Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Brasil - Apoia combate ao trabalho infantil em Moçambique

A experiência brasileira no combate ao trabalho infantil e na inspeção do trabalho foi tema de um seminário de capacitação para especialistas de Moçambique, no mês passado. Promovido pelo projeto “Algodão com Trabalho Digno”, contou com a participação virtual de inspetores do trabalho brasileiros e de 27 profissionais moçambicanos reunidos em Bilene, na província de Gaza. Estratégias de inspeção do trabalho rural e o combate ao trabalho infantil na cadeia produtiva do algodão foram os temas centrais do encontro.

O evento foi organizado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério de Relações Exteriores (MRE), em parceria com a Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Previdência do Brasil, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Inspeção-Geral do Trabalho de Moçambique (IGT) e o Ministério do Trabalho e Segurança Social de Moçambique (MTSS).

Os auditores-fiscais do trabalho Rogério Santos, Magno Pimenta Riga e Sérgio Augusto Letizia Garcia, da SIT, falaram sobre a inspeção do trabalho no combate ao trabalho infantil, as estratégias de combate ao trabalho infantil e a legislação brasileira sobre trabalho rural; e compartilharam boas práticas de segurança e saúde no trabalho rural.

Entre as estratégias brasileiras de combate ao trabalho infantil, Santos destacou a importância das articulações interinstitucionais, como o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), os Fóruns nacional e estaduais de prevenção e erradicação do trabalho infantil e os Conselhos nacional e municipais de defesa da criança e do adolescente, que contam com a participação do governo e da sociedade civil. “Esses são espaços onde é discutida a problemática do trabalho infantil e são articuladas as ações de combate, em busca da sua erradicação no Brasil”, disse ele.

Já Carolina Smid, Analista de Projetos da ABC, ressaltou que “por meio do projeto Algodão com Trabalho Digno, temos a oportunidade de fortalecer as capacidades do Governo de Moçambique nos temas de combate ao trabalho infantil e ao trabalho análogo à escravidão. Os resultados alcançados por esta iniciativa irão beneficiar, além da cadeia do algodão, as demais cadeias produtivas, em especial no meio rural moçambicano”.

O algodão é um dos mais importantes produtos agrícolas em Moçambique. A commodity é responsável pela geração de emprego e renda e por contribuir para a segurança alimentar de milhares de famílias de pequenos agricultores.

O plantio e a colheita da fibra são realizados, predominantemente, pela agricultura familiar, uma atividade que emprega cerca de 220 mil famílias nas zonas rurais e beneficia aproximadamente 1,2 milhão de pessoas diretamente. A comercialização da cultura é a principal fonte de renda dessas famílias, o que gera cerca de 20 mil postos de trabalho, ao longo da cadeia produtiva do algodão.

O projeto “Algodão com Trabalho Decente – Cooperação Sul-Sul para a Promoção do Trabalho Decente nos Países Produtores de Algodão da África e da América Latina” é uma parceria entre a ABC, a OIT e os governos do Paraguai, Peru, Mali, Moçambique e Tanzânia, com financiamento do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), entidade privada. O Projeto busca apoiar a implementação de políticas nacionais alinhadas às normas internacionais de trabalho e à promoção do trabalho decente na agricultura, sobretudo na cadeia produtiva do algodão.

Mais cooperação

Também em abril, equipe da ABC, da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) esteve em Moçambique para a realização de ações de cooperação técnica e humanitária nas regiões Norte e Centro do país, onde serão instaladas hortas comunitárias para atender famílias afetadas pelos ciclones Idai e Kenneth, em 2019, pelo ciclone Gombe, que atingiu o país em fevereiro do ano corrente, e pela pandemia da COVID-19.

Quatro cidades do Norte do país receberam visita dos especialistas brasileiros: Metuge, na Província de Cabo Delgado, Beira, na Província de Sofala, Chimoio, na Província de Manica e Quelimane, na Província da Zambézia. A equipe realizou análise do solo e do clima nessas localidades para determinar a localização ideal para a instalação das hortas.

Quelimane foi uma das cidades mais atingidas, em 2019, pelos ciclones Idai e Kenneth. Recentemente, em fevereiro, também foi afetada pelo ciclone Gombe, desastre que fez 30 mil vítimas, atingindo 3 mil casas, deixando 40 feridos e cerca de 15 mortos.

Além da doação de sementes de hortaliças, a iniciativa prevê a instalação das hortas comunitárias e a realização de capacitações para a produção desse tipo de produtos vegetais.

Segundo a Analista de Cooperação responsável pelo Programa de cooperação técnica bilateral Brasil-Moçambique da ABC, Paula Rougemont, essa iniciativa é “inovadora, uma vez que a ação humanitária é complementada pela atividade de cooperação técnica. Verificou-se que apenas a doação de sementes não seria suficiente para garantir que as famílias afetadas pelos ciclones produzissem as hortaliças para consumo e até para eventual geração de renda. Por isso, optou-se por uma iniciativa mista com o olhar na continuidade sustentável”.

A doação de sementes e a instalação das hortas respeitará o calendário agrícola de cada região. As atividades serão iniciadas no segundo semestre de 2022 e finalizarão no segundo semestre de 2023, quando extensionistas e produtores locais participarão de formação técnica intensa no Brasil.

Já em 05 de abril, chegou a Maputo o último lote, de mil toneladas, da doação total de 4 mil toneladas de arroz realizada pelo Governo brasileiro, em caráter humanitário, ao Governo moçambicano.

O Embaixador do Brasil naquele país, Carlos Alfonso Iglesias Puente, fez a entrega da doação humanitária brasileira ao Governo moçambicano, representado pela presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, em cerimônia simbólica.

O arroz atenderá a necessidades alimentares e nutricionais da população moçambicana afetada pelas últimas temporadas de tempestades e ciclones – a exemplo dos ciclones Gombe, Idai e Kenneth -, sobretudo nas províncias de Niassa, Nampula e Cabo Delgado. In “Mundo Lusíada” - Brasil

 

“Oriente Místico de Chaos Balós”, um livro que explora os primórdios das relações sino-lusófonas

Chama-se “O Oriente Místico de Chaos Balós” e é o novo livro de Pedro Daniel Oliveira, jornalista em Macau. Esta obra, publicada na Amazon Books, revela a viagem de João de Barros, um português do século XVI, de Portugal para Goa


No romance “O Oriente Místico de Chao Balós”, publicado ontem na Amazon Books, o jornalista português Pedro Daniel de Oliveira relata os primórdios das relações sino–lusófonas, marcadas por choques culturais, mas também interesses comuns no comércio e segurança.

O enredo gira à volta de João de Barros (Chao Balós, na língua siamesa), um português do século XVI, que deixa a sua terra natal, Alenquer, no Reino de Portugal, e parte para Goa, na Índia, onde se dedica à mercancia. Mais tarde, estabelece-se em Odiaa (Ayutthaya), então capital do Reino do Sião, atual Tailândia.

“A China ganha importância capital nesta altura, dado que o herói vai diversas vezes ao porto de Cantão [sul da China] fazer as mercadorias, tendo como escala o porto da Veniaga (ou ilha de Tamão), sensivelmente onde hoje se situa o aeroporto de Chek Lap Kok, em Hong Kong”, conta à agência Lusa Pedro Daniel de Oliveira.

Os interpostos portugueses nas províncias de Fujian e Zhejiang, no leste da China, são também mencionados na obra.

O personagem é fictício, mas o jornalista português diz ter tido o “cuidado de respeitar a cronologia da época, os factos cronológicos, as datas e os eventos”, recorrendo a cronistas portugueses, chineses e tailandeses da época. “Eu fui o máximo possível fidedigno. Isto requereu muita investigação, muito trabalho, confrontação de fontes”, explica. “Tive de fazer essa safra”.

Pequenos conflitos

Pedro Daniel de Oliveira admite que os contactos iniciais entre portugueses e chineses ficaram marcados por desentendimentos.

“A intenção dos portugueses era chegar à China e fazer possivelmente o que fizeram na Índia e em outros sítios: expandir o Império português, mas não conseguiram”, adianta.

Em causa estava também a inadaptação à ordem social existente na China, uma sociedade então confucionista, fortemente “hierárquica” e “disciplinada”.

“Os portugueses eram fanfarrões, julgavam-se mais do que os outros, faziam-se valer da fama que tinham, dos feitos que havia, e isto criou ruptura com a parte chinesa”, aponta.

Os interpostos portugueses na costa leste da China acabaram por ser dizimados e os mercadores portugueses que lá viviam foram expulsos.

“Até percebo uma parte e a outra”, diz Daniel de Oliveira. “Era difícil perceber na altura que tipo de gente era aquela. Os chineses eram tão diferentes dos portugueses, e eles pensavam também que os portugueses eram bárbaros. ‘Quem são estes homens de barbas grandes’, questionavam. Era normal que tivesse aquele desfecho”, acrescenta.

A tecnologia naval e militar da época detida pelos portugueses garantiu, no entanto, uma aproximação às autoridades das províncias costeiras de Fujian e Guangdong, através do apoio no combate à pirataria.

“Os portugueses foram essenciais para os chineses no combate aos piratas que saqueavam o litoral chinês e povoações. Os portugueses ganharam aí muitos pontos junto das autoridades chinesas”, descreveu.

O comércio, particularmente as vendas de âmbar cinzento, que os imperadores da dinastia Ming viam como um afrodisíaco, essencial para ampliar a prole e conseguir ter suficientes descendentes para perpetuar a casa real e a dinastia, aproximou também os mercadores portugueses das autoridades provinciais.

O acordo sobre Macau

Os portugueses acabariam por assentar em Macau, após um acordo feito entre Leonel de Sousa, capitão-mor de uma frota comercial, e Wang Bo, o ‘haidao’ (Subintendente de Defesa Costeira) de Cantão. “O que eu percebi é que havia interesses locais que, por muitas vezes, se sobrepunham aos interesses do poder em Pequim, como é o caso do assentamento português em Macau”, explica Pedro Daniel de Oliveira.

“A forma como os chineses olhavam para os portugueses era: ‘nós não os queremos aqui, mas eles são necessários’. Foi sempre esta ambiguidade que prevaleceu naquela altura”, conclui.

Pedro Daniel de Oliveira foi jornalista no semanário católico O CLARIM e no Jornal Tribuna de Macau. Colaborou esporadicamente com a Revista Macau e com a Macao Magazine. Trabalhou ainda como assistente de realização na Teledifusão de Macau (TDM). In “Hoje Macau” - Macau


Brasil - Parceria com as grandes potências

São Paulo – Ao que tudo indica, o comércio bilateral Brasil-Rússia sofrerá um impacto negativo acentuado nos próximos meses, em função da guerra entre aquele país e a Ucrânia, que parece longe de uma solução pacífica. Ainda que cerca de 600 mil toneladas de fertilizantes russos estejam a caminho de portos brasileiros – e pelo menos 250 mil toneladas com destino ao porto de Santos –, está prevista uma interrupção nesse fornecimento, em razão das sanções que estão sendo impostas à Rússia e que deverão persistir por bom tempo no período pós-guerra, com consequências imprevisíveis para a próxima safra de grãos no Brasil.

Obviamente, esse impacto não dar-se-á apenas na compra de fertilizantes e na safra de grãos, que depende diretamente desse insumo importado, mas em todos os produtos da corrente de comércio, ainda que a Rússia, com a nona população do mundo, ocupe apenas a 36ª posição entre os destinos para onde o Brasil mais exporta. Em 2021, o Brasil vendeu um total de US$ 1,7 bilhão em produtos para a Rússia, o equivalente a 0,6% das exportações totais, a menor participação em vinte anos. Aliás, a Rússia já foi a maior compradora de carnes do Brasil, especialmente a suína, mas o posto passou para a China, a partir de 2019.

Seja como for, é importante que o Brasil aumente o seu intercâmbio com outros países e blocos para minorar possíveis decréscimos no comércio com a Rússia.  Por isso, são inadiáveis entendimentos que estimulem a adoção de medidas que possam facilitar os negócios com Estados Unidos, China e União Europeia (UE).

Aliás, já existe o Acordo Brasil-Estados Unidos de Comércio e Cooperação Econômica (Atec, na sigla em inglês), assinado em 2011, que acaba de receber um adendo. É um acordo que trata de facilitar o comércio e a administração aduaneira, além de estabelecer boas práticas regulatórias e anticorrupção e reduzir barreiras não tarifárias. Ao mesmo tempo, esse documento procura livrar o Brasil das amarras impostas pelo Mercosul, especialmente aquelas regras que impõem a aprovação de medidas por todos os membros do bloco. E que dificultaram, desde a criação do Mercosul em 1991, a assinatura de acordos com outros blocos econômicos ou países. 

Embora os Estados Unidos não sejam mais o principal parceiro comercial do País, posto hoje ocupado pela China, o intercâmbio comercial entre as duas nações vem crescendo desde 2020, quando atingiu o pior resultado desde 2011. Basta ver que, em 2021, houve um crescimento de 57% no fluxo comercial, que subiu de US$ 45 bilhões, em 2020, para US$ 70 bilhões. No entanto, a balança ficou negativa para o Brasil em US$ 8 bilhões, o maior déficit desde 2013.

Também importante é o incremento do intercâmbio com a China, que, em 2021, chegou a US$ 135 bilhões, o maior valor da História. Foi o quarto ano consecutivo de recorde nos valores comercializados entre os dois países. Segundo dados do Ministério da Economia, as empresas brasileiras venderam US$ 87,9 bilhões em produtos para a China, um incremento de 29% na comparação com 2020. E compraram US$ 47,6 bilhões, 37% a mais que no ano anterior. De 2016 até o ano passado, as trocas entre os dois países registraram um avanço de 130%, num período em que o intercâmbio com os Estados Unidos cresceu apenas 50%.

Com a UE, depois de uma década de poucos negócios, o Mercosul assinou em junho de 2019 um acordo de livre-comércio, que ainda não entrou em vigor em toda a sua amplitude, em razão das resistências de concessões na área ambiental por parte do governo brasileiro, do aprofundamento da degradação ambiental no Brasil e da crise interna no Mercosul. O acordo iria garantir acesso a diversos segmentos e serviços, além de reduzir custos dos trâmites de importação, exportação e trânsito de bens.

Com a crise no Leste Europeu, o que se espera é que as alternativas com as demais potências econômicas sejam viabilizadas e incrementadas para que o comércio exterior, com regras mais modernas, continue a crescer. Liana Martinelli - Brasil

__________________________________

Liana Lourenço Martinelli, advogada, pós-graduada em Gestão de Negócios e Comércio Internacional, é gerente de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG) do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional. E-mail: lianalourenco@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br

 

domingo, 1 de maio de 2022

França – “Saisons”: Uma grande exposição de pintura de Luís Rodrigues em Morsang-sur-Orge


A cidade de Morsang-sur-Orge (91) vai inaugurar este sábado uma grande exposição com cerca de uma centena de obras do pintor português radicado em França, Luís Rodrigues. A exposição, essencialmente com quadros de grande formato, chama-se “Saisons” e vai estar patente ao público até 22 de maio. Vai incluir também alguns desenhos e cerâmicas do artista originário de Torres Novas.

Numa entrevista ao LusoJornal, Luís Rodrigues explica que a exposição vai estar dividida em três espaços municipais no Château de Morsang e que já não fazia nenhuma grande exposição há mais de 20 anos no Essonne, departamento onde mora desde os anos 70.

Reconhecido a nível nacional e internacional, Luís Rodrigues viu inúmeras exposições serem anuladas nos quatro cantos do mundo, durante a pandemia de Covid-19. “O meu atelier é aqui, a menos de 1 km do parque do Château de Morsang, onde eu costumo ir passear e passar alguns momentos. Tem um jardim magnífico com dois grandes lagos e é um sítio muito agradável” explicou ao LusoJornal. Foi neste espaço que, durante os dois últimos anos, foi recolhendo inspiração para continuar a pintar durante a pandemia. Faz pois todo o sentido que esta exposição tenha lugar em Morsang-sur-Orge.

Uma infância solitária

Luís Rodrigues é de Torres Novas e veio para França em 1967. O avô Faustino era historiador e era também um militante antifascista. “Ele passou mais de 11 anos em prisão política” explica o pintor. O pai de Luís Rodrigues também foi militante antifascista e esteve preso em Caxias. “Quando cheguei aos 18 anos, o meu pai saiu da prisão e decidiu mudar-se para França”.

A família ainda passou por Champigny, mas depois instalou-se no Essonne, em Épinay-sur-Orge e seguidamente em Savigny-sur-Orge, de onde Luís Rodrigues nunca mais saiu, apesar de também ter uma casa de campo na Bourgogne.

Luís Rodrigues diz que é “um autodidata”. Começou a fazer aguarelas antes mesmo de vir para França.

“Quando eu era miúdo, quando tinha os meus 13/14 anos, em vez de ir para o rio com os meus amigos, ou correr atrás de uma cachopa, ia com o meu livrinho de poesia debaixo do braço, sentava-me debaixo de uma árvore e passava lá horas” conta o pintor ao LusoJornal. “Desde miúdo sempre ilustrava as redações dos meus colegas de carteira, creio que comecei a fazer bonecos a partir dos 5/6 anos. Sempre passei o meu tempo com um lápis”.

Não é de estranhar que quando chegou a França se isolasse também, até porque não falava francês. Refugiava-se então no desenho. “O meu pai vivia naquela altura num local relativamente fechado. Viviam ali 3 ou 4 famílias portuguesas e eu, como sempre fui uma pessoa reservada, uma pessoa muito voltada para a leitura, para a música, como estava à beira do rio Orge, com árvores muito grandes, sentava-me ali horas sem fio a desenhar”.

Foi nesta altura que conheceu um dos maiores pintores do século 20 francês, que viu um dos seus desenhos em casa de uma amiga e quis encontrá-lo. “Ele disse-me que eu tinha algo de particular” e motivou-o a aprofundar a arte.

“Eu só pinto o que sinto”

Desde que chegou a França, durante os primeiros 20 anos neste país, Luís Rodrigues passava todos os sábados à tarde no Louvre. “Comecei a olhar para aquilo tudo, tudo era bonito, era bem feito, mas eu vi logo que havia quadros que mexiam mais comigo do que outros”.

Sem ter estudado nas Belas Artes, acabou por dar aulas de história de arte na Sorbonne e na Bulgária, e conviveu com vários outros pintores do século 20. “Eu só pinto o que sinto” diz o artista. E quando pinta, é sempre por séries. “Não faço hoje um quadro de uma maneira e amanhã um do outro, de outra maneira. Há sempre um tema que eu vou explorar. Não sou um paisagista que leva o seu tripé, instala-se num sítio, observa e pinta”. Pelo contrário, Luís Rodrigues passa pelas representações e interpreta o que tem dentro de si. “O essencial da arte é a invenção e a pintura só serve para mostrar aquilo que não é visível”.

Acrescenta que “eu não posso dar aquilo que não vivi. Um simples habilidoso pode olhar para uma garrafa, para um barco ou para uma casa e é capaz de reproduzir aquilo. Para mim, isso não faz sentido. Temos de ir à pesca cá dentro de nós. Por exemplo, a dor do joelho… como é que nós vamos traduzir a dor do joelho através de uma pintura?”.

A originalidade do trabalho de Luís Rodrigues é precisamente essa pesquisa no seu interior, essa procura de sentimentos e da sua tradução através da arte.

Talvez seja por isso que ainda hoje se considera um solitário. “Passei a vida a correr meio mundo com os quadros às costas, como costumo dizer, principalmente nos últimos trinta e tal anos, mas não quero dizer com isso que eu conheço milhares de pessoas. Não. Eu continuo a viver um pouco no campo. Não se pode pintar uma hora hoje e três horas na semana seguinte. Eu passo o dia, de manhã até à noite, dentro do meu atelier”.

A cor tem uma importância grande na obra de Luís Rodrigues. “Eu estava destinado para ser engenheiro na fusão dos altos fornos de fusão de metais” deixa Luís Rodrigues a sorrir. “Eu nessa altura só fazia trabalho a preto e branco. A cor era qualquer coisa que não me puxava muito. Ora, hoje é a essência mesmo do meu trabalho”.

“Regresso” a Torres Novas

A vida artística correu-lhe bem. “Isto não vai apenas com talento, também é necessário ter sorte” desabafa. Nos anos 80 teve uma exposição em Nova Iorque, depois em Montreal, no Canadá… e acabou por viajar bastante, mostrando a obra que produzia pelos diferentes continentes.

Mas, ter o avô que teve, ter passado a infância e a adolescência em Torres Novas, numa família culta e muito dada à literatura, a paixão que tem pela poesia do século 19,… tudo isso deixa marcas para sempre. Por isso Luís Rodrigues espera que a “portugalidade” esteja sempre presente na sua obra.

Mas entristecia-o de não poder mostrar a sua pintura em Torres Novas. “Nem sabiam que eu existia” conta ao LusoJornal.

Em 2012, alguns artigos publicados em Portugal começaram a falar de Luís Rodrigues. Uma galeria na Amadora organizou uma exposição com 20 pintores portugueses que passaram por Paris no século 20, e lá estavam quadros de Luís Rodrigues ao lado de Vieira da Silva, Júlio Pomar ou Graça Morais.

Até que um dia, uma delegação de Torres Novas, chefiada pelo Presidente da Câmara, veio à Bourgogne, onde Luís Rodrigues tinha uma grande exposição. E foi ali que nasceu a ideia de uma mostra na terra onde nasceu, intitulada “Luís Rodrigues at home”. Foi efetivamente “o regresso” já que a exposição foi organizada no restaurado Mercado do Peixe, a poucos metros do sítio onde vivia.

Foi nessa altura que Luís Rodrigues ofereceu mais de 170 telas para o Museu de arte moderna que estava em projeto na cidade.

Esta exposição em Morsang-sur-Orge também marca um regresso: o regresso às exposições de Luís Rodrigues, depois da paragem forçada de mais de dois anos, por razões evidentes de pandemia.

Mas para além de pintura, Luís Rodrigues promete algumas outras surpresas, como por exemplo desenhos e cerâmicas. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”

Veja a entrevista aqui. 

“Saisons” de Luís Rodrigues

De 30 de abril a 22 de maio

Château de Morsang, Salle Lounès Matoub et l’Orangerie

De terça a sexta-feira, das 14h00 às 18h00

Fim de semana, das 10h30 às 13h00 e das 14h00 às 18h00



 

Estados Unidos da América - A casa que gera energia, reaproveita a água e produz alimentos


Casas sustentáveis já existem algumas, mas esta apresenta níveis de eficiência notáveis. Concebida por estudantes universitários, a NexusHaus está um patamar acima da inovação.

A NexusHaus foi projectada com o objectivo de pôr em evidência os custos das moradias tradicionais nas grandes cidades, daí que tenha concentrado todas as funcionalidades possíveis relacionadas com sustentabilidade. A eficiência energética seria a competência a considerar em primeiro lugar, logo seguida da reciclagem. A possibilidade de produzir alimentos foi a cereja no bolo.

O projecto da NexusHaus foi desenvolvido por estudantes da Universidade de Munique, em parceria com estudantes da Universidade do Texas. O protótipo, desenvolvido para um concurso internacional, foi feito com materiais sustentáveis e sistemas eficientes para a produção de energia e uso da água. Coberta com painéis solares, esta moradia obtém toda a energia de que necessita para iluminação, alimentar electrodomésticos, aparelhos electrónicos, ar condicionado e até o abastecimento de um carro eléctrico.

Equipada com uma cisterna para captação de água da chuva e um sistema de filtragem, a casa torna a água que assim recolhe própria para consumo. A que é possível reutilizar segue para a máquina de lavar, pia, chuveiro, ou irrigação da área de cultivo.

O sistema de aproveitamento de água para rega é tão eficiente que pode economizar até 90% de água que em regra se utiliza no plantio tradicional. Por ser totalmente fechado, ainda evita o descarte de efluentes no meio ambiente. In “Green Savers Sapo” - Portugal




 

Portugal - Capturar espécies marinhas em profundidade

Investigadores portugueses testam sistema hiperbárico para captura e conservação de espécies marinhas de profundidade.

Investigadores do IPMA, da A. Silva Matos Metalomecânica, do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) desenvolveram um sistema de captura e conservação de espécies até 1000 metros de profundidade.

Esta solução permite trazer as espécies à superfície sem danos provocados pelas diferenças de pressão, e mantê-las vivas para estudos posteriores. As primeiras demonstrações desta tecnologia estão a decorrer entre os dias 23 de abril e 2 de maio, a bordo do Navio de Investigação Mário Ruivo.

O mar profundo constituiu uma das últimas fronteiras do planeta, com enorme potencial de exploração de bio recursos associados aos organismos particulares e substâncias raras que podem ser encontrados nessas regiões. Contudo, a investigação do mar profundo tem sido muito pouco desenvolvida devido ao ambiente extremamente hostil, em particular à elevada pressão destes meios.

“O conhecimento das espécies do mar profundo é ainda incipiente. Contudo, os primeiros programas de investigação focados nestes recursos mostraram que estes organismos marinhos poderão ter um grande potencial de utilização, pelas indústrias farmacêutica e alimentar”, explica Diana Viegas, investigadora do INESC TEC.

A investigadora do IPMA responsável pela campanha, Antonina dos Santos, refere “Através deste projeto desenvolvemos um sistema de recolha e manutenção, em cativeiro, que permitirá o aumento do conhecimento do ciclo de vida e da biologia de animais marinhos de profundidade. Esta campanha destina-se a testar a capacidade de capturar organismos vivos no solo marinho e na coluna de água a diferentes profundidades, até um máximo de 1000 m, a sua transferência para uma câmara hiperbárica à superfície e a sua manutenção em boas condições fisiológicas”.

As componentes desenvolvidas incluem uma infraestrutura móvel hiperbárica que permite a recolha de organismos vivos no mar profundo em condições de elevada pressão, baixa temperatura (ou extremamente elevada, no caso de proximidade a vulcões ativos ou fontes hidrotermais) e reduzida luminosidade, e uma infraestrutura que faz a sua transferência para uma outra câmara hiperbárica, que irá mimetizar à superfície o ambiente do fundo do mar nos parâmetros físicos relevantes para a manutenção da vida das espécies e funcionando como um aquário.

A Investigadora do IPMA e do CIIMAR e coordenadora desta missão, Antonina dos Santos, explica “Este equipamento contêm componentes que controlam os parâmetros químicos que permitem a vida dos organismos dentro do sistema hiperbárico, assim como, por exemplo, a pressão, a temperatura, a luz, o alimento, a corrosão e a salinidade”.

O sistema foi desenvolvido no âmbito do projeto “HIPERSEA - Sistema Hiperbárico para Recolha e Manutenção de Organismos do Mar Profundo” (POCI-01-0247-FEDER-033889), financiado pelo programa COMPETE 2020 em aproximadamente três milhões de euros.

A Campanha de testes em mar está a decorrer entre os dias 23 de abril e 2 de maio no navio Mário Ruivo ao largo da costa sudoeste de Portugal. InInstituto Português do Mar e da Atmosfera” - Portugal

 

Ainda Nos Temos


 










Vamos aprender português, cantando

 

Ainda Nos Temos

 

O céu chorou

sem nos avisar

não se importou

de nos molhar

nem longe daqui

mudava o fim

e voltava a dizer

que sempre temi

como se eu te fosse perder

 

Amor

quando um sopro nos levar

e quando tudo se for

eu prometo voltar

 

Ainda Nos Temos

em gestos pequenos

 

Se o mundo acabar

tens onde morar

em mim

porque

Ainda Nos Temos

 

O mundo cai

em teu redor

eu viro chão

para a tua dor

 

E quando o céu é a última estação

levanto o véu dessa escuridão

e eu juro

que nunca me vais perder

 

E amor

quando o sopro nos levar

e quando tudo se for

eu prometo voltar

 

Ainda Nos Temos

em gestos pequenos

 

Se o mundo acabar

tens onde morar

em mim

porque

Ainda Nos Temos...

 

Ainda Nos Temos...

 

SYRO – Portugal

 

Composição:

(Letra) SYRO – Portugal

(Música) SYRO, Ariel, Gonzalo Tau - Portugal