Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 28 de dezembro de 2019

Espanha - Vai ser implantado projeto das Escolas Bilingues de Fronteira

O projeto será implantado em escolas de localidades na fronteira com Portugal, que passarão a ministrar o ensino do português como língua curricular. E “o papel desempenhado pelo Camões, I.P. em território espanhol foi, sem dúvida, determinante”, destaca Filipa Soares, coordenadora do Ensino de Português em Espanha e Andorra



O projeto das Escolas Bilingues de Fronteira, lançado pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), vai promover o bilinguismo e a interculturalidade nas escolas das cidades de fronteira de Espanha e Portugal, bem como do Brasil com os países de língua espanhola com os quais faz fronteira.

Durante a Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola, que decorreu a 21 e 22 de novembro, em Lisboa, o secretário-geral da OEI, Mariano Jabonero, afirmou que o projeto arrancará no próximo ano letivo (2020-2021) em 10 escolas do ensino básico espanholas. São estabelecimentos de ensino implantados em localidades na fronteira com Portugal e que passarão a ter o ensino do português como língua curricular.

À margem da Conferência, o presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.) disse ao ‘Mundo Português’ que o Instituto é responsável pelo ensino do português do outro lado da fronteira e que este é um projeto a ter “lugar em todas as zonas de fronteira”. “É um projeto muito importante, é um dos caminhos para se sedimentar este encontro de culturas: criar um espaço de conhecimento mútuo de uma e de outra língua”, frisou Luís Faro Ramos, revelando que está a ser dinamizado com as ‘Consejería de Educación’ de várias regiões espanholas através “de um contato regular e muito estreito” com a Coordenação de Ensino de Português em Espanha.

“Trata-se de um projeto da OEI, com o envolvimento do Ministério de Educação português e das autoridades educativas espanholas nacionais e autonómicas, mas onde o papel desempenhado pelo Camões, I.P. em território espanhol foi, sem dúvida, determinante”, destaca Filipa Soares, coordenadora do Ensino de Português em Espanha e Andorra.

“É, sem dúvida, um projeto aliciante que pretende fomentar a interculturalidade e a convivência entre regiões geograficamente próximas”, acrescenta.



Património linguístico de 270 milhões de falantes

O projeto das Escolas Bilingues de Fronteira teve o seu lançamento na 30ª Cimeira Luso-Espanhola, realizada em Valhadolid em novembro de 2018. No documento final lê-se que Espanha e Portugal comprometeram-se, em matéria de educação, “a apoiar experiências educativas bilingues em zonas transfronteiriças com a participação dos sistemas educativos de ambos os países e a participação das comunidades educativas regionais e locais, as escolas, os professores e as famílias, para promover a educação bilingue, partilhar práticas, fomentar o conhecimento e o reconhecimento mútuo, estreitar laços de convivência e valorar a diversidade cultural incluindo com o apoio e a cooperação das instituições educativas multiculturais ibero-americanas e a OEI”.

Do lado português, a dinamização deste novo projeto cabe ao Camões, I.P., que assumiu em 2010 a rede de Ensino de Português no Estrangeiro (EPE). Filipa Soares refere que o Instituto criou “um novo paradigma de ensino da língua portuguesa que, sem descurar o ensino do português como língua de herança e língua materna, catapultou o interesse pela aprendizagem do português junto da comunidade hispanofalante, outorgando-lhe um novo estatuto e despojando-o do estatuto periférico, quase guetizado, a que estava circunscrito”.

Uma nova forma de ação que “favoreceu a tomada de consciência, por parte da comunidade espanhola, do valor da língua portuguesa como língua pluricontinental e pluricêntrica, património linguístico de 270 milhões de falantes, capaz de abrir um mundo de oportunidades infinitas a nível laboral, científico e de comunicação num mundo global, contribuindo para o crescimento exponencial do ensino da língua portuguesa em Espanha”, elogia.

As Escolas Bilingues de Fronteira são um exemplo da afirmação do projeto iniciado em 2010 pelo Camões, I.P., mas a sua aplicação no terreno vai materializar-se por conta dos memorandos de entendimento que o Instituto português assinou com as diferentes regiões autónomas espanholas, “designadamente com a Andaluzia, Galiza, Castela e Leão e Extremadura”, recorda a coordenadora do EPE em Espanha.

Antes desses houve o Memorando de Entendimento assinado entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Ministério da Educação e Ciência da República Portuguesa e o Ministério da Educação, Cultura e Desporto do Reino de Espanha, no âmbito do ensino não superior e da língua, assinado em 2012, no Porto, durante a 45ª Cimeira Luso-espanhola, quando foi estabelecido “um Plano de Atuação para a promoção das línguas portuguesa e espanhola nos sistemas educativos de ambos países, favorecendo o intercâmbio de informação em matéria educativa, nomeadamente no quadro da formação profissional e da avaliação do sistema educativo”, recorda Filipa Soares.

Fomentar o bilinguismo desde os primeiros anos

Do que consta, exatamente, o projeto das Escolas Bilingues de Fronteira? A responsável pelo EPE em Espanha diz que visa fomentar o bilinguismo e promover a interculturalidade entre o português e o espanhol, “a partir dos primeiros anos de escolaridade obrigatória”. “Penso que a grande novidade do projeto é a interação a nível curricular que se vai estabelecer entre centros educativos a ambos lados da fronteira”, sublinha.

Soares diz ser importante destacar a participação “de várias instituições, organismos, agentes externos e internos”, entre os quais o Camões, I.P, a OEI, os diferentes ministérios e áreas educativas autonómicas, “todos eles a trabalhar em conjunto para a afirmação e projeção da língua portuguesa no contexto educativo espanhol e português”.

Numa altura em que estão a decorrer contactos ministeriais entre Portugal e Espanha e os diferentes atores envolvidos neste projeto, avança que ainda estão por definir os níveis de ensino e o número de alunos que irão participar. “É preciso saber se os centros educativos que integrarão o projeto são os mesmos que configuram a atual rede de ensino de português em Espanha ou se serão incorporadas novas escolas”, explica.

Para já, pode-se afirmar que as Escolas Bilingues de Fronteira vão acrescentar valor ao panorama do ensino da língua portuguesa em Espanha. “Penso que o projeto das escolas bilingues vai reforçar a presença de ambas as línguas nos respetivos sistemas educativos, impulsando a sua afirmação no mundo como línguas de comunicação internacional, com valor económico, científico e cultural, capazes de abrir um leque de oportunidades laborais num mundo global”, defende Filipa Soares.



A integração curricular da língua portuguesa, no âmbito desse projeto, deverá ultrapassar a componente de bilinguismo, abrangendo atividades culturais e outras iniciativas, até porque, como assinala Filipa Soares, a aprendizagem de uma língua comporta sempre a organização de outras atividades. “Fomentar o bilinguismo e a interculturalidade passa obrigatoriamente por conhecer a cultura do outro”, afirma.

Quanto os docentes que venham a integrar este projeto, a responsável pelo EPE em Espanha e Andorra assegura que a formação ministrada aos professores, “não tendo sido desenhada especificamente a pensar neste projeto”, dará resposta “às necessidades formativas do mesmo”, já que abranger áreas direcionadas à didática das línguas e das literaturas, avaliação, escrita criativa em contexto escolar, comunicação em sala de aula ou tecnologias móveis em contexto educativo entre outras.

“Uma das prioridades do Camões, I.P. é o de fomentar um ensino de qualidade, de excelência, através do desenvolvimento de um plano de formação contínua de professores em parceria com os agentes educativos locais”, destaca, referindo que desde 2010 a CEPE Espanha Andorra tem desenvolvido uma ação formativa permanente, “que tem vindo em crescendo e que visa dar resposta às necessidades formativas dos professores, quer da rede EPE, quer da rede de ensino dos professores de português espanhóis”.

Para o sucesso da implementação e desenvolvimento das Escolas Bilingues de Fronteira será também determinante o empenho de pais e encarregados de educação. Filipa Soares considera “elementar” a colaboração de todos e “prioritário” que todos compreendam “que fomentar a aprendizagem das línguas portuguesa e espanhola é outorgar ao jovem estudante as ferramentas necessárias para competir num mundo global, onde o espaço iberoameriano será um ator primordial”.

Mais de 32 mil alunos no ensino integrado

Em Espanha, o português pode ser estudado como língua estrangeira em todos os níveis de ensino e tem apresentado “um crescimento exponencial nas Comunidades Autónomas com as quais o Camões, IP assinou os memorandos de entendimento “para a implementação, divulgação e promoção da língua e da cultura portuguesa no sistema educativo não universitário”, indica Filipa Soares.

A responsável recorda que em 2010 havia 9660 alunos de língua portuguesa naquele país, dos quais 50 alunos pertenciam à rede autonómica andaluza de ensino e 9610 à rede de ensino assegurada pelo Estado português. “No processo de transição, com a implementação da rede EPE e a assinatura dos memorandos de entendimento, houve um crescimento significativo do ensino do português no sistema educativo espanhol”, sublinha.

No atual ano letivo (2019/2020), frequentam o ensino do português no básico e no secundário, em regime de ensino integrado, 32 207 alunos, dos quais 26 451 pertencem à rede de ensino autonómico espanhola.

Através da Coordenação de Ensino, o Camões, I.P. ainda apoia e financia a organização de um conjunto de atividades “que promovem o conhecimento da cultura portuguesa e da diáspora da língua portuguesa”, através da literatura, do teatro ou de outras expressões artísticas, de que são exemplo os ‘Encontros com a literatura’, o ‘Vamos ao teatro em português’ e o ‘Portugal no meu Pensamento’.

Filipa Soares destaca ainda a aposta do Instituto Camões na creditação e certificação das aprendizagens, quer através dos exames do Camões Júnior, quer através dos exames de certificação EPE, que reconhecem as aprendizagens dos alunos e valorizam o currículo académico dos estudantes. Ana Pinto – Portugal in “Mundo Português”

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Cabo Verde – Recordar B. Leza, o rei da morna

Autodidacta, autor de uma infinidade de mornas e marchas de carnaval e hinos de clubes, B. Leza é considerado um inovador da morna, ao introduzir o chamado “meio-tom” brasileiro



B. Leza, Francisco Xavier da Cruz, nasceu na ilha de São Vicente em 03 de Dezembro de 1905 e morreu a 14 de Junho de 1958. Os últimos anos da sua vida foram de grande sofrimento físico e espiritual, facto este que está patente nas suas últimas criações, de que “Lua nha testemunha” é claro exemplo.

Além de Cabo Verde, também viveu alguns anos em Portugal, onde se casou, depois de participar na Exposição do Mundo Português (Lisboa), em 1940, como integrante de um grupo de músicos. Foi aqui que escreveu, por exemplo, “Ondas sagradas di Tejo”.

Em Cabo Verde, além de São Vicente, viveu e trabalhou na ilha do Fogo, onde foi chefe da Estação Postal dos Serviços dos Correios, Telefones e Telégrafos (CTT) – a sua morna “Partida” foi, precisamente, escrita nessa ilha e pode ser vista como uma “variação” a um tema caro a Eugénio Tavares, “Hora di bai”, de quem era admirador.

Autodidacta, autor de uma infinidade de mornas e marchas de carnaval e hinos de clubes, B. Leza é considerado um inovador da morna, ao introduzir o chamado “meio-tom” brasileiro.

Enquanto filho de São Vicente, também absorveu a influência do tango através dos navios que escalavam o outrora movimentado porto da ilha.

Bana, com o inestimável suporte do Voz de Cabo Verde, torna-se a partir dos anos sessenta no principal divulgador deste compositor. Aliás, reza a história, que, ainda garoto, Bana começou a cantar com B. Leza, gravando na memória várias das composições do seu mentor.

Eclipse, Miss Perfumado, Resposta de Segredo Cu Mar, Lua Nha Testemunha, Pensamento, Morgadinha, Luísa, entre várias outras, são algumas das mornas de B. Leza mais cantadas e ouvidas pelos cabo-verdianos ainda hoje.

Reza a lenda que “Lua Nha Testemunha” foi composta no leito do hospital, dias antes da sua morte a 14 de Junho de 1958, daí o seu tom de “testamento”. São várias as mornas dedicadas à mulher, Luísa, sendo as mornas “Luísa” e “Trás de horizonte” dois exemplos emblemáticos.

Também diz a lenda (ou a verdade) que “Eclipse” surgiu de um desafio que lhe foi lançado por Baltasar Lopes da Silva, de quem era amigo.

O desafio passava por ver como é que um compositor popular haveria de reagir a um tema como “Eclipse” e que dias depois do combinado os dois amigos se encontraram para ver o resultado da respectiva criação. B. Leza mostrou ao autor de Chiquinho a sua criação; depois de a ler, Baltasar pegou no seu poema e rasgou-o.

Além de mornas, publicadas em livro, Francisco Xavier da Cruz também publicou uma brochura, “Razão da Amizade Caboverdiana pela Inglaterra” (Rio de Janeiro, 1950), sobre a presença dos ingleses em São Vicente, onde procura explicar a influência britânica nos mais vários níveis da sociedade mindelense e não só.

A revista Claridade, no seu número 2, em 1936, publicou o poema Vénus, de Xavier da Cruz. Segundo o autor de “Chiquinho”, B. Léza era “um polo de atracção de toda a gente que se interessava pela música popular cabo-verdiana, e com um prestígio enorme”, uma espécie de ídolo do Mindelo, cidade-ilha que tanto amava, tendo “derramado” esse amor em várias das suas composições. “Alô, Sanvicente” e “Noute di Mindelo” são dois exemplos disso. In “A Nação” – Cabo Verde

Portugal - Exposição “Um Rei e Três Imperadores. Portugal, a China e Macau no tempo de D. João V”

Está a decorrer na galeria do Museu de São Roque, em Lisboa, a exposição “Um Rei e Três Imperadores. Portugal, a China e Macau no tempo de D. João V”, que relembra, entre outras efemérides, o aniversário da transferência de administração de Macau. Jorge Alves, curador, fala ao HM da mostra que revela uma visão global das relações entre China e Portugal, sem esquecer o papel de Macau como importante entreposto comercial



Até ao dia 5 de Abril do próximo ano poderá ser visitada no Museu de São Roque, da Santa Casa da Misericórdia (SCM), em Lisboa, a exposição intitulada “Um Rei e Três Imperadores. Portugal, a China e Macau no tempo de D. João V”, com cerca de meia centena de obras que espelham “as relações luso-chinesas na sua dimensão global, centrando-se na primeira metade do século XVIII – um dos períodos mais intensos e relevantes do relacionamento entre Portugal e a Europa, e a China”. Além de celebrar os 20 anos da transferência de transição de Macau para a China, a mostra marca também o 40º aniversário das relações diplomáticas entre Portugal e a China e os 450 anos de existência da SCM de Macau.

O Hoje Macau falou com o seu curador, Jorge Santos Alves, que nos falou do carácter exclusivo de algumas peças, “uma boa parte delas nunca antes expostas ou pouco vistas em Portugal”. Estas pretendem mostrar “as quatro principais dimensões do relacionamento entre Portugal e a China”.

A mostra contém uma “parte temática”, que mostra ao público o trabalho das embaixadas e o relacionamento político e diplomático que se estabelecia com o império chinês.

“Havia uma dimensão económica e comercial muito importante na época, baseada na importação de mercadorias chinesas pela Europa e Portugal, incluindo um importante produto que é o chá. Temos na exposição moedas de prata que eram trocadas pelo chá nos mercados, objectos que entram no nosso quotidiano, como os bules.”

Jorge Santos Alves destaca ainda o facto de os objectos mostrarem que estas trocas comerciais se faziam não apenas entre Macau e Cantão, mas também através de Lisboa, “com viagens organizadas em Portugal”.

Religião e diplomacia

A mostra no Museu de São Roque conta também o importante papel que os jesuítas tiveram na China da época e que protagonizaram enormes avanços culturais, científicos e tecnológicos através do armamento, instrumentos musicais ou matemática, entre outros elementos. Há ainda uma parte dedicada aos ritos cristãos, no sentido de perceber se os chineses os podiam ou não seguir. “Este é um debate que perturba um pouco as relações entre China e Portugal”, esclarece Jorge Santos Alves.

A exposição fecha com um núcleo inteiramente dedicado à Macau da primeira metade do século XVIII, quando se vivem “grandes desafios”, graças “ao ajustamento a novos parâmetros políticos que vêm de Portugal, com a nomeação de governadores e a entrada em cena de companhias de comércio da Europa e dos EUA”.

Nesta época, “a comunidade macaense foi absolutamente relevante na sobrevivência da cidade, a nível da diplomacia e tradução”, o que permitiu manter “este relacionamento de Macau com a China e entre Portugal e a China”. “Foi no século XVIII e diria que até aos dias de hoje”, defendeu Jorge Santos Alves.

A exposição do Museu de São Roque é também composta por vários retratos. Um deles foi cedido pela SCMM e é de Francisco Xavier Roquette, português metropolitano que foi viver para Macau e que deixou o maior testamento à SCMM. “Este quadro é também uma homenagem a Macau, portugueses e luso-asiáticos que garantiram ao longo do tempo a sobrevivência de Macau”, disse o curador.

Contudo, a obra que Jorge Santos Alves destaca é “um quadro feito por um jesuíta francês de uma concubina e que é um exemplo perfeito, quer pelo valor e beleza do quadro, quer pelo significado do diálogo cultural entre Europa e China no século XVIII”. Andreia Sofia – Macau in “Hoje Macau”

andreia.silva@hojemacau.com.mo

Moçambique - Recupera status de país livre da poliomielite



Moçambique, Quénia e Níger não registaram surtos de poliomielite nos últimos dois anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS.

Em nota emitida na passada segunda-feira, em Brazzaville, a agência revelou que a situação permitiu que estes países recuperassem o status de livres da doença.

Resposta

De acordo com a OMS, nestas nações, 14 crianças foram infectadas pelo vírus da pólio derivado da vacina em todo o ano de 2018 e início de 2019.

Para a coordenadora de Ações de Resposta Rápida da OMS à Poliomielite em África, Modjirom Ndoutabe, o fim de surtos nestes países prova que ações como resposta, imunização de alta qualidade e vigilância podem travar surtos na região.

A representante defende que esta conquista é um incentivo forte e defende que o seu grupo está determinado a eliminar todos os tipos de poliomielite no continente. Para Ndoutabe, o compromisso dos governos, da OMS e dos seus parceiros é garantir que as gerações futuras vivam livres deste vírus.

Os casos do pólio vírus derivados da vacina são raros, mas afetam populações não imunizadas ou com baixa vacinação que vivem em áreas com pouco saneamento e baixos níveis de imunização contra a doença.

Imunidade

Quando as crianças recebem a vacina oral contra a poliomielite, o vírus se reproduz no intestino por algum tempo para aumentar a imunidade. Depois, este agente é excretado das fezes para o meio ambiente e pode sofrer mutação.

Estas novas estirpes podem ser transmitidas às populações em situação de fragilidade levando ao surgimento de pólio vírus derivados da onde a imunização contra a poliomielite é baixa e o saneamento é inadequado.

Desde 2016 não houve transmissão de pólio vírus selvagem na África. Dez anos antes, essa estirpe paralisou mais de 75 mil crianças em todo o continente. A OMS destaca, no entanto, que alguns países enfrentam surtos de pólio vírus derivado de vacina.

Transmissão

Para que a agência declare um país livre da poliomielite, técnicos nacionais e regionais devem confirmar que não houve transmissão da poliomielite. Durante nove meses, as amostras são recolhidas em crianças paralisadas, pessoas que tiveram contato com elas ou ainda no meio ambiente.

A OMS atua na Iniciativa Global de Erradicação da Pólio com parceiros como o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, a Rotary Interacional, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA a Fundação Bill e Melinda Gates.

As medidas dos governos dos países afetados recebem apoio para o fim da transmissão do vírus da pólio.






Angola

Entre os Estados africanos onde há surtos de pólio vírus derivados de vacina estão Angola, Benim, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Etiópia, Gana, Nigéria, Togo e Zâmbia.

A OMS destaca que os fatores de risco para estes surtos incluem a fraca cobertura vacinal de rotina, a recusa de receber a vacina, o difícil acesso e a baixa qualidade de campanhas de vacinação que impedem o acesso a todas as crianças.

Aos países que estão nesta situação, a agência apela que garantam uma maior imunização de rotina, ao mesmo tempo em que responde aos surtos seguindo regras internacionais. A outra medida é melhorar a vigilância para detectar os casos de pólio de uma forma rápida. ONU News – Nações Unidas

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Tailândia - Jornalista condenada a prisão por injúrias em comentário sobre exploração de imigrantes

Banguecoque - Um tribunal tailandês condenou uma jornalista a dois anos de prisão por injúrias, devido a um comentário na rede social Twitter sobre uma queixa sobre exploração de trabalhadores imigrantes num aviário.

Suchanee Cloitre, que então trabalhava no canal de TV Vocie, foi denunciada pela Thammakaset Co por comentar uma queixa de maus-tratos interposta por 14 imigrantes birmaneses em agosto de 2016 contra a empresa.

O tribunal de Lopburi, no centro do país, determinou a sentença de prisão à jornalista, libertada após pagar uma fiança de 75 mil baht (2240 euros), avançou hoje a agência de notícias Efe, que cita o advogado, Waraporn Uthairangsri.

"Suchanee ficou muito surpresa. O tribunal não deveria condená-la com uma pena tão grave. Mas agora ela está mais calma e a preparar o apelo", disse.

Grupos de direitos humanos denunciam o uso deste tipo de ações judiciais como uma forma de intimidação e assédio a ativistas. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

Nas pegadas do rei do cangaço

                                                            I
Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros (1941) é hoje, com certeza, a pesquisadora que mais conhece a história do Nordeste, em razão de seus estudos sobre catolicismo popular, com trabalhos sobre o padre Cícero Romão Batista (1844-1934), Antônio Conselheiro (1830-1897) e a Guerra dos Canudos (1896-1897), entre outros ensaios sobre questões da globalização e do pensamento social brasileiro. Mas o mais importante de seus trabalhos, sem dúvida, é este: A Derradeira Gesta: Lampião e os Nazarenos Guerreando no Sertão (Rio de Janeiro, Editora Mauad X, 2018), resultado de mais de 40 anos de pesquisa e análise teórica sobre a violência social no Nordeste, sua tese de doutoramento defendida em 1997 e publicada em 2000, com segunda edição em 2007, que agora alcança uma terceira edição revista e aumentada.

Ao desenvolver esta pesquisa, Luitgarde, nascida em Santana de Ipanema, no sertão de Alagoas, além da própria história familiar, percorreu os sertões e capitais de sete Estados nordestinos – Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe – para ouvir remanescentes e descendentes daqueles que protagonizaram esta saga sertaneja dos anos 20 e 30 do século passado, ou seja, o violento confronto entre os Ferreiras (Lampião e familiares) e os Nazarenos, gente da então vila de Nazaré,  município de Floresta, em Pernambuco.

Os nazarenos eram membros de uma comunidade de homens desarmados, na maioria agricultores, que tiveram de deixar de lado o pacifismo para virar guerreiros, tornando-se os maiores perseguidores dos cangaceiros, o bando armado de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião (1898-1938), que passou para a História como o rei do cangaço. Na defesa de Nazaré, ameaçada de destruição pelos cangaceiros, morreriam 16 nazarenos. Atacados pelo bando de Lampião, os nazarenos, como diz a autora, transformaram a sobrevivência de um vilarejo, “bem como a preservação de suas famílias e de seu modo de vida, numa questão de honra”, enfrentando os cangaceiros, às vezes ao lado dos volantes, grupos de voluntários civis geralmente comandados por um policial de carreira, às vezes contando apenas com as próprias forças.

                                                 II
Ao contrário de historiadores mais antigos e cantadores da literatura de cordel, os cordelistas, que glamourizaram a saga de Lampião, morto numa emboscada em Angicos, no dia 27 de julho de 1938, transformando-o num “herói do sertão na luta contra a injustiça”, Luitgarde, com sua vasta experiência de antropóloga, soube dar uma visão mais cética e realista de uma guerra sertaneja que nada teve de reformista, expondo a ligação do cangaceiro-chefe não só com a polícia, por meio de um esquema que lhe permitia receber armas e munições, como com grandes fazendeiros que tinham interesse em manter uma estrutura feudal e patrimonialista que vinha dos séculos XVII e XVIII e que persiste até hoje, em que algumas poucas famílias assumem o Estado como extensão de suas próprias casas, tal como define o sociólogo alemão Max Weber (1864-1920). Ao mesmo tempo, explica como esse estado de coisas é até hoje responsável pelo deslocamento de populações nordestinas para o Sudeste e Sul, fugindo da miséria e em busca de oportunidades de ascensão social.

Ou como diz a própria autora: “Nas grotas ensanguentadas das caatingas, a covardia de poderosos impunes plantou a semente da violência mascarada, modernizada, sem honra e sem coragem, fazendo nascer, em oposição ao estardalhaço aterrorizante do cangaço, o mais desumano, subterrâneo e desestruturador sistema de crimes empresariados no silêncio dos conchavos políticos e econômicos – o mundo pistoleiro”.

Na introdução que escreveu para esta terceira edição, a pesquisadora lembra que “a singularidade de Lampião foi seu envolvimento num processo de degradação do campo legal, ao se associar a juízes, comandantes de volantes, fuzis, punhais, governador, enfim a membros corruptos das camadas mais ricas do Nordeste, frequentando mansões de industriais e grandes, proprietários, alardeando, entre “os pequenos”, seu cargo de governador do Sertão”.
 
É de se ressaltar que na frase acima os “fuzis” caracterizam a violência legal utilizada pelo Estado no controle da população, enquanto os “punhais” representam a arma mais ao alcance das baixas camadas sociais do mundo rural. Segundo a professora, diferentemente de outros bandoleiros que agiam sob o comando dos patrões para praticar a rapinagem em vilas e pequenas comunidades, ou à margem de conluios protetores, Lampião viveu vinte e dois anos assombrando o sertão e enriquecendo ainda mais os muito ricos e poderosos.

Para a autora, os cangaceiros não estavam preocupados com a “situação de miséria das massas”, mas com uma forma de, individualmente, poderem ter acesso aos bens de que dispunham os ricos. “Daí a indiferença com que dilapidavam as economias dos sertanejos, agudizando a situação de miséria das populações mais pobres”, acrescenta.

                                                           III
O que também surpreende neste surpreendente ensaio é o número de pessoas entrevistadas pela autora que confirmam a promiscuidade que havia entre ricos proprietários de terras e governantes e seus auxiliares diretos com o grupo de Lampião. Por isso mesmo, esses auxiliares dos donos do poder recebiam o nome popular de coiteiros, que, nas palavras de Raimundo Ferreira de Carvalho, irmão de Eronildes  Ferreira de Carvalho (1895-1969), médico-cirurgião que foi presidente do Estado de Sergipe de 1935 a 1937 e interventor de 1937 a 1941, “eram aqueles que davam guarida, que davam agasalho, que não diziam para onde (os cangaceiros) partiram, onde (Lampião) chegou, onde está e assim por diante”. À guisa de explicação, acrescente-se aqui que foi só a partir de 1947 que a denominação de presidente de Estado passou a ser a de governador de Estado.

É de se destacar que Raimundo, que foi secretário particular do presidente do Estado durante seis anos e meio, garantiu ainda na entrevista que seu pai, que “chegou a possuir umas quarenta fazendas” em Sergipe, “comandava na época o coronelato do sertão e todo mundo (o) respeitava com muito rigor (risos)”. Segundo ele, à época do mandato de seu irmão, nunca o governo federal pediu qualquer ação contra os cangaceiros, o que só se teria dado ao tempo do general Augusto Maynard (1886-1957), que foi presidente do Estado de 1930 a 1935 e de 1942 a 1945. Em contrapartida, houve também integrantes da classe dominante de outros Estados nordestinos, que se distinguiram como inimigos de Lampião, como João Suassuna (1886-1930), presidente da Paraíba de 1924 a 1928.

Por fim, não há como deixar de registrar que as pesquisas da professora Luitgarde comprovam também que o governo federal, ao tempo do presidente Arthur Bernardes (1875-1955), lançou o grupo de Lampião contra a Coluna Prestes, comandada pelo militar Luiz Carlos Prestes (1898-1990), participante do movimento tenentista de 1922 e que seria secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro de 1943 a 1980.

                                                IV      
Por aqui já se vê que Luitgarde conseguiu fazer uma radiografia do esquema de poder que funcionou (e, de certo modo, funciona) no Brasil desde os tempos coloniais, obviamente com as adaptações necessárias para manter os privilégios das classes dominantes. Depois de demonstrar o fracasso do Exército no combate aos cangaceiros na caatinga, a antropóloga mostra como a segurança da população do sertão nunca constituiu prioridade dos governos locais. E revela como, a partir de 1930, as forças privadas dos senhores do sertão, que não só fustigaram os cangaceiros como a Coluna Prestes, são substituídas pelas forças estaduais, dentro de uma nova ordem travestida de modernização, de fortalecimento do Estado em substituição ao poder privado.

Para a autora, na verdade, esse foi o início do mascaramento da privatização do Estado. Em outras palavras: “(...) um novo grupo assumia a direção do Estado com um discurso modernizador, falando em nome dele e da cidadania, universalizando como públicos os interesses de um setor da população, a burguesia agrária do Sudeste, que iria diversificar seus investimentos na industrialização e no capital financeiro”.

De fato, como observa a autora, era a mesma burguesia que patrocinara o estado de sítio de Epitácio Pessoa (1865-1942), presidente do Brasil de 1919 a 1922, e Arthur Bernardes, presidente do Brasil de 1922 a 1926, e a “ditadura policial” de Washington Luís (1869-1957), presidente do Brasil de 1926 a 1930. “Mudavam apenas os indivíduos. Mas nem todos. Getúlio Vargas (1882-1954), por exemplo, fora autoridade nos governos de Epitácio Pessoa e Washington Luís”.

      V



Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros é professora aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pesquisadora há 52 anos, é doutora e mestra em Ciências Sociais na área de Antropologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com pós-doutoramento também em Antropologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pós-doutorado em Ciências da Literatura pela UFRJ. Fez os primeiros estudos em Maceió, até o curso científico. No Rio de Janeiro, em 1968, bacharelou-se e licenciou-se em Ciências Sociais pela UFRJ e, em 1966, em Fisioterapia.

É autora também de Pelos Sertões do Nordeste (Eduneal, 2015), Nelson Werneck Sodré, um Perfil Intelectual (Edufal, 2011), Arthur Ramos e as Dinâmicas do seu Tempo (Edufal, 2005), Octávio Brandão: Centenário de um Militante na Memória do Rio de Janeiro (UERJ, 1996) e A Terra da Mãe de Deus – um estudo do movimento religioso de Juazeiro do Norte (Francisco Alves, 1988). Adelto Gonçalves - Brasil


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A Derradeira Gesta: Lampião e Nazarenos Guerreando no Sertão, de Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros. Rio de Janeiro: Editora Mauad X,  terceira edição – revista e ampliada, 280 páginas, R$ 62,30, 2018. Site: www.mauad.com.br
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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela USP e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

Nações Unidas - Conferência sobre Oceanos em Lisboa 2020 abre “super ano” de temas ambientais

A ONU Meio Ambiente espera que os países adotem ação climática com base científica e façam compromissos voluntários, a agência alerta sobre perda de espécies, em taxas mil vezes maior, do que em qualquer momento da história



O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, ONU Meio Ambiente, considera a Conferência da ONU sobre Oceanos de Lisboa um dos eventos-chave marcados para 2020.

A agência vê os próximos 365 dias como o “super ano” para o meio ambiente, porque os maiores encontros internacionais “definirão o tom e a agenda da ação ambiental na próxima década”.



Ação

O evento, marcado para 2 junho, na capital de Portugal, reúne representantes de governos, ONG, sociedade civil, academia, comunidade científica, setor privado e filantropia.

A Conferência sobre Oceanos, coorganizada por Portugal e Quénia, deve adotar uma declaração intergovernamental sobre a ação climática com base na ciência e vários compromissos voluntários dos países. A meta é apoiar a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 14, sobre a Vida na Água.

Esta será a segunda reunião global após o evento de Nova Iorque em 2017.

Conservação

Ainda em 2020, durante 11 e 19 junho, a França abrigará o Congresso Mundial da União Internacional para Conservação da Natureza em Marselha.

Já a Semana Mundial da Água destacará ciência e inovação, de 22 a 28 de agosto em Estocolmo, na Suécia.

A ênfase global na ação em prol da natureza também marcará o primeiro dia dos Debates de Alto Nível da 75ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, juntando líderes globais numa cúpula sobre a biodiversidade. Em 27 de setembro, a ONU celebra os cinco anos do lançamento dos ODS.



Alarme

E os eventos seguirão em outubro na cidade chinesa de Kunming, que recebe entre 5 e 10 de outubro a Conferência da ONU sobre Biodiversidade.

A comunidade internacional voltará a encontrar-se entre 9 e 20 de novembro na cidade escocesa de Glasgow na Conferência da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP26.

A ONU Meio Ambiente lembra que uma das marcas de 2019 foram os apelos repetidos de cientistas sobre a degradação da biodiversidade e a emergência climática.

Extinção

A agência da ONU destaca que grande parte dos governos reconhece que o mundo enfrenta uma crise ambiental sem precedentes, com muitas espécies à beira da extinção e o aumento das temperaturas globais.

Mesmo com soluções naturais em prol do bem-estar humano, para enfrentar mudanças climáticas e proteger o planeta, a agência alerta para a contínua perda de espécies a uma taxa mil vezes maior do que em qualquer outro momento da história.

O ONU Meio Ambiente destaca a dependência humana pela estabilidade e funcionamento de ecossistemas para sobreviver, além de ações urgentes para que o mundo siga em direção de um futuro mais sustentável em 2020. ONU News – Nações Unidas