Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Açores - Catarina Andrade transformou, na Irlanda, a saudade da sua terra em cosmética sustentável

Catarina Nascimento Andrade é a prova viva de como as raízes açorianas podem inspirar grandes projetos. Natural da ilha do Corvo, a mais pequena do arquipélago dos Açores, a jovem abraçou o mundo ao viver na Irlanda durante seis anos. No entanto, o chamamento das suas origens a trouxe de volta a Portugal, onde fundou a Sazorea, uma marca de cosmética sustentável que valoriza os recursos naturais dos Açores. Com dedicação e resiliência, Catarina transformou a saudade em inovação, criando um projeto que não só respeita a essência açoriana, mas também coloca as ilhas no mapa global da cosmética ética. O Bom Dia falou com a jovem empreendedora e partilha agora o seu interessante percurso que a levou a criar a Sazorea, abordando os desafios de empreender em Portugal e as lições aprendidas no regresso às suas origens



Para Catarina, a experiência de crescer na ilha do Corvo foi única, por ter sido uma vivência “tranquila e intimista” num lugar onde todos se conhecem e as relações interpessoais são muito próximas. “O isolamento geográfico do arquipélago faz com que nós, os açorianos, desenvolvêssemos um espírito de resistência, resiliência e autossuficiência, mas também de grande hospitalidade e união comunitária”, afirma Catarina. A ilha, com a sua paz e contacto direto com a natureza, proporcionou-lhe uma sensação de pertença e valores comunitários que marcaram a sua visão de vida e negócio.

O início

A ideia de criar a Sazorea surgiu do desejo de Catarina de representar os Açores e a sua cultura no mercado global da cosmética. O nome, o packaging e os ingredientes (criptoméria japónica, laurus azorica, gerânio, funcho e camellia japonica) da marca foram pensados para refletir a sua “açorianidade” e a proximidade com o mar. “Queria que tudo na marca fosse sobre os Açores, desde o nome, o packaging e os ingredientes”, explica a empreendedora, que viu na sua terra natal uma fonte de inspiração.

A experiência no estrangeiro

Catarina viveu na Irlanda entre 2015 e 2021, uma experiência que, apesar de difícil na adaptação, lhe permitiu ver os Açores sob uma nova perspetiva. “Saí de Portugal porque estava recém-formada e não conseguia encontrar emprego no nosso país”, recorda. Durante os anos na Irlanda, percebeu o valor das suas raízes: “quando estamos longe, aprendemos a valorizar mais o que é nosso”. A açoriana, formada em fisiologia cardíaca, trabalhou em hospitais, mas acabou por se sentir infeliz e desmotivada. Foi nesse momento que notou uma mudança drástica na sua pele, que se tornou seca, sem brilho e desequilibrada. Esse contexto levou-a a estudar cosmética e a criar fórmulas para cuidar da saúde da sua pele. Sem saber, em 2018, começou a dar os primeiros passos para a criação da sua marca.

Entretanto, obteve uma certificação como formuladora orgânica na Formula Botânica, uma escola do Reino Unido. Posteriormente, fez uma pós-graduação em Cosmetologia Avançada e, mais tarde, concluiu um mestrado em Ciências e Dermofarmácia.

Deixar tudo para trás

A perda repentina da sua avó e, um ano depois, do seu avô, fez com que Catarina questionasse toda a sua vida. “Tudo era demasiado breve. Estes acontecimentos devastadores foram a chama que acendeu de novo a minha paixão adormecida, fez perder o medo de sair da zona de conforto e perceber que a vida deveria ser sobre quem queremos ser e seguir a nossa intuição”. Era hora de voltar aos Açores para seguir o seu sonho.

Disciplina e resiliência

Criar a Sazorea não foi tarefa fácil. Catarina teve de conciliar os estudos em cosmética, o trabalho no hospital (na Irlanda) e o desenvolvimento da sua marca, um equilíbrio exigente que a obrigou a desenvolver a sua capacidade de gestão. “Foram tempos muito exigentes e que me obrigaram a ter muita disciplina e resiliência e, acima de tudo, a nunca perder o foco.” Os desafios ao iniciar o negócio foram muitos, incluindo a burocracia e a procura por financiamentos e parceiros. A escolha de ingredientes exclusivamente açorianos também representou um desafio. Catarina procurou produtores locais que pudessem fornecer os extratos naturais desejados, garantindo sempre a sustentabilidade na exploração dos recursos. “Estudando as plantas e percebendo o que poderíamos extrair de cada uma, foi só uma questão de encontrar os produtores que nos pudessem fornecer os extratos que queríamos”, sublinha.

Compromisso com o meio ambiente

A Sazorea é uma marca que coloca a sustentabilidade como um valor central. Catarina explica que o conceito da marca é minimalista, visando evitar o desperdício e concentrar o máximo benefício em cada produto. “Adotamos um conceito minimalista de skincare, que evita o desperdício de produtos e excesso dos mesmos.” Além disso, as embalagens são recicláveis e feitas com materiais reciclados, e a marca ainda colabora com a One Tree Planted, plantando uma árvore para cada produto vendido.

Para a empreendedora, o conceito de “clean beauty” vai além dos produtos: “Somos completamente próximos da nossa comunidade e transparentes sobre os nossos ingredientes e as nossas práticas. A nossa principal preocupação é enfatizar o cuidado com a pele e a saúde.”

Reconhecimento nacional e internacional

O produto mais popular da Sazorea é o sérum regenerador “The Wonder Complexion”, que tem conquistado os consumidores. Catarina e a sua equipa encontram-se a trabalhar em novos produtos. Para já, o feedback dos consumidores tem sido muito positivo: “O feedback que nos chega dos açorianos é de orgulho ao ver uma marca de skincare ter origem nas ilhas e estar a fazer sucesso nacional e também já internacional.”

Próximos passos

Os próximos passos para a Sazorea incluem afirmar-se no mercado de cosmética de nicho em Portugal e consolidar a sua expansão internacional. Catarina acredita que a marca pode tornar-se um “símbolo dos Açores” no mundo, associando o nome da marca à identidade açoriana. “Gostava muito que ficasse na história como a marca mais internacional com origem nos Açores”, assume.

Inspiração e conselhos

A jovem encontra inspiração nos Açores e nos seus avós, que sempre lhe incutiram os valores de autenticidade, transparência e superação. “Os meus avós sempre me fizeram acreditar que somos capazes de criar a nossa própria história.” Para aqueles que desejam empreender, especialmente aqueles ligados às suas raízes, Catarina deixa um conselho claro: “Se em algum momento tiverem uma ideia da qual não conseguem desistir de pensar, para seguirem o vosso instinto. Deus não coloca sonhos na nossa vida que não consigamos realizar.” A açoriana reforça ainda que, apesar das dificuldades e dos momentos solitários, o mais importante é manter o foco no objetivo e nunca desistir. “Se queremos viver o melhor do negócio, é com o pior que nos moldamos.”

Para a comunidade portuguesa no estrangeiro que pensa em voltar às suas origens para empreender, Catarina deixa uma mensagem de confiança. “Que o façam. Em Portugal temos capacidade para criar, inovar e produzir com qualidade.” O exemplo de Catarina é um testemunho de como as raízes podem ser uma fonte poderosa de inspiração para quem deseja criar algo único e bem-sucedido. Fabiana Bravo – Portugal in “Bom dia Europa”


Angola - Município do Cuvango estima colher 58 mil toneladas de produtos agrícolas

O município do Cuvango, na Huíla, prevê colher mais de 58 mil toneladas de produtos diversos na campanha agrícola 2024/2025, anunciou o director municipal da Agricultura



José Borges anunciou que este indicador representa um aumento substancial da expansão das colheitas, apesar de que existe ainda fraco apoio às famílias de camponeses, já que dos 20.529 agregados existentes, apenas 1014 foram assistidos com produtos e fertilizantes para explorar uma extensão de 800 hectares. 

Nesta época agrícola, os camponeses esperam colher cerca de 37.383 toneladas de cereais, com realce para o milho, massango e massambala, 12.103 de raízes e tubérculos, 9375 de leguminosas e oleaginosas e 96 de hortícolas. 

O responsável da Agricultura da circunscrição que dista a cerca de 350 quilómetros da cidade do Lubango disse que as famílias envolvidas nas presentes campanhas agrícolas 11.275 são da comuna sede, 7026 de Galengue (agora com estatuto de município) e 2228 de Vucungo, filiadas em oito cooperativas e 43 associações. 

“Quanto aos produtos, temos a destacar a produção ou transformação da fuba de bombó e a colecção de mel como um dos grandes produtos florestais consumidos e comercializados no município e não só”, disse. 

O director municipal da Agricultura disse que uma vasta extensão de terras aráveis, bem como o rio Cubango e outros riachos de caudal permanente e intermitentes proporcionam condições óptimas para o investimento no sector agro-pecuário. 

“O clima e o tipo de vegetação permitem o cultivo de quase todo tipo de cultura sem percalços. Há a oportunidade de investimento para o cultivo em chanas e para aqueles que estão interessados em explorar a apicultura”, disse, antes de convidar os empresários a apostarem na região. 

A produção agrícola no município é reforçada, todos os anos, pelas oito fazendas existentes no Cuvango com destaque para Mumba, Agricuvango, Poluvi, Jomabarte, Simão Kanjuvi e outra, cujas estatísticas de colheita não são partilhadas com a direcção municipal do sector. Domingos Mucuta – Angola in “Jornal de Angola”


Moçambique - Portagens polémicas voltam a incendiar ruas na cidade de Maputo

A província de Maputo voltou a ser palco de protestos violentos na manhã de quinta-feira. O recomeço da cobrança de taxas na polémica portagem da concessionária sul-africana Trans African Concessions (TRAC), entre as cidades de Maputo e Matola, levou os cidadãos às ruas, resultando no bloqueio das principais vias de acesso à capital.



Manifestantes utilizaram barricadas, pneus incendiados e veículos atravessados nas estradas para interromper o tráfego, numa demonstração de descontentamento com a medida.

Em entrevista à DW, o analista político Xavier Nhanala afirma que a resposta popular veio confirmar as suspeitas de que a paz ainda não é uma realidade em Moçambique e que os protestos reflectem o descontentamento crescente do povo com medidas que considera injustas e com uma governação marcada pela falta de diálogo e transparência.

Deutsche Wwll (DW): Como descreveria o ambiente nas primeiras horas desta manhã nas imediações da portagem de Maputo? Quais foram os sinais iniciais de que os protestos seriam inevitáveis? 

Xavier Nhanala (XN): Passei pela portagem da TRAC, eram pontualmente 5 horas e 57 minutos, em direcção a Boane. Enquanto passava por ali, obviamente bem antes mesmo de chegar ali, estava na zona da Maquinag. O que procurei fazer foi prestar muita atenção, perceber se era possível passar, se havia escaramuças ou não, porque esta é uma coisa que já prevíamos que pudesse acontecer.

A situação estava aparentemente calma, mas na portagem mesmo havia um contingente policial. A polícia da UIR estava lá a preparar-se, obviamente, para começarem com as cobranças na portagem. Mas, eu passei, antes mesmo de começarem a cobrar. Pelas 12 horas, vi que já estavam a cobrar. Acho que levaram uns 30 minutos a cobrar. Aquela população ao redor da portagem, Casa Branca-Trevo e Maquinag começou a arremessar pedras e a queimar pneus. Pelo menos é assim que este povo tem se manifestado quando o seu apelo não é ouvido.

DW: Esta é a confirmação do que se suspeitava: que a paz que se vive no momento é uma paz frágil? 

XN: Pois, é uma paz frágil e aparente, porque a verdade é que não estamos em paz. Não estamos em paz. O que acontece é que as pessoas estão a circular de forma normal, mas no seio de cada moçambicano há uma dor muito enorme. Primeiro, por estar diante de um Governo que já nasce morto. A própria investidura do actual Presidente da República foi um autêntico fiasco, enquanto tomava posse, havia pessoas a morrer, pessoas a serem esbofeteadas pela Polícia da República.

E a situação que vivemos neste momento é essa: é uma paz aparente. Eu quero acreditar que a TRAC também estava mesmo a experimentar, para ver o que podia acontecer, porque não demorou e logo cancelou as portagens. É uma situação que já prevíamos e sempre dissemos que Moçambique nunca mais seria o mesmo diante desta situação pós-eleitoral que nós estamos aqui a viver.

DW: Está claro para todos que o povo moçambicano “abriu o olho”, como se diz na linguagem popular. Este caso de hoje confirma que o moçambicano nunca mais se vai conformar com aquilo que considera injusto na governação? 

XN: Nunca mais, nunca mais. O povo moçambicano nunca mais vai se vergar diante desta situação. E pior: antes mesmo desta situação toda, o autoproclamado presidente do povo, Venâncio Mondlane, já havia feito uma reportagem, bem mesmo ali na ponte, depois da portagem da TRAC, a dizer que a TRAC queria que se pagasse aquela portagem por 30 anos, mas, em menos de cinco anos, a amortização já estava totalmente paga.

Então, essas cobranças que estão a acontecer neste momento são ilícitas e nós não sabemos se realmente vão para a TRAC ou para o bolso de alguém, não entendemos. E também como é que a TRAC aparece a dizer que vai continuar a fazer as cobranças, se em nenhum momento disse que estava parada sem fazer as cobranças? Esta é a questão que mais girava em torno das redes sociais.

Voltou-se a ouvir o hino nas ruas de Maputo

O hino de Moçambique voltou a ser entoado por centenas de populares em diferentes ruas do centro de Maputo, em resposta ao apelo do ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, terminando ao fim de 15 minutos, sem incidentes. Entre a avenida Guerra Popular e a baixa da cidade, vários grupos juntaram-se, à hora prevista – 13:00 locais e, de mãos dadas, com bandeiras, vuvuzelas e apitos, cantaram o hino, pacificamente, perante um trânsito bloqueado, durante 15 minutos, uma forma de contestação que marcou os protestos pós-eleitorais sobretudo em Dezembro. “Venâncio Mondlane indicou-nos para cantar o hino nacional todas as sextas-feiras”, explicou, enquanto Filipe Alberto, que repetidamente cantou o hino durante os 15 minutos, acrescentava: “É sobre o país, está muito mal (…) roubaram os votos”. E enquanto os restantes alternavam o hino com buzinadelas e tudo o mais que fizesse barulho, Filipe Alberto acrescentava: “Se não entregarem, isto aqui nunca vai parar”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com Nádia Issufo “Agência Deutshe Welle”


domingo, 26 de janeiro de 2025

Nações Unidas - Estudo da UNESCO mostra vantagens de proibir telemóveis nas escolas

O número de países que proibiram o uso de telemóveis nas escolas está a aumentar rapidamente e estudos realizados na Bélgica, Espanha e Reino Unido, mostram que a medida está a dar bons resultados



A retirada dos telemóveis das escolas, de acordo com estudos realizados na Bélgica, Espanha e Reino Unido, citados num relatório da UNESCO, melhora os resultados da aprendizagem, especialmente para os alunos com fraco aproveitamento escolar.

Também foi demonstrado que é benéfico para combater o bullying (violência sistemática sob diversas formas), melhorar a concentração e a autoestima face aos efeitos nocivos das redes sociais, especialmente entre as raparigas.

Os resultados foram apresentados ontem pela UNESCO no Dia Internacional da Educação e que indicam que no final de 2023 as restrições tinham sido aplicadas em 60 sistemas educativos, enquanto no início de janeiro de 2025 o número subiu para 79 países. 

Os dados constam de uma atualização especial do Relatório de Monitorização Global da Educação (GEM), produzido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para monitorizar o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A ideia não é bloquear totalmente o acesso, mas estabelecer condições adequadas que permitam maior equilíbrio. "Os alunos precisam de aprender sobre os riscos e as oportunidades que acompanham a tecnologia e não estar totalmente protegidos deles. Mas os países precisam de dar melhores orientações sobre quais as tecnologias permitidas nas escolas e quais não são, e sobre a sua utilização responsável", pode ler-se no relatório da UNESCO.

"Só a tecnologia que tenha um papel claro no apoio à aprendizagem deve ser permitida na escola", refere o relatório.

Como exemplo da forma como os países têm estado a implementar controlos é referido que em França foi sugerido o alargamento da chamada "pausa digital" a mais turmas, ou na China, cidades como Zhengzhou pedem agora aos pais um consentimento escrito para a utilização do telemóvel, mesmo para fins pedagógicos.

Menos comuns são os casos em que as medidas foram flexibilizadas, como na Arábia Saudita, que reverteu as suas proibições após a oposição de grupos de defesa de pessoas com deficiência, de modo a que os telemóveis pudessem ser utilizados para fins médicos.

Nalguns países, os níveis de restrição são heterogéneos de acordo com as especificidades regionais, como em Espanha, onde apenas três das 17 regiões (País Basco, La Rioja e Navarra) já introduziram proibições. In Sapo Tek – Portugal com “Lusa”


Estados Unidos da América - Razões que levam os cidadãos a mudarem-se para Portugal

O regresso ao poder de Donald Trump, a polarização política e o aumento do custo de vida são algumas das razões que levam muitos norte-americanos a saírem do seu país para viverem em Portugal, um “país que deu certo”

“O meu marido diz que é um refugiado político em Portugal”, desabafa Lisa Hayes, 69 anos, que vive no centro de Tomar há alguns meses, depois de ter saído de Prescott, Arizona.

“Queríamos um sítio para sair da insanidade dos EUA” e Portugal é um “país que deu certo”, ao contrário do “absurdo político” norte-americano, afirma, fazendo uma lista do que mais a atraiu: “Custo de vida baixo, serviço de saúde excelente, as pessoas são hospitaleiras e muitas sabem inglês. E se não sabem, esforçam-se para nos compreender”.

Em Braga vive Thomas Brennan, que fugiu de Chicago também para “não ver mais notícias que causam revolta e angústia”.

“Sou democrata, fui votar e irei sempre votar contra ditadores. Mas não consigo mais gerir aquilo lá”, afirma o informático de 49 anos, que decidiu trabalhar remotamente, “mesmo perdendo dinheiro”.

Phyllis Brooks e o marido estão em Portugal desde agosto, tendo escolhido Setúbal, “a capital do choco frito”, como se referiu num português quase sem sotaque.

“Nós pensávamos há muito tempo em sair dos Estados Unidos e avaliámos bem as coisas. Não é por causa de uma administração que decidimos sair, mas até acabou por ser uma decisão que resultou em nosso benefício”, diz a mulher de 49 anos, que se reformou antecipadamente com o marido, de 51 anos.

“Ouvimos falar de Portugal e quando visitámos o país pela primeira vez, foi a combinação de tudo o que quisemos sempre. Fomos a vários sítios e em todos os locais sentimos sempre uma particularidade bonita”, refere.

E o centro de Setúbal foi também uma questão de sentimento. “Chegámos, vimos e pensámos os dois: é aqui”.

Benno Push vive perto da avenida Almirante Reis, em Lisboa, e olha para Portugal como um “porto seguro”.

“Descobri que Portugal é um dos melhores sítios para nos retirarmos no mundo”, afirma o viúvo de 62 anos, que perdeu a sua mulher numa luta contra o cancro, já em Lisboa.

A opção por Portugal também se deveu aos cuidados de saúde. “A Fundação Champalimaud foi incrível. Conseguimos ter tempo de qualidade”, recorda o filho de imigrantes alemães nos Estados Unidos.

“Talvez pelas minhas origens, sempre adorei o modo de vida europeu”, e em Portugal, mesmo nos dias de chuva, “é sempre possível ver um bocadinho de sol”.

De onde veio, Miami, o tempo é muito quente e as coisas são muito caras. “Aqui a vida é mais barata e mais calma, com um bom sistema de transportes e pessoas simpáticas”.

A viver em Portugal desde 2022, Benno é mais crítico em relação à segurança e à presença de outros imigrantes. 

“Acho muito complicado que eu tenha de mostrar condições financeiras para cá vir e depois vejo pessoas imigrantes nas ruas, sem condições”, fazendo com que “alguns sítios não pareçam seguros”.

Benno defende uma multiculturalidade que respeite o país. “Se alguém vem para Europa tem de se adaptar ao sítio para onde vão. Podem manter as suas crenças, mas mantenham-nas nas suas casas e não tentem mudar o sítio onde estão”, apela, lamentando que “existam ‘little Indias’ ou ‘little Chinas’ em Lisboa”.

Lisa Hayes e o marido sempre quiseram viajar mais pela Europa e a escolha por Portugal foi natural. “Portugal parecia mais intrigante que Espanha e parece que toda a gente vai para Espanha”, mas “nós queiramos outro ambiente”.

Sem filhos, os amigos e a família olharam para a decisão do casal, em junho de 2024, como algo expectável: “Os meus amigos estão todos um pouco com inveja, sempre fomos um casal excêntrico e a nossa família esperou sempre alguma coisa de diferente da nossa parte”.

A escolha pelo centro de Tomar fazia também sentido depois de terem visitado cidades como Caldas da Rainha, Porto ou Coimbra.

“Não somos pessoas de praia e nem jogamos golfe. Por isso olhamos para o interior, que nos parecia mais aceitável e mais barato”. E quando “vimos Tomar, ficou claro que era o sítio certo: adoramos o local e a sensação de que podemos fazer parte da sua história”.

Susan Young vive perto de Tomar, numa casa com um pequeno quintal na aldeia da Sabacheira. Susan, 62 anos, e o marido vieram de São Francisco e continuam a trabalhar, agora de modo remoto.

A diferença horária é o que mais lhe custa, reconhece, entre sorrisos. “Não há grande vida social de semana. Todas as noites estamos a trabalhar, com os horários de São Francisco”.

Inicialmente, a opção por Portugal deveu-se à simplificação do processo de entrada. “Sempre quisemos viver fora e aqui fazia sentido”, recorda a mãe de cinco filhos, todos a viverem nos Estados Unidos.

“São muitos e tinham opiniões diferentes sobre a nossa decisão. alguns ficaram entusiasmados por nós e outros sentiram que nós estávamos a fugir”, mas, “no final, todos compreenderam”.

A polarização nos EUA também ajudou. “Não foi o principal fator para nós sairmos, mas a paisagem política do país foi um fator e estamos muito felizes por não estarmos no meio daquele ódio”, afirma.

Hoje está grata por viver em Portugal e diz que os portugueses “devem valorizar o que construíram como país”.

“Tive uma emergência médica há uns dias e tive que ir para Lisboa, o processo foi muito bom e, no final, quando pedi para pagar a conta não devia nada. Isso seria impossível nos Estados Unidos”, recorda.

“Estamos muito agradecidos pela capacidade de um sistema”, em que “ninguém vai ficar em falência ou posto de parte, por causa de uma qualquer doença”, acrescenta, considerando que muitos dos seus amigos entenderam essa opção também porque sabem que há “países que oferecem melhor qualidade de vida”.

“Eles entendem que a América não é o único sítio para viver e nem sequer é o melhor sítio do mundo”, mas também “há muitos nos EUA que não entendem isso”, afirmou, elogiando os portugueses.

“Vocês são incríveis. Sei que há algum nacionalismo por aí, mas nunca encontrámos ninguém. Bem sei que há outros grupos que não mulheres brancas com 62 anos que são alvo de racismo”, mas “nunca senti qualquer negatividade” por parte das pessoas.

“E isso poderia acontecer, porque muitos expatriados são pessoas que trazem muito dinheiro, que compram casas e aumentam o preço do imobiliário, mas nunca sentimos nada de mal”, refere.

Sobre o seu país, Lisa Hayes fala com tristeza. “Não queremos ouvir notícias dos EUA depois do que se passou nas eleições. Nós já não vivemos lá e é demasiado perturbador o que lá se passa”.

Mas Trump tem também impacto global. “Sairmos da OMS [Organização Mundial de Saúde] e dos acordos climáticos [de Paris] é a loucura. Só espero que nós não contaminemos o resto do mundo com esta loucura e que o resto do mundo lute como fez o governo da Gronelândia” a “mandar calar a administração” em relação às suas ambições territoriais.

Sarah Young concorda com Lisa Hayes: “Espero que o resto do mundo olhe para os Estados Unidos e nunca ache que esta política é normal. Penso que a maioria dos países europeus não consegue acreditar que isto está a acontecer. Outra vez”. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo 


Não te conto a ninguém










Vamos aprender português, cantando


Não te conto a ninguém


Todo o mundo me pergunta quem és  

o que fazes da vida e se estás com alguém 

os rapazes vão caindo aos teus pés

sonham conhecer-te tão bem


Há quem diga mais olhos que barriga

areia a mais para o meu camião

sei que não sou cavalo de corrida

mas tenho algo que os outros não


Pois só eu sei de cor 

cada passo dessa forma de andar

cada jeito do teu sorriso

e a maneira de olhar


No meu peito só sossego

agora que te encontrei

és o meu melhor segredo

não te conto a ninguém


Não te conto a ninguém


Fazem fila os namoradeiros

dão a volta ao quarteirão

querem ser todos cavalheiros

mas tocam sempre a mesma canção


Põe-se a noite vens contando o dia

e os heróis que nem por um triz

conquistaram a tua companhia

pois é para mim que sempre sorris


Só eu sei de cor

os elogios que te fazem corar

a fragrância do teu perfume

e onde gostas de ir jantar


No meu peito só sossego

agora que te encontrei

és o meu melhor segredo

não te conto a ninguém


Não te conto a ninguém

não te conto a ninguém

não te conto a ninguém


Não te conto a ninguém

não te conto a ninguém

não te conto a ninguém


Só eu sei de cor

os elogios que te fazem corar

a fragrância do teu perfume

e onde gostas de ir jantar


No meu peito só sossego

agora que te encontrei

és o meu melhor segredo

não te conto a ninguém


Não te conto a ninguém

não te conto a ninguém

não te conto a ninguém

não te conto a ninguém


Afonso Dubraz - Portugal


sábado, 25 de janeiro de 2025

Macau - Chefe do Executivo promete impulsionar cooperação sino-lusófona

O Chefe do Executivo garantiu que vai continuar a impulsionar a cooperação entre a China e os países lusófonos através da plataforma de Macau. Sam Hou Fai também adiantou que este ano vai liderar delegações da RAEM em visitas quer a países da lusofonia quer a países do Sudeste Asiático

O Governo organizou, na noite de terça-feira, um jantar de recepção aos cônsules-gerais da RAEM e aos delegados dos países de língua portuguesa junto do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Na ocasião, o Chefe do Executivo sublinhou a importância das relações sino-lusófonas e com os países do Sudeste Asiático.

No discurso proferido na ocasião, Sam Hou Fai começou por lembrar, mais uma vez, as palavras de Xi Jinping aquando da sua passagem por Macau, nomeadamente a exigência de que a RAEM reforce a “conectividade tanto com o continente como com o resto do mundo”. Assim, dirigindo-se aos cônsules e delegados presentes, o Chefe do Executivo garantiu que Macau “irá certamente proporcionar novas oportunidades e plataformas para o estreitamento de relações de cooperação”.

“Macau irá tirar pleno partido das próprias vantagens únicas para reforçar a sua função de conexão, tanto com o continente como com o resto do mundo, para desempenhar melhor o seu papel enquanto ponte e plataforma”, afirmou.

O líder do Governo apresentou então algumas ideias para pôr em marcha esse foco na cooperação. A primeira das quais é “continuar a impulsionar com empenho a cooperação entre a China e os países lusófonos”. “Macau, sendo a única região no mundo que tem o chinês e o português como línguas oficiais, desempenha um papel importante de plataforma na promoção da cooperação económica e comercial estabelecida entre a China e os países de língua portuguesa”, referiu, acrescentando que, “no processo de abertura e intercâmbio da RAEM com o exterior, é muito importante e tem um significado relevante a manutenção do intercâmbio e cooperação com os países de língua portuguesa”.

Sam Hou Fai lembrou também que, entre Janeiro e Novembro do ano passado, as trocas comerciais entre a China e os países lusófonos atingiram 208,6 mil milhões de dólares americanos, um aumento de 4,35% em comparação com o período homólogo de 2023, tendo-se registado “resultados frutíferos” em várias áreas de intercâmbio e cooperação, como as áreas humanas da ciência e tecnologia, ensino, saúde e turismo. No futuro, a ordem é para “enriquecer e alargar mais” o papel e as funções da plataforma sino-lusófona.

Outro desígnio apresentado pelo Chefe do Executivo tem a ver com o intercâmbio entre a RAEM e os países do Sudeste Asiático. “A RAEM e os países do Sudeste Asiático, incluindo as Filipinas, geograficamente próximos, têm uma cooperação económica e comercial estreita, com intercâmbio intenso de pessoas e na área cultural, sendo tradicionalmente bons vizinhos e bons parceiros”, assinalou o Chefe, notando que a população filipina na RAEM equivale a cerca de 5% do total, dando “contributos valiosos para o desenvolvimento socioeconómico de Macau”.

“Temos de aproveitar esta boa base de cooperação tradicional para, em conjunto com os países do Sudeste Asiático, agarrar novas oportunidades, explorar mais potencialidades de cooperação em todas as vertentes e fomentar maiores progressos na cooperação entre Macau e os países do Sudeste Asiático”, frisou Sam.

Por fim, Sam Hou Fai disse esperar que se intensifique o intercâmbio e que se aperfeiçoem os mecanismos de cooperação, “no sentido de alavancar de forma abrangente o intercâmbio e cooperação ao nível do sector privado”. O Chefe do Executivo adiantou ainda que este ano vai liderar delegações da RAEM em visita a países de língua portuguesa e do Sudeste Asiático para “impulsionar a cooperação” em diversas áreas. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”