem trabalho conjunto para afastar cenários idênticos

 


A inexistência de marcos fronteiriços ao longo da extensa fronteira entre Angola e a República Democrática do Congo (RDC) tem sido a principal causa dos confrontos entre as tropas dos dois países, soube o NJ de peritos em defesa e segurança.

Segundo um dos delegados da comitiva ministerial de Defesa e Segurança da RDC, o desconhecimento dos limites de cada país precisa de ser mais bem definido para a compreensão das autoridades de aguarda-fronteira.

"Muitas vezes, o soldado entra no território vizinho pensando que está no seu. Quando é interpelado, se não tiver calma, podem entrar em briga", informou o dirigente congolês durante a reunião bilateral de Defesa e Segurança que Luanda acolheu esta semana.

O governador da Lunda-Norte (Ernesto Muangala), província que partilha uma fronteira de 770 quilómetros com a RDC, explicou que as situações de crispação e desentendimento entre as forças dos dois países têm sido frequentes, causando, às vezes, incidentes.

"Durante a guerra, alguns marcos foram destruídos, mas o importante aqui é a recolocação dos mesmos, porque os incidentes que surgiram foram por engano da parte das forças de defesa da RDC, em virtude de terem pensado que as nossas estivessem no território congolês", esclareceu o governante.

Segundo Ernesto Muangala, a parte congolesa, sobretudo as autoridades de Kassai, reconheceu, apresentou desculpas ao Governo angolano e prometeu que acontecimentos do género já não ocorreriam.

Já o ministro do Interior, Eugénio Laborinho, adiantou que está prevista a reposição dos marcos fronteiriços, sem ter avançado datas, e que o grupo de especialistas já está formado desde quarta-feira, 16, decisão saída da reunião de Luanda.

"Haverá um sacrifício muito grande, porque não é fácil. Vamos ter de trabalhar com alguns meios para fazer a localização e a reposição da demarcação, no âmbito dos acordos assinados", prometeu o governante. Borralho Ndomba – Angola in “Novo Jornal”

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Angola - Porto do Lobito recebe segundo carregamento de minério em seis meses

A utilização dos Caminhos de Ferro de Benguela (CFB) para escoar minérios oriundos da República Democrática do Congo (RDCongo) foi retomada pela segunda vez em seis meses, com a chegada de novo carregamento no sábado ao porto do Lobito



Segundo notícia da imprensa local, um comboio dos CFB chegou àquele porto da província angolana de Benguela com 28 vagões, que transportaram 1200 toneladas de minério de cobre provenientes da região mineira de Kisenge, província de Katanga (RDCongo), e tem como destino a Bélgica.

O minério pertence à empresa Access World e está armazenado no Porto Comercial do Lobito a aguardar pela chegada, nos próximos dias, de um navio para que possa ser embarcado.

A mercadoria foi embarcada no Luau (no leste da província do Moxico e cidade junto à fronteira com a província congolesa democrática do Katanga), no âmbito do projecto de revitalização do Corredor de Desenvolvimento do Lobito.

Trata-se do segundo carregamento de minério oriundo da RDCongo transportado pelos CFB este ano, depois de, a 05 de março deste ano, a companhia ferroviária ter trazido para o Lobito 1000 toneladas de manganês, instaladas em 25 carruagens com 50 contentores, com destino à Índia.

Na ocasião, o ato foi marcado por forte emoção para destacar a concretização do reinício das operações internacionais do CFB, mais de 30 anos depois, tendo em vista os países encravados como a Zâmbia e a República Democrática do Congo, visando dar um novo impulso à economia angolana.

No sábado, ao intervir na cerimónia simbólica de recepção do minério na "estação zero" dos CFB, o presidente do Conselho de Administração do Porto do Lobito, Agostinho Estêvão Felizardo, não adiantou o valor que a empresa poderá embolsar com a operação, salientando que a unidade portuária tem condições para operações desta envergadura.

"O Porto do Lobito está mais preocupado em mostrar à comunidade internacional que estas operações de embarque de minério já são possíveis", disse o gestor, salientando que a chegada de mais uma carga está em linha com o compromisso do Executivo de redinamizar o Corredor de Desenvolvimento Económico do Lobito, através do CFB e do Porto.

Por sua vez, Luís Lopes Teixeira, presidente do Conselho de Administração dos CFB, também se escusou a falar sobre os custos operacionais, mas adiantou que a viagem de comboio durou 36 horas, partindo do Luau, província do Moxico, ponto de ligação com os comboios da RDCongo.

Nem Agostinho Estêvão Felizardo nem Luís Lopes Teixeira indicaram se as operações de transporte são para continuar ou se há mais contratos para escoar quaisquer outros minérios oriundos da RDCongo ou da Zâmbia. In “Novo Jornal” – Angola com “Lusa”