Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 1 de julho de 2025

O estranho mundo amazônico

Em nova obra, “Lá, Seremos Felizes”, Nicodemos Sena reconstitui o drama dos marginalizados através de personagem neopícaro

                                                                

                                                           I

A missão da história e da crítica literária consiste num trabalho permanente de revisão do passado, com vistas a uma avaliação mais correta da sua herança para as gerações futuras, como observa o professor Massaud Moisés (1928-2018) em Machado de Assis: Ficção e Utopia (São Paulo, Editora Cultrix, 2007, p. 21). Nesse sentido, o romance , Seremos Felizes (Curitiba, Kotter Editorial, 2025), de Nicodemos Sena, é um exemplo bem-acabado para a reavaliação por que passa a história literária que tem a Amazônia como fulcro, consolidando o nome do seu autor como um dos principais escritores que tomaram aquela região como tema para suas obras, ao lado de Euclides da Cunha (1866-1909), Dalcídio Jurandir (1909-1979), Luiz Bacellar (1928-2012), Aníbal Beça (1946-2009), Márcio Souza (1946-2024), Milton Hatoum e Eliane Brum.

, Seremos Felizes conta a trajetória de Lázaro, um jovem de 17 anos, “órfão de pai aos oito meses de idade, sem estudo”, que “cresceu largado por esse mundão de meu Deus”, “comendo o pão que o diabo amassou”, abandonado na Amazônia das décadas de 1930 e 1940. E que vivia “nessa porra de vida, rolando de um lugar para outro, sem pai, sem mãe, sem irmãos, sem coisa nenhuma”, ou seja, “não era de nenhum lugar”.

Ao contrário de obras mais antigas, a narrativa se afasta dos estereótipos coloniais e exóticos ligados à Amazônia, criados especialmente por aventureiros, naturalistas, viajantes e exploradores sempre ávidos por suas riquezas. E mais importante: dá voz a seus habitantes, a partir da utilização de seu linguajar comum, seus hábitos e visão do mundo. Ou seja, a visão que se tem é de quem nasceu e viveu na Amazônia e não a de quem a olha de fora.

Um exemplo significativo está neste trecho em que Lázaro encontra Raquel, que era “branquinha e loura, magra como uma vara de pescar”, mas que fora criada por uma “caboclona morena e atarracada” e comunicava-se numa “língua estranha”, o tupi antigo falado pelos maués, etnia indígena, cujas mulheres haviam sido proibidas de falar a língua dos portugueses invasores: (...) Che rori catu nde rurari (...) Arêp arêpe tuérut / Quiát oiquêt-ta-capêi / Arêt arêpê tuérut (tradução: Estou muito contente com a tua vinda (...) Vim cantando / De onde durmo vim cantando / Eu vim cantando).

  

                                                  II

De fato, como observa no texto de apresentação o escritor, tradutor e editor Salvio Kotter, Sena, desde o seu livro de estreia, A Espera do Nunca Mais: Uma Saga Amazônica (1999), “vem construindo um painel ao mesmo tempo extraordinário e estarrecedor de uma região saqueada e vilipendiada em seus bens naturais e culturais”. E neste seu novo romance mostra uma Amazônia bem diferente daquela que se vê em obras de outros autores, já que permeada por termos do dialeto dos povos originários, como Noçoquem (paraíso), iporanga (bonito), Guaraci (sol), Iaci (lua), tajasú (porco do mato), Cicantá (inferno) e outros, que eram falados por Raquel, mas desconhecidos de Lázaro, embora aquela fosse a língua dos antepassados que corria em seu sangue.

Dessa maneira, o autor consegue recriar um universo mítico, mas, ao mesmo tempo, realístico, pois não deixa de assinalar as marcas da violência dos mais fortes sobre os mais fracos, característica, aliás, da própria sociedade brasileira em que os ricos e super-ricos mantêm os pobres e remediados sob a tacão da opressão, manipulando-os, agora favorecidos pela tecnologia oferecida pelas redes sociais que os induz a votar em seus opressores.

 

                                                 III

A partir do nome do personagem principal, o anti-herói Lázaro, não há como evitar que se classifique este romance pelo menos como neopicaresco, pois seria impossível recusar a sua comparação com Lazarillo de Tormes (1573), de autor anônimo, uma das obras-primas da literatura espanhola e universal. Sem contar que Sena no capítulo 14, “Um pobre feliz”, reproduz como epígrafe um trecho daquela narrativa espanhola anônima: “A cada manhã, ia o infeliz com aquele ar de felicidade e andar altivo a engolir vento pelas ruas”.

Ocorre que este livro não é conduzido por um narrador-personagem, em tom pseudo-autobiográfico como o Lazarillo de Tormes, condição sine qua non para que fosse enquadrado no gênero picaresco. Pelo contrário, o narrador, ocasionalmente, escreve em primeira pessoa, mas sempre discorrendo sobre as aventuras de Lázaro, embora, a certa altura, no capítulo 11, “Tempo de guerra”, admita que “a história do pequeno Lázaro” também é a sua história, ou seja, o narrador aqui parece funcionar como alter ego do autor.

Seja como for, o texto autobiográfico do Lazarillo é um recurso, um achado ao tempo de sua criação, mas que hoje constitui uma técnica limitadora, embora nem por isso ultrapassada. Além do mais, não haveria sentido em se repetir o esquema clássico da picaresca para contar fatos que teriam ocorrido na primeira metade do século XX.

Em outras palavras: a picaresca clássica é irrepetível e só tem sentido se associada aos séculos XVI e XVII, como se pode constatar em outras obras precursoras do gênero: La Vida del Buscón (1626), de Francisco de Quevedo (1580-1645), e Guzmán de Alfarache (1599-1604), de Mateo Alemán (1547-1614).  Aliás, deve-se ressaltar que esta última obra estabeleceu definitivamente as características esboçadas em Lazarillo de Tormes, mostrando o pícaro por completo, ou seja, um tipo que vive à margem da sociedade, procurando escapar da miséria.  

Portanto, ao tentar se filiar a recente obra de Sena a esse gênero, não se pode deixar de comparar o seu Lázaro moderno ao modelo ancestral, ou seja, a sua origem infame, a sua tendência a não se fixar em lugar nenhum, a luta pela sobrevivência e o tema da fome, que poderia levar o protagonista até a cometer atos reprováveis. Mas este não é o caso de Lázaro, que sempre se sujeita aos piores serviços, sem se revoltar.

Afinal, como nas sociedades injustas de hoje, a nobreza espanhola ao tempo do pícaro era responsável pelos desníveis sociais que levavam à delinquência urbana e rural. Quer dizer: aos nobres tudo era permitido, pois, dificilmente, alguém daquela classe social era processado, muito menos punido, já que a justiça dos homens sempre o protegia. E a repressão era feita somente contra os não-privilegiados.

Mas isso não significa que, por outro lado, esta obra seja tributária do realismo socialista que fazia dos pobres sempre pessoas boas e dos ricos eternos vilões. Enfim, seus personagens, com todas as suas limitações, são humanos. E isto resume tudo. Portanto, o que mais se pode dizer é que , Seremos Felizes constitui uma recriação da picaresca clássica, adaptada aos padrões dos séculos XX e XXI, ou seja, um belo e certeiro exemplo do gênero neopicaresco, conforme definido pelo ensaísta argentino-brasileiro Mario Miguel González (1937-2013), ex-professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), em Novela picaresca iberoamericana: la neopicaresca brasileña (México, Instituto Panamericano de Geografia e Historia, 1993). Está dito tudo.


                                                 IV

Nascido em 1958 em Santarém, no Pará, Nicodemos Sena passou parte de sua infância entre os índios maués, na região de divisa com o Estado do Amazonas. Em 1977, seguiu para São Paulo, onde teve seu primeiro emprego numa indústria têxtil no bairro do Ipiranga, vivendo num cortiço, onde conheceria “seres da noite” semelhantes ao que povoariam seus futuros romances.

Formou-se em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) e em Direito pela Universidade de São Paulo (USP). Depois de passar pelas redações de vários órgãos da imprensa paulista, no início de 2000, recebeu convite para dirigir a redação do jornal A Província do Pará e a principal editora de Belém, a Cejup, trabalhando na capital paraense até o fim daquele ano, quando retornou ao Estado de São Paulo, mais especificamente à cidade de São José dos Campos. Em 2007 criou a editora LetraSelvagem.

Sua carreira literária teve início em 1999 com o romance À Espera do Nunca Mais:  Uma Saga Amazônica, obra contemplada com o Prêmio Lima Barreto/Brasil 500 Anos pela União Brasileira de Escritores, seção Rio de Janeiro (UBE-RJ), que recebeu nova edição em 2020 pela Kotter Editorial, de Curitiba, com posfácio do escritor Ronaldo Cagiano. Desde então, publicou diversos romances e se consolidou como um autor de referência na literatura amazônica.

Em 2003, saiu à luz o seu segundo romance, A Noite é dos Pássaros, publicado em formato de folhetim no jornal O Estado do Tapajós, de Santarém, e na revista digital portuguesa TriploV. Ainda em 2003, a obra saiu pela Editora Cejup, conquistando o Prêmio Lúcio Cardoso, da Academia Mineira de Letras e, em 2004, a menção honrosa do Prêmio José Lins do Rego, da UBE-RJ. 

Já o terceiro romance, A Mulher, o Homem e o Cão (Taubaté, LetraSelvagem, 2008), não só confirmou o seu talento como se tornou obra de referência para o estudo temático da vida das populações marginalizadas da Amazônia. Por sua obra, é hoje nome reconhecido fora da Amazônia, tendo se tornado verbete na Enciclopédia de Literatura Brasileira, direção de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (Global Editora, Fundação Biblioteca Nacional e Academia Brasileira de Letras, 2ª edição, 2001).

Em 2017, publicou pela LetraSelvagem, com prefácio deste articulista, Choro por Ti, Belterra!,  obra escrita em prosa poética e formada por 19 episódios, em que reconstituiu o dia em que fez viagem de retorno às origens, em companhia de seu pai, depois de um percurso de algumas horas pela rodovia Santarém-Cuiabá, até entrar num caminho de terra que leva à Estrada Um e, enfim, às ruínas da cidadezinha de Belterra, onde funcionou nos anos 40 uma unidade de Ford Motor Company.

É de se lembrar que esta empresa do magnata norte-americano Henry Ford (1863-1947), à época da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tratou de plantar seringueiras à beira do rio Tapajós e produzir borracha para a fabricação dos pneus dos veículos dos exércitos aliados, depois que o seringal da Inglaterra na Malásia caíra em poder do Japão. Em , Seremos Felizes, esse cenário é revisitado com a presença do personagem Lázaro naquela região.

Em 2018, Sena publicou Ladrões nos Celeiros: Avante, Companheiros!. longo poema escrito no calor da luta política que irrompeu no Brasil a partir do impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 31 de agosto de 2016, e da prisão do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2018.  É membro da UBE-SP, da Academia de Letras e Artes de Santarém (ALAS) e da Academia Taubateana de Letras (ATL). Adelto Gonçalves - Brasil

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Lá, Seremos Felizes, de Nicodemos Sena. Curitiba: Kotter Editorial, 220 páginas, 2025,  R$ 54,61. E-mail: contato@kotter.com.br

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Adelto Gonçalves, jornalista, é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage, o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003; São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo - Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (São Paulo, Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial – 1709-1822 (São Paulo, Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo - 1788-1797 (São Paulo, Imesp, 2019), entre outros. Escreveu prefácio para o livro Kenneth Maxwell on Global Trends (Robbin Laird, editor, 2024), publicado na Inglaterra. E-mail: marilizadelto@uol.com.br




domingo, 4 de junho de 2023

O drama de Anne Frank reconstituído

Obra recupera a trágica história vivida pela jovem judia durante a Segunda Guerra Mundial


                                                                    I

Nascido em Monte Alegre, hoje Telêmaco Borba, no Paraná, mas tendo vivido até a juventude em Itararé, Silas Corrêa Leite (1952) descende, por parte de pai, de judeus da Ilha da Madeira, convertidos como cristãos novos, e, por parte de mãe, de índios guaranis e de negros de Angola. Por isso, ao acumular, com todas essas ascendências, as cotas de dores de tantas gerações que viveram as angústias e vicissitudes da diáspora, do genocídio e da escravatura, sentiu-se no dever de tentar reconstituir a história da adolescente alemã de origem judia Annelies Marie  Frank (1929-1945), Anne Frank, nascida em Frankfurt, que, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), escondida num abrigo em Amsterdã para fugir das atrocidades que eram cometidas por soldados nazistas, escreveu um diário que, mais tarde, tornaria o seu drama conhecido em todo o mundo.

Como se sabe, o famoso “Diário de Anne Frank” registra a história dessa jovem que viveu o medo de ser levada com sua família para um campo de concentração em meio ao caos da Segunda Guerra Mundial e ser consumida pelas atrocidades que eram cometidas por soldados nazistas. Antes disso, a uma época que lembra um pouco o ambiente vivido no Brasil de 2019 a 2022, a família de Anne Frank, diante da ascensão de Adolf Hitler (1889-1945) com sua pregação de ódio aos judeus e em razão da má situação econômica do país, decide mudar para Amsterdã, onde Otto Frank (1889-1980), o patriarca, fundaria uma empresa que comercializava pectina, agente gelificante para a preparação de geleias.

A 1º de setembro de 1939, quando Anne estava com dez anos, a Alemanha nazista acabaria por invadir a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Passados uns meses, em maio de 1940, os nazistas também invadiriam a Holanda, sem encontrar muita resistência. Logo, os judeus começaram a ser segregados, com as crianças sendo isoladas numa escola e os adultos proibidos de continuar a gerir negócios. Com isso, o pai de Anne ficaria na iminência de perder a fábrica. E, diante da perseguição, na primavera de 1942, ajudado por amigos, ele começaria a instalar um esconderijo no anexo secreto da sua empresa, no nº 263 da rua Prinsengracht.

Perante a ameaça iminente, Otto Frank e a família, ao lado de mais quatro pessoas, acabariam por se instalar precariamente no chamado Anexo Secreto, local muito apertado e onde era difícil até respirar. Agarrada à família, Anne, vivendo aquele clima de medo, procuraria permanecer silenciosa e acabaria por encontrar na possibilidade de escrever um diário a única saída para continuar vivendo.

 

                                                                   II

A partir desse diário que Anne escreveu e que, bem mais tarde, viria a se tornar famoso, por iniciativa de seu pai, o único do clã que sobreviveu aos horrores da Segunda Guerra Mundial, Silas Corrêa Leite se propôs a escrever o que, em sua imaginação, poderia vir a ser um segundo diário da jovem judia e, ao mesmo tempo, uma homenagem à escritora experimental que sonhava virar jornalista.

Nesta obra, mesmo que seja uma história contada com certo distanciamento, o autor procurou compreendê-la com as mesmas lágrimas e esperanças, com as mesmas cinzas da personagem. “Assim, e muito além da longa estrada das fogueiras cor de laranja; muito além do farol do fim do mundo; muito além do vale da sombra da morte; muito além da estrada de tijolos amarelos que um poeta roqueiro cantou décadas depois, é este romance”, define o autor, para quem a sua obra deve ser vista como um testemunho de que a esperança é a inteligência da vida. “Criar a partir da dor é humano, demasiado humano”, reconhece. “Mas é até mesmo por isso como um inventado leitmotiv de registro histórico também desses tempos tenebrosos”, acrescenta.

 

                                                        III

É de se lembrar que Anne, com 13 anos, passa a viver no esconderijo e, durante os dois anos em que teve de ficar escondida, escreve o que vê e o que se vai passando no Anexo Secreto, registrando o que também sente em sua alma, seus sentimentos, aspirações e vontade de sobreviver. Escreve histórias curtas, inicia um romance e anota passagens que lia no Livro de Belas Frases. Mais tarde, ela tem a ideia de reescrever seus diários e transformá-los numa única história, com o título Her Achterhuis, que quer dizer O Anexo Secreto.       

Assumindo-se como alter ego do espírito de Anne Frank, Silas Corrêa Leite produz um texto com uma linguagem fluida, intercalando-o com reproduções de textos clássicos, alguns extraídos do Velho Testamento bíblico, citações de filósofos, poetas e escritores como Hannah Arendt (1906-1975), Rainer Maria Rilke (1875-1926), Fernando Pessoa (1888-1935), Franz Kafka (1883-1924) e outros, e até a reprodução de um poema anônimo encontrado na parede de um dos quartos de crianças judias do campo de extermínio nazista de Auschwitz.

Mais adiante, escreve, como se fosse Anne Frank: “Sou uma passageira clandestina numa Estação Tempestade qualquer, mas, escrevendo desesperadamente e sem parar às vezes sinto que enlouqueço e assim de mim vou deixando rastros. Escrever me faz um monstro; escrever para mim é uma doença? Muitas coisas morrem em nós, antes de definitivamente também por fim morarmos em nós”.

Quem vier a ler a obra de Silas Corrêa Leite terá também a oportunidade de conhecer com minúcias a história de Anne Frank, inclusive o que se deu com a família depois que o esconderijo foi descoberto, quando todos foram detidos ao lado de outras duas pessoas que os ajudavam, sem que se saiba até hoje o verdadeiro motivo que levou a polícia nazista a praticar a ação. Isso deu-se a 4 de agosto de 1944, dois anos depois. Apesar da busca, uma parte dos escritos de Anne seria preservada, bem como outros documentos que escaparam à sanha nazista.

Após passar pelo serviço de inteligência da polícia de segurança alemã, as pessoas escondidas foram enviadas para o campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, numa viagem de três dias, em más condições de higiene, com mais de mil pessoas apertadas em vagões que geralmente levavam gado. Mais de 350 pessoas que viajaram com Anne foram imediatamente mortas nas câmaras de gás. E Anne enviada para o campo de trabalho para mulheres, com a sua irmã e a sua mãe, enquanto Otto Frank acabou num campo para homens, tendo sobrevivido a toda a barbárie nazista.

No início de novembro de 1944, Anne é transportada novamente. Juntamente com a sua irmã, foi deportada para o campo de concentração de Bergen-Belsen. Os seus pais ficaram em Auschwitz. As condições em Bergen-Belsen eram também miseráveis: quase não havia comida e o frio era horrível. Em consequência disso, Anne, como a sua irmã, ficou com febre tifoide. Em fevereiro de 1945, ambas morreram das consequências dessa doença, primeiro Margot e, pouco depois, Anne, em Bergen-Belsen.

Em 1947, encerrada a guerra, Otto Frank publicou o diário da filha, que seria traduzido para mais de 70 idiomas, venderia milhões de exemplares e seria adaptado para o teatro.


                                                                  IV

Além de contista e romancista, Silas Corrêa Leite é poeta, letrista, professor, bibliotecário, desenhista, jornalista, ensaísta, blogueiro e membro da União Brasileira de Escritores (UBE). Nos últimos tempos, lançou Campo de trigo com corvos (Jaraguá do Sul-SC, Design Editora, 2007); Gute-Gute, barriga experimental de repertório (Rio de Janeiro, Editora Autografia, 2015); Goto, a lenda do reino encantado do barqueiro noturno do rio Itararé (Florianópolis, Clube de Autores Editora, 2013); Tibete, de quando você não quiser ser gente (Rio de Janeiro, Editora Jaguatirica, 2017); Ele está no meio de nós (Curitiba, Kotter Editorial, 2018); O lixeiro e o presidente (Curitiba, Kotter Editorial, 2019); Transpenumbra do Armagedon (São Paulo, Desconcertos Editora, 2021); Cavalos Selvagens, romance imaginativo (Curitiba/Taubaté: Kotter Editorial  e Letra Selvagem, 2021); A Coisa: muito além do coração selvagem da vida (Cotia-SP, Editora Cajuína, 2021); e Lampejos (Belo Horizonte, Sangre Editorial, 2019).

É autor ainda de Porta-lapsos, poemas (São Paulo, Editora All-Print, 2005); O Homem que virou cerveja, crônicas (São Paulo, Giz Editorial, 2009); e Favela stories, contos (Cotia-SP, Editora Cajuína, 2022). Seus trabalhos constam de mais de cem antologias, inclusive no exterior, como na Antologia Multilingue de Letteratura Contemporanea, de Treton, Itália, e Christmas Anthology, de Ohio/EUA. É autor do primeiro livro interativo da Internet, o e-book O rinoceronte de Clarice, que virou tema de tese de mestrado na Universidade de Brasília (UnB) e de doutoramento na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Adelto Gonçalves – Brasil

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Leitmotiv: a longa estrada de fogueiras da cor de laranja: Diário da Paixão Secreta de Anne Frank, de Silas Corrêa Leite. Curitiba-PR: Kotter Editorial, 208 págs., R$ 48,79, 2023. Site: www.kotter.com.br E-mail: contato@kotter.com.br  E-mail do autor: poesilas@terra.com.br Site do autor: www.poetasilascorrealeite.com.br

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Adelto Gonçalves é doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Fernando Pessoa: a Voz de Deus (Santos, Editora da Unisanta, 1997); Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003, São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imesp/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015), Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015), O Reino a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo – 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br




quinta-feira, 28 de abril de 2022

Portugal - Escritora cabo-verdiana Vera Duarte dá à estampa livro de poesia “Urdindo palavras no silêncio dos dias”


Lisboa – A escritora cabo-verdiana Vera Duarte lança em Lisboa o seu mais recente livro de poesia com o título “Urdindo palavras no silêncio dos dias”, que reúne 100 poemas escritos durante a pandemia.

Em Lisboa, a apresentação da obra estará a cargo da professora da Universidade de Rio de Janeiro Carmem Ribeiro Seco e do professor e jurista português Boaventura de Sousa Santos, sendo que em Cabo Verde, o lançamento será feito no dia 25 de Maio, Dia da África.

Em declarações à Inforpress em Lisboa, Vera Duarte explicou que os poemas da obra foram escritos entre Junho de 2020 e Julho de 2021, mas que para além do tema da pandemia da covid-19, o livro aborda outros temas que lhe “tem perseguido ao longo da sua escrita”, como a questão do feminicídio, pedofilia, violência contra as mulheres, o racismo e a emigração clandestina.

“Isso tudo, tem uma mágoa grande com alguns acontecimentos que tiveram lugar durante a pandemia, como por exemplo o assassinato de George Floyd [EUA] ou de Giovani Rodrigues, mas é também onde se encontra o canto ao amor, à liberdade, à fraternidade e muito essa sensação que sinto por ser cabo-verdiana que acaba por ser toda essa mestiçagem e da crioulização do cabo-verdiano”, explicou.

Segundo Vera Duarte, nesse livro fala muito sobre a “nação crioula” e da mestiçagem, porque o cabo-verdiano tem “muita mistura” no seu ser, algo que “constitui muita a matéria incandescente” da sua poesia.

“É um livro de reflexão poética, porque a minha grande preocupação em cada coisa que escrevo, vai muito daquilo que me vem na alma e que me faz existir como pessoa, mas na verdade é que eu procuro escrever poesia da forma mais bela que eu puder, já que entendo que a poesia, trazendo uma mensagem, deve ser essencialmente uma poesia bela e que dá o prazer da leitura”, frisou.

Vera Duarte garantiu que esse livro lhe deu “muita alegria e muito bom esse regresso à poesia”, porque tinha passado algum tempo sem escrever a poesia, porque estava debruçada sobre contos, romances e crónicas.

O lançamento do livro “Urdindo palavras no silêncio dos dias” está marcado para o final da tarde desta quinta-feira, 28, nas instalações da Associação Caboverdeana de Lisboa.

Em relação aos próximos projectos, Vera Duarte revelou que já está a escrever e a preparar um livro de contos que provisoriamente está a chamar de “Contos infantis para adulto ler”, ou seja, são contos para crianças, mas que trazem “temáticas importantes” e que, eventualmente, até ao final deste ano estará disponível. In “Inforpress” – Cabo Verde



 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

‘Cavalos Selvagens’: uma obra imaginativa

I

Depois de publicar, em 2018, Ele está no meio de nós (Curitiba, Kotter Editorial) e, em 2019, O Marceneiro: a última tentativa de Cristo (Maringá-PR, Editora Viseu), Silas Corrêa Leite (1952) acaba de lançar o romance Cavalos Selvagens, publicação que marca o início de uma parceria entre as editoras Letra Selvagem, de Taubaté-SP, e Kotter Editorial, de Curitiba-PR. Este romance, escrito há 15 anos, porém, não faz parte da projetada trilogia aberta pelas duas obras anteriores. Segundo o autor, o último livro da trilogia está praticamente concluído e deverá vir a público em 2023.

A nova obra do romancista e poeta, a exemplo das anteriores, pode ser definida como mística, ecumênica e religiosa, mas vai além, partindo do título inspirado numa canção dos roqueiros ingleses Keith Richards e Mick Jagger, em que a expressão “cavalos selvagens” pode ser apenas uma metáfora de tudo o que o ser humano é, como se lê em Hamlet, tragédia do poeta, dramaturgo e ator inglês William Shakespeare (1564-1616), escrita entre 1599 e 1601 e que explora temas como traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.  

O cenário do romance é a histórica cidade de Itararé, no Sudoeste do Estado de São Paulo, na divisa com a região Noroeste do Estado de Paraná, que ficou famosa por um episódio ocorrido durante a Revolução de 1930, quando o caudilho Getúlio Vargas, à frente de uma força militar, partiu de trem rumo à capital federal, então o Rio de Janeiro, e correu pela imprensa um boato segundo o qual haveria ali uma batalha sangrenta com as tropas fiéis ao presidente Washington Luís. Mas antes que houvesse a “sangrenta batalha”, houve um acordo entre as elites que redundou na formação de uma junta governativa que assumiu o poder. Aliás, por conta do episódio, que hoje seria chamado de fake new, o jornalista, escritor e precursor do humorismo no Brasil, Apparício Torelly (1895-1971), também conhecido como Apporelly, assumiu o falso título de nobreza barão de Itararé. 

O romance começa por um episódio que marca o nascimento de um varão naquele município, mas num rancho ermo, sem recursos civilizatórios. A mãe, Núbia Angélica, tinha como único parente um executivo sedentário, que comandava uma grande empresa localizada à rua Frei Caneca, perto da Avenida Paulista, em São Paulo, o centro do capitalismo no Brasil, depois de estudar jornalismo e publicidade e fazer uma pós-graduação na Universidade de Oxford, no Reino Unido, o que o levara a “ser alguém na vida por mérito próprio, reconhecido até pela mídia que o premiara no exterior”.

Como a irmã caçula, vinte anos mais jovem, depois de uma série de relacionamentos frustrados, acabara por dar à luz e ficara, praticamente, sem quem a ajudasse porque o presumível pai desaparecera, o executivo decide voltar às origens, à fazenda que havia sido propriedade de seu pai, para cuidar de um recém-nascido e preservar a vida daquele que poderia a ser o único remanescente da família.

                   

                                                               II

À falta de alternativas, o executivo, o doutor Álvaro Henrique Schiolla, assume a responsabilidade de se tornar tio-pai, recorrendo, porém, à ajuda de uma velha indígena, a Aia Luzia, que, em outros tempos, teria sido sua mãe de leite, ao lado de quem ele sempre via a imagem de sua falecida progenitora. E passa a contar também com a colaboração de outros indígenas que já viviam em terras da fazenda e o conheciam desde os tempos de criança. Troca assim o chamado mundo civilizado por um que ainda estaria fora da civilização, embora já não fosse surpresa ver um indígena a manipular um celular.

Na troca, ganha um processo na Justiça aberto por uma namorada que pedia uma pensão e até mesmo a herança total de seus bens, já que teriam desfrutado de uma união estável de mais de dez anos e ele desaparecera misteriosamente. “Então compreendeu que a mulher que amara bastante e na qual não tinha pensado muito – sinal que não a amava inteiramente e nem era primordial? – era como todo mundo: interesseira, dissimulada, falsa. Estava cansado de ser usado. As ações da empresa estavam bem cotadas no mercado, estavam até em alta, pois os negócios com sua forçada ausência não pararam (...).

Reintegrado ao mundo caipira da nova Itararé, o ex-executivo não deixa de voltar a percorrer os ambientes da cidade, de frequentar seus restaurantes, de comprar prendas para o sobrinho-filho Perci, a ouvir o sino da Catedral de Lírios, o coral de crianças carentes do Educandário São Vicente de Paula ou o som da banda da cidade, a Lira Itarareense chamada popularmente de “A Furiosa”, sons que o transportavam para algum lugar do passado.

O enredo, porém, não avança muito sobre o que a vida de Perci pode ter sido ou que não foi – para se repetir aqui um verso famoso de Manuel Bandeira (1886-1968) – e conclui com uma reunião de relatos que seriam do próprio punho do antigo executivo. Por isso, não se pode dizer que Cavalos Selvagens seja propriamente um romance, nem mesmo uma novela, pois este não parece ser o intuito do narrador, ao acrescentar depoimentos por escrito do principal protagonista. Portanto, melhor seria defini-lo como um memorial, a lembrar um pouco o Memorial de Aires, de Machado de Assis (1839-1908), “uma espécie de tratado acerca da velhice”, na definição do professor Massaud Moisés (1928-2018), que se pode ler em Machado de Assis: Ficção e Utopia (São Paulo, Cultrix, 2001, p. 55).

Enfim, como o leitor já deve ter percebido, o estilo de Silas Corrêa Leite continua ágil e criativo, às vezes permeado por frases curtas ou expressões de cariz popular. Como observa no texto de apresentação o crítico Antônio T. Gonçalves, “Cavalos Selvagens expõe as contingências e fragilidades da condição humana, num enredo diferenciado, otimizado por uma conotação que prende o leitor até a “viagem” para dentro da alma de todas as coisas, quando a natureza humana “visita” a orquestra sagracial da casa dos espíritos, universo fantástico”.

Já no prefácio o jornalista e escritor Joaquim Maria Botelho, mestre em Crítica Literária e ex-presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), define esta obra como “um livro de indagações”. E acrescenta: “É um mergulho, uma nova forma de ver o mundo. As respostas – se existem – estão soltas no ar, entre a materialidade e a espiritualidade, entre o urbano e o rural, o dito civilizado e o dito primitivo. O leitor lerá indagações de mãos cheias. E fará o seu julgamento. Talvez obtenha algumas respostas. É ler para – se possível – crer”.

Diante disso, só resta ao leitor conferir todas essas observações com a leitura de Cavalos Selvagens, quando, com certeza, irá constatar que ficou à frente de uma obra muito imaginativa, que cativa à medida que é desvendada.

 

                                                    III

Nascido em Monte Alegre, hoje Telêmaco Borba, no Paraná, e tendo vivido sua juventude na mítica cidade de Itararé, localizada na divisa entre os Estados de São Paulo e Paraná, Silas Corrêa Leite é poeta, romancista, letrista, professor, desenhista, jornalista, resenhista, ensaísta, conselheiro diplomado em Direitos Humanos e membro da União Brasileira de Escritores (UBE), além de blogueiro e ciberpoeta. 

Tendo começado a escrever aos 16 anos de idade, migrou em 1970 para São Paulo, onde se formou em Direito e Geografia, sendo especialista em Educação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de ter cursado extensões e pós-graduações nas áreas de Educação, Filosofia, Inteligência Emocional, Jornalismo Comunitário e Literatura na Comunicação, curso este que fez na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

Nos últimos tempos, o romancista lançou também O lixeiro e o presidente (Curitiba, Kotter Editorial, 2019), romance social, Gute-Gute, barriga experimental de repertório (Rio de Janeiro, Editora Autografia, 2015), Goto, a lenda do reino encantado do barqueiro noturno do Rio Itararé (Florianópolis, Clube de Autores Editora, 2013), romance pós-moderno, considerado a melhor obra do escritor. Tem mais de 20 livros publicados, entre os quais Porta-Lapsos (poemas) e Campo de Trigo Com Corvos (contos). É autor ainda do primeiro livro interativo da Internet, o e-book O rinoceronte de Clarice, que virou tema de tese de mestrado na Universidade de Brasília (UnB) e de doutorado na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Foi finalista do Prêmio Telecom, em Portugal, em 2007.

Seus textos fazem parte de mais de cem antologias literárias de renome, inclusive na Itália e nos Estados Unidos, e estão espalhados por mais de 800 sites, inclusive na América Latina, Europa, Ásia e África. Seu texto “O estatuto do poeta” foi vertido para o espanhol, inglês, francês e russo. Adelto Gonçalves - Brasil

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Cavalos Selvagens, de Silas Corrêa Leite. Curitiba: Kotter Editorial; Taubaté-SP: Letra Selvagem, 304 páginas, R$ 59,30, 2021. E-mails das editoras: contato@kotter.com.br editoraelivrarialetraselvagem@gmail.com  E-mail do autor: poesilas@terra.com.br

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Adelto Gonçalves, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Letras na área de Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo – Imesp, 2021), Tomás Antônio Gonzaga (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras, 2012),  Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imesp, 2015),  Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1981; Taubaté-SP, Letra Selvagem, 2015) e O Reino, a Colônia e o Poder: o governo Lorena na capitania de São Paulo 1788-1797 (Imesp, 2019), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br



terça-feira, 10 de novembro de 2020

UCCLA - Lançamento do livro “Prisão Dourada” de Ana Lavrador

Um diário poético em tempos de pandemia levou a escritora Ana Lavrador a registar em livro as suas impressões e a engrenagem do dia-a-dia em “Prisão Dourada”, que será apresentado no dia 20 de novembro, pelas 18 horas, na UCCLA.

O livro tem a chancela da Kotter Editorial.

Sinopse:


Durante 50 dias de pandemia, Ana Lavrador fez um registo poético desse "tempo suspenso" a que todos fomos alçados. Com uma escrita leve, sensível, a poeta pôs-se a registar as suas impressões de um maquinismo emperrado, em que as ruas estão vazias, as portas estão fechadas e a mente aberta ao questionamento da vacuidade da engrenagem que nos consome. Desde a sua "Prisão Dourada" (oxímoro que dá título ao livro e prenuncia as tensões do momento registado), Ana colhe as flores e os espinhos de uma primavera estranha e pungente.

A relação mais delicada e profunda com os seus gatos; a irresponsabilidade de poderosos e incautos; o respiro provisório de uma natureza sufocada pela ganância humana; as reuniões virtuais com os seus alunos; os "Pesadelos nesta guerra súbita, / sem defesa e sem data para acordar" – nada escapa ao olhar atento e agudo desta pintora subtil da paisagem humana, nestes dias em que vemos "O medo a espalhar-se, /a esperança pousada na escrita". (Marcos Pamplona)

Biografia:

Ana Luísa Figueiredo Lavrador da Silva é licenciada em Geografia, mestre em Geografia Física e Ambiente e doutorada em Artes e Técnicas da Paisagem. A paisagem é o seu tema central de investigação. Colabora em projetos académicos ligados às paisagens literárias e ao turismo em regiões vinhateiras. Tem publicados livros e artigos em revistas científicas e literárias, e uma vasta participação em congressos, colóquios, seminários e conferências.

 

Morada:

Avenida da Índia, n.º 110 (entre a Cordoaria Nacional e o Museu Nacional dos Coches), em Lisboa

Autocarros: 714, 727 e 751 - Altinho, e 728 e 729 - Belém

Comboio: Estação de Belém

Elétrico: 15E - Altinho

Coordenadas GPS: 38°41’46.9″N 9°11’52.4″W