Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 8 de outubro de 2022

Internacional - Uma em cada oito espécies de aves está ameaçada de extinção em todo o mundo


Este sábado, dia 8 de outubro, assinala-se o Dia Mundial das Aves Migratórias, uma efeméride que tem como propósito alertar para a necessidade de conservação dessas espécies e dos habitats de que elas dependem. Contudo, apesar dos esforços até aqui empreendidos, é preciso fazer mais para proteger as aves, todas elas, das ameaças criadas pela ação humana sobre o planeta.

De acordo com o mais recente estudo da associação BirdLife International, divulgado no final de setembro, “quase metade de todas as espécies de aves estão em declínio, com mais de uma em cada oito em risco de extinção”.

Os especialistas apontam que “as pressões que causam essas diminuições são bem conhecidas, e a grande maioria são impulsionadas pela ação humana” e que “os desafios para a conservação estão a escalar e o tempo está a esgotar-se”. Publicado a cada quatro anos, o estudo de 2022 indica que a conservação de locais que sejam importantes para as aves através da gestão comunitária e a proteção e a gestão eficientes desses mesmos locais são ações fundamentais para ajudar a travar a perda dessas espécies.

Destacando que “a situação no nosso país é igualmente preocupante”, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) adianta que, em Portugal, dados relativos ao período entre 2007 e 2018 revelam que “há 53 espécies em declínio, enquanto 38 estarão a aumentar e 32 estão estáveis”. No entanto, os especialistas afirmam que “para 63 espécies no nosso país não há informação sobre o estado das suas populações, e outras 52 têm tendência incerta – uma situação preocupante que demonstra a necessidade de maior monitorização para serem recolhidos dados que permitam uma boa avaliação o estado das espécies”.

Voltando de novo o olhar para o plano global, o relatório da BirdLife International identifica que as perdas de aves se devem, essencialmente, à expansão e intensificação da agricultura, com a SPEA a afirmar que essa “é também a maior ameaça às aves em Portugal, causando declínios acentuados de espécies como o sisão, a águia-caçadeira (ou tartaranhão-caçador), e os picanços”.

A exploração madeireira é apontada como outro dos principais motores da diminuição das populações de aves em todo o mundo, a par de uma gestão insustentável da floresta, do uso de produtos químicos e da conversão de prados e pastagens em áreas de cultivo.

A somar a tudo isso, as alterações climáticas, aceleradas pela atividade humana, estão também a pressionar cada vez mais as populações de aves a nível global, estimando-se que, atualmente, “34% das espécies ameaçadas já estão a ser afetadas, e prevê-se que o nosso clima em mudança venha rapidamente a tornar-se um problema ainda maior”, relata a SPEA.

Patrícia Zurita, CEO da BirdLife International, alerta que “a Natureza está em declínio em todo o mundo, com o desenvolvimento insustentável a degradar habitats naturais e a empurrar espécies para a extinção”. A responsável salienta que “a expansão e a intensificação agrícola, a atividade madeireira, espécies invasoras e a sobre-exploração continuam a alimentar esta tendência”.

“O que é necessário é vontade política e compromissos financeiros”, defende Zurita, para ser possível implementar soluções adequadas, e atempadas, para travar e reverter a perda de populações de aves e da biodiversidade no geral.

E acrescenta que “a Estrutura Global pós-2020 para a Biodiversidade que está atualmente a ser negociada [e que se espera que venha a ser aprovada na COP15 de dezembro] é a melhor, e talvez última, hipótese do mundo para travar a perda de natureza e para orientar-nos para a conservação e recuperação do planeta”.

“Desta vez, os governos têm de ser bem-sucedidos onde anteriormente falharam, traduzindo as suas promessas em ação substantiva”, frisa a responsável.

Por sua vez, a SPEA declara que “apesar do estado preocupante do mundo natural, as aves dão-nos motivos de esperança” e que “com ações efetivas, as espécies podem ser salvas e a natureza pode recuperar”. Filipe Rações – Portugal in “Green Savers Sapo”


 

sexta-feira, 22 de março de 2019

Portugal - Ninho artificial atrai abutres ameaçados para o Douro em tempo recorde

Um dos ninhos artificiais instalados no Douro Internacional em janeiro deste ano já tem ocupantes: um casal de abutres-pretos. Os ninhos foram instalados no âmbito do projeto Life Rupis, uma vez que o incêndio que devastou a região de Lagoaça em 2017 destruiu o ninho do casal já existente bem como muitas das árvores altas com boas condições para estas aves fazerem o ninho. O casal de abutres-pretos que se instalou agora num destes ninhos artificiais duplica o número de pares reprodutores no Parque Natural do Douro Internacional, reforçando as probabilidades de instalação no nordeste de Portugal de uma nova colónia desta espécie globalmente ameaçada.

“O facto de este ninho ter sido ocupado tão rapidamente mostra a importância de providenciar locais seguros onde estas aves ameaçadas possam fazer o ninho, sobretudo na sequência de eventos devastadores como o incêndio de 2017”, diz Joaquim Teodósio, coordenador do Departamento de Conservação Terrestre da SPEA e do projeto Life Rupis.

Os ninhos artificiais são plataformas elevadas instaladas no topo da copa de árvores selecionadas onde os abutres-pretos podem fazer o ninho e manter as crias em segurança. No âmbito do projeto Life Rupis, este trabalho especializado foi realizado pela empresa Oriolus com apoio dos Vigilantes de Natureza e técnicos do ICNF, tendo sido construídas quatro destas plataformas em locais estratégicos no Parque Natural do Douro Internacional. Pouco tempo depois, o novo casal instalou-se numa delas.

Estes novos habitantes das Arribas do Douro juntam-se ao outro casal de abutres-pretos da região, que vem sendo acompanhado, desde que se fixou na área há 7 anos, pelas equipas dos dois parques abrangidos pelo Life Rupis: o Parque Natural do Douro Internacional (ICNF) e o Parque Natural Arribes del Duero (Junta de Castilla y León). Quando esse primeiro casal fez do Douro a sua morada em 2012, surpreendeu os biólogos ao instalar-se a cerca de 100 km das colónias mais próximas, localizadas em Espanha. As maiores aves que percorrem os céus portugueses, os abutres-pretos vivem normalmente em colónias com dezenas de indivíduos. Por vezes, casais recém-formados afastam-se de uma colónia, começando um novo núcleo – foi o que sucedeu em Barrancos, por exemplo. Mas normalmente estes novos núcleos formam-se a 10 ou 20 km da colónia de origem – não a 100km!

A esperança da equipa do Life Rupis é que ambos os casais se reproduzam com sucesso, e que este verão se juntem assim mais duas crias àquela que teve sucesso o ano passado, depois de os pais terem perdido a cria de 2017 no incêndio. A longo prazo, a equipa tem esperança que esta nova geração, quando atingir a maturidade, venha também a fixar-se na região. E que a ela se juntem aves de outras origens que por vezes dispersam até ao Douro, para que aos poucos se instale uma colónia de abutres-pretos no nordeste de Portugal. Para esta espécie ameaçada, uma nova população em Portugal seria uma excelente notícia, e um contributo significativo para a recuperação da espécie na Europa. In “Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves” - Portugal

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Portugal – X Congresso de Ornitologia 2019 da SPEA

O X Congresso de Ornitologia da SPEA vai ter lugar em Peniche, de 2 a 5 de março de 2019. Ornitólogos amadores e profissionais podem submeter propostas de apresentações até 31 de outubro de 2018

O maior evento nacional dedicado à ornitologia decorrerá de 2 a 5 de março de 2019, na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, em Peniche. Para além das apresentações, workshops e sessões de posters, o congresso incluirá ainda saídas de campo e exposições. Até 07 de novembro de 2018, todos os ornitólogos são convidados a submeter propostas para o X Congresso de Ornitologia da SPEA.

Durante os 4 dias de trabalhos, os participantes poderão trocar ideias, apresentar projetos, discutir resultados, e ainda fazer saídas de campo a alguns locais de especial importância para as aves: as Berlengas, o Paúl de Tornada e a Lagoa de Óbidos.

“O Congresso de Ornitologia da SPEA é uma referência para todos os que se dedicam ao estudo das aves, e uma oportunidade ideal para discutir as últimas descobertas e os avanços mais recentes para quem estuda e trabalha nesta área da ciência,” diz Domingos Leitão, Diretor Executivo da SPEA.

Encontram-se já confirmados quatro oradores convidados, que este ano incluem o Prof. Rory Wilson, da Universidade de Swansea no Reino Unido, reconhecido internacionalmente como pioneiro no uso de marcadores eletrónicos não invasivos, que permitem seguir os movimentos de animais – por exemplo durante a migração – sem efeitos adversos para o animal. Para além de Wilson, haverá palestras de Paula Sobral (Universidade Nova de Lisboa), Gonçalo Cardoso (Cibio, Universidade do Porto), Richard Phillips (British Antarctic Survey) e Inês Catry (CEABN, Instituto Superior de Agronomia).

O congresso, que se realiza de dois em dois anos, atraiu 200 participantes na última edição, em Vila Real. A organização espera uma participação igual ou superior na próxima edição em Peniche. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves - Portugal

domingo, 1 de novembro de 2015

Portugal - Novo projeto para proteger o britango e a águia-perdigueira no Douro Internacional

Com início em julho de 2015, o LIFE Rupis é um dos mais recentes projetos financiados pela União Europeia a decorrer em território português e espanhol, mais concretamente na Zona de Proteção Especial (ZPE) do Douro Internacional e Vale do Rio Águeda e na ZEPA de Arribes del Duero. Com uma duração de 4 anos, este projeto pretende implementar ações que visam reforçar as populações de águia-perdigueira e britango no Douro transfronteiriço, através da redução da mortalidade destas aves e do aumento do seu sucesso reprodutor. O abutre-preto e o milhafre-real são espécies também beneficiadas por este novo projeto.

Coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o novo projeto tem mais oito parceiros, a Associação Transumância e Natureza, a Palombar, o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, a Junta de Castilla y León, a Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, a Vulture Conservation Foundation, a EDP Distribuição e a Guarda Nacional Republicana. O projeto é cofinanciado pelo programa LIFE da União Europeia.

O britango e a águia-perdigueira estão em perigo de extinção, tanto em Portugal como em Espanha. O britango é o abutre mais pequeno da Europa. Está classificado como “Em Perigo” no território Europeu, onde as suas populações registaram um decréscimo de 50% nos últimos 40 anos, e uma elevada perda de habitat. A água-perdigueira tem um estatuto de “Quase Ameaçada” na Europa, devido ao decréscimo populacional e à pressão sobre as suas populações. Na área abrangida pelo projeto existem 13 casais de águia-perdigueira e uma das mais importantes populações de britango da Península Ibérica, com 116 casais.

O LIFE Rupis, destaca-se por ser um projeto transfonteiriço, com ações concertadas dos dois lados da fronteira. Entre as várias ações destaca-se a alimentação artificial dirigida ao britango, baseada numa rede de alimentadores fixos e móveis, que irá permitir o aumento da disponibilidade de alimento perto dos locais de reprodução da espécie. Pela primeira vez em Portugal vão ser marcados britangos com emissores de satélite, para seguimento à distância e investigação dos seus hábitos dispersivos e migratórios.

Serão desenvolvidas acções pioneiras de combate ao uso ilegal de venenos, com equipas da GNR que utilizam cães treinados, serão corrigidas linhas eléctricas com equipamentos anti-electrocussão e anti-colisão de aves dos dois lados da fronteira e será elaborado um plano de ação transfronteiriço para a conservação do britango. Serão geridos mais de mil hectares de habitats importantes para as espécies alvo e criada uma cerca móvel para alimentação de aves necrógafas, para reforçar territórios com escassez acentuada de alimento. O resultado esperado do projeto será o aumento da taxa de reprodução e a diminuição da mortalidade não natural destas aves, nesta região justamente conhecida pela sua riqueza faunística e beleza natural.

Domingos Leitão, coordenador do projecto, salienta que “para além dos resultados positivos que se esperam ao nivel das populações das espécies alvo, serão promovidas a agricultura e o pastoreio tradicionais, bem como os seus produtos e serviços.” “Ao longo dos quatro anos do projecto Rupis vamos promover e publicitar o Douro Internacional, através da visitação, do turismo de natureza e dos produtos de qualidade, que serão motores da conservação da natureza após o seu terminus.” In “SPEA” – Portugal


Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves – A SPEA é uma Organização Não Governamental de Ambiente que trabalha para a conservação das aves e dos seus habitats em Portugal. A SPEA faz parte da BirdLife International, uma aliança de organizações de conservação da natureza em mais de 100 países, considerada uma das autoridades mundiais no estudo das aves, dos seus habitats e nos problemas que os afetam

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Portugal - O fura-bardos é a Ave do Ano 2015: o mistério da ilha da Madeira


O fura-bardos (Accipiter nisus granti) é a Ave do Ano em 2015, campanha lançada todos os anos pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). Esta subespécie, que apenas pode ser encontrada na ilha da Madeira e no arquipélago das Canárias é um exímio caçador. Ilustre desconhecido para muitos, pouco se sabe acerca dele e por esta razão e na sequência dos incêndios que aconteceram nos últimos anos, decorre, desde 2013, um outro grande projeto - o LIFE Fura-bardos.

A presença desta ave de rapina é usual apenas em algumas zonas da ilha da Madeira e Canárias, em ambientes florestais, podendo também ser vista em campos agrícolas e áreas abertas, que utiliza para caçar as suas presas.

Esta subespécie do gavião, caraterizada pelas suas diferenças morfológicas em relação à sua congénere continental, o gavião Accipiter nisus, apresenta uma plumagem mais escura no dorso e mais listrada no ventre. A fêmea, com um tom mais acastanhado, é maior que o macho, caracterizado por uma plumagem acinzentada complementada por uma coloração laranja no peito.

Aves pequenas, como canários e melros, bem como aves de porte médio, entre elas o pombo-trocaz ou pombo-da-madeira, fazem parte da alimentação do fura-bardos.

Segundo Isabel Fagundos, Diretora da SPEA Madeira, “A campanha da Ave do Ano vai dar a conhecer esta ave tão singular e demonstrar como é importante investir na conservação de espécies que apenas existem em locais muito limitados do planeta. Vamos, por isso, organizar atividades e promover ações de comunicação para que os madeirenses e também as pessoas do continente passem a conhecer o fura-bardos.”

Desconhece-se o número de exemplares da espécie que existem na ilha da Madeira, uma vez que nunca foi realizado um censo específico, mas sabe-se que este tem sido ameaçado nos últimos anos pelos fogos florestais, através da destruição do seu habitat de reprodução. Estes fatores levaram a SPEA a submeter um projeto ao programa comunitário LIFE+, que decorre desde 2013 em parceria com o Parque Natural da Madeira, a Direção Regional das Florestas e Conservação da Natureza e a Sociedad Española de Ornitología. SPEA – Portugal

Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves – A SPEA é uma Organização Não Governamental de Ambiente que trabalha para a conservação das aves e dos seus habitats em Portugal. A SPEA faz parte da BirdLife International, uma aliança de organizações de conservação da natureza em mais de 100 países, considerada uma das autoridades mundiais no estudo das aves, dos seus habitats e nos problemas que os afectam | www.spea.pt

LIFE Fura-bardos - O projeto “Conservação do Fura-bardos e habitat de Laurissilva, na ilha da Madeira” é coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, em parceria com a Direção Regional de Florestas e Conservação da Natureza, Sociedad Española de Ornitología e Serviço do Parque Natural da Madeira. É financiado pelo instrumento financeiro LIFE+ da Comissão Europeia. O principal objetivo deste projeto é a conservação de uma subespécie prioritária através da recuperação e proteção do seu habitat natural – a floresta Laurissilva da Madeira. | http://lifefurabardos.spea.pt/pt/

Informação complementar:

• Nome científico: Accipiter nisus granti
• Características: ave de rapina diurna, própria de ambientes florestais
• Ocorrência: restrita à ilha da Madeira e a cinco ilhas do arquipélago das Canárias – Gran
Canaria,Tenerife, La Palma, La Gomera e El Hierro
• Onde pode ser observada: próximo de campos agrícolas, em áreas abertas ou áreas urbanas, que utiliza como áreas de caça
• Habitat: ambientes florestais, preferencialmente em áreas de sub-bosque arbustivo (urzes, azevinhos ou faias) e em zonas de Laurissilva

Curiosidades

• O fura-bardos Accipiter nisus granti, pertence à família dos Accipitridae, como o seu congénere continental, o gavião Accipiter nisus;
• A espécie tem cerca de 28 a 37cm de comprimento e 60 a 80cm de envergadura, asas curtas, largas e arredondadas, cauda comprida e patas amarelas;
• O macho é mais pequeno (137g) e tem o abdómen alaranjado, sendo que a fêmea é maior (234g) e o seu abdómen tem uma tez acastanhada;
• O período de reprodução ocorre entre os meses de fevereiro e julho, e os seus ninhos são construídos em árvores;
• Todos os anos constroem um ninho novo próximo do ano anterior, o que mostra uma grande fidelidade em relação ao território.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Portugal – “Dar asas ao património”

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves concorre pelo 3º ano consecutivo ao Orçamento Participativo da Câmara de Lisboa, com o projeto “Dar Asas ao Património”, cujo objetivo é reabilitar o antigo palacete da Quinta das Conchas (Lumiar) e transformá-lo num centro ambiental dedicado às aves da cidade. Para votar é necessário enviar um SMS grátis para o número 4310 apenas com o texto 083 e/ou votar online em http://www.lisboaparticipa.pt/. Todos podem votar, mesmo quem reside fora do concelho de Lisboa.

A reabilitação do edifício da Quinta das Conchas, que se encontra em risco de ruir, pretende dar uma nova vida ao palácio, criando um espaço aberto ao público, dedicado às aves da cidade de Lisboa e à conservação da natureza.


A SPEA considerou que o jardim reúne condições para desenvolver um espaço, onde será possível organizar atividades de educação ambiental, exposições dedicadas à conservação da natureza e atividades de observação de aves, em que poderão ser observadas águias-de-asa-redonda, peneireiros, gaios, piscosde- peito-ruivo, patos-reais, andorinhas e tantas outras.

O centro contribuirá também para criar uma maior percepção relativa à biodiversidade nos espaços naturais inseridos em contextos urbanos e, para o desenvolvimento de uma consciência ambiental junto da população residente ou em visita, amantes das aves e da natureza em geral. O objetivo vai de encontro à missão da SPEA que é precisamente zelar para que se continue a estudar, a conhecer e a proteger este património natural que são as aves e os espaços que lhes servem de casa e lhes dão alimento.

De acordo com Luís Costa, Diretor Executivo da SPEA, “A biodiversidade nas grandes cidades é desconhecida para muitos, mas ela existe, apenas está mais escondida. Votar neste projeto irá contribuir para a realização de algo que há muito a SPEA considera fazer falta à capital e irá permitir implementar uma série de ideias e iniciativas que até à data ainda não foram possíveis de realizar por falta de um espaço como este: central, com bons transportes e um espaço verde e amplo.” SPEA - Portugal


Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves – A SPEA é uma Organização Não Governamental de Ambiente que trabalha para a conservação das aves e dos seus habitats em Portugal. A SPEA faz parte da BirdLife International, uma aliança de organizações de conservação da natureza em mais de 100 países, considerada uma das autoridades mundiais no estudo das aves, dos seus habitats e nos problemas que os afectam | www.spea.pt

sábado, 6 de setembro de 2014

Portugal – 06 de Setembro, Dia Internacional do Abutre

Hoje comemora-se o Dia Internacional dos Abutres

Este dia é celebrado em todo o mundo no primeiro sábado do mês de setembro e este ano tem como objetivo denunciar o declínio das populações de abutres devido a envenenamento.

Hoje, dia 6 de setembro celebra-se o Dia Internacional do Abutre um pouco por todo o mundo, incluindo Portugal. O objetivo definido para este ano passa por chamar a atenção para o envenenamento destas aves, através do uso do medicamento veterinário (diclofenac), o que coloca em risco a sua conservação. Neste sentido, as organizações ambientais portuguesas assinalam este dia, para consciencializar as pessoas dos perigos que afetam estas espécies.

Inicialmente este dia dedicado aos abutres era apenas celebrado pela Birds of Prey Programme, uma organização sul-africana e pela Hawk Conservancy Trust, de Inglaterra, que se juntaram e conseguiram internacionalizar este dia, com o objetivo de fazer de fazer passar a mensagem a mais pessoas.

Este ano procura-se alertar para a utilização excessiva do diclofenac veterinário, uma substância anti-inflamatória utilizada para tratar o gado e que é extremamente tóxica para os abutres, causando a sua morte por falência renal. A utilização do diclofenac veterinário já causou o desaparecimento de 99% dos abutres no sul da Ásia.

Este fenómeno está a espalhar-se pela Europa, onde existem quatro espécies de abutres. Em Portugal existem três espécies, o britango, em perigo de extinção, o abutre-preto, criticamente em perigo, e o grifo, quase ameaçado. São espécies que podem ser encontradas em regiões remotas do interior, junto à fronteira, e têm uma importante função sanitária nos ecossistemas. Estas aves limpam os campos de cadáveres de animais selvagens e domésticos, de um modo rápido e eficiente, e a custo zero.

Estudos recentes demonstram que as grandes águias também sofrem do envenenamento pelo diclofenac. Foram encontradas águias-das-estepes mortas na Índia com resíduos deste medicamento. Estas águias são do mesmo género da águia-real e da águia-imperial, duas espécies em perigo de extinção em Portugal. Os cientistas receiam que as aves deste género possam ser suceptíveis a esta substância tóxica, temendo-se o declínio destas espécies no continente europeu.

Infelizmente verifica-se que em Espanha e em Itália, consideradas áreas importantes para a população europeia de abutres e águias, o diclofenac veterinário é já comercializado legalmente, apesar de existirem outros produtos alternativos. Perante estas condicionantes, a BirdLife International e a Vulture Conservation Foundation, em conjunto com organizações nacionais, juntaram esforços para organizar uma campanha com o intuito de banir o uso de diclofenac veterinário na Europa e a sua substituição pelas alternativas que existem. Em Portugal, uma coligação de ONGAs (SPEA, LPN, Quercus, FAPAS, ALDEIA, ATN e CEAI) está a trabalhar junto das autoridades da conservação da natureza e do medicamento veterinário, para impedir a legalização do diclofenac no nosso país. SPEA – Portugal

Os abutres no mundo
Existem 21 espécies de abutres no mundo, cinco delas podem ser encontrados no continente americano. Outros 16 estão distribuídos por toda a África, Europa e Ásia. Dos chamados abutres do Velho Mundo, 75% estão globalmente ameaçadas ou quase ameaçadas. Este deverá aumentar na próxima avaliação do estado de conservação.

As quatro espécies de abutres na Europa
O britango, que se encontra “em perigo”, o abutre-preto que se encontra “Quase em perigo” e importantes populações de grifo e quebra-ossos. Três das quatro espécies de abutres têm vindo progressivamente a aumentar (exceto o britango), sobretudo devido aos esforços de conservação intensivos financiados por projetos da União Europeia. Desde 1996, que a UE e os governos nacionais investiram recursos significativos na conservação dos abutres, tendo havido pelo menos 67 projetos relacionados à conservação destas aves. Entre 2008 e 2012, nove projetos de conservação de abutres receberam 10,7 milhões de euros. Todos os esforços de conservação serão inúteis se o uso do diclofenac veterinário se tornar generalizado.

O que é o diclofenac?
O diclofenac é um medicamento anti-inflamatório não esteróide (AINE) presente em muitos medicamentos usados para tirar as dores moderadas. É extremamente tóxico para os abutres em pequenas doses. O seu uso no gado causou a morte a 99% das populações de abutres no sul da Ásia na década de 90. Os abutres que comem bovinos tratados com uma dose veterinária do diclofenac morrem em menos de 2 dias.

Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves – A SPEA é uma Organização Não Governamental de Ambiente que trabalha para a conservação das aves e dos seus habitats em Portugal. A SPEA faz parte da BirdLife International, uma aliança de organizações de conservação da natureza em mais de 100 países, considerada uma das autoridades mundiais no estudo das aves, dos seus habitats e nos problemas que os afectam.  www.spea.pt

domingo, 10 de agosto de 2014

Açores – Nidificação de garajau-de-dorso-preto

Confirma-se a nidificação de garajau-de-dorso-preto no ilhéu da Praia, Graciosa

Pela primeira vez a nidificação de garajau-de-dorso-preto Sterna fuscata não é uma hipótese, é uma realidade no ilhéu da Praia, na ilha Graciosa, Açores. Esta descoberta foi feita pela equipa técnica da SPEA e pelo anilhador credenciado Carlos Pacheco que se encontravam no ilhéu da Praia para mais uma ação de monitorização da população de paínho-de-monteiro Oceanodroma monteroi no âmbito do projeto “Painho-de-monteiro (fase 1), aprovado e financiado ao abrigo do Programa “Preventing Extinctions” (PEP) da BirdLife International.

Os Açores são o limite norte para a distribuição da espécie que desde 1902 é conhecida no arquipélago, com apenas 2 casais reprodutores conhecidos no ilhéu da Vila (Santa Maria). Desde 2004, há suspeitas de nidificação no ilhéu da Praia, Graciosa, pela presença ocasional de um casal entre as colónias de garajau-comum Sterna hirundo e garajau-rosado Sterna dougallii. O garajau-de-dorso-preto é cerca de 10-15% maior do que um garajau e tem a particularidade comparativamente com estes (2-3 ovos), de apenas pôr um ovo. A sua época de nidificação é entre Abril e Setembro e a nidificação da espécie foi confirmada pela descoberta da cria, uma raridade no que respeita ao país e na Europa. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves – Portugal

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves é uma associação científica sem fins lucrativos que promove o estudo e a conservação das aves em Portugal. Foi fundada a 25 de novembro de 1993 e correspondeu a um desejo manifestado por um grande número de profissionais e amadores que desenvolviam atividade na área da Ornitologia e conservação da avifauna. Em julho de 2012, a SPEA foi reconhecida como entidade de utilidade pública. Atualmente com cerca de 3400 sócios, a SPEA desenvolve projetos de conservação da Natureza em território Nacional e também em parceria no estrangeiro (Cabo Verde, São Tomé e Espanha). A sensibilização ambiental e a promoção do Birdwatching são também duas das suas prioridades.

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