Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Timor-Leste - INFORDEPE finaliza processo de recrutamento de 106 professores timorenses para Projeto Pró-Português

Díli – O Coordenador do projeto Pró-Português, Marino Tavares, disse que o Instituto Nacional de Formação de Docentes e Profissionais da Educação de Timor-Leste (INFORDEPE) deu por concluído o processo de recrutamento de 106 docentes timorenses no âmbito do Projeto Pró-Português.

“Finalizámos a 15 de janeiro o processo que nos permitiu selecionar 106 professores timorenses. Vamos agora aguardar atá darmos início à formação destes mesmos docentes”, afirmou Marino Tavares, à Tatoli, em Balide, Díli.

Segundo o coordenador, a formação será dividida em dois módulos. Caso não haja qualquer tipo de impedimento, em virtude de o país estar sob o estado de emergência, o módulo I terá lugar entre os dias 01 e 05 de março deste ano, com uma carga horária de 30 horas.

Já no que se refere à formação do módulo II, esta realizar-se-á entre os dias 15 e 31 de março em todos os municípios e na Região Administrativa Especial de Oé-Cusse e Ambeno (RAEOA), com uma carga horária de 130 horas.

O coordenador do projeto acrescentou que as formações serão ministradas por 15 professores portugueses, no âmbito do projeto.

Recorde-se que o INFORDEPE constituiu, entre os dias 18 a 31 de agosto de 2020, uma bolsa de 106 formadores nacionais de Língua Portuguesa para o exercício de funções de docência no Projeto Pró-Português.

Marino Tavares tinha antes revelado que a formação integraria duas fases, sublinhando que os docentes portugueses lecionarão cursos dos níveis de proficiência A2 (básico), B1 e B2 (intermédio) em todos os municípios do território.

O Pró-Português, financiado em mais de 18,5 milhões de dólares, decorre da cooperação entre o Ministério da Educação, Juventude e Desporto de Timor-Leste e o Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I.P de Portugal, cujo protocolo foi assinado em setembro de 2019.

O projeto tem como objetivo melhorar as competências linguísticas de português de todos os docentes timorenses em cerca de três anos. Além do ensino presencial, será introduzida a modalidade do blended learning (b-learning), sendo que parte dos conteúdos será transmitida a distância.

O projeto abrange 65 postos administrativos de todo o território nacional. Nelia Fernandes – Timor-Leste in “Tatoli”

 

 

Goa - Apela a peritos portugueses para salvar Basílica do Bom Jesus


O arquitecto Fernando Velho, membro do grupo independente Colectivo de Goa, que defende a conservação de monumentos históricos naquele estado indiano, apelou à intervenção de peritos portugueses para salvar a Basílica do Bom Jesus, ameaçada pelas chuvas.

“Era preciso que especialistas portugueses se reunissem com peritos locais e fizessem um relatório” sobre o restauro da Basílica, apelou Fernando Velho, considerando “urgente” a intervenção naquele monumento, considerado património mundial.

O arquitecto indiano, que falava à Lusa após o reitor da Basílica em Goa Velha ter alertado que a igreja está em “grave perigo” de “colapso”, confirmou que a infiltração de água nas paredes ameaça o monumento, depois do estuque que recobria originalmente a fachada ter sido removido nos anos 1950.

A polémica intervenção deixou a igreja, construída em rocha porosa pouco resistente ao clima húmido indiano, exposta à chuva e às monções. “Nos anos 1950, além do estuque ter sido removido, houve uma série de outras intervenções, como a adição de lajes de betão e a modificação do telhado”, explicou Fernando Velho, um dos arquitectos consultados pelo reitor da Basílica, o padre Patrício Fernandes.

“A integridade da estrutura da Basílica foi afectada”, explicou, e os reforços introduzidos há 70 anos “estão agora a ceder, por causa da deterioração do betão”.

Exposta aos elementos, “a pedra deteriorou-se muito em algumas áreas da fachada, por causa das monções”, explicou o arquitecto.

A situação agravou-se devido às alterações climáticas, afirmou. “Por causa do aquecimento global, deixou de haver estação seca e monção na Índia, chove durante o ano todo. Todos os meses chove mais, o que não acontecia antes, e as paredes não têm oportunidade de secar”, disse o arquitecto.

A expansão urbana da vizinha Pangim, capital do estado de Goa, também ameaça o monumento, classificado pela UNESCO em 1986.

“O governo de Goa não definiu zonas tampão, obrigatórias pela lei nacional”, disse o arquitecto, denunciando “interesses imobiliários”.

“É um problema que não existia no passado, mas com a construção de uma auto-estrada muito perto da Basílica e o aumento do betão naquela zona, toda a água é absorvida pela igreja”, lamentou.

Para Fernando Velho, “é urgente rebocar a igreja” e salvaguardar o monumento, considerando que a protecção da Basílica “é um problema transnacional”.

“Era importante ter peritos de Portugal envolvidos, porque o reboco em igrejas também foi feito lá”, disse, recordando que há vários especialistas portugueses que estudaram a Basílica do Bom Jesus.

Antes, o reitor da Basílica do Bom Jesus dissera que a igreja construída pelos portugueses no séc. XVI está “em grave risco” de “colapso”, apelando a obras urgentes.

Segundo o reitor, a água das chuvas e monções infiltrou-se nas paredes, expostas aos elementos desde que, nos anos 1950, foi removido o estuque que recobria originalmente a fachada da Basílica, inaugurada em 1605 em Goa Velha, então capital da Índia Portuguesa. Por essa razão, as paredes da igreja, construída com blocos em laterite, uma rocha local porosa, ficaram expostas às chuvas e monções nos últimos 70 anos, provocando a sua erosão.

Esta não é a primeira vez que o reitor alerta para o estado do monumento, mas segundo o prelado, a situação agravou-se nos últimos meses. “Pela primeira vez, há tanta água que acabou por se infiltrar na pedra. A monção acabou em Outubro e as paredes continuam molhadas”, contou. “Quando se passa a mão pela pedra, há pedaços que caem ao chão”, acrescentou.

O reitor recordou que a última monção, em Outubro de 2020, fez ruir a fachada da igreja de São Roque, situada na localidade de Velim, no sul de Goa, e teme que o mesmo aconteça à Basílica do Bom Jesus.

“Não sou apenas eu que temo que isso aconteça. Consultei arquitectos e engenheiros e disseram-me: ‘Padre, isto [o reboco das paredes] tem de ser feito, ou há um grave perigo de que a basílica colapse’”.

O padre Patrício Fernandes alertou os serviços de conservação de monumentos de Goa (ASI), instando-os a rebocar as paredes da igreja e a fazer obras no telhado, mas segundo o prelado, tem havido resistência em proceder à intervenção. “A maioria das pessoas sempre conheceram esta igreja sem reboco, por isso pensam que era assim originalmente”, explicou.

A Lusa questionou os serviços de conservação de monumentos em Goa e em Nova Deli por escrito, mas não recebeu resposta em tempo útil.

Construída entre 1594 e 1605, a Basílica do Bom Jesus faz parte de um grupo de igrejas e conventos erigidos pelos portugueses, classificados pela Unesco como Património Mundial, em 1986.

A Basílica, um dos monumentos mais visitados em Goa, alberga o túmulo de S. Francisco Xavier, missionário jesuíta canonizado no séc. XVII, conhecido como o “apóstolo do Oriente”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Bélgica – Atravessar a fronteira só com certificado

Marc Wilwert


A partir desta quarta-feira e até 1 de março, as viagens não essenciais de e para a Bélgica são proibidas, mas há exceções

Até 1 de março, a Bélgica decidiu impôr limitações ás viagens de forma a tentar minorar a progressão da pandemia, sobretudo durante as férias do Carnaval. Embora não haja um encerramento efetivo das fronteiras, as travessias só estão autorizadas quando são consideradas "essenciais".

Na prática, os certificados estão de volta. A partir desta quarta-feira devem ser apresentados em todas as fronteiras. Segundo o Governo, "a proibição de viajar será controlada para o tráfego rodoviário, aéreo, marítimo e ferroviário". Estão disponíveis aqui, na página oficial das autoridades belgas.

Exceções à regra

Nem os trabalhadores fronteiriços escapam à apresentação do certificado "devidamente preenchido". Os estudantes, por exemplo, continuam a poder atravessar a fronteira para assegurar a sua formação.

Fora viagens regulares, afirma-se que a "declaração de honra deve ser preenchida a cada passagem, durante o período de 27 de janeiro de 2021 a 1 de março de 2021", abrindo a possibilidade a visitas com intuitos comerciais.

No que diz respeito a casais separados pela fronteira, ser-lhes-á permitido reunirem-se "na medida em que possa ser fornecida prova credível de uma relação estável e duradoura". Além disso, as viagens podem fazer-se por "razões familiares imperativas".

Controlar o risco

Com mais de 20 mil mortos associados à covid-19, o país tem registado uma média de dois mil novos casos por dia. Apesar de ter dado a segunda vaga como "controlada", teme agora a disseminação das novas e mais contagiosas variantes do SARS-Cov-2.

Fervoroso adepto da ideia, o primeiro-ministro Alexander de Croo levou o assunto à cimeira europeia da última quinta-feira.

Já na semana passada, o governante desmentiu no entanto qualquer encerramento das fronteiras. Isso não significa que os trabalhadores fronteiriços não possam ir trabalhar. Isso não significa que o comércio não possa ter lugar. As viagens essenciais devem continuar a ter lugar. Mas viagens não essenciais, que podemos dispensar agora, como o turismo... Aí, claramente, já não podemos correr esse risco", consubstanciou o líder do executivo. In “Contacto” - Luxemburgo


 

Timor-Leste - Escolas junto à fronteira com a Indonésia são uma preocupação devido à pandemia

Díli – As 28 escolas dos postos administrativos de Balibó, Lolotoe e Maliana são o foco da Direção de Educação do Município de Bobonaro do Ministério da Educação, Juventude e Desporto (MEJD).

O enfoque deve-se ao facto de estes estabelecimentos de ensino ficarem situados mais perto das áreas fronteiriças, a cerca de cinco quilómetros da Indonésia.

As informações foram dadas aos jornalistas na quarta-feira (27/01) pelo Diretor da Educação do Município de Bobonaro, Alcino Barreto João, em Vila Verde.

“Neste momento, o nosso foco são estas 28 escolas. O MEJD concedeu já a todos os nossos estabelecimentos de ensino, incluindo estes, os artigos sanitários para a prevenção da covid-19, como máscaras e sabonetes”, afirmou.

Alcino Barreto recordou ainda que as atividades letivas nas escolas desta zona tinham iniciado, a 18 de janeiro, garantindo também o cumprimento dos requisitos sanitários impostos pelo Ministério da Saúde por parte de todos os estabelecimentos de ensino da zona.

“Como é sabido, o Município de Bobonaro é um dos que faz diretamente fronteira com a Indonésia, principalmente com a zona onde os casos de covid-19 estão cada vez mais presentes. Por isso, vamos manter e garantir todas as regras sanitárias nas escolas”, assegurou.

Segundo o responsável, o Município de Bobonaro dispõe de 218 estabelecimentos de ensino, desde a educação pré-escolar ao ensino secundário, e mais de 35 mil estudantes. In “Timor-Post” – Timor-Leste

 

Macau - Concurso fotográfico da associação “Somos!” quer mostrar combate à pandemia no universo lusófono

A “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa” vai lançar em Fevereiro a terceira edição do concurso de fotografia “Somos – Imagens da Lusofonia”. Este ano sob o tema “Alma lusófona em tempos de Covid-19”, o concurso quer mostrar os esforços no combate à doença no universo da lusofonia



É lançada em Fevereiro a terceira edição do concurso de fotografia “Somos – Imagens da Lusofonia”, promovido pela “Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa”. Num ano marcado pela pandemia, o tema da competição é “Alma lusófona em tempos de Covid-19”. Os interessados poderão inscrever-se no concurso entre os dias 1 e 28 de Fevereiro no site da associação: http://www.somosportugues.com.

“A pandemia de Covid-19 é um acontecimento incontornável do ano de 2020 e permanece um verdadeiro desafio à escala global, pelo que este concurso procura documentar através de imagens o combate à doença nas comunidades dos Países de Língua Portuguesa e em Macau, bem como as transformações socioculturais que originou”, justificou Marta Pereira, presidente da associação, ao Ponto Final, lembrando ainda que a pandemia, “além de obrigar a alterações de comportamentos, que fazem repensar o próprio contacto humano e certas tradições, a doença impôs igualmente mudanças de paradigma e é isso que queremos ver retratado”.

O comunicado da associação a anunciar o concurso de fotografia lembra que a pandemia “veio revelar e expor problemas nas diversas comunidades, relacionados com desigualdades sociais e fraquezas nos serviços de saúde, que contribuem para o aumento diário do número de infectados e de mortes”.

Assim, as fotografias a concurso devem espelhar o combate ao coronavírus no universo lusófono. Devem mostrar “as dificuldades enfrentadas, as perdas, as mudanças profundas trazidas pela Covid-19, designadamente em termos culturais, mas podem também exaltar actos de altruísmo, de coragem, de resistência, de fé, e de compaixão nestes tempos difíceis”.

O concurso tem como destinatários todos os cidadãos dos países e regiões da lusofonia ou residentes de Macau. As fotografias devem ser tiradas em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Goa, Damão e Diu.

As fotografias admitidas a concurso serão depois avaliadas por um júri de profissionais da fotografia e serão escolhidas três fotografias vencedoras às quais serão atribuídos prémios pecuniários no valor de dez mil patacas ao primeiro classificado, cinco mil patacas ao segundo e 3500 patacas ao terceiro. Os jurados são: Gonçalo Lobo Pinheiro; José Carlos Carvalho; Raphael Alves; Roy Choi; e Miguel A. Lopes.

Essas imagens farão ainda parte de uma exposição a ser organizada pela “Somos!”, no próximo mês de Março, em Macau. Integrarão também essa mostra outras fotografias seleccionadas pelo júri pela sua relevância ou valor para o tema do concurso fotográfico e para o propósito da associação. Além disso, uma vez que em 2020 não houve exposição devido à pandemia, a associação vai também acrescentar à mostra as fotografias vencedoras e outras do concurso do ano passado. A exposição decorrerá na Galeria de Exposições da Casa Garden, de 26 de Março a 10 de Abril, com a curadoria de António Mil-Homens. A inauguração da exposição vai contar com performances musicais e artísticas.

Segundo Marta Pereira, no ano passado o concurso recebeu centenas de candidaturas e este ano os participantes já mostraram interesse em participar. “Parece um sinal de que as pessoas ou fotógrafos começam a fica atentos”, afirmou, acrescentando: “Queremos que o concurso ‘Somos – Imagens da Lusofonia’ seja uma marca anual da nossa associação e de Macau também”. André Vinagre – Macau in “Ponto Final”

andrevinagre.pontofinal@gmail.com


Internacional - Equipa de investigadores mediu o tamanho do núcleo do hélio com um nível de precisão sem precedentes


Investigadores da Universidade de Coimbra (UC), da Universidade de Aveiro e da Universidade Nova de Lisboa integram uma equipa internacional que mediu o raio do núcleo atómico do hélio com um nível de precisão sem precedentes. Os resultados são publicados amanhã, dia 28 janeiro, na prestigiada revista científica Nature.

As experiências utilizaram muões (partículas semelhantes aos eletrões e cerca de 200 vezes mais pesadas), e foram realizadas no Paul Scherrer Institut (PSI), Suíça, o único centro de investigação do mundo capaz de produzir uma quantidade suficiente de muões para esta investigação.

A seguir ao hidrogénio, o hélio é o segundo elemento mais abundante no universo. Cerca de um quarto dos núcleos atómicos que se formaram nos primeiros minutos após o Big Bang eram núcleos de hélio. Eles são constituídos por quatro blocos de construção: dois protões e dois neutrões. Do ponto de vista da física fundamental, é crucial conhecer as propriedades do núcleo do hélio para, entre outros, entender os processos de outros núcleos atómicos que são mais pesados que o hélio.

Tal como tinha acontecido com o protão, o conhecimento prévio sobre o núcleo de hélio provém de experiências com eletrões. Esta colaboração desenvolveu um novo método para a medição, utilizando muões em vez de eletrões, que permitiu determinar o tamanho do núcleo do hélio com uma precisão cerca de cinco vezes superior à das anteriores medições. De acordo com os resultados obtidos, o designado raio de carga médio do núcleo do hélio é 1,67824 fentómetros (há mil biliões de fentómetros num metro).

O conceito em que assenta a nova metodologia é simples: num átomo “normal” são eletrões que orbitam em torno do núcleo; nesta abordagem, os eletrões são substituídos por um muão, formando um átomo exótico, no presente caso o hélio muónico. O muão é considerado o irmão do eletrão, mas cerca de 200 vezes mais pesado. Um muão está muito mais fortemente ligado ao núcleo atómico do que um eletrão e orbita em órbitas cerca de 200 vezes mais próximas do núcleo. Consequentemente, o hélio muónico permite tirar conclusões sobre a estrutura do núcleo atómico e medir suas propriedades.

Este trabalho de investigação contou com a colaboração de 40 investigadores, provenientes da Alemanha, entre os quais se destaca T. W. Hänsch, prémio Nobel da Física de 2005, Suíça, França, Taiwan e Portugal. Cinco investigadores são do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (Luís Fernandes, Fernando Amaro, Cristina Monteiro, Andreia Gouvea e Joaquim Santos, o coordenador), três são da Universidade NOVA de Lisboa (Jorge Machado, Pedro Amaro e José Paulo Santos, o coordenador) e dois são da Universidade de Aveiro (Daniel Covita e João Veloso, o coordenador).

A equipa portuguesa deu uma contribuição decisiva para o sistema de deteção dos raios-X emitidos pelos átomos muónicos, para o sistema de controlo e monitorização da experiência e para a teoria.

O mistério do raio do protão está a deslindar-se

Esta colaboração internacional já tinha medido o raio do protão em 2010 utilizando a mesma abordagem. Nessa altura, o valor medido diferia do obtido por outros métodos de medição que utilizavam eletrões. Falou-se de um mistério do raio do protão, e alguns especularam que uma nova física poderia estar por trás disso na forma de uma interação até então desconhecida entre o muão e o protão, diferente da interação entre o eletrão e o protão.

Desta vez, não há contradição entre o novo valor mais preciso e as medições efetuadas com os outros métodos. Tal torna improvável a explicação dos resultados recorrendo a “nova física” que vai além do modelo padrão. Além do mais, os valores obtidos nas recentes medições do raio do protão com eletrões aproximam-se do valor medido por esta colaboração com muões, em 2010. De certa forma, o enigma do mistério do raio do protão ainda existe, mas está lentamente a deslindar-se.

Várias aplicações

A medição deste trabalho pode ser utilizada em vários contextos. Os nucleões (constituinte dos núcleos) atómicos são mantidos juntos pela designada interação forte, uma das quatro forças fundamentais da física. Recorrendo à teoria que descreve a interação forte, conhecida como cromodinâmica quântica, os físicos podem prever o raio do núcleo do hélio e de outros núcleos atómicos leves com alguns protões e neutrões. O valor agora medido, com elevada precisão, do raio do núcleo de hélio coloca as previsões teóricas à prova e possibilita o teste de novos modelos teóricos da estrutura nuclear.

As medições do hélio muónico também podem ser comparadas com as que são obtidas em experiências em que são utilizados átomos e iões “normais”. Ao comparar os resultados obtidos com as duas abordagens, pode-se tirar conclusões sobre constantes naturais fundamentais, como a constante de Rydberg, a constante da Física que foi determinada com maior precisão, que está fortemente interligada com o tamanho do protão e que desempenha um papel importante na mecânica quântica.

Uma colaboração com uma longa tradição

Esta medição é o resultado de 20 anos de colaboração comprovada entre institutos de renome internacional, incluindo PSI, ETH Zurich, o Instituto Max Planck de Ótica Quântica em Garching, o Institut für Strahlwerkzeuge da Universidade de Stuttgart e o PRISMA + Cluster de Excelência na Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, bem como o Laboratório Kastler-Brossel em Paris, e as Universidades de Coimbra, de Aveiro e Nova de Lisboa, em Portugal, e a Universidade Nacional Tsing Hua, em Taiwan.

O trabalho foi financiado pelo European Research Council, pela Swiss National Science Foundation, German Research Foundation e Fundação para a Ciência e a Tecnologia, entre outros.

A versão online do artigo “The alpha particle charge radius from laser spectroscopy of the muonic helium-4 ion”, pode ser consultada aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


 

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

São Tomé e Príncipe – Organização Mundial de Saúde doa materiais e consumíveis para combater a pandemia


São Tomé – A Representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em São Tomé e Príncipe, Anne Ancia, entregou ao Ministro são-tomense da Saúde, um lote de materiais e consumíveis de laboratório destinados as ações de combate a Covid-19 no arquipélago.

De acordo com a Representante da OMS, Anne Ancia, da lista dos materiais contam, sobretudo, reagentes destinados ao diagnóstico do novo coronavírus para o laboratório nacional de referência.

Tendo declarado que “ao todo são 2304 kits de extração e 10 000 kits de amplificação para realização de testes de Covid-19, a responsável da OMS sublinhou ainda que esses reagentes foram comprados pela OMS através de fundos mobilizados ao Banco Africano de Desenvolvimento no valor de 180.521,96 Euros equivalente a 4.422.791,53 Dobras.

A OMS com apoio financeiro do Banco Africano de Desenvolvimento vem trabalhando em coordenação para apoiar o governo através do ministério da Saúde a fazer face a esta pandemia, fornecendo apoios técnicos e logísticos com base nas necessidades do país, disse Anne Ancia.

Esta é a segunda assistência directa do BAD ao ministério da Saúde. Em Agosto do ano transato o BAD tinha oferecido através da OMS uma ambulância e outros equipamentos para assegurar o transporte de doentes de Covid-19.

Na sua intervenção, o ministro da Saúde, Edgar Neves agradeceu a iniciativa e precisou que que este novo apoio em reagentes deverá suprir as necessidades do país para testes laboratoriais para os próximos quatro meses. Ricardo Neto – São Tomé e Príncipe in “STP-Press”